História Retalhos de uma alma ( Reescrita ) - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Originais
Tags Alma
Visualizações 1
Palavras 1.800
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Oie! ^^
Feliz Dia das Crianças! \o/

Resolvi adiantar um pouco a postagem porque amanhã eu tenho uma prova e não sei se vai dar tempo.

Boa Leitura! \o/

Capítulo 3 - O Escravo temido


                                                                “ O Escravo temido”

 

 

 

— Vovó, já estar ficando tarde, vamos fazer uma pausa para o jantar. — Hania sugere e coloca sua costura em cima da cesta de retalhos.

 

  Olho para fora através da janela e, realmente, o sol já começou sua jornada para ceder lugar a lua.

 

— Vamos...O que você vai preparar hoje? — pergunto e aceito sua ajuda para levantar do sofá.

— Não sei. O que, a Senhora, vai querer? — pergunta-me já andando apresada em direção à cozinha, mas seus pés descalços continuam não produzindo um único som no piso de madeira.

— Deixe-me pensar...Que tal aquela sua sopa de verdura? — pergunto ao entrar na cozinha e encontrá-la observando os suprimentos dentro do armário. Com a velocidade de um raio seus olhos lilases passam a me observar com curiosidade.

— Mas você não gosta de verduras, Vovó. — fala confusa.

— Não gosto mesmo, mas de vez em quando não faz mal. — revelo puxando uma das quatro cadeiras da mesa. Olho o rosto dela ainda confuso e digo, enquanto sento:

 

— Assim só vamos jantar na hora do café da manhã.

 

  Ela sorri com o rosto vermelho de vergonha e fala animada:

 

— Vovó, vou fazer para você a melhor sopa do mundo! — Depois de lava as mãos, sai dando saltinhos até a geladeira e começa um monólogo:

 

— Humm... tomates, batatinhas...cadê as batatas?...achei! O que falta? Humm... cebola, coentro, cenoura...acho que sobrou arroz do almoço...eu sabia! Agora o tempero, o óleo e a panela. Vovó, vai querer macarrão? — pergunta colocado tudo na mesa.

— Não, querida. E você deixou a geladeira aberta. — falo segurando o riso.

— Desculpe-me. — pede rindo, vai fechar a porta da geladeira, depois pega uma faca e pratos para deixar as verduras cortadas e separadas.— É isso.— sussurra observando cada ingrediente e depois se senta à mesa.

— Acho muito estranho você cozinha sentada. — comento, depois de uns minutos, vendo-a corta os tomates em rodelas.

— Só quando eu vou cortar algo. — revela com o rosto mostrando toda a sua concentração na tarefa.

— Por que você decidiu fazer uma colcha de retalhos? — pergunto curiosa. O bonito rosto de olhos lilases e emoldurado por um longo cabelo dourado sorrir para mim.

— É uma história engraçada. — comenta com as bochechas avermelhadas e pega uma batatinha.

—Conte-me — peço agora mil vezes mais curiosa.

— Certo... Foi a uma semana atrás, naquele dia que a senhora foi visitar a dona Marie...Eu estava aqui mesmo na cozinha, testando uma receita de bolinhos , quando senti o cheiro de rosas. Então, foi como se o mundo estivesse em câmera lenta. Eu continuava aqui, mas a casa estava diferente, meio futurista, e eu estava mais velha, mais alta e com o cabelo até aqui...— Terminar de descasca as batatinhas e mostra um imaginário corte de cabelo até os ombros. —... Eu estava terminando de decorar um bolo, quando uma moça de cabelo rosa entrou correndo. — completa agora descascando às batatas.

 

— Cabelo rosa? — interrompo estranhado.

— Sim, rosa como algodão doce. Eu também fiquei surpresa, mas a eu mais velha, vou chamá-la assim, não ficou surpresa, apenas reprendeu a moça por entrar correndo na cozinha, e, você não vai acreditar, Vovó, ela tinha seus olhos!...Não a cor verde, mas seus olhos mesmo, como se alguém tivesse feito uma colagem. — revela animada. Cortar a cebola e se levanta para colocar a panela no fogo. O som de fritura chega aos meus ouvidos para logo ser substituído pelo típico som de uma sopa no fogo. Não demora muito para Hania volta e começa a ralar a cenoura.

— Cabelo cor de algodão rosa é meus olhos verdes esmeraldas...o que significa? — penso em voz alta.

— Não sei. — responde pensativa colocando a cenoura na sopa já tempera.

— Foi só isso? E a colcha? — pergunto na mais completa curiosidade vendo-a se sentar à mesa para esperar a sopa ferver.

— Não, não foi só isso. Logo em seguida um bonito rapaz de olhos ônix entrou atrás da moça, e, ela me chamou de tia! Quando pediu para que eu mandasse o rapaz deixá-la em paz. A eu mais velha ficou irritada e brigou com os dois, disse para eles se resolverem e serem mais educados. Depois pediu para o rapaz leva o bolo e para a moça leva uma bandeja de salgados, então, saiu da cozinha indo para o quintal. Juro, Vovó, eu quase não o reconheci como o nosso; estava cheio de flores, principalmente rosas, mas também tinha um pouco de neve aqui e acolá. Algumas crianças estavam correndo, um grupo de adolescentes estava conversando sentados na grama e mais distante se encontravam os adultos, alguns conversando ao lado de uma mesa com várias comidas diferentes, e os outros estavam sentados naqueles bancos de jardins. Foi para lá que me dirigi, depois de manda os dois deixarem as coisas na mesa, mas nessa hora eu quase cai para trás, porque a Natasha e o Hiro estavam lá, só que os dois estavam muito, muito, mais muito velhos mesmo, Vovó. Então, para a coisa toda fica mais surreal; a eu mais velha se sentou do lado de um homem com cheiro de sol, sim, cheiro de sol. Ele a abraçou cobrindo-a com uma colcha de retalhos e falou assim:

 

— Já é primavera, mas ainda está frio, por isso você não deveria sair de casa sem um casaco.

 

  Depois de se arrepiar toda a eu mais velha respondeu resmungando:

 

— Eu esqueci por causa do aquecedor e daqueles dois brigando... Por que mesmo eles vivem brigando? — Ela perguntou se aconchegando mais ao homem.

— Porque eles são dois orgulhosos cabeças duras que nem você. - Ele respondeu beijando a testa dela. E ela retrucou:

— Eu não sou orgulhosa, você que é o orgulhoso.

— Sei, nesse caso, quando é mesmo que você vai me contar que está grávida? — Ele perguntou, e, eu e a outra eu, ficamos vermelhas, mas quando ela estava para falar algo, eu senti um cheiro de queimando e me deparei com o fogão soltando fumaça.— Terminar de contar tudo com aquele sorriso sapeca de quem aprontou.

 

— Ora, então foi por isso. Você sonha acordada e é meu fogão que paga o pato.— desabafo.

— Desculpa. — pede tentando segura o sorriso

— Vá logo olha aquela sopa antes que ela queime também. — falo lembrando da minha cozinha cheia de fumaça.

— Sim, senhora. — diz e faz uma continência.

 

  Fiquei pensando sobre o sonho acordado de Hania e em Natasha, minha amada sobrinha neta que está no Japão. Faz três meses que ela casou com o Hiro e agora os dois, finalmente, conseguiram sair em lua de mel.

  Não demorou muito para a sopa fica pronta e devo admitir que estava muito boa. Depois de limpa tudo e de cada uma tomar um banho, Hania trouxe a cesta de retalhos e nós nos sentamos na varanda.

  Observo o quintal com apenas a grama, algumas pedras e o varal, fico tentando imaginar o jardim que ela viu em seu "sonho".

 

— Papai e Hugo estão para chegar do Egito, então, vou costurar este retalho. O que acha? — pergunta mostrando-me um retalho de brocado na cor dourado envelhecido e com detalhes pretos formando as pirâmides de Gizé.

— É perfeito, querida. Porque a história que vou lhe contar aconteceu no Egito. — comento olhando a lua e as estrelas.

— Nesse caso, já estou pronta para começar. — comenta feliz. Assim, eu vejo a gloriosa lua prateada dando lugar ao sol escaldante. — Agora, Hania, quero que você imagine o Egito mais antigo que possa imaginar, pois, a breve história que vou lhe contar é sobre um escravo, mas não um simples escravo capturado depois das batalhas, como era o costume dos povos antigos, e sim a história sobre o Escravo Temido...

 

 

  Sua carne dourada brilhava constantemente embaixo do sol, e, caso se deitasse nas areias do deserto desapareceria, de tão próximo que era todo ele da cor delas. 

 

  Esse homem nunca conheceu a liberdade, pois, sua mãe, grávida de um pai que ele nunca chegou a conhece, foi capturada como espólio de guerra por um soldado grego. Então, quando nosso personagem nasceu, o soldado grego, contrariando o costume de matar as crianças dos escravos, trocou-o por tecidos egípcios e foi assim que o escravo temido chegou na terra abençoada pelo rio Nilo.

 

  Nessa terra ele cresceu como um escravo, passou fome, sede, calor e frio; foi chicoteado, maltratado, espancado e sofreu sem receber amor. Mas, enfim, ele cresceu, passou a ter a estrutura de um herói, o rosto de um anjo e as marcas de um guerreiro, todavia, o mais importante é que agora ele era temido até mesmo pelo poderoso deus na terra, o Faraó.

 

  No entanto, enganado está aquele que pensar que era temido por sua força, pois, na verdade era temido por suas palavras. Nunca mais houve naqueles tempos em terras egípcias um homem que discursasse tão bem, tocando cada coração, remexendo a luz e a escuridão.

 

  Ele contava sobre os primórdios da criação, contrariando tudo aquilo que se acreditava até então. Foi por cousa disto que em um certo dia o Faraó, cheio de medo, resolveu mata-lo e silencia-lo para sempre, para que seu coração não mudasse de caminho e parasse de questionar as verdades que tinha aprendido.

 

  O Faraó ordenou que trancassem o escravo ainda vivo em um sarcófago. Ele assistiu tudo e ,quando o escravo já estava lá dentro, esperou pelos gritos para assim saciar sua sede de sofrimento, mas o escravo não gritou, não se debateu, não fez nada, apenas aceitou.

 

  Depois de um tempo, quando se acreditava que o escravo já teria morrido, o Faraó ordenou que o sarcófago fosse aberto, tamanha era a sua maldade para quere ver o desespero silencioso no rosto do morto, mas quando a tampa foi retirada, nada estava lá dentro, o escravo simplesmente sumiu, como uma miragem no deserto apagada pelo vento...

 

 

— O medo daquilo que não se conhece e daquilo que não se aceita ou respeita, sempre gera o preconceito, e o preconceito por sua vez é capaz de gera a funestar violência humana. — Hania comenta ao terminar sua costura e, quando eu olho em seus olhos lilases sou capaz de ver a reflexão de uma alma antiga. — O deserto é cheios de surpresas, Vovó, sejam elas boas ou más, mas para aqueles que o procuram livremente, o deserto é apenas mais uma parada em busca de sabedoria.— completa olhando as estrelas... — Vou dormir. A Senhora, vai entrar agora?— pergunta ao levanta e pega a cesta de retalhos.

— Vou ficar aqui mais um tempo. Boa noite, minha filha. — desejo refletindo em suas palavras.

— Boa Noite, Vovó.— deseja e entra tal como o vento silencioso em uma tarde serena.

 

  O silêncio da noite traz as lembranças de Gerald, por isso, levo uma mão ao meu coração e ele se enche de saudades e da eterna expectativa de um encontro marcado. É assim, envolvida pelas memórias felizes que me entrego ao sono.

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Pronto, a partir daqui pretendo dar mais detalhas sobre a vida de Abigail e Hania, mas ao mesmo tempo continuar com as narrativas, por isso, talvez os capítulos fiquem maiores.
O próximo capítulo fica para o ano que vem, mais ou menos dia 15 de Janeiro. Se houver qualquer mudança deixarei um aviso aqui ou na história " As Crônicas de Gaia- A Profecia da Pérola" .

Deixo meu agradecimento para as pessoas que favoritaram. Muito obrigada! ^^

Beijos e até logo! \O


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