História Rosacruz - Capítulo 1


Escrita por: ß

Postado
Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, D.O, Kai
Tags ?2concursoexofanfics?, Dtehospital, Kaisoo
Exibições 92
Palavras 2.331
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fluffy, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Universo Alternativo, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Suicídio, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Não quero falar sobre as fics atrasadas, pra não chorar. Faculdade me morrendo. Não sei como consegui tempo pra escrever pro concurso.
Não vou falar muito sobre a história, ou vou estragar toda ela. Mas agradeço muito a mana Quel que me deu umas aulinhas básicas sobre o assunto abordado.
Ah, leiam as notas finais.
Boa leitura <3

Capítulo 1 - Entre a rosa e a cruz


— Pulsação fraca. 50 bpm — Uma voz praticamente gritou a medida que a maca era empurrada pelo corredor do enorme hospital.

— Hemorragia externa contida, mas o paciente perdeu muito sangue. Hipótese de tentativa de suicídio.

— Estamos perdendo ele, Doutor. O coração esta parando. O coração esta parando.

— Para a sala de reanimação agora. Peguem o desfibrilador — Gritou outra vez enquanto empurrava a porta da sala e terminava de colocar as luvas brancas.

— Desfibrilador pronto. 200J. Agora — O corpo desacordado sobre o impacto do choque, subindo e descendo na maca — De novo — E novamente o corpo subiu e desceu — Mais uma vez!

— Ele não esta respondendo, Doutor.

— Mais uma vez!

 

[...]

 

         O garoto estava sentado em uma cama dentre daquele cubículo branco, fitando o ventilador de teto que girava devagar. Os pulsos estavam enfaixados e em seu peito, sentia apenas a frustração eminente de tudo ter dado errado. Um suspiro fraco saiu de sues lábios rosados e secos, queria sair dali, o mais rápido possível.

— Do KyungSoo? — Ouviu seu nome próximo a porta, mas não se deu ao trabalho de virar o corpo. Não queria ver ninguém. Muito menos médicos. Estava cansado deles — Olá, KyungSoo. Sou Kim Jongin. Vim para te ajudar. Podemos conversar?

Mais uma vez o garoto nada respondeu. Fitou mais uma vez o pulso enfaixado e revirou os olhos ao imaginar do que se tratava naquele momento. Obvio que iriam mandar médicos para loucos. Não era isso que o seus pais sempre diziam? Que era um perturbado da cabeça?

— Imagino que não queira falar comigo, então, vou sentar nessa cadeira. No momento em que sentir vontade em me dizer algo, falaremos, tudo bem?

Novamente, nenhuma resposta viera do menino pálido. Os olhos grandes fitavam com total interesse as pás do ventilador no teto, perguntando-se para que ele estava ali, se o lugar, em si, parecia ter um clima ideal. Enfeite, talvez?

Quando perdeu o interesse no ventilador, passou a buscar os detalhes do quarto. Além da cama que estava deitado e do ventilador que olhara por tanto tempo, não existia mais nada. Paredes brancas lhe cercando, uma mesa com uma garrafa de água e a cadeira que agora estava ocupada.

Deveriam já ter passado algumas horas, KyungSoo não tinha ideia já que não havia qualquer relógio no local. O tal médico continuava no seu lugar e o paciente se permitiu olha-lo verdadeiramente pela primeira vez. Tinha a pele morena, bem mais escura que a sua, mas não era um bom referencial já que ele era extremamente pálido. Um sorriso brincava nos lábios carnudos e os olhos traziam um conforto e uma sensação de paz que incomodou momentaneamente o coreano adoentado.

Por que o tal Kim Jongin insistia em estar ali? Não havia outros pacientes para atender? Iria mesmo perder suas horas consigo que demonstrava não querer contato com ninguém, só sair daquele maldito ambiente hospitalar?

— Você não pode me ajudar, Kim Jongin. Desista — Acabou resmugando, voltando a encarar o teto.

— Não posso? Por quê?

— Porque não há nada na minha vida que possa ser ajustada. A não ser que Deus tenha começado a existir, ter pena na minha alma fodida e fazer um milagre.

— Você quer caminhar um pouco?

— Como?

— Caminhar pelo jardim do hospital. Você quer?

— Claro que não. Eu prefiro morrer mofando aqui.

 

[...]

— Onde estamos?

— No Hospital Rosa e Cruz¹

— Esse hospital é...

— Diferente? — O medico completou em seu sorriso harmonioso, fazendo o mais baixo dá de ombros.

— Eu iria dizer cheio. Digo. Há muitas pessoas nesse jardim. São tantos casos sérios assim?

— Viver não é uma tarefa fácil. Nunca foi. Então, acabamos todos aqui, uma vez o outro. Precisamos salvar nossa alma, não é mesmo?

— A minha alma já esta condenada ao inferno.

— Não diga isso, KyungSoo. Todos nós temos uma nova chance. Você tem outra chance. É assim que funcionamos.

— To tendo a nova chance de viver o inferno que minha vida é? Eu realmente dispenso — O moreno riu, ajeitando os próprios fios negros, antes de apontar um dos bancos para que ambos sentassem.

— Esta vendo aquela paciente ali? A de cabelos azuis? — KyungSoo assentiu, fitando a jovem de cabelo azulado, que parecia sorrir para uma criança ali presente — Ela perdeu seu filho. Ele nasceu sem conseguir respirar. Nove meses aguardando para ter seu bebê morto nos braços.

— Mas... Ela ta sorrindo.

— Ela esta vendo uma criança que acabou de perder os pais em um acidente de carro. Ele está órfão... Você consegue me entender?

— Ela vai adotar ele?

— Não sei. Quem sabe? Mas agora eles percebem que eles podem ter novas alternativas. É por isso que estão sorrindo. Nada é tão ruim que não possa ter uma solução.

— Isso pode até se encaixar em alguns casos, mas... Nem todos.

— Esta vendo aquele homem negro? Com varias tatuagens no braço?

— A que esta conversando com a moça de cabelos negros?

— Exatamente. Ele atirou nela num assalto a banco.

— ELE TENTOU MATA-LA? E POR QUÊ??? POR QUE ELES ESTÃO CONVERSANDO?

— Por que, KyungSoo. Ele nunca quis atirar nela. Ele devia muito dinheiro para uma gangue. Pediu dinheiro emprestado para poder comprar remédios para a mãe e não conseguiu pagar. O dono da gangue disse que se ele ajudasse no assalto, estaria livre da dívida e ele aceitou. Só que ele nunca tinha pego uma arma na vida, se assustou com o grito da moça e acabou atirando sem querer.

— Mas ela... Ela está a salvo? E por que ele esta no hospital também?

— Levou tiros da policia. Mas ambos estão a salvo. Todos aqui estão.

— E como... Como salvaram esse homem? O natural é deixar bandido morrer. Digo... Sei da história dele, mas ninguém sabia quando ele chegou, não é? Como salvaram ele?

— Porque somos pessoas, KyungSoo. E queremos salvar pessoas. Não suas histórias. É isso que todo médico precisa fazer. A pessoa que esta em cima da maca é uma vida e o nosso papel, é salva-la.

— E se elas não queriam ser salvas? — Jongin riu mais uma vez, pegando a mão do menor de maneira delicada, passando os dedos sobre o curativo que estava em seu pulso.

— Me diga, porque ao tentar se matar, não se jogou de um prédio de trinta andares? Com certeza teria morrido. Com certeza, não ia ter qualquer salvação...

KyungSoo ficou mudo por alguns instantes. Voltou a olhar a mãe que havia perdido seu filho, brincando com o menino que havia perdido seus pais. Depois, passou a olhar o quase assassino e a quase assassinada. Por seguinte, olhou para tantas pessoas que haviam ali, ora pensativas, ora sorrindo. Quais as histórias delas? O que será que aconteceu para estar naquela parte que Jongin chamou de reabilitação mais cedo?

E ele? Por que ele estava ali? Por que não se jogou de um prédio de trinta andares? Um suspiro acabou escapando de sua boca, porque ele sabia a resposta. No fim, queria se salvo. Não da sua tentativa de suicídio. Não do corte de seus pulsos. Mas da sua vida. Queria ser salvo do inferno em que vivia.

— Por que não me conta o que aconteceu?

— Você não acreditaria em mim. Ninguém acredita. Nunca — Falou enquanto massageava as têmporas por ter que pensar naquele assunto mais uma vez. Estava tão cansado de repetir as mesmas coisas e ser taxado de... Louco.

— Tente. Não estou aqui pra fazer julgamentos. Como eu disse desde o principio, eu quero te ajudar. Todos nós daqui queremos.

— Eu sofro abuso sexual. Há muito tempo. Mas ninguém acredita em mim. Sofro desde os meus doze anos. E eu já falei para meus pais, mas eles falam que é pirraça da minha parte. Em que mundo um homem é estuprado por uma mulher? Sua babá que lhe viu crescer? Além do seus amigos que riem e diz: Nossa, você ta pegando a sua babá gostosa e ta reclamado? Mas eu não queria aquilo. Nunca quis. Eu odeio tudo isso.

— Ninguém te leva a sério por acreditar que impossível uma mulher abusar um garoto? — KyungSoo assentiu, levando a palma da mão não enfaixada para o rosto, limpando as lágrimas grossas que ali rolavam. Respirou fundo, erguendo o rosto para cima e vendo o céu tão límpido, tão bonito... Naquele momento, queria poder ficar ali pra sempre.

— Doutor Jongin. Eu preciso voltar? — Perguntou timidamente, voltando a fitar o moreno por alguns segundos.

— Não. Se não o quiser, não precisa — Explicou calmamente e o menor sorriu. Queria realmente ficar ali pra sempre. Voltar pra sua casa, seria voltar para o inferno — Mas uma pessoa veio lhe visitar quando estava desacordado.

— O Byun.

— Ele surtou enquanto você estava na sala de reanimação. Gritou. Disse que mataria todos os médicos se não lhe acordassem. Que te mataria se não acordasse — KyungSoo riu, imaginando perfeitamente a cena que o melhor amigo deveria ter feito. Por um segundo se sentiu a pior pessoa do mundo. Tentara se matar e sequer pensara na pessoa que só tinha a si — Me conte sobre ele...

— O Byun é o pior melhor amigo do mundo. Foi a primeira pessoa que levou a sério meus abusos. Ele passava a dormir na minha casa quase sempre, só para que nada acontecesse comigo. Ele é idiota. Grita bastante. Faz escândalos por qualquer motivo e eu morro de vergonha na maioria das vezes. Ontem... Ontem ele me contou que estava apaixonado. Chanyeol, o aluno 3º C. O cara é um imbecil. Escroto que nem o Byun. Acho que fariam um bom casal. Mas mesmo o Byun sendo estúpido da forma que é, não tem coragem de ir ao Chanyeol. E eu... Eu prometi que falaria com ele.

— Por que você falaria com alguém tão idiota? Seria suportar ambos juntos sobre sua cabeça, não é?

— Sim, você tem razão Jongin. Mas o Byun sofreu muito, sabe? Ele tem um pai alcoólatra. Bate nele e na mãe dele, o tempo todo. E mesmo que o Baekhyun seja alguém cheio de dentes e alegrias, ele sempre trás melancolia em seus olhos. Mas quando ele falou do Chanyeol... Nossa... Os olhos dele brilharam de verdade. Como se ele estivesse feliz por completo de verdade. Valia a pena.

— O amor vale a pena?

— Acho que sim. Nunca amei, então não sei.

— Se continuar aqui, talvez nunca consiga esse amor. É isso que quer de verdade, Kyung?

— Eu queria ser feliz, Jongin. Queria não ter que ir para aquela casa. Não queria ver aquela mulher. Queria fazer vestibular e passar em música, junto com o Byun e ir para bem longe.

— E o que te impede de fazer isso?

— Medo. Eu acho. Eu poderia enfrentar aquela mulher, não é? Poderia lutar contra tudo isso. Mas sou covarde. Achei que cortar meus pulsos seria mais fácil.

— E agora, o que acha?

— Que não. Que existem muitas coisas além de tudo isso. Muitas coisas além de mim mesmo. Eu quero encontrar alguém como o Byun encontrou o Chanyeol. Alguém que vai me proteger, alguém como...

— Como...

— Como você.

Jongin riu e acariciou os fios bagunçados do paciente. Levantou do banco e estendeu a mão para o pequeno que prontamente pegou. Atravessaram o enorme jardim do hospital e entraram nos corredores calmos do hospital. Sempre calmo demais para um hospital. Andaram e dobraram mais algum, até chegarem em uma enorme porta escrito reanimação. A porta estava fechada, mas era necessário um mísero empurrão, que ela abriria com bastante facilidade.

— Bom, acho que você sabe o que fazer...

— Eu não sei se tento certeza, Jongin.

— Você não tem muito tempo, pequeno.

— Irmão... Preciso findar a vida e entregar alma, se for o caso — Outra voz se fez presente por trás do Jongin. KyungSoo piscou os olhos por alguns segundo e  por fim, realmente  percebeu o que tinha  que  fazer.

— Vai continuar a me proteger, Jongin?  Eu só preciso saber disso.

— Minha alma nasceu para proteger a sua, KyungSoo. Não quero mais ter que vir vê-lo nesse hospital, tudo bem?

— Obrigado por não desistir de mim. Vamos nos encontrar, não é?

— Em algum momento, iremos. Você tem sua decisão?

— Eu vou voltar. Desculpa a demora de entender e perceber o que estava acontecendo. Desculpa por te ver, e não reconhecer mesmo depois de tantas vidas...

— A vida de agora é a que importa, Kyung. Todos têm uma segunda chance. Vá ser feliz.

— Até logo, Jongin.

— Até, KyungSoo.

KyungSoo sorriu por mais uma vez, e por fim, abriu a porta e na mesma leveza que usou para abrir, sumiu por entre as luzes e o barulho.

— Fez um ótimo trabalho Jongin. Fico impressionado com o amor de vocês. Mas acredito que você também precise voltar, afinal de contas, médiuns ainda tem outra vida com que lidar.

— E se eu ficar desacordado por mais algum segundo, vão achar que quem morreu, foi eu. Obrigado por me receber mais uma vez, irmão Emmanuel. Fique em paz.

— Você também, meu querido irmão.

 

[...]

 

— Mais uma vez — A voz cortou o ambiente e o corpo subiu e desceu da maca, mas diferente das outras vezes, os batimentos voltava a ser apitados na pequena máquina ao lado do corpo.

— Conseguimos. Ele voltou.

— Precisamos de sangue e oxigênio. Ele precisa se recuperar. Quando acordar, peça para o médico de plantão examina-lo.

— Sim Doutor.

 

[...]

 

As paredes brancas começavam a incomodar a visão de KyungSoo. A primeira coisa que conseguiu ver com nitidez fora um ventilador de teto branco movendo-se devagar. Não entendia para que o ventilador, o clima era completamente agradável.

Estava distraído ao ponto a não perceber que mãos lhe tocavam, percebendo apenas quando um feixe de luz fora direcionado aos seus olhos. Piscou por algumas vezes, tentando de fato entender o que acontecia. Apenas tinha noção de que estava num hospital pelo soro impregnado na sua veia.

— Olá KyungSoo. Como está se sentindo? Vou te fazer algumas perguntas para que possamos avaliar com você está, tudo bem?  — KyungSoo finalmente olhou para a figura que estava na sua frente e abriu um meio sorriso — Bom, eu sou Doutor Kim J...

— Kim Jongin. Eu sei. Eu voltei por sua causa. 


Notas Finais


¹ No Espiritismo existe um lugar de regeneração cada país tem um nome especifico. Aqui no Brasil tem várias e cada uma com uma especialidade. Exemplo: Tem a Colônia Casa do Escritor, tem uma Colônia de nome Rosa e Cruz habitada por orientais e brasileiros a ponte entre BR e Ásia (pra onde a gente vai).
² Rosa e Cruz. Seria como se Kyung tivesse tendo que escolher entre o dois lados. A rosa a volta pro mundo terreno e a cruz sofrer as consequências de um suicída no umbral.


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