História Romance Diabolico - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 4.963
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Harem, Lemon, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Violência, Yaoi
Avisos: Estupro, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Ola a todos! Espero que vocês estejam anciosos para ler mais um poquinho de Mizumani ou Akumizu. Para complementar esse novo capítulo, deixarei uma das poesias de Mizu! Provavelmente farei isso de uma rotina. Ou não... Quem sabe?

Fiquem com a poesia.

"Por ti, ficarei mais forte. Sei que ao teu lado, cada luta vale a pena. Por ti, sofrerei, lutarei, chorarei, morrerei e ressuscitarei. Do teu lado, jamais sairei"
- Mizu

Agora, ao capítulo!

Capítulo 7 - Pacto.


Por fim decidimos que iríamos tomar uma ducha. Toda aquela roupa maravilhosa que estávamos vestindo foi arruinada por aquele sangue. Agora que eu parei pra pensar, Halluk nem sequer foi capaz de lutar de igual pra igual com Aku, ele mal pode mostrar sua verdadeira força... Se já não mostrou. Saindo daqueles pensamentos, notei que Aku começou a lentamente se despir, começando por sua camisa que agora era negra.

- Aku... Halluk era fraco? – Observei cada detalhe de seu corpo novamente. Mesmo já te-lo visto completamente nu, era uma cena maravilhosa de se assistir e re-assistir.

- Ele era da classe C, não teria chance contra alguém da classe S, que é minha classe.

- S? – perguntei olhando curioso, tanto nos músculos quanto no assunto.

- Sim, os demônios são classificados por sua força, habilidade e inteligência. – disse agora ele tirando as calças mostrando uma cueca boxer azul. Seu corpo musculoso era chamativo, tirava com facilidade minha concentração e fôlego. Por algum motivo fiquei encarando seu traseiro e o volume maravilhoso da frente. Certamente já estava corado e alguém embaixo dos meus tecidos estava se mostrando impaciente. “Acalme-se Mizu, concentre-se no que ele tem pra dizer.”

- E quais são as classes que existem? – disse mostrando estar interessado, com esforço para ignorar enquanto ele se despia. Aproveitei e fiz o mesmo ficando só de cueca também.

- F, que são diabretes comuns, a única coisa decente que eles fazem é atormentar, porém não são capazes de fazer nada sério. E, são demônios mirins, eles foram F que fizeram um ritual de passagem e venceram numa batalha contra outro diabrete F. D, são demônios que conseguiram causar um pequeno caos no mundo dos mortais e já matou uma grande quantia de seres vivos. Os C, assim como Halluk, são aqueles considerados competentes, aqueles que já dominaram a área da magia negra e puderam realizar o primeiro pacto com os mortais. Já no nível C se pode comandar um exército de demônios nível D. Dai vem os B, esses são os que causaram um grande impacto a sociedade de mortais, matando muitos e realizando atrocidades com magia negra. A mesma coisa no A, a diferença é que eles são muito mais poderosos. Dai chega no nível S, o meu, do qual são os demônios poderosos e incrivelmente respeitados por todo o inferno. Somos conhecidos por força colossal, habilidade impecável, inteligência extrema e sagacidade perfeita. Podemos liderar exércitos poderosos e travar guerras memoráveis. Depois disso vem o nível SS. Demônios importantes e aristocratas, assim como meu pai e Tereza. Demônios SS tem sua função em peculiar, assim como a de Tereza que é reger a tortura, mandar e desmandar a quem pode ou não pode torturar. E a do meu pai que é administrar os pactos e mover o fluxo da magia negra. Acima deles só há um demônio, o único que possui o nível MS.

- Satã? – disse e ele concordou com a cabeça.

- Sim, esse é o nome que os mortais deram a ele. – disse Aku,

- E qual é o nome verdadeiro dele? – perguntei curioso.

- Acredite... – Aku pegou em meus ombros e olhou profundamente em meus olhos com um tom seriamente assustador. – Você não vai querer saber... Pronuncia-lo já é o suficiente pra causar uma catástrofe imensa...

Poderia jurar que ouvi gritos ao fundo de sua voz, gritos de sofrimento. Então eu apenas confirmei com a cabeça que entendi e que não era mais do meu interesse saber o nome verdadeiro de Satã. 

- Mas... Carinhosamente apelidado de chefe por todos os demônios. – disse Aku quebrando o clima se alongando só de boxer. Seus músculos se esticando me fazia entrar em êxtase. Salivei um pouco mas logo voltei meu foco para o assunto.

- Ele deve ser um ídolo pra vocês.

- Nós o respeitamos como chefe e líder. Mas ligamos mais pra cuidar das nossas vidas. – disse ele dando de ombros, sorrido e olhando para o lado com o canto do olho. – Ele é meio chato e literalmente faz da sua vida um inferno se você não está nos conformes dele.

- Piadinha boa, não? – disse virando os olhos, sorrindo.

- O que eu posso fazer? Tudo o que eu disse foi verdade. – riu Aku.

- Ele ouviu isso, não ouviu? – perguntei preocupado.

- Nessas horas ele deve estar dormindo, ou ocupado demais coçando suas bolas para me ouvir. – disse Aku cruzando os braços confiante. Porém ele logo entrou em chamas e eu me assustei. Ele ficou todo chamuscado e sua expressão era de emburrado, ainda de braços cruzado.  – Ou ele pode estar prestando atenção.

Acidentalmente ri com aquilo e ele riu também.

- Ele sabe que eu falo brincando. – disse ele virando os olhos. – Tanto que ele poderia ter me matado. Mas eu sou muito forte e um peão necessário pro joguinho dele.

- Que jogo? – perguntei confuso.

- Você sabe. A “caça ao tesouro”... – disse ele fazendo aspas com os dedos, olhando pra mim. – ... Que todo o inferno resolveu fazer.

- Puxa. Que coisa. – disse cruzando os braços.

- Mas chega de falar disso, vamos logo pro banho. – disse Aku estalando os dedos e a Boxer dele entrou em chamas e se reduziu a cinzas. Assobiei por finalmente ver o corpo completamente nu de Aku. As pernas, o corpo, o abdômen, os braços, as listras, o rosto. Tudo perfeito, sem exceções. Notavelmente eu ainda não me acostumei a tudo aquilo.

- Gostas do que vê meu amor? – perguntou ele colocando as mãos na cintura.

- E como gosto. – disse colocando as mãos na bochecha, corado o suficiente pro meu rosto mudar de cor.

Parando de enrolar também fiquei completamente nu ficando de costas pra Aku, abracei a mim mesmo e olhei para ele sobre meus ombros.

- E você? Também gosta do que vê? – perguntei com uma voz serena emitindo um sorriso.

- Eu seria insano se dissesse que não. – disse ele chegando mais perto me abraçando. Senti seus músculos roçarem contra meu corpo. Era uma sensação ótima. Ele posicionou sua cabeça em minha nuca e respirou profundamente. – Sua personalidade frágil... Me excita.

- Sua força... Me domina. – disse pousando minhas mãos nas dele. Ele lentamente me puxou para o boxe e ligou o registro, fazendo com que uma água morna caísse sobre nossos corpos. Ele beijou minhas costas e foi para bem perto de minha orelha e a beijou.

- Cada centímetro que eu exploro de você, me deixa mais e mais curioso, ansioso, feliz. Diversas coisas que me enlouquecem sobre você. – sussurrou ele lançando arrepios por todo meu corpo.

- A cada toque seu, me deixa cada vez mais atordoado de amor. – disse quase gemendo. Ele conseguia facilmente encontrar pontos fracos em mim.

- Eu gostaria de te-lo em meus braços pra sempre. – disse ele me apertando um pouco mais.

- Eu não vou a lugar nenhum Aku, por mais que eu tivesse um lugar pra ir. Não iria abandoná-lo. – disse me virando e o beijando. Suas mãos que estavam em minhas costas desceram para minha cintura e minhas mãos que abraçavam envolta de seu pescoço escorregaram para os ombros. – Agora, deixe-me ajudar a limpa-lo.

Dito isso limpei seu rosto que tinha varias manchas negras e pouco a pouco ele voltou a ser branco. Seus braços também foram limpados facilmente e novamente já podia ser visto suas listras negras e o pelo branco.

- Assim fica muito melhor. – disse sorrindo olhando em seus olhos raros. Eles sempre brilhavam quando se fixavam em meu olhar.

- Deixe-me limpa-lo também. – ele passou suas grandes patas em meu rosto que estava manchado e ele me limpou facilmente. Ele parou em meus cabelos e me acariciou no couro cabeludo. Em resposta meus olhos se fecharam lentamente e minhas orelhas balançaram. – Eu já te disse que você é a coisa mais adorável que existe nesse mundo?

- Creio que sim. E eu já disse você é lindo? – disse o abraçando novamente.

- Milhares de vezes, a mesma quantia de seu nível de fofura. – disse ele e ele pressionou seu focinho contra minha bochecha.

- Hahaha, isso faz cócegas. – ri enquanto ele passou a me lamber. – Para, seu gato gigante.

- Só paro quando você deixar de ser fofo. – disse ele também rindo.

- Isso é trapaça! Vou jogar sujo também. – fui ao seu pescoço e lambi até chegar a orelha. Tracei com a língua um caminho lambido em seu pelo. Ele me olhou sério.

- ISSO foi golpe sujo. Você é um cervo muito baixo! – disse ele não se segurando e rindo mais.

- Está sugerindo que eu sou pequeno? – perguntei sorrindo.

- Também.

- Ei! – disse colocando as mãos na cintura. Acabamos rindo ainda mais. Por fim ele me deu um beijo em meus lábios e olhou bem fundo nos meus olhos.

- Obrigado Mizu... Por fazer parte da minha vida. Confesso que ela era muito chata e sem cor sem você. Eu senti tanto sua falta. – disse ele me abraçando forte.

- Você... Sentiu? – perguntei confuso. – Mas... Nos conhecemos faz apenas alguns dias.

Aku olhou novamente pra mim com um olhar preocupado, porém sorriu estranhamente.

- D-disse? Há... Hahaha... Que bobo que eu fui. – disse ele rindo, porém eu percebi seu nervosismo. – Acho que eu estou ficando velho.

- Aku... – disse olhando pra ele preocupado também, porém com um tom de tristeza. Sabia que tinha algo em suas palavras que não me confortavam. – ... O que você está escondendo de mim?

- O que? N-não é nada. – disse ele coçando a nuca.

- Não esconda isso de mim. Me diga a verdade!

- Eu... Eu não posso. – disse ele olhando pra baixo.

- Aku. Por favor, você prometeu que iria cuidar de mim. Eu confiei minha vida a você. Como posso confiar algo a alguém que não conheço completamente?

- Por favor, não me faça contar aquilo. – disse ele se abraçando.

- Aku. É sobre mim não é? – disse segurando em seus ombros. – Você sabe que eu não sei nada sobre meu passado, nada sobre meus país...

- Eu te imploro. Esqueça isso. – disse ele olhando pro lado.

- Eu não posso. Você é a única pessoa que pode contar sobre meu passado. Me diga por favor. – disse colocando a mão em seu rosto.

- Eu já disse que não! – gritou ele pegando em minha mão com força e olhando fixamente pra mim com as pupilas finas, porém em seu rosto se estampava sofrimento e desespero. – Eu não quero te perder de novo Mizu... Não me faça te contar sobre aquele dia...

- Aku... Você precisa confiar em mim. Eu quero saber sobre meu passado. Eu preciso.

- Não, você não precisa. Você tem tudo aqui comigo, no presente. O passado só serve pra mostrar as coisas ruins que fizemos. – disse ele derramando algumas lágrimas.

- Não seja assim tão egoísta! – gritei olhando profundamente em seus olhos. Também estava assustado com aquilo. Era assustador não conhecer seu passado. – Eu preciso... Eu preciso saber o que eu era pra saber quem eu vou ser. Nunca poderei viver um futuro feliz sem ter um passado escrito.

- Eu não quero que você vá embora... Eu não quero ficar sozinho de novo. – disse ele pegando na mão que ele apertou e a abraçou. – Eu estou com medo.

- Eu também estou... Mas é algo que eu preciso saber. Eu lhe disse que não iria pra lugar nenhum que não fosse ao seu lado. Você confia em mim não é? – perguntei calmo olhando em seus olhos. Ele pensou e pensou e por fim cedeu.

- Tudo bem, vamos ir para um lugar mais confortável. – disse ele fechando o registro. Nos secamos e saímos do boxe.

Akumani estava com o olhar baixo e preocupado. Eu não sabia se estava fazendo o certo em querer descobrir sobre meu passado, mas tem algo importante nele, algo que eu deveria saber, eu sentia isso. Sem demorar acabamos chegando no quarto de Aku. Nos vestimos e por fim sentamos na cama. Ele pegou em minha mão e a beijou.

- Mizu... Antes de te mostrar, eu quero dizer que. Eu sinto muito. – disse ele tampando o rosto. – Eu conheci seus pais Mizu.

- V-Você os conheceu? – perguntei pasmo e eufórico. Um tanto feliz.

- Sim... Eu fui o... – disse ele já em lágrimas, colocando a mão tá testa e soluçando. Aquilo me encheu com uma nova preocupação gritante. - ... Eu fui o responsável pela morte deles.

Minha mente se chocou contra suas palavras, tudo se tornou um imenso clarão e eu não consegui pensar direito. Meu sorriso eufórico por pensar que poderia conhecer um pouco melhor meus pais foi substituído pela face de espanto que eu obtive quando Aku disse isso.

- C-como assim? – perguntei pasmo e confuso.

- Há muito tempo, numa vila bem longe daqui, eu fui invocado por mortais, mortais tão ruins quanto demônios. Uma família queria que eu e meu exercito destruísse uma vila próxima dali e todos os habitantes dela. Foi uma atrocidade, tudo estava ocorrendo perfeitamente, até eu invadir uma casa onde havia um casal de cervos e um filhote. – disse ele em meio às lágrimas. – Foi aí que eu te vi pela primeira vez. Sua família implorou para que eu te poupasse. Comovido pelo desespero eu aceitei a condição. Meu desejo era poupar toda a família, mas os demônios duvidariam de mim assim que soubessem o que fiz. Me vi obrigado a tomar a vida de seu pai e de sua mãe.

Permaneci em silêncio ouvindo tudo aquilo espantado. Ele olhou para os lados, fungou e finalmente tornou o olhar pra mim. 

- Antes de morrer, eles disseram “obrigado por poupa-lo”. Assim que o peguei em meus braços a primeira coisa que vi foi você dormindo tranquilamente, meu coração se partiu pela atrocidade que fiz. Logo você abriu seus grandes olhos azuis e então olhou para mim. Achando que você ia se assustar ou chorar me preocupei, mas você apenas riu. Transbordando tristeza, olhei para você e sorri. Eu estava tão arrependido, me sentindo tão culpado que naquele momento eu me considerei o pior de todos.

Em lágrimas, Aku estendeu a mão e uma bolha cresceu. Então começou a passar um filme nele, o filme do meu passado. Aku segurava um pequeno cervo enrolado num pano, era eu. Enquanto ele me aninhava nos braços com lágrimas ele tentou estampar um sorriso em seu rosto.

- Com medo dos outros demônios te acharem, corri para a floresta com você nos braços. – tudo o que ele dizia acontecia na bolha. – Então, já bem longe dali, num lugar extremamente seguro. Aninhei você a um arbusto de mirtilo, então você começou a chorar.

- “Shh vai ficar tudo bem. Sinto muito. Espero que um dia você possa me perdoar”. – disse o Akumani da bolha olhando para mim filhote enquanto chorava. Ele passava a mão na esperança de que eu parasse e então parei. Acabei adormecendo.

- Então eu conjurei um selo protetor, um selo que faria com que os demônios não pudessem o ouvir, sentir ou ver. Isso incluía a mim mesmo. – a bolha se desfez e ele olhou pra baixo. – Eu fiquei com tanto medo que o selo falhasse, mas não falhou e durou até você completar seus 18 anos.

Ele segurou minhas mãos e me olhou preocupado ainda.

- Eu te amei desde o primeiro momento em que te vi. Fui incapaz de dizer essa verdade que eu temia tanto que você soubesse, pois pensei que você poderia deixar de me amar. Eu sei que... Não há desculpa no mundo que anule o sentimento de culpa que eu senti por tantos anos.

- ... – permaneci em silencio, pensando, digerindo tudo aquilo. Eu estava atordoado, não sabia o que pensar ou o que fazer. Foi uma escolha minha saber. Ódio, foi o que eu senti primeiro. Minha mente gritava “Ele matou sua família”. Porém eu senti pena, porque ele sofreu tanto, e no fim ele só pode me proteger. Decidi não pensar mais e comecei a agir sem pensar. – Então... Por que você não mentiu para eles e não me matou?

- Eu não fui capaz, você tinha tanta felicidade, tanta luz em seus olhos que eu não aguentaria te ver morrer.

- Mas matou meus país. – disse confuso. 

- Eu não tive escolha. – disse ele agarrando sua cabeça e chorando mais. – Foi uma ordem! Eu seria morto se desacatasse uma ordem.

- Então... Esse selo ele...

- Te protegeu por todos esses anos. Ele te tornou inexistente para os outros demônios, mas assim como eu te disse, um poder tão grande precisaria de um sacrifício ainda maior... Que foi ser incapaz de te ver por todos os anos que correram. Então eu te procurei, sem parar sequer um segundo. Até que finalmente te encontrei ferido, quase sem vida. Fiz de tudo para que você sobrevivesse.

- Então você fez de tudo pra me salvar? – perguntei ainda confuso.

- Sim... E eu me arrependo tanto de tê-los matado. Toda vez que lembro dessa história eu sinto uma culpa tão grande que me afoga em dor. – vi lágrimas de amargor e ódio escorrerem pelo seu rosto.

- Primeiro... Eu devo dizer que estou com muito ódio. Você roubou um tempo que eu poderia ter tido com minha família. Um tempo feliz. E muito provavelmente eu não teria sofrido o tanto que sofri. – disse cheio de fúria, olhando para Aku que não parou de chorar. Ele estava em silêncio mordendo seu lábio inferior. – Porém... Eu sinto tanta pena. Pois com certeza você sofreu muito mais do que eu. Tudo o que aconteceu comigo... Todas as coisas que eu passei. Pensar que você sente culpa de tudo isso e que você carrega consigo e fica remoendo a tanto tempo... Quebra meu coração. 

Disse deixando algumas lágrimas rolarem, funguei e olhei para os lados e por fim olhei novamente para ele com olhar triste.

- Não tinha outro jeito... Não é? – disse deixando as lágrimas rolarem em meu rosto, tentando sorrir por um segundo. Porém só pude ficar com uma feição triste.

- Eu sinto tanto Mizu. Tanto... Meu peito dói, e ele nunca parou de doer. É como se meu coração estivesse sendo apertado por incontáveis anos. – disse ele chorando de forma torturante. Logo ele se ajoelhou na minha frente e colocou a cabeça entre meus joelhos e chorou mais. – Não há o que eu possa fazer pra compensa-lo... Me perdoe...

- Pensando por um ângulo diferente – funguei acariciando sua orelha, ele olhou pra cima com o rosto todo inchado e molhado. – Você foi mandado fazer isso. É muito complicado sentir ódio do assassino ou de quem mandou matar. Decidi não sentir ódio então. Não nesse caso.

- Então você não me perdoa...

- Não Aku, eu te perdoo sim. Você foi obrigado a fazer isso. E você sofreu tanto, tanto quanto eu. – sorri para ele. Ele apenas derramou mais lágrimas então desabou abraçando minha barriga. 

- Mizu... Obrigado... Eu juro que eu queria que isso tivesse terminado de uma maneira melhor, me desculpe. – disse ele chorando compulsivamente.

- Eu sei. – disse também chorando. – É difícil pra mim engolir tudo isso... Mas eu não tenho direito de agir como um monstro.

- Você com certeza deve sentir algum ódio de mim. – disse ele se afastando triste.

- Como eu posso sentir ódio de uma pessoa que me protegeu? – disse sorrindo.

- Mizu...

- Aku.

- Eu te amo tanto. – disse ele segurando minha mão, a analisando e apertando com o polegar e o indicador, como se estivesse fazendo uma massagem.

- Eu sei, eu também te amo. Por confiar em mim, por acreditar em mim, por me amar. Eu só posso lhe oferecer o mesmo. Amor, confiança e crença.

- Obrigado Mizu... Sou muito grato de verdade. – disse ele fungando e enxugando as lágrimas.

- Agora vamos parar de remoer essa história e vamos ficar bem. Ficarmos de mal um com o outro por conta do passado é bobeira. – disse também enxugando minhas lágrima e sorrindo.

- Certo. – disse ele também sorrindo.

- Ah... Aku...

- Sim?

- Talvez tenha algo que você possa fazer por mim. Você pode mostrar pra mim como meus país eram?

- Ah, sim, claro que posso, mas, você tem certeza? – perguntou ele com tom de receio.

- Sim... Quero saber como eles eram. – disse com um sorriso segurando sua mão para conforta-lo. 

- Ok... Aqui vai. – disse ele estalando um dedo e duas colunas de fogo se ergueram e logo delas saíram dois cervos. Meus pais. – O máximo que eu posso fazer é um corpo físico ilusório deles inanimados, como se fossem estátuas de carne. Porém a imagem deles nunca saiu de minha cabeça.

- Então se eu fizer uma pergunta eles não responderão?

- Infelizmente... Não. – disse ele um pouco triste.

- Mesmo assim... Oi, mãe. – disse para a figura sorridente de minha mãe. Uma cerva marrom claro. Seus olhos eram verdes iguais às árvores da floresta. Usava um vestido também verde e seu sorriso era cativante. – Eu arrumei um namorado lindo como você pode ver... Ele... Me trata tão bem, aposto que você ficaria feliz em conhecê-lo.

Me dirigi ao macho ao lado dela que tinha um sorriso elegante e charmoso. Seus olhos eram azuis iguais aos meus e seus pelos eram marrom escuro. Tinha envolta do pescoço um grande tufo de pelos que só o deixava mais charmoso.

- Oi papai. Seu filho cresceu bastante, vê? Tem galhadas grandes e fortes. Se tornou namorado de um tigre, irônico né? Hahaha. – olhei para ele que apenas sorria e deixei algumas lágrimas escorrerem por cima de meu sorriso que logo se entortou e fui obrigado a colocar as mãos no rosto.. – O que eu To fazendo?

Inesperadamente a figura de meu pai me abraçou. Assustado olhei para Akumani que fazia um gesto com a mão triste. Logo percebi e chorei mais ali mesmo.

- Queria tanto que eles pudessem me responder...

- Desculpe. Isso é o máximo que meu poder chega. – disse Aku e logo as figuras desapareceram.

- Tudo bem. Eles eram bonitos não é? – disse um pouco triste, fungando.

- Eles eram lindos, diria que você puxou tudo o que era bom de ambos. – disse ele me abraçando e apertando carinhosamente meu ombro, me confortando.

- Você acha? – perguntei sorrindo enquanto ele enxugava minhas lágrimas.

- Tenho certeza. – respondeu ele com um sorriso.

- Nossa... Como eu to triste. – disse uma voz feminina. Assim que nos viramos vimos Ágata e Claudia paradas na porta. Agata assoava o nariz com um pano enquanto Claudia permanência séria. Até que deu um cascudo na irmã.

- Sua idiota. Não era pra interrompê-los.

- Eu sei, me perdoa, eu não consegui me segurar. – disse Ágata com uma voz de choro, com as mãos na cabeça.

- Posso saber o motivo da presença das duas? – perguntou Akumani se levantando.

- Mais demônios se aproximam senhor! – disse Cláudia se curvando.

- Qual o Ranking deles? – perguntou Akumani cruzando os braços.

- Vários de ranking D, alguns de ranking C e cremos que sete ou dez de ranking B liderados por um A. – disse Cláudia, Akumani suspirou em desprezo.

- Ah... Eliminem todos com extrema brutalidade, não tenham piedade. Ágata, diga a Maria pra ela cuidar da situação lá fora. Já vocês duas vão ficar responsáveis por cuidar daqui dentro. Isso é tudo. – disse ele, as duas se curvaram e desapareceram.

- Tem mais vindo pra cá? – perguntei assustado.

- Sim. E não creio que isso vá acabar com tanta facilidade.

- Então precisamos treinar. Eu preciso aprender a lutar Aku. Eu sei que por enquanto tudo está tranquilo. Mas logo demônios poderosos vão vir atrás de nós. Precisamos agir.

Aku me olhou de cima a baixou então suspirou.

- Estou com um mal pressentimento... Não sei se será uma boa ideia te colocar no campo de batalha.

- Mas isso é necessário. Eu preciso ter comigo o mesmo poder de um demônio.

- Isso é impossível. – disse ele balançando a cabeça.

- Eu também achava impossível ter sobrevivido, mas sobrevivi. Então precisamos tentar isso. Não permitirei que eu seja apenas um peso morto. Precisamos encontrar uma forma de eu fortalecer rapidamente.

Dito isso, uma coluna de fogo negro surgiu do nada. E então Baphomet saiu dela vestindo um manto vermelho e ao que parecia era cerimonial. Tinha outras faixas brancas e douradas. Com ele tinha um cajado esculpido com uma lua branca talhada na ponta e uma negra talhada na base. Ele parou de ante de nós e sorriu.

- Creio que posso ajudar você com isso.

- Não, tem maneiras melhores de se conseguir poder Mizu. – disse Akumani preocupado.

- Mas não de maneira rápida. Tem demônios muito poderosos se aproximando, não podemos esperar. Baphomet, eu preciso de sua ajuda.

- Eu sei e eu posso te dar o poder que você deseja. Porém, o preço é caro. Você será incapaz de morrer e nunca mais poderá ver sua família novamente. Você nunca mais se encontrará com seus pais de novo e terá suas memórias sobre eles totalmente apagadas. Eu irei tomar de você sua vida mortal por completo. Fora a grande porcentagem que você tem de não sobreviver. Tem certeza? – disse ele batendo o cetro e um círculo feito de fogo azul cresceu embaixo de mim, formando-se um ponto de pacto e eu estava no centro.

- Se isso não for feito, eu só serei um peso. Isso dependerá da minha vontade de lutar não é?

- Exatamente. Sobreviver depende da sua vontade e da sua escolha. – disse ele me jogando uma faca.

- Só tenho umas perguntas... Minha alma será tomada? – perguntei olhando para a faca prateada e talhada.

- Não, ela será transformada. Transformada para uma arma incrivelmente poderosa. Pois ela tem um dom que muitos demônios almejam. O dom de exalar vontade. Ela funciona exatamente como um multiplicador de poder.

- O que isso significa?

- Significa que você consegue usar até 1000% do poder que você tiver. É a mesma alma que nosso chefe possui. Uma alma que nasce a cada dez mil anos. Esse tipo de alma não para de evoluir e absorve cada vez mais poder. Eu sei que eu não deveria me interferir, mas isso é um pacto comum. Não estou fazendo nada mais do que meu trabalho aqui. – disse Baphomet sorrindo. – Vai ser divertido ver você usando esse poder contra os 7, mal posso esperar.

- Minha personalidade que eu possuo, irá mudar?

- Talvez sua aparência mude, mas isso poderá ser resolvido com o poder que eu irei lhe dar. Você continuará o mesmo Mizu, só que menos fraco. – disse ele e vi Akumani quase dando um soco nele.

- Se é assim... Então eu aceito a condição. – disse pegando na lâmina da faça, criando coragem para que eu a apertasse.

- Mizu... Eu imploro... Não faça isso. Você não será um peso do jeito que está. Eu não quero que você corra riscos. – disse ele do lado de fora do círculo. Ele estava chorando e quase se curvando. Me aproximei calmamente com um sorriso.

- Aku, eu sei que você tem medo que eu morra. – disse pegando no rosto dele, o alisando e limpando algumas lágrimas que corriam. – Mas, Eu preciso ser forte. Não só por você, mas pra mim também. Quem eu estou querendo provar? Você sabe.

- Mizu. – ele segurou minha mão com tom de choro.

- Preciso que você confie em mim, vai dar tudo certo, meu amor. Eu prometo. Vou sobreviver, custe o que custar... Até minha mortalidade se for necessário. – disse já transbordando de coragem. Confesso que muitas vezes quis morrer. Ter a ideia de que eu nunca mais iria poder morrer era assustadora, um sofrimento eterno e sem fim... Para os que se apegaram aos mortais. Eu nunca tive uma relação fixa com meus país, e duvido que algum dia teria. “Papai, mamãe, espero que vocês estejam bem. Eu nunca mais saberei quem vocês são. Me perdoem por ser egoísta, mas, Akumani já sacrificou muito por mim, está na hora de fazer o mesmo. Então... Não tenho arrependimento algum” pensei comigo mesmo. Então apertei a lâmina e sangue escorreu de minha mão. Uma dor lasciva e irritante correu por minha mão. Aquela sensação horrível de lâmina cortando meu corpo me dava um incômodo gigantesco.

- Foi um prazer fazer negócio com você Mizu. – disse o pai de Aku com um olhar assustador. Porém não me abalei, deveria ser só uma cena ou parte do ritual.

Finalmente o círculo embaixo de mim me envolveu em chamas e eu senti uma dor gritante. Eram como chicotes quentes que me davam uma nova sensação de dor. Sentia meu corpo sendo destruído e reconstruído pouco a pouco, pedaço por pedaço. Era uma dor que corria por todo meu corpo simultaneamente. Eu estava sendo engolido pelas chamas e aquilo era com certeza a pior forma de tortura que existia. De pouco em pouco sentia meus sentidos se perdendo. Porém minha mente se fixou numa só coisa. Eu pensei no Aku sorrindo, ele estava me esperando. “Eu não vou morrer aqui. Não vou dar o gostinho daqueles que me querem o mal de me ver morto e infeliz” pensei comigo mesmo.

- Eu vou sobreviver! Essa dor não é nada comparada a dor de ser inútil! Eu não vou morrer aqui! Eu cheguei muito longe pra desistir! Eu vou sobreviver... EU VOU SOBREVIVER!! – gritei cada vez mais alto, a dor foi só piorando e piorando e por fim ela cessou. Estava em pleno ar e então pousei gentilmente no chão. A dor continuou no meu corpo sem cessar. Me vi incapaz de mover qualquer músculo, apenas consegui abrir os olhos um pouco. Mal falar eu conseguia. Eu apenas pude observar


Notas Finais


Considere minha pessoa como: um cara bastante legal que deixou vocês saberem que Mizu está vivo... Mas Akumani não sabe...

Obrigado por lerem até aqui!
Vejo vocês no próximo capítulo!


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