História Revolução Solar - Capítulo 13


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Adolescentes, Escola, Gay, Romance
Exibições 10
Palavras 3.684
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Escolar, Harem, Misticismo, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Se você gostou do jogo de desenho há alguns capítulos atrás, vai adorar o verdade ou desafio.

Capítulo 13 - Não quero falar sobre isso


Após uma manhã exaustiva de aula e uma tarde igualmente cansativa de tarefas para casa, passamos o final da tarde descansando, fritando e comendo os pastéis que minha mãe havia preparado e deixado na geladeira. Papai está cuidando muito bem da casa na ausência da minha mãe, apesar de eu perceber que ele está agindo de uma maneira ansiosa. Ele fica assim quando mamãe fica ausente por um certo tempo, como um viciado sem drogas. No caso dele, sem a figura dela. Eu pessoalmente estou com saudades, mas nada que possa me deixar assim, afinal eu tenho tantas coisas para cuidar que às vezes me esqueço do resto, como agora que estou jogado no sofá, assim como meus amigos. Leandro está sentado no sofá, com Lisa deitada em seu colo. Yuki está deitada de cabeça para baixo ao meu lado no sofá, com as pernas no encosto e a costa no assento, mexendo no celular como sempre. Nathan parece quase dormir no encosto, com Enzo desenhando alguma coisa do seu lado. Ariel está bem à vontade, jogado no tapete felpudo com as mãos atrás da cabeça, assistindo a um filme que está passando na televisão. Uma comédia que já passou dezenas de vezes só ano passado.

– Por que que a gente está assistindo esse filme mesmo? – pergunta Ariel, levantando a cabeça para me ver.

– Tecnicamente só você está assistindo. O jornal da noite vai mostrar a feira de cosméticos em que minha mãe está, quero ver se ela vai aparecer.

– Não é só daqui a meia hora? – retruca Lisa, ainda deitada no colo de Leandro, enquanto ele mexia em seus cabelos dourados.

– É sim, mas eu não quero perder nenhum segundo do jornal, e ele vai começar logo depois desse filme. Tem outra ideia sobre o que a gente pode fazer?

Ariel não teve tempo de responder. A campainha toca e ouço duas fracas batidas na porta. Minha experiência com pessoas que batem na minha porta por volta desse horário me deixa em um modo automático de me levantar antes de qualquer um e me dirigir até a porta. Abro a porta e não vejo ninguém. Olho para um lado e para outro, apenas vendo o carro do meu pai e o jardim vazio. Será que é apenas minha imaginação? Minha vista panorâmica é interrompida quando sinto a parte de baixo da minha bermuda receber duas fracas puxadas. Olho para baixo e vejo Francis me olhando com sua expressão serena e animada. Está vestida com uma camisa azul clara bem folgada com algumas estrelas estampadas e uma bermuda rosa. Francis sorri, levanta os bracinhos brancos e movimenta os dedos de uma forma que entendo que queria que a carregasse. A seguro pelas axilas e a carrego.

– Oi Francis, você está aqui sozinha? – pergunto, encostando-a no meu ombro.

– Oi Gi, o maninho tá aí?

– Está sim – respondo, entrando e fechando a porta.

Lisa foi a primeira que se deu ao trabalho de ver quem tinha chegado. Movimentou a cabeça sem sair do colo de Leandro e procurou pela visita, parando seu olhar em Francis. Logo ela abre um enorme sorriso e se levanta tão agilmente que deixa Leandro confuso. Lisa vem até mim ainda de olho em Francis, completamente apaixonada.

– Nossa, que linda!

Francis sorri, um pouco envergonhada pelo elogio, e o devolveu a ela, comentando sobre como seus cabelos loiros eram bonitos. Logo todos param para ver a menina nos meus braços, exceto Nathan, que já a conhecia. Ariel olha surpreso e vem até mim.

– Francis, o que você tá fazendo aqui?

– Eu vim pra ficar aqui – respondeu como se a resposta fosse óbvia.

Ariel respira fundo, pensa um pouco e dá de ombros, afinal não iria demorar muito na minha casa de qualquer maneira, então apenas volta ao seu lugar para deitar. Eu levo Francis até o sofá onde eu estava e Yuki e Lisa ficam ali brincando e paparicando Francis como se fosse uma boneca. Francis estava se divertindo com as duas. Era uma criança inteligente para sua idade, já falando algumas palavras complexas e até mesmo com um entendimento bem amplo de algumas expressões. Francis nos conta sobre o que havia acontecido na sua escola, sobre as professoras e o que aprendeu no dia, sobre suas brincadeiras e os amigos de maneira tão alegre que parecia ser a criança mais feliz do mundo.

– Aí a professora perguntou pra gente quem sabia qual era a capital do Brasil e quase ninguém sabia, mas eu sabia. É Brasília, né?

– É sim. Nossa, você é esperta hein? – comenta Yuki, afagando a cabeça de Francis.

– Eu sou. O maninho também diz isso.

Lisa e Yuki soltaram uma exclamação de 'Oh'. Ariel fica com as bochechas rosadas.

– Você fala demais, Francis – Ariel reclama.

– Pelo menos ela fala a verdade, não foge do assunto.

Logo após fazer este comentário, um lampejo percorre minha mente, formulando uma ótima e terrível ideia. Pode ser bem produtiva, mas é suja demais para os meu padrões, além da chance de tudo dar errado e minha ideia se voltar contra mim. Deixo esse pensamento crescer um pouco, pois seria muito útil para descobrir as coisas que venho me perguntando faz um tempo. Será que eu devo propor? Tecnicamente não tenho nada a perder.

– Pessoal, já que todo mundo está cansado do filme, o que acham de um jogo?

– Que tipo de jogo? – pergunta Enzo, desconfiado.

– Verdade ou desafio.

Todos param para me encarar por um instante. Todos parecem ter uma expressão diferente do jogo. Lisa, Yuki e Ariel estão animados com a ideia, mas Nathan e Enzo parecem incrivelmente desconfiados do jogo, afinal, não se parece com alguma coisa que eu vá propor. Leandro parece entender exatamente o que eu quero com isso, afinal ele sabe todas as minhas preocupações. Logo todos correm os olhos para ver as expressões de todos na sala, querendo ler os pensamentos de cada um, afinal era um emaranhado de oportunidades.

– Por que a gente jogaria essa brincadeira de criança? – Nathan pergunta com desconfiança.

– Prefere assistir o filme? – rebate Ariel, fazendo Nathan recuar. – Como vai ser, Gui?

– Eu estava pensando no seguinte – pego meu celular e o coloco no chão, no meio dos sofás. – A base pergunta e a parte de cima tem que responder. A pessoa vai fazer uma pergunta, se a pessoa não quiser responder, vai receber um desafio que deve ser obedecido, querendo ou não, todos entenderam?

– Eu gostei, deixa que eu rodo – falou Lisa, descendo e se sentando no chão.

Todos nós descemos e fizemos um círculo no chão em volta do celular. Francis fica sentada do meu lado, mais na frente, sem participar. Fico exatamente onde queria, de frente para Ariel, Nathan e Enzo, enquanto Yuki e Leandro ficam em cada lado.

– Lisa, pode começar.

Lisa pega meu celular e o roda com força. Ele gira apenas três vezes até começar a parar lentamente. A base do celular aponta para Yuki, enquanto que a parte de cima aponta para Enzo. Ambos se encaram, imaginando qual pergunta teriam que fazer e responder. Eu olho para Yuki, rezando para que ela fizesse a pergunta que eu queria fazer, para acelerar o processo.

– Enzo – Yuki fala de maneira séria e profunda. Tão séria que todos nós paramos para fixar o olhar nela. – Você... – ela pausa suas palavras – gosta de meninos desde quando?

Que tipo de pergunta idiota é essa? Pelo menos, vendo a expressão de descrença de todos, sei que não sou apenas eu que penso assim. Yuki sai de seu estado sério e volta à sua expressão de maníaca por casais gays, o que consegue me assustar a cada vez que vejo.

– Desde o Guilherme. Agora vamos pra próxima.

Enzo rapidamente gira o celular, sem deixar que ninguém comente sua afirmação, nem mesmo eu. Volto a encarar o celular que lentamente ia parando. Não consigo esconder meu descontentamento quando a parte de cima do celular aponta para mim e não fico mais feliz quando vejo que a base me mostra que a pessoa a fazer a pergunta é Nathan. Ele me encara com seu olhar mais normal, como se não fosse nada de especial, mas posso sentir que ele está pensando na melhor pergunta a me fazer.

– Você já se apaixonou?

Meu corpo fica rígido logo após o processamento de sua pergunta. Novamente a dor fantasma surge em minhas costas. Essa era uma das poucas perguntas que eu não queria responder por mil motivos e poderia encontrar mais mil para sequer comentar, mas se eu quiser que eles respondam depois minhas perguntas, tenho que falar algo, e minha consciência não me permite mentir.

– Já, uma vez apenas, quando eu era criança, mas não quero falar sobre isso – seguro o celular e me preparo para girá-lo, mas Nathan coloca sua mão sobre a minha.

– Conta.

Apesar de saber que ele se realmente se importa, ignoro seu pedido e giro o celular antes que esse assunto se prolongue. Nathan me encara com seus olhos escuros, tentando entender o que acontece em minha cabeça. O celular continua girando, mas vai gradativamente perdendo a velocidade até parar, apontando para Leandro e Ariel. Eu olho para Ariel e seus olhos encaram o chão. Toda a vitalidade que ele tinha antes parece ter sido drenada. Faz uma força para ver que teria que fazer uma pergunta.

– Na sua visão, quem está mais próximo de conquistar o Gui?

Assim como eu imaginei, todas as perguntas e respostas desse jogo teriam alguma ligação comigo, afinal parece que tudo no mundo está girando ao meu redor. Acabo me encolhendo um pouco com a precisão da pergunta e com o ligeiro desconforto que Leandro deixa visível.

– Eu não sei, como saberia? – Leandro diz com o sorriso mais falso do mundo.

Pior que nem eu sei qual é sua resposta.

– O Gui fala tudo pra você, e estamos em um jogo em que não se pode mentir.

– Mas eu não sei.

– Então qual você acha?

Leandro olha para os lados, como se procurasse ajuda para responder, mas Lisa parece tão perdida quanto ele, e eu não posso lhe dar nenhum sinal, ou com certeza vou ser mal interpretado. Ele dá um suspiro e arqueia as sobrancelhas.

– Sei lá, o Nathan?

Nathan deixa escapar uma leve gargalhada.

– Mesmo não estando atrás, eu ainda consigo ter uma vantagem. Que coisa, não é? – se diverte com isso.

Enzo entorta a boca em um sinal de descontentamento de maneira muito mais sutil que as expressões de Ariel, que pega o celular e gira. Fico olhando o celular, torcendo para que ele pare na posição certa, mas novamente ele insiste em me deixar em desvantagem. Enzo deve perguntar a Yuki.

– Por que você tem esse fetiche por casais de homens?

Deixo escapar uma pequena exclamação. Essa não era a pergunta que eu estava esperando que ele fizesse mas é uma pergunta muito boa, tenho que admitir. Eu mesmo já parei uma ou duas vezes para pensar no por quê desse gosto dela. Yuki está radiante. Acho que ela deveria estar esperando que alguém lhe fizesse essa pergunta há muito tempo.

– Bom, eu acho qualquer tipo de casal muito fofo, mas dois homens como casal é um outro tipo de sensação. A amizade entre homens só existe se for verdadeira, e o instinto de proteção que vocês têm um com o outro é simplesmente lindo – os olhos de Yuki radiavam êxtase. – Tudo deve ter começado quando eu tinha uns sete anos e vi dois amigos da minha mesma sala se abraçarem depois de um jogo de futebol. Um deles havia marcado um gol, seu amigo foi correndo e deram um forte abraço, e quando eles estavam se afastaram um pouco, ainda se abraçando, minha mente tirou uma foto no exato momento em que eles se olhavam com pura felicidade, um segurando a cabeça do outro com a mão pousada nos cabelos. Parece que tudo ficou colorido, com rosas e... Meu Deus! Foi perfeito!

Yuki não percebeu, mas estava de pé ao final de seu bonito, e um tanto exagerado, relato. Lisa e Francis pareciam ser as únicas encantadas com a história, enquanto que o resto de nós apenas olhamos uns aos outros.

– Bom, foi mais do que eu imaginava, mas obrigado por compartilhar – diz Enzo, girando o celular novamente.

Rimos um pouco e Yuki se senta, nos acompanhando na risada. O celular gira mais duas vezes antes de parar completamente, e desta vez eu consigo abrir o maior sorriso da minha vida. Eu vou finalmente fazer uma pergunta. Uma pergunta para Ariel. Ele sabe exatamente o que eu pretendo perguntar, por isso morde o interior da bochecha.

– Ariel... de onde eu te conheço?

Ainda com seu olhar quase fechado, ele coça sua bochecha e pensa um pouco antes de me responder.

– Eu quero o desafio.

? Droga! Eu me esqueci por um instante que ele tinha essa possibilidade de se recusar a responder. Preciso arrumar um desafio que seja tão ruim a ponto de ele voltar atrás e me responder. Várias coisas passam pela minha cabeça como opções de desafio mas nenhuma delas parece suficiente para que ele volte atrás.

– Eu te desafio a... – tento olhar para todo canto para encontrar uma solução, até que acho uma – beijar o Nathan.

Todos arregalam os olhos como se eu tivesse dito a coisa mais impensável do mundo, e tenho que admitir que eu mesmo não esperava isso de mim, mas minha ânsia em descobrir isso é maior do que qualquer desejo que já tive.

– Eu não vou beijar o febril aqui – reclama apontando para Nathan, que estava do seu lado, com o polegar. Uma veia salta na testa de Nathan.

– Então responda a pergunta.

Ariel morde seu lábio inferior com força. Seus olhos parecem procurar algo no chão, como se houvesse algo que o pudesse tirar dessa situação, sem sucesso. Ele olha para mim, para todos na sala e em um rápido movimento vira sua cabeça e encosta os lábios nos de Nathan, que não tem tempo sequer de ter uma reação que não seja a de virar o rosto.

– Cara! – reclama Nathan esfregando a boca na manga da camisa.

Ariel parece cuspir o ar enquanto passa as costas das mãos na boca, tentando limpar algo. Eu estou boquiaberto com a cena e detesto admitir, mas ele é mais teimoso do que eu posso imaginar.

– Uh, o maninho beijou o outro – Francis ria do meu lado.

– Gui, você está com ciúmes? – Enzo pergunta. – Está vermelho.

Meu rosto está quente depois de ter visto a cena, mas não queria que ninguém percebesse. Acho que depois de me acostumar a sempre ter alguém atrás de mim, fico sem graça quando eles não parecem querer me beijar. Não tem outra explicação.

– Claro que não! Gira logo esse negócio.

Lisa se apressa e gira o celular, mas antes que ele pare, o canal da televisão muda sem aviso, chamando nossa atenção. Eu havia colocado um lembrete para quando o jornal começasse, mas agora estou me amaldiçoando pela ideia. Ainda não consegui a resposta de Ariel, e ainda queria fazer uma pergunta para Nathan, que também é muito reservado. O programa começa com a âncora dando uma breve apresentação das notícias que serão abordadas ao longo do programa. Uma novidade na bolsa de valores, alguém que fez alguma coisa importante, desastre em algum lugar e finalmente a feira de cosméticos de São Paulo. O apresentador, que antes estava calado, agora apresenta a notícia de um terremoto que atingiu uma ilha próxima da Tailândia, falando sobre os desabrigados e dando uma breve explicação das placas tectônicas. A apresentadora faz um breve comentário sobre a situação e logo apresenta a notícia seguinte sobre um homem que fez da própria casa um antiquário cheio de peças raras da Guerra do Golfo. Essa notícia chata acaba pegando mais tempo do que deveria, mas logo o apresentador faz o favor de nos trazer a mais esperada notícia.

– E hoje é o segundo dia da Feira de Cosméticos de São Paulo, que ocorre na capital todos os anos com a participação de empresas internacionais do ramo. Nossa repórter Bruna Falabella tem mais informações ao vivo direto da feira.

– Pai, vai começar a matéria da feira! – grito para papai, que está no seu quarto.

– Estou vendo! – grita de volta.

A televisão mostra Bruna, incrivelmente bela, no que parece ser um saguão coberto gigantesco, com muitas pessoas andando de um lado para outro, entrando em estandes igualmente grandes das mais diversas marcas de cosméticos.

– Boa noite Caio, boa noite Zélia. Aqui na Feira de Cosméticos o que não falta é beleza para as mais de duas mil visitantes diárias. Com produtos variados, desde batons até cremes para rejuvenescer, as consumidoras estão fazendo a festa. Consumidoras como a dona Maria, que veio  para dar uma olhada na nova moda do mercado – fala Bruna, mostrando uma mulher morena de aproximadamente quarenta anos. – Então dona Maria, o que está achando da feira?

– Ah eu estou amando, conheci mil produtos pra coisas que eu nem sabia que podiam ser feitas. Tem para deixar o cabelo brilhoso e até para tirar as rugas dos olhos. Nunca que as mulheres vão deixar de ser bonitas assim.

– Que bom, né dona Maria? Agora, parece que o segredo dos cosméticos é a abordagem, e vamos ver isso logo aqui do lado, na banca da Mary Kay, que está sendo um sucesso absoluto desde ontem.

Bruna se vira e a câmera a acompanha, mostrando uma multidão de mulheres alvoroçadas em frente a uma banca larga cheia dos mais variados cremes. No meio daquela multidão, meus olhos se focam em uma mulher de pele morena, alta, de cabelos fartos e perfeitamente ondulados, sorrindo alegremente, vestindo um terninho rosa bem cortado.

– Olha, minha mãe está ali!

Bruna consegue se infiltrar na multidão e aparece na frente da minha mãe com a habilidade de uma veterana de guerra.

– Essa aqui é a dona Alice, que desde ontem é o centro das atenções na feira. Com seus deliciosos biscoitos em forma de batom, ela atrai as clientes e as fisga com seu inabalável carisma e simpatia, não é mesmo, dona Alice? É verdade que você conseguiu vender em um dia o esperado para três dias de feira?

Minha mãe estava com seu mais amigável sorriso, e ela tremia de empolgação.

– É sim querida, mas pode me chamar de Alice mesmo. As nossas consumidoras querem sempre o melhor, e nós sempre procuramos o melhor para elas com produtos que as ajudam nas mais variadas necessidades, principalmente nos cuidados da pele.

– É verdade que esse é o produto mais procurado pelas consumidoras? – pergunta Bruna, colocando o microfone mais perto do rosto de minha mãe.

– Não apenas pelas consumidoras mulheres, mas pelo público masculino também. Muitos homens vieram ao nosso estande também, afinal quem não se cuida não consegue um amor, ou até mais né?

Bruna levanta uma sobrancelha ao terminar de ouvir a frase de mamãe.

– O que teria além de um amor? – pergunta ela, curiosa.

– Mais de um amor, ora! Meu filho por exemplo, sempre usou produtos assim porque eu insisto, mas agora tem três possíveis namorados, um mais lindo que o outro.

Meu queixo cai completamente e meus olhos estão esbugalhados. Eu quase posso sentir meu espírito querendo novamente abandonar meu corpo, que quer ser engolido por uma buraco no chão. Só posso ouvir Ariel, Lisa e Leandro rindo escandalosamente, rolando no chão e segurando suas barrigas como se estivessem doendo. Yuki está digitando furiosamente no celular, provavelmente uma notícia sobre mim. Nathan e Enzo continuam assistindo o jornal, cobrindo as bocas com as mãos. A repórter sorri por um segundo, mas parece maquinar o exemplo e logo fica um pouco confusa.

– Desculpe Alice, a senhora disse 'namorados'? – pergunta Bruna com um sorriso confuso.

– Sim querida, três pretendentes a namorado – ela dá uma entonação mais forte na última palavra. – Século vinte e um, não deveria ser novidade. Três garotos lindos chamados Nathaniel, Ariel e Enzo. E as clientes podem ver o resultado de anos usando os hidratantes Mary Kay aqui – mamãe puxa o celular do bolso e mostra seu papel de parede para Bruna.

Qualquer tipo de vida que eu tivesse dentro de mim foi expulsa do meu corpo. O papel de parede do celular dela era uma foto minha dando um sorriso tímido. Bruna olha impressionada para a foto e faz um comentário positivo sobre minha pele, mas eu estava em um choque muito profundo para prestar atenção e ficar lisonjeado.

– E quem não quer logo três amores de uma vez, não é meninas? – minha mãe falou alto, como uma política para seus eleitores.

As mulheres que estavam em volta de seu estande gritaram animadas. Mulheres de outros estandes, que pararam para ver a entrevista, também gritaram positivamente. Até mesmo Bruna entrou na animação e falou um 'com certeza'.

– Muito obrigada, amor – diz Bruna dando um beijo de bochecha em minha mãe, mas logo volta sua atenção para a câmera. – E é assim que está a animação na Feira de Cosméticos de São Paulo, puro carisma e alegria. É com vocês aí do estúdio.

Logo a televisão mostra os dois apresentadores que estão sorrindo atrás de sua bancada.

– Bom, boa sorte nas vendas, Alice – comenta Caio, com um sorriso divertido

– Com certeza eu estou precisando da sorte do filho dela, está difícil a vida – completa Zélia em tom brincalhão. – Voltamos já.

  Eu estou paralisado, ainda com a boca aberta e na mesma posição desde que ela me mencionou. Ela mostrou minha foto em rede nacional. Falou que tenho três pretendentes em rede nacional. Me usou como exemplo em rede nacional. No maior canal aberto da televisão brasileira. Em horário nobre. Que merda! Que merda! Eu nunca quis tanto que o chão me engolisse, ainda mais com Ariel, Leandro e Lisa rolando de rir no chão.

Francis olha para mim, com uma expressão de surpresa. Ela estica seu bracinho na minha frente e balança de um lado para o outro, como se tentasse chamar minha atenção, mas meus olhos não seguem seu movimento.

– Acho que o Gi morreu – comenta para si mesma.

Quem me dera, Francis. Quem me dera.


Notas Finais


Ah, como não amar a Alice?


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