História Ripped Away - Capítulo 22


Escrita por: ~

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Palavras 4.026
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Rélhou, tudo bom? Gente, mil desculpas pelo atraso, tanta coisa aconteceu... Eu fiz aniversário, meu pc estragou, Frank curtiu uma foto do Gerard no instagram (eeeee) Mas sem muita enrolação, vamos logo ao capítulo.

Capítulo 22 - Meet me at the ladies room (Gerard)


New York, 2015

Meu relógio de parede parecia ter pulado minutos, antes mesmo que eu pudesse terminar minha pequena arrumação, os ponteiros marcaram oito horas em ponto, ou seja, faltava uma hora para meu encontro com Frank. 60 minutos ainda parecia tempo demais, mas não era. Tive que tomar um banho rápido, o que não me agradava, eu gostava de duchas longas e relaxantes, mas só de pensar que em breve estaria com meu velho amigo, até um banho frio eu seria capaz de tomar, e com um sorriso no rosto.

Meu estilo de roupas não havia mudado muito. Tudo bem, eu não usava camisetas com estampas de sagas e outras nerdices com tanta regularidade como quando eu tinha 16 anos, mas a preferência por cores escuras ainda era uma característica marcante no meu guarda-roupa, e acho que dificilmente isso mudaria. Como o bar que Frank havia escolhido parecia ser um lugar popular, decidi vestir algo que me deixasse mais “arrumado”, digamos assim.

Vesti-me rapidamente e caminhei até o grande espelho embutido no armário, já que o do banheiro ainda estava embaçado por conta do meu banho quente. Após meus banhos, era fácil confundir o banheiro com uma sauna. Terminei de secar meu cabelo com o auxílio da toalha e joguei a mesma em cima da cama. Eu sentia falta de ter o cabelo comprido, às vezes ainda me pegava tentando colocar minhas madeixas atrás das orelhas, como eu fazia frequentemente no passado, mas agora meus fios estavam muito curtos para isso, o máximo que eu podia fazer era empurrá-los para trás, já que muitas vezes pareciam ter vida própria e o objetivo de atrapalhar minha visão.  Bom, pelo menos agora era bem mais fácil de cuidar, e também, havia uma economia significativa de shampoo. Encarei minha figura no espelho, é, parecia que estava vestido para um funeral, nada surpreendente.

Peguei meu celular e chequei as horas. Eu ainda tinha tempo, não queria me atrasar de forma alguma. Com a chegada do inverno, a temperatura só tendia a cair mais e mais, principalmente de noite, então peguei uma jaqueta de couro, igualmente preta, e vesti.

-Nem um pouco minimalista, Gerard. Nem um pouco. –Falei ironicamente para mim mesmo enquanto terminava de analisar minha imagem no espelho.  Eu não sabia onde era o tal bar, na verdade, desde que me mudei, eu só sabia como ir a alguns lugares específicos: a faculdade, o Starbucks, a pequena loja dos Asiáticos, e claro, meu apartamento. Nova Iorque tem lindos pontos turísticos e inúmeros lugares que eu gostaria de visitar, mas ainda não tive a oportunidade, talvez agora eu pudesse, talvez com Frank, afinal, ele com certeza conhecia melhor a cidade, muito melhor do que eu pelo menos.

Dei uma pesquisada pelo meu celular a fim de descobrir a localização do lugar. Obrigado mais uma vez, tecnologia! Não demorou mais de alguns segundos para os resultados aparecerem, o local não era muito distante, marcava menos de vinte minutos de carro. Por sorte, transporte não era um problema nessa cidade, principalmente táxis. Eu pessoalmente preferia o metrô ou o ônibus, mas isso demoraria muito, e como disse, não queria me atrasar.

Sai do prédio rapidamente, era engraçado como o elevador parecia estar sempre à minha disposição, era como se os outros moradores só utilizassem as escadas, ou não saíssem de casa mesmo. Eu não era muito fã dessa alternativa, e também, meu pulmão não era um dos melhores. Dei alguns passos pela calçada e como previ, já havia um táxi do outro lado da rua. Apertei um pouco os olhos, para certificar-me que estava vazio. A sorte parecia estar mesmo ao meu favor.

Entrei no veículo e fiquei um pouco surpreso ao ver que era uma mulher que dirigia, não que eu tivesse algum preconceito, muito longe disso, mas era a primeira vez que eu pegava um táxi assim. Diferente dos outros motoristas nova iorquinos, ela não parecia estressada e impaciente, pelo contrário, me cumprimentou de forma simpática e perguntou educadamente o destino. Respondi usando a mesma educação e ela deu partida. A noite só parecia estar melhorando.

Como de costume, fiquei boa parte do tempo observando a bela cidade bem iluminada através das janelas do carro, porém, algo estava começando a me incomodar. Eu estava com aquela sensação estranha de estar sendo observado, então não pude deixar de perceber que a taxista ficava me encarando disfarçadamente pelo retrovisor interno. Estranhei o ato, mas decidi não falar nada, apenas ignorar e tentar me concentrar na vista que aquele passeio estava me proporcionando.

-Desculpe, senhor. –A mulher disse parecendo envergonhada. –Parece que te conheço de algum lugar. –Franzi o cenho. –Você não é daqui, certo?

-Eu me mudei não faz muito tempo. –Respondi ainda confuso. Tentei analisar melhor o rosto da mulher. Ela tinha o cabelo encaracolado e vermelho, uma aparência jovem, não deveria ter mais de 30 anos. Mas não, eu não a conhecia. Nem de Jersey, nem do Arizona e muito menos daqui.

-Você é famoso? –Ela sorriu de forma ansiosa, como se estivesse esperando desesperadamente por um “sim”.  Fiquei surpreso novamente com a pergunta, e logo tive vontade de rir. Eu pensei em mentir, seria engraçada sua provável reação. Mas ela havia me tratado tão bem, não parecia certo brincar com ela dessa forma.

-Não. –Respondi rindo. –Eu não sou.

-Nossa, quando você entrou no meu táxi, logo achei que era algum ator. –Espera aí, será que esse foi o motivo de tanta simpatia comigo? –Quando você me disse para onde estava indo, logo mudei de ideia. Mas sei lá, você parece muito com alguém que já vi na televisão, então tive que perguntar. –Justificou-se de forma meio atrapalhada, se embolando nas palavras. Continuei rindo. Eu famoso? Jamais.

-Esse lugar é tão ruim assim? –Pelas fotos que o Google Maps me forneceu, parecia ser um local decente, não muito diferente do bar que fui com Dexter e seus amigos, na noite da apresentação de Frank. –Nunca fui lá.

-Não é que seja ruim, tipo, não é um lugar que eu recomendaria. –Apontou para si mesma, parecendo querer deixar bem claro que era só sua opinião. –Mas pela sua aparência, achei que estava indo para um lugar sofisticado.

-Entendi. –Eu não sabia se deveria agradecer, afinal, isso era um elogio? –Você costuma ter passageiros famosos?

-Ainda não tive nenhum, acredita? –Disse desacreditada. –É o meu maior objetivo desde quando entrei nesse ramo.

-Bom, se algum dia eu ficar famoso, será um prazer ser seu passageiro novamente. –Sorri de forma brincalhona.

-Com certeza. –Me entregou um cartão de papel com seu nome e telefone. –Patricie, sempre que precisar. –Parou o carro e então me toquei que estávamos em frente ao bar. Havia um grande letreiro de neon com o nome do lugar e vários adesivos colados nas poucas janelas, pareciam imitar uma cortina.

-Me chamo Gerard. –Dei um meio sorriso e paguei o preço indicado no taxímetro, fazendo questão de que ela ficasse com o troco.

-Gerard. –Pronunciou. –Nome forte, já me parece de celebridade. –Dei outra risada e sai do veículo, acenando em seguida. Com certeza eu a contataria novamente, ela era de longe muito mais legal do que os outros taxistas. Guardei o cartão no meu bolso frontal, no mesmo lugar que meu celular ficava, para garantir que eu não perderia ou esqueceria. 

Adentrei no bar que, de fato, não era nem um pouco sofisticado. A iluminação era bem fraca e precária, algumas lâmpadas pareciam estar até com mau contato, enquanto outras nem estavam funcionando. Havia uma mesa de sinuca bem centralizada e algumas pessoas jogando sem um pingo de ânimo no rosto. Passei por elas sem encarar muito, o que eu menos queria era me meter em uma briga, e quem gosta mais de confusão do que gente bêbada? Essas pessoas não pareciam adolescentes tentando parecer mais velhos, todos aparentavam já ter passado dos 21. 

Passei meus olhos por todo canto, mas Frank ainda não estava lá. Puxei meu celular e também não havia nenhuma mensagem dele. Bom, ele nunca foi a pessoa mais pontual do mundo. Mandei uma mensagem avisando que eu já estava lá e pedi uma cerveja no bar, já que aparentemente não havia garçom. Caminhei até um espaço mais afastado do bar e sentei-me em uma das mesas. Já é mais que evidente que eu gosto dos lugares mais isolados e com menos pessoas possíveis, mas nesse caso, não era tanto por culpa do meu lado anti-social, mas sim porque eu e Frank precisaríamos de um pouco menos de barulho para conversar, e essa mesa era perfeita. Localizava-se perto do banheiro, a maioria das pessoas preferiria ficar longe desses banheiros nojentos, ainda mais de bares, e principalmente quando não há divisão de gênero. Mas eu não me importava nem um pouco.

New Jersey, 2010

-Nós realmente precisamos ser menos barulhentos. –Levei minha mão até minha própria boca parar abafar o som da minha risada.

-Você é tão paranóico, Gee. –Frank soltou um riso nasal enquanto mexia no meu cabelo. –“Nós precisamos ser mais rápidos”, “Nós temos que tomar mais cuidado”, “Nós deveríamos inventar novas desculpas para o técnico”. –Tentou imitar minha voz de forma exagerada.

-Eu não falo que nem um mongol. –Dei um tapa no seu ombro, reprovando sua falha tentativa de reproduzir meu modo de falar. –E você sabe que estou certo. –Já fazia alguns meses que eu e Frank estávamos namorando, só que quanto mais o tempo passava, mais ficava difícil de ficarmos juntos. Meus pais haviam contratado uma empregada, então não era mais tão seguro Frank ir para minha casa no horário que meus pais estavam trabalhando, já que se ficássemos muito tempo trancados no meu quarto, ela poderia desconfiar, e só deus sabe como essa mulher era fofoqueira. A mãe de Frank estava trabalhando em casa, então também não podíamos ficar lá. A praça dos Aliens? O prefeito decidiu reformar o lugar, então agora estava sempre infestado de crianças. E com o andamento da banda, os ensaios se intensificaram, e nossos amigos não largavam do nosso pé. Não que a companhia deles fosse ruim, mas eles não sabiam de nós, ninguém sabia, e teria que permanecer assim. Então a solução que achamos foi matar as aulas de educação física, o que nós já fazíamos antes, e ficar em uma das cabines do banheiro feminino.

Haviam banheiros em todos os andares da escola, mas ninguém usava o do último andar. Principalmente as meninas, elas já tinham toda essa frescura para usar os sanitários públicos, então era mais fácil. Mas o problema mesmo era que esse era o pior banheiro que tinha. As descargas eram defeituosas, os espelhos manchados e rabiscados e raramente tinha papel higiênico. Okay, talvez elas estivessem certas em não usar esses banheiros, mas eles serviam para o que eu e Frank queríamos, e também, para quem perdeu a virgindade no banco traseiro detonado do carro do pai de Frank, e ainda por cima estacionado no meio do nada, em uma cidade que não conhecíamos bem e correndo o risco de sermos assaltados, esse banheiro parecia um motel cinco estrelas de luxo.

Tudo bem, talvez eu fosse um pouquinho paranóico, mas é que para mim, todo cuidado era pouco. Se fossemos pegos, não traria problemas somente na escola, eu não gostava nem de parar para pensar em como meu pai reagiria se descobrisse. E os outros alunos? Do jeito que a fofoca se espalha rápido aqui, voltaríamos a ser alvo de chacota em um piscar de olhos.

-Gerard, fazemos isso toda semana. Quantas vezes alguém passou por perto desse banheiro? –Largou meu cabelo. –Isso mesmo, zero!

-Eu sei, eu sei. –Bufei.

-Você precisa relaxar mais. –Deu um beijo no meu pescoço. –Ninguém vai descobrir. –Falou com certeza, daquela forma calma e tranquilizadora só dele. –É nosso último ano nessa escola, o que pode dar de errado? –Eu poderia fazer uma lista com mais de mil coisas, mas era uma daquelas discussões que nunca havia vencedores, então apenas assenti. –Mas então, vamos ao Super Burger depois da aula? Eu não aguento mais comer macarrão instantâneo na minha casa.

-É mesmo. –Entreabri a boca. –Esse é nosso último ano. –Olhei para Frank com os olhos arregalados.

-Isso soa horrível, Gee. Não é como se fossemos morrer. –Riu. –Não está ansioso para se livrar da escola?

-Sim, claro. –Balancei a cabeça. –Mas é que, sei lá, como vão ser as coisas ano que vem?

-Sério que você já está pensando nisso? Ainda estamos no começo do ano. –Por mais que a escola fosse irritante, as responsabilidades não eram tão grandes, ano que vem teria faculdade, talvez até emprego! Tudo isso parecia aterrorizante na minha cabeça. –Okay, ano que vem... –Colocou as mãos em volta do meu pescoço. –Ano que vem, tendo em vista que ainda estaremos vivos. –Enfatizou. –Podemos nos concentrar mais na banda, quer dizer, fazê-la crescer pra valer, sabe? –Assenti positivamente. –Com direito a gravadora e tudo. –Sorriu de forma contagiante. A paixão de Frank pela música era realmente algo apreciável, eu adorava o jeito que seus olhos brilhavam toda vez que ele falava disso. –Eu curti muito o nome que você pensou para um primeiro álbum, I Brought You My Bullets...

-You Brought Me Your Love. –Completei. Não era algo fofo, tudo bem que tinha um pequeno romance, mas o contexto que eu havia criado em cima disso era muito mais sombrio, assim como as letras das nossas músicas, e assim como o estilo da banda. –Me parece uma boa ideia. –O que eu menos queria era ter que trabalhar horas por dia, engravatado, para ganhar um salário que não valia metade do estresse. Eu não queria seguir esse padrão. De uma certa forma, eu não queria ser “adulto”.  

-E depois de lançar o álbum de estréia, podemos ir para Los Angeles! –Disse animadamente. Eu sabia como Frank sonhava em se mudar para Los Angeles, sempre que ele falava disso parecia uma criança que acabara que descobrir que iria para a Disney no aniversário. –Ai, meu caro, estamos falando de Grammy e disco de platina. –E lá estava o brilho de novo.

-Mas sabe o que deixaria tudo isso ainda melhor? –Beijei sua bochecha. –Se nós morássemos juntos.

-Achei que nunca pronunciaria tais palavras, Gerard Way. –Tentou soar como uma daquelas mulheres de novela que acabaram de ser pedidas em casamento. –Não precisaríamos ficar exprimidos nesse cubículo. –A cabine era tão pequena, que só cabia nós dois lá dentro porque eu me sentava na tampa da privada, e Frank se sentava no meu colo, com as penas viradas para mim. Mesmo dificultando nossa movimentação, eu até que gostava de ficar assim, bem próximo dele. –E também poderíamos adotar um cachorro. –Depois do ano novo Frank teve que se despedir do seu mascote, Pumpkin. Seus pais não gostavam de animais, isso já era fato, mas o cachorro estava adoecendo, como eles não tinham condições de pagar um tratamento decente, Frank passou a guarda do animal para outra pessoa. Sua mãe era amiga de uma família que, de acordo com meu namorado, não tiraram os olhos do cachorro desde quando os viram pela primeira vez enquanto ele o levava para passear. O casal tinha uma filha pequena, e crianças, assim como Frank, geralmente são apaixonadas por animais. A família garantiu que cuidaria bem do bichinho, eles tinham condições, e isso tranquilizou Frank. Foi realmente uma decisão difícil, mas eu estava orgulhoso por ele ter feito a escolha certa, e sei que ele também estava. –Nossa, seria perfeito.

-Vai ser perfeito. –O corrigi, enfatizando a primeira palavra da frase. Eu já havia parado para pensar algumas vezes em como seria se eu e Frank morássemos juntos, só conseguia imaginar um cenário onde nós jogamos vídeo-game e comemos pizza o dia inteiro. Era uma boa, quer dizer, pizza e vídeo-game são um barato, mas eu tinha certeza que quando acontecesse, seria muito melhor que isso, se é que é possível. –Mas por enquanto, vamos ter que nos contentar com esse banheiro.

-Eu sei, mas no futuro, quando estivermos ricos e famosos, vamos lembrar disso e rir. –Puxou suavemente minha cabeça e selou nossos lábios. –Agora temos que ir para a aula, dois tempos de química agora. –Revirei os olhos só de lembrar da Senhora Keating e seu mapeamento ridículo, que me separava de Frank. –Pensando bem, não podemos matar essa aula também? –Perguntou de forma manhosa.

-Eu adoraria, mas você sabe que não podemos. –Além de perder matéria, as pessoas poderiam perceber, e aí sim estaríamos encrencados. Frank bufou auditivamente, mas pareceu aceitar a cruel verdade. –Relaxa, como você mesmo disse, é só mais esse ano.

-É, só mais esse ano. –Repetiu e deu um meio sorriso. –Então vamos. –Nos beijamos mais uma vez, como sempre fazíamos para nos “despedir”. –Vai na frente dessa vez, eu ainda quero mijar. –Nosso esquema era um de nós dois sair do banheiro primeiro que o outro, afinal, todo cuidado era pouco. Já seria estranho o bastante se alguém nos visse saindo do banheiro feminino, se saíssemos juntos então. Não podíamos correr esse risco.

-Tudo bem. –Frank saiu do meu colo e se espremeu um pouco na divisória da cabine, dando espaço para que eu abrisse a porta e saísse. Abotoei minha calça e destravei a porta. –Até a aula então. –Sorri para Frank e deixei a cabine. Antes de sair do banheiro, fui até a pia lavar minhas mãos e conferir minha aparência no espelho sujo, já que Frank tinha a mania de deixar minha pele marcada. Tudo estava normal. Sequei as mãos no meu próprio uniforme, afinal, papel era algo inexistente nesse toalete, e sabonete líquido também.

Antes que eu pudesse encostar na redonda maçaneta, a porta abriu sozinha e uma garota entrou. Arregalei meus olhos e senti meu coração acelerar. Era a Jane, e ela me olhava com a mesma expressão de surpresa e confusão que estava estampada na minha cara. Eu não sabia o que dizer, ou o que fazer a não ser entrar em pânico.

-Gerard? –Retirou seus fones de ouvido. –O que você está fazendo aqui?

-Uh, e-eu... –Comecei a soar frio. O que eu poderia dizer? “Ah, estava me pegando com meu namorado, e você?” Sem chances. Tentei pensar em alguma desculpa plausível, mas nada passava pela minha cabeça. Desisti de falar alguma coisa e ficamos um encarando o outro, até que o silêncio foi quebrado pelo som da descarga que Frank havia acabado de dar. Que ótima hora para essa coisa funcionar! Eu já imaginei o que aconteceria em seguida. Vi Frank sair da cabine e logo fazer a mesma cara que eu ao perceber a situação.

-Jane?! –Exclamou nervoso e olhou para mim desesperadamente, como se pedisse socorro.

-O que vocês... Ah, eu já sei o que vocês estão fazendo aqui. –Sua boca tomada por batom preto se abriu formando um “o”. 

-Sabe? –A palavra saiu automaticamente da minha boca, deixando explícito todo o nervosismo que eu estava sentindo. Eu sabia que cedo ou tarde isso aconteceria, flashes de tudo que aconteceria em seguida passaram pela minha mente. Nós estávamos ferrados. Jane sabia, e logo o resto da escola também. Devolvi o mesmo olhar para Frank, eu poderia começar a chorar nesse exato momento.

-Jane, escuta só, não é bem isso que...

-Não, tudo bem. –Ela cortou sua fala. –Eu não vou contar para ninguém, também venho aqui fazer isso às vezes. –Eu e Frank nos encaramos confusos. Oi? Até onde eu sabia Jane estava solteira. –Não tem como aturar algumas aulas estando sóbria, não é mesmo? –Franzi o cenho e ela retirou do seu bolso um cigarro e um isqueiro, mas aquele não era um cigarro comum.

-É verdade, que bom que entende. –Frank sem pensar duas vezes entrou na onda dela. Agora tudo fazia sentido, ela achava que nós estávamos ficando chapados. Senti uma sensação maravilhosa de alívio e decidi participar da mentira também.

-Vocês querem um trago? –Estendeu o cigarro em nossa direção. Eu e Frank nos olhamos novamente, era como se tentássemos nos comunicar por telepatia. Já tínhamos experimentado maconha antes, mas não sabíamos bem se era bom usar nesse momento, por um lado, reforçaria a hipótese de Jane e disfarçaria melhor o que nós realmente estávamos fazendo naquele banheiro. –Acabei de conseguir com o Bert. –Sussurrou.

-Não! –Falamos em uníssono. Quando Bert me contou que vendia drogas, ele assumiu que dependendo do comprador, colocava algo a mais, porque achava engraçado ver as pessoas que não gostava muito mais doidas que o normal. Eu não sabia se Jane estava na lista negra dele, então era melhor não arriscar. Frank não sabia disso, ele provavelmente havia recusado porque odiava o Bert.

-Já estamos satisfeitos. –Frank mentiu com naturalidade, ele era muito mais habilidoso que eu. Eu entendia, também, foram anos e anos bolando mentiras e desculpas para os seus pais, ele já era um expert.

-Então ta. –Deu os ombros e caminhou lentamente para uma das cabines. –A gente se vê então, e não se preocupem, minha boca é um túmulo. –Deu uma piscadinha e se trancou. 

-Essa foi por pouco. –Sussurrei para Frank enquanto abria a porta do banheiro minimamente, para conferir se tinha mais alguém por perto. –Eu disse que nós precisamos ter mais cuidado, você confia nela?

-É a Jane, ela é legal. –Para ser sincero, eu não gostava muito da Jane. Frank com certeza já havia ficado com ela em alguma festa, e mesmo sendo meu namorado, eu tinha um pouco de ciúmes e rancor. –Acho que não precisamos nos preocupar. –Saímos do banheiro apressadamente, antes que outra pessoa decidisse aparecer. –Ela pareceu acreditar que nós realmente estávamos nos drogando.

-Ta, mas agora nos fodemos. Perdemos o único lugar que dava para nós ficarmos juntos. –Usar aquele banheiro já não era a coisa mais segura (ou higiênica) do mundo, agora então. Demos sorte que Jane apareceu depois. Frank fechou a cara e pareceu pensativo.

-Nós vamos dar um jeito. –Dei um meio sorriso. Eu realmente esperava que Frank pensasse em alguma coisa. Eu precisava pegar alguns livros para a aula, então paramos em frente ao armário prateado com alguns adesivos, que deixavam bem claro que o compartimento pertencia a mim.

-Nos vemos na aula então. –Por mais que Frank dificilmente fosse prestar atenção na aula, ele também precisava dos seus livros, e infelizmente seu armário ficava distante do meu.

-Okay. –Ele olhou cuidadosamente para os lados e quando se certificou que só havia nós dois naquele corredor, aproximou-se e depositou um beijo na minha bochecha. Sorri em resposta e voltei a destrancar o meu cadeado, rodando os números para que formassem a senha, que não era algo difícil. Dois, oito, zero, seis, quatro, dois, um e dois. O cadeado fez um barulho indicando que havia sido aberto. Quem me conhecia bem, principalmente meu gosto para filmes, entenderia logo a referência.

Peguei os livros necessários e fechei com força a porta metálica de lata, como esses armários eram meio antigos, para fechar bem era preciso usar uma força extra. Dei um longo suspiro e já com meus livros em mãos, me virei para iniciar minha trajetória até a sala de aula, onde eu enfrentaria dois longos e torturantes tempos.

-Puta que pariu! –Derrubei todo meu material e levei minha mãe até meu coração, sentindo meus batimentos acelerados. Mikey estava sorrindo como um maníaco para mim. Eu não fazia ideia de onde ele possivelmente havia saído, o local estava completamente vazio há alguns segundos atrás. –Você quer me matar do coração, garoto?

-Eu sabia! –Apontou um dedo na direção do meu rosto. –Eu sabia que estava certo! –Disse vitorioso. Agachei-me e recolhi meus livros que, por culpa do meu irmão, estavam no chão.

-Do que você está falando? –Indaguei sentindo minha respiração se normalizar.

-“Nos vemos na aula então.” –Forçou um pouco a voz e deu um beijo na minha bochecha. Imitando perfeitamente o gesto de Frank. Meu. Deus. Arregalei meus olhos, minha boca escancarou e o nervosismo havia voltado. Toda aquela sensação péssima que o quase flagra de Jane havia proporcionado voltou me atingindo como um raio. Mikey sabia, e eu temia que em breve, todo o resto do mundo também.

 


Notas Finais


EU SÓ QUERIA DIZER QUE fiquei com muita raiva de mim mesma escrevendo isso asuabsu é que tipo, eu sei que vocês querem saber logo do famigerado encontrinho deles, e eu até ia por uma palhinha, mas ia ficar muito grande. Eu sei que às vezes parece que enrolo demais, mas eu queria deixar claro que esses flashbacks são muito importantes para dar mais impacto e vocês entenderem melhor quando os capítulos da treta chegarem sahushau ENFIM, o próximo chap eu vou focar mais no tempo atual, mas espero que vocês estejam gostando <3 Um beijão e até o próximo (eu sei q quase sempre digo isso, mas JURO QUE VOU TENTAR NÃO DEMORAR)


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