História Ripped Away - Capítulo 24


Escrita por: ~

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Palavras 3.462
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olar, terráquexs! Vamos concordar, não demorei, né? Mas blá, blá, blá, vamos ao capítulo.

Capítulo 24 - I Love you, I Hate you (Frank)


New Jersey, 2010

-Anda logo, Frank. Deixa eu ver! –Gerard se aproximou rapidamente de mim, tentando puxar o objeto das minhas mãos, mas me esquivei antes que ele tivesse a chance.

-Espera, ainda não está pronto. –Ri da sua frustração e voltei minha atenção para o meu trabalho. –Você que costuma ser o cheio de paciência por aqui, Buda. –Caçoei sua curiosidade. Gerard carregava seu sketchbook para todo lugar. Ele dizia que poderia ter uma ideia brilhante a qualquer momento e temia perder a chance de registrá-la. Então, no meio de tantos desenhos no seu pequeno caderno de capa dura, decidi deixar um meu. Como um amante da arte, Gerard adorava quando eu demonstrava interesse por desenhos e essas coisas, da mesma forma que eu me sentia cada vez mais apaixonado, se é que isso era possível, quando o via cantar. Acho que isso explicava o porquê dele se encontrar tão animado para ver como minha obra de arte estava ficando. –E pare de se mexer. –Ele já sabia que eu estava o desenhando, ou melhor, tentando.

-É que você está demorando muito. –Reclamou emburrado.

-O que mais temos é tempo. –Já havia um tempo que meus pais estavam planejando uma viagem, para que pudessem passar um tempo sozinhos e sossegados. Eu, sinceramente, achava que a ideia não iria para frente, mas me surpreendi quando meu pai me entregou as chaves da casa e disse: “Vamos estar fora por apenas quatro dias, então não apronte. Nada de festas e é bom tudo ficar do jeito que deixamos!” Eu ainda sorria ao lembrar dessas palavras, era bom demais ficar sozinho em casa. Bem, no meu caso, não tão sozinho assim.

Quando eu era menor, ficar sozinho em casa era sinônimo de dormir bem tarde, jogar vídeo-game sem parar e comer toda porcaria que meu estômago aguentasse. Claro que eu continuava fazendo essas coisas, mas agora eu tinha um namorado, e não podia ser melhor. Gerard e eu não tínhamos nenhum lugar para ficarmos juntos, mas agora minha casa estava disponível só para nós dois, e decidimos aproveitar esses dias ao máximo.

-Não exatamente. –Pegou seu celular que estava sob meu criado mudo e exibiu o aparelho em minha direção. –Temos ensaio daqui a trinta minutos. –Gerard e sua paranóia com pontualidade como sempre, mas dessa vez eu entendia. Precisávamos ensaiar bem, amanhã seria um dia muito importante para a banda.

-Okay, okay. –Passei o lápis em algumas regiões do papel, dando os detalhes finais e entreguei o caderno para Gerard, que puxou o objeto como se fosse uma barra de ouro. –Voilá!

-O que exatamente era para ser isso? –Ergueu as sobrancelhas confuso, sem tirar os olhos verdes do pedaço de papel.

-Eu devo mesmo explicar a arte? –Perguntei ironicamente e engatinhei pela cama até chegar mais perto dele. –Desenhei você.

-Eu não sou assim. –Me lançou um olhar ainda mais confuso e eu ri. –E não tenho peitos.

-É você se fosse uma garota. –Ri ainda mais alto e Gerard balançou a cabeça negativamente, com um sorriso brincalhão nos lábios. –Qual é? Ficou parecido. –Algumas pessoas já comentaram que Gerard parecia uma garota, por causa das feições e do cabelo mais longo que dos outros meninos. A principio eu realmente estava tentando o desenhar, mas os traços do rosto dele eram tão delicados e perfeitos que tornava ainda mais complicado. Eu sinceramente não entendia como ele conseguia desenhar tão bem pessoas e qualquer outra coisa. Alguns desenhos que fazia de mim pareciam melhores e mais realistas do que uma fotografia.

-É, você fez um bom trabalho nos olhos. –Para mim aquele desenho era somente uma piada, parecia ter sido feito por uma criança de 9 anos, mas Gerard o analisava de uma forma profissional. –Deveria praticar mais. –Sorriu como se estivesse orgulhoso.

-Obrigado, professor. –Falei sarcasticamente e o puxei para um breve beijo. –Eu até coloquei seus chupões. –Apontei para as clavículas da personagem. Uma das partes ruins de namorar escondido era que tínhamos que ser muito cuidadosos com tudo, então eu me policiava para na hora de marcar Gerard, ir apenas nas áreas que suas roupas cobrissem. Sei que se meu namorado aparecesse com uma marca no seu pescoço seria recebido com um interrogatório irritante.

-Muito bom mesmo. –Elogiou novamente e fechou o caderno, sem antes dar uma boa última olhada. –Agora vamos nos vestir e encontrar os caras?

-Mas já? –Eu adorava ensaiar, isso já era um fato, mas estava tão bom ficar com Gerard. Tudo naquele quarto parecia melhor com ele ali.

-É, temos que ensaiar muito hoje. Ainda estamos com alguns problemas tocando Headfirst For Halos, tem que ficar perfeito. –Amanhã não seria só mais um show em uma bar aleatório, seria um evento de extrema seriedade. Nosso público dessa vez não seria só o pessoal do colégio e alguns adolescentes bêbados, pessoas importantes estariam lá, pessoas que caso gostassem do nosso som, ajudariam a banda a crescer. Só de pensar nisso eu sentia meu corpo vibrar de ansiedade e empolgação. E também, fora tudo isso, era a primeira vez que a avó de Gerard nos assistiria tocar, e eu sabia o quanto isso era importante para ele, que não podia estar mais animado e, ao mesmo tempo, nervoso. Mas todos nós estávamos nos sentindo assim.

-Relaxa, vai dar tudo certo. –Tentei tranquiliza-lo. Gerard sorriu de lado e começou a remexer os lençóis bagunçados da cama, procurando suas roupas. –Quando que a Elena chega? –Perguntei me levantando, a fim de calçar meu tênis.

-Amanhã de tarde, minha mãe vai buscá-la no aeroporto. –Vestiu sua blusa e arremessou a minha, para que eu fizesse o mesmo. –Ela vai aproveitar e passar o fim de semana aqui. –Assenti e finalizei o laço no meu tênis. Em seguida, vesti minha blusa me meia manga.

-Sorte que ela vai conseguir vir, pois será o nosso último show antes da fama. –Disse confiante, arrancando sorrisos de Gerard.

-Foi exatamente o que eu disse para ela. –Falou no mesmo tom. Nós vínhamos nos esforçando muito, compondo, criando acordes, ensaiando. Todos nós estávamos seguros de que todo nosso trabalho e paixão seriam recompensados em breve. –Só espero que só ela vá, o que eu menos preciso é do meu pai me deixando ainda mais pressionado. –Reparei sua feição tristonha ao pensar na possibilidade.

-Gerard, você é um puta cantor. –Voltei para a cama, sentando do seu lado. –Eu sei que falo isso com frequência, mas é porque é verdade. –Passei meu braço pelo seus ombros. –Seu pai, sua mãe, Jesus Cristo, o Khan de Star Trek. Pode estar qualquer um lá, mas eu sei que vamos mandar ver! –Sorriu minimamente. Eu tinha quase certeza que o pai de Gerard não compareceria, além de qualquer motivo, ele trabalhava até altas horas. Mas eu sabia que o que mais estava deixando meu namorado eufórico era na verdade a presença de Elena. Ele sempre foi um tanto perfeccionista, e com certeza queria dar o melhor de si para que sua avó ficasse orgulhosa, mas Elena não era como Donald, ela já tinha orgulho do seu neto, e com muita razão.

-Falando em Khan, acho que vou arranjar uma desculpa para dormir na sua casa, podemos fazer maratona de Jornada nas Estrelas. –Disse animado e rapidamente aprovei a ideia. Isso até me tranquilizava, quando eu ficava ansioso demais, era difícil pregar os olhos a noite, e nós precisávamos de energia para amanhã. Com certeza a presença de Gerard ajudaria a e me deixaria mais calmo. Só teríamos que ter cuidado para acabar não dormindo tarde demais.

-Ótima ideia! E em vez de pizza congelado, posso fazer aquela lasanha vegetariana que te falei. –Se fosse Bob, Mikey e Ray, eles fariam caretas e recusariam na hora, mas Gerard estava sempre disposto a provar coisas diferentes. Às vezes diferentes demais, ainda sou traumatizado pela vez que ele decidiu comer uma sopa nojenta tailandesa quando fomos ao shopping.     

-Okay, então parece que vou descobrir se você é mesmo para casar. –Brincou e nos levantamos, já nos preparando para deixar a casa.

-“mesmo”. –Repeti suas palavras debochadamente. –Isso por acaso é uma indireta, Way? Vamos lá, onde escondeu o anel? –Perguntei ironicamente e ele riu.

-Só depois de provar essa sua comida. Mas considere-se na vantagem, gostei do Cup Noodles que você me preparou ante ontem.

-O que posso dizer? É minha especialidade. –Para falar a verdade, eu não era tão bom assim na cozinha. Minha lista de receitas era bem limitada, sabia o básico para sobreviver, ou não, porque tudo que eu cozinhava tinha bastante caloria e sódio. Gerard era um pouco pior do que eu, no nível de mal saber ligar um fogão. Se casássemos de fato, seria fast food e comida instantânea quase todos os dias.

Saímos do meu quarto e comecei a checar se tudo na casa estava em ordem. Especialmente se as janelas estavam fechadas, o que menos precisávamos era de um assaltante justamente nas minhas “férias”.  Peguei o chaveiro com as chaves da casa em cima da bancada da cozinha e me dirigi até a porta, porém, percebi que os passos de Gerard não me acompanhavam. Me virei para ver o que estava acontecendo e ele se encontrava parado em frente a estante da sala, olhando para os poucos porta retratos provavelmente empoeirados.

-Não sabia da existência desse aqui. –Me aproximei e logo reconheci o retrato de que ele se referia. No meio de algumas fotos da minha família, havia uma pequena foto minha e de Gerard juntos. A foto era muito antiga, deveríamos ter uns 12 anos, mas eu lembrava bem desse dia. Ambos estávamos emburrados na foto porque minha mãe havia interrompido nossa partida de RPG para nos fotografar. Mas eu não a culpava pelo entusiasmo, Gerard foi o primeiro amigo que eu tive, minha mãe ficou surpresa quando apareci em casa com ele e o apresentei.

-É, sua cara está na prateleira dos Iero, sinta-se honrado. –Falei ironicamente. –Olha só, são quase... –Comecei a contar meus dedos. –Seis anos que nos conhecemos!

-Nossa, como consegui te aturar por esse tempo todo?

-Cala a boca! –Ri e dei um tapa no seu braço. –E isso é só o começo. –Tentei soar ameaçador.

-Eu comprei uma coisa para você, quer dizer, para nós, no caso. –Quando Gerard se atrapalhava para falar, eu já sabia que algo fofo ou trágico estava por vir. –Eu ia te entregar hoje a noite, mas sei lá, como você tocou nesse assunto de “tempo juntos”, agora parece o momento ideal. –Retirou do seu bolso traseiro algo que parecia ser feito de tecido. –Eu passei por uma loja e achei a sua cara. –Me entregou um dos objetos que agora revelou ser uma luva. Uma luva preta com um desenho de ossos, representando o esqueleto da mão. Ele tinha razão, era a minha cara.

-Isso é incrível! –Falei animado, experimentando a luva imediatamente.

-Já faz um tempo que estamos namorando e, percebi que nunca paramos para comemorar isso. Não acho que deveríamos, quer dizer, é meio brega. Os casais normais costumam usar alianças de compromisso, mas como não somos bem a definição de “tradicional”, achei que poderíamos usar isso. –Minha cara deveria estar doendo por conta do sorriso tão grande que eu abri. –E como eu disse, alianças são brega! –Botou a língua para fora, fingindo uma cara de enjôo.

-Eu adorei. –Disse da forma mais sincera do mundo. Eu sei que é sempre a mesma coisa, que começos de relacionamentos são perfeitos, que as coisas tendem a ficar complicadas, que dificilmente o “amor da sua vida” será a primeira pessoa que você está se relacionando, mas que se foda todas essas “regras”. Eu amava Gerard, e sabia que era recíproco. A cada dia que passava, mais eu gostava dele. Então que falassem o que quisessem, eu sentia que ele era a pessoa certa para mim e, por mais que brincássemos com isso, eu conseguia nos ver muito bem passando o resto das nossas vidas juntos. –Eu te amo, Gee. –O abracei.

-Eu também te amo. –Retribuiu o gesto. –Mas não vá esperando pétalas de rosas e velas no seu quarto.

-Brega! –Falamos ao mesmo tempo e desfizemos o abraço. Senti meu celular vibrar no meu bolso, estragando todo nosso momento. Revirei os olhos e peguei o aparelho. –Alô?

-Onde as donzelas se meteram?! O ensaio estava marcado para cinco horas em ponto! –Ray gritou tão alto que Gerard pode ouvir mesmo com o vivo a voz do celular desligado. Afastei o aparelho para checar as horas e me espantei ao perceber que estávamos dez minutos atrasados.

-Já estamos indo. –Sabendo do provável discurso que meu amigo faria, encerrei a chamada e olhei para Gerard, não conseguindo conter minha risada.

-É melhor nos apressarmos. –Riu também e colocou sua luva. –Vamos? –Esticou sua mão. A luva também era um pouco cortada, o que uniria nossos dedos quando entrelaçássemos nossas mãos.

-Vamos. –Segurei a mesma. Claro que ao sair de casa teríamos que nos separar para continuar a esconder nosso relacionamento, mas essas pequenas coisas que fazíamos pareciam fazer tudo valer a pena.

New York, 2015

-Eu não deveria ter vindo aqui. –Eu não achei que conseguiria chegar a esse bar para começo de conversa. Pensei diversas vezes em dar um bolo nele novamente, mas não sei de onde tirei coragem para aparecer. O caminho inteiro foi tomado por planos de como eu agiria, o que diria, e cheguei a conclusão de que seria o mais ríspido e breve possível, afinal, era o que esse filho da puta merecia. Entretanto, óbvio que nada saiu como o planejado. E até agora eu não entendia a porra do porquê.

-Do que está falando? –Gerard perguntou apreensivo. Estávamos conversando animadamente e rindo desde o momento que eu sentei nessa mesa, eu estava gostando de falar com ele, porra, como eu estava gostando, e isso era um problema, eu não deveria! Tudo estava indo “bem”, até que ele tocou na ferida de pus. Quando Gerard começou a falar da sua triste vida no Arizona, se fazendo de coitado, e me olhar daquela forma esquisita, foi como apertar o botão para trazer as lembranças e flashes à tona, acionando todo o ódio e rancor que eu guardei e alimentei durante anos, desde quando nos vimos pela última vez em Jersey.  Eu havia bebido bastante, mas agora me sentia mais racional do que nunca, e não sabia se isso era bom ou ruim.

-Puta que pariu, eu não deveria ter vindo. –Levei minha mão até minhas têmporas, sentindo todo o arrependimento crescer mais e mais.

-Por que? –Gerard estava confuso, com as sobrancelhas arqueadas e a boca minimamente aberta. 

-Por sua causa, porra! –Levantei minha voz e bati meus punhos na mesa de plástico, fazendo nossos copos balançarem, respingando um pouco o resto de bebida que havia ali. –Como você pode ser tão cínico assim? –Ele arregalou os olhos, parecendo mais confuso ainda. –Ou só está se fazendo de sonso? O que afinal, faz sentindo. Você mente bem, tanto que acreditei em tudo que você me disse. –Os planos de morar jutos, os vários “eu te amo”, o dia que achamos Pumpkin e ele disse que sempre me escolheria, tudo uma grande mentira da porra! Que eu, ingênuo, acreditei fortemente. E não só isso, eu havia planejado meu futuro na base de mentiras vindas de Gerard.

-Frankie, do que você está falando? –Ele estava assustado com o meu tom de voz, e deveria mesmo, eu estava quase gritando, o que estava começando a atrair olhares de algumas pessoas.  

-Nem se atreva! Nem se atreva a usar esse apelido! –Tudo que ele falava me irritava mais ainda no momento, e eu não sabia como isso era possível. –Por que eu fui sair do meu apartamento? –Sacudi a cabeça negativamente. Logo esqueci toda aquela história de Jake sobre “vencedor e perdedor”, que se foda o que Gerard pensaria de mim, eu só queria sair dali e parar de olhar para sua cara ou ouvir sua voz idiota. Me levantei e deixei a mesa em silêncio. Rapidamente Gerard fez o mesmo e segurou meu ombro, impedindo que eu desse mais algum passo.

-O que foi? –Agora ele parecia confuso, assustado e preocupado, ah, e claro, patético. Tudo ao mesmo tempo. –Frank, eu não estou entendendo. –Deus, seria possível mesmo ele ser lerdo daquele jeito? Será que desde quando nos esbarramos na rua não passou pela cabeça dele nem por uma vez sequer a merda que ele fez comigo? –Por favor, me explica o que está acontecendo. –Ignorei seu pedido e tirei sua mão brutalmente do meu ombro. Antes que eu pudesse voltar a andar, ele segurou meu pulso, me parando novamente. Isso só serviu para me deixar mais irado ainda. Nunca odiei tanto o fato de não ter força física, porque tudo que desejava no momento era quebrar aquele nariz perfeito dele. –Frank, por deus, o que está acontecendo? –Apertei meus olhos com força, eu teria mesmo que explicar? –Foi alguma coisa que eu disse?

-Foi! Foi o que você disse e o que você fez! –Apertei meus punhos de forma ameaçadora, mesmo tendo noção que, mesmo se eu quisesse, as chances de agredi-lo eram mínimas.

-Ei, ei! –O barman se aproximou de nós, junto com um outro rapaz aleatório que antes estava jogando sinuca. Eu não os culpava, estava praticamente berrando bem no meio do lugar. –Sem brigas por aqui.

-Ta tudo bem, mano? –O rapaz segurou meus ombros.

-Não se preocupem, eu já estava de saída. –Gerard olhou profundamente nos meus olhos, e a confusão ainda era clara na sua expressão. Finalmente ele me soltou e eu fui em passos largos até a saída, ignorando os olhares curiosos que eu recebia das poucas pessoas que ainda estavam ali. No mesmo instante que botei meu pé para fora do local senti minhas lágrimas rolarem desesperadamente pelo meu rosto. Droga, droga, droga! Aproximadamente cinco anos se passaram e eu ainda chorava pela mesma porra de motivo!

Peguei meu celular e estava sinalizando a bateria fraca, deixando a tela mais escura e dificultando minha visão. Disquei rapidamente o número de Jake com meu dedos trêmulos e esperei que ele atendesse o mais rápido possível.

-Oi? –Pude ouvir vozes e música alta no fundo da ligação, ele deveria estar em alguma festa.

-Jake, sou eu. Você pode me buscar? –Nem me esforcei para tentar disfarçar minha voz de choro, eu estava me sentindo devastado demais para pegar um ônibus ou metrô. Com certeza meu amigo ficaria preocupado, com certeza ele iria me fazer várias perguntas, mas porra, eu queria muito uma carona para casa.

-Frank? O que está aconteceu? –Ele falava mais alto que o necessário, provavelmente por conta da música alta.

-Por favor, eu estou aqui... –Me celular fez um barulho similar a um apito e desligou antes que eu pudesse terminar de informar minha localização. –Merda! –Xinguei estressado e joguei o aparelho no chão, como já havia feito diversas vezes, e cada vez parecia que ele ficava mais indestrutível.

-Frank? –Ouvi uma voz vindo atrás de mim. Claro, claro que ele não podia ter ficado lá dentro! –Pelo amor de deus, o que está acontecendo?!

-Gerard, saí daqui. –Pedi da maneira mais calma que consegui, e naquele momento, isso era muito difícil.

-Você está chorando? –Encostou no meu rosto. Desaprovei a aproximação na hora. –Eu não entendo, você explodiu do nada!

-Sério que você ainda não entende? –Dei uma risada sarcástica. –Qual é, Gerard? Você não costumava ser assim, por acaso o sol do Arizona derreteu seu cérebro? –Enfatizei bem a parte sobre Phoenix e ele entreabriu a boca. Evidentemente não sabia mais o que dizer. –Você faz uma merda comigo, parte meu coração e volta repentinamente achando que poderia ficar tudo bem?

-Frank...

-Você se esqueceu do que fez comigo há cinco anos atrás? –O cortei. –Do que falou? Porque eu não esqueci! –E deus sabe como eu queria ter esquecido. A confusão de Gerard aos poucos se transformava em clareza, ele finalmente parecia estar ligando os pontos. –Então você aparece do nada, e fala comigo como se nada tivesse acontecido!

-Frank, e-eu...

-Você nem se deu ao trabalho de fingir que estava arrependido e fazer uma porra de um pedido de desculpa! –As lágrimas só duplicavam, e eu não conseguia conte-las. Era tudo isso que eu queria ter gritado no primeiro momento que nos encontramos na cidade.  

-Eu me arrependo sim, Frank! É que... e-eu achava que estava tudo bem. –Muito, mas muito longe disso. As feridas que ele havia provocado ainda ardiam e tiravam minha paz. As promessas vazias pareciam me perseguir e assombrar cada coisa do meu dia. –Faz tanto tempo... –Sim, realmente, fazia muito tempo, mas mesmo sem querer, eu lembrava detalhadamente, como se tivesse acontecido ontem.    


Notas Finais


Vou dar um spoilerzinho sim, o próximo chap tem flash da famigerada YOU KNOW WHAT! E provavelmente não vou demorar, poque estou de fériaaaas e livre da escola p sempre (What time is it? SUMMER TIME!) Mas foda-se, um beijo na testa de vcs e até o PRÓXIMO.


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