História Rise - Capítulo 2


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor
Tags Enoch, Mphfpc
Exibições 44
Palavras 973
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 2 - O necromante


Os raios de sol inundavam meu campo de visão. Hesitei em acordar, mas lembrei dos meus afazeres diários. Dei uma longa espreguiçada e cocei minha cabeça, bocejando e relutante.

Olhei o sol nascer, pela janela do meu quarto. Meus pais acordavam exatamente nesse horário. Vi, no andar de baixo, meu pai junto a dois homens maiores que ele. Presumi serem meus tios, eles sempre vinham para o embalsamamento dos cádaveres que costumavam chegar constantemente até nós -éramos, praticamente, os únicos agentes funerários daqui. E se tinham corpos aqui em casa, já sabia: depois do colégio, ajudaria meu pai a embalsamar alguns.

O cheiro nauseante de formol penetrou nas minhas narinas, queimando minha garganta e abrindo caminho em meu estômago. Fechei a cortina na mesma hora. Apesar de amar assistir meu pai higienizar os cadáveres, era repugnante ir para a escola com cheiro de morte.

Vesti a roupa de sempre, ajeitando os suspensórios nos meus ombros. Peguei meu boneco que resolvi apelidar de El, em homenagem à minha melhor amiga, e desci as escadas para ir embora.

No andar de baixo, encontrei minha mãe pressionando uma bolsa de gelo contra sua bochecha rosada. Queria esconder a marca da vergonha, a marca da humilhação, deixada pelo meu pai, na noite passada.

-Torradas, querido? -Perguntou, mostrando um sorriso forçado. Pude perceber pelo seu olhar que não queria falar sobre o acontecimento. Não abri a boca para isso -Fiz algumas para você. Tem ovos no fogão.

-Já estou indo, mãe. Estou atrasado para a escola e preciso pegar Eleonor em sua casa. -Ela não gostava disso, mas o fiz. Depositei um beijo em sua testa e enfiei uma torrada na boca, saindo de casa.

_

-Crianças, teremos um novo curso a ser lecionado nesse semestre. -Minha professora, a srta. Wist, chamou nossa atenção. Eu estava ao lado de El, segurando sua mão. Às vezes ela tinha medo da educadora -Como sabem, semana passada os professores fizeram uma comissão para decidirem nosso novo conteúdo para as próximas aulas de Biologia. Alguém se interessaria em adivinhar qual será?

Mãos nervosas se ergueram, e os piores alunos arriscaram algumas palavras.

-Reino animal? -O quê? Estudamos isso semana passada!

-Como matar pessoas que não gostamos? -Fredley, um dos valentões que vivia me atormentando, lançou um olhar perverso para mim.

-Não seja imaturo, sr. Dawson. -Srta. Wist o reprimiu -Mais alguém? -Resolvi me voluntariar, mesmo que a ideia fosse idiota.

-Anatomia? -Todos olharam para mim, rindo como ienas. Manti minha postura.

-Muito bem, sr. O'Connor. Esse será nosso próximo conteúdo. Anatomia do reino animal. Acho que posso dar um crédito ao sr. Trusman também. -Falou, referindo-se ao menino que respondera "reino animal" -Começaremos agora. Preparem suas mesas e retirem qualquer objeto infeccioso do lugar. Enquanto isso, trarei os sapos.

-Sapos?! Que nojo! -El fez uma careta engraçada.

Minha felicidade não podia ser contida. Se estivesse em um campo enorme, gritaria sem cessar. Esse era um dos meus assuntos preferidos e algo que eu tinha especialidade. Não via a hora da professora entrar com os animais mortos. Até que enfim, ela voltou, segurando uma cesta maior do que minha cadeira e com luvas protetoras. O odor se assemelhava ao que senti hoje mais cedo.

-Aqui estão, meninos e meninas. -Pôs o objeto cheio de sapos sobre a mesa -Para a aula de hoje, dissecaremos anfíbios.

A srta. Wist entregou um sapo para cada aluno, era o suficiente. Notei várias pessoas resmungando ou com medo de fazerem coisas erradas. Nas nossas mesas, tinham ferramentas cirúrgicas. Facas, principalmente.

-Olha só, Frankenstein. -Trevor, o amigo de Fredley, murmurou -Que tal se nós cortarmos seus dedos? -Ele aproveitou a situação, já que nossa professora tinha saído da sala para pegar mais equipamentos. O garoto segurava uma bisturi e se aproximava de mim com um tom ameaçador.

-Seria uma ótima ideia. -O outro concordou. Me afastei, esperando que algum milagre me salvasse. De repente, a porta da sala foi aberta, revelando uma irritada srta. Wist.

-Trevor, Fredley! -Não teria uma hora melhor para nossa professora chegar -Sala da diretoria, agora!

-Mas foi ele que começou, srta.! -Trevor mentiu, apontando a pequena faca para mim.

-Conversaremos sobre isso depois.

Voltei a me concentrar no sapo. Minha dupla, El, não parecia ser tão corajosa quanto eu; pedi que ela apenas me passasse as ferramentas. A doce menina assentiu.

Peguei minha bisturi e comecei a trabalhar. Mirei na barriga do pobre animal e enterrei, delicadamente, a faca, procurando não perfurar os órgãos. Nosso dever era retirá-los. Seria uma espécie de embalsamamento.

-Agora, para os que conseguiram localizar, retirem com cuidado os órgãos. Mas quero uma ordem. Primeiro, o fígado. Dessa maneira. -Para demonstrar, ela retirou um pedaço flácido e escuro de dentro do anfíbio -Depois, os olhos, o estômago, as vesículas. Por fim... o coração.

Fizemos como ordenou, e como eu esperava, Enoch O'Connor superou seus colegas de classe. Tinha que admitir. Eu era muito bom nisso!

Quando encontrei o coração, arregalei os olhos. Eu via corações constantemente (provavelmente, uma das frases mais esquisitas que eu já falei), mas era estranha a sensação de finalmente tocar em um. Era... gratificante. Me concentrei na pequena e vermelha bola na minha mão, era como se ninguém estivesse ao meu redor.

De repente, uma dor excruciante atravessou pelo meu corpo, indo em direção ao meu braço. Deixei o coração cair. Meus joelhos dobraram e senti o meu coração apertado. Tornou-se cada vez mais difícil respirar e fiquei envergonhado pelas pessoas terem notado o meu "surto".

-Está bem, sr. O'Connor? -A suave voz da professora se desestruturava na minha mente. Ainda balancei minha cabeça, mesmo que isso não fosse verdade.

-Es...tou. -Minha voz falhava, terrivelmente.

Antes de me levantar, vi algo brilhante no solo. Quase pensei que fosse o pequeno coração do sapo.

Quase pensei que estivesse pulsando, como se voltasse à vida.

Estou louco?



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