História Rise - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Enoch O'Connor
Tags Enoch, Mphfpc
Exibições 29
Palavras 1.420
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 12 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, Romance e Novela

Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 6 - Sangue e lágrimas


Abri os olhos, sem nenhuma intenção de acordar. Eu deveria estar sonhando (ou algo muito semelhante) porque acordar e ver o sorriso estampado naquele rosto, não tinha preço.

-Dormiu bem? -Ela bocejou, fazendo-me repetir o gesto.

-Acho que sim. -Disse, sorrindo feito um idiota -E você?

A menina não respondeu, deixando o ar cheio de dúvidas.

-Estive perto de você. Isso é o que importa. Não ligo para seus roncos. -Reprimiu uma risada abafada. Fiquei vermelho, mas não larguei o tom de humor.

-Se eu ronco, imagina você. Deve ser mais alto que um trator. -Eleonor jogou um travesseiro em meu rosto. Caí no chão, ignorando qualquer tipo de dor que sentiria depois da queda -mesmo achando que acabei de deslocar meu ombro esquerdo.

-Crianças? -Era a voz da Sra. Jones, invadindo o quarto -Hora do café. Não querem se atrasar para a escola, querem? -Sussurrei um "sim, eu quero" mentalmente. Viver entre cadáveres ainda era mais emocionante do que ter aulas de Gramática.

Fiquei encabulado só de pensar que a mãe de El sabia sobre minha dormida em sua casa. Mas eu sempre fazia isso quando éramos pirralhos aventureiros. Quando pequenos, nos aconchegávamos no colo um do outro, fingindo sermos irmãos protetores. Mas hoje não somos tão travessos como antes.

Nem pirralhos.

-

-Como passaram a noite? -O sr. Jones questionou. Ele não parava de me lançar olhares ameaçadores. Não via a hora de acabar de tomar café e sair daqui -não me entendam mal. Tem um cara que está prestes a me esfolar vivo bem na minha frente. E ele é o pai da garota que eu gosto.

-Uhm... d-dormimos bem, pai. Por que pergunta? -Eleonor arriscou, já estava com medo do que o homem fosse falar. Pelo menos, para o meu bem Suzan, a mãe de El, interrompeu nossa desastrosa conversa e nos apressou para o colégio.

-Ei, andem logo! -Ela chamou -Já são 7 horas. Precisam ir. -Eleonor beijou a bochecha de Suzan e de seu pai; lembrei da minha mãe. Um grande nó começou a se formar no meu estômago. Me inclinei um pouco.

-Você está bem, filho? -Suzan perguntou, intensificando a sensação de saudades dos meus pais.

-Sim, só preciso de ar. -Afirmei, mostrando um sorriso falso.

-

Os segundos passavam como horas, as aulas eram enfadonhas. Fui chamado atenção pelos professores duas vezes por dormir durante a explicação. Eleonor era minha companheira de carteira. Ainda tínhamos essas coisas.

Olhei discretamente para a minha diagonal -algo estava me incomodando e queria saber o motivo. Era Trevor. Ele lançava olhares pervertidos para El. Quando viu que eu o espiava, estirou o dedo do meio para mim, sem ninguém sequer notar.

Revirei os olhos, esperando que algum dia ele apenas sumisse da minha vida.

-Algum problema, sr. O'Connor? -O sr. Huston, nosso professor de Matemática, perguntou, arranhando furiosamente o quadro negro. O barulho emitido foi ensurdecedor. Mordi o lábio.

-Com certeza, não, sr. Huston. -Espremi os olhos, olhando pela última vez para aquele garoto imbecil.

As classes finalmente acabaram; agora iria para a casa da Eleonor, pegar umas coisas que tinha esquecido por lá devido a pressa. Marchamos pela calçada de uma padaria. Aquilo me fez estremecer só de lembrar do homem que me descobriu ontem. Era uma espécie de viela, o lugar onde tentei reanimar Bucky, não tinha ninguém. Pelo menos, era o que parecia.

-Olha só quem está aqui! -Ouvi uma das vozes mais irritantes de todas. Trevor, Fredley e mais um casal nos encaravam sorridentes. Como eu queria destroçar todos aqueles dentes brancos... -A dama e o vagabundo. -Todos debocharam. Manti Eleonor atrás de mim. Qualquer coisa que ele tentasse só iria me atingir.

-O que você quer, idiota? -Rugi, encurtando nossas distâncias -Perdeu o caminho de casa ou é aqui que você e sua família de baratas vivem?

-O que ele disse?! -O outro menino mais rechonchudo (que descobri atender pelo nome de Gordon e o da menina, Avery) berrou, cerrando os punhos.

-Calma, parceiro. -Fredley sugeriu -Não viemos para isso, mesmo.

Trevor assentiu, se aproximando cada vez mais. Agora, menos de 1 metro era a nossa maldita distância.

-Soube que dormiu com a minha namorada, Aberração. -Disse, usando um dos meus trilhares de apelidos -É verdade, seu miserável?

El se encolhia atrás de mim, cobrindo de vez em quando o rosto.

-Eleonor não é sua namorada, Trevor. Aliás, seria difícil alguém se apaixonar por uma cara tão estupenda como a sua. -Vi Avery reprimir uma risada. Gordon deu um leve tapa em seu ombro.

-Calem a boca! -O valentão-mor erguiu a voz em direção da sua gangue de palhaços -E como pode ser tão ingênuo, Enich? Ela é minha.

Enoch. E ela não é um objeto para você se apossar. -Respondi, confiante.

-Mas vai ser, depois que eu chutar seu traseiro imundo pra longe dela! -Gritou. Me perguntei como nenhum cidadão foi capaz de ouvir. De repente, Trevor procurou algo no bolso. Fiquei curioso, por isso não o interrompi.

Quando finalmente o encontrou, apontou o objeto metálico para mim. Era uma bisturi. Uma pequena, delicada e afiada faca utilizada nas dissecações. Dei um passo para trás, encostando as costas na gélida e mofada parede.

-Oh, vejam só! -Falou, ainda sorrindo como um psicopata -Achei o ponto fraco da Aberração. Ele tem medo de facas! -Os outros acompanharam sua risada, meio relutantes. Acho que previam algo ruim chegando. A coisa era que...

Eu também.

-Saia daqui, Trevor! -El se pronunciou pela primeira vez, após uma sessão de silêncio -Não queremos confusão.

-Ah, meu amor. -Disse, finalmente pressionando suas pálidas mãos nas bochechas da minha amiga -Mas eu quero...

O garoto vinha na minha direção, como um leão cercando sua presa. Seus amigos, já nervosos, tentaram interceptá-lo.

-Trevor, já chega. -Fredley falou -Já fizemos o que queria. Lembra? Só iríamos assustá-los.

-É, cara. -Avery falou, enfiando um palito de madeira entre os dentes -O que você quer fazer?

-Fiquem tranquilos. -Respondeu, friamente -Só quero apagá-lo do mapa.

Foi aí que começou. Trevor avançou na minha direção, cortando o ar com a bisturi. Todos  os 4 nos assistiam, incluindo Eleonor, que implorava para aquilo acabar.

Agarrei a mão que segurava a faca, fazendo caretas por tanta força.

Com ágeis movimentos, Trevor empurrou minha mão para trás e me jogou contra a parede. Fiquei imobilizado, ainda de pé.

-Pare, Trevor! -Eleonor tentou entrar na briga. Gritei para se afastar.

O menino continuou, me surpreendendo com seu grand finale.

Trevor enterrou a faca no meu estômago. O mundo parecia milhares de pontos negros sintilantes. Meus dentes rangiam e eu lentamente fui caindo no chão, ainda sem fechar os olhos.

-Não! -El rugiu. Os amigos de Trevor estavam aturdidos. Dois deles fugiram, sobrando apenas Fredley, seu forte cão de guarda.

-Agora, Eleonor -Começou, olhando para a garota -Você vai fazer o que eu disser, se não...

-Se não o quê, seu inútil? -Queria rir, mas a dor não me permitia. Tentei não respirar muito, se o fizesse, só iria piorar.

-Se não eu termino o trabalho. -Concluiu, apontando a bisturi ensanguentada para mim. Não acredito que ele seria capaz de me matar, mas não estava em condições de retribuir com uma resposta.

Para ser sincero, não sei o que mais me doía: o fato de eu ter sido esfaqueado ou ver Eleonor se despedaçando em lágrimas por minha causa. Ela inspirou fundo e falou.

-Tudo bem. Mas não o machuque! -Ordenou.

-Só se prometer ser minha namorada. -Tive vontade de me levantar, mas sequer conseguia pronunciar uma palavra. Apenas ruídos saiam de minha boca.

-O quê? Isso é um absurdo, Trevor. -Fredley gritou -Deixe a garota em paz.

Meu atacante fazia um caminho para perto de mim, segurando meu rosto agora mais pálido. Acredito que eu não parecia tão diferente de um esqueleto. Estava quase morto.

-Estou esperando sua resposta, amor. -O garoto pegou a faca novamente e a pressionou contra minha bochecha fria.

-Sim! Tudo bem. -Disse, alarmada -Serei sua namo... -Eleonor tentava processar as palavras com menos desgosto possível -... namorada. -Disse baixinho.

Consegui murmurar um "não", mas não muito alto.

-Muito bem, querida. Gostei de ver. -Falou -Agora vamos deixá-lo aqui. Não é mais da nossa conta.

-Não me importo em ser sua namorada. -Mentiu -Mas me recuso a deixar Enoch aqui. Vá embora antes que eu mude de ideia. -Trevor deu uma careta de raiva, mas não tinha mais nada a fazer por aqui. Foi embora junto a Fredley.

Fiquei ali sangrando, sentindo as lágrimas quentes de Eleonor pingarem sobre meu rosto.



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