História Rise. - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Monsta X
Personagens Hyung Won, I'M, Joo Heon, Ki Hyun, Min Hyuk, Show Nu, Won Ho
Tags Chaehyuk, Changki, Cosmic Girls, Hyunghyuk, Seola
Exibições 39
Palavras 3.956
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Ficção, Lemon, Magia, Shoujo-Ai, Sobrenatural, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Yo! ~ Gente, passamos dos 30 favoritos, e vocês não fazem ideia do quanto eu fico feliz com isso. Muito obrigada! 💕 Eu espero que vocês realmente estejam gostando desta estória. Obrigada mesmo, de verdade.
O capítulo de hoje é um pouco tristinho, pelo menos eu achei. -n
Leiam e depois me encontrem nas notas finais, eh?
Boa leitura. ~

Capítulo 7 - Disturbance.


Hyung... Por que você está demorando?

 

Os minutos passavam gradativamente, à medida que Hyungwon brincava com seus dedos, com o olhar baixo e a expressão tímida que era coberta pela franja negra que ligeiramente caía pelo seu rosto. Faziam alguns minutos que a garota havia se aproximado dele, e num disparo ela simplesmente não havia parado de falar de suas experiências e de suas escolas antigas. 

Não era mais velha que o Chae, mas ele percebera que dentro daquele corpo haviam muitas histórias a serem contadas. Ainda que não dissesse nenhuma palavra, admitia que estava interessado em ouvir as histórias das viagens que a morena contava. Aquela, na realidade, era sua válvula de escape, assim não precisaria abrir sua boca para dizer absolutamente nada. 

Bastava ouvir.

Seola tinha a mesma idade de Hyungwon, sendo alguns dias mais nova. Seu pai era executivo e trabalhava em várias cidades durante um determinado tempo. A garota chegou até mesmo a dizer que vivia em uma família de nômades, afinal mudava-se de cidade de tempos em tempos. 

Para o pai da garota, ela deveria estudar em escolas de renome e requinte, mas a mesma insistiu para que fosse para uma escola pública e mais simples. Ela não se agradava nem um pouco do ambiente repleto de riquinhos que lhe direcionavam um olhar enojado, acompanhado de um nariz em pé. Ah, ela realmente não tinha a menor paciência para pessoas desse tipo. Ela queria ser ela mesma, queria viver livre pelo menos nas horas que passaria nas dependências daquele prédio. 

Seola preferia viver sozinha do que com pessoas egocêntricas e ambiciosas. 

Naquele meio tempo, ela percebera que Hyungwon não parecia ser uma pessoa desse tipo, e de fato não era. 

— Mas e você? — a garota perguntou, alcançando a atenção do jovem Chae que parecia estar longe dali há tempos. Ela sorriu ao receber um “Hã?” acompanhado de um meio sorriso amarelo de confusão: — Se vamos ficar na mesma sala, preciso saber um pouco sobre você, não acha? Vamos, me diga o que você gosta de fazer. 

Quando ouviu a última pergunta, tudo o que passou na mente absorta de Hyungwon foi o quanto gostava de passar seu tempo ao lado de Minhyuk. Lembrou-se também da falta que ele estava lhe fazendo e novamente se viu preso em seu próprio consciente, devaneando sobre o porquê do platinado ainda não ter aparecido. 

A pergunta feita por Seola se perdeu no ar, junto com a consciência de Hyungwon que só voltou-se quando ouviu o som do sinal que indicava o fim do intervalo. Ele suspirou derrotado, triste por não ter recebido notícias do amigo, e ao invés recebeu um olhar sorrateiro da garota ao seu lado que percebeu o incômodo e preferiu não retomar a pergunta e permanecer em silêncio. 

Ainda que fosse tagarela em demasia em alguns momentos, Seola não tinha o mínimo interesse em invadir a privacidade do garoto ao seu lado. 

Um por vez, ambos levantaram-se do banco e se encaminharam pelos corredores do enorme prédio, destinando-se à sala que agora seria dos dois. A morena ficava em silêncio, apenas seguindo ao mais alto que caminhava calmamente em sua frente, ainda mostrando seus resquícios de dispersão ao fitar os cartazes que estavam pendurados pelos murais nas paredes. 

E a verdade era que Hyungwon não tinha o menor interesse em nenhum daqueles lembretes, só queria disfarçar cada vez mais e chamar menos atenção possível, tanto da garota, quanto de qualquer um que estivesse lhe rondando naquele momento. 

Quando chegaram à sala, o Chae continuou quieto, indo à sua cadeira que estava ocupada com uma parte de seus matérias. Seola, por sua vez, como não conhecia ninguém, decidiu se sentar na cadeira vazia ao lado de Hyungwon. Por mais que não tivessem conversado muito e pudesse levar em consideração o fato de que não trocariam muitas ideias enquanto estivessem estudando ali, ela preferiu manter-se perto de alguém que já fosse pelo menos um por cento familiarizada. 

Em questão de poucos minutos, um senhor que aparentava ter seus quarenta e poucos anos entrou no local; o óculos de grau levemente caído pela estrutura do nariz deixava transparecer, sob as lentes transparentes, um olhar cansado, de muitas noites mal dormidas. Aquela era a face de um professor totalmente exausto e com nervos que provavelmente estavam à flor da pele. Em vista disso, a turma que antes estava dominada por um tumulto de diversas tonalidades de vozes, silenciou-se. Só era possível ouvir a voz do homem, que reconheceu a novata e pediu para que ela se levantasse e se apresentasse formalmente. Do canto direito da sala, Hyungwon pôde ouvir alguns murmúrios dos meninos baderneiros com comentários pejorativos sobre a garota e agradeceu mentalmente por Seola não ter prestado atenção em nenhuma daquelas menções pútridas. 

O moreno achava incrível o fato de Seola mostrar-se tão desinibida enquanto fazia um breve relatório sobre si mesma em voz alta, inclusive, lembrava-se da tortura que foi ter que passar pela mesma situação em seu primeiro dia de aula; sentiu que sua alma deixaria seu corpo. A mesma sensação que o dominava agora ao ouvir o professor o chamar pelo nome e dizer-lhe algo sobre juntar-se à novata para que pudessem fazer uma atividade em dupla. A princípio, Hyungwon hesitou – o que não era uma novidade -, mas surpreendeu-se com a segurança que um sorriso doce nos lábios da garota podia lhe transmitir. Assim, ele arrastou cuidadosamente a carteira em sua direção. A morena estava timidamente silenciosa, afinal não ousaria findar com a quietude do jovem. 

Era compreensiva. 

Tal compreensão que chegou ao fim quando o professor passou por todas as duplas formadas pela sala, entregando-lhes algumas folhas de papéis e uma prancheta para que pudessem começar seus respectivos trabalhos. Seola e Hyungwon teriam que trabalhar com desenhos  e pinturas abstratas naquela manhã, e o garoto era realmente terrível nisso. Por sorte, a sua companheira de trabalho possuía várias inclinações artísticas, sobretudo aquelas que giravam em torno de desenhos. Os seus traços eram bem precisos, ainda que suaves, se assemelhavam à perfeição. Hyungwon olhava e buscava ajudar no que podia, por mais que temesse, mais do que tudo, danificar algo que já estava quase finalizado. 

O mais velho se espantou consigo mesmo ao perceber que sua timidez fora deixada um pouco de lado enquanto trabalhavam juntos; algumas vezes ele mesmo soltava palavras – geralmente elogios – para a garota que lhe retribuía com uma sequência do assunto ou com sorrisos tímidos e contidos. Estavam tão distraídos com aqueles feitos que sequer notaram quando a aula havia chegado ao seu epílogo. 

Hyungwon suspirou aliviado por terem conseguido terminar a tempo e devolveu as folhas aos professor para que ele pudesse fazer sua avaliação. Ainda que tivessem conseguido terminar, a consequência de uma garota tão perfeccionista foi ter que ficar até o último segundo de aula. Quando finalmente olhou em volta, percebeu que haviam apenas os dois ali. 

— Não pensei que de todos os momentos que poderíamos nos descontrair e conversar juntos, isso fosse acontecer no meio de um trabalho de artes. — disse a garota com um sorriso divertido bailando em seus lábios rosados enquanto recolhia seus materiais e guardava dentro de sua bolsa: — Eu fiquei impressionada. 

— Devo admitir que eu também fiquei. — Hyungwon riu tímido, colocando a mochila nas costas. Seus primeiros passos foram dados para fora da sala, ao lado de Seola que o acompanhava, abraçada aos seus livros: — E fiquei mais ainda quando percebi o quão bem você desenha. 

— Ah, muito obrigada. — a morena agradeceu com um enorme sorriso no rosto: — Eu aprendi com a minha mãe, quando era bem pequena. Ela sempre me disse coisas muito bonitas sobre arte. Eu só queria que ela tivesse tido a oportunidade de ver os meus desenhos antes de... 

Seola parou por um momento, suspirou e balançou a cabeça; parecia que queria livrar-se dos pensamentos que passaram a lhe perturbar no momento em que começara a falar sobre aqueles assuntos. 

— Antes de...? — Hyungwon continuou.

— Ah, não é nada. — a morena sorriu mais uma vez antes de continuar: — Há certas coisas na vida nas quais precisamos nos desapegar. Isso é algo que meu pai sempre me diz quando eu me sinto muito agarrada a algum novo ambiente. Acho que o mesmo se aplica para o que eu acabei de te dizer agora. Mas de qualquer maneira, eu fico grata por você ter gostado dos meus rabiscos. 

 O jovem Chae não entendeu muito bem o que aquelas palavras haviam significado, mas ele preferiu não ser mais invasivo e apenas assentiu. Seola parecia não querer compartilhar algumas coisas de sua vida pessoal, e ele realmente entendia isso, afinal passava pela mesma situação.  Hyungwon, na realidade, vacilava até quando precisava falar coisas cotidianas, imagina quando precisava se expor de alguma forma. Era torturante até mesmo pensar na hipótese de ter que dizer algo sobre si para alguém que na fosse Minhyuk. 

Foi pensando nisso que novamente os pensamentos preocupados voltaram a circular pela sua mente, cheio de questionamentos, saudosos. O platinado não era de sumir daquela maneira. Entretanto, o que lhe acalmava em uma mínima porcentagem era pensar que talvez ele estivesse lhe esperando em casa, desenhando nas vidraças envelhecidas das janelas de seu quarto, com sempre fazia quando estava sozinho. 

E com esses pensamentos, Hyungwon perdeu-se mais uma vez dentro de seu próprio consciente. 

— Bom, é aqui. — Seola quebrou o silêncio ao sinalizar que haviam chegado em sua residência. O maior estava tão perdido que precisou piscar algumas vezes para se situar, chegando à conclusão de que estava a poucos quarteirões de sua casa: — Eu te vejo amanhã? 

Hyungwon novamente assentiu, se despediram, e dali em diante ele seguiu sozinho. Seus olhos estavam perdidos, ainda que sua consciência estivesse novamente em si para lhe guiar pelas vielas que chamava de atalho. Seguia devaneando sobre diversos assuntos que sempre acabavam em um certo platinado. Ele poderia até mesmo se questionar sobre isso, afinal se sentia confuso com aquele turbilhão de pensamentos dominando a sua mente tão jovial que deveria estar preocupada apenas com os trabalhos acadêmicos. Hyungwon muitas vezes se praguejava por não ser mais atrelado a nenhum fio de infância, por mais que ainda estivesse caminhando para a sua adolescência. 

O Chae havia tido uma infância conturbada e sofrida, na qual muitas vezes ele se viu em um beco sem saída, tentando descobrir um pouco mais de si. Para um garoto jovem, mas com entendimento, não lembrar de uma parte da própria vida podia ser perturbador. Algo estava errado ali, mas ele não conseguia compreender; era como se uma parte de si mesmo tivesse sido apagada. Todos os dias ele tentava se recordar de algumas coisas, seja por ajuda de fotos ou por vagas recordações incompletas e turvas que ainda guardava, ou que pelo menos haviam sido salvas do que seja lá o que havia acontecido para apagá-las. 

Por fim, a imagem de uma cabeleira branca voltava aos seus pensamentos, fazendo-lhe lembrar de todas as vezes que ouviu frases como “eu não sei de onde vim” ou “não sei absolutamente nada sobre meu passado”. Era como se criaturas sem vidas vagassem pela Terra, sem possuir uma história para contar ou dizer que pôde vivenciar tal fato.

Ele nunca disse para o amigo, mas, internamente, sentiu-se igual em todas as vezes que o ouvi. 

• • • 

O relógio corria contra Minhyuk, que estava mais veloz do que nunca ao retornar para a casa de Hyungwon. Havia passado o dia quase todo nas dependências da 'casa' de Shownu conversando sobre algo relacionado à páscoa. A verdade era que o platinado não havia prestado muita atenção no que fora discutido ali, afinal ele estava louco para voltar para casa e se desculpar com o garoto por simplesmente ter sumido sem lhe avisar. Sequer foi capaz de se despedir de Wonho que também saiu apressado e balbuciando palavras que ele não foi capaz de compreender. Mas ele podia jurar que ouviu um pedido de desculpas antes que saíssem daquele recinto; Wonho se lamentava por ter arrastado-o para aquele lugar, prometido que voltariam a tempo, e no fim das contas nada saiu como o planejado.

Um suspiro aliviado deixou os lábios de Minhyuk quando ele se aproximou do local e percebeu que a janela do quarto de Hyungwon estava fechada, o que informava que o mesmo ainda não havia chegado. Para ele, era mais fácil lidar com um possível surto do garoto quando estava em casa e podia usar isso como pretexto ou, na maioria dos casos, como desculpa. Não sabia de fato o que dizer, mas tinha total certeza que teria que lidar com a quietude da tristeza do jovem Chae, o que era pior do que ter que lidar com gritos a plenos pulmões. 

Silencioso e cauteloso, o platinado se aproximou da casa e adentrou-a pela primeira que viu aberta, aquela que dava acesso à sala. Para Minhyuk, aquele cômodo parecia de outra residência, afinal sempre estava dentro de um único quarto o tempo todo. Eram raras as vezes que vagava pelo corredor entre o banheiro e o quarto do mais novo. 

Minhyuk poderia ter simplesmente entrado e subido as escadas, como deveria realmente fazer, mas ao invés disso ele deparou-se com uma cena que, por algum motivo desconhecido, o intrigou. 

No âmago da sala, duas mulheres estavam sentadas, uma em cada extremidade da mesinha de centro, onde haviam algumas xícaras e degustações. Com o pouco de entendimento que tinha, deduziu que aquilo tratava-se de uma espécie de chá da tarde. Uma das mulheres era a mãe de Hyungwon, mas a outra não conhecia. E fora justamente esta última que capturou a atenção do jovem platinado. 

Seus cabelos eram castanhos e ligeiramente curtos, caindo sobre os ombros, o que lhe dava um aspecto mais jovial, embora possuísse traços que condenavam uma idade acima dos trinta anos. A expressão abatida também lhe fazia ganhar algumas linhas na aparência. 

Seus olhos estavam marejados, avermelhados, inchados, mas parecia calma ao citar palavras em baixo tom, estas que Minhyuk não conseguiu entender bem. A Senhora Chae, por sua vez, parecia igualmente abatida com as sentenças que estava ouvindo. Parecia ser uma conversa triste e tempestuosa, que acabou por deixar ambas no estado em que estavam. 

Contudo, o que mais lhe partia o coração era olhar para aquela mulher de cabelos castanhos. Por algum motivo, aquela expressão entristecida e desgastada fazia seu peito contrair-se e lhe causar uma dor e uma sensação que nunca sentira em todo o seu tempo de vida. Queria abraçá-la como fazia com Hyungwon quando estava triste, mas ao contrário disso, tudo o que podia fazer era observar de longe e aceitar que não era capaz de ser visto por ninguém além do garoto.

Em questão de minutos não calculados pelo platinado, o ambiente acalentou-se, e tudo o que podia ouvir era o som de talheres colidindo-se com as xícaras de porcelana. As expressões de ambas não se modificaram, mas pareciam estar mais tranquilas, considerando a situação que as levara àqueles lamentos. 

Minhyuk permanecia calado, sentado sobre o primeiro degrau da escada, com as pernas cruzadas em posição de lótus, os braços apoiados sobre as coxas e a cabeça repousada na palma da destra. Os olhos não se desgrudavam da mulher, assim como os ouvidos que imediatamente capturaram um suspiro doloroso que deixara seus lábios. 

— Ele ainda acha que ele era um amigo imaginário? — a mulher falou com um tom de lamento na voz, antes de bebericar novamente a bebida morna em sua xícara. 

— Acha, e eu prefiro que esse pensamento não o deixe tão cedo.  — a Senhora Chae proferiu curta, mas era possível ouvir alguns embargos em suas sentenças. — Não saberia explicar para ele o que de fato aconteceu. 

— É difícil para mim todos os dias. Eu sempre me pego pensando no quão complicado deve ser para o Hyungwon ter que lidar com a perda. 

— Acho que, como mãe, a parte mais difícil é essa. Para você, o difícil foi perder um filho, para mim foi ter que aceitar que o meu nunca mais será o mesmo depois do ocorrido. 

— De certa forma, isso tudo foi culpa minha e da minha imprudência. Eu lamento muito. 

A outra não respondeu em palavras; apenas esticou a mão na direção da alheia e segurou-a, fazendo a de cabelos amendoados erguer a cabeça e olhar para si, que lhe dedicava um sorriso terno e compreensivo.

— A culpa não foi sua, pare de se culpar por isso.

Minhyuk não conseguia mais olhar, muito menos ouvir. 

Seus olhos estavam com uma umidade diferente daquela que era acostumado a sentir, seu peito doía demais, de modo que teve que massageá-lo com a destra. Sua respiração estava descompassada, e ele podia jurar que estava sentindo vertigens. O corpo parecia não colaborar com seu psicológico que claramente estava abalado, e ele sequer sabia o porquê. 

Seu coração parecia que havia sido socado e esmagado. 

Com certa dificuldade, o platinado subiu as escadas, apoiando-se no corrimão. Ele praticamente se arrastou até o quarto de Hyungwon, o mesmo que adentrou rapidamente e se isolou no canto mais escuro. 

Ali, naquele âmbito de melancolia e tristeza, Minhyuk chorou pela primeira vez. Chorou como uma criança ao se perder de seus pais; soluçou, gritou internamente, sentiu aquela dor em seu peito se expandir e tomar conta de todo o seu corpo. Os olhos ardiam, assim como a garganta, e ele não conseguia lidar com aquele furacão de pensamentos lhe invadindo a mente e lhe causando dores de cabeça como se, na verdade, estivessem atacando agulhas em seu cérebro. 

Machucava. 

 

• • • 

Após deixar os sapatos na porta, a garota disparou correndo pela casa, buscando o escritório onde o pai costumava trabalhar quando não precisava sair de casa para resolver os problemas com contratos e negócios. Um sorriso tomou conta do semblante ameno de Seola ao ver a figura paterna distraída, tomando seu tipico café do pôr do sol, com o olhar sereno e uma expressão vaga que fitava a janela com enormes vidraças que lhe permitiam uma vista agradável da cidade abaixo dos dois andares. 

A morena se apressou, ainda correndo, para lhe abraçar como sempre fazia em todas as vezes que encontrava o pai em casa. Para uma garota que cresceu sozinha, sem uma presença materna, o pai era a única extensão de família que Seola tinha, e valorizava isso muito bem. Gostava de como o homem era sempre receptivo e lhe bagunçava os cabelos ao lhe chamar com os apelidos de infância. Amava aquele tipo de carinho e afeto que recebia, e acima de tudo, gostava de lhe devolver na mesma proporção. E por fim, o ciclo se repetia; ela se sentava do outro lado da mesa e compartilhava do momento com o pai, tomando um café morno com torradas, enquanto papeavam sobre qualquer coisa antes dele voltar-se novamente para seu trabalho. 

— Como foi o primeiro dia de aula? — o homem começou, terminando de beber o café em sua xícara. 

— Ah, acredita que foi divertido? — sorriu descontraída: — Eu realmente achei que seria ruim, já que eu não conhecia ninguém. Mas acho que consigo me adaptar. 

— E você fez algum amigo? 

— Ah... — Seola parou por um momento, pensando se seria prudente ou não dizer sobre Hyungwon, afinal podia contar nos dedos quantas palavras haviam trocado. E ao pensar nisso, acabou sorrindo bobamente ao lembrar-se da timidez adorável do garoto: — Por aí. Acho que dizer que fiz uma amizade e intenso demais. 

A garota acabou por conseguir arrancar uma risada do pai, que entendera muito bem o que havia passado pela mente da filha, principalmente ao perceber o sorrisinho bobo que brotara em seus lábios rosados. 

A conversa se encerrou ali, com Seola acabando com o pote de torradas do pai que não protestara em nenhum momento. Assim, ela se despediu com um abraço e se retirou do pequeno escritório, deixando-o em paz para retomar os seus afazeres. 

Agora, já não estava mais tão eufórica; caminhava tranquilamente ao invés de correr. Ao entrar no quarto, fechou a porta e girou a chave na tranca, queria ter a sua privacidade de todas as tardes, quando se sentava sobre o colchão fofo de sua cama e puxava o porta retrato que sempre ficava em seu criado mudo. Aquele ali era o seu bem mais precioso, que lhe emocionava, confortava, e podia até mesmo lhe deixar triste. 

Seola nem percebeu quando uma lágrima solitária rolou pelo seu rosto ao fitar a imagem de sua genitora, com sua garotinha tão pequena ao seu lado. Pensar na mãe falecida deixava a morena triste, principalmente ao se recordar sobre a doença tão grave que a levara a óbito. Mas pensar na hipótese de que não estava totalmente sozinha, que tinha aquele par de olhos esverdeados olhando para si, lá do paraíso, a deixava aliviada e, de uma forma peculiar, a fazia se sentir amada. 

— Eu te amo tanto, mamãe... — ao dizer isso, parecia que os dutos lacrimais de Seola haviam se aberto, pois agora ela podia sentir as lágrimas mornas banhando seu rosto levemente ruborizado. Aquela saudade às vezes gritava dentro de si, e a única forma de suprir uma pequenina porcentagem dela era apreciando a única fotografia que tinha da mulher: — Tanto... 

— Ei, você está chorando? — A voz apreensiva se fez presente, e logo uma cabeleira azulada se aproximou da garota, ajoelhando-se em sua frente e encarando as orbes marejadas da morena: — O que houve? 

Seola não disse nada, apenas esticou a mão e colocou o porta retrato de volta no criado mudo, onde sempre ficava. E ao fitar a foto, o outro soube o porquê daquelas lágrimas. 

— Eu odeio quando você chora assim... — ele se lamentou, se sentando ao lado da garota.

— Está tudo bem, Wonho hyung. — Seola passou o dorso da destra sobre os olhos, na tentativa de limpar um pouco daquelas lágrimas e deitou a cabeça sobre o ombro alheio enquanto tentava se acalmar um pouco: — Você sumiu, fiquei preocupada. 

— Me desculpe, eu precisei sair. — ele suspirou: — Eu pensei que voltaria a tempo de te acompanhar na escola, mas parece que não saiu como eu havia planejado. 

— Não tem problema. — a de cabelos negros sorriu ao fitar a face perturbada do outro: — Está tudo bem, certo? Não foi tão ruim assim. 

— Não foi? Me conte tudo. 

Seola adorava o modo como seu guardião e melhor amigo ficava animado quando tinha algo interessante para lhe contar, principalmente quando era algo referente à sua vida. Wonho sempre era um ótimo ouvinte, gostava de comentar e trocar conversas com ela. A garota só não se sentiu à vontade para falar sobre Hyungwon ainda, afinal não tinha muito o que falar. No fim, ela apenas disse que tinha conhecido um garoto muito legal e teve que lidar com as piadinhas sugestivas do amigo que praticamente surtava, pensando na hipótese da garota acabar se apaixonando. Seola não podia negar que era hilário e adorável ver aqueles olhinhos brilhantes bem diante do seu olhar, eram graciosos. Seola também não podia negar que o sorriso de Wonho era o seu favorito. Além de que, o mesmo também parecia gostar do seu, afinal presava pelo sorriso da menina ao pedir para olhar seus dentes todos os dias e exigir um cuidado redobrado com eles. 

Seola agradecia a todo momento por ter sido encontrada por Wonho em um momento tão caótico da sua vida; não sabia como seria sua vida após a morte de sua mãe. Estava abandonada, fazendo vários tratamentos psicológicos, com índices de depressão, mesmo com a pouca idade que tinha quando o fato aconteceu. Provavelmente estaria definhando em uma cama de hospital se não fossem os sorrisos e o humor radiante do mais alto, além do cuidado, do carinho. 

Wonho havia salvado a sua vida de todas as formas possíveis. 


Notas Finais


E então, o que vocês acharam? Hoje eu fiquei com vontade de abraçar todo mundo e colocar dentro de um potinho. -n
De qualquer modo, espero que vocês tenham gostado, certo?

Mais uma vez, obrigada pelos favoritos e comentários. 💕 Vocês são incríveis!

Vejo vocês no próximo capítulo.
Xoxo. 🌷


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