História Ressaca. - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Naruto
Tags Hashimada, Naruto, Ressaca
Visualizações 139
Palavras 4.595
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Lemon, Romance e Novela, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Naruto e seus personagens não me pertencem.
Se pertencesse, na boa, Naruto e Sasuke seriam o casal gay mais amado de Konoha e Hashirama e Madara morreriam juntos e se abraçando.

A história é a continuação, bem adorável, de uma antiga "one-shot" minha: Bêbados, que eu postei no nyah! e não sei se pretendo trazê-la ao spirit, mas não é necessário lê-la para entender essa aqui.
Eu tava com essa ideia há um tempo e só agora tive coragem de finalizar.

Uma boa leitura! <33

Capítulo 1 - Você lembra?


Hashirama por um momento se sentiu um covarde —— e profundamente lamentou por isso.

Estava no refeitório da escola, movimentado por conta do horário do almoço, parecendo ansioso. O bastante para as mãos estarem suadas e os lábios machucados pelo modo como os mordia. Na fila para que pudesse comprar algo para almoçar, os olhos castanhos percorriam todo o cenário como se buscasse encontrar algo — e realmente, precisava localizar o moreno de olhos negros que sempre passava por ali apenas para pegar uma latinha de refrigerante com o irmão mais novo e logo sumia. 

Respirou fundo e subiu uma das mãos até a testa, coçando-a fingindo não notar o quanto os dedos estavam trêmulos. Sentia-se um garoto no colegial nervoso para declarar o amor eterno à garotinha mais bonita e popular de toda escola. 

Mas não, não era. 

Ao olhar para o relógio, o maldito pendurado em uma das paredes do refeitório como um modo de lembrar aos seus alunos infelizes que não tinham todo o tempo do mundo para enrolar ali, deixou-se vagar pelo tempo e focar em um passado talvez um pouco distante — para si uma eternidade.

Já tinha passado uma semana e três dias.

Ah, mas do que? 

Era fácil responder isso. Hashirama sorriu ironicamente para o nada, como se silenciosamente zombasse de si mesmo. 

Há uma semana e três dias tinha, enfim, fodido a bunda de Madara na sala de sua casa em meio a um — nem um pouco — encantador caos de pipoca, uísque e cacos de vidro. Logo após uma tosca discussão que a ressaca o impedia de lembrar com exatidão. Os pensamentos só tinham se focado em uma única coisa daquele dia: o tom rouco e arrogante soando curiosamente mais manhoso aos seus ouvidos em meio a excitante foda no chão.

Sua mente parecia querer pregar em si uma maravilhosa peça. Os motivos eram confusos em sua cabeça, apenas lembrava dos soluços e a garganta um pouco danificada por conta do brigadeiro quente que devorou sozinho — isso porquê viu a camiseta totalmente suja com o doce. Mas as cenas do sexo em meio ao uísque eram nítidas, como se fosse um filme recém-visto com um óculos 3D em uma confortável poltrona de cinema. 

Era só fechar os olhos que podia rever tudo. As expressão do moreno sob seu corpo, os gemidos prazerosos e roucos próximos de seus ouvidos, os arranhões distribuídos em suas costas — inventar uma desculpas para as feridas que permaneciam em sua pele foi a parte mais difícil de seu dia, principalmente ao concordar em ir na praia com alguns colegas de escola em uma inocente conversa em um dos chats que todos compartilhavam nas redes sociais. 
 

 

 —— Hashirama?

 —— H-Hm?! —— Abriu apenas o olho direito, confuso. Notou o olhar interrogatório da garota que trabalhava no refeitório junto do pai, que no momento atendia outro, e ruborizou. Estava atrasando a fila com seus pensamentos pervertidos.

 —— Foi mal, estava... Enfim. Só quero um sanduíche natural e uma coca-cola. 

 

Foi imediatamente atendido — ignorando firmemente o olhar interrogativo de Mito sobre si. O lanche colocado em suas mãos logo após pagar por tal foi total alvo de sua atenção ao caminhar, pacientemente, até a mesa de seus amigos. 

Sentou. 

Atentamente passou a fatiar o sanduíche e levar cada pedaço aos lábios, parecendo muito concentrado em ignorar os comentários e as risadas que rondavam o pequeno grupo sentado ali. 

Os olhos castanhos permaneciam a passear pelo refeitório em busca de um rosto familiar. Como se tudo no momento dependesse dessa breve troca de olhares que poderiam ter. 

Depois do acontecimento, os dois começaram a se evitar. 

Lembrava da despedida silenciosa de ambos logo após limparem toda a bagunça na sala, quando o sol ameaçou partir e a sala passou a ser iluminada apenas pela brilhante luz da televisão. Hashirama pensou em trezentas coisas para falar quando os dois se encararam na porta, mas não conseguiu. O olhar sério de Madara e também os lábios tortos em uma careta trouxeram para si uma sensação estranha de: "eu não quero assunto". O peito se apertou ao vê-lo movimentar os ombros, quis realmente dizer algo, só que infelizmente era um maldito covarde e virou as costas. Partindo para casa com a calça suja de porra e uísque.

Na escola, as brigas bobas de ambos por futilidades cessou. Hashirama e Madara evitavam até mesmo estar no mesmo ambiente, e quando acontecia de se esbarrar, os dois abaixavam a cabeça e continuavam seus caminhos. Propositalmente ignorando a existência do outro. No caminho para casa, evitavam permanecer na mesma calçada. Hashirama não entendia o porquê, mas sempre que Madara percebia que ambos estavam na mesma, cessava os passos e atravessava para que pudesse ir do outro lado.  

Por dentro? 

O Senju se desesperava, obviamente. Como o bom colegial apaixonado. Por que não conseguia ultrapassar aquela barreira invisível que, subitamente, tinha surgido entre os dois?

Era frustrante. 

 

 —— Hashirama! —— O grito coletivo o acordou. Os olhos castanhos se arregalaram de surpresa. 

 —— Deus, estamos chamando você há um tempo, ttebane! O que você tem? —— Kushina indagou em tom frustrado. Cruzava os braços sobre a mesa.

 —— Trabalho de literatura. —— Mentiu ao enfiar um grande pedaço do sanduíche na boca. Era um péssimo mentiroso, qualquer um poderia perceber isso, mas não com a boca cheia. 

 

Os olhares se tornaram menos carregados sobre si. Aliviante. 

Como contar que estava distraído e frustrado por que seu pau sentia falta de Madara Uchiha?
 

 —— Eu imaginava que era pelo seu término com a Mito. —— Alfinetou Kushina, trocando um olhar com a prima de cabelos igualmente ruivos. Hashirama suspirou. —— Qual é, não tem pensado nisso mesmo?

 

Não. 

Ele realmente não pensava no término. 

Quatro dias depois de sua aventura carnal com Madara decidiu terminar com Mito. 

Por que?

SIMPLES!

Não suportava a ideia de ficar forçadamente com alguém para agradar outros, sendo que o alvo de sua paixão — e tesão — era Madara Uchiha. Era quase ofensivo para seus pensamentos fazer algo tão cruel como traição com alguém como Mito. 

 

 —— Não. —— Não foi sua intenção responder a Uzumaki de forma tão rude, até porque estava com a boca cheia com os últimos pedaços de seu sanduíche.

 

O clima pesou. Hashirama sacudiu a cabeça de forma negativa.

Andava impossível ficar com aquele povo por mais de trinta minutos sem que o assunto do término viesse e deixasse o clima daquela forma. Odiava, simplesmente odiava isso.

Esse foi o motivo de ter levantado. Firmemente segurou o resto de seu lanche em mãos e resmungou alguma coisa sobre ir ao banheiro, o que era apenas uma desculpa para sair dali e evitar assuntos que só fariam o clima ficar pior. 

Mas ao se aproximar da porta do refeitório teve o caminho atrapalhado pela pessoa que entrava.

O breve susto foi substituído por uma generosa onda de nervosismo e por suas mãos que suaram quase que de imediato, formigando ansiosamente para agarrar o corpo parado na sua frente.

Madara o encarou com seu típico olhar indiferente, as sobrancelhas tortas em uma de suas caretas — conhecia aquela: era de preocupação. Quase que de imediato todos os olhares do refeitório retornaram para ambos, curiosos e maliciosos, sedentos por uma briga que naturalmente tinha quando ambos se chocavam nos cantos mais movimentados do colégio. 

Os dois permaneciam em silêncio, naquela troca de olhares que para muitos era sinônimo de fúria — mas que Hashirama encarava como uma tensão sexual. 

Ah, ele era bem óbvio — ao menos para si mesmo — sobre o que sentia para com Madara. Não fazia sentido tentar bancar o idiota arrogante que não tinha coragem de admitir o próprio tesão incontrolável por um amigo de infância — ainda era tímido para admitir estar apaixonado com todas as letras assim. 

 

 —— Madara... —— Tentou iniciar, arrancando coragem do inferno para poder conversar.

 —— Depois, Hashirama. —— Madara cortou. Ele desviou os olhos. Ao longe viu Izuna com duas latinhas de refrigerante nas mãos. —— Eu também quero falar com você. Só... Não aqui. 

 

O Senju por um minuto travou. Parecia surpreso e um pouco envergonhado pela situação. Pensou em dizer tantas coisas, mas a cabeça apenas moveu de forma afirmativa e o viu sacudir a cabeça positivamente em companhia. 

Por que isso o deixava ansioso? 

Por que saber que Madara tinha algo para lhe dizer o deixava em uma situação idiota como aquela? 

Santa Kaguya, sentia-se um moleque apaixonado da quinta série. Isso não era bom.

Adiantou-se para sair do refeitório, mas teve o braço segurado. Os olhos castanhos se estreitaram ao virar um pouco para observar o autor disso. Madara lhe segurava de modo cuidadoso, quase amedrontado, e não olhava para si. O rosto pálido estava até coberto por sua franja, mas podia notar as orelhas avermelhadas, indicando que seu rosto estava igualmente corado. 

 

 —— Me espera na entrada da minha casa. 

 

Ok. 

Isso estava pior — ou melhor? — do que esperava.

 

———————— @@

 

Sentou na escada da varanda da casa de Madara e apoiou ambas as mãos nos joelhos, suspirando de forma cansada. 

Não, infelizmente não eram da mesma turma, mesmo que tivessem a mesma idade. A família Uchiha tinha chegado na cidade pouco antes do aniversário de cinco anos de Hashirama, que já frequentava a escola. Madara ainda tinha quatro anos e demorou até o início do ano seguinte para frequentar as aulas, acabando por ficar uma turma atrás. Demorou muito para entender o motivo da mudança, mas quando cresceu e entendeu, bom, não viu mais motivos para zoar o amigo de idade quase idêntica apenas por ele estar um ano atrasado.

O sobrenome Uchiha era popular — e Hashirama só reconheceu isso ao fazer 13 anos — e extremamente pesado. Uma família tipicamente rica, herdeiros de diversas empresas de construções, com grandes figuras exibindo grande destaque. As empresas foram divididas entre os filhos. O pai de Madara, Tajima Uchiha, ficou com as empresas de Fukuyama e precisou se mudar com a família para que pudesse ficar mais próximo. 

A aproximação entre as duas famílias veio da relação profissional de Izumi Uchiha e Chizuru Senju. 

Lembrava bem das tardes de verão em que era levado pela mãe até o estúdio de fotos onde ela trabalhava. Via, escondido sob a mesa de guloseimas — onde tinha os braços cheios de doces para não causar problemas —, Izumi sendo fotografada com diversos tipos de roupas, os cabelos negros rebeldes naturalmente presos em penteados inovadores apenas para maior impacto. 

Ela era bonita. Encantadoramente bonita.

Em uma dessas tardes a própria modelo precisou levar o filho mais velho e, de imediato, pediu perdão pelo "problema". Hashirama nunca ia esquecer do garoto de olhar arrogante e cabelos rebeldes idênticos aos de sua mãe escondido atrás dela, espiando cada pequena coisa de forma meio crítica. Temeu chamá-lo para brincar sob a mesa que, naturalmente, ficava para não incomodar os adultos. Mas surgiu por baixo do pano branco e o encarou, fixamente. 

 

"—— Por que não vai brincar com o Hashirama, Madara-kun?".

 

Chizuru quem sugeriu a aproximação entre as crianças e ali surgiu a amizade/rivalidade que por muito estremeceu as paredes do colégio de Fukuyama. 

 

 —— Desculpe a demora. —— O tom arrogante e rouco de Madara trouxe o Senju para a realidade. —— Eu tive problemas na escola. 

 —— Cadê o Izuna?

 —— Aquele porra? 

 

Hashirama riu.

"Aquele porra?". Madara agia como se ele mesmo não fosse um esperma. 

 

 —— Disse que vai resolver uns problemas na sua casa. Ah, qual é, você sabe que ele e o Tobirama estão quase se assumindo publicamente. —— Madara revirou os olhos. 

 —— E isso te incomoda? —— Hashirama zombou, erguendo-se das escadas. 

 —— Nem um pouco. Só surpreende. Tobirama sempre declarou ódio à nós, Uchihas. —— Caminhou pacientemente para dentro de casa, buscando tirar os sapatos ao entrar. —— Venha. 

 

Hashirama o seguiu em silêncio. E isso fez Madara estranhar.

O rapaz de cabelos castanhos era energético demais para ficar em silêncio daquela forma. Alguma coisa estava errada ali.

Recordou dos dias passados e encolheu os ombros. Para si era quase impossível esquecer dos sugestivos toques do Senju sobre seu corpo, afobado sim mas ainda carinhoso o bastante para evitar danos para ambos os lados. Suspirou, cansado. Todas as noites eram frustrantes e saber que ele estava na casa do lado só parecia deixar tudo pior. 

Sentou na poltrona do pai. Hashirama colocou a pasta escolar perto do sofá que estava acomodado, apoiando ambas as mãos nos joelhos. 

Observou-o atentamente. Ele estava ansioso, podia perceber isso pelo modo como esfregava as palmas na calça, e também analisava pacientemente cada palavra. O modo como ele mordia o lábio inferior em meio a respiração mostrava isso. Madara sorriu confiante e discreto — ser observador, às vezes, era uma generosa vantagem. 

 

 —— Hashirama.

 —— Posso fazer uma pergunta?

 

Madara gelou, mas assentiu. 

 

 —— Por que você começou a me evitar? —— Hashirama o encarou, parecia cuidadoso. 

 —— Porque você foi embora sem falar nada. —— Madara respondeu. Estreitando os olhos. —— Posso saber o motivo de ter ido daquela forma?

 

Covardia. Insegurança. 

Hashirama considerou diversas respostas, mas nenhuma parecia agradar os próprios ouvidos. 

Não queria irritar o Uchiha, queria que os dois se entendessem e...

Um arrepio frio percorreu seu corpo ao encarar os olhos negros, estreitos e ameaçadores. 

Era um turbilhão engraçado de sentimentos que percorria seus sentidos. Era engraçado, diferente e agradável. Algo que por muito tempo lutou contra, mas que o recebeu de um modo acolhedor. Como o natural medo de crianças para andar, e o prazer imenso ao conseguir se equilibrar sobre suas frágeis pernas. 

Isso é amor?

Ou estava apenas sendo sugado pelo imenso desejo?

Sacudiu a cabeça negativamente. Os longos fios castanhos acompanhando o movimento rápido e chocando-se nas feições confusas. 

 

 —— Eu não sei. —— Admitiu. —— Mas Kaguya sabe o quanto eu quis tentar consertar esse erro. Você não deu chance para me aproximar, para conversar... Para dizer que eu...

 —— Não ouse dizer que me ama. —— Madara declarou em um tom controlado, mesmo que os olhos estreitos e as faces rosadas indicassem tudo menos auto-controle. Hashirama sorriu para si mesmo. Ele era charmoso até irritado. —— Até porque você tem a Mito. 

 —— Você tá em outro planeta, pato-rouco? —— Hashirama ergueu ambas as sobrancelhas. Parecia surpreso. —— Toda a escola só fala do meu término com a Mito. 

 

Ah, Madara sabia sim. 

Ele só queria ouvir a comprovação dos lábios do Senju. Não confiava muito em fofocas escolares, mesmo que todas tivessem um grande fundo de verdade. Algo natural — não podiam ser criadas do nada, mesmo que fossem espalhadas através de uma mentirinha tosca ouvida de alguma aluna estranha. 

Cruzou firmemente os braços contra o peito. 

 

 —— Então por que continua perto dela? —— Acusou ironicamente.

 —— Porque eu não tenho motivos para me afastar. —— Se defendeu.

 

Um bom ponto. Madara considerou a resposta. 

Não tinha publicamente nada contra a Uzumaki, apesar de naturalmente se intimidar com os peitos generosos e o sorriso agradável aos que estivessem próximos. Mas adquiriu um ódio particular por Mito quando Hashirama assumiu o namoro... Bem na época em que tinha considerado conversar com ele sobre os próprios sentimentos. 

Quase um banho de água fria — ou um choque de realidade.

 

 —— Madara.

 

Ergueu os olhos do chão. 

Hashirama estava parado parado na sua frente. As mãos se apoiaram na poltrona de forma que ambos os rostos pudessem se manter próximos, mesmo que por um curto momento. Madara gelou totalmente na posição em que estavam, considerando as opções — como chutar o outro ou beijá-lo —— e as consequências — como ser xingado ou chutado. 

Era um maldito. Sim, o Senju era tudo de pior. Poderia listar frente e verso de duas folhas os defeitos, e ainda não estaria falando tudo de negativo existente na personalidade — muito — atraente do moreno de olhos castanhos. Mas a beleza... O modo como franzia as sobrancelhas e mordia os lábios ao analisar as próprias opções, ou como os cabelos lisos caíam sobre os ombros, alguns fios travessos cobrindo os olhos estreitos... Madara podia sim ser louco pela personalidade cretina de Hashirama, mas a beleza tinha ajudado na conquista. 

Maldito Senju.

Maldito.

 

 —— Me deixa te comer.

 

Que eu te amo ridículo.

Hashirama esperou.

Esperou um soco, um tapa, um xingamento, qualquer coisa que o afastasse por ter sido tão deselegante e pouco romântico — coisa típica de si —, mas não. Não recebeu nada disso.

Surpreendentemente recebeu um beijo.

Pode sentir os lábios alheios em contato com o seu, exibindo uma certa fome ansiosa e um desejo contido. Hashirama estremeceu ao sentir os dedos pálidos, curiosamente macios, tocar seu rosto em uma carícia agradável. Poderia gemer de satisfação só por isso, se não tivesse os lábios ocupados. 

Desceu de imediato ambas as — deveria dizer ansiosas? — mãos até a cintura de Madara e o puxou, obrigando-o a ficar de pé. Um de frente para o outro, onde a diferença de altura se fez presente pela primeira vez, mesmo que não fosse muita. Os lábios roçavam-se aos opostos, atrevia-se a raspar os dentes no inferior do Uchiha. 

Ambos exibiam afobação — ok, mais do que isso, exibiam saudades. 

Os dedos se tornaram mais atrevidos, desciam da cintura para o quadril; do quadril para a bunda — local que apertou de forma firme, apreciando a fartura que enchia-lhe as mãos, mesmo que oculta pela calça do uniforme escolar. Hashirama nunca poderia reclamar do corpo de Madara, mesmo que não tivesse reparado muito nisso ao se — deuses? — apaixonar. Ele era maravilhoso e, além disso, era sexy. 

Era estupidamente sexy.

Desceu os lábios ao pescoço alheio, beijando a pele pálida, em meio aos longos cabelos negros. Mordeu. Chupou. Deliciou-se na área e estremeceu com o gemido rouco que escapou dos lábios alheios. 

Apesar de tudo dificilmente ia encarar Madara como alguém menos homem por dar a bunda.

Até o modo de gemer era estupidamente másculo.

Por que tinha demorado tanto para se tocar do amor que nutria pelo Uchiha?

Foi guiado para o sofá. Para sua surpresa. Madara o comandava cegamente, os dois tropeçavam no tapete e buscavam se apoiar um no outro, em uma vaga tentativa de não cair e acabar em um caos de vidros novamente. 

Sentou. Com Madara bem acomodado sobre seu colo.

Estremeceu no exato momento que a bunda dele se ajeitou bem sobre o volume em sua calça.

Ah, a santa Kaguya sabia o quanto tinha um fraco por aquela bunda. 

E sabia o quanto enlouquecia tê-lo rebolando em um local tão sensível.

 

 —— Abre os olhos, Hashirama.

 

Que maldito tom de voz excitante. 

Estreitou os olhos ao afastar o rosto do pescoço alheio e contemplou a face acima, admirando silenciosamente. 
Madara desabotoava a camisa escolar. Exibindo cada centímetro da pele pálida, fazendo a boca de Hashirama salivar pelo desejo de marcar cada centímetro — tão prazeroso. Os cabelos sacudiam em companhia dos rebolados. Era delirante, era prazeroso. 

As mãos coçaram e inconscientemente apertou o quadril alheio com mais firmeza, sabendo que com a ausência de tecido ia deixar a marca na pele saborosamente pálida. Quis arrancar as roupas que atrapalhavam um contato maior entre os corpos. Quis jogá-lo no chão e foder até ambos os corpos entrarem em seu limite — ou poderia ultrapassá-lo, problema nenhum —, mas não teve essa oportunidade. O olhar firme sobre si, as íris avermelhadas de Madara pareciam hipnotizá-lo o bastante para submeter-se aos caprichos dele sem resmungar nada. 

Moveu o quadril para cima. 

Adorou o gemido de Madara no momento que a própria ereção, ainda oculta pela calça, chocou-se as nádegas ainda cobertas. E repetiu os movimentos, só para ouvir mais.

Queria mais. 

Santa Kaguya, como queria mais.

Hashirama subiu as mãos pelo peito nu, sentindo a pele macia sob seus dedos, imaginando o quanto poderia marcá-lo não apenas com suas carícias como também com os beijos nada educativos que se imaginou dando ali. Mordeu o lábio inferior com certa firmeza. "Estava inspirada quando criou esse cara, Kaguya", os pensamentos soavam admirados ao focar a atenção no rosto acima do seu. Madara era um Uchiha, era raro e difícil vê-los exibis algo mais do que indiferença ou raiva, mas o moreno era terrivelmente expressivo em certas situações — como naquela. Vê-lo franzir as sobrancelhas, entortar os lábios para conter os gemidos, tudo isso era como enfiá-lo em uma banheira de água quente... Suspirou.

O olhar interessado do Senju seguiu até os dedos pálidos que tocaram, sugestivos, sua calça escolar. Folgada por não ter muita vontade de usar cinto, fácil para tirar. 

Ergueu novamente o quadril, mas dessa vez não tinha o peso do corpo do Uchiha sobre o colo. Ele tinha se esquivado dali no exato momento que tocou sua calça, parecia ter planos. Uma ideia pervertida que brilhava em seus olhos curiosos —— como era excitante aquilo. Não mostrou resistência. A calça e a cueca foi tirada sem nenhuma cerimônia, mesmo que tivesse uma lentidão hesitante nos movimentos de Madara. Riu.

Hashirama afundou o corpo no sofá, afastando um pouco mais das pernas, deixando um generoso espaço para que o Uchiha pudesse se acomodar como pretendia. Sorriu sugestivo com o leve entortar dos lábios de Madara, em companhia do forte rubor que lhe coloriu as bochechas, no momento que as íris rubras focaram na ereção exposta. 

Estremeceu. 
O local sensível foi tocado pela língua pálida do Uchiha e, também, pelos dedos da mão direita. Hashirama não quis ceder ao prazer, mas foi inevitável fechar os olhos e deixar o ar escapar prazerosamente por entre os lábios em um arfar ofegante. 

Foi chupado, foi devorado, foi sugado. 

E firmemente observado por um par de olhos ônix, ameaçadores e sedentos. 

O pênis pulsava — o pré-gozo melecava os dedos que o tocavam. 

A santa Kaguya sabia o esforço que fazia para não agarrar os cabelos negros e forçar o caralho garganta a dentro, como o bom homem sem costumes carinhos que era. E gozar — como queria gozar.

Arrependeu-se amargamente de não ter pedido aquilo antes, na maldita tarde regada de uísque e pipoca.

Madara sabia como fazer. Aquela boca quente e habilidosa o abocanhava de tal forma que — em meio ao prazer que lhe estremecia o corpo — sentiu uma breve pontada de ciúmes. 

Quem tinha experimentado aquilo antes de si? Quem tinha o ensinado a ser tão bom?

Os dedos entrelaçaram-se aos fios rebeldes do Uchiha e o forçou para baixo, o obrigou a engolir tudo. (Vemos que nosso querido índio sequestrado é como uma pedra de tão sensível e delicado!) 

O modo como os lábios deslizavam por toda a extensão, em companhia da língua que dava uma generosa atenção à glande, buscando absorver mais do gosto. Ou até os dentes que propositalmente roçavam, de modo que não viesse a machucar ou incomodar. Era como estar a um passo do paraíso, mas sendo negado de ir além por conta dos pecados imorais que a vida o fazia cometer. 

Hashirama estreitou os olhos. O gemido rouco e arfante que escapou por entre os lábios, audível, no exato momento que gozou. Da posição em que estava pode contemplar os lábios de Madara se abrirem por um único momento, deixando certa quantidade do líquido escapar de sua boca e escorrer pelo pênis, mesmo que boa parte tivesse sido engolida — pode vê-lo lamber os lábios e saborear as gotinhas que lambuzavam ali.

Lentamente o Uchiha se afastou, parecendo lento ao retirar a própria calça e a boxer branca que trouxe certo interesse para as feições abobalhadas do Senju, como se tivesse despertado um gosto pelo tecido. 

Em seguida o viu ajoelhar de costas para si, a mão esquerda sustentando o peso dele na mesinha de centro. E os dedos da direita guiaram-se para entre as nádegas fartas que — todas as noites — guiavam os pensamentos de Hashirama para um sonho pornográfico diferente. Era alvo de seu prazer, de seu desejo. 

Sabia que os dígitos estavam lubrificados com o gozo que há pouco tinha lambuzado não só os lábios de Madara, como também os dedos. 

O corpo reagiu automaticamente ao ver os dedos deslizarem para o interior alheio. Deliciou-se ao ver Madara encolher o corpo e depois afastar as pernas, oferecendo para Hashirama a mais prazerosa visão de sua vida. Vê-lo se preparar daquela forma, os dedos pálidos entrando e saindo em um ritmo torturante, acompanhando o quadril que movia-se em um rebolado. 

O tom rouco do menor era como uma melodia suja, o anúncio de uma relação errada e extremamente prazerosa.

Algo que os dois queriam; que os dois teriam. 

As palmas das mãos coçaram. Imediatamente esfregou-as nas coxas.

Tentou conter-se. 

Só admirar, observar, aguardar pela súplica de Madara para que fosse invadido por algo maior. 

Mas tinha esquecido de um pequeno detalhe: não era a pessoa mais controlada do mundo. Impulsivo demais, reagia aos pequenos estímulos do mundo. Qualquer um. Ver Madara acrescentar um terceiro dedo em sua brincadeira e revirar os olhos em um evidente sinal de prazer foi impossível conter os próprios atos. 

Jogou-se no chão.

Endireitou-se por trás do corpo do moreno de pele pálida.

Viu os olhos ônix, nublados, com as íris mais rubras do que o natural, desviar para si. Encarando por sobre o ombro com sua típica ameaça silenciosa. Hashirama prendeu o sorriso. Era tão expressivo... Mesmo que tentasse esconder tudo com uma expressão de frieza típica.

 

 —— Você geme mais quando bêbado. —— Alfinetou. A língua coçava por uma brincadeira. Mesmo que a ameaça tivesse se tornado mais evidente nas feições ruborizadas do Uchiha. —— Gosto tanto de te ouvir. —— Completou apenas para ver o susto nas feições alheias e os olhos desviaram-se para o além, evitando a breve troca de olhares.

 

Adoravelmente sexy.

Em seus pequenos detalhes.

Posicionou a glande entre as nádegas de Madara. 

Investiu, afundando todo o pênis ali.

Ambas as vozes se misturaram em um gemido engraçado, onde misturava diversas sensações, desde satisfação a surpresa. Era diferente de quando estavam bêbados, onde os dois agiam em um instinto automático e trocavam ofensas excitantes — buscando disfarçar a surpresa pela evidente correspondência de sentimentos. 

O início era rápido. Forte e profundo. Agarrando firme a cintura do Uchiha, deixando a marca de seus dedos ali. 
Vê-lo gemer, satisfeito, trazia flashs da tarde em que — bêbados — os dois trocaram murros e carícias. O ar escapava junto, ofegante, fazendo os gemidos se juntarem. Produzindo um som sugestivamente obsceno e sujo, algo que despertava todo o desejo que nutria por aquele corpo pálido. Por aquele Uchiha. 

"Maldito porco-espinho... Eu te amo", Hashirama fechou os olhos ao acelerar as estocadas. Apreciando o som de sua virilha chocando-se as nádegas alheias, e esforçando-se para repetir esse som.

Madara reagiu com gemidos.

E com seu interior contraindo prazerosamente ao redor da ereção sensível pelo orgasmo recém-enfrentado de Hashirama. 

Como em um clichê romântico ambos gozaram; um sujou o tapete de casa com o líquido fresco, outro preencheu o amante com todo o sêmen que podia despejar. 

Era realmente um clichê romântico.

Hashirama sentou sobre as pernas, os braços rodeando o corpo de Madara para que ele viesse junto e sentasse sobre suas coxas, sem desfazer todo o contato íntimo que os dois tinham. 

Encostou a testa nas costas alheias.

A mistura de seu cheiro com o dele era como um modo de recordá-lo de tudo que ali estavam enfrentando. Que juntos estavam descobrindo. 

Hashirama era um covarde? Dos piores, mas não podia — e nem queria — abandonar Madara. 

E Madara não estava disposto a deixar Hashirama partir.

Notável era isso no leve entrelaçar dos dedos sobre a coxa do Uchiha.

 

 —— Me desculpe por ter ido embora. —— Sussurrou. Arrancando de Madara um sorriso. —— Eu sempre fui covarde demais...

 —— Dá próxima vez nós podemos resolver isso no meu quarto. —— O Uchiha cutucou a mão que segurava com ternura. 

 —— Mas essa sala tem tantas histórias para contar, imagina só, seu irmão ou sua mãe vai deitar no sofá que você me chupou. Não tem nada melhor do que isso. —— Riu. 

 —— É... Você não muda, maldito índio sequestrado.

 —— Esse é o charme que te atraí, porco-espinho. 


Notas Finais


***Kaguya/Santa Deusa/Santa Kaguya é a mãe de Rikudou Sennin, mencionada no anime/mangá Naruto. Ela, nessa one-shot, é nada mais nada menos que uma figura religiosa que Hashirama - curiosamente - tem grande devoção e reza à ela quase o tempo todo.

Espero que tenham apreciado a história tanto quanto eu, que adorei escrever não só isso como também "Bêbados" - que possivelmente vai ser reescrita para poder ser postada aqui. Obrigada para quem leu, e um beijinho. <33


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