História Rise - Capítulo 5


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor
Tags Enoch, Mphfpc
Exibições 27
Palavras 714
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Um ombro amigo


De tanto chorar, adormeci nas raízes expostas da árvore; meus olhos ardiam. Deveriam ser umas 8:30 da noite -o céu estava incrivelmente negro e banhado por estrelas sintilantes. Olhei o meu redor, com medo do padeiro ter decidido me pegar, mas nenhum sinal dele.

Fiquei envergonhado de chegar na casa da minha tia nesse horário e tenho quase certeza que ela descobriu minha falta na escola. Iria me perguntar e eu teria que mentir, como já fizera outras várias vezes. Minha cabeça estava sobrecarregada; a melhor opção era procurar meu refúgio.

Já sabia exatamente para onde ir.

_

Poc! Poc!

Bati na porta, ajeitando meus cabelos e limpando as lágrimas dos meus olhos. Não queria passar uma má impressão. Não queria parecer tão miserável.

-Sim? -Uma mulher não tão velha abriu a porta. Será que não me reconhecia? Eu parecia estranho demais?

-Uh... oi, senhora Jones. -Respondi, meio constrangido -Sou eu, Enoch. -Sorri rapidamente.

-Oh, querido! Eu nem o reconheci, me desculpe! -Riu. Repeti a ação, já sem jeito -Entre, por favor. Eleonor está lá em cima.

-Que ótimo. -Me alegrei, abrindo um sorriso desajeitado no rosto -Precisava mesmo dela.

Pedi licença para o sr. e sra. Jones e corri até o andar de cima, onde fica o quarto da minha melhor amiga.

Bati na sua porta, esperando pela resposta que chegou em pouco tempo.

-Oh, Enoch! -Se espantou, olhando-me de baixo para cima -Você está...

-Diferente? -Sugeri, coçando a nuca -Eu sei. -Ela abriu ainda mais a porta e me deixou entrar.

-Por que você faltou às aulas hoje? Ou melhor... por que sempre está faltando? -Perguntou com uma expressão preocupada e desapontada. Às vezes tentava agir como uma irmã mais velha, apesar de ser mais jovem do que eu.

-Eu estive mal, El. Tive que fugir de casa, eu sequer tenho coragem de voltar pra tia May! -Ergui os braços, em derrota. Queria chorar de novo, mas não me permiti tamanho rebaixamento. Ela pôs a mão em meu braço e levantou o meu queixo à sua altura. Não estávamos muito longe um do outro.

Aproximei meu rosto do seu e colei minha testa à dela. Nossos narizes se tocavam, fazendo-me ter cócegas agradáveis.

Quando percebi o que estava acontecendo, me afastei. Tossi nervosamente e assisti Eleonor pôr uma mecha de cabelo atrás da orelha.

-Sabe que pode falar comigo, quando precisar. -Continuou e sorriu, fazendo meu coração derreter.

-Eu sei. -Finalmente disse. Um silêncio constrangedor invadiu o lar -Bom, eu preciso ir. Acho que vou ter que me obrigar a encarar a minha tia. -Me levantei da cama, prestes a girar a maçaneta, quando ela me parou.

-Espera! -Congelei onde estava -V-você pode dormir aqui, se quiser. -Falou, suas bochechas queimando em vergonha.

-Não quero atrapalhar vocês, El. Não parece justo. -Rebati, sem forças.

-Mas, En. Sabe que já está tarde. -Aquela frase me fez ter uma enorme nostalgia do dia do meu 12° aniversário.

Não resisti ao seu sorriso, ao seu pedido. Ao seu olhar cativante. Voltei para perto dela e segurei suas mãos, beijando cada uma.

_

Passamos a noite conversando, falando sobre como cada um estava. Ainda não tive coragem de revelar minha habilidade para ela. Tinha medo de sair da minha vida e de me odiar para sempre.

Já era tarde e chegada a hora de dormir. Disse que poderia ficar no chão, não teria nenhum problema. Seria até agradável olhar para o teto como eu fazia na minha verdadeira casa (ou quando precisava de um tempo para pensar).

-Boa noite, En. -Sussurrou, apagando a luz de sua lamparina. O frio de repente fez presença no local.

-Boa noite, El. -Respondi de volta -Até amanhã.

Inspirei fundo e retirei um lençol. Olhava sem cessar para o teto, quando eu ouvi a voz delicada da menina.

-En? -Chamou, meio abalada.

-Sim?

-Se quiser... pode vir para cama. -Não podia ver, mas senti seu rosto corar, até mais do que antes. Dei um sorriso torto e atrapalhado.

Me acomodei num pequeno espaço reservado para mim. Ela compartilhou o lençol comigo e fiquei a poucos centímetros do seu rosto, sentindo sua respiração aconchegante.

Sem dúvidas, essa teria sido a noite mais tranquila que eu já tive em anos.

Ao lado da pessoa que me entendia.

Da pessoa que eu secretamente amava.


Notas Finais


Próximo capítulo: tiros.


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