História Roleta Russa - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Máfia, Romance, Yaoi
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Palavras 4.488
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OI OI gente, mais um capitulo!
Notas:
DP = Abreviação de 'Departamento de Polícia'
Boa leitura!

Capítulo 2 - O bom agente sempre mente


O barulho de água ecoava por todo apartamento, o sol estava fraco e agradável, juntando-se com uma brisa suave que balançava delicadamente as belas cortinas daquele espaçoso banheiro, iluminando uma esbelta silhueta, que se banhava em uma ducha bem quente.

 O experiente agente dos federais procurava relaxar um pouco, o clima estava pesado no departamento, muitos incidentes ligados a tráfico de armas e pessoas ocorriam diariamente em NY e como Agente Especial do FBI, cabia à McJones investiga-los.

Connor Richard McJones, o belo homem de 1,70, com esplêndidos olhos verdes e um elegante cabelo loiro, parecia um típico boneco com seus traços finos. Se sua irônica mãe estivesse com ele naquele momento diria:

 “Mas que bela imitação de um bonequinho de porcelana! ”.

Graças a Deus que ele morava sozinho.

Acima de todo o bom humor, ele se sentia esgotado, amava o seu trabalho, mas as vezes ficava noites sem dormir com aquela rotina pesada. Não era para qualquer um:

― ‘Acho melhor eu ir me arrumar’ - murmurou para si mesmo, fechando a ducha, secando-se superficialmente, enrolando a toalha pela cintura. Ao sair do banheiro, sentiu seu corpo se arrepiar levemente com a brisa matinal que circulava no local, andando imediatamente até seu guarda-roupas, abrindo-o, olhando atentamente cada uma das peças ali guardadas, escolhendo um terno negro, que por sinal, era o seu favorito. Logo depois se viu em frente ao espelho do seu banheiro, ajeitando suas madeixas levemente onduladas, espirrando seu perfume preferido, colocando seu distintivo e o seu coldre no cinto. Olhou o relógio, estava 30 minutos adiantado e incrivelmente teria tempo para tomar café em casa, coisa que não fazia há tempos.

Foi apressadamente para a sala, ligando a televisão no Canal 10, para “se deliciar” com o Jornal matinal enquanto preparava o café. O âncora de voz irritante dava uma das principais notícias da semana. Como Connor odiava aquele cara.

O número de incidentes na região central de NY aumenta, na noite de ontem foi encontrado morto o engenheiro que deu informações preciosas sobre... - Connor trocou imediatamente de canal, a imprensa estava dando muitas informações sigilosas. O caso Dólar, como foi apelidado, era muito complexo. Um grande esquema para tentar encontrar os culpados da entrada ilegal de armas e “prostitutas” no país se mostrou um grande fracasso. Seu principal recurso para se começar uma investigação estava morto. Por um taco de baseball.

― “Isso é mesmo uma merda”-  Murmurou para si mesmo, se apoiando na varanda da sala entreabrindo os lábios, dando espaço para o liquido quente que percorria sua garganta. Isso era a máfia, só poderia ser! Armas de grosso calibre entrando no país, garotas Ucranianas, Russas e Tchecas sendo usada pelo tráfico sexual, isso sem contar nas enormes ondas de produtos europeus de origem duvidosa circulando por aí.

Pensamentos lógicos tomavam conta de si, até ser despertado pelo seu celular que tocava, era o novato Blake. O Agente pensou um pouco, já era incomodado a essa hora da manhã?  Acabou atendendo sem evitar de revirar os olhos:

― Sargento Jones! –  A voz estridente do novato era de doer os ouvidos.

― Sim Blake? – Perguntou com notável desinteresse

― Inspetor O’Wey quer lhe ver na casa do engenheiro em meia hora, pensei que o senhor gostaria de saber o mais rápido possível.

― Para que? A perícia já não tirou tudo do lugar? 

― Não, não! – Atropelou as palavras – O’Wey quer montar hipóteses com a cena intacta... você conhece ele. - O’Wey...Connor sentiu algo estranho ao escutar aquele nome.

― Como sempre novato - Suspirou - Vamos fazer assim, eu chego daqui a 15 minutos. Vou buscar algumas coisas no escritório e vou correndo para Green Hills. Vamos dar uma olhada naquele engenheiro. Peça para a perícia esperar.

― Ok, até mais.

― Até mais Blake- O Agente terminou a ligação, tomou rapidamente o seu café, desligando a TV indo escovar seus dentes, pelo visto esse não seria o dia que o loiro iria tomar café em casa.

 Sua mente estava calma enquanto seguia em direção a garagem do seu prédio, abrindo preguiçosamente seu carro, dirigindo em direção a sede dos federais.

 

8:35 AM – FBI

 

O local parecia calmo, viaturas e carros particulares estavam parados no estacionamento externo, a bandeira Americana balançava suavemente e as janelas espelhadas que contornavam todos os lados do edifício refletiam uma movimentada cidade, carros e pessoas por todos os lados.

O loiro tivera que esperar a boa vontade do porteiro aparecer para abrir a garagem do subsolo, pensava seriamente em deixar o carro na rua, mas teve seus pensamentos interrompidos ao ver a barra de segurança amarela sendo erguida, dando passagem para ele.

― Desculpe Sr.Jones ! Eu tive alguns problemas- Disse um simpático senhor de cabelos grisalhos e olhos castanhos, o atual porteiro do local.

― Sem problemas Steve!

Se preparava psicologicamente para o seu dia corrido. Parecia um estudante do terceiro ano, com uma erronia prova de química agendada para o dia seguinte.

Jones, como era chamado por muitos, estacionou a BMW e seguiu para o elevador com a chave do carro ainda em mãos, lendo alguns arquivos sobre o caso, que parecia se afundar ainda mais. Estava uma verdadeira bagunça.

― Agente McJones, alguns arquivos te esperam na sua sala – Informou Diane, a morena de origem latina, que usava um terninho muito elegante. Era responsável pelo serviço burocrático:

― Está muito elegante hoje, Diane.

― Obrigada Jones! - Sorriu a bela mulher

― Me conte um pouco sobre esses fantásticos arquivos – Claramente debochou do serviço burocrático.

― Digamos que o Inspetor apenas o jogou na sua mesa. - Comentou andando até a sala de Jones

― Daniel tem um problema pessoal comigo – Deu de ombros, entregando seus pertences para Diane guarda-los – Apenas o ignore.

A situação entre os dois se tornava quase absurda. Teria que dar um fim nisso.

― E as chaves? Vai ficar desfilando com elas? - Diane riu, fazendo Connor olhar confuso para as próprias mãos:

― E se eu quiser, não posso? - Disse de forma irônica

― Não pode, querido! – Riu. Adorava implicar com o velho amigo.

Diane pegou as chaves das mãos de McJones, entrando na sala, permanecendo lá por alguns instantes.

Precisava do máximo de informações possíveis para montar uma boa teoria, não sabia como começar, sua cabeça estava sofrendo uma grande sobrecarga de informações. O inspetor insistiu para que ele ficasse com o caso Dólar, mesmo já estando encarregado de outro. Segundo O’Wey, o caso “Annie, ” no qual Connor estava infiltrado como Sargento em um Departamento de Polícia para investigar ligações dos policias com o tráfico de entorpecentes, se mostrava um sucesso, estava para acabar, deixando Connor com o ‘inicio’ do outro caso. Mas isso servia apenas para atrapalhar a vida de McJones

Connor teve seu estomago revirado ao escutar uma voz familiar atrás de si.

― E então? - Perguntou Daniel, o homem de rosto bonito e cabelos negros com uma barba por fazer. Seus olhos azuis fitavam Connor com atenção:

― Inspetor O’wey? – Aquele idiota parecia não dar uma ordem correta para ele. Era para ele estar em Green Hills.

― Bom trabalho Connor, vou mandar estagiários tomarem conta do serviço burocrático, enquanto isso vamos para Green Hills investigar o caso do engenheiro.

Os olhos se encontraram, não sabia o que responder. O dia parecia mais confuso a cada hora que se passava. Segundo os antigos, era um sinal que algo importante aconteceria.

― Sim Senhor...Inspetor. - O loiro olhou de rabo de olho para o seu comandante, queria perguntar “Por que diabos ele já não estava na casa”. Achou melhor ficar quieto, não queria fazer parte dos jogos mentais daquele homem. Andou em direção a porta, parando seus passos ouvir a voz rouca de Daniel:

― Connor...Me chame de Daniel- Pediu, encarando o “Sargento” pelas costas. Esse apelido foi dado em jus ao seu posto anterior aos federais, um sargento do departamento de narcóticos de NY – Estamos no trabalho, mas eu gostaria que tudo voltasse a ser como antes:

― Eu sei o que você quer. - Suspirou, virando-se para fita-lo. O relacionamento entre os dois era complexo:

― Eu.... Eu tenho que te falar uma coisa, quando você acabar vamos tomar um café?

― Eu já sei o que você tem para me falar.... Devemos continuar profissionais, “Agentes”:

― Mas mesmo assim, vamos conversar. Quero passar as coisas a limpo - Connor pensou um pouco, queria dizer que não tinha mais nada o que falar com ele. Acabou virando-se para a maçaneta, colocando a mão direita na mesma:

― Tudo bem.... Você me liga mais tarde- O Sargento andou rapidamente para fora da sala, sem ouvir a resposta de Daniel – Vamos acabar logo com isso.

Foram em direção a casa do engenheiro. Nenhuma palavra foi trocada entre os dois, apenas o silêncio reinava. Era bem melhor assim.

 

9:10 AM - Green Hills

 

― Por aqui Agente CJ- Gritou um apressado novato de cabelos castanhos e olhos negros, o “Agente” Blake. O jovem estava afoito, praticamente correu até Connor, o guiando para a cena do crime:

― Calma! Não tenha pressa! -Sorriu- Está na sala?

― Sim, a perícia deixou tudo intacto para o senhor.

― Tudo bem, eu vou entrar- Dirigiu-se a porta aberta, adentrando alguns passos- Obrigado Blake.

Blake assentiu com a cabeça, deixando Connor sozinho. A casa parecia calma, os solados dos sapatos do loiro batiam na madeira, soltando alguns poucos ecos. Tudo era conservado com móveis em sua maioria rústicos, perfeitamente envernizados, o local estava bem iluminado, mas isso não impediu o Sargento de pisar em algo sólido. Era apenas seu próprio relógio que soltou do seu pulso- “Que droga! ”-Murmurou, pegando o mesmo do chão, percebendo que estava quebrado. Que maravilha.

 Ao se dirigir a sala, sentia o cheiro de sangue cada vez mais forte, estava bem perto do local correto, um lugar escuro onde a luz não alcançava, a televisão estava ligada e ironicamente se passava um desenho animado com uma linha de sangue escorrendo na tela. Ao olhar para o chão, marcas de unha e sangue que também se estendiam para as paredes e por fim um corpo, totalmente desfigurado, apenas com um terno.

Jones desviou o olhar, piscando seguidamente, tentava criar coragem para mirar aquela cena novamente:

― Pobre homem! -Soltou a frase no ar, pelo estado do lugar o engenheiro lutou, mas teve seu rosto desfigurado, segundo a perícia, por um taco de Baseball, que estava jogado no outro lado da sala. O homem estava deitado de bruços no chão, suas unhas estavam quebradas, seu corpo com múltiplas escoriações, tudo mostrava que ele sofreu pela vida enquanto sentia seus ossos sendo esmagados pelo bastão. Connor se sentia enjoado com a cena, ao levantar a mão esquerda da vítima percebeu que esta estava fechada. Tentou socar algo antes de morrer:

― E então? Terrível, certo? – O’Wey comentou sério, dando um leve susto em McJones. Seus olhos pareciam tão enjoados quanto os da vítima – Tudo indica queima de arquivo, mas acredito que os requintes de crueldade foram um aviso.

Os olhos se cruzaram mais uma vez, era preciso estar na cena do crime para conseguir pensar como a vítima ou como o assassino e naquele caso muitas teorias surgiam na cabeça dos “investigadores”:

― Você acredita que foi a máfia? – Connor ligava os pontos, era uma mensagem, mas não da máfia. Não daquele jeito:

― A máfia não faria desse jeito – Observava o dinheiro jogado no chão ― Ele estava envolvido com outras coisas, ninguém tem conhecimento das nossas operações. – Daniel caminhou até a porta principal novamente. Tudo de importante já havia sido visto

―Então? – Averiguou Connor

― Eu te chamei pois nós dois tivemos experiencia com casos de vários níveis quando éramos policiais – Fez sinal para Jones segui-lo, deixando a perícia fazer o seu trabalho – Você sentiu o perfume feminino no ar?

― Sim, senti – Suspirou por um segundo, raciocinando com as novas observações ― Você acha que foi passional?

― Sem dúvida – Encostou no SUV descaracterizado, acendendo um cigarro – A máfia não passa mensagens dessa maneira, eles consideram deselegante. Além disso, não havia sinal de arrombamento, o assassino era um conhecido com livre acesso a casa.

― Já que não foram feitos por motivos “maiores” nós vamos deixar para os policiais?

― Não é tão simples, ele estava ligado a pessoas perigosas, talvez consigamos informações sobre contatos ou esquemas de acordo com a suposta “amante”. Esses tipos de homens costumam contar tudo para elas.

― Então, qual o plano?

― Vamos interrogar vizinhos ou amigos, fingir que ele estava ligado a outros casos.

― Vou usar a identidade original? Me identificar como Agente Especial? Ou como sargento do DP?

― Acredito que isso irá fazer os vizinhos ficarem receosos. Para não correr o risco de acabar com a sua outra missão será melhor se apresentar como ‘Sargento McJones’.

― Sim...

― As pessoas daqui sabiam, por algum motivo, que os federais vinham para cá – Pausa para tragar o cigarro – Mas como parece um crime passional, diga que os federais passaram o caso para o DP. Assim sua identidade do caso ‘Annie’ estará segura.

O inspetor, ou Tenente, O’Wey apagou o cigarro na sola dos sapatos, se preparando para partir, deixando tudo a cargo de Connor.

 

9:40 AM – Green Hills

 

Os vizinhos se mostravam cooperativos com o caso, deram muitas informações sobre o homem, mas nada muito concreto. Segundo as pessoas, ele possuía muitas mulheres em sua vida, o que dificultava bastante o caso, muitas eram prostitutas estrangeiras com nome falso, poderiam ser ucranianas ou tchecas de acordo com a descrição. Situação complicada

Faltava apenas uma última casa para fechar aquela etapa, parecia de imigrantes, mais precisamente russos. Os vizinhos falaram que eles eram discretos, exceto por um jovem encrenqueiro e vadio que seria o mais novo dos três irmãos que moravam na casa, falaram que também morava uma garota, gêmea do encrenqueiro, que diferente dele era muito educada. Também tinha o provedor dos três, um homem inexpressivo e calado, que poderia saber de muitas coisas por estar sempre casa. O irmão mais velho.

A casa dos imigrantes era bela e charmosa, um belo estilo colonial. As paredes eram de pedra, as janelas e a enorme porta principal eram brancas, pareciam serem feitas à mão, mas o que mais lhe chamou a atenção era uma varanda julieta que ficava no segundo andar. No geral, era uma casa muito bem cuidada, com um belo jardim e uma cerca de pedras que circulava todo o local. Era de se encher os olhos.

A mente de Connor estava um pouco longe, o nome ‘Daniel’ dominava os seus pensamentos, depois de tudo parecia que ele queria retomar assuntos dolorosos e delicados para os dois. Não queria conversar com ele, estava decidido a cancelar o café. Não havia mais nada para ser dito ou sentindo.

Caminhou até a imponente porta principal da casa, não precisou bater e já deu de cara com uma garota ruiva que usava roupa de ginastica, parecia a hora para a caminhada matinal. McJones se aproximou, recebendo um sorriso gentil, ela aparentava ser bem jovem.

― Olá senhorita, meu nome é Connor McJones – Sorriu de volta, trocando um aperto de mão ― Sou Sargento do DP da região.

Connor lhe mostrou o antigo distintivo que foi resgatado por conta da outra missão. O coldre e a roupa não recusavam que ele era um agente da lei, fazendo a jovem perder qualquer dúvida quanto a isso:

― Ah sim, eu vi a movimentação. Muito prazer, me chamo Katherine Schenvisky – Soltou a mão do sargento, apontando para a movimentação não muito usual na rua. Ela não possuía nenhum tipo de sotaque, parecia uma autentica americana, exceto pelo sobrenome extremamente grande e difícil. Talvez ela se mudou muito nova para a América – Em que posso ajudar?

― Gostaria de fazer apenas algumas perguntas – Pegou um bloco de anotações. A garota parecia atrasada ao que quer que fosse fazer – A senhorita estava em casa antes de ontem à noite?

― Não, eu estava no cinema, acabei dormindo na casa da minha amiga. Quem ficou em casa foi o meu irmão mais velho, o outro está sempre na rua – Fez uma notável expressão de descontentamento.

― Você conhecia o engenheiro?

― Digamos que sim, ele era um homem bem odiado por aqui – Respirou pesadamente – Meus irmãos brigaram com ele uma vez, por tentar agarrar uma garota. Ele teve sorte dos outros homens da região serem uns covardes.

Connor acreditou no que ela disse, não parecia muito interessada em mentir para a polícia. Ele parecia um característico babaca.

― Seu irmão mais velho está em casa?

― Sim, ele está lá na garagem arrumando o carro do meu outro irmão. – Ela puxou as meias se preparando para os exercícios ― Quer que eu o chame? Se o Senhor quiser pode ir lá, é só passar pelo jardim, a porta da garagem deve estar aberta.

― Muito obrigada – Lhe dirigiu um segundo sorriso ― Desculpe o incomodo, pode voltar para os seus exercícios.

― Ah... Ele pode ser um pouco difícil de se lidar as vezes – Encarou os olhos do sargento ― Mas não se preocupe. Ele se chama Novanic, pode chama-lo.

Ela se despediu correndo em direção a saída do bairro. McJones se perguntava que tipo de homem seria esse “Irmão mais velho”. De acordo com todos, ele não era muito simpático. Poderia ser um daqueles homens mal-humorados e sérios, conhecia muito bem esse tipo.

A medida que foi caminhando até a garagem foi sentindo um cheiro de graxa e álcool ficarem mais fortes, peças se chocavam ao chão formando uma rústica sinfonia e uma grande quantidade fumaça de cigarro estava presente no local. O carro que estava sendo concertado era um Maverick antigo bem estilizado com placa personalizada ‘MR. Klavier’, amarelo com listras pretas e com um blower por cima do capô. O homem estava deitado por baixo do carro, seu coturno preto de cano alto estava a mostra.

― Com licença – Se aproximou lentamente do carro, ficando próximo dos pés do russo – Senhor Schavsky?

― É Schenvisky – Murmurou, este possuía uma voz terrivelmente grossa e aguda, o que apenas contribuía para a imagem mental assustadora que Connor fez dele.

― Ah sim, desculpe! – ‘Nome complicado do caralho’ pensou. ‘SSSXANVINNNSKY’ era tudo que ele conseguia entender

― O que você quer? – Ele ganhou menos um ponto no tópico educação. Diferente da garota, ele possuía um sotaque muito forte e marcado.

― Meu nome é Connor McJones, sou Sargento do DP da região. Tenho algumas perguntas para lhe fazer.

Um nítido e pesado suspiro foi escutado, Novanic saiu de baixo do carro e ficou de pé em frente a McJones. Ele usava uma calça cheia com estampa militar e uma camisa branca com manchas pretas por conta graxa.

‘Esse homem é enorme...Absurdamente ENORME’- Essa frase se repetia na mente de Connor, sua cabeça batia no peito do russo. O agente estudava o homem e parecia que o outro fazia o mesmo.

Ele possuía um corpo bem forte e definido, cabelo ruivo Borgonha, corte militar dos anos 40, curto dos lados e com a parte de cima perfeitamente alinhada para trás, corpo todo tatuado. Podia ver a frase que ia de ombro a ombro em seu peito. O que mais lhe chamou a atenção foi o seu rosto, traços fortes harmonizados com sardinhas e uma cicatriz vertical (que era cortada por um pequeno corte horizontal) no seu olho esquerdo, que ia desde a maçã até alguns centímetros acima da sobrancelha. Um olho era azul bem vivo e o outro todo branco, até a pupila. Parecia ser cego do olho esquerdo.

Novanic parecia um garoto propaganda da Spetsnaz, lhe lembrava um homem chamado ‘Vincent Lynch’ de um livro que leu a um tempo chamado ‘The Doll’. Espantoso.

― Minha mão está suja – Praticamente disse que não queria um aperto de mão, encarava intensamente o “Sargento”, mesmo com um olhar inexpressivo. Era difícil dizer o que poderia estar passando pela sua cabeça. Se dirigiu até o capô do carro e o levantou, mexendo no motor:

― Sem problemas – Tentou esconder o desconforto da situação, não arriscaria sorrir para ele ― O senhor conhecia o engenheiro? O senhor já deve estar sabendo de quem estou falando...– Começava as perguntas do zero, queria saber se ele falaria do desentendimento entre os dois:

― Me chame de Novanic, não sou tão velho para ser chamado de senhor – Menos dois pontos no tópico educação. – Ele merecia ter morrido antes.

Ele era sincero, MUITO sincero.

― Pelo visto ele não era boa pessoa...

― Ele era um babaca – Acabou os ajustes, limpando a mão em um pano branco – Acelera o carro para mim, por favor?

― OI? – ‘ Mas o que...? ’

― Acelerar o carro. A porta está aberta.

Em todos esses anos de serviço ninguém nunca pediu para Connor fazer isso.

― É... Tudo bem... – Seguiu até o carro, o interior era bonito.

― A chave já está na ignição, vá aumentando o ritmo aos poucos.

Assim McJones o fez, o carro era macio e fazia um baita barulhão. Era do tipo que os meninos amavam. Quantas vezes não prendeu garotos por excesso de velocidade em carros potentes como aquele.

― Obrigado, está tudo adequado. – Baixou o capô, sentando em cima do mesmo. Connor sentiu a frente do carro abaixar um pouco.

― Esse carro é muito potente e flexível – Saiu do mesmo, fechando a porta, entregando a chave com um chaveiro da coelhinha da revista playboy para o russo, que fez uma expressão de ‘Isso não é meu’ – Você que estilizou?

― Sim. – Apagou o cigarro no cinzeiro ― Continue com as suas perguntas.

― Vocês tiveram algum tipo de desentendimento?

― Sim, eu quebrei o nariz dele. - Pegou uma garrafa de água e ofereceu para Connor, que negou.

― Certo... – Realmente franco. Connor acabou por perceber que ele usava um colar de identificação militar. Deve ter ficado cego na guerra – Por que?

― Ele estava agarrando uma garota – Tomou um gole d’água ―  Minha irmã, mais precisamente.  Ela não era forte o suficiente para pará-lo, eu vi a cena e parti para cima. Deveria ter deixado aquele merda castrado.

O que? A garota era Katherine? Connor já havia trabalhado com aquilo, ela deve ter ficado com vergonha de contar.

― Você não o denunciou?  - Ele escutou a história pela garota, mas achou melhor não perguntar sobre o irmão mais novo.

― Eles olharam para mim e viram um Brutamontes – ‘Verdade, eu também vejo’ Pensou Connor- O culpado fui eu.

Por mais que ele mostrasse vontade de matar o homem, ele não parecia que iria faze-lo ou contratar alguém para isso.

― Você estava em casa quando o ele foi morto? Entre as 10 da noite e 2 da madrugada?

-Estava. Percebi uma mulher saindo apressadamente da casa de noite – Bingo!

― Pode descreve-la? – Uma pista e tanto, tinha certeza que irmão caseiro teria alguma coisa. Uma casa ficava em frente a outra afinal.

― Eu posso te dar o nome. Ele fazia questão de gritar o nome dela quando brigavam – olhava para as mãos de Connor, que escrevia rapidamente – Harley Geórgia, branca de cabelos castanhos.

― Isso foi de muita ajuda! – Sorriu de modo gentil para o ruivo. Ele pareceu ficar um pouco desconfortável com o gesto. Estranho. Nada respondeu, apenas desviou o olhar, encarando o próprio pé. Era um homem de poucas palavras, talvez fosse tímido.

― Por nada... – Voltou a observar Connor enquanto escrevia, seus olhos percorriam todo corpo e rosto do loiro ― Você...Sargento.... Aceita alguma coisa?

― Sim?

― Algo para beber... Dia corrido. – Ele queria parecer agradável

― Ah não! Mas muito obrigado – As perguntas estavam acabadas, já era hora de sair e entregar as informações para Daniel. – Preciso voltar, obrigado pela sua cooperação.

― Sim.... Até a vista. – Ele parecia querer falar alguma coisa, mas não conseguia.

Connor apenas sorriu e saiu da casa, sentiu o olhar do russo até a saída da casa.

Estava com um pressentimento estranho ao sair da local. Esqueceu a intuição, ligou para Diane passar as informações para Daniel seguir com a investigação. Com certeza a mulher era apenas o início de algo maior.

 

11:40 PM – Apartamento de McJones

 

O dia foi corrido, fingir ser um Sargento dentro de um DP era complicado e cansativo, já tinha esquecido daquela vida. Conseguiu cancelar o café com Daniel por conta da agenda lotada. Graças a Deus por isso.

Connor estava deitado no sofá, tinha acabado de chegar em casa e teria que voltar para o DP, teria uma operação as 1:00 AM contra traficantes num evento Lowrider em um subúrbio barra pesada de NY. A chance final de adquirir provas contra os corruptos. Embora fosse uma coisa cansativa, ele sentia falta do seu tempo na polícia de narcóticos, amava a ação presente naquilo. Talvez se arrependesse de entrar para o FBI.

Seu telefone tocou, era Martin, seu velho amigo policial e cumplice nessa operação. Connor pediu algumas placas de carros que estavam presentes no local para fazer o controle.

― Estava dormindo? É melhor manter a bateria carregada, hoje vai ser corrido – Aquela voz sempre esteve presente na sua vida, era o seu melhor amigo.

― Fiquei sabendo Martin...

A conversação se estendeu bastante, eram muitas placas e McJones estava anotando todas:

― Agora falta só mais uma – Gargalhou, Connor deveria estar arrependido de pedir tantos detalhes – Você acha que hoje você consegue provas para prender o Tenente?

― Acredito que sim, ele vai tentar salvar algum amiguinho traficante. Tudo será gravado. – Estava feliz que aquilo iria acabar – Me passa logo essa placa!

― Calma, calma, há ha. É um Maverick amarelo de placa ‘Mr. Klavier’... Que ridículo!

-Espera, o que? Repete por favor – Aquilo era impossível, o que o carro do russo estava fazendo lá?

 ― Maverick amarelo, Mr. Klavier. Está em nome de um russo ‘Klavier Schenvisky’. Por que?

― É o carro do irmão do cara que eu interroguei hoje – Estava assombrado – Como isso é possível?

― Olha, o carro é foda, está chamando a atenção de todo mundo. Esse irmão não é santo, parece muito amiguinho dos barras pesadas.

Connor sabia que ele não era santo pelo que os vizinhos e a irmã disseram, mas tráfico?

― Sim... Escuta, eu vou para o lugar agora. Quero ter certeza que é ele – Suspirou – Se for, quero tomar algumas medidas.

― Deixo com você, até mais – Martin desligou

Pelo visto McJones teria escolhas difíceis essa noite, caberia a ele seguir o caminho correto. Ele sabia que o garoto poderia acabar morto caso reagisse de alguma maneira ou se os traficantes descobrirem que seu irmão teve a visita de um policial.

Ah, se essas coisas não acontecessem com ele o mundo estaria acabando ou ele estaria morrendo.  ‘Mas que merda...O destino adora brincar com as pessoas, não é mesmo? ’

Continua... 

 


Notas Finais


Então o que acharam?
Muito obrigada por ter lido!
Comentem por favor! Apoio é tudo!
<3


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