História Roses and Demons: Hells Flower - Capítulo 33


Escrita por: ~

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Categorias Originais
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Palavras 1.649
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia
Avisos: Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 33 - Um Lampejo Dourado


Controlada pela vontade de Carbon, uma seta solitária rodopiava pelo ar, deixando uma trilha de fumaça por onde passava, até finalmente atingir certeira o meio da testa de um demônio e desfazer-se em cinzas. Agora com um buraco fumegante em seu crânio, o monstro caiu, juntando-se aos vários outros que também haviam sido mortos pelos guerreiros da Rosa Branca. Ao ver que o último inimigo restante já não se movia mais, o manipulador da fumaça respirou aliviado, dispensando suas armas e puxando um cigarro de dentro de suas vestes.
-Acho que agora podemos ir buscar o Elbio.
-Você não vai acender esse negócio fedorento aqui, vai? – Reclamou Scythe, levemente vergada sobre a foice que agora usava como apoio. Cansada e com suor a ensopar seu manto, ela aos poucos recuperava o fôlego.
-Não seja chata. Eu só queria comemorar essa vitória. – A contragosto, Carbon devolveu o cigarro para o lugar de onde o havia tirado.
-O fato de estarmos os dois vivos já é bom o bastante. – A garota também deixou sua arma desaparecer, endireitando-se. – Acho que a última vez que lutei desse jeito foi quando encarei aquela louca das garras negras.
-Realmente, aquela garota me dá calafrios. – Carbon riu. – Não sei como o tal do William consegue dormir com ela por perto.
Subitamente, o som de algo pontiagudo se arrastando pela superfície de pedra os alcançou. Vindo do salão atrás dos manipuladores, o barulho lentamente se tornava mais nítido. Mais próximo. Nos poucos momentos de que ainda dispunham antes de serem encontrados, Carbon falou a sua aliada com um sussurro.
-Tem mais vindo.
-Quantos desses desgraçados tem aqui? – Devolveu Scythe, exasperada, mas no mesmo tom de voz.
Finalmente, três figuras robustas apareceram no final do corredor. De couro verde, feições reptilianas e braços que mais pareciam lâminas, eles grunhiram, aproximando-se em fila. As protuberâncias pontudas de seus largos corpos raspavam nas paredes.
-Não baixe a guarda, Scythe. Eles parecem perigosos. – Disse Carbon, erguendo ambas as mãos, onde surgiram suas bestas.
-Tudo bem. – Respondeu a garota, reavendo sua foice ao mesmo tempo em que espinhos de osso brotavam do chão abaixo dos inimigos.

Fragmentos prateados se espalharam pelo ar, desfazendo-se em pó. Com sua proteção perfurada, Elbio bateu contra uma das estantes caídas, espalhando ruidosamente a pilha de livros diante dela. Atordoado com o impacto, ele tentava recuperar o foco, mas sua mente insistia em continuar girando.
Enquanto isso, Arloc se aproximava devagar, pisando sobre pedaços de madeira e tomos valiosos sem distinção alguma. Alcançando o rapaz, agarrou-o pelos cabelos e se agachou, observando fundo em seus olhos castanhos. Com um movimento suave, a máscara foi removida, revelando a carne escura e enrugada abaixo, ao mesmo tempo em que o demônio aproximava ainda mais o rosto de Elbio do seu. Prontamente, a boca escancarou-se, e a saliva gosmenta deslizou pelos dentes afiados.
-Como você é mal-educado... – O jovem disse, tossindo.
-Como é? – Perplexo com o comentário, Arloc puxou a cabeça de sua vítima para trás, voltando a encará-la.
-Ficou esse tempo todo falando mal de mim, e agora vem querer me beijar? Você precisa aprender modos urgente...
Antes que o punho de Elbio pudesse alcançar seu peito, o demônio afastou-se de um salto. A pequena lâmina prateada que se estendia do punho do rapaz se desmanchou, e duas gotas de sangue escuro caíram, manchando a capa de um livro.
-Eu não entendo. – Irritou-se Arloc, recolocando sua máscara de maneira apressada. - De onde você tira forças para continuar se mexendo?!
-Não é óbvio? – A expressão de Elbio, antes desdenhosa, encheu-se de desprezo. – Eu só vou parar quando você morrer!
-Você é mesmo um imbecil! Realmente acha que um corpo mortal pode aguentar mais do que o meu?!
Uma saraivada de dardos saltou das mãos de Elbio, enquanto quatro círculos rúnicos surgiam na trajetória desenhada pelo braço de Arloc, cada um disparando um fino raio de energia. Prontamente esquivando dos golpes que os ameaçavam, ambos voltaram a atacar, desta vez com o rapaz arremessando uma lança e o demônio lançando apenas dois raios, um de cada mão. Cruzando-se no ar sem encostar um no outro, os ataques novamente foram evitados.
Elbio começava a se deixar dominar pela impaciência, sentindo que sua reserva de energia estava quase esgotada. Sem se importar mais em economizar as próprias forças, ele elevou-se em direção ao teto com suas asas e, uma vez acima de Arloc, lançou um feixe de correntes para capturá-lo.
Nada perturbado pelas amarras que se aproximavam por todas as direções, o demônio simplesmente liberou uma onda de energia ao redor de si mesmo, triturando-as antes mesmo que pudessem tocá-lo. Elbio, entretanto, já contava com isso e mergulhou em alta velocidade na direção de seu inimigo, levando uma espada em suas mãos.
Aquele seria o último embate, Arloc sabia disso. Bastava suportar o ataque derradeiro do oponente e seria vitorioso. Para tanto, o demônio não economizou forças, juntando as mãos diante de si e criando a barreira mais sólida que era capaz de gerar. O som de vidro chocando-se contra vidro preencheu o ambiente por um instante e, no momento seguinte, Elbio tombava sobre os tomos espalhados, sua arma desaparecendo.
-Eu avisei. – Disse Arloc, dando um passo para trás ao desfazer sua proteção. – O poder da magia vem da própria força vital. Mesmo que a energia que serve de combustível não seja a sua própria, uma hora ele acaba!
O demônio estendeu o braço direito para desferir o golpe final, mas mudou de ideia. Diante do risco de haver mais inimigos por perto, o mais sábio a se fazer no momento era conservar sua energia. Assim, ele colocou Elbio no chão com um chute no rosto e pisoteou-lhe a cabeça, enterrando a face do rapaz no meio de páginas empoeiradas.
-Agora só lhe restaram as suas próprias forças, humano! E só com isso você não tem a menor chance de vencer um demônio como eu!
Elbio tentou resistir, invocar seus poderes de alguma forma, mas a alma de Rina, que sempre ardia com vigor no íntimo de seu ser, já não passava de uma mera faísca. Se tentasse trazer à tona mais energia mágica, só o que conseguiria seria apagar a alma dela para sempre.
Mesmo detestando a ideia de se resignar, não parecia haver mesmo outra alternativa. Como Arloc dissera, apenas sua força como humano não era o bastante para combatê-lo. Por mais doloroso que fosse admitir, dependia do poder mágico de Rina para ter alguma chance de lutar contra quem quer que fosse. Sem isso, não passava de um garoto fracote cuja única característica que o redimia era ser capaz de aguentar uma surra.
Diante da humilhação de não ser capaz sequer de vingar as mulheres que o acolheram, lágrimas escorreram por sua face, misturando-se ao pó para formar uma camada de sujeira. Porém, diante do portão do desespero, Elbio ouviu novamente as palavras cruéis de Arloc ecoando em sua mente. Desta vez, contudo, elas carregavam um significado completamente diferente.
-Em nome do senhor de Hellspire, o que é isso?! – Gritou o demônio enquanto se afastava, cegado pela luz dourada que surgiu de súbito.
Asas translúcidas de ouro ruflavam gentilmente nas costas de Elbio, enquanto ele próprio parecia ser envolvido por uma aura de luz solar. Sem hesitar, ele materializou uma espada feita do mesmo material dourado em suas mãos e avançou, forçando o inimigo a entrar novamente numa posição defensiva. Porém, a barreira prateada de Arloc foi facilmente atravessada pela lâmina, que rasgou o lado de seu torso, fazendo pequenos jatos de sangue jorrarem. Aturdido, o demônio saltou para o lado, tentando entender o que acontecia.
-Não posso acreditar. Isso é magia Airalos?!
Pingos dourados, à semelhança de estrelas, ergueram-se ao redor de Elbio, assumindo então um formato alongado como o de um punhal. Tal qual tormenta, eles se lançaram sobre Arloc, que, acuado, envolveu-se novamente numa proteção mágica circular. Diante da fúria dos golpes que o acometiam, entretanto, o escudo rapidamente começou a trincar.
-“Não pode ser verdade! Além de conseguir usar magia Airanul para lutar, ele pode fazer o mesmo com a Airalos?!” – Indagava o demônio, entrando em pânico. – “Mas por que está usando isso só agora?! Não me diga que...”
O último disparo atingiu a barreira, agora repleta de rachaduras por toda a sua extensão. As asas de Elbio tornavam-se inquietas conforme ele recobria mais uma vez seu punho com poder mágico, e então o jovem se lançou adiante, espatifando o escudo de Arloc com a força de seu soco.
-Seu louco! Está querendo se matar?!
Atingido em cheio no rosto, o demônio tombou para trás enquanto cacos de sua máscara e gotas de sangue saltavam para cima. Sem dar a ele qualquer chance de reagir, Elbio trouxe à realidade uma enorme espada bastarda e a cravou em seu peito, fazendo-o cuspir mais sangue ainda.
-Como ousa... seu maldito...
Num último esforço, Arloc formou seus círculos rúnicos, mas o raio disparado através deles parou no braço resguardado de Elbio, sem lhe causar ferimento algum. Com sua energia findando, ele não era mais capaz de fazer frente ao poder Airalos de seu adversário, mas ainda assim se debatia com violência, tentando de alguma forma se desvencilhar. Um esforço inútil, pois a morte vinha ao seu encontro. Arrancando a espada do peito de Arloc, o rapaz a cravou em seguida no pescoço, finalmente enviando o monstro de volta para Pravus.
-Isso ainda é pouco para alguém como você.
De fato, Elbio lamentava não poder fazer mais para castigar o responsável pela morte de Madame Ancara e tantas outras. Porém, antes que pudesse continuar divagando na própria frustração, ele levou a mão ao peito, enquanto suas asas, sua espada e a proteção que o envolvia se desfaziam. Indo ao chão, foi acometido por espasmos, ao que finalmente duas pessoas vieram ao seu encontro. O alívio de Carbon e Scythe por ver o rapaz vivo logo foi substituído pela preocupação



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