História Royals - Yoonmin - Capítulo 15


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Suga
Tags Bangtan Boys, Bts, Chanyeol, Jimin, Kyungsoo, Min Yoongi, Park Jimin, Suga, Yoongi, Yoonmin
Exibições 98
Palavras 4.639
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Homossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oi gente! Cheguei pra vocês nessa sexta feira com o maior capítulo que eu já escrevi na minha vida inteirinha. Foi um dia todo pra escrever e eu quase que não acabava. Minha sorte é que agora estou de férias – ou pelo menos até o colégio lançar os resultados.
Ah! Só faltam cinco capítulos pra Royals acabar. Isso. Cinco. Tambem estou shook. Ou seja, os capítulos ficarão progressivamente mais longos, pelo fato de estar acabando e agora eu possuo mais tempo pra escrever.
Acho que hoje tudo que eu tenho pra falar pra vocês é isso mesmo.
Boa leitura e vejo vocês nas notas finais!
(Exclui o capitulo apenas pra postar uma notinha. Acabei de saber que o Taehyun saiu do WINNER. Estou mais chateada do que triste – ele era meu bias e tal. Mas, espero que quem faz parte da inner circle – ou só quem curtia o som deles no geral – fique bem. Como eu falei no dia que eles anunciaram que o comeback atrasaria, a vida é uma viagem imensa. Essas coisas acontecem. O importante é não desanimar e continuar apoiando eles, o que quer que aconteça.
Desejo o melhor pra todo mundo. Inclusive pro Taehyun. Espero que ele encontre luz, onde quer que ele esteja.
Amo vocês, gente.
Fiquem bem)

Capítulo 15 - Cego pelo Sol


Fanfic / Fanfiction Royals - Yoonmin - Capítulo 15 - Cego pelo Sol

Na noite lenta e morna, morta noite sem ruído, um menino chora.
O choro atrás da parede, a luz atrás da vidraça
perdem-se na sombra dos passos abafados, das vozes extenuadas.
E no entanto se ouve até o rumor da gota de remédio caindo na colher.

Um menino chora na noite, atrás da parede, atrás da rua,
longe um menino chora, em outra cidade talvez,
talvez em outro mundo.

E vejo a mão que levanta a colher, enquanto a outra sustenta a cabeça
e vejo o fio oleoso que escorre pelo queixo do menino,
escorre pela rua, escorre pela cidade (um fio apenas).
E não há ninguém mais no mundo a não ser esse menino chorando. – “Menino chorando na noite”, Carlos Drummond de Andrade.

 

    Os olhos de Yoongi ardiam devido à luz do sol que invadia as finas cortinas do quarto que ele estava.

    Sua cabeça doía terrivelmente, um resultado esperado da bebedeira inconsequente que ele fizera noite passada. O gosto amargo do vinho vermelho ainda assentava em sua boca, fazendo o ato de engolir saliva se tornar algo nojento, repugnante.

    Yoongi sorriu masoquista em relação às questões que lhe atormentavam.

    Talvez sua saliva fosse um reflexo meramente biológico de seu corpo a respeito da vida que ele andava vivendo. Mas isso era quase impossível, uma vozinha sussurrava tímida dentro de sua cabeça, sendo logo abafada por Yoongi. A voz era doce como a de Jimin, e ele não gostaria de lembrar-se do garoto de cabelos negros tão cedo pela manhã.

    Ou pelo menos ele achava que era.

    A dona do recinto havia sido discreta o suficiente para retirar do quarto todas as garotas que haviam passado a noite com o rei sulista de cabelos dourados.

    Yoongi levantou-se da cama, com dores por toda a extensão de seu corpo. Pegou o lençol da cama desalinhada e cobriu sua cintura enquanto procurava por suas roupas jogadas no chão do quarto. Por alguma razão desconhecida por ele, existia um espelho de tamanho considerável no lado esquerdo do quarto, onde Yoongi podia observar sua figura magra.

    A luz solar irradiava em sua pele pálida, fazendo o branco leitoso parecer quase translúcido. Yoongi riu consigo mesmo, lembrando-se do apelido infantil que Jimin dera a ele quando eram mais jovens. Suga. Apesar de ter um significado doce, a palavra engasgava de um jeito amargo na garganta do mais velho. Os ossos de suas costelas agora estavam mais visíveis que o normal, devido à má alimentação que estava cultivando.

    Para ser sincero, desde que Yoongi havia saído de seu palácio para conhecer sua base militar na costa com Kyungsoo e Chanyeol, suas refeições se resumiam a um copo de vinho durante o período inteiro da manhã e tarde e mais vinho á noite. Ele se sentia enjoado demais para conseguir comer algo sólido, consistente. Algo dentro dele o fazia suspeitar que se comesse comida de verdade seu estômago se contrairia de uma forma insuportável e o faria colocar pra fora a refeição recém-ingerida.

    Por isso ele evitava todo e qualquer contato que tinha com comida. Yoongi temia que a náusea que constantemente afetava seu estômago tornasse difícil para os demais enxerga-lo como um legítimo governante.

    Pegou as roupas de forma desajeitada no chão e foi vestindo as roupas íntimas com uma pressa quase desconhecida. Ele não sabia exatamente por que, mas um fogo queimava dentro de si, gritando de vergonha para que ele saísse o mais rapidamente daquele lugar.

    A verdade era que Yoongi não havia gostado – ou pelo menos ele não conseguia recordar – de ter achado aquela noite boa, nem ao menos prazerosa. As manchas roxas e o cheiro inebriante do quarto não traziam nenhuma lembrança ligeiramente agradável ao garoto. Ele só sentia um nó agoniante, que o impedia de falar – e de pensar com clareza.

    O cheiro de seu corpo invadia suas narinas e o fazia querer vomitar o excesso de vinho da noite passada. Ele havia, pela primeira vez, vivido uma vida de boêmio, a vida que todos esperavam que ele vivesse.

    Por todos os reinos, os passos de um jovem coroado ressonavam conhecidos, como as histórias que sua velha ama o contava quando ele ainda era criança demais para amarrar os próprios sapatos – ou dar um nó em sua gravata. Era praxe – algo esperado e não surpreendia mais nenhum ser vivo.

    Mas Yoongi não fizera nada.

    Ele escapara das festas, das bebedeiras e das garotas em prostíbulos – e não se sentia nenhum pouco envergonhado de não ter feito tudo isso.

    Yoongi costumava bradar sobre ser um rei diferente – em dias melhores, menos aborrecidos. Em dias onde tudo que lhe preocupava era se algum guarda veria ele e Jimin se agarrando nos cantos do palácio. Estes, para Yoongi, seriam os dias que ele guardaria com todo o amor existente em seu coração. Se a felicidade não passasse de um folclore agridoce, dito para enganar camponeses famintos em épocas de escassez, ele ousaria dizer que tinha sido feliz com Jimin naqueles dias, em que somente o Sol gravitava em seus pequenos mundinhos.

    Ah, como eu era tolo, o pensamento cruza sua cabeça e, de repente, a voz que fala não é a sua.

    Yoongi encara-se mais uma vez no espelho, curioso ao olhar o rosto que um dia fora seu. A sensação que lhe acometeu não fora a mesma do dia de sua coroação. Essa era evidente, mais forte, a certeza nítida de que virá uma longa tempestade após um dia inteiro de trovões. Os olhos comprimiam-se desconfiados, o brilho que antes podia se notar tímido não existia mais lá. Seus cabelos loiros, antes tão macios e sedosos, caiam desalinhados e quebradiços. Até mesmo seus lábios não possuíam mais a costumeira coloração rosada. Agora eles estavam esbranquiçados e você poderia enxergar – se chegasse bem perto – finas linhas que só podiam ser entendidas como cortes, onde pequenas fileiras de sangue escorriam periodicamente.

    Realmente, ele estava acabado.

    Olhando para o espelho sujo daquele quarto, ele ia novamente em direção à escuridão tão conhecida. A sensação familiar quase fez um sorriso escapar de sua boca. Yoongi não acreditava que um dia pudesse superá-la de fato, mas agora, ele acreditava que o melhor que podia fazer era aceitar que aquela escuridão existia e vivia dentro dele – espreitando cada ação descontrolada. Ele só podia aceitar e observar ela se mexendo em suas vísceras – enquanto ele a observava, ele estava ciente de sua existência. Estando ciente de sua existência, ela nunca o pegaria com a guarda-baixa.

    Se ele estava ciente daquela escuridão, então ela jamais seria capaz de consumi-lo.

X

    - Quando mandaremos as tropas em direção ao leste? – Kyungsoo perguntou afoito. Yoongi observou cauteloso seus olhos brilhantes e sorriso sofisticamente animado e jurou para si mesmo que quando aquela loucura acabasse, ele iria correr para o mais longe possível do moreno de baixa estatura.

    - E elas estão prontas Soo? – Chanyeol questionou com a voz contida. Ele, assim como Yoongi, sabia quer era humanamente impossível que aqueles garotos magricelos tivessem se transformados em soldados prontos para matar qualquer um que cruzasse seu caminho.

    - Não. – Kyungsoo respondeu com sinceridade. – Mas não podemos nos dar ao luxo de esperar até amanhã.

    - Você tem razão. Psicologicamente, – Yoongi começou, bebericando cuidadosamente um gole do líquido quente e amargo que Chanyeol trouxera para si, para ajudar a amenizar suas dores de cabeça. – Não existe amanhã. O amanhã não é uma realidade porque é uma invenção do pensamento. Kyungsoo está certo. Tudo que temos é o hoje.

    - Muito bem, Francis Bacon. – Chanyeol falou irônico. – Mas agora o que isso tem a ver com nosso problema? Essa guerra não poderá ser resolvida com filosofia.

    - Guerra nenhuma pode ser resolvida com filosofia. – Kyungsoo intrometeu-se. – Guerras são resolvidas com armas e homens. E isso nós possuímos. Ousaria dizer que até em maior quantidade do que o Leste.  Temos que aproveitar o momento, Yoongi. O Leste está desorganizado, sem liderança. Ninguém sabe onde Yixing está.

    - Sim. Separados eles são mais fáceis de serem derrotados do que juntos. Essa é a maior verdade que existe com relação a esse tipo de conflito. – Chanyeol concordou avidamente com Kyungsoo.

    - Eu sei. Tenho total consciência de tudo que vocês estão falando. – Yoongi respondeu sério. – Mas acontece que o Leste é aliado de outras nações. Não somos seus únicos parceiros comerciais.

    - Teme que o Norte interfira na guerra? – Chanyeol perguntou, passando a prestar mais atenção no que o rei dizia.

    - Não sei. Minho não mandaria seus homens para morrer por uma causa que não é sua. Ele não mandaria nortenhos para a guerra por nenhuma razão que não fosse extrema.

    - E qual o problema então?

    - Ele não aprovará. Quando essa guerra estourar, teremos o Norte contra nós.

    - Mas você acabou de dizer que o rei nortenho não mandaria seus homens marcharem contra nossas tropas! – Kyungsoo protestou.

    - Eu disse que não sei. O que é a mais pura verdade. Existem outras nações além do norte, aliás. Aliadas do Leste, que desaprovarão a guerra. Temos que pensar no impacto que o Sul sofrerá em relação a seus aliados depois do conflito. Não podemos simplesmente mandar milhares de jovens para um campo imundo de batalha e esperarmos sair ilesos, com folhas de louro postas sobre nossas cabeças. Além de todos os empecilhos, a população vai se revoltar pela perca de suas crianças. 

     - Você quer dizer que devemos primeiro incitar a população? – Chanyeol perguntou desconfiado.

    - Sim. Se os sulistas passarem a odiar o povo do Leste, esquecerão-se da besteira de apoiar Yixing e mandarão seus filhos para o campo de batalha com felicidade, crentes que eles irão adquirir uma glória que passará por todas as gerações.

    - Não tinha parado para pensar sobre isso.

    - Por isso que Yoongi é o rei. Ele pensa no que nós nem imaginamos. – Kyungsoo falou com um sorriso sarcástico.

    - Mas ainda temos outro problema. – Chanyeol cortou Kyungsoo. – Você mesmo falou sobre as outras nações que não apoiariam a guerra. O que faremos em relação a elas?

    - Não sei. Nenhuma ideia me vem clara no momento.

    - Yoongi. – Kyungsoo chamou-o, o encarando diretamente nos olhos. – Você precisa de algo que faça todas as nações baixarem a cabeça para você, certo? Algo que os faça não se meter no conflito e deixar o Leste ser aniquilado.

    - Basicamente. – Yoongi respondeu.

    - Agora como conseguiremos isso? É praticamente impossível. – Chanyeol reclamou.

    - Não, não é. Temos esse poder na palma de nossas mãos.

    - Sobre o que diabos você está falando, Soo? Diga logo. Não temos tempo para seus joguinhos.

    - Meu deus, pensem por um segundo. Qual a única coisa que faria Minho, o grande rei do Norte, virar as costas para o que ele acredita que é certo?

    - Jimin. – Yoongi respondeu prontamente, o nome rasgando suas cordas vocais. – Jimin seria o único capaz de fazer isso.

    - E onde Jimin está Yoongi?

    - No Sul. – Sua voz saiu fraca, quase como um sussurro. – Ele está no Sul, junto com os outros.

    - Puta que pariu. – Chanyeol xingou, cobrindo as mãos enquanto ria descontroladamente. – Nós temos os herdeiros.

    - O que vocês querem dizer com isso? – Yoongi perguntou com a voz falhada, apesar de já ter uma clara noção sobre o que a ideia de Chanyeol e Kyungsoo se tratava.

    - Ás vezes você é tão lento que me decepciona...

    - Fale logo, Kyungsoo.

    - Yoongi, ter os herdeiros na sede do seu reino significa que você pode usá-los como reféns. Se mantê-los no Palácio, os pais deles não serão capazes de fazer nada contra o Sul, pois seus filhos estarão na linha.

    - Mas para isso dar certo, nós teríamos que ameaçá-los de...

    - Morte. – Kyungsoo completou satisfeito. – Quem desobedecer ao acordo de não envolvimento, será presenteado com o corpo gelado do filho na soleira de seu palácio. É uma ideia excelente. Não sei como vocês não foram capazes de pensar nela antes.

    - Nós teríamos que mandar uma ameaça a Minho? Uma ameaça de matar Jimin? – Yoongi perguntou bobamente. A ideia lhe era estranha como ameaçar os próprios pais. Jimin não, algo em sua cabeça gritou.

    - Óbvio! Mas não ameaçaríamos só Jimin. Jaehyun, Mark, Ten e Taeyong também teriam que entrar no jogo para ser mais efetivo. Claro que Jimin seria o alvo principal, já que o Norte é a nação que se iguala em poder bélico ao Sul. Mas ele não ficaria sozinho.

    - Eu cresci com aquele garoto, Kyungsoo. – Yoongi falou com a voz embargada. – Não tenho coragem de ameaçá-lo.

    - Você não precisa ameaçar ninguém. Eu e Chanyeol cuidaremos disso. Tudo que você fará é colocar o carimbo real e assinar seu nome, apenas para endossar o documento e provar sua legitimidade. Com isso ninguém poderá atestar nada. O selo real será a maior ameaça que eles vão receber.

    - Eu me comprometi a ficar com Jimin em meu palácio. Seria considerado traição se eu ameaçasse a vida de um hóspede, Kyungsoo!

    - Yoongi, o importante é vencer essa guerra! Você pode ir pessoalmente ao norte com Jimin explicar a Minho a situação. Mas no momento, isso é o que precisa ser feito e quando você foi coroado, jurou proteger o reino custe o que custasse.

    - Eu sei Chanyeol. Não precisa me lembrar de meus deveres. Mas, depois que essa guerra acabar, Jimin não vai querer olhar nem em meus olhos, quanto mais me levar para o Norte para explicar ao pai dele as razões pelas quais achei necessário ameaçar sua vida. Faça o que deve ser feito. Escrevam as cartas e depois me tragam para endossar o documento com o carimbo real.

X

    Jimin acordou extremamente cedo naquela manhã.

    Na verdade, ele mal havia conseguido dormir. A noite estava muito fria e ele estava extremamente desconfortável de ter que dividir uma cama com Jaehyun, dentre todas as outras pessoas.

    A sensação era diferente de quando Yoongi aparecia em seu quarto no meio da noite. Yoongi lhe passava uma calma e o corpo do mais velho era quente e seguro. Já Jaehyun não. Ele havia respeitado o espaço pessoal de Jimin e cada um havia dormido de seu próprio lado da cama – sem nem mesmo tocarem alguma parte do corpo.

    De um lado isso era bom, era ótimo. Fazia Jimin quase não se sentir culpado pelo singelo beijo que eles haviam trocado na noite anterior.

    Seus olhos foram desviados para o Sol que nascia tímido no horizonte. Por alguma razão, a luz que antes lhe era tão esperada agora lhe causava uma náusea profunda e dor de cabeça. Jimin sentia seu corpo borbulhar com o desejo de sair daquela cama, daquele quarto, daquele palácio. O peito de Jimin ardia com saudades de casa e ansiava pelo silencio mudo que o inverno infindável o proporcionava.

    - Está acordado faz muito tempo, Jiminnie? – Seus pensamentos foram interrompidos pela voz rouca matinal de Jaehyun. Jimin fechou os olhos e suspirou profundamente. Aquele seria um longo dia.

    - Não. – Ele respondeu, pondo um sorriso no rosto e virando-se para o garoto de cabelos castanho deitado ao seu lado. – Acho que não consegui dormir muito bem pensando em como vamos conseguir sair desse palácio hoje.

    - Nem eu. – Jaehyun confessou, passando a mão pelos cabelos desalinhados. – Temos que sair o mais cedo possível, eu acho. Será se os outros acordaram?

    - Creio que Tae nem dormiu. – Jimin falou com sinceridade. – Ten e Mark não sei. Mas provavelmente, sim. Todos já devem estar de pé.

    - Você está bem, Jimin? – Jaehyun perguntou com a voz carregada de preocupação, fazendo o garoto de cabelos negros rir em resposta.

    - Por que diabos você mudou da água para o vinho?

    - Apenas me responda. Estou morrendo de preocupação por você.

    - Eu sempre estou bem, hyung. Não existe nenhum motivo para preocupações.

    - Você dizendo que não devo me preocupar só aumenta o aperto em meu coração. Sei que você não está bem, Park Jimin. Consigo ver isso em seus olhos.

    - Mas meus olhos estão sempre tristes, Jaehyun. Isso era o que Yoongi sempre dizia.

    - Pelo menos ele estava certo em alguma coisa.

    - Não vamos... Eu não quero falar do Yoongi. A incerteza já me é doida o suficiente.

    - Incerteza? – Jaehyun perguntou confuso.

    - É... Talvez nem seja. Acho que está mais do que na hora de aceitar que o que quer que tenha existido entre nós acabou. Sempre esteve fadado a acabar. Eu só queria que tivesse existido um final de verdade, para que eu pudesse me lamentar. Mas foi bom assim, foi melhor assim.

    - Jimin, meu anjo... – Jaehyun começou cauteloso, escolhendo bem as palavras que diria. – Tudo está fadado há acabar um dia. A vida é como um livro, criança. E todos os livros tem um fim. Não importa o quanto você ame a história, os personagens... Um dia você vai chegar à última parte e ela vai acabar. Nenhuma despedida é triste, Jimin. Nós que somos.

    - Falar isso só deixa minha situação pior, Jaehyun! – Jimin falou em meio a risadas nervosas com lágrimas escorrendo pelas bochechas pálidas.

    - Não quis lhe infringir nenhum mal. Nunca foi a intenção. Mas talvez você devesse se permitir viver essa dor, Jimin. Pelo menos dessa vez. Para ela não acabar com você no futuro.

    - Talvez você tenha razão. Mas eu não posso me dar ao luxo de fraquejar por Yoongi, não agora. Yixing precisa de nós. Além do mais, não serei o único a carregar o peso desse amor nas costas. Ele está lá, no litoral, com Kyungsoo e Chanyeol, Jaehyun. Por que então que eu sou o que chora?

    - As pessoas sentem de maneira diferente. Isso significa que elas ficam tristes de maneira diferente também. Talvez fugir de você seja o jeito mais lógico que Yoongi encontrou de escapar de todos esses sentimentos. Quer você queira, quer não, ele ainda é um rei e ainda está com uma guerra estourando nas mãos. Às vezes fugir é tudo que nós temos.

    - Às vezes eu acho que as pessoas são tão ruins umas com as outras que temo que no fundo, no fundo, todos nós sejamos monstros.

    - Nem sempre os monstros são ruins, Jimin. Você tem que se lembrar: monstros não nascem. Eles são criados.

X

    - Calem a boca! Por deuses, vocês querem acordar o palácio inteiro? – Taeyong ralhou, virando-se com uma expressão zangada para Mark e Jimin, que acabavam de tropeçar em uma das muitas tapeçarias que cobriam o chão do luxuoso palácio de Yoongi.

    - Mianhae. – Jimin falou entre risadas. – Nós estamos nervosos.

    - Todos estão. – Ten comentou. – Mas temos que nos calar, pelo menos até conseguirmos chegar até o jardim.

    - Sim. – Jaehyun concordou. – Vocês lembram-se do plano?

    - De cada mísero detalhe. – Taeyong respondeu meio a contragosto.

    - Ten e Mark já deixaram os cavalos preparados na entrada do jardim, e fizeram isso ontem de madrugada, durante a troca de guarda para não levantar suspeitas. Agora, estamos indo para o jardim para cavalgar até o muro limite do palácio e, depois, abandonaremos os animais e seguiremos a pé até o estaleiro mais próximo, onde compraremos três cavalos mestiços para não levantar suspeitas. Depois, faremos o caminho de um dia inteiro até o Leste, sem paradas.  – Jimin falou rapidamente, tentando recuperar o fôlego logo depois.

    - Exatamente. – Jaehyun falou orgulhoso. – Vocês acham que tem como dar errado?

    - Existem mil maneiras de esse plano dar errado, Jaehyun. Se você estiver interessado, posso citar para você cada uma delas. – Taeyong falou sorrindo.

    - Estou falando sério. Se isso der errado não sei o que acontecerá conosco.

    - No mínimo, seremos presos por traição à coroa. – Ten respondeu pensativo. – Se bem que não sei. Somos hóspedes valiosos.

    - O que quer dizer com isso? – Mark perguntou interessado.

    - Acho que já expliquei para vocês. Podemos ser feitos de reféns para que nossos pais não interfiram na guerra. Seria o jeito mais lógico de Yoongi derrubar todos os coelhos com uma cajadada só. Creio que ele planeja fazer isso quando regressar ao palácio. Pena que não estaremos mais aqui para ver sua cara de decepção.

    - Yoongi... – Jimin começou meio temeroso. – Ele não faria isso. Ele não faria dos próprios amigos de reféns.

    - Jimin... – Ten falou cuidadoso. – No amor e na guerra, vale tudo. Creio que Yoongi já nos deu provas o suficiente de que prefere escutar Kyungsoo e Chanyeol a qualquer um de nós. E você pode ter certeza de que essa ideia passou pela cabeça daquele demônio em forma de gente.

    - Se isso for realmente verdade – Jimin disse, sem convicção. – Então temos que sair daqui o mais rápido possível. É crucial fugir do palácio. Não podemos ser feitos de reféns, Yoongi não pode ter esse poder em mãos. Ele tem que temer nossos pais, ou então não sei o que fará com o Leste.

    - Sim. – Taeyong concordou. – Por isso temos que seguir o plano estritamente. Nada pode dar errado, ou sair do combinado. Isso pode custar nossas próprias vidas agora.

    - Quer dizer que nós, os príncipes que são feitos de chacota nos quatro cantos dos reinos, acabamos de entrar nesse jogo de tronos. – Mark falou divertido. – Seria engraçado se não fosse preocupante.

    - Exatamente por isso que possuímos a vantagem. – Jimin o respondeu. – Ninguém espera nada de nós e nunca esperou. Somos os azarões nesse jogo. E juntos temos a maior chance de vencer.

    - Fora que temos algo que Yoongi não tem. – Ten falou misterioso.

    - E o que seria? – Jaehyun perguntou.

    - Companheiros. Yoongi só possui poder e está começando a ficar cego com isso. O poder é a pior coisa que pode acontecer com uma pessoa, pois revela seu íntimo, o âmago de seu ser. Aposto que agora Yoongi deve estar totalmente perdido dentro de si, tentando encontrar vestígios de quem ele costumava ser.

    - Ou talvez todas essas partes já existissem. – Jimin disse. – Nós que fechamos os olhos para todas elas com o passar dos anos.

    - Bem, Yoongi se descobrindo ou não, o importante é que nós chegamos. – Taeyong informou, enquanto empurrava com Mark a grossa porta de madeira que os separava do jardim.

    Jimin aproveitou o momento para inalar profundamente o cheiro de natureza que era proveniente daqueles verdes. Observou as árvores e as flores que cresciam despretensiosas no chão. Seu coração aqueceu-se por um minuto ao pensar que elas continuariam a nascer e viver, com ou sem guerra. O mundo sempre daria um jeito de seguir seu ciclo, com ou sem os seres humanos errados interferindo em um caminho já traçado pela natureza milhares de anos antes.

    Os cavalos – um branco e dois pretos – já estavam amarrados no tronco de uma grossa árvore. Taeyong desamarrava os nós para soltar os animais e Jimin podia ver que suas mãos tremiam de puro nervosismo e não era para menos – a situação que estavam vivendo seria o suficiente para enlouquecer qualquer um que fosse ao menos são.

    Taeyong entregou a corda do cavalo branco a Ten, que agilmente montou no animal, estendendo o braço longo e gracioso para que Mark pudesse subir também. Jimin aproveitou a oportunidade para subir na frente de um dos cavalos negros, afinal, ele montava muito melhor que Jaehyun.

    Após alguns segundos, Jimin pode sentir as mãos frias de Jaehyun em sua cintura, o indicando que estava perfeitamente seguro e que o moreno poderia seguir a cavalgada. Olhou de lado, apenas para chegar se Taeyong estava seguro em seu próprio cavalo, recebendo um sorriso de confirmação do mesmo.

    - Vocês estão prontos? – Ten perguntou, segurando as rédeas com força.

    - Nós nascemos prontos. – Jimin respondeu rindo, enquanto sentia seu sangue pulsar com força em suas veias, causando uma emoção misturada com desespero que há anos não sentia.

 

X

    Jimin mal conseguia sentir suas pernas quando eles finalmente avistaram a primeira estalagem no meio do caminho.

    O Sol estava alto no céu, indicando que já seria cerca de meio dia, o que significava que eles estavam caminhando à quase três horas, já que o palácio de Yoongi era isolado de tudo e todos.

    Seu estômago doía cronicamente, resultado da pobre alimentação que tivera no café da manhã e nas horas seguidas sem comida. Ele conseguia sentir seus lábios secos, junto com sua garganta, já que a pouca água que haviam trazido acabara horas atrás.

    - Temos que nos separar pra comprar os cavalos e os mantimentos. – Taeyong falou fracamente, se encostando perto de uma árvore.

    - Eu posso ir com você comprar os cavalos. – Jimin se ofereceu prontamente.

    - Ten vai comprar os mantimentos então. Jaehyun e Mark ficam aqui nos esperando.

    - Por que temos que ficar esperando? – Jaehyun protestou quase sem voz.

    - Porque vocês estão quase morrendo. Voltaremos já, hyung. Sente e descanse com Mark enquanto isso. – Jimin falou, empurrando os dois em direção à árvore.

    - Voltem logo. – Mark pediu, já se sentando em baixo da enorme sombra.

    - Voltaremos. – Taeyong falou, puxando Jimin e Ten em direção ao pequeno povoado.  – Coloquem os capuzes, por via das duvidas.

    - Ninguém aqui deve nos reconhecer. – Ten falou, cobrindo a cabeça com o pano cinza e grosso a contragosto.

    - Sim. Nós somos os príncipes do fim do mundo. – Jimin disse rindo.

    - Gosto da denominação. Talvez devêssemos criar um clube. – Ten concordou com um sorriso tímido no rosto.

    - Vocês tem a mínima noção de onde poderemos comprar essas coisas? Estou morrendo de sede. – Taeyong reclamou.

    - Acho que aquele prédio ali deve ser a estalagem. – Jimin falou, apontando para uma construção de um andar, com um considerável fluxo de pessoas entrando e saindo.

    - Vamos entrar. Só assim saberemos.  – Taeyong disse, seguindo na frente.

    Por mais que seus pés pedissem descanso, Jimin seguiu atrás de Taeyong, com Ten ao seu lado. O capuz esquentava mais ainda sua cabeça, dando a impressão de que ele poderia desmaiar de calor a qualquer momento.

    Os portões do pequeno local estavam abertos, convidativos a primeira vista. Jimin observou as mesas cheias de homens sorridentes, com suas canecas de vidro transbordando de um vinho extremamente escuro.

     Taeyong se aproximou do balcão, onde um homem de meia idade atendia os clientes com cara de poucos amigos. Jimin resolveu ficar mais atrás, junto de Ten.

    - Boa tarde. – Jimin pôde ouvir Taeyong saudando o homem com cordialidade. – O senhor por acaso teria três cavalos para me vender?

    - Três cavalos? Pra o que diabos você quer três cavalos? – O homem perguntou desconfiado.

    - Estou de viagem com meus amigos e nossos cavalos fugiram durante a noite.

    - Vocês são muito burros ou tem um sono muito pesado. – O senhor riu sozinho e Taeyong obrigou-se a acompanhá-lo. – Tenho. Pra você, serão cem ienes.

    - Tudo bem. Eis aqui o dinheiro. – Taeyong disse, estendendo o saco cheio de moedas para o homem que o olhava desconfiado.

    - Os cavalos estão nos fundos. Pode pegá-los.

    - Obrigado. – Taeyong falou simplesmente, fazendo um sinal para que Jimin e Ten o seguissem.

    - Vocês não estão sabendo da novidade! – Um jovem, quase da idade de Jimin, entrou no local, com um sorriso estranho no rosto. – Parece que os príncipes convidados de Yoongi fugiram do palácio. A guarda Real já está aqui à procura deles. E parecem que estão oferecendo uma bela recompensa a quem os achar. – O coração de Jimin falhou naquele momento. Eles haviam sido descobertos tão cedo?

    - Caminhem. Não olhem para trás. Apenas andem. Vamos pegar os malditos cavalos e sair correndo daqui. – Taeyong ordenou, empurrando os dois garotos paralisados a sua frente.

    - E quanto a comida? E água? – Ten perguntou com a voz desesperada.

    - Daremos um jeito. Mas não podemos ficar aqui.

    - Então vamos. – Jimin disse, a voz soando o mais decidida do que já usara sua vida inteira. – O caminho é longo até o leste. 


Notas Finais


Eu gostei bastante de escrever esse capítulo. Sinto que meus personagens estão tomando forma. De um jeito torto e esquisito, mas eles estão chegando onde eu sempre os vi.
Como deu pra perceber, as coisas vão dar uma esquentada em Royals. E, justamente pra contrastar com isso, a música de hoje é Putting the dog to sleep do The Antlers. Essa música é crua e me tocou muito a fundo. Me lembrou bastante do Yoongi também. É um arranjo calmo e melodioso, mas ao mesmo tempo é capaz de te atormentar e quando dei por mim já estava chorando rios.
Eis o link: https://www.youtube.com/watch?v=Xg8Ckamh8Gw
Espero que a semana de vocês seja incrível!
Até sexta que vem!


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