História Retratos do Passado...Espelhos do Presente - Capítulo 14


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Drama, Romance Gay, Traição
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Palavras 3.582
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Famí­lia, Ficção, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Demorei, mas voltei...

Não vou me prolongar muito aqui, apenas peço que leiam o capitulo e me digam o que estão achando do atual momento da história.

Beijos e Boa Leitura!

Capítulo 14 - Mais uma vez você...


 

Contado por Gabriel.

Visitar o Cauã se tornaria uma rotina para mim daquele dia em diante, eu queria fazer por ele o que eu não fiz quando estávamos juntos, e eu já havia prometido a mim mesmo que agora eu faria diferente. Amar o Cauã era a minha sentença, não dava para me livrar desse sentimento, mesmo que eu quisesse seria impossível, e não poder mais compartilhar todo o meu amor era a minha condenação. 

Cheguei em casa por volta das dez da noite e mesmo morto de cansaço o sono não vinha, minha cabeça pesava sobre aquele travesseiro leve...a imagem do meu amor deitado naquela cama não saía da minha mente. Essa culpa eu levaria comigo para o resto da minha vida ou até que ele saísse daquela situação, eu não era ingenuou, sabia muito bem que quanto mais os dias passassem menor seriam as chances dele sair daquele estado vegetativo, mas minhas esperanças não podiam morrer...uma coisa era certa, se minhas esperanças morressem eu morreria junto com elas...e depois de tanto me martirizar o sono finalmente me dominou, mas ele não foi nem de longe um sono tranquilo...

Meio dia, esse foi o horário que eu me levantei e apesar do horário eu me sentia acabado, mas isso certamente não poderia virar um hábito, logo eu voltaria a estudar, teria uma rotina de novo, no entanto era estranho pensar nos meus dias sem o Cauã envolvido neles. Ele sempre esteve comigo, mesmo antes de eu saber que era ele quem eu queria, e mesmo como amigo Cauã sempre cuidou de mim, me afastando dos problemas que eu mesmo criava...

Se eu acreditasse em Deus poderia dizer que eu estava recebendo um belo de um castigo, mas a verdade é que eu sabia que o que eu estava passando não eram mais do que as consequências dos meus próprios atos...Erros irremediáveis.

(...)

Tomei um banho gelado para despertar, eu pretendia visitar o Cauã ainda aquela tarde e para isso não precisava estar bem desperto, vesti uma bermuda qualquer e desci as escadas apressado, mas o que eu não esperava era encontrar ele de novo, ainda mais daquele jeito.

Leonardo estava deitado no sofá e meu pai tinha a cabeça apoiada sobre o seu peito recebendo alguns selinhos como se isso fosse a coisa mais normal do mundo vindo daqueles dois. Meu pai namorava o Diego, descobri isso depois de um grande mal entendido, no mesmo dia em que o Cauã sofreu aquele acidente.

-Que bonito! - Exclamei cinicamente. - O Diego sabe que você anda se agarrando com esse daí pai? - Falei apontando para Leonardo.

-Não fala coisas que você não sabe Gabriel. - Meu pai se levantou do sofá ficando frente a frente comigo.

-Trocou ele pelo Leonardo? - Cruzei os braços sobre o peito esperando uma explicação.

-O Diego terminou comigo, ele não vai deixar a mulher dele por mim e depois do acidente do Cauã ele se mudou. Muita coisa aconteceu Gabriel então, por favor, para de agir como se entendesse por que você não sabe o que aconteceu. - E eu podia ver que havia muito magoa naquele olhar, imediatamente me arrependi, eu estava agindo como o mesmo Gabriel de antes e a última coisa que eu queria era voltar a me desentender com o meu pai.

Abaixei a cabeça me sentindo mal por falar assim com o meu pai, se o Leonardo fazia ele feliz eu não podia fazer nada, contudo, eu podia ver que ele ainda gostava do Diego, mas esse assunto não era meu...

-Tudo bem pai, não vou mais me meter na sua vida. - Dei um beijo no seu rosto e deixei a sala.

Não demorei muito para tomar um café, naquele ritmo eu almoçaria no horário da janta. 

Não vou mentir, eu ainda não era fã do Leonardo, mas aceitar ele com o meu pai fazia parte de me tornar uma pessoa melhor, eu já estraguei a relação do meu pai uma vez e não faria a mesma burrada de novo.

E depois de me trocar voltei ao hospital pronto para fazer mais uma visita ao meu Cauã.

 

Contado por Flávio.

Era uma madrugada de domingo, tive um dia bem cheio e o que eu mais queria era dormir, contudo, foi um pouco complicado quando escutei gritos e o que parecia ser uma discussão dentro do meu apartamento.

Tateei o criado mudo e encontrei meu celular, duas e meia da madrugada, "só pode ser brincadeira", pensei. Levantei atordoado de sono e saí do meu quarto e foi aí que percebi que a discussão vinha do quarto do meu irmão William, abri a porta do quarto dele e encontrei os dois brigando.

- Me deixa em paz. - Adam gritava com meu irmão. - Eu não quero mais te ver. - Me surpreendi quando vi ele chorando.

- Adam... Não me deixa por favor. - William suplicava entre seu choro.

- O que aconteceu com vocês dois? - Falei assustado e surpreso por ver os dois naquele estado de nervos.

E foi então que Adam correu até mim, envolvi ele em um abraço e deixei ele chorar sobre o meu ombro, eu tinha um carinho muito grande pelo meu cunhado e em alguns momentos cheguei a confundir os meus sentimentos, mas tudo não passou de momentos de carência e frustração por conta das minhas constantes brigas com o meu namorado.

- O que você fez com ele? - Questionei o meu irmão que nem se deu ao trabalho de me responder.

William passou por nós dois feito um foguete, a porta do apartamento foi fechada brutalmente, segundos depois ouvi o abrir e o fechar novamente...

- Vocês brigaram? - Perguntei o óbvio.

- Eu vi...vi ele com outro. - Adam soluçava e aquilo me deixou preocupado, não acreditei que meu irmão foi capaz de trair o namorado que ele dizia amar.

É engraçado o jeito que as coisas acontecem da maneira mais inusitada, depois daquela briga meu cunhado decidiu voltar para a sua antiga cidade onde ele passou maus bocados, porém, o mais surpreendente foi o lugar que ele pediu para que eu o levasse...ele iria ficar na casa dos meus pais...Dirigi em silêncio pensando em como eu iria encarar meu pai depois de tantos anos, "será que ele ainda me odeia?", esses pensamentos me deixavam ansioso...

Deixei ele descer na frente enquanto eu ia até o porta malas pegar suas coisas...Fechei o porta malas e pude ver meu pai abraçando o Adam.

- Adam aqui estão suas coisas. - Falei um pouco constrangido tomando a atenção do meu pai para mim

- Flávio? - Papai indagava assustado desfazendo o abraço com o Adam.

- Oi pai. - Foi somente o que eu consegui dizer, de tantos maneiras de reencontrar meu pai, ela foi acontecer do jeito mais surpreendente para mim.

- Mas...mas como? De onde vocês se conhecem, quando...meu deus eu devo estar com muito sono. - Meu pai falava confuso.

- Posso entrar? - Adam perguntou sem jeito.

- Claro, pode, pode sim.

Não dava para dizer ao meu pai as verdadeiras razões para o Adam estar ali e por gostar muito dele decidi ajudar, percebi que ele estava nervoso, então segurei em sua mão e sussurrei um "vai dar tudo certo" como incentivo para ele se acalmar.

- O que fizeram pra você Adam? O que te trouxe até aqui, quem te fez mal? - Meu pai questionava o Adam com uma preocupação paterna no olhar.

- Eu, eu fugi do internato. - Ele dizia cabisbaixo.

- Como conheceu meu filho? Eu não consigo entender, vocês dois por acas... - Quando percebi onde meu pai queria chegar imediatamente o interrompi.

- Adam apareceu no meu hospital pai, ele parecia tão aflito, não negaria ajuda. - O clima entre nós não era dos melhores, todos pareciam tensos demais, mas eu tinha que continuar com a minha mentira. - Ele fugiu num momento de medo, mas já se arrependeu, Adam me contou o que os pais dele faziam com ele, você precisa ajuda-lo pai, o Matheus não é muito amigável com estranhos que hospedo no meu apartamento. - Finalizei com sarcasmo na voz, essa foi a melhor desculpa que consegui pensar naquele momento.

-Continua com aquele vagabundo. - Papai balançou a cabeça negativamento com desgosto no olhar. - Olha Flávio diferente do que você costuma dizer sua família nunca te abandonou, você podia avisar que está vivo vez ou outra, só não me apareça com aquele infeliz aqui se não já sabe. - Ele falou irritado.

-Obrigado pelas palavras pai, tanto tempo sem me ver e você só sabe falar mal do Matheus. - Não sei por que ainda me surpreendi com ele.

-E falei alguma mentira? Filho você já é homem feito, não vou ficar dizendo o que é melhor pra você, se deitar com um homem te faz bem que assim seja, só não faça esse tipo de coisa na minha frente muito menos na frente do seu irmão. - Se ele soubesse sobre o meu irmão provavelmente não seria tão amigável com o Adam, certas coisas não mudam com o tempo...

E graças a separação do meu irmão todo o meu passado retornou e com ele as minhas antigas lembranças...

-Engraçado te ouvir me falando essas coisas, eu não parecia muito bem vindo quando o senhor me chamou de vagabundo safado, falando que se eu quisesse fazer essas abominações seria bem longe da sua vista, pra viver nessa casa eu teria que ser normal, não foi isso que o senhor me disse? - Ainda me magoava lembrar do jeito que eu me separei da minha família.

-Tudo que eu falei foi num momento de nervoso e no fim eu não esperava que você fosse embora por causa daquele vagabundo. - Papai parecia abatido, no fundo eu só queria que nos entendêssemos. - Flávio ele te faz mesmo feliz? Você pode achar que não, mas eu sempre quis o seu bem, espero que eu esteja errado sobre ele.

Quando ouvi ele me perguntar sobre o Matheus eu fiquei sem fala, aquela era a minha deixa...já não dava mais para ficar naquela casa.

-Bom eu já vou indo embora. - Dei um abraço apertado no Adam. - Se acontecer alguma coisa me liga, vou estar sempre a disposição. 

Eu estava atordoado, eram muitos acontecimentos para uma noite só e antes que eu atravessasse a sala meu pai me segurou, seus olhos azuis me encararam por alguns segundos, era claro que nossa relação estava muito mal resolvida, mas ele me surpreendeu com um abraço que por tanto tempo eu esperei..."Eu te amo filho" e depois de ouvir ele sussurrar essas palavras não me contive, acabei chorando por tudo que eu passei, se ele soubesse o quanto minha família me fazia falta...

Aquela foi uma madrugada estranha, mas de algumas "tragédias" vieram coisas boas, como a minha reconciliação com o meu pai... Mas minhas surpresas não acabariam por aí, eu ainda voltaria mais uma vez até a casa dos meus pais para ajudar meu irmão a se reconciliar com o Adam e dessa vez não seria meu pai que eu iria encontrar e sim minha mãe.

(...)

Depois de visitar por acaso meu pai, algo havia mudado e agora ter de voltar para ajudar o William e encontrar minha mãe me fez ver que eu estava me enganando todo esse tempo, minha família ainda se importava comigo, eles sentiam a minha falta, meus pais biológicos podem não ter me amado mas, essa família que cuidou de mim por todos esses anos ainda sentia a minha ausência, o Matheus estava errado quando disse que eles não se importavam e em muitos momentos eu cheguei a acreditar nas suas palavras...

Ver minha mãe em prantos emocionada, dizendo que me ama e sentiu minha falta foi tudo que eu esperei ouvir nesses anos em que fiquei distante, um abraço dela era o que eu mais desejava quando o Matheus me deixava sozinho e machucado, ele me tornou tão dependente dele, se meus pais soubessem o tanto que eu sofri durante essa minha empreitada sozinho, queria nunca ter brigado com minha família e os deixado para viver um amor que no final não foi nem de longe o que eu esperava, sempre tive convicção do meu amor por ele e até nos momentos onde eu deveria odia-lo eu conseguia apenas o amar e sofrer por carregar esse amor mas, agora,  eu já não sabia dizer se eu ainda amava o Matheus, quem dirá saber se ele de fato me ama...sentia como se meus olhos estivessem começando a se abrir para verdades que eu me negava a enxergar e junto com elas diversos questionamentos e inseguranças alcançavam o meu coração...

Foram tantas mudanças desde que eu o conheci, os dias passavam e eu já estava conformado em viver em uma relação infeliz e desigual, era loucura imaginar que o Matheus poderia mudar e foi preciso me afastar quilometros e reencontrar meus pais para que eu pudesse perceber o que eu mesmo estava fazendo com a minha vida, a grande besteira que eu fiz quando insisti em voltar com ele...Matheus já provou diversas vezes que não me faria feliz, contudo, não dei ouvidos a razão e o arrependimento estava começando a bater forte...

(...)

Deitei na minha cama e liguei a televisão, meu irmão havia dito que iria sair para esfriar a cabeça, depois de ter encontrado com o Adam ontem, William ficou mais melancólico e distante, ele precisava de um tempo então nem me importei em saber onde ele iria...

-São duas horas da tarde e você ainda tá deitado? - Matheus dizia encostado no batente da porta, nem notei quando ele chegou.

-Por que apareceu sem avisar? - Perguntei nervoso.

-Desde quando eu preciso avisar, eu tenho a chave e acho que não preciso te lembrar mais uma vez que fui EU quem comprou essa merda desse apartamento. - Matheus falou aos berros comigo, estava demorando para o antigo Matheus retornar, ele trocou o peso de uma perna para outra enquanto me encarava.

-Meu irmão mora comigo agora, esqueceu? - Tentei argumentar falando com a maior calma que consegui ter no momento.

-Foda-se o seu irmão, Flávio eu não to interessado em saber o que o pirralho vai pensar, eu venho quando me der vontade, entendeu? - Ironizou ele.

Fechei a cara na mesma hora e me deitei de lado esperando que ele se tocasse e me deixasse em paz, mas não foi isso que aconteceu, senti os braços dele envolverem minha cintura e sua respiração quente no meu rosto..."Não fica assim amor", Matheus sussurrou no meu ouvido, não nego que era bom te-lo ao meu lado quando ele estava de bom humor, contudo, as mudanças repentinas dele estragavam qualquer momento bom que construíssemos juntos.

Muitas vezes cheguei a ter medo dele, e acho que foi esse sentimento de medo o principal motivo de eu nunca ter o deixado por definitivo, no fundo eu sabia que se nos separássemos quem perderia seria apenas eu, ele era tão lindo, confiante, as vezes me espantava o fato de ele continuar comigo... Se um dia chegássemos a nos separar definitivamente seria bem capaz de eu perder até mesmo o meu emprego se dependesse dele, o que não seria tarefa muito difícil quando minha chefe e minha sogra são a mesma pessoa.

-Você mudou. - Foi o que ele disse enquanto eu sentia o seu abraço se apertar em mim.

-Pessoas mudam o tempo todo. - Foi tudo o que consegui responder, nossa conversa morreu ali, naquele momento.

Matheus apoiou sua cabeça na minha delicadamente, o silêncio era mutuo e de alguma forma senti como se estivéssemos conectados, seu corpo se encaixava tão bem no meu, eu pensava em tudo e em nada ao mesmo tempo, ter ele ali comigo, tão perto, fazia com que minha mente não trabalhasse direito. Como nos tornamos isso? Em que momento nossa relação se quebrou? Sempre achei que fazer o meu melhor seria o suficiente mas, me enganei...

-Flávio? - Matheus me chamou com uma voz estranha.

Me virei ficando de frente pra ele e percebi que seus olhos lacrimejavam, toquei seu rosto e sequei uma lágrima que escorria.

-Não. - Ele segurou meu pulso me impedindo de enxugar as novas lágrimas que escorriam por suas bochechas, eu não entendia o motivo daquele choro, ele parecia tão longe, pensei em perguntar mas, me contive.

-Só me beija. - Ele disse levando suas mãos ao meus rosto e unindo nossos lábios, já havia um tempo que não tínhamos mais essa sintonia, foi um beijo tão nostálgico.

Ainda ficamos um certo tempo com nossos rosto colados depois do beijo, talvez não tenham sido mais que segundos porém, foi tempo suficiente para que uma nova ponta de esperança ressurgisse no meu coração, tudo que eu fiz foi me agarrar nela, quem sabe agora não poderia funcionar, foi só o que consegui pensar...

(...)

No dia seguinte acordei bem cedo para trabalhar no hospital, meu irmão chegou um pouco tarde no dia anterior mas, não ousei perguntar nada, ele parecia triste, talvez dar um espaço fosse o melhor até ele assimilar melhor toda essa situação que ele estava passando, eu já estava pegando as chaves do meu carro quando o Matheus interfonou dizendo que estava na portaria me esperando para me levar ao hospital, não questionei, apenas desci e encontrei ele todo sorridente para o meu lado, nos cumprimentamos com um selinho e entramos no carro que estava estacionado em frente ao prédio.

Ele estava calado e em nenhum momento desviou os olhos da estrada, Matheus apenas retirava a mão do volante vez o outra e apertava minha perna carinhosamente, estava tudo tão normal que chegava a ser estranho para mim, quando ele estacionou em frente ao hospital abri a porta para descer mas, antes fui puxado para um beijo caloroso de despedida.

Minha rotina de trabalho continuava a mesma correria de sempre, parei apenas para conversar com Sandra, clínica geral do hospital, ela tinha alguns probleminhas com a filha caçula e gostava de desabafar comigo, Sandra falava muito e eu era um bom ouvinte, a combinação perfeita...por volta das três da tarde eu estava a caminho do quarto do meu paciente Cauã, entrei e novamente aquele garoto estava lá, Gabriel, dessa vez não interferi, fechei a porta discretamente e fiquei observando de longe, ele parecia tão concentrado no que dizia, chegava a dar pena vê-lo assim, pois eu sabia que o garoto deitado naquela cama jamais poderia responder, assim que Gabriel saiu do quarto eu entrei sem ser percebido por ele...

Já estava a indo embora quando senti sede e parei na lanchonete do hospital para comprar um refrigerante e eu teria partido em seguida se não fosse por um garoto que dormia desajeitadamente num banco de espera, era o mesmo garoto, Gabriel...

-Ei..acorda. - Balancei o braço do garoto e ele abriu os olhos assustado.

-O horário de visitas acabou, vai pra casa. - Falei para Gabriel que continuava sonolento.

-Não, eu preciso ficar aqui com ele. - Gabriel respondeu se ajeitando no banco.

-Gosta muito dele não é mesmo? - Falei me sentando junto dele.

Gabriel assentiu me lançando um olhar cansado, com certeza ele carregava muitos segredos naquele olhar melancólico, desviei o olhar quando me toquei que eu estava á tempo demais encarando os olhos dele...

-Eu sei como é. - Respondi num tom baixo depois de um certo tempo.

-Sabe como é o que? - Gabriel me olhou confuso.

-Sei como é amar alguém e sofrer por isso, meu namorado ele... - Parei de falar assim que notei o que eu estava prestes a dizer.

-Se ele te faz sofrer se separa dele. - Gabriel respondeu tranquilamente.

-Não é tão simples assim. - Respondi desanimado.

-Não entendo por que alguém faria mal à você. - Gabriel dizia sem me encarar, fiquei pensativo ao ouvir isso, éramos dois homens desconhecidos com problemas amorosos conversando num banco de hospital, mal nos conhecíamos mas, estávamos ali, juntos e com os pensamentos distantes.

-Bom, você está certo Flávio, é melhor eu voltar amanhã. - Gabriel se levantou e eu repeti o gesto.

"Foi bom conversar contigo", Gabriel dizia enquanto me abraçava em despedida, e já estávamos nos separando quando o meu braço foi puxado bruscamente.

-Solta ele seu maluco. - Gabriel gritou com o meu namorado que ainda me segurava pelo braço me mantendo bem próximo dele.

-Eu faço o que eu quiser com o meu namorado. - Matheus respondeu me soltando bruscamente e caminhando na direção do Gabriel.

Tudo aconteceu muito rapidamente, num momento Gabriel acertou um soco no rosto do Matheus e em outro a segurança do hospital já estava segurando os dois, impedindo que eles brigassem, viramos a atração da noite, tanto alguns pacientes, quanto meus próprios colegas de trabalho observavam tudo com olhares surpresos e curiosos, me senti constrangido por ser tão exposto...

A segurança "expulsou" o Gabriel, o obrigando a se retirar do hospital enquanto o Matheus me puxava para o estacionamento com uma cara de poucos amigos...ele abriu a porta do passageiro e me fez entrar, batendo a porta em seguida sem se importar nos danos que causaria ao carro, assim que ele sentou no banco do motorista eu já esperava gritos e xingamentos porém, contrariando toda a minha linha de raciocínio  ele apenas segurou meu rosto me obrigando a olha-lo dizendo tranquilamente "quando chegar em casa a gente conversa"...













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