História RubyLock - Capítulo 6


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Biologia, Ciencia, Fantasia, Ficção, Ficção Cientifica, Física, Furry, Genética, Humanos, Química, Rubylock, Sci-fi, Universo Alternativo
Exibições 25
Palavras 4.815
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Aventura, Fantasia, Ficção, Ficção Científica, Mistério, Sci-Fi, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Cross-dresser, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Suicídio, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


O passado, o que você era:
Uma lembrança, direta e sincera.

O presente, o que você é:
Molde-o como quiser.

O futuro, o que será:
Misture o presente e o passado
e logo o verá!

Pra cada dia, 24 horas. Para cada minuto, 60 segundos.
O presente é um manifesto do passado
se sofreu antes, logo será recompensado! c:

Capítulo 6 - (14-01-19) - Passado Manifesto


A grande montanha, coberta de neve e cinzas, era escalada lentamente pelo alpinista branco. Sábio esse, que subia sem medo de cair e sem medo do que estaria no topo. Nem mesmo a mais forte nevasca e nem mesmo o mais poderoso furacão de poeira conseguiriam derrubá-lo.

Abaixo, as nuvens corriam pelos céus gélidos. Acima, o distante pico. Ao parar em uma caverna para descansar, encontrou um acampamento de pessoas que não tinham forças nem para subir nem para descer. Um operário azul, um pescador vermelho, uma lenhadora rosa e um mendigo amarelo. O mendigo estava mais ao fundo da caverna, em uma fogueira menor e mais fria.

Estavam presos na montanha por muito tempo. Anos? Décadas? Séculos? Todos já perderam a conta.

O alpinista tinha comida, mas não era suficiente para todos. Se dividisse, não poderia chegar ao topo. Se não dividisse, subiria com um peso extra (bem pesado) na consciência.

Desistiria do seu sonho de escalar até o topo ou ajudaria os necessitados?

Ele pediu um tempo para pensar. Dez minutos, no máximo. Foi mais ao fundo da caverna e começou a pensar. O mendigo continuava em silêncio na pequena fogueira, porém quebrou o silêncio para falar algumas coisas importantes.

Ele disse que era um cientista muito famoso e inteligente, até decidir escalar a montanha. Queria pesquisar uma anomalia que ficava no topo, mas não trouxe suprimentos suficientes e teve que acampar na montanha.

Quando o pescador subiu a montanha, parou na caverna e dividiu a comida. Com metade dos suprimentos, não conseguiria subir a montanha. A nevasca forte piorava a situação.

Até hoje ele não sabe por que o pescador subiu a mais alta das montanhas.

Continuaram dividindo até acabar. Então chegou o operário.

Ele queria construir um tipo de escada para o espaço e precisava começar do lugar mais alto. O pico da montanha era tão alto que daria para o gasto. Quando encontrou os dois, dividiu os suprimentos em três e não conseguiu subir.

A lenhadora, por sua vez, acreditava na lenda da árvore sagrada. Uma árvore de carvalho escuro, que possuía a madeira mais forte e valiosa do mundo. Sua seiva seria petróleo bruto e suas folhas ricas em ferro. Subiu até a caverna e dividiu sua comida em quatro. Não restou quase nada, passaram fome por dois dias. Então, o quinto alpinista.

O mendigo insistiu que não dividisse a comida e chegasse ao topo. Esse ciclo não teria fim se continuasse assim. Eles morreriam de fome, mas seu sofrimento acabaria de uma vez. Se ainda estivessem vivos quando ele decidisse descer a montanha, diria o que havia no topo.

Mas o alpinista recusou. Acreditou que a vida de muitos valia mais que seu sonho de vida. Os dois discutiram por muito tempo, mas o alpinista voltou para a entrada da caverna assim mesmo. Decidiu que dividiria a comida ao amanhecer, para que todos pudessem comer. Concordaram, e dormiram.

Ao amanhecer, todo seu equipamento havia sumido, assim como o machado da lenhadora, o capacete do operário e a vara do pescador. Quando o alpinista correu para o fundo da caverna, procurando o mendigo, apenas encontrou a outra entrada da caverna.

Ao chegar lá, suas coisas estavam em seu corpo. Olhando para trás, a caverna não passava de um buraco que acabava logo ali. Tentou entender o que aconteceu, mas nada veio em sua cabeça. Ao olhar pra cima, o topo estava muito perto. Seria aquela a anomalia que o mendigo falou?

Decidiu continuar sua escalada e, depois de algumas horas, chegou ao topo. Lá havia uma cientista amarela, sentada em cima de um cobertor, olhando para o horizonte.

Alpinista: Uh... Olá? – Terminou de subir e ficou de pé no topo, que era menos íngreme que a montanha.

Cientista: Hey.

Alpinista: O que você está fazendo aqui em cima?

Cientista: Esperando o fim do mundo.

Alpinista: ...Oi?

A cientista apontou para o horizonte. Quando ele percebeu, a Lua estava dez vezes maior e o oceano parecia ser feito de petróleo. Todas as árvores tinham uma coloração prateada, suas folhas brancas e as raízes num marrom bem escuro. As nuvens estavam quase ao nível do mar e o fim, muito próximo.

Alpinista: ... – Apenas observou aquela paisagem macabra por alguns minutos, se sentido muito vazio por dentro. No topo da montanha só havia o fim.

Alpinista: M-mas por quê? E assim, tão cedo?

Alpinista: Isso é informação demais para absorver... – Ele colocou a mão nos seus cabelos, puxando com força. Começou a entrar em desespero.

Cientista: Olha, não tem nada que possamos fazer. – Desenterrou uma lata de refrigerante da neve e abriu. Estava bem calma e serena, vendo o mundo que ela vivia e amava seria engolido pelo horizonte.

Cientista: Vamos todos morrer de um jeito ou de outro. Por que entrar em pânico então? 

Alpinista: PORQUE TEM UMA LUA GIGANTESCA VINDO NA NOSSA DIREÇÃO! – Apontou para a Lua que não parava de crescer, vindo na direção deles bem rápido.

Cientista: Para morrermos, basta estarmos vivos. Sente-se aqui, vamos esperar nossas horas apreciando a paisagem. – Bateu a mão no chão de leve umas três vezes ao lado dela, tentando reconforta-lo da situação. Seus braços pareciam ser prateados.

Alpinista: VOCÊ TÁ MALUCA?! NÓS TODOS VAM-

Cientista: Aí vem o horizonte. – Ela respirou fundo, ele se desesperou ainda mais e fim.

William acordou. Tudo aquilo não passava de um sonho bem surreal.

Levantou, olhou para os lados e ainda estava naquele quarto abafado com Katherine e Michelle. Parou um pouco e pensou, para então se levantar.

Foi até a sua mala – conseguiu salvar todos seus pertences por ter saído correndo pelas escadas –, pegou um tipo de diário para anotações e começou a desenhar algo.

Aquele diário era onde anotava futuros projetos para serem construídos. Ele já havia pensado em praticamente tudo. Portais, elevadores, softwares, armas, escudos e todo tipo de tecnologia muito avançada.

Para construir algum deles, no entanto, precisaria de materiais raros e muito caros, como urânio e resíduos radioativos, e isso não tem para vender na lojinha do Seu Pereira.

Desenhou um estranho símbolo, de olhos fechados, e começou a pesquisar na internet se ele pertencia a alguma cultura ou religião. Quase nunca deu certo, apenas uma única vez, quando ele desenhou um triângulo de chapéu e gravata borboleta.

Pouco tempo depois, Michelle acordou. Viu William deitado escorado na parede, de pijama, segurando o notebook e o diário. Quando ameaçou se levantar, ele disse:

William: Acordada tão cedo? – Olhou para o lado e logo depois voltou a escrever.

Michelle: ...Que horas são?

William: 4 da manhã.

Michelle: É... Acho que vou voltar a dormir... Não tem sorvete mesmo...

William: Antes de você ir, reconhece esse símbolo? – Ele mostrou o símbolo no livro. Ela o pegou para ver mais de perto.

Michelle: Olha, eu não sei... – Esfregou os olhos e bocejou.

Michelle: Onde você viu isso? – Passou as páginas silenciosamente, tentando ler o diário de William.

William: Eu tive um sonho bem bizarro, e lembrei ter visto esse símbolo em algum lugar. Foi estranho. Eu era tipo um alpinista que estava tentando subir uma montanha muito grande. Acho que era maior que o Monte Neverwest.

William: Tinha uma caverna... Um pescador... Um mendigo... Aí uma cientista... Depois uma árvore...

William: E eu podia jurar que a Lua estava caindo.

William: O oceano estava preto, e tinha uma tal escada também.

Michelle: Eu tive um sonho bizarro também. Eu estava-

William: Eu podia jurar que tinha um barco também. Ou era um avião...?

William: Nah, barco. Avião? Hm...

William: É, era um barco.

William: ...Avião?

William: Qual o nome daqueles “aviões-barco” mesmo?

Michelle: Avião-barco?

William: Aquele barco com formato de avião.

Michelle: Você fala de um FlyShip?

William: Esse mesmo! Mas eu achava que isso estivesse escrito só no meu diário e... – Quando olhou para o lado, ela estava escrevendo no diário dele.

William: O que você pensa que tá fazendo?! – Não só parecia, mas estava bravo.

Michelle: Seu portal é muito defeituoso, tô consertando.

William: Defeituosa é você, me dá meu diário! – Tentou pegar, mas ela se afastou com ele. Engraçado como as coisas mais ofensivas são invisíveis ao olho nu.

Michelle: Sério, você tá usando as medidas erradas! 10 quilos de EdelCinnuranium bruto é extremamente tóxico e corrosivo, derreteria o aço que nem ácido. 25 gramas são o suficiente.

William: ME DÁ MEU DIÁRIO! – Colocou o notebook no chão, e se jogou na direção dela para pegar o diário. Não teve força o suficiente e acabou caindo em cima da Katherine. 

Os dois ficaram em silêncio, imóveis. Ela continuou a dormir como uma pedra. William saiu de cima dela bem devagarzinho, e Michelle perguntou:

Michelle: O que tem de tão importante nesse diário? – Os dois preferiram sussurrar para não acordar Katherine.

William: Não te interessa, me devolve! – Ele tentou tomar o diário das mãos dela, mas ela o jogou em cima do guarda-roupa.

William: ...

William: Algum dia, Michelle... Algum dia eu t-

Michelle: Não se eu te matar primeiro.  – A cara dela fechou de repente, e os dois se encararam por algum tempo.

Michelle: Agora sai daqui, tenho que trocar de roupa. – Ela o expulsa do quarto. Infelizmente, ele estava de pijama no corredor mais movimentado.

Ficou muito envergonhado, mas ao ver praticamente todo mundo da fila do banheiro de pijama, relaxou um pouco. Ficou esperando na fila, e na volta se deparou com Katherine lendo o diário dele. Que bagunça.

Katherine: Veja só quem chegou...

William: Oh no.... (Oh não…)

Katherine: É o Willy!

William: NO! Stop it! (NÃO! Pare com isso!)

Katherine: Você era tão fofinho quando era pequeno! – Ela mostra uma foto dele colada no diário. Ele tomou o diário dela, muito envergonhado.

Katherine: Sapere, não precisa ficar assim. Você não é o único que ganhou esses apelidinhos. E também, já colocaram foto de quando eu era pequena no Bookface. 

William: ...Obrigado. Isso consola um pouco... Eu acho.

Katherine: Vou continuar te chamando de Willy.

William: ...

William: Eu te odeio. – Sorriu um pouco envergonhado.

O telefone dele começou a tocar, de dentro da mala. Foi até ela, guardou o diário e atendeu.

William: Hello? (Olá?)

???: Willy, sweetie, how are you? (Willy, querido, como vai?)

William: I’m fine, grandma. And you? (Estou bem, vó. E você?)

Vó do William: I’m fine. Your grandpa is still a bit worried, but he’s getting better. (Estou bem. Seu vô ainda está um pouco preocupado, mas ele está melhorando.)

Vó do William: I called to say that my mother, your great-grandmother... Died just a while ago. (Eu liguei para dizer que minha mãe, sua bisavó... Morreu agora pouco.)

William: ... – Seu sorriso fechou, e ele foi tomado por um tipo de mágoa profunda.

Mãe do William: She left you 40% of the inheritence, almost 1 Million Oceuros. Also she told me to tell you that she loved you very much, and you were always the favorite grandson she had... (Ela te deixou 40% da herança, quase 1 milhão de Oceuros. Além disso, ela disse-me para lhe dizer que te amava muito, e que você sempre foi o bisneto favorito dela...)

William: ... – Chorava baixinho.

Mãe do William: Well... I have to go now. Your father and I are going to drink a little, because... Y’know. (Bem... Tenho que ir agora. Seu vô e eu vamos beber um pouquinho, por que... Você sabe.)

Mãe do William: It might help a little... (Talvez ajude um pouco...)

Mãe do William: Goodbye sweetie. Do not get too worried, ok? (Tchau querido. Não fique muito preocupado, ok?)

William: K’ granny... (Ok vózinha...)

William: I love you... (Eu te amo...)

Mãe do William: I love you too. Bye... (Eu também te amo. Tchau...)

Ela desligou. Ele desistiu de se conter e começou a chorar. Katherine parecia preocupada com ele.

Katherine: Hey... O que foi? Eu não entendo ocinortês... – Quando ele se virou, já estava caindo em lágrimas.

William: Minha bisavó morreu agora... – Ela o abraça.

Katherine: Não fica assim não... Essas coisas acontecem mesmo...

William: Eu vou sentir tanta falta dela... Nós costumávamos jogar juntos toda vez que eu visitava o asilo depois da aula...

William: Depois que meu bisavô morreu, eu era o único amigo dela. Ela não era louca que nem as outras aposentadas do asilo... Ela era muito legal e carinhosa comigo... – Ele a abraçou mais forte.

William: Ela me ajudava com as tarefas e ás vezes até com os trabalhos da escola...

Katherine: Er... Desculpa, eu não sou boa em consolar as pessoas. – Eles se soltam do abraço.

Katherine: Quer passear no shopping um pouco? Aposto que vai te animar um pouco.

William: Tá... Vamos... Só preciso trocar de roupa.

Katherine: Nos vemos na portaria então.

Após os dois se arrumarem, caminharam até a portaria do campo de concentração. Ela era iluminada pela lanterna do celular do porteiro, Oldway.

Katherine: Até aqui você é porteiro? – Ao passar pela portaria, enquanto ele anotava os nomes de quem saiu.

Oldway: Meh, fazer o quê. Pelo menos essa tá limpinha, né? – Brincou com o antigo estado da portaria original, e os dois riram um pouquinho.

Os dois caminharam até o ponto de ônibus, mas Katherine passou direto.

William: Ou, o ponto de ônibus é aqui. – Apontou para o ponto.

Katherine: E quem disse que vamos de ônibus?

William: Você quer ANDAR até o shopping?! – Apressou o passo para acompanha-la.

Katherine: O termo certo é caminhar, e sim. Por que não?

William: Porque é para isso que serve o transporte público. Para não precisarmos percorrer longas distâncias.

Os dois continuaram caminhando, e ela continuou em silêncio.

William: É sério, eu não quero ir caminhando até lá. É muito longe!

Katherine: Deixa de ser preguiçoso, são só 10km. Umas duas horas de caminhada no máximo.

William: Você só pode estar doida...

Katherine: Nem.

William: ...Não vamos ao menos levar garrafas d’água?

Katherine: Você já notou quantas lojas tem só nessa rua?

Katherine: Quando ficarmos com sede, paramos e compramos. Dá até pra aproveitar e tirar uma pausa. Olha que ideia boa.

William: Yey... – Levanta os braços, desanimado.

William: Mas e o que nós fazemos durante a caminhada?

Katherine: Podemos conversar ué.

William: “Conversar?”

Katherine: Con-ver-sar. C-O-N-V-E-R-S-A-R.

Katherine: Como é em Ocinortês... Hm... – Ela põe a mão no queixo e começa a olhar para o nada.

Katherine: Acho que é “talk”. É, deve ser.

William: Você fala tipo, interação social direta? Sem chamada em vídeo e tal? 

William: P-pessoalmente?

Katherine: Isso. Tem algum assunto?

William: Acho que não... Você tem?

Katherine: Eu nunca tenho... – Enfiou as mãos no bolso enquanto continuava andando.

Ficaram num silêncio constrangedor até virar a esquina.

Katherine: Então...

William: Então...

Katherine: Tem notícias do Karlos?

William: ...Quem?

Katherine: O substituto.

William: Ah, não. A última vez que eu vi ele foi quando ele estava sendo colocado na ambulância. Daí eu não vi mais ele.

Katherine: Eu fiquei bem preocupada, ele estava sangrando tipo, pra caralho.

William: Eu acho que ele quebrou alguns ossos. Você me disse que um monte de gente caiu em cima dele...

Katherine: Ye... Vamos mudar de assunto.

William: Ok. Quer falar sobre o quê?

Katherine: Hm... Você joga algum jogo de estratégia?

William: Saafrica Universalis V e Colonization Kings III.

Katherine: Você joga SU V? A gente podia marcar um dia pra jogarmos juntos!

William: Não dá pra jogar multiplayer, meu IP fica dando conflito com o Coal. Erro do Muultiple, eu acho.

Katherine: Já procurou sobre o erro no Moobile?

William: Já sim. Muitos estão dando esse erro por causa da nova atualização, e ainda não tem solução. Só me resta esperar.

Katherine: Outro dia jogamos então...

Katherine: E como vai a vida?

William: Normal... Minha “bisa” morreu, meus pais ficaram preocupados, o prédio caiu. Nada de tão anormal.

Katherine: Ah... Se te consola, minha mãe morreu logo depois que eu nasci.

William: ...

Katherine: E depois que meu pai foi preso e isolado, meu tio que ficou sendo meu responsável e do meu irmão.

William: ...Sabe, você me lembra a minha mãe, só que mais “relaxada”.

Katherine: Obrigado.

William: Ainda vamos demorar pra chegar lá?

Katherine: Estamos no mesmo bairro ainda.

William: Ah...

Katherine: Você parece uma criança mimada perguntando “nós já chegamos?”, “mamãe, nós já chegamos?”, “quando chegarmos me avisa tá?”, “e agora, nós chegamos?”, sabia? 

William: ... – Ficou um pouco constrangido, e olhou para o outro lado

Foram conversando até o shopping sobre quase tudo. Primeiro alguns assuntos leves, como clima e trânsito, mas depois surgiram discussões sobre política e religião, e finalmente uma reflexão mútua profunda sobre o sentido da vida e o papel de cada indivíduo na jornada da vida.

Nada como uma boa conversa profunda para tirar a poeira da cabeça. Quando perceberam, já estavam na porta do shopping.

Katherine: Então, por onde começamos? – Esfregou as mãos umas nas outras, como se estivesse bolando um plano maligno.

William: Eu não sei... Eu só vim aqui umas três vezes, se não me engano. – Olhava ao redor, meio perdido. Coçava a parte de baixo da mandíbula esquerda para despistar.

Katherine: Só três?!

Katherine: Willy, Willy... – Olhou para ele desapontada.

William: Não me chame assim. – Colocou um olhar muito sério.

Katherine: Temos um dia longo pela frente.

Katherine: Já que você não conhece bem o lugar, eu escolho pra você.

William: Ok, o que sugere?

Katherine: Vamos começar por algo leve e calmo, como... Hm... Ahá! – Apontou para o Light Tag, no meio da GameZone.

William: ...Light Tag? – Relaxou os ombros decepcionado.

A antiga arte do Light Tag é como um jogo de pegar com lasers. Alvos sensíveis as luzes infravermelhas são comumente usados por cada jogador e às vezes são integrados dentro da arena em que o jogo é jogado.

No jogo, você precisa acertar no meio de um colete vestido por outros jogadores com sua pistola enquanto tenta se defender dos outros. O que iriam jogar era a Rodada Eliminatória, onde um jogador é eliminado se for acertado certo número de vezes.

Katherine: Hora de colocar todo treinamento em jogos de tiro em prática! – Ela estava energética, mesmo depois da longa caminhada. Os dois já estavam na porta, entrando na sala onde iriam jogar. Usavam o colete e a pistola do light tag.

William: Mas eu nunca joguei FPS! – Um pouco cansado, e com apenas a explicação mencionada anteriormente. Sentia-se despreparado para jogar.

Katherine: Hora de aprender, então! Vamos, vamos, vamos! – Correu pra dentro, o chamando com um sinal de mão.

William: Ei, me espera! – Ele a seguiu desesperado.

Após algumas partidas, saíram os dois exaustos. Havia um mar em cada axila do William, que já estava cansado antes mesmo de começar.

Devolveram o colete e as armas, e foram na sorveteria ao lado para se refrescar com o ar condici- Quero dizer, um sorvete.

William: ...Aí o horizonte “engoliu” tudo e eu acordei.

Katherine: Caralho...

William: Eu fiquei um bom tempo tentando entender aquilo, mas eu não cheguei em quase nenhuma conclusão direito.

William: Eu só cheguei a saber que as árvores de Edelwood tem petróleo bruto no lugar da seiva natural, e que as folhas delas são um tom de verde diferente da clorofila comum.

Katherine: O maior mistério mesmo é por que o pescador subiu a montanha. – Ela brincou com tudo aquilo, e ele riu. Era o esperado vindo da Katherine.

William: Verdade, verdade...

Katherine: E aí, onde quer ir agora? – Falou e logo em seguida voltou a beber do ice-shake de morango.

William: Hm... I dunno... (Hm... Eu não sei...)

William: Já jogamos Light tag e tomamos sorvete. Eu não sei mais o que dá pra fazer, eu não conheço o shopping.

Katherine: Podemos voltar se quiser. Jogamos pra caramba...

William: Pior que é verdade...

Katherine: Veja pelo lado bom, você se divertiu.

William: Você ficou me usando de escudo! – Os dois começaram a rir.

Katherine: Nem vem que você corria!

William: Claro, você queria que eu perdesse no seu lugar!

Katherine: Você ficava gritando e respirando alto, revelava a nossa localização pro outro time.

Katherine: Eu tive que jogar sozinha, praticamente!

William: Eu já falei que não sabia jogar jogo de tiro.

Katherine: Admite logo que você se divertiu.

William: Tá bem, eu me diverti mesmo. Obrigado – Eles pararam de rir um pouco, e voltaram aos ice-shakes. William manteve um sorriso leve logo após.

William: Então, vamos para casa? – Jogou seu ice-shake no lixo reciclável e se levantou.

Katherine: Vai de ônibus, eu vou aproveitar pra visitar um amigo que mora aqui perto. Além do mais, não terminei o meu. – Ela continuou bebendo, enquanto ele limpava a mesa.

William: Nos vemos em casa então. – Estendeu a mão para ela. Ela colocou o ice-shake na mesa e pegou sua mão.

Katherine: Tchau escudo! – Acenou de longe enquanto saía.

William: Até logo mãos frias! – Acenou de volta. Uns minutos depois dele ir, ela saiu da sorveteria e do shopping.

Foi caminhando por umas ruas com a mão no bolso, olhando para o chão de cabeça baixa. Ao chegar ao seu destino, entrou e conversou com a recepcionista. Estava no hospital.

Katherine: Eu vim visitar um amigo meu, ele deve ter chegado aqui no dia do incidente. O nome dele é Karlos Geek, uns 19 anos.

Depois de assinar uma papelada e resolver algumas coisinhas, ela chegou a sala. Num papel convenientemente colocado na porta da sala dele estava escrito “A-749 e A-750”.

Ao entrar, viu Karlos num tipo de coma profundo e Matthew – para ela um completo desconhecido – cego, com os olhos vendados em faixas médicas. Ele parecia estar se recuperando bem melhor, os machucados de seus braços estavam em ruínas, as famosas “casquinhas”.

Katherine: ... – Olhou para Karlos, com tubos de respiração e ainda com os machucados que se recusavam a cicatrizar, de cabeça baixa e preocupada. 

Matthew: Você veio visitar ele...? – Na sua cabeça, olhou para Katherine, mas na verdade estava olhando para a parede.

Katherine: Isso... – Não sabia ao certo o que sentir por ele. O pouco tempo que ele esteve naquele apartamento foi apenas para terminar a sua mudança.

Katherine: Você sabe quanto tempo ele está assim?

Matthew: Quando ele chegou estava até bem, mas com uns problemas respiratórios. Ficamos conversando, mas só até ele desmaiar e entrar em coma...

Matthew: Você é a primeira visita que ele recebe. Queria ter esse luxo... – Olhava para a janela, fechada e trancada. Na cabeça dele, olhava fundo no horizonte.

Katherine: Seus amigos não vêm te visitar? - A sala está bem vazia para dois apartamentos inteiros... – Olhando em volta, só duas camas estavam ocupadas, de um total de oito.

Matthew: ...E se eu te falasse que sou o último? – Segurou o fino cobertor da cama do hospital com força. Parecia que fosse chorar, mas segurava enquanto podia.

Katherine: ...

Matthew: Eu tento falar com ele desde que ele entrou nesse coma. Se ele conseguiu me ouvir, vai acordar estressado. Eu vivo falando da minha cidadezinha pra ele, heh... – Ameaçou uma risada, mas não conseguiu. A preocupação não o permitiu.

Matthew: Você é amiga dele, ou algo assim?

Katherine: Ele é meu amigo, mas eu não consegui falar muito com ele. Chegou no final da semana passada, ficou arrumando as coisas dele até o incidente...

Matthew: Entendo... Antes de você ir, poderia me dizer como ele é? Talvez eu nunca tenha a chance de vê-lo...

Katherine: Claro, er... – Ao olhar para Karlos e pensar em como descreve-lo, pensou por poucos segundos como ele poderia ter sido criticado por causa da aparência.

Não queria deixar o pobrezinho sem saber, mas ao mesmo tempo sabia que a verdade poderia ser intensa, e até bem fantasiosa. Inventou uma aparência qualquer e falou:

Katherine: Bem, ele é castanho-claro e tem os olhos brancos. O cabelo é castanho-escuro encaracolado e o peito dele é mais claro que o resto do corpo. – Mentir não é a melhor das opções, mas continua sendo uma opção. Nem todos podem suportar a verdade, também.

Katherine: Basicamente isso...

Matthew: Bem, obrigado. Eu ainda não me acostumei em ser cego e nunca mais ver nada.

Matthew: E desculpa se eu te interrompi a falar com ele. Eu não recebo visitas, no momento estou falando com qualquer um.

Katherine: Sem problemas. Depois eu passo aqui e te visito. Aliás, qual seu nome?

Matthew: É Matthew, mas para você passar na direção meu nome é Matthew Loyalguard, do A-750.

Matthew: Fale com ele a vontade, quem sabe ele te escuta. Faz de conta que eu não tô aqui.

Katherine: Ok.

Katherine: Então... Karlos. Eu não sou boa com esses tipos de conversa, não tive tempo para te conhecer melhor e muito menos ter assunto.

Katherine: Mas, vou ver o que posso fazer. Também, se eu não vier, ninguém vem...

Katherine: Eu dei a notícia para seus pais ontem sobre o que aconteceu, eles não paravam de ligar no seu celular. Eles estão preocupados e querem saber como você está. Eu não pude responder porque também não sabia, mas acho que acalmei eles mais um pouco.

Katherine: Então, se puder, não fica de coma nesse hospital a vida toda. As pessoas aqui fora se preocupam com você, sabia?

Katherine: Pelo menos eu me preocupo...

Katherine: Quanto mais cedo você melhorar, mais rápido as coisas voltarão ao normal. Então não se apegue a esse lugar, não se apegue a ficar sozinho nesse coma. A vida foi feita para ser multiplayer, ok?

Katherine: E agora que eu vim aqui, você me deve uma visita. Então vê se levanta dessa cama logo e volta pro mundo real.

Katherine: Talvez podemos jogar light tag, hóquei, tênis... Quem sabe até futebol?

Katherine: Eu não sei jogar, mas eu dou um jeito. É só impedir a bola de entrar no gol, eu acho.

Katherine: E... É. Eu não tenho muito o que falar, desculpa. Melhora logo, que assim teremos algo para conversar, ok? Te vejo logo. – Levantou e foi embora para o apartamento temporário.

É difícil falar o que você sente sobre uma pessoa que não conhece direito, e sair algo bom daquilo. Tipo quando um parente distante seu “bate as botas”, e você não sabe o que dizer na sua vez porque você não conhecia ele e tal.

Mas assim como as árvores, todos nós precisamos de um apoio para crescer. Como as casas, que precisam de uma boa fundação para se manterem, ou como a cobertura, que precisa do bolo.

Ir sozinho não é impossível. Você pode sim fazer a sua própria fundação e ser uma casinha qualquer da vizinhança, para a família do ego alugar por uns dias que parecem nunca ter fim.

Por sorte, com as novas gerações vieram as novas ideias. Ideias de cooperação e união, que fizeram um novo mundo.

Agora, você poderia ser a fundação de alguém, e juntos, alcançar o céu. Você poderia ter mais de um galho, e muito mais do que só um fruto. E o seu fruto poderia ir ao chão e fazer uma nova árvore.

Dessa forma, uma floresta inteira nasceria a partir de você. Uma geração mais nova e mais preparada, que prosperaria e criaria mais gerações, que continuariam eternamente.

Uma cidade pode crescer a margem de um rio, ou uma cidade inteira pode surgir por causa de uma única pessoa. Pergunte a Koopersa Bay, a cidade isolada no deserto gelado que se tornou uma das mais reconhecidas cidades do mundo todo.

Mas assim como algumas formas de vida podem criar suas novas gerações sozinhas, como as bactérias, muitos não podem, como os animais em geral.

Viver sozinho nem sempre é a melhor opção. Um grupo de pessoas que você entende, e te entendem, não tem valor. Não é possível descrever as mudanças e o que vocês podem fazer juntos.

Na verdade, é mais fácil falar o que vocês não podem fazer. Juntos, irão longe. Como um prédio que cresce cada vez mais alto, em rumo ás estrelas.

Por que viver sozinho, apenas com seu ego, se existem pessoas que te amam? Se não acha isso, primeiro pense que para alguns é difícil admitir isso. Não seja a palmeira da ilha isolada, seja uma árvore da floresta Amazônica.

Não seja uma casa muito engraçada, sem teto e sem nada. Seja um prédio, alto e poderoso, resultado de uma multidão de pessoas trabalhando juntas por um propósito maior.

Não seja um país. Para um bem maior a todos, esqueça qualquer forma de divisão. Somos todos frutos da mesma árvore.

 

 

 

 

 

 

 

William: Nossa, eu tive muita sorte dessa vez. – Tirou seu diário de um bolso secreto dentro da blusa grande (que ia por cima da blusa comum). Junto dele uma lanterna de luz negra.

William: Todos acham que a Iceálica é só um grande deserto, e um muito, muito frio. Poucos sabem os segredos escondidos sobre o gelo. – Ao ligar a luz negra, apenas a verdade se mantém nas páginas do diário.

William: Meus verdadeiros segredos são guardados sob a luz negra. – Viu uma página específica e o fechou. Guardou tudo em seu lugar e pronto, aquilo nunca aconteceu.


Notas Finais


1) RubyLock não estava em hiato?
R: Ainda está. A semana do saco cheio me deu tempo de sobra para fazer esse. Depois desse, só em Dezembro ;_;

2) Parte x ficou muito vaga, dá pra explicar melhor?
3) Você escreveu y errado, é z.
R: Caro leitor, se algo está daquele jeito é porque deveria estar. Alguns "erros" são propositais c:
Ex: Ice-shake no lugar de milk-shake. Vacas não são animais comuns em RubyLock como é no nosso mundo, leite não é algo produzido em grandes quantidades.

4) "AAAAAAAAAAHHHHM AMEI A HISTÓRIA, QUERO O PRÓXIMO CAPÍTULO AGORA!!! ANDA, ANDA, VAI, VAI, VAI!!!"
R: CALMA LEITORZINHO, CALMA. Eu tenho muitas coisas para tratar na minha vida real, como passar na prova do CEFET-MG da minha cidade, e pra isso eu preciso estudar até morrer c:

P.S: Relaxa, é modo de dizer. Eu vou ficar bem, eu acho...


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