História Riders on the Storm - Capítulo 14


Escrita por: ~

Postado
Categorias The Walking Dead
Tags Drama, Rick Grimes, Romance, Universo Alternativo
Exibições 54
Palavras 2.850
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Ficção, Romance e Novela, Survival, Terror e Horror, Violência
Avisos: Canibalismo, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 14 - Um momento de explicações e confissões


Fanfic / Fanfiction Riders on the Storm - Capítulo 14 - Um momento de explicações e confissões

Sam olhou para Rick parado junto à porta lhe encarando de volta. A luz do luar entrando pelas frestas que ele abria na persiana atingindo seus olhos, deixando-os ainda mais azuis e convidativos. Seu corpo ficando tenso quando a flagrou acordada, movendo-se levemente para mudar o peso do corpo para a perna boa, fazendo Sam pensar no por quê ele se mantinha em pé quando isso lhe causava tanta dor, a cadeira que Jessie colocara ali, bem atrás dele, ainda que não o tivesse visto se sentar nenhuma vez.

Devagar se levantou, colocando o velho cobertor sobre a mochila, se aproximando dele lentamente, não por que temesse acordar os outros, ou para evitar barulhos que pudessem atrair errantes, mas sim pelo simples prazer de observá-lo enquanto se aproximava, satisfeita por poder lhe olhar abertamente, sem medos de ofender a outra mulher caso eles estivessem envolvidos como imaginava.

Amava Rick e tiveram um relacionamento, ainda assim não se achava sua dona, pelo menos não conscientemente, mesmo que sentisse que fora traída e estivesse com raiva ao imaginá-lo com outra. Não seria humana e normal se não se sentisse dessa maneira, mas o seu amor por ele ia além do egoísmo da paixão ou de um sentimento permeado pela posse, ainda que desejasse marcá-lo como seu.

Fora embora da prisão por que estava ferida e amargurada, tão triste e revoltada que temeu, não por si mesma, mas também por ele, pela idéia de feri-lo e afastá-lo ainda mais, algo que sabia já estar fazendo naquela última semana.

Chegando até ele ficou parada do outro lado da porta. Deu uma olhada na direção do depósito onde a porta estava quase completamente fechada, se perguntando se Jessie estava dormindo ou fingindo, como ela fizera na última meia hora.

"Desde quando está acordada?" Rick lhe perguntou, a voz baixa e rouca, fazendo algo se agitar em seu peito pela lembrança de outras noites há pouco mais de um mês.

"Desde que você me tocou." Ela respondeu sem fingimentos, a voz baixa também, mas clara, olhando-o fundo.

Estava na estrada há muito tempo, e sempre estava atenta e alerta do que acontecia a sua volta, mas fora realmente o toque dele em seu rosto e a carícia em seus lábios que a haviam despertado. Nunca, jamais seria indiferente a Rick, mesmo que ainda estivesse machucada pelo que Jay lhe fizera passar, ou pela sensação de que seu corpo ainda estava sujo pelo mesmo motivo.

"Encontrei Carol em Cinthianna." Falou para quebrar o silêncio." Ela me contou sobre a doença na prisão." Olhou para Rick. 'O que ela fez... Que você a mandou embora quando descobriu."

"Sim..." Rick respondeu tocando a porta com a ponta da bota." Ela não podia continuar conosco depois do que fez."

"Eu matei cinco homens e você lutou com o Conselho para que eu ficasse." Ela acusou.

"Você executou cinco malditos inimigos... Ela matou Karen e David." Rick contestou.

"O mundo mudou, Rick." Sam tentou.

"Não quando se trata de confiança. Você protege seus amigos, não os executa por que estão doentes." Ele disse com raiva e decepcionado.

"Você também não os abandona, apenas por que cometeram um erro." Sam respondeu, friamente.

"Você teria feito algo assim?" Rick questionou. Sam ficou calada e ele compreendeu mal o seu silêncio. "...Não, claro que não, mas ela fez. Não queria alguém assim perto de meus filhos."

"Talvez eu não tivesse agido como ela, mas se qualquer um, até mesmo Daryl ou Glenn lhe ameaçassem, de qualquer forma, não importaria que estivessem certos e você errado, eu os mataria sem pensar."

Talvez em outro momento tal declaração soasse como uma confissão de amor, mas ali, naquele lugar abandonado, na escuridão da noite e diante do perigo que lhes rondava o tempo todo, soou apenas como uma constatação, uma certeza, onde os sentimentos existiam, apesar de velados.

Sam se mexeu inquieta ao perceber que ele lhe olhava fixamente, daquele modo que só Rick conseguia fazer, profundo, querendo ler sua alma, como antes, quando estavam juntos.

"Encontramos tudo destruído quando chegamos à prisão." Ela mencionou para afastar o constrangimento de sua última afirmação. Abrindo uma fresta na persiana e olhando para fora, não detectando qualquer movimento. "Deduzimos o que aconteceu, mesmo sem saber o causador ou se vocês tinham escapado, levados prisioneiros ou pior..."

Sam parou quando sua voz falhou. A lembrança da dor quando o pensou morto, ou entre os errantes, calando fundo, ao ponto de fazê-la cometer a loucura de invadir o local para tentar encontrá-lo.

"Se estavam mortos." Ela finalizou de forma sofrida.

"O governador nos atacou novamente... Matou Hershel." Ele contou com a voz doía pelo velho.

"Pobre homem." Sam disse triste. "Nós o encontramos do lado de fora da cerca."

Apesar de não ter dito nada mais, sabia que Rick tinha compreendido que encontraram o velho senhor transformado e que ela e Carol tinham lhe dado o fim apropriado.

"Nos separamos na fuga. Não sei bem quem pode estar vivo ou quem não conseguiu, além de Daryl e Michonne." Rick parou para respirar fundo, evitando falar de Judith. "Levei um tiro na perna." Ele mencionou ajeitando o peso do corpo sobre a boa. "Estava muito ferido e tivemos, eu e Carl, de aguarda antes de tentar seguir em frente, ir para o ponto de encontro... para a fazenda." Rick olhou para ela. "Você disse que estava com Carol, o que aconteceu?"

"Estávamos indo para o ponto de encontro também, mas aconteceu algo e nos separamos." Sam explicou por que não estava mais com Carol, evitando contar toda a história. Não queria falar ou pensar sobre o que Jay lhe fizera.

Não agora... Talvez nunca.

"Foi quando estava ferido que encontramos Jessie." Ele tocou no assunto por fim. Um pouco envergonhado, mas levando na voz um traço de carinho pela outra e um pouco de censura direcionada a Sam.

"Sim... Jes-sie." Sam murmurou destacando as sílabas com voz fria, deixando a mão que segurava a persiana cair ao lado do corpo.

"Sam..." Ele começou.

"Você está com ela?" Sam o interrompeu, lhe perguntando direta e firmemente, a frieza dando lugar a uma calma resignação, esperando que ele dissesse sim e se preparando para ter o coração despedaçado.

Sentia como se aquele momento fosse um dos mais difíceis pelo qual pudesse passar, desde que perdera as pessoas que amava para a morte.

"Deus!" Ele esbravejou e Sam desviou os olhos para o chão. "Droga, Sam... Você partiu sem explicações, sem dizer adeus, deixando para trás algumas palavras em um pedaço de papel."

"Eu tinha que partir. Precisava estar longe daquilo tudo." Ela respondeu voltando a encará-lo.

"Sei que precisava, mas isso não mudou o fato de que senti que o que tínhamos, parecia não valer o esforço para que ficasse... De que o que passamos juntos e o que éramos um para o outro, não era forte o bastante para que você lutasse por nós, como eu estava me esforçando para fazer."

"Se tivesse ficado, acabaria machucando você, lhe afastando e destruindo o que tínhamos." Ela respondeu.

"Você não pode ter certeza disso." Ele contrapôs.

"Eu já estava fazendo isso." Sam concluiu.

Rick sabia que era verdade, em parte, mas lhe magoou muito mais ela ter ido embora.

"Preferia que você me machucasse e estivesse ao meu lado, do que ter passado todo esse tempo sem você, imaginando onde estava e o que estava sofrendo, pensando que perigos você estava passando sozinha na estrada."

O rosto de Rick estava carregado pela angústia que sentira a época e mesmo agora.

"Você só pensou em si mesma quando se foi, tomando decisões das quais eu não deveria ter sido excluído." Mexeu-se inquieto mudando o peso para a perna machucada, esquecido do ferimento, a dor fazendo com que erguesse o braço e o apoiasse à parede. "Você não pode entrar na vida de alguém e se tornar parte importante dela, para lhe abandonar quando tudo fica difícil, Sam. Relacionamentos não são construídos dessa maneira."

Sam abanou a cabeça em negativa ao ser acusada daquela maneira, mas sabendo que, se tivesse sido o contrário, estaria magoada da mesma forma com ele, como estava agora com a relação dele com a mulher no aposento ao lado. Pelo que eles pareciam estar vivendo.

"Você seguiu em frente." Sam refutou olhando na direção onde Jessie estava, notando que ele não respondera sobre seu relacionamento com a outra.

"Eu estava ferido, sofrendo pela perda de Ju..." Ele parou sacudindo a cabeça levemente, olhando para o depósito e suspirando deu um passo na direção de Sam, lhe encarando, o corpo levemente de lado. "Jessie me ajudou, me confortou e sim... Eu me senti atraído por ela."

Sam deu um passo para trás pela crua e direta maneira como ele não tentou esconder aquela informação, pela afirmação e os sentimentos que vinham em sua esteira, virando o rosto para que ele não visse as lágrimas que marejavam seus olhos.

Quando ela se afastou, criando um espaço entre os dois que parecia imenso, Rick sentiu que seria um desafio e imperativo cruzá-lo antes que fosse tarde. A verdade de suas palavras começando a criar um muro que temia não saber como derrubar, caso não deixasse a mágoa pela partida dela de lado e lhe mostrasse que seus sentimentos não haviam mudado, que estes estiveram apenas guardados e escondidos para que não sofresse o tempo todo.

"Jessie é uma pessoa linda e generosa..." Rick continuou se aproximando mais do que apenas um passo, ficando perto de Sam, o suficiente para que seus corpos se tocassem. "Ela é alguém que eu poderia amar... Você eu já amo Sam... Muito."

Sam estremeceu com a declaração, o coração dando um pulo no peito, sentindo as defesas que começara a erguer quando Jessie o abraçara na floresta, tão íntima e apaixonadamente, indo por terra.

Sabendo que ele conseguiria ler cada sentimento que experimentava, temeu lhe encarar novamente. Apesar do que ele acabara de dizer, sabê-lo atraído por outra, quando ela mesma nem sequer imaginava ter tais sentimentos por alguém que não ele, compreender que, enquanto estava acorrentada em um porão, sendo repetidamente violada, ele estivera ao lado de outra mulher, talvez dividindo o mesmo leito, foi tão doloroso e injusto, que tornou o amor dele menos real.

Havia colocado Rick em um pedestal. Seu homem maduro que sabia muito sobre a vida, perdas e traições para agir de maneira egoísta e errada e cometer algo humano, cruel e banal. Triste agora, porque não podia deixar de notar que seu ídolo tinha pés de barro e poderia ferir seu coração como qualquer homem normal e real.

"Se não deixei muito claro." Ele continuou erguendo-lhe o rosto pelo queixo com as pontas dos dedos. "Não estou com Jessie... Nunca estive." Ele declarou, tentando lhe alcançar, ao perceber que Sam estava afligida e magoada, muito mais do que queria demonstrar.

Sam mergulhou em seus olhos tão verdadeiros, sabendo que ele não estava mentindo, não sobre aquilo.

"Mas quis estar." Ela acusou, ainda que já estivesse quase convencida de que ele a queria, que lhe amava, de que não o havia perdido por ser tola e ter fugido, quando deveria ter permanecido e deixado que ele a curasse, entendendo que Rick ainda a desejava como ela também o ansiava.

"Mas não pude." Ele rebateu. O rosto angustiado. "Como poderia, pensando apenas em você? Só por que sou homem, acha que posso apenas me deixar levar, iniciar uma relação com alguém, fazer amor com uma pessoa, quando já entreguei meu coração à outra?" Ele sussurrou entre dentes, perto o bastante para ela sentir seu hálito, o cheiro de maçã fazendo-a respirar fundo e se segurar para não beijá-lo como ele e ela queriam.

Rick se afastou um pouco, parando de lado, olhando-a de cima, os olhos vagando por toda a sua face, detendo-se nos lábios; inclinando a cabeça, apenas um pouco, querendo aquele beijo, mas recuando sem concluir o gesto; abrindo a boca para lhe falar algo e desistindo, até que olhou para o lado, apenas para se acalmar.

"Você partiu e eu me esforcei para não pensar em você o tempo todo, quando percebi que provavelmente não voltaria." Voltou a lhe olhar. "Eu tinha filhos para cuidar, pessoas que ainda dependiam de mim, não podia simplesmente fugir como você fez." Cerrou os lábios e seu maxilar demonstrou sua tensão, raiva, desejo. "Não vou me desculpar por sentir algo por alguém que me ajudou quando precisei."

Sam apenas o deixou falar, desabafar e reclamar, por que sabia que boa parte daquela confusão era também culpa sua, por ter partido, ainda que não deixasse de se sentir ferida pelas atitudes dele.

E ao vê-lo tão zangado e contrito, pensou que desejava tanto que ele fosse feliz, que não lhe importava muito se fosse ao seu lado ou de outra. E, diante desta constatação, percebeu que estava livre para abandonar aquele problema e seguir em frente.

Ele a olhava esperando o que diria depois das revelações, acusações e de seu desabafo. Os olhos zangados e expectantes, os lábios levemente afastados, daquela maneira sexy que ele parecia inconscientemente ficar, os ombros se mexendo com a respiração alterada, mesmo que sua voz não tenha subido o tom além de um sussurro.

"Sei que fui egoísta em partir." Ela admitiu. "Acredite, me arrependi amargamente por isso." Ela sorriu levemente deixando Jessie para trás. "Mas voltei, por que também te amo e não consigo viver sem você."

Sam sentiu a garganta apertar observando-o vencer a pequena distância entre eles diante de sua confissão. Estendeu a mão para afagar seu rosto, sentindo que o atrito da palma contra a barba fez seu corpo se arrepiar, como sempre. Ele também a tocou, enrolando os dedos nos cachos soltos que emolduravam seu rosto.

"Seu cabelo está mais comprido." Ele murmurou um pouco fora de contexto, deixando os dedos invadirem a massa sedosa para soltá-los completamente.

Puxando-a para perto, inclinou o rosto contra o dela, beijando-a avidamente, como se quisesse castigá-la com seus lábios, com seus dentes e com sua língua por tê-lo feito se sentir vulnerável, por tê-lo abandonado.

Sam não tentou afastá-lo, e, depois de um minuto, a certeza de tê-la nos braços o tranquilizou. Rick se tornou gentil e terno, beijando-a no queixo, unindo seus corpos e embalando-a em um abraço.

Quando ele se afastou um pouco, pode perceber que Sam tinha os lábios inchados pela dureza do beijo, mas sorria levemente sem parecer se importar. Fechando os olhos ela se agarrou a ele, fazendo com que Rick se sentisse completo de uma maneira que nunca perceberia se não a tivesse perdido por todo aquele tempo. Jessie se tornando uma bela lembrança, uma promessa para a qual dissera não e apenas isso, ainda que soubesse que lhe devia uma explicação, por não querer magoá-la de maneira alguma.

Estreitando Sam um pouco mais junto ao corpo, ansiou poder tocá-la mais intimamente, mas não poderiam se entregar ao desejo, não agora, não com Jessie e Carl tão próximos e o local para vigiar.

No entanto, sentido sua excitação, ela deslizou a mão de seu rosto, passando pelo pescoço e peito, deixando os dedos o tocarem por cima da calça, lhe fazendo estremecer, os olhos procurando os seus quando desafivelou seu cinto e deixou a mão deslizar pelo cós, o tocando sem barreiras e sem pudores.

Tinham fome um do outro depois de todo aquele tempo afastados.

"Sam." Ele murmurou enterrando a cabeça no seu pescoço, sentindo o cheiro de terra e mato em seus cabelos, cerrando os dentes para não gemer, quando ela o apertou e afagou, lentamente a princípio, e depois com mais ímpeto, rápido, ainda que gentilmente.

Por um momento esqueceu-se de tudo: suas dores, seus medos, sua raiva e frustração. Se entregando ao deleite de tê-la entre os braços, a mão pequena lhe afagando com volúpia, lhe dando prazer e amor.

"Se não parar agora..." Ele sussurrou imprensando-a contra a parede. "Eu vou..."

Rick ofegou de forma erótica e Sam se sentiu poderosa, feliz, satisfeita.

"O quê?" Ela perguntou deixando que a mão o afagasse com lentidão, enquanto o ouvia murmurar em seu ouvido o que aconteceria.

Riu daquela boba preocupação, como se ele pudesse sujá-la de qualquer forma. Sabendo que a bagunça que se seguia ao prazer era algo tão natural que só pode gemer ao pensamento de que ele perdesse o controle.

"Não vou parar. Não quero parar." Sam avisou, sentindo-o pulsar em sua mão, quente, macio, duro. Sabendo que ele estava quase lá. A respiração mais rápida, o corpo ondulando no compasso de sua carícia, até que ele a beijou para abafar seu gemido, tão masculino quanto erótico. Desabando de encontro ao seu corpo. Tremendo da maneira que ela se lembrava e sentira tanta falta.

Sam o deixou ficar ali, recuperando-se junto ao seu corpo, ofegante, de costas para a porta do depósito, onde ela pode ver a figura de Jessie, que surpreendida se afastou, voltando para a escuridão do aposento, após se olharem, uma nos olhos da outra, e Sam deixar claro, ainda que se sentisse mesquinha por isso, de que Rick era seu e apenas seu.



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