História Rolwse Academy of Magic ( INTERATIVA) - Capítulo 128


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Categorias Originais
Tags Colegial, Escola, Interativa, Magia
Exibições 40
Palavras 5.475
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Aventura, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Fantasia, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Linguagem Imprópria, Mutilação, Tortura
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 128 - O que foi deixado incompleto


 Olá meus queridos! O capitulo anterior acabou de uma maneira interessante, mas o Altidore vai iniciar esse capitulo de onda paramos? Claro que não... Então não vamos perder tempo e ir logo ao que interessa por que eu quero ver sangue... SANGUE!!!

~Mars~

 Uma sensação tão agradável e nostálgica a preenchia. Era maravilhoso olhar a grande torre tão de perto novamente, cruzar os portões e admirar os jardins e pátios. Apesar de o lugar parecer praticamente intocável, todos os rostos dali eram novos, mas isso já era esperado. Ao menos o uniforme continuava o mesmo e isso trazia uma pequena pontada de saudades.

— Você está sorrindo a toa... — Comentou Wesker.

— E como não estar? Quanto tempo ficaremos aqui?

— Até o Mestre Kenpachi voltar de Letho. Considere a "carona" que eles nos deu de Rorche a Telion um grande favor.

— Cécil e Argo ficarão bem? Eles estão em um país estranho aos dois e completamente sozinhos...

— Não se preocupe, deixei alguém para cuidar dos dois.

 Às vezes Wesker soava calmo até de mais e isso trazia algumas duvidas a mente de Mars. A missão se tratava de uma investigação em Rorche, buscando encontrar traços da atuação do grupo dos mascarados que usavam magia negra, mas agora estavam em Telion, em sua antiga academia. Fora o fato de Argo e Cécil terem ficado sozinhos sem saber de nada. Em um momento Kenpachi apareceu e conversou com Wesker e depois ele enviou tanto o Mestre de cabelos azuis quanto Mars para próximo da White Rose.

— Bem vindo Mão de Deus, Wesker — Cumprimentou uma voz tão familiar que Mars abriu um grande sorriso. "Mestre Brad..." — E bem de volta... Marshall Antonie...

 Não pensou duas vezes e correu para abraçá-lo. Por mais estranho que fosse, ela e Brad nunca foram exatamente próximos, mas agora parecia que ele era um parente antigo que Mars reencontrava após muito tempo.

— Olhe para você. Você cresceu minha garota.

— E você não mudou... Não muito...

— Bondade sua, eu mais velho e isso evidente... — Ele sorriu, mas logo voltou o olhar para Wesker e largou Mars, assumindo um tom mais serio — É um prazer recebê-lo aqui.

— Igualmente — Disse Wesker, selando a frase com um aperto de mãos — Não pretendo ficar muito, infelizmente, então, podemos discutir o que deve ser discutido?

— É claro — Brad lançou um rápido olhar para Mars — Ela virá também?

— Só se a Mars desejar.

 Os dois homens a encararam, esperando uma resposta.

— Bem... Mestre Brad, algum dos garotos que estudaram comigo estão aqui? Tim ou Marcos?

— Não. Ambos já se formaram e eu mesmo não os vejo há um bom tempo. Creio que você não vá encontrar nenhum de seus velhos amigos andando por aqui.

— Eu entendo... — Ela ficou um pouco decepcionada, espera reencontrar seus amigos — Então acho que irei acompanhá-los, não é divertido apenas rever paredes...

 Brad assentiu e assim tomou a frente guiando pelo caminho até sua sala. Bem, na verdade, Mars conhecia bem o caminho, incontáveis vezes ela tivera que ir até lá por mal comportamento e as constantes investidas de James tentando provar que ela era uma menina. Por mais estranha que essa época fora, também fora divertida.

 A sala de Brad também continuava a mesa, ele realmente era rígido com seus padrões e não havia mudado nada. Como sempre, ele tomou acento em sua cadeira e sinalizou para seus convidados sentarem nas outras mais a frente, de modo que pudessem conversar.

— Diga o que quer Edward Wesker — Iniciou Brad de um modo bem rude.

— Estamos em guerra... E nosso inimigo é esperto...

— Seu inimigo — Corrigiu interrompendo Wesker — Não de Telion...

— Engana-se ao pensar que aquele homem é apenas inimigo de Letho. Ele é inimigo de todo o mundo e precisamos pará-lo.

 Mars apenas observou calada, agora ela deseja não ter entrado para ouvir essa conversa. Brad riu secamente.

— Ora, "precisamos"? O que é isso? Um pedido de ajuda vindo de Letho? Logo de vocês, que possuem a arqui-maga mais poderosa e convencida de todos os continentes...

— É a própria Merlin que deseja pedir ajuda, do contrario eu não estaria aqui. Se ela acredita que possa perder então todos deveriam estar preocupados.

— E o que você acha, Mão de Deus?

— O que eu acho? Honestamente, não acredito que esse inimigo seja capaz de derrotar a Merlin, por mais forte que ele seja...

— Então você já tem minha resposta. Apenas me fez perder tempo hoje. Não vou conversar com o conselho de Telion pedindo que ele apóie Letho em um guerra que iniciou-se em seu país e é de responsabilidade de seu conselho pará-la. Vá tentar com Rorche que sofreu mais ataques desses usuários de magia negra. Creio que não temos mais nada para discutir...

— Bem como eu pensei... — Wesker levantou-se — Obrigado pelo seu tempo...

 Ficou bem evidente que os dois homens não se gostavam, mas não era nada pessoal, afinal parecia ser a primeira vez que se encontravam. A disputa na verdade vinha por conta dos continentes e também por conta de Merlin. Mars não pode deixar de notar a forma agressiva com a qual Brad falou  da arqui-maga.

— Estou indo Mars. Se quiser ficar e matar a saudade de algo, faça. Irei lhe esperar no portão.

— Não precisa Mestre Wesker... Só preciso dar uma palavrinha com o Mestre Brad, portanto, já lhe acompanho.

— Ok... — Disse Wesker deixando a sala.

— O que você quer Mars? Me convencer?

— Talvez... — Ela suspirou. Brad não tinha mudado mesmo. Era exatamente como quando ele a ajudou, permitindo que ela estudasse na White Rose, porem da mesma forma a expulsou. Brad era um homem rígido e frio no fim das contas — Eu posso entender os conflitos políticos entre os governos dos continentes...

— Pode? Letho é o único continente a permitir um Conselho de magia controlando um país inteiro. Esses seus lideres, eles se acham muito espertos e poderosos. Pois bem, que usem isso para resolver os próprios problemas.

— Mestre... Não se trata mais apenas de disputas políticas... Eu conheço pessoas que perderam tudo por causa desse novo vilão — A frase até soou um pouco idiota para Mars, falando sobre vilões, mas é que ela não encontrou outra maneira de dizê-lo — É como o Mestre Wesker disse... Se Merlin está pedindo ajuda...

— Merlin? Até onde eu sei foram os Merlin que iniciaram isso tudo, apesar de que isso é uma informação sigilosa em seu continente... Bem, não acredito que você conheça a Alister Merlin tão bem quanto pensa...

— E quem conhece? O Senhor que jamais a viu? — Revidou em tom de desafio — Eu vivi aqui com você em sua academia, do mesmo modo que vivi na Rolwse. Aqui, na White Rose, eu ganhei amigos e me orgulho de cada um deles, também não estou querendo ser ingrata, pois foi o Senhor que me deu a oportunidade de crescer... O Senhor e minha avó... Mas, na Rolwse eu ganhei algo a mais, uma família. E posso dizer com certeza, eu conheço cada um deles tão bem e mesmo que eu não conheça tudo, o pouco que eu sei é o suficiente.

— Tenho certeza que é — Ele disse em um tom de desdém.

— Se Tim ou Marcos aparecerem diga que eu estive aqui e sinto saudades de ambos. Adeus... Mestre...

— Adeus... Mars...

 

~Lys~

 O vento estava um pouco forte, mas isso era bom. Lys não fazia ideia do porque estava ali novamente, bem onde tudo havia acontecido. Alain havia parado um pouco mais a frente e continuou calado por um longo momento, apenas respirando calmamente.

— Sobre o que quer conversar? — Perguntou Lys quebrando o silencio.

— Desculpe minha jovem... Acabei me distraindo com o vento — Ele suspirou — Está maravilhoso hoje. Mas, vamos ao que viemos fazer aqui. Eu sei sobre seu semblante e imagino que ele seja uma fonte muito útil para conseguir informações...

— Talvez... Depende da informação...

— Direta... Bem, eu quero saber que informações vocês deram para aquele mestre de magia negra...

— Nenhuma.

— Nenhuma? — Alain riu brevemente — Ora minha jovem, você não espera que eu seja tão ingênuo. Não tenha medo, vá em frente, vocês não serão considerados traidores por terem entregado informações sobre pressão...

— Da mesma maneira que aconteceu com a Alanaya?

— Eu não conhecia Alanaya muito bem, nem mesmo participei da corte que a condenou, então não posso opinar sobre o caso dela.

— Isso é tudo que tem a dizer? Eu também não conhecia Alanaya muito bem, mas tenho certeza que se ela fez algo de errado era porque estava sobre pressão, talvez sendo chantageada. Mas vocês não consideraram isso, consideraram?

— Hum... Eu acredito que todos mereçam sua segunda chance. Esse é o único motivo de eu ainda não ter levado todos daqui para uma prisão, onde o Conselho conseguiria a informação de uma maneira ou de outra. Mas é claro, que o próprio conselho me enviou. Isso porque meus métodos são melhores. Eu trabalho através de diálogos e confiança. Acredito que já existe violência e mais nesse mundo.

 Agora os sentimentos de Alain condiziam com suas palavras. Ele estava calmo e sereno, ainda que parecesse um pouco pensativo. "Celin estava certa sobre ele... Mas...".

— Desculpe... Mas, não dizemos nada relevante que valha a pena ser mencionado...

— Entendo... Tem certeza minha jovem?

 Lys se lembrou do colar que Vayshan usava, o mesmo que ele abriu mão quando tudo aconteceu. "Eu quero ajudar mas... Se eu falar sobre o colar esse cara irá importunar o Vayshan e sua família ainda mais... Eu sei  que ele não é uma pessoa ruim, mas... Isso é algo que o próprio Vayshan deve contar, se ele quiser. Alem disso, eu duvido que Vayshan saiba muito sobre o colar...".

— Sim. Eu não sei sobre nada... E-Eu... Posso ir agora?

— Claro. Agradeço por seu tempo, foi uma conversa agradável. Se precisar de mim ou de conselhos no geral, não tema me procurar.

— Obrigada... Er... Posso fazer uma pergunta para você?

— Sim.

— Disseram que você tem Heterocromia. Isso é verdade?

— Sim e não. Não nasci com Heterocromia, apesar de hoje eu enxergar através de olhos de colorações diferentes.

— Tudo bem... Tchau.

— Até logo minha jovem.

 Lys logo fez seu caminho de volta até a casa dos Merein. Só que a duvida sobre o que Alain falou rodeava sua mente. Aqueles estranhos sentimentos que ele possuía voltaram a aparecer quando ele falou sobre o olho, fora que novos sentimentos apareceram, algo como dor e culpa. "É realmente impossível entendê-lo...".

 Celin parecia não estar mais por ali, devia ter saído para algum lugar e voltaria logo. Bem, Lys não estava mais animada para treinar, nesse momento ela apenas queria descansar um pouco. Tratou de ir tomar um banho, o dia estava bem mais quente que o comum então um pouco de água foi algo muito bem vindo. Enrolou-se na toalha e foi até o quarto onde estavam suas coisas. Vayshan estava lá tambem, afinal era o quarto dele, o garoto parecia tentar dormir, tão cansado que nem sequer se moveu ao Lys abrir a porta, mas ainda sim notou que ela havia entrado.

— Lys? — Ele perguntou sem retirar a cabeça dos travesseiros.

— Oi.

— Ah... Desculpe por isso...

— Isso o que? — Perguntou enquanto vasculhava sua bolsa procurando suas roupas.

— Tudo... Eram para serem férias e estarmos juntos, mas... Tudo saiu do controle e... LYS?!!!

 Em um instante ele agitou-se. Lys conteve a risada.

— O que foi?

— Podia ter avisado que estava sem nada! Eu não teria olhado!

— Mas eu estou de costas para você e alem disso já vesti uma calcinha... Você viu quando eu estava vestindo, não é?

— Eu...

— Sim, você viu.

— Não tem como mentir para você... Mas foi totalmente acidental! Eu juro!

— Não se preocupe com isso, eu não me importo — Ela riu.

— Não se importa? Mas mesmo assim! Não fique fazendo essas coisas!

 Era divertido para Lys ler sentimentos assim. Uma pequena mistura de vergonha, constrangimento e susto, claro que não em doses que podiam fazer mal. Brincar dessa maneira com Vayshan era o mesmo que enganar Arya com coisas simples que ela se recusava a fazer. Podia-se dizer que o melhor era a parte da surpresa e do não saber como reagir. Isso era o que divertia Lys.

— Então peque isso — Lys jogou a toalha para ele.

— O que você... Lys?!

 Ela sentou-se ao lado dele, mas ainda mantendo-se de costas.

— O que?! Você não está vendo nada.

— Mas você ainda está vestindo quase nada!

— Se acalme, não precisa ficar nervoso por causa disso, eu já disse que não me importo. Estamos juntos, não estamos?

— Eu sei... Mas é que...

— Eu só quero ajuda com o cabelo.

— Hã? Como assim?

— Pode secá-lo para mim?

— Por que não disse antes? Eu não preciso da toalha para fazer isso, posso usar minha magia e...

— Na verdade, eu prefiro que você faça com a toalha.

— Hum... Por quê?

— Por favor — Ela forçou a voz para uma mais doce.

— Tudo bem...

 Vayshan era realmente delicado com as coisas que fazia. Suavemente ele fez a toalha deslizar pelos cabelos castanhos de Lys, os secando. Era um pouco mais lento, mas tudo que Lys queria era que ficassem juntos um tempo.

— Você ainda parece um pouco nervoso...

— Não tem como não ficar... Parece que a qualquer momento você vai fazer outra dessas brincadeiras...

— Tipo o que? — Ela perguntou com  uma risada.

— Eu não sei... Nem quero tentar imaginar...

— Tipo me virar e te beijar?

 Vayshan não respondeu, mas Lys sentiu que ele ficou um pouco tentado com a idéia, apesar de ainda estar envergonhado.

— Lá vem você de novo imaginando coisas. Eu já te disso que não são tão grandes.

— Lys... Não comece...

— Vayshan... Por que você fica assim?

— Assim como?

— Envergonhado e um pouco... Com medo...

— Lys, eu te amo, mas... Eu não posso controlar meus sentimentos, então... Tenho medo de acabar pensando ou sentindo algo que não lhe agradece e... Te deixar zangada...

— Só isso?

— Como assim só isso?! É difícil!

— Desculpe... Eu acho que meus poderes são assustadores para os outros e não só para mim...

— Ei. Não foi isso que eu quis dizer...

 No mesmo instante Lys virou-se e o agarrou pelo rosto, o trazendo para peto e o beijando. Vayshan ficou completamente congelado.

— Mas eu não quero que você entenda as coisas de maneira errada Vayshan — Disse Lys ao terminar o beijo, apesar de ainda manter o rosto bem próximo ao dele — Pode sentir o que quiser, eu não me importo e nem sinto vergonha com coisas relacionadas a sexo, isso jamais iria me deixar zangada. Todos esses sentimentos são momentâneos e apesar deles existirem eu consigo sentir outro bem maior, outro que é constante e eu sei que é duradouro, seu amor. Não precisa ter medo, eu jamais pensaria que você está comigo só por causa de algo fútil, eu sei que você me ama e eu te amo também, nada vai mudar isso.

— Lys... O-Obrigado...

— Hum... Acho que você finalmente descobriu o tamanho deles, não é?

— Eu... Não pude evitar olhar... Apesar do momento...

— Tudo bem — Ela sorriu.

— Eu sei... Você não se importa...

— Não mesmo. Nem me importo de fazer outras coisas também...

— Você quer dizer...

— Sim.

— M-Mas...

— Não se preocupe. Não tem ninguém em casa e eu posso sentir quando alguém chegar.

 

~Isaac~

 "Não se preocupe tanto Sol. Foi graças ao Warlick que eu deixei minha arrogância de lado e aprendi ajuda para aqueles que eu amo, então, se quando ele precisar de ajuda também ele irá pedir". Foram essas palavras finais da pequena conversa que ele tivera com Sol, mas agora ela e Warlick já haviam tomado a aeronave de volta a Salander. Por mais que Isaac odiasse admitir, Warlick estava mesmo estranho.

 Nyu também já havia voltado para próximo de sua família, ela parecia bem insistente no assunto, o que não era comum. Não o fato de ela querer encontrar a família,mas sim ela negar com tanta convicção o pedido para que ela ficasse mais um pouco. "Acho que todo mundo está um pouco estranho..." Pensou Isaac.

— Eu terminei... — Disse Sarah deixando a cela — Não sei se consegui convencê-los...

 Após uma breve explicação Isaac pode entender quem era o homem que ele viu quando reencontrou Sarah no castelo. Ele jamais imaginou que seria o assassino que causou tanto tormento a ela durante todos esses anos. Porem, naquele momento em que ele saiu alguém o matou, provavelmente aquele mascarado estranho que Nyu de alguma forma derrotou. Sarah então tomou uma atitude que a fez parecer mais madura e próxima da rainha que ela tanto diz almejar ser. Ela pediu a Isaac para não revelar essa informação a seu pai, porque o assassino por mais que fosse culpado, havia tentado mudar por sua filha, mas o grupo dos mascarados o estava chantageando usando a pequenina. Claro que Sarah ainda o culpava, isso era obvio, e de qualquer maneira o homem havia cometido muito mais crimes no passado, mas era impossível levá-lo a julgamento sem que o Rei descobrisse a verdade e o Rei Crowley não seria bondoso com o assassino de sua esposa. A ultima peça que faltava era convencer os conselheiros acusados de traição a não revelar nada sobre o assassino e era exatamente isso que Sarah tinha acabado de fazer, ou assim Isaac esperava.

— Não se preocupe, eu sei que vai dar certo — Disse passando o braço sobre o ombro dela e começando a caminhar para fora daquele lugar.

— Tudo o que eu posso oferecer a eles são falsas promessas de redução de pena... Mas eu quero ver todos apodrecerem na prisão ou até mesmo serem enforcados!

— Achei que não havia mais enforcamentos há muito tempo...

— Eu sei... Foi só um modo de falar... Ou quase isso... Eu não acredito que aquele imprestável foi morto...

— Eu sei que você o procurou por muito tempo, mas assim foi melhor... Você não sujou suas mãos com vingança. Isso é bom.

— Sim... Mas... A filha dele agora está sozinha... Eu quero ajudá-la, ela não tem culpa alguma pelas coisas em que o pai se envolveu. O problema é como eu vou fazer isso...

— Em momentos assim sei que não é a melhor coisa, mas dinheiro ajuda.

— Esse é o problema, inventar uma desculpa para que meu pai ceda dinheiro para essa garota. Ele não simplesmente liberar algo por eu pedir. E ainda tem a chance dos conselheiros usarem a chantagem que eu fiz contra mim, se chegar aos ouvidos do meu pai ele irá querer saber por que eu estava negociando com as pessoas que mataram minha mãe...

— Só diga que é mentira. Seu pai vai acreditar em você.

— Estranho, não é? — Sarah deu um pequeno sorriso — Quando ele estava sempre brigando comigo eu fazia questão de dizer a verdade e irritá-lo, mas agora que estamos nos dando bem eu tenho que mentir para manter as coisas assim.

— Ao menos agora estamos juntos de verdade e com a aprovação de todos...

— "Aprovação".

— Não complique as coisas. Ele nos deu um voto de confiança então vamos aproveitá-lo.

— Desculpe por ele ter feito tudo isso sozinho...

— Você fala sobre o casamento?

— Sim. Parece que tudo está acontecendo muito rápido e...

— Ei. Isso importa? Iríamos nos casar algum dia de qualquer maneira, então não vejo problemas em isso acontecer mais cedo que o esperado.

 Apesar de Isaac estar dizendo isso, também fora uma surpresa quando o Rei anunciou que o casamento seria em duas semanas, abrindo espaço apenas para que os convidados pudessem se preparar para a cerimônia. O porquê de ele estar apresando as coisas era confuso, talvez ele estivesse fazendo isso por que inevitavelmente esse período de "aceitação" passasse e ele mesmo dificultaria as coisas depois.

— Você aceita tudo muito rápido.

— Se for por você, sim.

— Mestre Sarah — Chamou Sharon — Está tudo pronto.

— Obrigada Sharon. Vamos Isaac?

— É claro.

 Um dos bondinhos fora reservado especialmente para os dois e assim cruzaram a cidade até um lado mais afastado. Sarah estava visivelmente nervosa e não largou a mão de Isaac por um segundo, mantendo um forte aperto. Agora Isaac percebia o quão difícil isso era para ela. Quando o bondinho parou ainda tiveram que andar um pouco, mas logo estavam onde queriam.

— Eu ia pedir para você vir apenas até o portão, mas... Pode entrar comigo?

— Claro meu amor.

— Obrigada — Ela agradeceu e respirou fundo.

 Os passos de Sarah diminuíram assim que ela entrou no cemitério. Ela parecia que iria parar a qualquer momento. Sua mão tremia e ela tentava conter as lagrimas, mais algumas ainda escapavam, essas Isaac gentilmente limpava do rosto dela.

— Eu não consigo... Eu não consigo — Sarah virou-se a abraçou Isaac — Eu achei que conseguiria, mas... Eu não consigo...

— Sarah... Não é hora de desistir agora...

— Mas eu me sinto horrível... Eu não sei o que fazer...

— Eu não vou te deixar ir embora agora. Quer que eu te carregue até lá?

— S-Sim... Por favor...

 Ele a pegou nos braços e Sarah se agarrou a ele enquanto chorava. Não havia motivos para ir muito rápido, então Isaac preferiu ir de maneira lenta para não assustar Sarah. Com o tempo ela foi lentamente contendo o próprio choro. Isaac apenas sabia que o tumulo que iriam visitar se encontrava no centro do lugar, então foi para lá que ele seguiu, já estava perto quando...

— Isaac... Pare por favor...

— Sarah, você não...

— Eu quero descer... Eu disse a mim mesma que iria ser a Rainha forte que minha mãe era, então eu ao menos tenho de ir vê-la andando com minhas próprias pernas, ou do contrario eu não me sentirei digna... Obrigada por te me trazido até aqui, mas eu preciso fazer isso...

— Tudo bem.

 Isaac a colocou no chão. Sarah parou por um longo momento e então voltou a andar, não sem segurar a mão dele. Pareceu um caminho bem maior do que de fato era, mas finalmente chegaram ao tumulo.

— Quer que eu te deixe sozinha agora?

— Não — Ela disse de uma forma quase desesperada — Fique...

— Ok. Eu não vou a lugar nenhum.

 O lugar onde o corpo da Rainha Crowley fora enterrado estava coberto de flores, com certeza o Rei fazia questão de manter tudo assim. A pedra erguia-se entre as flores e trazia varias mensagens de amigos próximos e todas pareciam bem sinceras. Na parte mais alta estava a do próprio Rei, gravada em letras maiores, "Jamais irei lhe esquecer ou deixar de amá-la". Eram simples, mas com certeza eram verdadeiras.

— O-Oi... Mãe... — Disse Sarah, tendo de pausar para respirar entre as palavras — D-Descul-pe...E-Eu... Eu... Eu devia... Ter vindo antes... Mas eu não... Eu não consegui... Tenho tantas saudades — Ela se ajoelhou e começou a chorar novamente — D-Desculpe... Des-cul-pe... Eu tenho sido uma idiota todos esses anos... Foi exatamente como... exatamente como a Senhora disse que seria... Eu me tornei igual aquelas garotas que eu desprezava... Eu... Eu briguei com você... Foi a ultima lembrança que lhe dei... uma briga... Isso se tornou uma culpa que eu não consigo carregar mais... Por que toda a vez que eu me lembro da Senhora... Toda vez... Tudo que me vem a cabeça é essa briga... E eu só queria ser forte como você... Você é minha heroína, sempre vai ser... Eu te amo... Tenho tanto a falar mas... Eu queria que você estivesse viva para ouvir... Tudo o que eu fizer agora parecerá inútil de alguma maneira... Desculpe... Acho que eu nunca te honrei como eu queria fazer...  Mas prometo que irei, a partir de agora... Eu também virei mais vezes e trarei flores... Talvez algum dia eu consiga vir aqui por conta própria e ai poderei conversar sobre tudo que eu sinto... Mas por enquanto eu preciso do Isaac aqui... Eu gostaria que a Senhora pudesse conhecê-lo... Vamos nos casar, consegue imaginar? O papai me deixou escolher meu noivo. Isso é bom, não é? Bem... Eu tenho que ir... Obrigada por te existido em minha vida e por todos os momentos maravilhosos que passamos juntas... Eu te amo mãe... Sempre vou amar...

 Sarah levantou-se e virou-se para Isaac. Ele não pensou duas vezes e abriu os braços para recebê-la. Então ela o abraçou.

— Você está bem?

— Sinto que tirei um grande peso de mim... Obrigada... Eu não teria conseguido vir aqui sem você...

— Eu sempre ao seu lado quando você precisar.

— Eu sei... Vamos... Você... Pode me carregar nos braços de novo? Eu mal sinto minhas pernas, acho que eu não consigo andar...

— Você não precisa explicar nada, basta pedir.

 

~Argo~

 Quem diria que Argo encontraria uma inimiga em um lugar tão distante. O pior é que agora tudo fazia sentido, o motivo da missão, o motivo da garota ser a missão. "Mas o Mestre Wesker podia ter me avisado com o que eu estava lidando primeiro...".

— MORRA!!! — Gritou Sue avançando.

 O gigante de armadura azul a volta dela avançou também. Argo logo entendeu como funciona, Sue ficaria sempre no centro da armadura de aura. "Não posso ser atingido, ela é muito forte".  Com um movimento rápido Argo se lançou no ar e para a esquerda, desviando do ataque, mas não da onda de impacto que o soco da armadura de aura causou no chão. Essa onda acabou jogando o garoto para mais longe do que ele pretendia ir. "Eu preciso revidar... Não importa que seja essa garota... Ela usa magia negra, é meu dever pará-la". No mesmo instante ele invocou seu guerreiro dos Relâmpagos. Era um pouco estranho notar como os semblantes dos dois eram ligeiramente parecidos.

— Uma armadura branca... — Por um momento Sue ficou surpresa com a habilidade — Que droga é essa?!

— Eu também fiquei surpreso quando vi seu semblante... — Disse Argo — Acho que somos parecidos em algumas coisas...

— NÃO ME COMPARE A VOCÊ!!! E NÃO PENSE QUE ESSE LIXO VAI SALVA-LO!

 A Armadura branca girou a espada e ficou pronta para o ataque. Então aconteceu algo com o gigante de Sue, aos poucos uma espada surgiu nas mãos dele também. "O que? Ela criou a arma do nada...". A garota avançou, mas não sobre a Armadura branca e sim sobre Argo, que novamente teve de correr para desviar, apesar de sua invocação ter ido para defendê-lo, havia um chance de falha e ele não arriscaria. A Armadura dos Trovões parou Sue e seu gigante e agora eles trocavam golpes, mas a garota não estava concentrada em derrotar o seu inimigo de aura e sim em abrir uma brecha para chegar em Argo. "Ela percebeu? Impossível! No torneio eu venci o Harvey ao enganá-lo... Mas essa garota... Ela percebeu que eu fico mais vulnerável quando uso as armaduras? Impossível! A diferença é praticamente nula com apenas uma em campo...".

— NÃO FUJA!!!

 Sue havia conseguido a abertura que queria, jogando o cavaleiro dos trovões para o lado. Argo logo o retirou de campo e atentou para invocar o cavaleiro da terra, que conseguiu derrubar Sue com um poderoso golpe de seu martelo.

— Entendi — Disse Sue sorrindo — Você removeu a primeira invocação para por uma segunda, então a diferença em seu poder que eu senti é verdadeira. Você fica mais fraco quando invoca. Então, quantas dessas porcarias você consegue invocar? Sete? Nove? Não... Imagino que no máximo seis ou cinco... Sim, esse deve ser o seu limite.

 "Como ela deduziu isso tão rápido?! Ela não é apenas um inimigo furioso atacando sem estratégia... Eu preciso vencer e rápido! Mas  para isso eu preciso atingi-la... Quando meu cavaleiro da terra tentou acertá-la ele acertou a armadura em volta dela. Isso significa que alem de ser seu ataque é também sua defesa... Preciso quebrá-la para poder atingir a Sue... Eu tenho uma idéia".

— Você não viu nada... — Provocou Argo — Acha mesmo que pode se esconder atrás dessa sua armadura?

— Quem está se escondendo? Você... O que?!

 "Ótimo! Eu fui rápido o suficiente!". O cavaleiro do ar estava com suas duas adagas cravadas nas costas da armadura de Sue e a puxava para trás a impedindo de se movimentar. Argo sabia que seus guerreiros mais rápidos também possuíam maior dano que os outros, e estava certo quando julgou que seria o suficiente para adentrar a defesa do inimigo.

— NÃO VAI ME PARAR COM ISSO!!!

 Sue estava pronta para usar os braços e atacar a armadura atrás de si, mas nesse momento os cavaleiros da terra e trovão surgiram do seu lado para impedir os movimentos dos braços de sua armadura. "Esse é um ponto fraco seu... A armadura faz exatamente os mesmo movimentos que você, mas se eu impedir um então estarei impedindo os dois". Era como se os braços da própria Sue estivessem sendo segurados, ela não conseguia movê-los.

— Hora de acabar com isso...

 Atrás de Argo surgiu o cavaleiro do fogo com seu arco e flecha, disparando um ataque direto a armadura, isso fez com que a aura azul que a formava rachasse.

— NÃO VAI ADIANTAR!!! — Brandiu Sue.

 Então veio a ultima parte do plano de Argo. O cavaleiro da água avançou com sua foice, acertando exatamente o lugar onde a flecha de fogo previamente havia causado dano. Esse ataque em conjunto foi o suficiente para quebrar a defesa do oponente ali e Argo, que avançava junto a armadura pode entrar e ter acesso a Sue, a qual ele atacou. Como todas as suas armaduras estavam em campo ele não teria muita força, mas no ultimo instante, quando ele teve certeza de que não havia como ela desviar do golpe, ele retirou todas suas invocações de combate para poder atacar com toda a força. Seu soco fez Sue deixar o chão, ele conseguirá, porem algo estava errado e Argo começou a sentir-se fraco.

— Não tão rápido!

 Mesmo tendo sido atingida, Sue ainda conseguiu segurar o braço de Argo com suas pernas e o puxou junto enquanto ia para longe por causa do golpe dele. Ambos caíram de mal jeito, mas logo a garota levantou, porem Argo não conseguiu fazer o mesmo, sentia-se cada vez mais fraco.

— Belo golpe cretino. Mas você perdeu no momento em que se aproximou e mim. Agora que você está dentro da armadura comigo ela irá sugar sua força.

— Droga... — "Eu perdi... Não considerei isso... Eu achei que poderia vencê-la com um golpe, mas...".

— Você se achar muito especial, não é? ESPECIAL O SUFICIENTE PARA TENTAR ME ENGANAR!!! Agora você vai pagar! MORRA!!!

— SUE!!! — Gritou uma voz rígida.

— Sortudo... — Sue praguejou enquanto desativava seu semblante. Argo não entendeu bem, ela estava prestes a matá-lo e então simplesmente parou — Mestre... — Ela ajoelhou-se — Desculpe...

— O que acha que está fazendo? — Perguntou a voz desconhecida.

Argo conseguiu virar-se, ainda sem conseguir levantar, e assim encarou o Mestre de que Sue falava. Era um velho. Os cabelos brancos lhe batiam próximos a cintura e ele não parecia nada feliz, estava bem claro em seus olhos escuros. "Se ele é mestre dela então... Ele também é um... usuário de magia negra...".

— Não é minha culpa Mestre... — Sue se ajoelhou de tal forma que baixou sua cabeça até o chão em sinal de respeito — Me perdoe, mas... Esse garoto tentou me enganar e me levar para um motel.

— Isso é verdade?

— Sim Mestre!

— A verdade completa ou a verdade que lhe convém?

— Eu... Eu não sei... Eu deduzi isso... Mas é certo! Ele estava me enganando!

— Como você deduziu isso?

— Eu... Bem... Ele não quis me beijar e...

 O velho começou a rir.

— Eu entendo. Você ao menos deu a chance dele se explicar?

— Eu não... Desculpe Mestre...

— Não é a mim que você devia pedir desculpas...

Ela mudou de posição, dessa vez se curvando em frente a Argo.

— Desculpe Argo... — Disse não muito feliz.

"O que está acontecendo aqui?".

— Peço desculpas pelo comportamento de minha aluna. Espero que possa perdoá-la. Argo, não é?

— Er... Então... Eu posso ir embora? — Perguntou Argo.

— Infelizmente você viu mais do que devia e o segredo que Sue deveria esconder foi revelado a você. Então não poderei deixá-lo ir antes de dar um jeito em tudo.

"Eu não consigo me mover. Não faço idéia de onde Wesker esta... Eu vou morrer aqui...".

— Ora, então Wesker estava certo — Uma nova voz surgiu no meio de tudo — Droga... Eu não queria ter que lutar logo agora... A Elisa não está aqui...

 Era um homem, ainda jovem, de cabelos negros e um tanto longos. Parecia um tanto... triste. Argo não fazia a mínima idéia de quem era.

— Você é aquele que observou toda a luta à surdina... Interessante — Disse o Mestre de Sue. Ele não parecia nem um pouco amedrontado com a nova presença.

— Eu poderia estar em casa com minha esposa, mas Wesker me pediu para tomar conta dos garotos... Então, é isso que eu estou fazendo.

"Tomando conta de mim? Eu não vi esse cara fazer nada quando Sue estava prestes a me dar um golpe fatal...”.

— Então você é o guardião do garoto?

— Algo assim... — Ele coçou a cabeça e bocejou — E você é um mestre de magia negra. Isso significa que virá comigo e responderá algumas perguntas.

— E se eu recusar?

— Vou ter que insistir... Vai ser uma droga, mas é meu dever...



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