História Roses and Demons: Hells Flower - Capítulo 30


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 2.052
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 30 - Parceiros


Furnace, seis anos atrás. Sentada num banco à beira de uma das principais ruas da cidade, uma garota solitária observava as pessoas e carroças em constante trânsito, tentando sem sucesso encontrar algo que pudesse distraí-la. Aqueles que passavam ao seu lado mantinham uma distância respeitosa, pois não se tratava de uma menina qualquer. Apesar da pouca idade, ela trajava um uniforme da Ordem da Rosa Branca. Seu nome era Priscilla Minson, mas agora a conheciam como Viper.
Mesmo com o treinamento concluído e seus dias como escrava tendo se tornado apenas um pesadelo distante, ela raramente expressava alguma emoção além do desgosto ou frustração. O fato de representar um perigo para qualquer pessoa com quem tivesse contato também não ajudava a torná-la mais sociável.
Ainda assim, seu corpo já estava se acostumando às habilidades de manipuladora. Prova disso eram seus cabelos, descendo até a altura dos ombros e levemente arrepiados nas pontas, cuja cor havia se tornado de uma tonalidade esmeralda vívida. Mas, mesmo que tivesse seus poderes sob controle, ela era jovem demais para poder agir sozinha. Fazia-se necessário que outro membro da ordem a supervisionasse.
Priscilla, entretanto, se recusava a confiar em qualquer um que não fosse Ent, tornando suas interações com os demais integrantes da Rosa Branca bastante complicadas. No fim das contas, o único que se mostrou disposto a assumir uma responsabilidade tão sensível foi aquele que, juntamente com Ent, demonstrava o maior senso de dever para com o grupo. Inferno, que à época nem sequer cogitava assumir a posição a de líder, concordou em levar Viper consigo em uma missão encomendada por ninguém menos que Agas Pyrath.
-Desculpe por deixar você esperando.
Uma voz masculina chamou a atenção de Priscilla, fazendo-a virar o rosto para o lado. Carregando um espetinho de carne tostada em cada mão, Inferno havia se aproximado sem que a garota, distraída, percebesse.
-Achei que fosse demorar mais. – Ela retrucou, desinteressada.
-Bom, o general é um homem direto e prático. Inclusive, ele também é muito generoso. Quando ficou sabendo que você não pôde vir junto para o quartel-general por ainda não ter suas credenciais, ele até nos convidou para jantar na sua casa.
-É mesmo? Que legal. – A expressão da garota, porém, não demonstrava o menor sinal de que estivesse animada com a ideia. – E isso aí que você trouxe, é o quê?
-Ah, isso? – Inferno estendeu um dos espetinhos para sua colega. – Eu imaginei que você fosse ficar com fome esperando aqui, então aproveitei para comprar um desses no centro. É um prato muito popular nessa cidade, lombo de ogro tostado.
-As pessoas daqui comem ogro? – Perguntou Viper, observando seu espetinho com desconfiança.
-Você não sabia? A carne de ogro é considerada muito nutritiva. Só não é mais difundida em outras regiões porque eles são raros e difíceis de matar.
-Bom, tanto faz. E a nossa missão, qual é?
-Você leu o dossiê que eu lhe entreguei antes de virmos para cá, certo? – Perguntou o controlador das chamas negras, engolindo a carne de ogro sem a menor cerimônia.
-Não. – Respondeu Viper. – Era importante?
-Claro que era importante! Mas tudo bem, vou resumir a história. Existe um grupo criminoso agindo contra a família Pyrath e recentemente Agas vem solicitando o apoio da Rosa Branca para combatê-los. Agora que ele descobriu onde é o esconderijo desse grupo aqui em Furnace, recebemos uma ordem para capturá-los.
-Quer dizer então que não é para matar? – A garota soou decepcionada.
-Só em último caso. Se você for usar seu veneno, tente maneirar na dose para que fiquem apenas incapacitados.
-Posso até tentar, mas não vou prometer nada, hein?

Desde aquele dia, Viper sempre acompanhou Inferno em suas missões. Como parceira ela se mostrava arredia, mas ao mesmo tempo bastante confiável. Contudo, dois anos depois o controlador das chamas negras foi indicado como líder, e as novas responsabilidades que teve de assumir o forçaram a encerrar a parceria. Embora a amizade entre ambos se mantivesse forte, seu relacionamento passou a ser apenas o de comandante e subordinada.
Viper, que por influência de seu mentor começava até a enxergar a vida com certo otimismo, voltou a assumir uma atitude reservada. Mesmo tendo apenas quinze anos, passou a realizar suas missões sozinha, juntando-se a outros membros somente em raras ocasiões, e sempre a mando do líder. Ainda assim, sua lealdade como guerreira da Rosa Branca era sólida e, mesmo que seu único desejo fosse aproveitar ao máximo o tempo de vida que tinha antes que seu corpo fosse consumido pelo próprio veneno, ela jamais deixaria de lutar pela única família que conheceu.

Pela primeira vez desde sua vinda para Realia, Asudem estava genuinamente espantado. Sua toxina era potente e letal, capaz de se espalhar rapidamente pelo corpo das vítimas e tirar-lhes a vida em questão de meros minutos. Que aquela garota fosse capaz de se erguer mesmo tendo sido injetado com um veneno assim era algo completamente impensável.
-Como você pode estar de pé?! A essa altura já deveria estar morta!
-Foi mal, dona jararaca. – Viper tossiu. Embora seu corpo resistisse aos efeitos nocivos, era difícil para ela respirar. Além disso, seus nervos amortecidos já não respondiam com a mesma facilidade. – Um veneno desses não é nada comparado ao que venha suportando desde quando era criança.
-Mas que surpresa. – Asudem a analisou intensamente. – Parece que você também é uma humana incomum.
O demônio então direcionou seu olhar para o manipulador caído sobre a relva, concluindo o pensamento.
-Mas para o seu azar eu não estou interessado em carregar vocês dois comigo de volta para o castelo. Já que tenho mesmo que escolher, acho que prefiro matar você, sua peste irritante!
-Você pode até tentar. – Na palma de sua mão, Viper começou a moldar uma bolha esverdeada, impregnando as moléculas de água com o veneno nascido de seus poderes das trevas. – Mas agora que está sozinho eu posso atacar à vontade, sem precisar me preocupar com outros inimigos!
Lançada para o alto, a bolha estourou, derramando veneno sobre Asudem. Contudo, a espantosa agilidade do demônio serpentino o permitiu esquivar-se com facilidade, circulando Viper ao fazê-lo. Esta, porém, manteve o adversário sob pressão, criando quatro serpentes sob seu comando, formadas do mesmo líquido venenoso.
-Você não deveria subestimar um demônio.
Os movimentos esguios de Asudem mostrando-se mais velozes do que as serpentes eram capazes de acompanhar. Desvencilhando-se de cada um dos golpes, ele rapidamente cruzou a distância que o separava de Viper e a agarrou pelo pescoço, castigando-a então com um soco no abdômen.
Com a concentração de sua mestra quebrada, as serpentes simplesmente se desfizeram, o líquido que as compunha derramando-se sobre o solo. Mantendo firme o aperto, Asudem pretendia sufocá-la até a morte, deliciando-se com as expressões de sofrimento. Porém, um movimento veloz do braço direito de Viper o obrigou a soltá-la, evitando assim que o golpe de cimitarra lhe decepasse o braço.
Caindo de joelhos sobre o solo, Priscilla tossiu, esfregando a boca com a manga das vestes. Manchas de seu sangue venenoso tingiam o tecido e ela se deteve um momento para observá-las, intrigada. Entretanto, a luta exigia sua atenção, e a garota se viu forçada a esquivar quando Asudem saltou novamente em sua direção.
Inclemente, o demônio continuou atacando, visando atingi-la com seus punhos ou com as presas de suas víboras. Pressionada, Viper estourou uma bolha de veneno diante de si, num movimento realizado mais por reflexo do que de forma intencional. Ainda assim, o inimigo teve de se afastar, escapando dos respingos.
-“Droga, eu não esperava que ele fosse tão difícil de enfrentar mesmo sozinho. Se continuar desse jeito, vou acabar perdendo pelo cansaço.” – Arfando, Priscilla desviou o olhar para a direção do controlador das chamas negras. Ele continuava no mesmo lugar, sem demonstrar qualquer sinal de que despertaria. – “Mas só tem eu aqui para proteger o Inferno. Eu não posso perder essa luta de jeito nenhum.”
Com a promessa feita a Scythe lembrando-a de que não tinha permissão para morrer e seu olhar firme na vitória, Viper decidiu colocar um plano ousado em prática. Estava preparada para o embate definitivo com Asudem.
-Vejo que pretende lutar até o fim. – Sibilou o demônio. – Isso é porque percebeu que não tem como fugir de mim ou você só é burra mesmo?
-Olha, eu honestamente diria que é um pouco dos dois. – Ela gracejou.
-Você não tem salvação mesmo. – Asudem riu. – Não deveria dar um pouco mais de valor à própria vida, humana? Diferente de mim, você não é imortal.
-Pode ter certeza que eu dou valor, e é por isso que pretendo acabar com sua raça aqui, jararaca. Vou voltar viva e aproveitar ao máximo meu tempo aqui, junto com as pessoas que fazem essa minha vida miserável valer a pena!
Viper podia sentir que seus movimentos não estavam mais tão rígidos. Segurando a cimitarra com firmeza, criou duas serpentes, enviando-as adiante. Elas atacavam o demônio pelos lados, enquanto a manipuladora se aproximava para desferir um corte na horizontal.
Percebendo que uma serpente se aproximava por cima e outra por baixo, ambas traçando movimentos em arco, Asudem mergulhou para frente e, apoiando o corpo no solo, tomou impulso para saltar por cima de Priscilla. Com o inimigo atrás de si, ela imediatamente comandou as serpentes para que completassem a volta, agora circulando suas costas.
A chance de realizar um ataque por trás havia sido perdida devido à reação veloz da garota, mas Asudem enxergou uma nova oportunidade quando ela se virou, segurando a cimitarra em riste com ambas as mãos. Ao invés de se esquivar, o demônio agarrou os braços dela, detendo seu avanço. Enquanto as víboras do lado direito prendiam Viper com firmeza, as do lado esquerdo agitavam-se em antecipação ao bote iminente.
-“Ainda não é a hora. Preciso suportar isso mais uma vez.” – Eram os pensamentos da manipuladora.
Presas venenosas se cravaram no ombro, antebraço e em parte das costas de Viper. A toxina praticamente queimava seu corpo por dentro, mas ela resistiu, mantendo-se firme. Finalmente tinha seu inimigo onde queria e, para o total espanto dele, escancarou a própria boca, de onde saltou uma serpente de puro veneno.
Com a face encharcada e gritando de dor, Asudem se debateu, soltando Viper. O veneno, em dose letal, agiu rápido, e em pouco tempo seu corpo já havia se tornado inerte. Satisfeita com o resultado, mas incapaz de continuar em pé, Priscilla também tombou.

Ao lado do cadáver de Asudem estava Viper, desacordada. Talvez até mesmo morta, mas o demônio que lentamente se aproximava não tinha interesse em deixá-la à mercê do destino. Com seu braço direito transformado em uma lâmina de osso levemente curvada, estendida para fora da carne, ele pretendia matá-la pessoalmente.
-Você vai pagar por ter atravessado minha cabeça com uma espada, humana desgraçada! Agora vou fazer o mesmo com você!
Contudo, antes que ele tivesse qualquer chance de feri-la, uma rajada de chamas negras o envolveu, levando-o a uma morte agonizante. Inferno, sem forças para se erguer, rastejou até alcançar Priscilla, encostando a mão no rosto dela. Sentiu um alívio imenso ao constatar que seu corpo continuava quente e, em seguida, cuidadosamente tentou reanimá-la, até que os olhos da garota finalmente se abriram.
-Graças aos deuses, você está viva, Viper! Não se preocupe, eu vou levar você de volta para o esconderijo!
-Vai com calma, quem está todo acabado aqui é você! Eu só estou com um pouco de fadiga depois de uma luta difícil.
Ainda preocupado, mas ciente de que ela tinha razão, Inferno permaneceu calado enquanto a jovem se colocava em pé, para então lhe oferecer a mão e ajudá-lo a levantar também.
-Vamos lá, eu ajudo você, tiozão.
-Mas que falta de respeito com o seu líder. Eu nem sou tão velho assim.
-Talvez, mas você e o Ent são iguaizinhos, farinha do mesmo saco. Claramente isso é sinal de que você está ficando velho.
-Se eu chegar na idade dele com o mesmo vigor, então aceito numa boa.
Os dois riram. Enquanto oferecia apoio para o controlador das chamas, Viper olhou uma única vez na direção de onde havia vindo. Certamente seus companheiros logo chegariam ao esconderijo de Madame Ancara, e talvez tivessem que entrar em combate também.
-“Volte com segurança, Scythe. Eu juro que quando isso tudo acabar você nunca mais vai precisar se sentir sozinha de novo.”



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