História Rising Tide - Capítulo 27


Escrita por: ~

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Palavras 7.019
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Comédia, Crossover, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


CHEGOU A ORBIS, UHULLLLLLLLLL ~surgindo das cinzas~ ~não, nem tanto -qq~
Falei pra algumas meninas que iria postar entre Sexta e Domingo, mas aconteceram uns imprevistos loucos, do tipo: Eu fiquei doente. SÉRIO GENTE, EU FIQUEI DOENTE, TIPO ????????. Foi DO NADA, eu tava revisando o capítulo na madrugada de sábado pra domingo, e ia postar de madrugada mesmo para que vocês tivessem o domingo inteiro pra ler, daí do nada comecei a me sentir mal (sintomas: dor de cabeça, vista cansada, subitamente passei a sentir frio – E TAVA CALOR BAGARAI), daí fui dormir pra ver se passava. AMANHECI PIOR, passei o dia inteiro feito uma morta viva (???), dor no corpo, febre, dor na garganta, sensação de olhos e respiração quente, tontura, falei: ODIN, O QUE É ISSO???? SÓ PODE SER VIROSE -QQQ. E teve outro acontecimento louco: Um poste aqui perto da minha casa explodiu (FOI LOCO), ficamos sem luz a noite inteira (essa parte eu não gostei, como eu disse, tava muito calor), então, fiquei sem internet, mas agr to aqui, to melhorando, a luz voltou, então...
INHAÍ, CHEIROSAS? COMO ESTÃO? Espero que bem, prq eu to meio nervosinha...
E meio tristinha.
E meio sei lá -qq.
Mas a explicação é que o Capítulo de hoje, mesmo que no POV da Meri, não tá lá um exemplo de capítulo alegre – o que, no geral, alegria é comum nos capítulos de Meri. Bom, vou deixar que vocês vejam por si próprias e conversamos nas notas finais...
Bom, nesse capítulo temos um Sr. Corte de Tempo novamente – mas nem foi muita coisa, alguns dias desde o aniversário da Anna, apenas. No entanto, teremos agora uma sequência de capítulos no mesmo dia – ou ‘seje’, esse capítulo aqui (27), mais o 28 e (eu acho) o 29, se passam no mesmo dia.
Capítulo todo no POV da nossa ruiva favorita ^^ (Eu disse que teria POV do Hiccup, mas não se preocupem, explico nas notas finais, agora vamos ler -qq).
PS.: ME AVISEM SE HOUVER ALGUM ERRO, POR FAVORRRR, eu sempre deixo passar algum.
Boa leitura! ^^

Capítulo 27 - Hope


 

Chapter Twenty Seven.

 

POV Merida.

Hoje, depois de muito tempo, eu me sentia um tanto leve... Não sentia mais o contínuo aperto no coração junto da aflição em manter um sorriso – apesar de que essas sensações só ocorriam a partir do momento em que eu colocava os pés na faculdade.

Mas naquela manhã, eu me sentia animada, diria até alegre – mesma sensação que tomava conta de mim na noite da surpresa da Anna, é claro, até antes de Hiccup chegar com Astrid. Depois dali, foi a mesma lenga-lenga, encenação e idas furtivas ao banheiro para uma breve sequência de respirações profundas – um metódico cuidado para evitar deslizes diante de todo mundo. Não queria ser eu quem agiria estranho, acabando por preocupar Elsa, Punzie e Anna – esta, justamente no seu aniversário.

O motivo para tal alegria, naquela manhã, compartilhando um casual café da manhã cheio de conversa jogada fora em volta daquela mesinha redonda de vidro – que já presenciara tanta coisa, que nada mais a surpreendia (?) –, era que hoje, enfim, seria o tão esperado Show da Beyoncé, na boate The House.

Rapunzel... Estava uma pilha de nervos.

- EU NÃO SEI O QUE VESTIR! – dizia, nervosa, com os olhos arregalados enquanto apertava um pão até que ele se desfizesse em dois.

- Ei! O que o pão tem a ver com isso? – indaguei, indignada. Coitado do pão (?). – Largue essa massa! Já! Agora! – ela largou em um prato e eu suspirei. – Pobre pão. Rezais (??).

- Gente, é sério... Vocês precisam me ajudar. – suplicou a loira e eu arqueei uma sobrancelha.

- Punzie, mas geralmente é você que nos ajuda em questões de moda... Você nunca precisou disso. – apontou Elsa, enquanto Anna anuía com a boca cheia de scones. – E você, até hoje, não nos contou como conseguiu os ingressos... Se bem me lembro, você não conseguiu terminar a música.

- Na verdade, você não mencionou nada sobre aquela noite... – afirmou Anna, ao engolir um scone e já pegando outro. – A única coisa que contou foi: Consegui os ingressos. E só. Tô curiosa até hoje... – e enfiou outro scone na boca.

Lembro que quando eu e Anna chegamos do trabalho, naquela noite, Punzie decorava a segunda bandeja de deliciosos cupcakes de chocolate e já ia tirando a terceira fornada. Ressalto que fazia isso tudo com um enorme sorriso no rosto... Estranhamos, sim, pois Punzie, por mais que saiba, odeia cozinhar e odeia, também, chocolate em excesso – ela afirma que odeia, mas na verdade, só teme engordar.

Quando perguntamos como havia sido no desfile – só poderia ter acontecido ou algo muito bom, ou algo muito ruim, dada essa reação deveras rara de Punzie – ela só suspirava e falava “Foi normal, ué” ainda com aquele enorme sorriso no rosto. “Quem quer cupcakes?” indagava em seguida, toda animada. Se tratava de eu e Anna, então, só naquela noite, comemos duas fornadas inteiras de cupcakes – Anna não gosta de bolos, mas não resiste aos cupcakes da Punzie. A terceira bandeja, nós terminamos no café da manhã do dia seguinte.

Só fomos saber o que realmente aconteceu, ao menos no desfile, depois que Elsa chegou e Punzie estava dormindo. Punzie, no entanto, até hoje não se manifestou sobre o assunto. Parecia não ter ligado ou até esquecido o que sua mãe fez... Não estranhamos porque, afinal, é a Punzie.

- Não dei muitos detalhes porque eu pretendia devolver os ingressos... Mas desisti porque, por favor gente, é a Beyoncé. – falou ela, num tom óbvio.

- Devolver? Devolver a quem?

- Eu não contei? O Flynn me deu os ingressos.

- O QUÊ?! – o sobressalto foi geral.

Punzie sorriu. – Depois do que houve, eu só queria vir pra casa e me afundar em lamentos... Mas Flynn não permitiu isso.

- Não permitiu que você viesse pra casa? – indaguei assustada e ela riu.

- Não permitiu que eu me afundasse em lamentos. – ela pareceu pensativa, porém, com um sorriso bobo no rosto.

- Rapunzel, Flynn te ama, tu sabe, né? – afirmou Anna, super convicta.

Punzie estapeou o vento. – Oh, por favor, é claro que eu sei. Eu também amo.

- Também ama ele?! – indagamos em uníssono.

- Também me amo, afinal, quem não ama? Difícil não me amar, sou muito amável (?). – e jogou os cabelos pra trás. Desatamos a rir e ela sorriu.

- Tão convencida quanto o Jack. – Elsa riu. – Vocês dois, às vezes, parecem a versão feminina e masculina de uma mesma pessoa.

- Hm, falando nele... – começou Anna num tom provocante. Lá vem bosta, quer ver? – Vocês são bem próximos, diria até mais que Punzie e Flynn.

- Porém, não mais que você e Kristoff, né? – respondeu Elsa, no mesmo tom. Anna corou com a boca cheia.

- Me lembrem de nunca mais provocar a Elsa. – ela falou. – Obrigada, de nada. – e desatamos a rir de novo.

- Mas aquele abraço de vocês foi tão... LINDO! – Punzie suspirou com os olhos brilhando. – Isso se chama amor! E será dos belos, já tô até vendo. Awn. – e juntou as mãos, num sinal fofo. – Gente, o amor é lindo. Igual a mim. – comentou, com um sorriso no rosto.

Ah, aquele abraço foi lindo mesmo... Eu quase chorei lembrando do... Ninguém (?). Pigarreei, comentando. – Já pensou, Anna e Kristoff? – indaguei pensativa e sonhadora. – Seria genuíno. Tipo DC e Mônica. Agatha e Tedros. Anakin e Padmé. Eu e comida...

- Calem a boca, parem de falar besteiras! – vociferou Anna, indignada e muito corada. Não conseguir evitar uma risada.

Com Anna ainda emburrada e Punzie ainda rindo de sua reação, resolvi tocar num assunto a qual algo vinha me intrigando demais. – El, você e Jack são tão lindos juntos quanto Kristoff e Anna... Sabia? – todos os olhares sobre Elsa. De repente, senti-me culpada por fazê-la passar por isso. Ela estava prestes a dizer alguma coisa quando, enfim, uma de nós se prontificou em indagar.

- Mas vocês já... Vocês... Cê sabe... Vocês... – se enrolava Anna.

- Que isso, Anna? Que complicação pra uma simples pergunta? Parece até que Elsa é homem e cê tá prestes a perguntar se tá em dia o exame de próstata (?). – Anna a fitou, corada de tanta vergonha e irritação. Punzie se virou para Elsa. – Amiga, já deu uns beijo no Jack, né? Se tu responder não, baixo a Anna aqui e dou na tua cara...

Todos os olhos direcionaram-se a Elsa num VRÁAA (???). Elsa, é claro, estava mais vermelha que a Pô do Teletubbies (????). – Ah, a gente... A gente... Meio que... Assim...

- Fala, criatura! – berrou Anna.

- A gente... Nós dois... Nós... Já! (?) – quê? Um, dois, três e já? (???).

Todas nós nos entreolhamos, confusas. – Já o que, Elsa? – indagou Punzie, querendo rir. Porém, El não parecia estar se divertindo com a situação.

Ela suspirou e fitou o rosto de cada uma. – Nós ficamos sempre que dá. – admitiu e o silêncio foi geral. Elsa parecia que ia explodir e, logo após tal confissão, suspirou como se estivesse se livrando de um peso enorme.

Por longos segundos, não nos fitou... Mas logo ergueu o olhar, buscando por nossas reações.

- AHHHEEOO! (??????). – berrou Anna, em celebração, jogando uns pães pro alto (???). Foi pão pra tudo quanto é lado.

- Adorei! – bati palminhas. – Por mais que tenha demorado... Mas é como diz aquele ditado né, amiga: Água molha pedra dura até que bate, até que enfim. Ai desculpa, não sou boa de memória (????).

- Ai, finalmente, viu?! – exclamou Punzie animada, mas rapidamente mudando de humor. – Mas vou dar na sua cara mesmo assim, porque não nos contou.

Elsa arregalou os olhos, sentindo-se culpada. – Me desculpem! É só que... É que...

- Tá desculpada. – afirmamos em uníssono. – E não se preocupe... – continuou Punzie. – Não vamos contar a ninguém.

Elsa sorriu, aliviada e toda boba. – Eu não mereço vocês.

Era algo que todas nós já suspeitávamos... Mas esperávamos que ela nos contasse. Não pensei que fosse demorar tanto. Porém, estava mais que na cara a situação complicada a qual Elsa estava... Tooth. Jack. Eu não conseguia imaginar o quanto sua cabeça estava confusa. E conhecendo Elsa como conheço... Não quero nem pensar nas futuras decisões que eu tenho quase certeza que ela irá tomar.

Pigarreei. – Sejamos francas, El, ou Jack não sabe disfarçar ou ele não está nem aí caso percebam o quanto ele está apaixonado por ti... – falei enquanto Anna apontava pra mim euforicamente em concordância. Gente, tava na cara. Até eu, a lerda da turma, já percebi isso.

- Terei que discordar de você, Meri. – ela riu. – Jack apaixonado? – afirmou pouco convencida e dando uma risada curta. – Numa outra vida, talvez. Ele só gosta disso... Flertar. – ela deu de ombros, escondendo que, no fundo, aquilo a afetava. – Jack não é do tipo que se apaixona.

- É do tipo “ame-as e deixe-as”. – completou Punzie, anuindo enquanto sorvia de seu chá. – Conheço bem esse tipo... – falou, enquanto em seu rosto, a feição pensativa se fazia presente novamente e suspeitei que, dada essa última frase, um certo moreno tomava conta de seus pensamentos. Elsa anuiu, concordando com ela.

E então eu tive de ponderar... Pois o que elas diziam, dado o histórico dos dois, realmente tinha coerência.

- Se existe um coração no peito daqueles dois... Eles se apaixonam sim. – afirmou Anna convicta. – Concorda comigo, Meri?

- Não concordo, nem discordo. Muito pelo contrário (?). – dei de ombros, voltando a comer.

- E quem seria os dois a qual você se refere, Anna? – indagou Punzie, desconfiada. – Achei que estivéssemos falando só de Jack.

- Eu sei muito bem que você pensou em Flynn ao dizer aquilo. – respondeu, dando de ombros. Punzie revirou os olhos, mas também não negou... Afinal, era verdade.

- Até um tempo atrás, eu diria que no peito de Flynn não há coração, mas hoje tenho profundas dúvidas... – divagou Punzie. Elsa só ficou pensativa em silêncio.

- Falando em homens sem coração (?), Elsa, Kristoff te entregou meu taco? – indagou Anna, limpando a boca. – Já tem uns dias que o procuro para guardar no lugar ao lado de minha cama...

- Seu taco de baseball?

- Na verdade, é o taco da Harley Quinn, mas não deixa de ser de baseball, né? Pois bem, é esse mesmo... Ele não te entregou?

- Não, ué. Saiu daqui dizendo que você havia dado de presente pra ele. – Anna arquejou boquiaberta. – Cheguei a estranhar, mas quando ele contou sobre o emprego que te arranjou, achei plausível e não protestei.

- Que filho da puta (?). – Anna murmurou irritadiça.

- Anna! – repreendeu Elsa.

- Que filho de uma pobre mãe que presta serviços sexuais a troco de dinheiro (???). – corrigiu a outra, ainda num murmuro. Reprimi uma risada. – Eu quero meu taco de volta, nem que eu vá na casa dele procurar, eu quero meu taco! – afirmou entredentes.

- Mulher, é só você pedir a ele, ué. – comentei, afinal, pra quê complicar tudo, né non?

- Como se com Kristoff as coisas fossem assim tão simples. – ela suspirou. – Beleza, eu dou meu jeito...

- Eu não sei como esses caras conseguem nos dar tanta dor de cabeça. – murmurou Punzie, distraída.

Suspirou Anna. – Pois é...

- Nem fala... – comentou Elsa.

E então, me olharam.

Demorou uns segundos para eu entender, mas logo tudo fez sentido.

De novo esse momento... O momento em que elas me questionam só com o olhar.

Até hoje, eu ainda não havia comentado nada com elas acerca de eu e Hiccup. E todas as vezes em que, em nossas conversas, eram mencionados Flynn, Jack ou Kristoff, era automático esperar ouvir-se sobre Hiccup também – porém, meus comentários sobre Hiccup sempre foram agradáveis, ao menos antes... Pois, hoje, nem comentar sobre ele, eu comento mais.

Afinal, eu falaria o que?

Meu coração está tão cansado. Eu o entreguei pra alguém que não teve o menor cuidado ou ciência disso.

Me sinto uma tremenda idiota por isso.

Eu não aguentaria passar pelo aperto de admitir toda essa situação em voz alta... Aguentaria? Talvez... Vale a tentativa? Isso, eu já não sei.

Acontece que elas esperam que, um dia, eu volte a comentar sobre ele. Nem que seja para pelo menos explicar... O que está havendo.

Respirei fundo, fitando rosto de cada uma... Não consegui disfarçar meu olhar desconfortável.

- Hm, Punzie... – comecei, depois de um breve pigarro. – Já decidiu quem irá te acompanhar no show hoje? – sorri nervosamente, mudando de assunto. – Afinal, você ganhou dois ingressos, né?

Elas se entreolharam por míseros segundos e tornaram a me fitar com sorrisos compreensíveis.

Punzie logo me respondeu. – Sabe que eu não sei, Ferrugem? Eu tenho um ingresso sobrando, porém, três melhores amigas... E agora, como faz?

- Leva o Flynn. – Anna sugeriu, inocente.

- É, ué... – concordei, satisfeita por ter uma mudança de assunto bem-sucedida.

- Eu pensei nisso, mas Flynn não gosta da Bey, digo... Acho que ele até vai... – ela comentou. – Tinha comentado vagamente que conseguira um terceiro ingresso que eu supus ser pra ele.

- Bom, nenhuma de nós três é tão fã da Bey quanto você... – comentou Elsa, eu e Anna concordamos. – Mas, nós chegamos a conhecer alguém que gosta dela tanto quanto você... Se lembra?

Admito que eu não me lembrava não... Ah, qual é?! Desde quando eu lembro de alguma coisa? (?). Fitei o rosto de Anna e ela parecia tão confusa quanto eu. Já Punzie, sorria para Elsa, como quem havia entendido tudo o que a outra quis dizer...

- Verdade... – ela disse. – Mas será que ele gostaria de ir comigo? Afinal, eu sou uma desconhecida.

- Não por muito tempo, né miga. – Elsa afirmou num tom óbvio. – E eu acho que ele adoraria ir com você, afinal, é a Bey... Ambos a veneram. Ele não verá problema. – Punzie riu.

- Tem razão... Vou passar lá hoje mesmo.

- De quem vocês estão falando? – indagou Anna, finalmente, já que eu só revezava o olhar de Punzie a Elsa desde que elas começaram a falar nesse tal fulano misterioso que... Quem seria?

Elsa revirou os olhos. – Elas não lembram.

Punzie suspirou, negando com a cabeça. – Típico.

Anna estreitou os olhos, irritada. – Ah, vai cagar vocês duas.

E desatamos a rir, o que seria a terceira ou quarta vez em poucos minutos no café da manhã. Seguiu-se assim durante as próximas horas; terminando o café, se arrumando para a faculdade e, enfim, dentro do carro a caminho deste, ao som de risadas, comentários sarcásticos e xingamentos divertidos de Anna.

Ao menos, suas risadas eram sinceras... A minha, era uma camuflagem.

Eu me sentia, mais ou menos, como na época dos primeiros anos do Colegial, quando eu sofria bullying da menina mais velha da minha sala – eu nunca consegui ter raiva dela. No entanto, a insegurança dela me deixava triste e suas palavras me magoavam. Me perguntava se um dia ela iria perceber que não precisava daquilo, não precisava ser uma pessoa assim.

Acontece que eu nunca permiti que as meninas soubessem que algo vinha me afligindo – ou melhor, alguém. Eu sabia que elas iriam se preocupar – e outra, elas iriam “comprar minha briga”, principalmente Anna que, naquela época, era extremamente violenta – opa, ela é até hoje (?).

Me reservei no direito de manter-me calada sobre aquilo, também, porque não queria me permitir fraquejar. Ninguém precisava saber desse pontinho no meu coração que era facilmente afetado. Era como... Se guardar. Num baú ao canto do quarto, numa abertura ao chão em baixo da cama, trancado a quatorze chaves... É aquela necessidade sempre infantil de se enxergar em proteção dentro de alguma coisa, sabe? Uma coisa de louco... Mas sempre eficaz.

Eu ainda sou assim.

Eu estava disfarçando, como eu vinha fazendo há alguns meses... E de repente, me perguntei, por que estou fazendo isso? Elas são minhas amigas... Minhas irmãs. E eu não sei se consigo mais continuar com isso sozinha. Kristoff me concedeu um alívio que há muito eu não sentia... E o que foi que ele me disse mesmo? “Deveria tentar conversar elas.” Sim, eu deveria mesmo. E é isso o que farei.

É o que farei.

Mas... Como? Eu não sei nem como começar! (?)

Desculpe o transtorno, preciso falar do Hiccup... (??). Tá parei. Definitivamente não.

Mas realmente preciso admitir que eu não conseguia parar de pensar que era tão linda as nossas conversas... Nem parecia que eu ia tomar no cu (?). E que eu vivia me perguntando e ponderando sobre o que teria sido de nós caso fosse diferente, digo... É muito estranho sentir isso. Eu às vezes deito a cabeça no travesseiro, penso, penso, penso, reflito e depois de raciocinar muito eu concluo que sei lá (??).

Contar que ele foi o meu abraço favorito – e ainda é. E hoje, não passamos de dois desconhecidos que se conhecem muito bem.

Explicar que, numa total falta de noção, eu me pus a chorar, lamentar pela perda de algo que nunca foi meu... Por dentro, esperneei, bati o pé e disse a mim mesma: Não abrirei mão dele! Hiccup é... Muito importante pra mim. E, ao tempo que eu me dizia isso, algo em minha mente gritava: Louca, para que esse auê? Ele nunca foi seu. Não entende? Para quê todo esse gasto de energia? Como você pode não querer abrir mão de algo que, na verdade, nunca lhe pertenceu?

Assumir tudo o que sinto, tudo o que está acontecendo aqui dentro, me abrir, colocar pra fora, me expor para minhas amigas, aquelas que eu depositava minha total confiança para quase tudo... Agora, não mais quase. Agora, o mais pleno tudo.

Foi o que eu fiz, do nada, dentro do carro já estacionado numa vaga da faculdade.

Eu não sabia qual era a feição delas depois daquilo, pois eu fitava concentrada as pessoas além da janela... Ele estava ali, perto de seu carro. Desviei o olhar.

Elsa me fitava compenetrada, ao meu lado, no banco do motorista. Punzie tinha os olhos um tanto arregalados com tamanha confissão vinda de mim, e suas sobrancelhas pesavam sobre os olhos. Já Anna, parecia um tanto... Irritada?

Saí do carro, não aguentando mais o encarar de todas elas, e me recostei na mesma janela onde, outrora, eu observava certo alguém do lado de dentro.

Elas também saíram, depois de uns segundos. Elsa veio para o meu lado. Anna e Punzie, a minha frente.

- Como você se sente com tudo isso, Meri? – Elsa indagou.

- Por que não nos contou antes? – questionou Anna.

- Há quanto tempo você não começa o dia sorrindo? – perguntou Punzie.

E eu suspirei, dando um sorriso. Eram essas perguntas que eu temia. – Não se preocupem comigo.

- Como não nos preocuparíamos? Você estava passando por tudo isso... E em silêncio. Por que? – Anna estava indignada.

- Justamente porque eu não queria preocupa-las... – Elsa me fitou surpresa e logo seu olhar tornou-se compreensível. – E, como eu já disse... Eu tenho muitas dúvidas. Estou muito confusa... Isso nunca aconteceu antes. – terminei num fio de voz, dando um suspiro cansado.

Os segundos se decorreram num silêncio doloroso... Eu sabia que, em suas cabeças, muita coisa acontecia. Eu não queria que elas ficassem assim...

- Hoje de manhã, nós estávamos falando sobre homens sem coração... – Punzie começou, num tom baixinho, ainda pensativa. – E devo admitir que... Associar Hiccup a caras assim, nunca havia passado pela minha cabeça. – ela anuiu distraída e riu sem humor. – Tá aí uma boa colocação para a frase “as aparências enganam”.

Meu coração apertou... E eu senti que haveriam consequências. Minhas amigas nunca foram do tipo que deixa pra lá. Engoli em seco. Eu poderia dizer que concordo com Punzie, mas... Eu não concordo. Hiccup tem sim um coração. E ele não pertence a mim.

- Tenho de admitir que competir com a garota mais bonita e popular da faculdade é tentador... – dei uma risada nervosa, tentando descontrair o clima pesado e taciturno. – Mas eu passo essa.

- Fora que o que Trid tem de bonita e popular, também tem de competitiva. – falou Elsa, dando uma risada nervosa também. Tenho quase certeza de que também notou o clima...

- E mais isso! – concordei. – Sei reconhecer uma causa perdida.

- Está desistindo dele, Meri! – exclamou Anna e eu franzi o cenho... De alguma forma, aquilo me ofendeu... De... Mais. – Está fraquejando! O que está havendo com você?! – pronto. Agora, ela me desfez.

- Não, não estou, Anna. – engoli o choro e ergui o queixo. – Eu posso ser muitas coisas, mas tenho bom-senso. Você lutaria por alguém sabendo que ele ama outra pessoa? Tentaria interferir sabendo que ele está feliz com ela? – Anna engoliu em seco. – Eu jamais tive chance, Anna. Hiccup sempre foi louco pela Astrid. Eu não quero ser a droga de um obstáculo. Mereço ser mais que isso na vida de alguém. Então, por favor, jamais diga que desisti. Achei que me conhecesse e soubesse que eu não seria covarde a tal ponto.

- Meri... – ergui um dedo, pedindo silêncio.

- Só não me chame de fraca... – pedi, controlando minha voz. – Você não imagina quantas vezes pedi a mim mesma para parar de chorar e tive que sair por aí com um sorriso que não era meu. – engoli em seco, sentindo minha garganta doer com o nó que se formava ali. Prendi a respiração, eu cederia a qualquer momento, eu senti... Por isso mesmo, peguei minha mochila e saí, antes que elas pudessem notar a gotícula persistente que escapava pelo canto de meus olhos.

Chorei, mas não por Hiccup ou pelo fato de estar me sentindo fraca. Pois, sim, eu estava me sentindo mais que fraca... Ou seria menos?

Chorei ao perceber que já estava me acostumando com a sensação incômoda de não ser correspondida... Porém, uma dor mais vívida me invadia naquele momento. Um gosto amargo em minha língua e um tipo diferente de angústia... Não era nada comparado ao que vivi nesses últimos meses.

A princípio, pensei ser desesperança... Mas era desapontamento.

Com as palavras de Anna, eu sentia que havia a decepcionado. Anna esperava... Algo de mim. Eu decepcionei minha melhor amiga. E essa é a pior das dores...

Parei no meio do corredor vazio, me escorando em um dos armários, segurando a respiração com tamanho esforço... Enquanto tapava a boca com uma das mãos. Concentre-se, Merida. Eu sei que é difícil de tu se concentrar... Mas você precisa. Eu precisava parar de chorar. Meus soluços iriam acabar chamando a atenção de alguém.

Eu mal me lembro da época em que chorei tanto quanto nas últimas semanas... Respire.

- Meri!

Odin misericordioso. Estou com a consciência tão pesada que já consigo ouvir a voz de Anna gritando meu nome.

- Meri... – não, pera (?). Não era meu subconsciente que gritava, era Anna mesmo, vindo em minha direção ao fim do corredor. – Me desculpe. O que eu disse foi horrível, eu nem imagino o que você tá passando e tô falando como se soubesse... – ela falava, ainda se aproximando e ofegante. Parecia ter corrido. – Eu sou uma idiota, não deveria ser tão impulsiva. Mas é que... – ela suspirou, ao parar a minha frente. – Associei as coisas de forma errada, eu sou uma tonta. Só de pensar em você abaixando a cabeça pra Astrid, que tá acostumada a ter o mundo nas mãos, meu sangue ferve! – ela admitiu, meio irritada e eu desviei o olhar, não por não querer fita-la. E sim, afim de esconder meus olhos avermelhados pelo breve choro de quase agora. Ela suspirou. – Mas depois, vi que não tinha nada a ver. Você não abaixou a cabeça pra ninguém. Muito pelo contrário...

Então, a fitei. Por longos segundos, devo dizer. Ela pareceu surpresa e angustiada, assim que notou minha feição, porém nada disse. Um certo alívio crescia em meu coração, mas a sensação de ter desapontado alguém querido ainda residia lá. Eu estava minimamente surpresa também – afinal, Anna é quase personificação do orgulho e, no entanto, estava ali, se desculpando. Dei um longo suspiro entrecortado. A situação parece um tanto gritante... Mas ninguém consegue ficar irritado com Anna por muito tempo. – Tá tudo bem, Anna. – minha voz saiu mais baixa que habitual. Xinguei-me internamente por isso. – Você... Até que tinha razão em algumas coisas.

- Está louca, mulher? – ela sorriu, negando com a cabeça. – Hiccup é muito burro, não sabe o que tá perdendo... – e então, foi minha vez de sorrir.

Até Anna fitar além de meus ombros com uma feição que indicava certa cisma. Ao me virar para fitar o recém-chegado, este já se manifestava.

- Meri, posso conversar com você um instante? – Astrid parecia apreensiva, porém, seu olhar determinado, comum naquele rosto, ainda fazia parte de sua feição.

Tive de me segurar para não dar um audível suspiro. Eu tinha certeza que o assunto teria algo a ver com Hiccup. – Claro, Astrid. Pode falar.

- Vou direto ao ponto, Meri. – ela disse, confiante. – Percebi o afastamento entre você e Hiccup depois que começamos a namorar. Há algum problema?

Quando disse que seria direta, não estava brincando. Pisquei algumas vezes, tentando disfarçar a surpresa. – N-não... É claro que não, Astrid. Por que haveria algum problema? – dei uma risada, descontraída. A melhor que fui capaz de gerar.

Ela suspirou. – Não vou mentir pra você. Hiccup tá... – ela demorou alguns segundos para encontrar a palavra específica. – Péssimo. – falou com um suspiro e eu não pude deixar de arregalar os olhos.

- Eita.

- É, eu sei... Ele tá... Chato. Impaciente. Quase não conversamos... – ela contou a dedos e bufou. – Eu sei que isso muito tem a ver com a situação chata entre ele e Kristoff... – mencionou ela e eu fiquei um tanto preocupada. – Mas também notei que isso começou depois de um tempo que vocês se afastaram. Eu sei lá! – gesticulou com as mãos. – Também fiquei sabendo de uns boatos que rolaram, sobre ele ter se afastado de você porque eu exigi e achei isso um absurdo. É incrível como uma Universidade torna-se, bem dizer, uma escolinha de Ensino Médio na hora de formar boatos. – ela revirou os olhos azuis. – Então, não sei se você acreditou nisso, mas lhe asseguro que é tudo mentira.

- Eu não cheguei a ouvir sobre isso, Astrid... E mesmo que ouvisse, não acreditaria. Creio eu que você não tomaria atitudes tão frustradas. – falei, sincera. Só então percebi que Punzie e Elsa já haviam se juntado a Anna atrás de mim.

- Exatamente, Meri! Aí é que tá... Eu jamais seria insegura a tal ponto, isso é ridículo. – ela revirou os olhos novamente. – Mas engoli meu orgulho para vir aqui te pedir ajuda... – eu a fitei hesitante e esperei que continuasse. – Já que não há nenhum mal-entendido, poderiam vocês voltarem a se falar normalmente? Creio eu que o humor de Hic melhoraria bastante. – terminou a última parte num tom brincalhão. Eu gelei. Pude sentir o sorriso sumir de meu rosto e a feição divertida no rosto de Astrid ser substituído por preocupação. Eu sabia que não poderia ajudar... Não se eu ainda quisesse manter as aparências de que estava tudo bem comigo. Se tem sido difícil sem nem nos falarmos direito... Quem dirá conversando todo dia, fazendo parte desse namoro, convivendo e assistindo a felicidade dos dois e me esforçando para não ficar triste com isso. – Algum problema? – o tom preocupado de Astrid me fez voltar a si.

Anna deu uma audível risada irônica. – Tá falando sério, Astrid? Você ainda pergunta? – Astrid fitou Anna, confusa. – Tenho quase certeza de que, em vez de Psicologia, você faz é faculdade de Artes Cínicas, porque eu nunca vi alguém tão cara de pau na minha vida.

- Anna! – repreendeu Elsa.

- Tô mentindo? Eu falo mesmo!

- Que isso, Anna. – Astrid manifestou-se. – Eu juro que não fiz por mal...

- Claro que não fez por mal, mas em matéria de “pensar nos sentimentos dos outros, e não apenas nos meus”, você meio que está quase reprovada, amiga. – Punzie falou, fitando as unhas. Elsa desviou o olhar de uma maneira que dizia “não posso negar, pois se não, estaria mentindo”.

- Gente, está tudo bem... – falei. – Deixem que eu converse com Astrid a sós... – elas se entreolharam, menos Anna, que ainda encarava Astrid com os olhos crispados. – Tá tudo bem. – Elsa me fitou por longos segundos e sorriu suavemente, puxando as meninas e sumindo de vista. – Érr... – desviei o olhar e respirei fundo, fitando uma Astrid ainda meio chocada e envergonhada. – Me desculpe, Astrid... Eu adoraria, mas acho que não poderei ajudar.

Sua feição desapontada era evidente. – Poxa... Por que? Eu sei que vocês tiveram uma discussão antes disso, sei que pode parecer orgulho da parte dele, mas... – a interrompi.

- Como você... – parei subitamente, percebendo que eu soava um tanto rude e respirei fundo. – Como você soube? – indaguei mais calma.

Ela arqueou uma sobrancelha. – Hiccup é meu namorado, Meri. Ele me contou.

É claro que sim. Que ideia a minha.

- Foi ele que pediu pra vir falar comigo?

- Não, de maneira alguma! – ela respondeu urgente. – Ele nem faz ideia disso e se souber, é certo que teremos uma briga feia, portanto por favor... – falava nervosa.

- Eu não contarei, fique tranquila. – assegurei e ela sorriu aliviada. – Mas ainda assim, sinto que não poderei ajudar. – seu olhar tornou-se desapontado novamente. – Sei que não é orgulho da parte dele e nem exigência da sua... Acontece que, se hoje nos afastamos, foi porque eu quis.

Pela sua feição, percebi tê-la surpreendido. É tão absurda assim a ideia de essa decisão ter sido tomada por mim? Que se acostumem com essa “versão” da Merida, pois ela será recorrente.

Sem querer delongar o assunto e decretando um ponto final aquela conversa, virei-me para a direção que dava para a ala de meu curso, deixando Astrid ali no corredor, ainda estagnada.

Enquanto eu me afastava, pude sentir aquela sensação incômoda retornar violentamente... Eu não aguentava mais esse sufoco em minha garganta. Tornara-se algo tão intenso e contínuo que chegava a doer. E por mais que já fosse uma dor habitual, ainda incomodava.

Suspirando profundamente com a finalidade de acalentar a dor, pus-me a fitar o chão; ato costumeiro para manter a concentração e compostura, também manter as aparências de que estava tudo bem... No entanto, ali, eu ainda conseguia sentir minhas sobrancelhas pesarem sobre os olhos.

Eu ainda estava incrédula com o que Astrid me pediu. E ainda imaginava como seria se eu tivesse aceitado exercer tal favor. Eu gostaria de ajuda-la... Mas, infelizmente, não posso. Pelo meu bem.

E, de repente, me sinto egoísta.

Quase me sinto um Kristoff ao grunhir de raiva (?). Um último suspiro, profundo e longo, e finalmente ergo o olhar.

Ainda andando, só tive tempo de frear minimamente, porém tarde demais... Dou de cara em alguém.

Ele me segura pelos braços antes que eu voe para trás. Olhos verdes inconfundíveis.

Ai, caralho, é o Hiccup. Ai, cacete. Ai, socorro. Alguém me ajude (????????).

Engoli em seco e, ao sentir meus dedos trêmulos, cerrei os punhos. Poderia até ser um fato, mas ele nunca saberia que eu estava nervosa. – Ah, me desculpe, eu estava...

- Olhando para o chão, é, eu vi. – ele afirmou, curto, porém não grosso (?). – Tá tudo bem... – completou baixinho e eu percebi ter sentido uma puta saudade de sua voz...

Os olhos verdes, mesmo que um tanto opacos, ainda mantinham sua beleza. Apesar de que Hiccup era pura beleza, né? Vamos combinar, gentê, Hiccup é aquele ser humano que você fica olhando e se pega refletindo sobre o sentido da vida, porque tanta beleza só pode ser obra de Odin (???); os cabelos castanhos dourados e bagunçados sobre a testa, o maxilar bem desenhado, os lábios finos e cerrados, opa, ele engoliu em seco? Eu vi, ein (?). Eu precisava me afastar, vai que ele escuta meu coração? Tá batendo tão alto quanto uma Escola de Samba Brasileira (????). Como se estivesse lendo meus pensamentos, seus dedos se afrouxaram em meus braços, certificando-se de que meus pés estavam firmes ao chão e que eu não iria cair do nada (?), então me soltou.

E só então senti meus olhos marejarem, mas eu não estava chorando. Meus olhos já ardiam por estarem arregalados desde a hora em que foquei o olhar em seu rosto, depois de esbarrar com a cara em seu peito (?).

Tal como na vez em que nos conhecemos, na festa do lago... De repente, fiquei tristinha (?).

Fitei seu rosto mais uma vez, piscando continuamente devido à ainda ardência em meus olhos. Ele deveria saber que senti saudades? E se eu dissesse... Ele se importaria? Vamos descobrir.

- Hiccup, eu... – sua feição mudou na mesma hora. Seu olhar, antes um tanto amargo, agora me analisava de forma intrigada, diria até esperançosa...

Olhei rapidamente as minhas costas e lá, ainda no mesmo lugar, estava parada Astrid. O que eu tô fazendo?

E o dia só estava melhorando... Olhei uma última vez para o seu rosto e saí de perto dele, sem dizer nada. Com passos rápidos, pesados, precisos... E os dedos ainda trêmulos.

Eu ainda pude ouvir, depois de uns segundos, ele indagar “O que você fez com ela?!” assim que, eu supus, ele chegara em Astrid.

Eles vão brigar por minha causa.

Eu serei motivo de uma briga. Como aquelas destruidoras de lares (?), ai meu santo Thor, que tipo de pessoa eu sou?

Devo voltar? Com certeza! Explicar o que houve. Mas aí ele saberá que Astrid falou contigo, lembra que ela disse pra não contar? Mas ele vai brigar com ela! Eu vou voltar. Não! Continua andando! Você vai acabar piorando as coisas, Merida.

Eu não quero piorar as coisas...

E assim, continuei meu caminho. Seguindo com o árduo ofício que era tentar esquecer o Hiccup. Mas de qualquer forma, tentar esquecer, já é lembrar.

Eu poderia dizer que a partir de agora iria dedicar minha vida a cuidar da Angus, ler livros, assistir filmes e tomar café. Afinal de contas, investir nas pessoas só dá prejuízo, xô.

Mas quisera eu que fosse assim, tão simples... Eu não os vi no intervalo. E nem na saída. Eu estava preocupada e me sentindo profundamente culpada. Ao menos, não permiti que as meninas se preocupassem; disfarcei bem. Elas não precisam saber que eu sinto muito. Sinto tanto. Sinto uma imensidão...

Mas finjo que não sinto nada.

Tem sido assim já tem um tempo e eu não estou sabendo lidar com essa montanha russa de sentimentos.

Mas agora, estava só a descer... Eu ainda sentia a dor das palavras de Anna, a decepção que ela sentiu, a angústia no olhar de Astrid ao observar eu e Hiccup, o tom áspero e desconfiado dele para com ela e o olhar amargurado para comigo. O mesclar de dó, desapontamento e revolta nas feições de Elsa e Punzie.

Parecia que por onde eu passava, eu deixava um rastro de dor. Eu não posso sair por aí contaminando as pessoas com o meu humor instável, deixando-as de acordo com o meu estado de espírito. Consegue entender a importância de sorrir e manter isso para si própria?

Parece complicado, eu admito... Ás vezes, nem eu mesmo sei como lidar comigo.

Que ninguém nunca saberia, isso eu me esforçaria em manter, mas eu me sentia assustadoramente... Quebrável.

Me sentia derrotada. Acabada. Sentia que se uma brisa, a mais fraca que fosse, batesse contra meu corpo, eu me desfaria num pó fino... De tão fraca e frágil que eu me sentia por dentro.

O esforço em manter esse sorriso no rosto sugava as últimas forças que eu achava que tinha. Eu nunca precisei me esforçar tanto pra isso... Eu deveria estar feliz. Ele está feliz, afinal.

Mas não é como retratam nos livros, nos filmes, nos poemas... Dói muito. Ele está feliz e não é ao meu lado. É algo que eu sempre soube, mas isso não ameniza angústia que sinto aqui.

Apoiei uma de minhas mãos em meu peito... Eu não sabia ao certo o que era aquilo, mas me consumia. Os momentos que passo com minhas amigas tornam no mínimo desesperador eu ter de manter esse meu rosto impassível.

Sinto que não me conheço mais... Eu já clamava desesperadamente por uma lufada de esperança, porque é tão novo e tão ruim ao mesmo tempo. Ainda não sei lidar com isso... Ainda.

Eu precisava de... Algo que me faria sorrir sincera depois de... Meses.

Respirei fundo, notando estar à frente da porta, com um 802 entalhado a madeira, há uns bons minutos. Como uma tola, havia esperado na faculdade, tendo a inocente esperança de que encontraria o casal 10 – apelidinho besta que Punzie se referiu a eles no dia de hoje durante intervalo, uma das poucas coisas a qual prestei atenção em nossa conversa – para certificar-me de que estava tudo bem entre eles. No entanto, não apareceram.

Suspirei ao tocar a maçaneta... Que as meninas não soubessem o que houve depois que elas saíram, por favor. Eu não aguentaria ser motivo de mais preocupação. Pensando nisso, me recompus antes de decidir adentrar o apartamento. Não se esqueça de sorrir, lembrei a mim mesma e então pude ouvir múrmuros e vozes – que, com certeza, não eram das meninas – vindo de dentro do apartamento.

Um alvoroço, um burburinho agitado... Passos correndo e risadinhas... Infantis. Franzi o cenho confusa e escancarei a porta.

Arquejei boquiaberta ao notar a figura de três curtas cabeleiras cacheadas e ruivas, que pulavam animadamente sobre o sofá, pararem no mesmo instante e fitarem em minha direção.

Os sorrisos divertidos tornaram-se ainda mais intensos ao me ver. Senti meus joelhos tocarem o chão, quando os três pularam cima de mim ao gritar meu nome, varrendo para longe a angústia que me consumia durante essas últimas semanas. Harris chorava. Sempre fora o mais emotivo.

Eu não faço ideia de qual era a minha feição, mas senti uma lágrima descer pela minha face. Novamente, naquele dia, eu estava chorando... Só que, pela primeira vez, de felicidade.

Algo morno aquecia meu coração junto daquele abraço. O sentimento foi de alívio, alegria... Era a minha lufada de esperança.

- Que saudade de vocês... – ouvi-me dizer, enquanto os apertava fortemente contra mim e sentia uma de suas mãozinhas acariciar meus cabelos.

Permiti que eles se afastassem depois de longos segundos. Eu sorria em meio as lágrimas. Harris soluçava. Hubert forçava uma cara séria, tentando não chorar; eu sorri com aquilo, ele sempre odiou parecer fraco. Hamish, com um de seus dedinhos, limpava uma de minhas lágrimas. – Não chora, não. – ele pediu e eu dei uma risadinha plenamente feliz ao ouvir sua voz...

- Vocês cresceram tanto.

- Você também! Wow, você está maior do que eu me lembrava e seu cabelo cresceu junto! – afirmou Hamish, animado.

- Você tá tão bonita, irmã... – soluçou Harris e eu sorri.

- Não chora, Harris. Você também tá um rapazinho. Que saudade que eu tava de você... – limpei seu rosto, ele deu um sorriso e algumas soluçadas.

- Espero que só Harris tenha notado isso, ou eu mesmo terei de colocar certos marmanjos pra correr. – Hubert cruzou os braços, fazendo-se irritado. Eu ri, seguida de Harris e Hamish.

Eu não sei quanto tempo fiquei olhando para seus rostos, mas nenhum dos três protestaram... Eles pareciam até compreender. Naquele momento, não havia sequer um resquício de sentimento aflitivo dentro do meu coração. Meus irmãos estavam ali, comigo, trazendo a mais sólida evidência de que eu tinha mais que um motivo pra sorrir plenamente e que esse momento “ruim” que eu estava vivendo... Não era nada.

Eu tinha três motivos. Na verdade, cinco. Na verdade, oito... E só aumentava!

Naquele momento, com os olhos vermelhos e o rosto molhado, o sorriso sincero desenhado em meu rosto... Suspirei, me sentindo leve. Que sensação maravilhosa.

- Merida... – reconheci a voz que há muito não ouvia, seguido de um arquejo. Por um momento, cogitei ter sido só um vislumbre... Minha avó e seus finos cabelos tão alvos quanto nuvens de verão. Seus olhos marejados acompanhavam um sorriso mínimo no rosto. Ela levou uma das mãos ao peito, sobre o coração. – Querida... Você está linda. – uma lágrima escapou e eu quase que vi muito de mim nela... Ou seria o contrário? Malditas lágrimas fugitivas! Vocês são motivo de súbitas fugas, sabiam? (?).

Mas ao vê-la ali, eu suspirei... Da mesma forma entrecortada, como acontecia depois da sensação de alívio que é chorar até se sentir limpa por dentro.

Levantei-me, indo em sua direção e a abraçando com tanta força... Compensando todas as vezes em que quis fazê-lo, mas não a tinha ao meu lado. Quando a soltei, ela estava ofegante. – Vovó... – eu queria lhe dizer um monte de coisas... Tantas, que acabei não falando nada. Ela limpou uma de minhas lágrimas e eu olhei em volta, sentindo falta de uma pessoa. – Onde está o Vovô?

- Seu avô chegará amanhã pela manhã... Teve de ficar para resolver uns problemas nas colheitas de Cevada. – ela me lançou um sorriso tranquilizador. – Não se preocupe, logo ele se juntará a nós.

O sorriso dela era como o mais límpido e saudoso sentimento de nostalgia. Tinha o poder de me abraçar, mesmo não tendo um corpo físico. Era algo inexplicável, que suspeitei definir perfeitamente a sensação costumeira daquele que revê alguém depois de tanto tempo de pura saudade... Esse alguém era eu.  

Eu tinha tanto a lhe dizer... Mas naquele momento, só o que me que preocupava era o fato de eu não estar em casa para recepciona-la devidamente. – Me desculpe não estar aqui quando chegaram... – falei, sentindo me culpada. – E-eu não sabia que viria hoje, na verdade, eu esperava que me avisasse antes de vir... – ela me interrompeu.

- Não se preocupe, querida, eu não avisei pois queria fazer surpresa, sim? Elsa me recebeu muito bem, como sempre. – e sorriu, ajeitando seus óculos, ao fitar uma Elsa parada ao pé da escada, observando esse reencontro cheio de chororô (?). No entanto, ela sorria.

Ouvi um grave latido seguidos de um galopar de patas pesadas... Mal percebi os ruídos e já me senti ser lançada ao chão pelo peso de Angus.

Eu tinha mais motivos para sorrir do que eu mesma supunha.

O retorno de minha família só me mostrou que... Tudo iria ficar bem.

Sim.

Vai ficar tudo bem.


Notas Finais


Curiosidade: O ditado que a Meri diz errado eu peguei de um comentário que, quando li, fiquei rindo o resto do dia e falei “Gente, essa moça pensa que nem a Meri” HEUHEUEHUEH’ tá aqui o link pra vocês entenderem o que eu tô falando: https://pbs.twimg.com/media/CM8trJlUYAA2yAM.png:large
Gente, eu achei que esse capítulo ficou na mesma pegada que o final de Divertida Mente (quando a Alegria e a Tristeza fazem aquela esferazinha azul e amarela, lembra?) (acho que cheguei a dizer isso para alguma leitora nos comentários passados), ficou uma coisa meio felizinha e tristinha ao mesmo tempo -qq. Pois bem, quis fazer esse capítulo pra retratar como Meri vinha se sentindo com o que lhe aconteceu, com a decisão que ela tomara, consequências vieram. Tb fiz para retratar o que se passava na cabeça dela enquanto que seu rosto era uma contínua indiferença. Bom, vimos o que Meri sentiu...
O que Hic sente, está meio que óbvio (ele não é do tipo que sai por aí tentando esconder o que tá sentindo, um dos muitos motivos pelo qual o admiro tanto). Ele tá magoado... Diria até frustrado.
Eu pensei muuuuuito antes de postar esse capítulo, mas no final achei que seria necessário postar pra vocês, porque essa Meri que vemos aqui não é a Meri que estamos acostumados a ler, não é mesmo? Um POV da Meri triste é bem fora do comum (eu tava pensando em só guardar esse Cap aqui e só, sério). Quem acompanha o Tumblr da fic, deve ter visto que lá postei um Aesthetic da Meri que dizia algo como “Good Bye, Innocence” e antes disso já tinha dito por aí que “veríamos Meri crescer”. Pois então, aconteceram coisas nesse capítulo que a fizera abrir os olhos. Não é como se Meri do nada fosse mudar da água pro vinho, virando a Rebel Girl da historia – sei que muita gente sente falta dessa essência na Meri, mas eu não posso fazer uma mudança drástica assim do nada –, DEFITIVAMENTE NÃO! -qq Podemos apenas dizer... Que algo se firmou em sua cabecinha confusa. Coisas irão mudar...
Vimos uma Astrid... Que de boba, não tem nada -qq. Não esperem que ela tenha deixado aquela troca de olhares passar despercebido. E EU TO PASSADA ATÉ AGORA COM A ANNA AFRONTOSA PRA CIMA DA ASTRID, SCRR -QQQ.
E vimos como Hic ainda deixa Meri nervosa – opa, cadê a novidade? -qqqq.
Ô CASALZINHO COMPLICADO ESSE MEU MERICCUP, EIN? VOU TE CONTAR, TO SOFRENDO -QQQ, mas não desisto deles por nada na minha vida.
O POV do Hic tá no próximo capítulo, e -------------- VAI VIM COM MAIS UM POV DA MERI, terá interações entre eles, umas tretas, umas discussões locas –qq E UMA DECISÃO SERÁ TOMADA!
AGUARDEMMMMMMMMMMMMMMMM, espero que tenham gostado desse capítulo mais do que eu gostei (prq eu nem gostei muito desse capítulo prq odeio ver a Meri triste :C)
AMEEEEEEEEEEI os comentários do capítulo passado, esperando ansiosamente para revê-las e colocar o papo em dia (??), então, é aquilo, comentem, manas! Adoro conversar com vocês <3
Nos vemos no próximo, sim? <3 Ainda faltam umas coisas, a metade, pra ser específica, mas continuem torcendo pela minha inspiração prq tá dando certo, UHUL!
Então, inté manas! <3


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