História Roses and Demons: Hells Flower - Capítulo 23


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NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 23 - Arcanita, o Cristal Divino


De volta ao esconderijo, o trio de manipuladores descansava após a árdua batalha contra Predher. Vulcano e Ent tratavam de suas feridas, mas Karin, que não havia comido nada desde o dia anterior, preferiu primeiro devorar a refeição trazida pelas bruxas.
Era a oportunidade que Thomas estava esperando. Com a manipuladora da luz distraída, podia finalmente ter uma conversa particular com o velho e interrogá-lo a respeito do que ele havia dito durante a luta.
-Ent, o que exatamente você quis dizer quando falou que Karin é diferente de nós?
O homem sabia que eventualmente teria de responder a essa pergunta e lamentava o fato de não ter encontrado uma resposta satisfatória até o momento. Havia dito aquelas palavras com certeza absoluta no calor da batalha, mas no fundo elas eram apenas uma aposta, assim como foi seu plano para derrotar Predher. Apesar disso, sua intuição, fruto da extensa experiência desenvolvida após anos lutando, lhe dizia com plena convicção que não estava errado por pensar desta forma.
-Entenda que eu não sou um especialista no assunto, então acho que será mais fácil de explicar se eu der um exemplo.
Vulcano estava claramente confuso com tudo aquilo, mas confiava no velho controlador das plantas. Assim sendo, ouviu com atenção o que ele tinha para dizer.
-Primeiro quero lhe fazer uma pergunta, Thomas. Quanto tempo você demorou para dominar completamente seus poderes depois que os despertou?
-Não me lembro muito bem, mas não demorou mais do que alguns meses. Provavelmente meio ano, no máximo.
-Muito bem, e o quanto você diria que sua habilidade mudou em comparação a dois anos e meio atrás, quando foi aceito formalmente como membro da ordem?
-É difícil dizer, já que eu não tinha um preparo psicológico muito bom no início. Por causa disso eu não conseguia usar meus poderes direito em momentos de tensão. Mas, depois que me acostumei, não percebi nenhuma diferença significativa.
-O que era de se esperar, visto que aconteceu o mesmo com todos os outros membros da ordem. E sabe o que mais temos em comum? Cada um de nós despertou seus poderes já sendo capaz de combinar dois elementos.
-Isso é mesmo verdade?! Não pode ser, é conveniente demais! – Um sentimento profundo de desconfiança começava a criar raízes no coração de Vulcano. Não existia justificativa que explicasse como todos os integrantes da Rosa Branca poderiam ter despertado um potencial tão incomum de manipulação da mesma forma. A menos, é claro, que tivesse sido algo planejado desde o começo.
-Agora veja Karin e os amigos dela. Somente depois de muito tempo e várias batalhas difíceis eles se tornavam capazes de usar um segundo elemento. Batalhas que os forçaram a levar seus poderes ao limite.
-Você está dizendo que eles não teriam se tornado tão fortes assim se não fosse pelas lutas contra a Ordem da Rosa Branca? Contra nós?
-Correto. Além disso, estou certo de que foi difícil para eles dominar até mesmo o uso de um único elemento. Não é o tipo de coisa que poderiam ter feito apenas em questão de alguns meses, como foi o nosso caso.
-Mas o que lhe dá essa certeza?
-Está estampado nos rostos de William, Samantha e Fernand o quanto eles estão acostumados a lutar. Provavelmente já devem ter alguns anos de experiência como manipuladores, mas mesmo assim não foram capazes de derrotar Maya quando lutaram contra ela na Cidade dos Mineradores.
Vulcano acenou afirmativamente. Aurora havia lhe contado a respeito daquela batalha e de como seus adversários se aproveitaram da escuridão para ganhar tempo e derrubar o pilar.
-Foi a mesma coisa com Yasmin. – O velho prosseguiu. – Carbon a conheceu há três anos, na época em que ela ainda estava aprendendo a usar suas habilidades. Mesmo depois de todo esse tempo, só agora ela está começando a alcançar um nível de poder próximo ao nosso.
-Mas então o que significa tudo isso? Como podemos ser tão diferentes assim?
O próprio Ent vinha buscando a resposta para essa pergunta há alguns anos. Graças à sua longa vida, ele pôde conhecer diversos manipuladores e se tornou capaz de enxergar um padrão invisível para os demais membros da ordem. Agora que sabia a razão do isolamento de Chesord, ele sentia que estava perto de desvendar o mistério, mas temia que a verdade por trás da Rosa Branca fosse ainda mais assustadora do que tinha imaginado.
-Eu mesmo não sei o motivo exato, mas se tivesse de arriscar um palpite, diria que é porque nós, guerreiros da ordem, somos manipuladores artificiais.
-Artificiais?! – Se antes Vulcano se sentia confuso, agora estava completamente estarrecido. A afirmação de Ent era algo simplesmente impensável, uma afronta a tudo que se tomava como verdadeiro em relação à manipulação elemental. – O que significa ser um manipulador artificial?!
-Significa que não nascemos com esses poderes, e sim que eles nos foram dados de alguma forma. – O velho fazia um esforço louvável, mantendo-se perfeitamente sério mesmo enquanto dizia palavras que mais pareciam devaneios de uma mente insana. Nunca na história registrada de Chesord, antes ou depois da criação da barreira, se ouviu falar de um manipulador criado desta forma. – Isso explicaria como tantos manipuladores com poderes semelhantes passaram pela ordem no decorrer dos anos.
Vulcano compreendia essa linha de raciocínio, pois era algo que ele próprio havia presenciado. Roger Pyrath, o sucessor de Martin Dedsoyon como Quartzo, possuía exatamente as mesmas habilidades que seu falecido amigo. Ao levar isso em consideração, um detalhe curioso lhe veio à mente.
-Espere um momento. A ordem foi fundada depois do isolamento de Chesord, não foi?
-Será que você está desconfiando da mesma pessoa que eu?
-Vladmir Banemare. – Concluiu Vulcano, dizendo aquele nome com um tom de desprezo. – Não existe outra pessoa que seria capaz de fazer isso.
Então, a conversa simplesmente morreu. Ent já havia dito o bastante e desejava dar algum tempo para que Thomas pudesse absorver tudo aquilo. Contudo, o garoto ainda não estava satisfeito. Com uma voz apenas um pouco mais alta que um sussurro, ele lançou sua última pergunta.
-Ei, Ent. Se nós realmente ganhamos nossos poderes da forma que você disse, então o que nós somos?
-Que pergunta estranha é essa, Thomas? Não é óbvio? Nós somos guerreiros da Rosa Branca. – O tom do controlador das plantas carregava a tranquilidade de um homem que não se deixava abalar com meros detalhes. – Não faz diferença nenhuma como ganhamos esses poderes. O que realmente importa é que o nosso lar está em perigo, e nós precisamos lutar para protegê-lo.
-É mesmo, você tem toda a razão.
Vulcano detestava pensar que pudesse ser algum tipo de experimento do mago diabólico, mas estava preparado para encarar a verdade, por mais angustiante que pudesse ser. Mesmo que a Rosa Branca tivesse surgido pela vontade de Banemare, isso jamais mudaria o significado que gerações de guerreiros corajosos deram a ela. A ordem era um símbolo de esperança para Chesord, e carregar o nome de Vulcano significava que o jovem tinha não só a honra, mas também o dever de lutar por este ideal.

Com a saída de Ent, Karin e Vulcano ficaram sozinhos no recinto. A conversa se estendeu e, antes que percebessem quanto tempo havia passado, o velho já havia retornado, desta vez na companhia de Madame Papillon. A bruxa desejava saber o motivo da reunião inesperada e não pôde deixar de notar o saco de linho trazido pela visitante.
-Fiquei sabendo que você tinha assuntos para resolver comigo. Só posso imaginar que algo muito grave aconteceu para você ter se arriscado desse jeito.
-Não foi exatamente algo grave... – A sensação frustrante de estar prestes a ouvir um sermão convidava Karin a escolher suas palavras com cuidado.
-Imagino que tenha a ver com esse saco. – Pressionou Papillon. – O que tem dentro dele?
-C-Couro de demônio.
Aflita, Karin entregou a verdade. Estava preparada para receber uma reprimenda, mas tudo que seus olhos viam nas expressões dos demais presentes era espanto e incredulidade. Ent, ainda abalado pelo choque, foi o primeiro a conseguir esboçar uma reação.
-Couro de demônio? Onde você conseguiu isso?
-Eu mesma tirei. – Desconcertada com a atitude dos outros três, a garota tentou explicar da melhor forma possível. – No começo foi meio difícil, mas com o tempo eu fui pegando prática e-
-Tudo bem, pode deixar os detalhes de lado. – Disse Vulcano, começando a sentir náuseas.
-O que exatamente você espera que eu faça com couro de demônio, menina? – A incredulidade no rosto da bruxa deu lugar a uma preocupação profunda.
-Couro de demônio é bem rígido, certo? Eu pensei o seguinte: se com tecido normal, as bruxas do clã da Kate conseguiram criar uma roupa super-resistente para o William, algo feito com um material que já é forte por natureza deve ser ainda mais incrível.
-Deixe-me ver se eu entendi. – Interrompeu Ent, tentando acompanhar a lógica incabível da garota. – Você quer que Madame Papillon faça uma vestimenta de pele de demônio para você se proteger? É isso mesmo?
-É. Afinal de contas, se eu vou lutar contra monstros desse tipo, meu vestidinho laranja não vai durar muito tempo.
-Ah, criança... – A bruxa suspirou, colocando as mãos sobre os ombros da manipuladora. Seu tom era gentil, como o de uma mãe aconselhando a filha. – Eu não posso fazer isso. O corpo todo dessas criaturas é corrompido. Não quero nem imaginar quais seriam as consequências de você usar uma vestimenta assim.
Decepcionada, Karin baixou a cabeça e lentamente se desvencilhou de Papillon, recolhendo em seguida o cajado que havia deixado sobre uma das mesas.
-Desculpa, eu não sabia que era algo tão perigoso. Eu só queria uma proteção para combinar com o cajado novo que o meu mestre me deu...
-Esse cajado... – Papillon correu os olhos pelo cabo do artefato, admirando a linha cristalina que o contornava, terminando numa joia prismática. Já havia visto o mesmo material antes, no antigo cajado que a menina possuía e também nas armas de alguns dos seus aliados, mas agora que o analisava de perto, tinha a estranha impressão de saber exatamente do que se tratava. – Karin, do que é feito esse cristal no seu cajado?
Antes mesmo de obter uma resposta, a mulher pegou o objeto em mãos para poder observá-lo melhor. Surpresa com a súbita curiosidade, Karin fez um esforço mental, tentando buscar o nome em sua memória.
-Como era mesmo? Tenho certeza que meu mestre falou uma vez. – Mesmo sem estar totalmente certa do que dizia, ela resolveu arriscar um chute. – Eu acho que era arcanita, ou algum nome parecido.
-Magnífico. – Os olhos de Madame Papillon reluziam como se ela fosse uma garotinha ao receber um presente. – A arcanita interage com o cabo de galátrio, potencializando o poder elemental sem comprometer a estabilidade. Esse é realmente o trabalho de um gênio.
-O que é arcanita? – Perguntou Ent, certo de que Karin e Vulcano estavam tão perdidos quanto ele próprio. – Eu nunca ouvi falar em algo assim.
-A arcanita é um cristal extremamente raro que consegue absorver as propriedades de outras substâncias quando é exposto a elas por um longo período de tempo. Ele pode se tornar quente como o fogo, rígido como o aço, ou até mesmo adquirir características peculiares como a condução elemental do galátrio. É algo tão maravilhoso que as lendas dizem ter vindo originalmente de Utopia.
-Não me admira que digam isso. – Comentou Vulcano. – Se o que você acabou de dizer é verdade, a qualidade dos objetos feitos usando arcanita deve ser incomparável!
-Ah, mas isso não é tudo. – Um minúsculo sorriso se formou nos lábios de Papillon conforme ela se preparava para revelar o aspecto mais fascinante do mineral lendário. – Ela também possui a capacidade única de absorver e concentrar energias mágicas. Digamos que eu usasse um feitiço de proteção em cristais de arcanita e depois os prendesse num traje feito de pele de demônio. Desta forma, a magia presente nos cristais jamais se esgotaria e seria possível usar o traje sem risco algum.
-Então está decidido! É só eu ir visitar meu mestre e pegar um pouco de arcanita! Aí eu volto e você faz o traje para mim! – Exclamou Karin, exultante com a possibilidade de ter seu desejo realizado.
-Nada disso! – Interveio Ent, tentando impedir que a situação fugisse do controle. – Você pode até ser uma manipuladora poderosa, mas é perigoso demais sair por aí com todos esses demônios à solta! Da última vez você quase morreu!
Karin imediatamente abriu a boca para retrucar, mas não lhe vinham palavras. No fundo, ela sabia que o velho tinha razão e que só causaria mais transtornos se continuasse a agir de forma irresponsável. Mesmo que fosse uma decisão angustiante, não lhe restava outra escolha senão desistir.
-Se o problema é esse, basta eu ir junto com ela, certo? – Vulcano deixou todos espantados, inclusive ele próprio, ao dizer aquilo. Então, antes que começasse a hesitar, rapidamente completou. – Afinal, fomos nós que derrotamos Predher.
-É verdade, mas... – Desta vez era Ent que se via sem argumentos.
-Pessoalmente, estou inclinada a aprovar esta pequena aventura. – Disse a bruxa, sem fazer esforço algum para esconder seu interesse. – Seria um privilégio ter a oportunidade de trabalhar com arcanita pelo menos uma vez na vida.
Ent percebeu que estava vencido. Se até mesmo Madame Papillon tinha se mostrado favorável, discutir dificilmente mudaria a situação a seu favor.
-Tudo bem então, podem ir, mas com uma condição. Se ficar perigoso demais, vocês devem voltar para o esconderijo. Se não for possível obter a arcanita agora, podemos esperar os outros membros da ordem retornarem de suas respectivas missões. Entenderam?
-Sim, senhor! – Responderam Vulcano e Karin em uníssono.



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