História Ruídos de Saturno - Capítulo 10


Escrita por: ~ e ~Jeleninhaz

Postado
Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Autismo, Constelações, Romance, Saturno, Shawn Mendes, Starlotus2017
Visualizações 186
Palavras 1.524
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Romance e Novela
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Hey, gente! Jéss aqui, e tô atrasada com o capítulo mais uma vez! Terminamos o capítulo há pouquíssimas horas e resolvemos atualizar logo, as opiniões de vocês tem nos deixado bastante animadas e satisfeitas com a história, então muito obrigada por sempre estarem aqui 💜
Esse capítulo tomou o lugar de alguns, se encaixando como o meu preferido por conta da carga que passamos, esperamos que gostem ;)
Boa leitura!

Capítulo 10 - Quebrado


Alguns dias depois.


      Conforme deslizo para fora da cama, encolho meu corpo o quanto posso. A temperatura fria do chão deveria ser o suficiente para me fazer levantar, porém, algo me trava. Não sinto vontade de outra coisa a não ser procurar conforto embaixo das cobertas, nem mesmo de vestir o pijama ou de realizar qualquer outra ação. Quero ficar quieto, parado, a salvo das palavras que insistem em bombardear a minha mente.

Sou privado dos meus próprios desejos. Mamãe afirmou com todas as letras: ela me acha um incapaz. As frases gritadas há poucos dias ecoam diversas vezes pelo meu cérebro. Não quero mais ouvi-las, mas, até então, não há escapatória. Pelo menos, não quando preciso fugir de mim mesmo.

Pouso o queixo sobre os joelhos; de olhos fechados, sentindo lágrimas novas e quentes substituírem as secas. Minhas mãos apertadas em punho, guardam o pingente de Saturno que Iris me deu em um de nossos encontros. Nunca mais fui capaz de largá-lo. É uma parte dela, pequena e separada de seu corpo, contudo, a única lembrança física que tenho.

Por que dói tanto?

Pouquíssimos segundos são o bastante para que eu me sinta pequeno, vulnerável e nas mãos de algo ruim. A realidade é dura. Talvez as psicólogas possam me explicar o que é isso, dizer que está tudo bem e me ensinar o antídoto para que a sensação péssima vá embora. O problema é que não é possível apagar o passado; as ações feitas não podem ser alteradas, assim como palavras ditas.

Uma sequência curta e rouca de toques contra a madeira escura da porta chama a minha atenção.

— Shawn? Papai pode entrar? — meu silêncio longo lhe serve como resposta, e ouço o giro da maçaneta. — Você está bem? — desvio o olhar para as minhas mãos.

O pai solta um suspiro profundo e ruidoso, antes de se acomodar ao meu lado no chão.

— Você não sai deste quarto há dias... — sua mão grande e calosa repousa em meu joelho, a atrair os meus olhos. — Nem sequer tem se alimentado direito...

— Incapaz. — murmuro.

— O quê?

— Eu. Você e a mamãe disseram que sou incapaz. — as palavras amargam a minha boca, como se a apodrecessem. — Eu ouvi. Ouvi tudo.

Sobreponho minha mão na do pai e retiro-a. Envolvendo as pernas com os braços, deste modo, deixo um espaço entre o tronco e os joelhos, onde permito que meu rosto se afunde.

— Shawn... — ele busca as palavras — não foi isso.

Concordo com a garganta, em uma ação nítida de deboche.

— O que contou a sua mãe é muito sério... — interrompo-o.

— Iris disse que beijar não era algo ruim.

— E não é. — inclino meu rosto para o lado, deixando que um de meus olhos o espie. — Mas é delicado... tudo com você deve ser cuidadoso.

— Porque sou um... incapaz, certo? — posso o ouvir engolir em seco.

Mais uma vez, meus olhos preenchem de lágrimas. Rapidamente, escondo-os novamente entre as pernas. Cerro os orbes, impedindo que a dor escorra pelo meu rosto.

— Shawn, não diga isso... — ele solta o ar com certo peso. — Você sabe que é diferente das outras pessoas... é especial.

— Sou. Não posso tomar minhas próprias decisões. Não posso.

— Filho...

Sem mais coragem de esconder que meu rosto está banhado pelas lágrimas cálidas, levanto-me e caminho até a porta, a abri-la. Forço meu maxilar, o qual, ao julgar pelo choro, provavelmente está avermelhado.

— Por-por favor, deixe-me sozinho. Não quero brigar. 

— Tem certeza? — assinto, e ele se levanta. — Nós o amamos e, embora você tenha se magoado, fazemos tudo pensando no seu melhor.

Os passos tensos de meu pai o guiam até a saída. Não digo mais nada, apenas encosto a porta. Sinto como se todo o sistema solar caísse sobre os meus ombros, arrastando-me com avidez para baixo.

Viro-me para a cama e encaro minha coberta revirada. É possível que a melhor coisa que eu possa fazer agora seja deitar. Ao menos, fico confortável até a hora de minha consulta. Nunca desejei tanto ir à psicóloga. Preciso de respostas.

Aconchego-me entre os lençóis, cobrindo o meu corpo com o edredom macio e quente. Viro o meu rosto para a parede e obrigo os meus olhos a se fecharem. Minha mente traz Iris de volta junto ao maldito beijo. Forço o meu cérebro a expulsar qualquer pensamento. Preciso descansar, mesmo acreditando que não dormirei.

Crença falha. Um foguete me busca e, em poucos minutos, viajo pelos meus sonhos, acompanhado das estrelas. Quando dou por mim, é hora de pousar.

Ergo-me às pressas e pego qualquer roupa. Fico pronto em tempo recorde; em seguida, caminho em direção ao espelho e encaro o rosto refletido ali. Minha pele pálida ainda está corada do choro, bem como os lábios aparentam um tanto inchados. Curioso, no entanto, é o olhar.

Vago. 

Desço as escadas. Mamãe está sentada à mesa, despreocupada. Normalmente, a essa hora, ela está pronta e com as chaves do carro na mão. Hoje é diferente. 

— Vamos? — indago, coçando o cotovelo, sob os efeitos do nervosismo.

— Aonde, Shawn? — ela ri. — Sente-se comigo, precisa comer alguma coisa.

— À consulta. Drª Patricia. Hoje é dia. É sim.
Minha mãe se levanta, colocando os óculos, os quais outrora cobriam seus olhos, sobre a mesa. Acredito que ela tenha feito isso para que nada atrapalhasse o olhar cortante que me lança.
Sem que ela diga nada, sinto meu estômago, vazio como meu interior, embrulhe.

— Você não vai mais à psicóloga, Shawn. Encerramos os atendimentos.

— O-o quê? Co-como assim? — a gagueira se intensifica. — Por-por quê?

— Não faziam bem a você. — dispara, sem o menor tremor nas palavras.

Percebo minha mão tremular, cerro-a em punho. É uma tentativa nula de conter a raiva, porém, de algum modo, conforta-me.

— E a Iris?

— Não verá mais essa pervertida.

— Amiga. Iris é minha amiga. Ela não é isso. Não é. — minha mente se embola.

— Você não sabe o que é ter amigos, Shawn. Eu sei, e ela não é boa para você.

Neste instante, minha mente está tão vazia quanto um planeta sem nenhum organismo vivo. Sinto-me oco, triste e solitário. Uma parte de meu cérebro gradativamente tenta entender o porquê de eu não poder mais ir às consultas, mamãe sempre insistiu muito para que eu fosse, ela dizia que quanto mais dias da semana, melhor. 

Aos poucos, Iris se transformou em parte da minha rotina, parte da minha vida, nossas conversas, nossos momentos em silêncio, nossos instantes pensando nos planetas. Tudo ocorreu de um modo intenso ao ponto de eu não conseguir mais imaginar meus próximos dias sem ela. 

Lágrimas escorrem pelo meu rosto, quentes, ardentes nos olhos como ácido, elas representam meu sentimento descontente. O pensamento de que a culpa seja minha por tê-la beijado causa um impacto muito grande. Não posso ter estragado tudo. Não posso. Todavia, tiro isso da cabeça ao lembrar de suas palavras, quando afirmou que beijar não era ruim.

Ela não mentiria, e ela gostou do beijo. 

Há culpados nisso, sei que sim, mas não somos nós.

Incapaz. 

"Shawn não é apto para tomar as próprias decisões, nunca será." 

A frase em questão age como um punhal em meu coração, esfaqueando-me sem pausa. É isso que eles pensam sobre mim, é o que sempre pensaram. Mesmo quando tentavam me convencer de que o mundo todo estava errado ao pensar exatamente a mesma coisa. É irônico, é sarcástico, é hostil. 

Em forma de defesa, seguro o pingente. A filha da psicóloga nunca mais poderá me explicar nada. Assustada, a mãe pega a bandeja com frutas sobre a mesa. Isso é estranho. Ela está nervosa.

— Shawn, filho, você precisa comer! Pode acabar ficando doente. 

Meus sentimentos de repente são inúmeros, atacando-me de uma só vez, eles me deixam confuso. Entretanto, o mais persistente deles é a raiva. A fúria por ser privado de fazer o que quero. Ódio por realmente me ver incapaz.  Ira por olhar para minha mãe e enxergar a confirmação disso ao invés do contrário. 

Ela deveria me proteger, aumentar os sentimentos positivos, apoiar-me, como sempre fez. Por que é diferente agora? 

Movido pelos impulsos raivosos, arremesso a tal bandeja para longe quando ela me é dada. O silêncio que outrora pairava no ar se quebra, se assemelhando ao estado atual do meu coração. 

Enxergo o choque no olhar maternal, mas ao invés de ficar brava conforme o imaginado, ela me abraça contra minha vontade, por longos segundos, até que eu pare de relutar. 

— É por isso que não pode mais vê-la, filho. Ela lhe faz mal. 

— N-não faz, ficar sem vê-la me faz mal, e dói, dói muito. — sussurro quase sem fôlego. 

— Vai passar, eu prometo que vai. Em alguns dias nem se lembrará dela, as coisas voltarão a ser como antes. 

Por mais que meu primeiro instinto seja o de reclamar, afirmando que ela está errada, que não quero que nada seja como antes, a vontade de prosseguir com a conversa desaparece. 

A verdade é que nunca consigo sustentar o sentimento de desgosto quando ele está voltado diretamente para minha mãe, mesmo que ela esteja errada, completamente errada, nossas discussões são destrutivas. E ao que parece, não há mais nada que possa ser destruído em mim.


Notas Finais


Não odeiem a mãe do Shawn, ela realmente acredita que está fazendo o melhor para ele.
O que acham que acontecerá agora?
Com amor,
Lali e Jéss 💜

► Playlist da Fanfic • https://www.youtube.com/watch?v=yKNxeF4KMsY&list=PLQ-MVX5tT4rnzig0i0zEog6RFlXKL0L-1&index=4
► Teaser da Fanfic •
► Conheça Amputado (escrita por Lali) • https://spiritfanfics.com/historia/amputado-7215366
► Disfarce Invisível (escrita por nós duas) • https://spiritfanfics.com/historia/disfarce-invisivel-9197476
▶ Conheça Hurdle (escrita por Jess) • https://spiritfanfics.com/historia/hurdle-8473781


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