História Royals - Capítulo 9


Escrita por: ~

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Categorias Cameron Dallas, Magcon, Matthew Espinosa, Taylor Marie Hill
Personagens Cameron Dallas, Matthew Espinosa, Personagens Originais
Tags Cameron, Dallas, Drama, Espinosa, Matt, Romance
Exibições 82
Palavras 4.406
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Crossover, Escolar, Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Oiii! Tudo bem?
Eu sei que o capítulo tá grande, mas não me matem! São duas cenas extremamente importantes e emocionantes, e eu juro que não está entendiante, sério!
Espero que gostem :)
Boa leitura <3

Capítulo 9 - Smile


Ouvi uma batida na porta do meu quarto e coloquei o livro que estava lendo de lado, me levantando da cama para abrir. Já estava de pijama e quase pronta para dormir. Era sexta-feira à noite e não conseguia parar de repassar aquela semana inteira na minha cabeça. Matt e eu havíamos parado de brigar. Ele nunca mais tinha aparentado estar mal, e eu não ousava citar a palavra ‘Inglaterra’.

Eu seguia adiando minha aula de arco e flecha. Não queria encontrar com Cameron. Depois que o vi na terça-feira, havia começado a sentir algo estranho perto dele. Uma coisa estranha, nova. Era definitivamente algo que não queria estimular. Ele ainda me assustava, claro, mas tinha algo diferente nele. Algo que mais ninguém parecia enxergar.

Ajeitei meu cabelo, na esperança de não parecer tão desarrumada e abri a porta. Era meu pai. Ele havia chegado um pouco mais tarde que o planejado, mas estava lá, e era isso que realmente importava.

Abri um sorriso e o abracei. Quando eu era menor, ele estava sempre viajando, trabalhando e passava bem mais tempo sem ele do que com ele. Isso me machucava. Eu sentia falta de tê-lo presente, e queria ter com meu pai a relação que minhas outras amigas também tinham. Só consegui ter uma rotina com ele perto dos meus quinze anos, quando ele montou um escritório fixo em Nova York.

- E aí? Como estão as coisas por aqui? – perguntou, sentando em minha cama.

- Bem – respondi – Melhores do que quando você saiu.

- Como assim?

Estava apreensiva em contar. Queria falar para ele sobre a briga com Matt, e como os primeiros dias haviam sido um tanto quanto conturbados, mas tinha medo do que ele ia pensar. Meus pais gostavam muito de Matthew. Muito mesmo. Eles amavam quando eu passava tempo com ele e o achavam o menino mais doce que já existiu. Não queria quebrar essa visão que eles tinham.

- Aconteceu alguma coisa? – perguntou novamente, me tirando de um transe completo.

- Nada demais, pai. Está tudo bem.

- Você sabe que pode me contar qualquer coisa, não é? – disse – Eu te amo, não importa o que você faça. Você vai ser sempre a minha princesinha.

Ele estava achando que eu escondia algo bem mais sério do que realmente era. Talvez pensasse que eu havia começado a beber, ou estava com medo de eu ter transado com alguém. O olhar nele mostrava que ele estava bem preocupado comigo, a sua princesinha.

- Pai, não aconteceu nada, juro – falei, rindo – Tive uma briguinha com Matt no fim de semana, mas já resolvemos tudo.

- Vocês brigaram? – arregalou os olhos.

- Já disse, - continuei rindo – já resolvemos tudo.

Sua expressão se aliviou e ele me puxou para perto, me abraçando pelo ombro. Seu braço esquerdo me mantinha imóvel, enquanto sua mão direita segurava meu rosto. Ele deu um beijo suave em minha testa.

- Estou feliz por estar de volta, Katherine – falou.

- Fiquei com medo que você furasse comigo e não viesse – revelei, ainda em seus braços.

- Eu prometi que vinha todo fim de semana, não prometi? – falou, se afastando de mim. Assenti com a cabeça – Você sabe que eu cumpro minhas promessas.

- Eu sei, eu sei – afirmei, me afastando um pouco mais – Mas... Ah, sei lá! Não queria receber uma ligação sua dizendo que tinha algum compromisso.

- É isso que pensa que vou fazer? – brincou, levantando-se da cama – Ligar para avisar que não venho mais?

- Não é como se isso não tivesse acontecido antes.

Sabia que ele estava brincando, mas aquilo tinha um tom de verdade. A risada que ele deu em seguida aliviou o meu comentário. Às vezes sentia como se eu me segurasse muito perto dele. Como se tivesse medo do que fosse pensar de mim. Mas ele era meu pai. Eu não devia pensar assim. Não devia temer a reação dele.

- Você acha que a gente não passa tempo o suficiente juntos? – perguntou assim que percebeu que eu não estava encarando aquilo como algo engraçado.

- Não sei. Quer dizer, eu sei o quanto você trabalha, mas às vezes acho que até em casa você fica meio distante – falei, nervosa – Você não se desliga do trabalho, pai. Nunca.

Podia sentir as palmas das minhas mãos suando. Ao mesmo tempo, era como se tivesse acabado de dizer algo que vinha segurando por muito tempo. Era uma mistura de alívio e ansiedade, mesmo que as duas sensações não parecessem combinar muito bem.

- Eu faço o que posso – ele se afastou ainda mais de mim – Mas você sabe que nossa vida pessoal é quase um trabalho à parte. Estamos públicos o tempo inteiro. Sua mãe cuida disso, mas, não vamos fingir que tudo não passa por mim antes de ser aprovado – continuou – Você, por exemplo. Eu preciso guiar você e organizar seus próximos passos todos os dias. Isso é complicado!

Aquele comentário havia me ofendido. Como ele podia ousar chamar sua própria família de “um trabalho à parte”? Ele era o meu pai, mas aparentemente, ele me via como um projeto especial em sua vida. Cerrei os punhos e travei o maxilar, furiosa por ter sido tratada daquela forma. Eu havia passado a minha vida inteira me esforçando ao máximo para fazê-lo se orgulhar de mim, ele não podia me destruir em uma frase. Seria cômico se não fosse trágico.

- De que adiantou criar um escritório perto de casa, se o seu tempo livre com a sua filha é quase um trabalho para você? – perguntei, em um tom mais grosseiro e firme do que o planejado. Eu nunca me dirigia a meu pai daquela forma. Não em uma situação normal. Mas eu estava mais do que irritada. Estava magoada.

Sua expressão se endureceu imediatamente. Meu pai não era o tipo de homem que se alterava com facilidade. Era muito difícil alguma coisa chegar a estressá-lo. Mas aparentemente, o meu comentário havia o tirado do sério. Ele me fuzilava com os olhos, enquanto não movia um músculo, planejando suas próximas palavras.

- Montei o escritório em Nova York para passar mais tempo com a minha família. Mas fiz isso principalmente por que não queria que a minha filha crescesse sem mim por perto – disse, de forma firme e lenta.

- Que pena que demorou quinze anos para pensar nisso! – exclamei. Eu não estava reconhecendo a minha própria audácia. Eu nunca diria uma coisa dessas. Estava aprendendo que a magoa me levava a fazer coisas que eu nunca antes havia ousado pensar.

- Como? – falou, pálido e sem conseguir acreditar no que havia ouvido.

- Eu já estava bem grandinha com quinze anos, pai. Não pense que eu não reparava no quão pouco eu te via – me levantei da cama, tentando me aproximar dele, porém, cada passo que eu dava, ele recuava um pouco mais – Como acha que foi para mim ver minhas amigas organizando os planos de ‘Dia dos Pais’ e eu na dúvida se ia ao menos te ver? Ou então, quando você faltava os meus aniversários e eu passava o resto do dia chorando no banheiro?  

Reparei em seu punho cerrado e na forma como suas sobrancelhas tentavam se encontrar no centro. Meu pai estava furioso e meu maior medo era vê-lo explodir.

- Eu sentia sua falta, pai. O tempo inteiro.

- Me perdoe, então, por estar trabalhando para sustentar esta família – falou, ainda em um tom firme, mas calmo o suficiente para não soar como um grito. Ele era praticamente um expert em controlar suas emoções, e por isso, eu tinha tanto medo de vê-lo explodir – Eu faço o que posso para te dar tudo e você nem tenta contribuir, Katherine. Por favor, entenda meu lado pelo menos dessa vez?

- Nem tento contribuir? – retruquei. Sentia minha voz cada vez mais trêmula, o que era péssimo, considerando o quanto eu queria me mostrar crescida e forte – Eu passei a minha vida inteira dando o máximo para te deixar orgulhoso e você diz que eu não contribuo?

- A vida inteira? Então me diga, Katherine, o que foi que você fez de tão extraordinário assim, hein?

Eu sentia cada pedaço de mim doer. Não era justo. Não era justo que me esforçasse tanto e ele tivesse a ousadia de me desmerecer assim, tão do nada. Precisava mostrar para ele como eu era independente e adulta, mas as lágrimas que se formavam nos cantos dos meus olhos diziam o contrário.

- Talvez as notas altas no meu boletim? Ou talvez eu ter sido escolhida a oradora da turma? Será que ter sido eleita a melhor aluna por três anos seguidos não te orgulha? – não gostava de expor minhas conquistas assim, mas ele precisava ouvi-las. Estava me segurando para não chorar – Eu tive mais horas de trabalho voluntário no último ano do que a maioria dos meus colegas tiveram no ensino médio inteiro! Eu passei em Princeton! Eu passei em Princeton, pai. Isso não te orgulha? – gritei, esperando alguma reação dele, mas meu pai continuou calado, sem ao menos me olhar nos olhos. Aquilo estava me machucando muito. Ele nunca era daquele jeito. Ele me cobrava, bastante até, mas não era tão duro assim – Eu passei os últimos quatro anos da minha vida sem beber, sem namorar com nenhum cara e passando meus sábados estudando. Eu fui a menos festas de verdade a minha vida inteira do que minhas amigas foram no último mês. Eu me esforcei, pai, muito! Como você tem coragem de dizer isso de mim?

Tarde demais. Eu já estava aos prantos. As lágrimas caiam, descontroladas, e eu queria fazer qualquer coisa para que elas parassem. Não suportava desabar assim na frente dele. Não depois de tudo que havia me dito.

- Você não está preparada para Princeton – falou, baixinho – Se vai desabar assim com uma crítica minha, você não está preparada para ouvir o que eles têm a dizer.

- Meu Deus! Isso não foi uma crítica! – gritei, ainda mais alto – Isso foi uma humilhação! Como pode dizer isso de mim? Eu sou a sua filha!

- Gritar comigo não vai resolver seus problemas. Esse escândalo só mostra o quão mimada você está sendo – continuou, encarando a parede atrás de mim – Vou conversar sério com a sua mãe mais tarde. Pensei que você fosse diferente. Não sei nem se você tem maturidade o suficiente para morar sozinha no campus esse ano... Vou arranjar um lugar para você ficar com a sua mãe, por que...

- Você não pode fazer isso! – gritei – Não pode decidir essas coisas por mim!

- Posso sim! Eu sou o seu pai, Katherine, preciso fazer o que é certo.  

Ele balançava a cabeça, fazendo um sinal de negação. Parecia mais do que chateado. Parecia desapontado. Olhava para mim como se eu fosse algo além. Como se eu tivesse o desrespeitado e dito coisas absurdas, quando, na verdade, ele era o único beirando a loucura naquele quarto. Eu havia ficado realmente ofendida com o que havia ouvido. Havia doído. Bastante até.

Passei as mãos pelos cabelos, agoniada. Queria ficar sozinha e logo. Não aguentava mais ouvir a voz dele. Ficava irritada só pensando nas palavras que havia me dito. Deitei na cama, cobrindo o rosto com as mãos.

- Quero que saia – falei.

- O que? – perguntou, como se não acreditasse no que estava ouvindo.

- Você ouviu – fiz uma pausa para conseguir me controlar e não chorar de novo – Quero ficar sozinha. Por favor.

Ouvi seus passos duros e firmes em direção a saída. Ouvi a porta ser aberta e desejei que a ouvisse ser fechada logo, para que pudesse desabar de uma vez.

- Você é muito mais fraca do que eu achava, Katherine – disse, uma última vez antes de sair.

 

***

Desci as escadas correndo, mas tentando não fazer barulho. Já passava da meia noite e eu precisava de ar fresco, mas a sacada do meu quarto não estava sendo o suficiente.

Estava me sentindo sozinha. Muito sozinha. Não tinha com quem falar sobre o que havia acontecido com meu pai. Minha mãe o defenderia e Matthew não precisava de mais uma coisa em sua cabeça.

 Aproveitei o fato de todo mundo já ter ido dormir e corri para o fundo da casa. Queria pegar um carrinho de golfe escondido e ir para algum lugar. Queria silêncio. Queria não ter ninguém ao meu redor e poder parar para pensar no que fazer. Nunca tinha brigado tão feio com meu pai antes. Nunca tinha chegado nem perto de dizer as coisas que havia dito naquela noite. E isso me assustava bastante. Eu havia me descabelado, gritado, chorado. Mas ele? Ele permaneceu no mesmo tom firme e duro que eu gostaria de ter herdado. Meu pai não havia levantado a voz para mim nem por um segundo, e ainda assim havia conseguido me afetar.

Peguei a chave e entrei no carrinho. Liguei e comecei a dirigir. Decidi ir para o deck, onde poderia olhar o lago e ouvir o barulho das folhas contra o vento. A ideia me parecia relaxante e tranquila, exatamente o que eu estava precisando. Enquanto dirigia em direção ao local, tentava enganar o meu próprio cérebro para evitar mais choros.

Estacionei o carro e corri para lá me apoiando no parapeito de madeira, a única coisa que me impediu de cair direto na água. Respirei fundo, sentindo o vento empurrar meus cabelos para trás, me proporcionando um alívio enorme. Sentia como se as lágrimas estivessem voltando para seu lugar de origem, aliviando minha agonia. Quando estava sentindo meus músculos se relaxarem e a vontade de chorar passar, ouvi alguém limpar a garganta, provocando um som que parecia intencional. Virei lentamente e vi Cameron sentado em uma cadeira, com os pés em cima da mesa. Tinha uma garrafa de cerveja na mão e uma vazia no chão.

- Ótimo – comentei, revirando os olhos. A última coisa que precisava naquele momento era daquele garoto me irritando. Já tinha brigado com meu pai, não sabia se iria aguentar passar por mais uma discussão com ele e continuar sã.

- Que bom que fica feliz em me ver, Hawking – disse, irônico. Deu um gole na cerveja, e colocou a garrafa na mesa

- Não me chame assim, por favor – falei.

- Por que? É o seu nome.

- Sei lá. Parece que está me resumindo a minha família, ao dinheiro do meu pai – expliquei, um tanto quanto apreensiva – Não gosto disso.

- Isso é bom.

- O que?

- Você admite que é o dinheiro do seu pai e não fala como se fosse seu – disse, encarando a mesa.

- Claro. Não sou eu que trabalho – respondi o que para mim era óbvio.

- Pois é – disse, me olhando – E isso é bom

A sensação de o ouvir me elogiando de alguma forma era boa. Estranha, nova, mas definitivamente positiva.

- O que aconteceu?

- Nada aconteceu – menti. Não devia nenhum tipo de satisfação a ele – Por que?

Ele riu e colocou a mão na nuca. Alguma coisa nos gestos dele me distraia muito. A forma como mexia o braço, ou talvez como os olhos ficassem fixos em mim. O menor movimento que ele fazia era o suficiente para obter minha atenção total.

- Seu nariz está vermelho, seus olhos estão molhados e seu rosto está inchado. Parece que alguém andou chorando – falou, arrancando um riso meu, o qual eu tentei recolher assim que percebi o que estava fazendo. Não queria mostrar para ele que a sua companhia estava sendo no mínimo útil.

- Eu estou bem – falei, me recostando no parapeito novamente, mas dessa vez, de frente para ele – E você, Cameron? Aconteceu alguma coisa que te fez vir aqui de madrugada para beber?

- Você adorou saber meu nome, não é? – provocou, arqueando as sobrancelhas – Primeiro, está muito cedo para ser ‘madrugada’. Segundo, eu faço isso sempre. Venho aqui para beber toda a sexta à noite. Às vezes bebo mais, às vezes menos. Depende do quão grande estão os problemas.

Ele fazia aquilo de uma forma tão natural. Os goles ocasionais, a forma que pegava na garrafa e como conversava tão naturalmente sobre aquilo. Talvez o álcool realmente o deixasse uma pessoa mais legal.

- Então você é um bêbado de fim de semana? – perguntei.

- Não sou um bêbado. Sei me controlar muito bem quando o assunto é bebida. Só faço isso por que gosto muito desse lugar – explicou, desviando o olhar para o lago – O barulho da água, o vento, o silêncio. Sei lá, até parece que fica fora desse inferno... Desculpe! – disse, logo se corrigindo com os olhos arregalados.

- Pode chamar essa casa do que quiser – relaxei – Não é como se estivesse me trazendo alguma coisa boa no momento.

Queria saber o porquê de ele não gostar daquele lugar. Queria saber o que estava o deixando mais leve, mas não tinha coragem de perguntar.

- Uou – resmungou, dando outro gole na bebida – Quer falar sobre isso?

Neguei com a cabeça e ele respeitou a minha vontade, logo desviando o olhar. O Cameron que estava na minha frente parecia muito diferente do que vinha discutindo comigo e me olhado feio durante a semana. Ele estava calmo, acessível, quase divertido. Gostava mais do homem que eu presenciava naquele momento do que o que me dizia coisas absurdas e se recusava a me dar uma informação tão besta da sua vida como sua idade, ou seu nome. Não sabia se era a bebida, mas esperava que ele estivesse tirando esse mecanismo de autodefesa quando estava comigo.

- Por que me odeia? – perguntei, pensando alto. Ele olhou para mim, franzindo as sobrancelhas.

- Você faz perguntas demais – respondeu, olhando para o outro lado.      

- Por que me odeia? – insisti.

- Você realmente vai me fazer responder isso? – levantou as sobrancelhas.

Eu continuei calada. Queria ouvir o que ele tinha a dizer, mesmo que fosse algo duro. Precisava saber.

Ele assentiu com a cabeça e suspirou.

- Não te odeio, Katherine – falou, me olhando nos olhos – Odeio a elite. Você é uma exceção.

- Por que sou uma exceção? – perguntei, rapidamente, sem nem processar a resposta dele direito – Sou tão da elite quanto qualquer um nessa casa.

- Você não desiste das perguntas, não é?

- Responde, Cameron! – ele revirou os olhos ao ouvir minha exclamação.

- Por que você é diferente – disse, olhando para o chão. Seu tom estava bem mais baixo que o normal. Era quase como se não quisesse que eu o ouvisse – Queria te odiar. Tentei te odiar. Queria sentir por você o mesmo que eu sinto por toda essa gente mesquinha e mimada, mas... Você é diferente, Katherine. Você é legal. Você nunca tentou se mostrar melhor que ninguém, você não fica se colocando como vítima, se defende quando precisa. Você... Você não me tratou como inferior, Katherine. Por isso é uma exceção.

Uau. Era como se ele tivesse colocado tudo para fora de uma só vez. O contraste nas palavras dele e nas de meu pai era evidente. Chegava a ser irônico. O meu pai, que me amava acima de tudo, havia me dito uma das piores coisas que eu havia ouvido na minha vida inteira. E Cameron, que era extremamente grosseiro comigo, havia me dito uma das coisas mais surpreendentes que eu já havia ouvido na minha vida inteira.

- Eu também não te odeio – falei, caminhando para mais perto. Sentei na cadeira em sua frente, querendo alimentar aquela conversa.

- Não pense que eu sou sempre assim, ok? – falou, desconfiado – Ainda continuo o mesmo cara fechado de antes, eu só bebi duas garrafas de cerveja.

- Não foi você que disse que se controla com o álcool? – ri.

- Foi. E eu me controlo, mas fico mais legalzinho – explicou – O que eu estou tentando falar é que eu não sou esse tipo de cara sempre. Eu sou bem ruim na maioria das vezes. Mas não fuja de mim igual você fez essa semana. Eu sei que as vezes parece que eu quero te matar, mas juro que não é assim. Eu não sou tão perigoso quanto parece. Não precisa me evitar sempre que passar por mim.

- Eu não fujo das coisas – soltei, enrolando a ponta do meu cabelo com os dedos.

- Então pare de adiar nossa aula de arco e flecha. Vou te treinar para ganhar daquele... – hesitou em falar e olhou para mim.

- Não precisa segurar essas coisas, Cameron. Eu aguento – falei, rindo.

- Daquele babaca do Matthew – disse, travando a mandíbula – Desculpa, mas odeio ele.

Eu ri, desviando o olhar. Entendia o lado dele.

- Então ele você odeia? – provoquei.

- Sim, - revirou os olhos – ele eu odeio.

Tudo que eu queria saber era porquê. Por que tanto ódio? Mas como ele mesmo havia dito, era um cara fechado e eu já tinha tirado informação demais dele para uma noite só.

- Você pode me dizer o que aconteceu? – perguntou, abrindo uma nova garrafa de cerveja.

- Como assim? – perguntei.

- Por que você estava chorando?

- Você faz perguntas demais – ironizei, usando suas próprias palavras contra ele mesmo. Cameron soltou um riso abafado e continuou a falar.

 - Por favor, Katherine – pediu – Respondi as suas perguntas, agora é a sua vez!

 Estava hesitante em contar. Eu não tinha intimidade com ele. Não o suficiente para sair desabafando sobre a minha vida. Ainda assim, eu estava precisando falar sobre aquilo com alguém, e estava sem opções. Talvez ele fosse uma pessoa boa o suficiente para me ouvir e acabasse não sendo uma experiência tão ruim assim.

 - Briguei com o meu pai – revelei – Briguei muito.

 - Por que? – perguntou, de uma forma extremamente natural.

 - Por que ele foi um idiota total hoje – desabafei – Ele começou a desmerecer tudo o que eu falava e... Ficava arranjando desculpas para a ausência dele no passado. Ele disse que eu não me esforçava para deixar ele orgulhoso! Depois de todos os anos que eu passei fazendo tudo o que eu podia para passar nas melhores faculdades, ele vem me dizer isso? – meu tom de voz ia aumentando, o que só deixava a minha indignação mais clara – Os últimos quatro anos da minha vida foram resumidos em estudos. Eu mal saía com as minhas amigas, não namorei sério com ninguém e tirei as melhores notas... Como ele pode dizer isso para mim sendo que era ele que passava os meus aniversários longe de mim? Eu consigo contar em uma mão a quantidade de Natais que a gente passou o tempo inteiro junto... – sentia as lágrimas começarem a cair contra a minha vontade. Não gostava da sensação dele me ver chorar – Cameron, ele não estava comigo quando eu precisava e agora ele quer recuperar esse tempo perdido decidindo as coisas por mim! Ele me trata como se eu ainda tivesse quatorze anos. Ele não pode fazer isso, não pode!

 - Acho que você precisa de uma bebida – falou, estendendo a garrafa para mim – Não precisa chorar assim. Você está aqui comigo agora, e não com ele. Essa decisão ele não fez – ele sabia as palavras certas para me afetar - Agora pega isso aqui e relaxa um pouco.       

 Não queria aceitar. Não era o tipo de coisa que eu fazia. Eu nunca tinha bebido, não fazia nem ideia do gosto. Mas alguma coisa dentro de mim pedia para que eu pegasse aquela garrafa na mão dele e desse um gole, pelo menos só um.

 - Pega logo – falou – Vai te acalmar e está frio aqui. Álcool esquenta.

 Eu ri e peguei a garrafa em sua mão. Apreensiva, dei um gole. A ponta da garrafa ainda estava quente da boca dele, e isso me trazia arrepios. Como sem nem chegar perto de mim ele me deixava daquele jeito? Talvez esse era seu perigo, me trazia sensações muito boas, mas muito erradas. Quando a cerveja atingiu minha garganta, senti uma pequena queimação, mas não era ruim. Era algo estranho, mas não ruim.

O que eu estava fazendo? Aos dezessete anos de idade – quase dezoito – eu estava bebendo pela primeira vez. Como isso estava acontecendo? Por que eu tinha feito isso? Coloquei a garrafa na mesa ligeiro, me impedindo de tomar outra vez. Cameron estava olhando para o lado, distraído e eu encarava cada pedaço dele.

- Ele tem medo de te perder, morena – falou, sem nem olhar para mim. Aquele apelido me deixava arrepiada.

- Ele não vai me perder, Cameron – respondi – Ele devia saber disso.

- Mas ele não sabe. E você tem que dizer isso a ele. Justamente por causa desse tempo todo aí que ele passou fora, ele só quer ficar com a garotinha dele por mais tempo – explicou, em um tom calmo e leve - Você precisa dizer que isso te incomoda e que você já está grande demais para ser tratada assim, mas que você ainda é a mesma menina, só mais adulta.

Eu sorri, desviando o olhar. Ele era mais legal do que parecia. Mesmo que me trouxesse sentimentos estranhos e me fizesse beber pela primeira vez, era muito mais legal do que se demonstrava.

- Obrigada – falei.

- Por que? Pelo conselho idiota?

- Não foi idiota. Você pode ser bem legal quando quer.

- Gostou da cerveja? – perguntou, mudando de assunto rapidamente. Algo me dizia que ele não se sentia à vontade com elogios.

- É melhor do que eu pensava – respondi, dando um gole maior do que deveria. Devolvi a garrafa para ele – Eu preciso ir. Não quero que alguém entre no meu quarto e não me encontre lá. Minha mãe iria surtar se soubesse que estou aqui.

- Aqui comigo? – perguntou.

- Não – respondi, revirando os olhos. Mas eu sabia que ela não ia gostar nadinha de me ver conversando com um funcionário – Aqui no deck, bebendo quando já passou da meia noite.

- Tudo bem – falou, pegando a cerveja – Boa noite, então.

Me levantei para sair, mas sentia como se ainda precisasse dizer algo. Algo que ele precisasse ouvir. A sua companhia naquela madrugada havia me ajudado. Depois de brigar com o meu pai daquele jeito, ele havia feito com que eu me sentisse mais leve. Engoli em seco e falei, olhando em seus olhos:

- Você é uma pessoa melhor do que pensa ser, Cameron.

Então, ele sorriu. E seu sorriso foi a coisa mais linda que eu já havia visto em toda a minha vida. 


Notas Finais


E aí, o que acharam? Ficou muito longo? Se quiserem, me avisem que posso dividir os que ficarem nesse tamanho em dois.
O relacionamento da Katherine com o Cam vai fluir bastante a partir de agora, espero que estejam gostando dos dois!
Me deem suas opinioes nos comentários! é muito importante para mim mesmo!

beijooos <3

meu twitter: https://twitter.com/wtfnashx
fav nesse tweet se quiser que eu te avise quando tiver capítulo novo: https://twitter.com/wtfnashx/status/786362829351686144


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