História Roleta Russa - Capítulo 6


Escrita por: ~

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Categorias Originais
Tags Drama, Máfia, Romance, Yaoi
Visualizações 30
Palavras 6.920
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, Policial, Romance e Novela, Suspense, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


OI gente <3 E então, esse é o final do inicio.

Estou amando criar essa história.

Boa leitura!

Da = Sim
Balychóye spasíba = Muito obrigado
Udachi = Sorte
Mal’chik = Garoto
Svidaniya = Adeus



Ps: Eu tive que mudar a data no final.
O próximo capítulo iria ser um ano depois, mas devido a algumas questões, eu mudei para cinco meses ☺

Capítulo 6 - Uma segunda chance e o final do início


 

 

8:43 AM - Hospital São Patrício, centro de Nova Iorque

 

O clima gelado de início de ano estava prestes a acabar, praticamente a grande maioria da neve já havia derretido, o ano de 2016 já havia começado bem quente, muito mais quente do que o normal. Os nova-iorquinos não deixaram de estranhar o clima atual, praticamente não viram muita neve durante o início de ano, algo realmente atípico e preocupante.

No final do mês de fevereiro, o clima de Nova Iorque era especialmente romântico, contava com temperaturas amenas e o céu se mostrava com belos tons de azuis bem claros. O sol aparecia timidamente atrás dos majestosos prédios presentes naquela região, o ambiente se mostrava bastante agradável para uma revigorante caminhada matinal.

Infelizmente, a noite fora tão corrida que o agente McJones não teve tempo de observar a paisagem noturna presente naquela janela panorâmica, o hospital era uma referência quando se tratava de belas paisagens da viva cidade de Nova Iorque a noite.

O quarto de hospital era belo, possuía aquele cheiro característicos de ambientes voltados para a área da saúde. A janela panorâmica estava levemente embaçada, refletia uma movimentada cidade, as pessoas corriam apressadas. Era o horário de pico.

A simpática madame estava sorridente, observava seu belo filho que estava adormecido na cadeira ao seu lado. A soneca já durava três horas, ele estava realmente exausto.

Pietra McJones estendeu seu braço em direção aos fios dourados do rapaz, alisava lentamente seu cabelo. A mulher amava tanto aquele menino, era tão esforçado e fazia de tudo pelo bem dos seus pais. Estava preocupada com ele, sabia que seu nível de estresse estava muito elevado, não aprovava nenhum pouco o atual trabalho do loiro. Ela temia pela vida de seu filho.

A senhora sempre tentou o avisar sobre as dificuldades dos trabalhos ligados a segurança do país, as vidas dos agentes federais nunca davam certo. Pietra se experimentava incompleta, como se não bastasse um marido Chefe Adjunto do conselho superior de justiça, possuía também um filho primogênito que se apresentava como um experiente Sargento do exército americano e um caçula versado como o mais novo Agente Especial do FBI. Nada de bom viria disso.

Ela amava tanto aqueles dois garotos, temia diariamente por eles. Pietra era uma influente consultora de direito internacional, abriu mão de sua carreira para cuidar daqueles meninos levados. Faria tudo novamente, da mesma maneira.

A mulher não era mais tão nova, sua saúde se mostrava um pouco debilitada, especialmente se tratando do estômago. Felizmente, o acontecimento da noite passada foi apenas um susto, mas cuidados eram realmente necessários.

Connor abriu lentamente os seus olhos, fitando aquela mulher loira. Sorriu ao sentir as caricias maternais, precisava daquilo.

― Mamãe, como você está? – O caçula se espreguiçou preguiçosamente na cadeira de acompanhante, seus olhos se apertavam devido a claridade brusca que golpeava suas retinas. O couro marrom da sua jaqueta entrava em contado com o couro azul da cadeira, criando um barulho agradável. O pior já havia passado, era hora de se tranqüilizar.

― Estou bem, Nonor. – McJones revirou os olhos ao escutar o seu apelido de puerícia. Era extremamente constrangedor ser chamado de Nonor, mas internamente, amava quando as pessoas demonstravam algum carinho por ele. Acima de tudo, aquele apelido cômico lhe lembrava da melhor parte de sua vida, a sua infância.

― Eu fiquei muito assustado ontem – Aquela noite nunca seria esquecida pelo loiro, praticamente tudo de inimaginável havia acontecido de uma só vez, teria morrido de aflição se não fosse pela ajuda do russo.

Quando recebera a ligação de seu pai, percebeu que não estava imune as brincadeiras do destino. Sentia sua respiração acelerada e suas batidas falhas, aquilo era um desespero real, que não sentia a anos. Não desejava passar por aquilo novamente.

Correu até o hospital, se sufocava a cada passo dado, seu pai estava extremamente desesperado ao lado de fora da sala de exames. Os dois estavam prestes a surtar, nunca haviam passado por aquilo. Uma doutora salvou a noite.

A admirável mulher asiática explicou a situação. Felizmente sua mãe estava bem, precisava apenas da aplicação de soro e remédios, a situação não passou de um exagero do Chefe Adjunto. Não era a primeira vez que o pai do loiro o fazia passar por sustos como aquele, sempre exagerava para chamar a sua atenção.

Connor se sentiu aliviado ao correr e ver sua mãe sentada na sala do médico, toda sorridente. Não podia negar que ela estava bem amarela e enjoada, mas se mostrava bem melhor do que seu pai havia descrito.

O medico quase deu risada ao ver o desespero dos dois, a mulher, dentro do possível, estava bem. Não existia muito com o que se preocupar.

― Eu extrapolei um pouco, mas acredito que estou bem. – Pietra sempre gostava de experimentar coisas novas, mesmo não gostando de peixes, se arriscou em comer salmão cru. Não foi uma boa ideia.

― A senhora não deve comer comida japonesa. Peixe te faz muito mal. – As palavras do loiro nunca adiantavam, era apenas uma questão de tempo até a sua progenitora fazer tudo de novo. Só não era mais teimosa por que era apenas uma.

― Vou me lembrar disso. Afinal, onde está o seu pai? – O senhor elegante chamado James McJones era bastante imperativo e dramático. Sem dúvidas que ele estava dando bronca em algum estagiário novato, sua vida era pensar no trabalho.

― Deve estar caminhando pelo hospital. A senhora conhece ele. - Pietra se mostrava melhor, sua recuperação se mostrou bem rápida, não fora nada muito grave. Eles poderiam respirar em paz.

― Ele está sempre tão agitado. Obrigado por nos ajudar ontem, seu distintivo me ajudou bastante. – Era sempre assim, James achava perigoso se mostrar um chefe adjunto, então era visto como um velho normal. As pessoas sempre achavam um jeito de atrasar o atendimento, preferiam atender pessoas mais importantes presentes em hospitais particulares como aquele. Quando Connor estava presente era muito diferente, as pessoas temiam os federais, sempre achavam que estes possuíam o poder de fechar hospitais e prender pessoas caso não fossem satisfeitos. Uma mentira descarada, mas que sempre facilitava as coisas, sempre abria várias portas. O agente McJones era sempre o salvador da pátria.

― Vou chama-lo, a senhora precisa de algo? Seu estômago está melhor? – Sua voz se mostrava cansada, dormiu por apenas algumas horas. A preocupação já havia sido sanada, seu dia poderia começar bem.

― Não precisa querido, eu estou bem. – O típico sorriso chamativo fora dado. Queria sumir daquele quarto, não gostava de hospitais. ― Ah, seu celular estava tocando logo cedo. Perece importante.

A mulher estendeu seu dedo indicador para o celular jogado sobre a mesinha de canto, a bateria estava baixa. Connor se levantou e sorriu para a sua mãe, relutava em pegar aquele inferno eletrônico. Quem lhe procurava tão cedo? Não importa, ele já se exibia acostumado com aquela profunda pressão do trabalho.

McJones desbloqueou seu celular, observando sua barra de notificações extremamente cheia. Observou seu wallpaper que mostrava uma foto dos irmãos McJones em um bar, durante o aniversário de Carter. Ignorou as lembranças de seu irmão militar e seguiu rumo as chamas perdidas. Três chamadas de Diane e uma do estagiário Blake, algo irregular estava acontecendo.

O loiro pediu licença para a bela senhora e seguiu até a varanda do quarto de observação, retornando as chamas de Diane. O que havia acontecido dessa vez?

A secretaria não tardou em atendê-lo. Apenas três toques foram necessários.

― Graças a Deus, Jones! Onde você estava? – Diane estava aflita, algo realmente importante havia acontecido.

― Minha mãe passou mal. Eu tive que vir ao hospital ontem à noite e acabei dormindo. Não se preocupe, foi apenas um susto – Connor suspirou pesadamente enquanto apoiava seus braços na sacada, segurando seu celular na orelha esquerda ― O que aconteceu?

― Ah, ainda bem que ela está bem! – Diane amava a mãe do loiro, era sempre tão gentil com ela, um amor de pessoa. Com certeza iria vê-la mais tarde. ― Bom, a diretora chamou o Inspetor O’Wey, parece que o caso Dólar será fechado.

― O que? Como Daniel está? ― Connor estava certo, o caso foi encerrado, o inspetor deveria ter seguido os seus conselhos. Se mostrava preocupado com o Daniel, mesmo após toda a comoção da noite passada, ainda sentia algo por ele. Não seria fácil esquece-lo.

― Eu não sei, ele ainda está lá dentro. Não vai sair tão cedo. – Quando algo daquele tipo acontecia, uma reunião burocrática era iniciada. Durava horas. ― Martin esteve aqui ontem à noite, trouxe provas concretas contra o seu tenente, parece que o seu caso foi solucionado! - O que? Tão rápido? Como o Martin conseguiu aquilo?

― Como assim, Diane? – Connor estava pasmo, o tenente deve ter pisado feio na bola. Tudo aquilo significava novos momentos de paz em sua vida.  Essas notícias significavam que não teria que ir atrás da confiança do russo problemático e não precisaria se passar novamente por sargento. Eureca!

― Ele conseguiu uma gravação, o tenente o chamou para o esquema. Você tem muita sorte, seu amigo policial é muito útil. – Martin sempre estava lá para ele, eles se tornaram melhores amigos desde a época que o castanho começou a namorar o seu irmão mais velho. ― Venha o mais rápido possível, querido!

― Claro. Vou demorar um pouco, estou sem carro. – Connor não havia se esquecido que seu carro estava estacionado na garagem do russo. Estava realmente com raiva do evento infeliz ocorrido durante a noite.

― Sem carro? O que houve? Precisa de algo?

― Vou chamar um táxi, obrigado. – McJones odiava pegar táxis, a maioria deles contavam com motoristas mal-encarados e um forte fedor de cebola. Era abominável, os táxis de Nova Iorque eram nojentos. ― Ah, me faz um favor? Vê se me consegue as imagens da noite de ontem, no estacionamento do bar Woods? Aquele no centro. Eu te consigo um mandato se precisar.

― Claro Jones, me dê três horas. Que mal lhe pergunte, qual é o motivo?

― Quero descobrir quem foi o idiota que tentou acabar com o meu carro. – Iria até o fim do mundo atrás do culpado ― Enfim, até mais querida!

― Beijinhos!

O agente federal desligou o celular e o guardou no bolso da calça, enquanto ajeitava suas madeixas levemente descabeladas. Massageou suas têmporas, estava feliz por ter acabado com o caso, menos um problema para a sua vida. Não desistiria de descobrir quem foi o culpado de quase acabar com a sua noite.

Decidiu que ficaria mais alguns minutos com os seus pais e iria para o trabalho. Não precisava e não queria se apressar.

‘Finalmente um golpe de sorte!’ – Pesou ao se lembrar da sua recém resolvida missão.

O destino estava finalmente conspirando ao seu favor.

 

 

9:20 AM – Consultório do Doutor Bouvier

 

 

A noite de russo fora bastante inusitada, não tardou em voltar para a casa. Foi extremamente estranho ter encontrado o sargento naquele bar, os dois eram tão diferentes.

Felizmente, os dois tiveram a chance de conversar e conhecer um pouco mais um do outro. O maior teve até a chance de pagar um pouco da dívida que possuía com o loiro.

Connor era uma figura bem rara que apareceu de modo inusitado. Nesses poucos dias de convívio, o loiro já tinha visto coisas sobre o ruivo que nem seus amigos de longa data repararam.

McJones surgiu com o intuito de ajudar e ser ajudado, os dois aprenderam tanto um com o outro. Novanic não poderia negar que gostou da sua companhia na noite passada, era um homem bastante agradável, não gostou que ele foi embora tão rápido. Será que a sua mãe estava melhor? O russo se lembrava do desespero nos olhos daquele rapaz.

 O russo sentiu bem em ajudar o McJones, desejava do fundo do seu coração que sua progenitora ficasse bem. Não desejava a dor de perder uma mãe nem para o seu pior inimigo.

De algum modo, Connor lhe lembrava o tenente Plucinsky. Aquele homem, eles viveram tantas coisas naquele campo de batalha infernal. Novanic não queria se lembrar dele.

Não era preciso falar que a Katherine estava extremamente empolgada por ter estacionado um conversível azul dentro da extensa garagem da sua própria casa, amou tanto aquele carro, tudo tinha corrido bem. Felizmente, a ruiva não teve a chance de reparar no estrago feito no carro de seu irmão gêmeo. Novanic teria escutado uma lição de moral daquelas.

Era sempre assim, Katherine defendia Klavier até a morte. Seria bem difícil convence-la que aquilo foi realmente necessário.

Novanic estava sentando já a algum tempo naquele tão odiado e conhecido canapé azul. Era um daqueles dias bárbaros de consulta, mas dessa vez, o russo estava disposto a abrir o seu psicológico a aquele doutor.

Seus olhos estavam sem vida, contava com as perguntas incessantes do Dr. Charles Bouvier. Estava sentado em frente ao senhor de cabelos platinados, cruzava suas pernas de modo masculino. Seus dedos se entrelaçavam no colar que estava em sua mão, não queria encarar aquele homem. Não mentiria dessa vez.

― Você está me dizendo que seu irmão caçula foi pego usando drogas? – O Schenvisky decidiu contar várias coisas para o seu psicólogo, afinal, estava pagando para isso. Uma atitude totalmente inusitada.

― Infelizmente sim.

― Como ele se livrou dessa?

― Um sargento que eu conheci na manhã daquele dia me ajudou. Ainda bem. – Realmente, McJones foi um anjo. Se não fosse por ele, teria que pagar um advogado. Era muito trabalho.

― O que você fez para puni-lo?

― Destruí o carro que era do meu pai. O que carro que eu dei para ele.

― Bom, presumo que ele não reagiu muito bem. – O Dr. Bouvier não poderia negar, havia uma brutalidade presa naquele homem. Um dia ele iria extrapolar todo aquele ódio que estava contido.

― Ele ainda não voltou para a casa, não tive a chance de vê-lo.

― E você está bem com isso? Não irá atrás dele? – Bouvier percebia algo extremamente diferente no russo, ele parecia se mostrar verdadeiro, mas suas ações não condiziam com a sua personalidade. Algum desses dois tópicos era falso.

― Eu me preocupo com ele, mas dessa vez, não irei atrás.

― Sabe Sr. Schenvisky, você é um ótimo mentiroso. Você está tentando me fazer acreditar que se preocupa com ele. – Aquelas palavras e ações eram falsas. Novanic estava abrindo a sua personalidade para ele, não era exatamente o que se mostrava às pessoas.

― Ah é? ― Novanic não deixou de sorrir, a situação de alguém fuçando nas suas memórias era bem engraçada.

― Sim, se você realmente se importasse, já teria ido atrás dele. Não é da sua natureza desistir.

― Há ha, muito bom Dr. Bouvier. – Sem jogos, alguém deveria saber a verdade. Bouvier era habilidoso, conseguia arrancar muitas informações.

Charles sorriu para o ruivo enquanto pegava o seu tablet para anotar alguns tópicos. Finalmente adicionaria mais linhas ao relatório do ruivo.

― Por que você não gosta dele? O que te impede?

― Ele me lembra o Nikolay. Está ficando igual a ele. – Novanic levantou sua visão e encarou intensamente os olhos do doutor. Estava nervoso, mas não demonstraria aquilo.

― Ele também tomou o seu lugar como o garotinho da mamãe. Você poderia ter conversado, mas preferiu destruir uma lembrança do seu pai. Matou dois coelhos com uma cajadada só.

― Dr. Bouvier, não jogue tantas coisas na minha cara. Não é bem assim. – Bingo, Bouvier caiu bem na ferida de seus sentimentos.

― Para você, seus irmãos acabaram com a sua vida. Você acabou desse jeito por conta deles, eles destruíram a sua juventude.

Bouvier tentava desvendar a linguagem corporal do ruivo, ele se mostrava tão controlado e disciplinado. Nunca deixaria suas emoções a mostra.

― Correto. Mas odiar é uma palavra forte. – Novanic não parava de enrolar aquela corrente dourada em seus dedos. Não desejava chamar tanta atenção.

― Certo, mas porque você não odeia a Katherine? Ela demanda ainda mais cuidados do que o Klavier, mas mesmo assim, você faz tudo por ela.

― Me dê a sua opinião.

Era óbvio, Novanic brincava com a capacidade do doutor. Charles percebia aos poucos suas reais intenções, o russo avaliava se o senhor era inteligente o suficiente para lhe ajudar. Era fascinante.

― Eu presumo que ao contrário do Klavier, ela lhe lembra a sua adorada mãe. A pessoa que te apoiou, por isso faz tudo por ela. Por isso você a ama.

― Sabe Doutor, por mais que eu tente me enganar, as lembranças sempre voltam. A convivência fica difícil.

Novanic espelhava todas as suas relações em pessoas do seu passado, era um modo do seu subconsciente avaliar se as pessoas em seu meio social valiam a pena ou não. Isso mostrava indícios de abusos na sua conturbada infância.

― Novanic, você deve se lembrar que o Klavier não é o seu pai, então, não o trate como ele. Pelo que você me disse, não é o Klavier que está virando o “Nikolay”. Você que está.

― Há tempos eu sinto isso, não queria que fosse desse jeito.

― Você precisa se esquecer do passado, só assim terá novos relacionamentos. Acredito que você me contou tantas coisas por que elas lhe incomodam. Não é o episódio do exército ou as guerras que lhe incomodam, são os fantasmas do passado.

Na realidade, o principal problema do russo eram as pessoas do seu passado, não o exército ou algo do tipo. Essas lembranças o impediam de ter relações saudáveis, tudo voltava como um flashback. No fundo, não desejava tudo aquilo novamente.

― E então? Qual a sua conclusão disso tudo?

Bouvier respirou fundo e retirou seus óculos, procurava manter uma confiança com o ruivo. Era o final.

― Primeiramente, você conseguiu enganar todos a sua volta. O seu estresse pós-traumático foi “acordado” por uma série de eventos que aconteceram recentemente. Segundamente, você espelhou pessoas da sua infância nos seus relacionamentos. Isso não é saudável.

― Qual é o seu conselho?

― Não se engane, ninguém é igual. Vá atrás do seu irmão, ele não é o seu pai. Converse com ele, o garoto é assim por algum motivo, se mostre interessado em ajuda-lo.

Bouvier estava certo, o russo se deixou levar pelo calor do momento, não foi sensato. Não deveria espelhar os seus problemas no garoto, estaria fazendo uma das coisas que mais odiou na vida.

Um choque de realidade caiu sobre os ombros do ruivo, o que ele estava fazendo? Nunca quis que fosse desse jeito, como chegou a esse patamar? Será que o seu eu interior que estava a tempos adormecido estava voltando? Tudo indicava que sim. Deus ajude que não seja assim.

Bouvier percebeu o choque de personalidades que caiu sobre o russo, ele estava querendo se mudar. Tinha medo de se tornar as pessoas que mais o machucaram, existia muita coisa a ser descoberta dentro da sua cabeça, sua mente era um labirinto cheio de armadilhas e defesas. Era tanto uma vítima como vilão.

― Obrigado, Bouvier.

Novanic colocou o colar enrolado sem seus dedos de volta no pescoço, perecia perturbado com o que lhe fora falado. O russo se levantou, o som pesado da sua bota ecoou pelo silencioso consultório. Os olhos de Bouvier acompanhavam os movimentos do soldado com um sorriso amigável no rosto.

Charles conseguiu um passo importante, se mostrou sábio e confiável aos olhos do ruivo, conquistou a sua confiança. Gostaria de se tornar um amigo para aquele homem, teria que explorar cada segredo presente naquela mente. Seria difícil lhe ajudar a superar todos os seus traumas, poderia levar anos, mas o Dr. Bouvier estava confiante e realmente queria ajudar.

 O russo era um dos seus mais fascinantes pacientes, era extremamente calculista e inteligente, conseguia desvendar as intenções das pessoas, conseguia também mascarar toda a sua personalidade e intenções. Algum trauma o impedia de criar relacionamentos duradouros, teria que matar esse problema presente dentro dele.

Bouvier se levantou com dificuldade, já estava velho. Estendeu seu braço em direção ao homem alto e formou um aperto de mão consistente, estava disposto a conquistar a confiança do seu cliente. Mais uma barreira foi quebrada.

Agora era esperar e torcer para tudo sair como o planejado. Iria desvendar a mente daquele homem.

 

 

9:30 AM – Sala de reuniões, sede do FBI

 

 

A sala era extremamente simples, contava com uma longa mesa de reuniões em formato retangular, esta contava com 12 pretas e acolchoadas e tampo de vidro temperado. A luz das janelas enormes presentes naquele cômodo iluminava os documentos jogados em frente ao inspetor O’Wey.

O homem estava sentado com uma típica carranca em seu rosto, desviava o olhar dos olhos desapontados da diretora Ophelia Hunterburg. A mulher não estava nem um pouco satisfeita com o resultado atual da missão de Daniel.

As perolas presentes no pescoço da senhora demostravam elegância, seu cabelo grisalho e ondulado estava preso em coque formal, balançava ansiosamente a caneta no meio de seus dedos. Nunca era fácil fazer uma reunião daquelas.

― O’Wey, eu realmente lhe respeito, você resolveu casos extremamente complicados. Você é o melhor Inspetor que eu poderia querer.

― Obrigado.

― Mas você deve entender quando se persegue fantasmas. Eu sei a carga emocional que este caso carrega, mas você errou feio com ele. Era como se você quisesse e deixasse que testemunhas morressem. – Daniel estava em silencio, nada de bom viria em discutir com a diretora. ― Com o fracasso crescente deste caso, ele está fadado ao fracasso. O conselho irá vetar o andamento da operação Dólar.

― Diretora Hunterburg, deixe-me explicar o qu – O inspetor fora interrompido pela senhora. Não queria desculpas esfarrapadas.

― O’Wey, eu sei de tudo que você passou, o que aconteceu. Eu entendo a questão pessoal presente nesse caso, mas não sacrifique a sua carreira para correr em um beco sem saída. A hora de se vingar irá chegar.

― Sim, diretora.

― O agente Jones sabe dos sentimentos envolvidos nessa missão? Normalmente, os parceiros sempre sabem.

― Não. Ele nunca saberá.- Ophelia suspirou, só Deus sabe o que se passava pelo coração daquele homem.

― Enfim, se acalme e tire férias, vamos reabrir o caso quando existir provas concretas. Eu tento o que posso para proteger o seu infeliz segredo, faça a sua parte corretamente. Você não quer chamar atenção.

― Férias? Eu não tenho mais uma família para voltar, eu não tenho mais a Nina e o Christopher, se a senhora bem se lembra. Por fim, posso me retirar?

Daniel era complicado, nunca desistiria. Esse homem passou por muitos momentos dolorosos para desistir tão facilmente. Iria até o inferno atrás daquele russo maldito, o faria sofrer por todas as desgraças que ele fez. Conseguiria provas para vingar as pessoas mais amadas da sua vida, deceparia aquele demônio com as próprias mãos.

Seu sangue fervia ao lembrar daquele bilhete asqueroso e irônico. Daniel guardaria o pedaço de papel com cuidado, faria aquele tão odiado russo engolir cada centímetro daquele papel imundo.

Hunterburg acenou positivamente, sabia que o inspetor não iria escutar mais nada que ela dissesse, ele era um homem bem frio objetivo. Não aceitava críticas.

Daniel se levantou, abotoando novamente o seu terno negro, fazendo questão de apertar a sua gravata azul marinho. Vestiu a sua típica expressão de superioridade e abriu lentamente a porta, não queria mostrar que fora afetado por aquela noticia fracassada.

Caminhou calmamente pelo corredor, seguia em direção a sua sala. Não deixou de notar no olhar cheio de pena que estava presente no olhar do agente McJones e da sua secretaria, Diane. Não precisava da sua pena, não queria a sua pena.

Os dois estavam sentados na praça de alimentação, pareciam se distrair um pouco.

Seu coração doía por ter dito palavras cruéis para o rapaz que sempre o ajudou, devia tanto a ele. Ele lhe lembrava sua amada Nina, possuíam tanto em comum. Daniel gostaria de pedir desculpas, estava afetado pelo calor do momento, não gostava de admitir que estava fadado ao fracasso.

Infelizmente, era tarde demais para consertar as coisas. O Inspetor O’Wey não era gay, o loiro fora o único homem que deitou na sua cama.

Daniel não entendia como se sentia tão atraído por tal homem, talvez espelhasse a sua eterna Nina naquele rapaz. Mesmo sendo de sexos opostos, os dois eram extremamente parecidos, tanto na cor do cabelo e dos olhos, como no modo de agir e falar. Connor era um conforto em meio a solidão e angustia. Deveria esperar algum tempo, não desistiria de ter aquele homem novamente para si.

― O inspetor não está muito abalado. Que bom. – A morena bebia um suco de morango bem concentrado. Frutas pela manhã sempre caiam bem.

― Eu o conheço, ele está de devorando por dentro. Nunca é fácil desistir de um caso – Connor bebia um café bem forte e com muito açúcar, amava o gosto de cafeína.

― Talvez. E aí, como está a sua mãe?

― Está bem melhor, foi tudo um exagero do meu pai. Tive uma noite muito louca – Connor sorriu, fazia gestos para demonstrar a intensidade daquele momento ― Conseguiu as imagens?

― Eu não precisei de três horas e nem de um mandato. Aqui está a gravação. – Diane lhe estendeu o seu Iphone rosa, mostrava o vídeo da entrada entre as sete horas da noite e uma hora da manhã.

Connor sorriu novamente para a mulher. Ele percebia que os amigos do russo chegaram em um táxi, antes do russo. Seus olhos percorriam a tela do celular, finalmente a cena esperada.

McJones não deixou de surpreender com a cena que vira. Um garoto ruivo, usando calça Skinny e uma blusa de basquete amarela que fez o estrago na sua BMW. Era Klavier, o projeto de russo mal-humorado, aquele garoto era uma praga para a sociedade, faria questão de mostrar aquelas imagens para o russo.

O agente não perderia tempo, iria buscar o carro e conversaria com o russo, o garoto não deveria ser ignorado. McJones colocou o seu blazer preto e de despediu da sua amiga fiel e seguiu em direção a Green Hills.

Tiraria aquele problema à limpo.

 

 

11:19 AM – Casa dos Schenvisky, Green Hills

 

 

Novanic estava encucado com o que lhe fora falado no consultório. Não conseguia parar de pensar em como ignorou totalmente o seu irmão mais novo quase que involuntariamente. Onde estava aquele homem preocupado? Será que ele sempre fora falso com si mesmo? Precisava conversar com alguém, teria que descobrir a melhor saída.

O Schenvisky tirou a sua bota e se deitou espaçosamente na cama, sentia a textura aveludada da sua colcha de cama cinza. Sem pestanejar, pegou o seu celular, estava decidido em mandar uma mensagem para a sua irmã. Ela poderia lhe contar o que estava acontecendo:

~ Conversa com a Katherine ~

[11:22] Nick: Kat, você está ocupada?                       

[11:23] катеринэ: Não, estou lanchando. Algo aconteceu?                       

[11:23] Nick: Eu preciso ter uma conversa rápida                       

[11:23] катеринэ: O que aconteceu?                       

[11:24] Nick: Eu estava conversando com o Dr.Bouvier                        

[11:24] Nick: Ele me disse uma coisa certa                       

[11:24] Nick: Eu culpo o Klavier dos meus problemas?                       

[11:25] катеринэ: O que?

Você o trata muito bem, só exagera as vezes ��                       

[11:25] Nick: Eu fiz uma coisa muito ruim. Eu percebi que eu não dei muita bola para ele.                       

[11:26] катеринэ: Eu também reparei. Se fosse em outros dias, você teria corrido atrás dele e conversado.                       

[11:26] катеринэ: O que mudou? :(                       

[11:26] Nick: Aqueles mesmos problemas de sempre

Eu quero conversar com ele                        

[11:27] Nick: Você sempre foi muito mais próxima dele, até mais próxima do que eu                       

[11:27] Nick: Você sabe onde ele está?                       

[11:27] катеринэ: Sim sim                        

[11:27] катеринэ: Sei

Olha, ele me pediu para não te contar.

Você me promete que não vai arrumar confusão?                       

[11:27] Nick: Prometo. Onde ele está?                        

[11:28] катеринэ: Lembra aquela senhora que nos ajudou? Que tem um apartamento no centro?                       

[11:28] Nick: A senhora cheia de gatos? Acho que ela se chama Linda Golbath                       

[11:28] катеринэ: Sim, essa senhora.                       

[11:29] катеринэ: Sempre que ele fica triste ou faz algo errado, ele vai para lá.

Aquela mulher o ama!                       

[11:29] Nick: Bom...

Obrigado, querida.                       

[11:29] катеринэ: De nada! ��

Vai lá amanhã bem cedo, é a hora que ele está mais calmo.                       

[11:29]: Com certeza.

Tchau ��                       

[11:30] катеринэ: Tchau

Fala pro sargento que ele tem um carro muito bonito hahahahaha                       

[11:30] Nick: Claro claro                       

[11:30] катеринэ: Haha

Beijinhos! ��

~ Final da conversa com a Kat ~

 

 

 

 

O soldado se lembrava daquela senhora, era uma das poucas amigas de sua mãe na América, ela amava aqueles gêmeos, ela sempre foi solitária, não podia ter filhos. Quando tudo estava uma merda, foi essa a mulher que os ajudou com comida e uma cama quente. Era uma ótima pessoa.

Há tempos o soldado não a via, sempre quis fazer uma visita, mas infelizmente nunca teve tempo. Não poderia negar que foi um alivio saber que Klavier estava na casa de uma conhecida tão doce como ela.

Ele sabia que foi muito agressivo com o garoto, mesmo ele estando muito errado, nada justificava aquela reação.

A cada dia que se passava, o ruivo se encontrava mais e mais hostil, seu relacionamento com as pessoas decaia a cada dia. Praticamente, apenas o McJones se mostrou uma exceção.

O Schenvisky primogênito levou sua mão esquerda em direção ao criado mudo ao lado de sua cama, pegando cartão profissional do loiro. ― Sargento McJones, departamento de narcóticos. Será que ele já está a caminho? ’ – Murmurou enquanto admirava os adornos dourados do objeto. Ele realmente gostava de coisas chamativas, afinal, era dono de um conversível azul.

Novanic foi despertado de seus pensamentos ao escutar a campainha, que dessa vez, não lhe irritou. O ruivo se espreguiçou, se sentando cama, recolando sua bota de cano baixo por cima da calça. Guardou o cartão no bolso esquerdo, descendo preguiçosamente a escada. Consultas psicológicas o deixavam exausto.

O ruivo estava ansioso, queria conversar com ele sobre o garoto. Será que ele precisaria fazer serviço comunitário? Queria começar do zero. Novanic pegou a chave da porta da principal, que estava em cima da mesinha de centro, se importou em esconder as roupas que estavam jogas em cima do sofá. Sua casa estava uma bagunça.

Os amigos do ruivo verdadeiramente adoraram o loiro, eles realmente se sentiram mal por não poder ajuda-lo. A simpatia foi tanta, que Rudy e Loman queriam o convidar para assistir lutas e jogos, eles almejavam que o loiro entrasse para o “grupo”. Um desejo bem parecido com o do ruivo.

Novanic colocou a sua chave na fechadura e abriu a porta, topando com um loiro bem preocupado. Mais problemas.

― Olá Jones.

Uma saudação fria para alguns, mas normal para o ruivo. Desde a noite passada, Novanic estava interessado em saber o que havia acontecido. Sentiu na pele a aflição que passava por aquele homem, não desejava a ninguém.

― Hey Nick, tudo bem? – Seu tom de voz estava suave, toda a calma denunciava que sua mãe não havia piorado. Uma ótima notícia.

― Sim. Ah, como está a sua mãe? –

É realmente incrível, como pequenos momentos como aquele ajudavam a incrementar uma amizade. Novanic ajudou aquele homem como ajudaria um amigo querido, uma conexão estava destinada a sair dali.

― Foi só um susto, apenas um exagero do meu pai. – Connor sorriu, se mostrava totalmente aliviado, soltando um suspiro de aprovação. Novanic se mostrou muito feliz com a notícia ― Muito obrigado por ontem, você me ajudou bastante, sou eternamente grato.

― Que isso, estou muito feliz que foi apenas um susto. Você estava tão atormentado, que eu fiquei preocupado. É muito difícil resolver as coisas desse jeito.

Vários flashbacks voltavam na mente do maior, momentos dolorosos que influenciaram a sua vida para sempre.

― Nem me fale, eu estava prestes a surtar. – Sorriu para o ruivo. Ele conseguia ser bem agradável ― Meu carro deu trabalho? Realmente, me desculpe.

― Não, foi bem tranquilo, foi só trocar o pneu. – Novanic gesticulava para ilustrar a facilidade do momento ― Ah, os meus amigos querem sair com você de novo. - Eles insistiram para que o loiro saísse com eles, segundo eles, as meninas seguiam o rapaz. Ninguém ficaria solteiro com ele perto

― Claro! Eu adorei eles, é chamar. – Connor se mostrava um pouco mais sério que o normal. Nick se mostrava levemente preocupado com aquilo. - Então, eu preciso conversar sobre o carro. Posso entrar?

McJones teria que contar quem foi o culpado por fazer aquilo, não poderia deixar o responsável do ruivinho sem saber dos seus problemas.

Da, pode entrar. A casa está só um pouco bagunçada.

Connor sorriu para o ruivo, entrando na casa em passos duros, pensava na melhor maneira de dizer aquilo.

― Olha, eu preciso conversar sobre o que aconteceu. Eu gostaria que você não ficasse nervoso. – O garoto precisava de ajuda, não de uma punição. Deveria deixar bem claro.

― Só de me falar para não ficar nervoso eu já fico nervoso, pode falar.

― Eu pedi para uma amiga me mostrar as imagens da câmera de segurança do bar. Queria descobrir quem foi que fez aquilo com o meu carro.

― Sim? – O cheiro de problema estava sendo exalado no ar.

― Veja por si só. – Connor se sentou ao lado do ruivo no sofá de três lugares, cruzando as pernas. Novanic retirou o seu colar com um pingente de cruz e enrolou nos seus dedos. Estava se preparando.

Connor pegou o seu celular e abriu a galeria, procurando o vídeo das câmeras de segurança. O soldado estava apreensivo, odiava mistérios sobre algum assunto.

McJones suspirou pesadamente enquanto apertava seus olhos e entregou o celular ao maior, que prestava atenção nas imagens. Tudo parecia normal, o movimento da entrada estava normal.

Alguns minutos se passaram até uma conhecida figura de cabelos avermelhados aparecer com alguns amigos, era Klavier. O garoto segurava o canivete que era de seu pai, foi se aproximando do carro do loiro e fez sinal para os amigos. Se posicionou e furou os pneus traseiros da BMW, estava se preparando para pegar um pedaço de madeira para destruir o resto carro. Um amigo negro o segurou pelo ombro e apontou para o carro do soldado. Klavier saiu correndo, segurando um cigarro de maconha

― Eu... Não sei o que te falar. – Novanic estava chocado, apertava o celular contra os dedos, um ódio começava a surgir dentro dele.

― Seu irmão está com problemas de personalidade e se não fosse o meu carro? Ele precisa de ajuda urgente, não é mais uma questão de serviço comunitário, é de psiquiatra.

― Me desculpe.

Novanic se sentia idiota por ter se sentido mal por aquele ingrato, deveria ter destruído a cara daquele moleque quando teve chance. Bouvier estava errado, nunca foi culpa sua, a culpa era apenas daquele garoto. Ele sabe muito bem distinguir o certo errado.

― Não se desculpe. Eu gostaria apenas que você soubesse.

― Serio mesmo, estou envergonhado. Eu me afastei dele, deixei ele de lado, não sei o que fazer.

― Deve ser difícil, mas essa não é a hora de abandona-lo, ele precisa de ajuda.

Quem diria, seu irmão precisava de um psiquiatra. Por mais que ele não estivesse certo, Novanic pensava que aquilo era falta de vergonha na cara, aquele menino foi muito mimado.

― Sim. Eu estava pensando nisso agora mesmo, fiz algo errado. Não é possível.

― Não acredito que a culpa foi sua, mas tente ajudá-lo a lidar com isso. Quanto que ficou o conserto?

Ah, Novanic iria ajudar o garoto. Se aquele pirralho voltasse para a casa, ele estava fodido. O soldado faria questão de arrastar o garoto no dia seguinte, seria obrigado a pedir desculpas.

― Não se preocupe com isso, eu paguei só o transporte, eu já tinha o pneu novo.

― Que isso, eu faço questão de pagar.

― Claro que não, foi o meu irmão que fez isso. Fica por minha conta.

Novanic massageou as suas têmporas após entregar o celular para o loiro, apertou lentamente o seu olho ainda um pouco vermelho. Ele se sentia traído, como aquele moleque fez aquilo com o homem que mais o ajudou? Será que Klavier voltou para a casa e viu o carro? Será que a Katherine contou? Não queria acreditar na segunda opção.

Connor percebia que era um momento de o russo ficar sozinho, deveria refletir sobre a melhor solução. O loiro deu um sorriso triste para ele, mostrava que não se preocupava e não iria mais atrás do garoto. Colocou a mão esquerda nas costas do maior, tentava mostrar um pouco de apoio.

― Vamos buscar o seu carro? Minha irmã ficou apaixonada com ele.

― Que legal, garotas adoram conversíveis.

O soldado se levantou e pegou a chave do carro, guiando Connor até a entrada interna na garagem. O conversível era o último carro da fila de três carros, a garagem era extremamente espaçosa, cabia também duas motos que estavam encostadas na parede esquerda, uma Indian Scout 2015 preta e a uma Kawasaki Ninja ZX-14 vermelha. Uma coisa era certa, os russos tinham dinheiro. Como ele conseguiu aquilo tudo com o exército? Deve ter sido herança.

O carro estava em perfeito estado, os pneus eram de ótima qualidade. O soldado era muito caprichoso com carros, conserta-los era quase um hobby.

Os dois conversaram um pouco, infelizmente, Connor tinha problemas para resolver. O loiro entrou no carro e agradeceu o ruivo por todo o auxílio que lhe foi dado, marcando para os amigos saírem novamente. Era o início de uma amizade.

Novanic observou o loiro sair com o carro em alta velocidade, que belo exemplo de policial.

O soldado voltou para a casa, iria tomar um banho, não iria pensar nos seus irmãos naquele momento, tinha mercadorias para cuidar, afinal ele iria o visitar naquela noite.

 

 

09:02 PM – Casa dos Schenvisky, Green Hills

 

 

O som de “Great balls of fire” de Jerry Lee Lewis ecoava por toda a sala de estar, Novanic amava o rock antigo, o lembrava da sua época de rebelde, quando usava um esplêndido topete com uma jaqueta de couro. Era uma ótima época.

O russo balançava a cabeça e os pés ao ritmo da música. Apenas o lustre de cristais iluminava aquele cômodo preenchido pela grande quantidade de fumaça do charuto cubano que estava no cinzeiro, localizado na mesinha de centro. As cortinas estavam fechadas, ninguém veria o que estava acontecendo lá dentro.

Novanic estava com a mesma roupa do meio do dia, exceto pela regata branca que marcava aqueles músculos enormes e bem desenvolvidos, amava a sensação do ar gelado contra a sua pele tatuada. Como estava sozinho, não se importava de mostrar a recém feita mordida de cachorro, estava a sua própria vontade.

Tomou mais gole do Whisky Johnnie Walker Blue Baccarat direto do bico. Não poupava dinheiro quando se tratava de bebidas, escondia cada garrafa em lugares diferentes, eram caros demais para serem desperdiçados.

Novanic se mostrava calmo enquanto desmontava e limpava suas armas com um pano branco, deveria cuidar muito bem das suas garotas. Aquilo sim era amor verdadeiro.

Não deixava de pensar no rumo que a sua vida estava tomando, qual era o significado daquilo tudo? Havia cometido tantos erros por nada? Eliminou tais pensamentos, estava na hora do Ivan Moglievich lhe ligar.

Precisava de mais informações, não poderia continuar com o seu objetivo daquela maneira.

Seu telefone tocou pontualmente, falando no demônio. Descarregou a sua desert eagle .50, a colocando no braço do sofá. Olhou para o número desconhecido na tela do seu celular de trabalho e não conteve um sorriso ao atende-lo.

― Sempre pontual, não é Ivan?

― Eu não quero desapontar o meu afilhado.

― Há ha. Alguma novidade?

― Lembra do que eu te falei? Dos federais americanos?

― Sim.

― Eles estão com novos agentes.

― Já descobriu quem é?

― Não, e pode ser que demore anos. Não são os agentes tradicionais.

― Devo me preocupar?

― Creio que não, mas seja cuidadoso. Como sempre.

Ele virá aqui a noite. Tem algum palpite do motivo?

― Ele vai te oferecer anéis.

― Ótimo, tudo o que eu precisava. Conversou com a embaixada?

― Eles estão com um pé atrás, é muito arriscado. Os americanos estão de olho nas fronteiras.

― O que eu devo fazer? Como vou atravessar as Rosas? Vou ligar para os meus contatos na Task.

― Não se preocupe com isso, eu resolvo. Foque apenas no seu objetivo e lembre-se, nunca se sabe quem está observando.

― Acha que aquele federal vai voltar? O Inspetor?

― Qual?

― Não sei o nome, apenas escutei algumas conversas bem de longe, estavam aflitos.

― Vou procurar saber mais sobre isso. Obrigado pela informação.

― E se ele quiser prazos?

― Enrole, você é o único capaz de fazer o que ele quer.

― Sim. Ele está chegando. Balychóye spasíba, Camarada.

Udachi, Mal’chik. Svidaniya!

Da, Svidaniya!

O russo desligou o telefone ao ver aqueles carros pretos importados estacionarem na sua porta. O homem de olhos cinzas e cabelo mais preto que o céu noturno desceu do carro, ostentando sua cicatriz no maxilar e seus 1,80 de altura. Vitaly Kirilenko era o seu nome. O líder da Vory V Zakone, a máfia russa.

Era hora de o soldado receber os seus malditos anéis. Tinha muito o que se fazer.

 

Cinco meses depois.

Continua...


Notas Finais


E então? Mereço comentários? Muito obrigada por ler!
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Yaoi, claro. Prints, músicas e muitas outras coisas.
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Beijinhos.

PS: Comentários realmente me motivam.


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