História Run. - Capítulo 18


Escrita por: ~

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Categorias Fifth Harmony
Personagens Ally Brooke, Camila Cabello, Dinah Jane Hansen, Lauren Jauregui, Normani Hamilton, Personagens Originais
Tags Dinah Jane, Normani Kordei, Norminah, Run
Exibições 170
Palavras 4.299
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi, amores.

Tem música nesse capítulo, então, se quiserem ouvir, o link tá lá nas notas finais.

Capítulo 18 - Capítulo 17


Normani POV –

 

Haviam se passado três semanas desde a reunião e desde então, Dinah e eu não nos vimos mais, parte pelos mesmos motivos de sempre e também por ela estar ocupada com a investigação sobre o rombo da empresa. Eu, claro, sempre compreensiva, porém extremamente chateada, confusa, e carente. Querendo ou não, eu sentia muita falta de Dinah, e sempre me esforçava para chamar sua atenção, ou convidá-la para sair, mesmo que junto com Regina e Seth – esses que eu também sentia falta, os pestinhas eram adoráveis e eu amei conhece-los. Pelo que Dinah me dizia por mensagens, os dois também haviam me adorado tanto quanto eu os adorei, e enchiam o saco de Dinah para que ela os levasse para meu estúdio para me ver, no entanto, minha amada garota somente dava desculpas e mais desculpas... Tanto pra mim, quanto pra eles. Sean havia parado de viajar, e era da empresa pra casa, o que acabava por prender Dinah, que apesar de o trair, sequer mencionava o deixar algum dia. 

O ponto positivo nisso tudo – se é que posso nomear como positivo – é que eu tive tempo de me aproximar de Camila, que realmente vinha se empenhando para ser gentil, mas continuava tentando me sondar e arrancar informações, o que causava certos desconfortos entre nós, já que eu fazia o mesmo com ela, a deixando irritada e sem falar comigo por algumas horas. No final das contas, Camila me parecia ser boa de coração, e também uma boa amiga, e até me permiti-me contar coisas mais intimas para ela, mas, ainda não entendia qual seu objetivo ao se juntar à Gordon, - que, como todos sabem, é um homem de má reputação, grosso, estúpido e.... eu adoro meu sogro, quero dizer, não exatamente meu sogro, mas... tanto faz!

Como eu estava sem nada para fazer no escritório, já havia adiantado todo o serviço dos próximos dias, estava deitada no sofá do escritório, observando o teto branco.... Bem que esse sofá podia ser mais confortável, né? De que adianta ser bonito, elegante e caro e não ter conforto? Não dá nem pra tirar um cochilo aqui.... Me virei de um lado para o outro, me segurando para não pegar o celular e responder Dinah, que, de novo, tinha me dado um bolo... e sequer era um de comer. Até Lauren e Ally eu vi frequentemente durante essas semanas, principalmente Lauren que fazia questão de vir buscar Camila para almoçar e a trazia de volta, bem que Dinah podia ser que nem a amiga, né?

: - Idiota do caralho! – Resmunguei alto.

 

: - Nossa, que recepção maravilhosa – A pessoa exclamou ao entrar em minha sala, ainda sem bater. – Achei que tínhamos passado da fase de insultos. – Falou e eu ouvi um riso que não era seu.

 

: - Não estava falando de você, Cabello! – Resmunguei me levantando – Mas se a carapuça serviu, vista-a! – Falei de mau humor passando as mãos nos meus cabelos.

: - Está de bom humor assim por causa de quem? – Falou em tom de deboche e eu a fuzilei com os olhos e olhei a pessoa que estava ao seu lado e sorri fraco. – Ah, espera... Tem nome, sobrenome, e desculpas esfarrapadas.

: - Hey, Normani! – Lauren finalmente me cumprimentou. – Ué, se não foi a chata da Camila, quem foi que te deixou soltando fogo pelas ventas? – Disse sorrindo divertida.

: - Oi, Lauren. – Falei acenando com a cabeça. – E.. Bem, é a estupida da sua melhor amiga! Eu estou ignorando ela há algumas horas, mas meu celular não para de vibrar. – Disse apontando pra mesa onde ele estava. – Estou quase o jogando lá embaixo.

: - Ohhh, por isso Dinah está mais estressada que o normal hoje. – Riu e sentou-se em uma das cadeiras em frente minha mesa. – Só hoje ela disse que iria me demitir três vezes. – Levantou três dedos e fez bico. – Vocês brigaram?

: - Não, pelo menos ainda não... – Suspirei chateada. – Por isso estou a ignorando, para evitar brigas. Dá mesma forma que ela evita de sair comigo por causa de Sean –  Falei o nome daquele sujeito com nojo, não ia com a cara dele de jeito nenhum.

: - E ela está chateada. – Camila disse e foi em direção a Lauren sentando em seu colo. – Você vem praticamente todos os dias e sempre dá um jeito de me ver, e Dinah sempre faz o contrário. Devia conversar e dizer a ela o que fazer. – Ela disse e beijou a bochecha de Lauren que sorriu boba. Por alguns segundos sorri olhando o quase-casal à minha frente, mas então lembrei da minha carência e saudade e soltei um grunido enquanto atirava uma almofada em ambas.

: - Não demonstrem afeto na minha frente. – Falei e cruzei os braços. – Estou carente e com saudades daquela imbecil.

: - Olha, Camz! – Lauren falou se levantando. – Ela está carente, tadinha! Vamos dar carinho pra essa pobre moça desamparada. – Veio andando em minha direção com Camila atrás de si. Lauren sentou-se de um lado e Camila do outro. Elas se entreolharam e por fim abraçaram-me ao mesmo tempo.

: - Camila! – Falei empurrando sua cara com a mão enquanto ela ria e tentava me abraçar. – Ainda não temos intimidade para abraços, quero só da Lauren. Sai. – Falei rindo divertida da careta que ela fez antes de tirar minha mão e me abraçar de novo.

: - Por isso mesmo estou te abraçando! – Ela disse rindo. – Estou quebrando barreiras e.... Vim te chamar pra um café, desde que nos aproximamos, não saímos pra conversar só nós duas.

: - E Lauren? Vai conosco? – Perguntei ainda agarrada a Lauren que fazia carinhos em meus cabelos e eu suspirava em deleite. – Só vou aceitar porque estou com fome, deixo dito!

: - Mentirosa, eu bem sei que você anda gostando da companhia de Camila. – Lauren falou e cutucou minhas costelas me fazendo rir. – Vocês já ficam no mesmo ambiente sem se socarem, é um enorme avanço!

: - Camila tem me ajudado com algumas burocracias, e tem sido fácil trabalhar com ela depois que abaixamos as armas. – Falei e olhei sorrindo para Camila.

 

Apesar de nossa aproximação ser repentina, e no começo ser só por interesse meu – e também dela, estávamos criando, ou melhor, já até havíamos criado certa intimidade, o que nos dava mais liberdade para brincadeiras e insultos amistosos. Como eu disse antes, Camila não era de todo ruim, pelo contrário, eu estava gostando de ter alguém por perto que era descontraída e animada – coisa que eu havia descoberto com a aproximação -, nesses anos todos que estou com Usher, eu não tive nenhum amigo além dele, e ela, aos poucos, estava se tornando uma. Porém, ainda mantenho um pé e meio atrás com ela, e enquanto não descobrir o que ela de fato quer, não vou sossegar.

Já Lauren, pareceu saber separar bem negócios e relacionamento. Nas reuniões ela sempre ataca Camila para saber algo a mais, mas assim que terminam, ela é a pessoa mais frouxa de todas.

: - Normani! – Ouvi Lauren chamar. – Tá voando, mulher? Estava pensando em quê?

: - No quanto você é trouxa. – Ri quando ela me empurrou de seu abraço e fez cara de ofendida. – Vai conosco ou não?

                : - Não, acho que vou para Hansen’s, - Ela disse e eu torci o nariz e suspirei. – Você já conversou com ela? Disse como estava se sentindo? – Perguntou e eu assenti.

: - Não sou mulher de esconder o que sinto, L. – Falei e fui até minha bolsa e olhei o ecrã do celular... Várias mensagens deixadas por Dinah. – Conversei, pedi e tudo mais. Mas, no fim, não há muito o que fazer. Ela precisa ficar com as crianças. – Falei num tom derrotado.

: - Vou conversar com a Dinah, não se preocupe. – Levantou e beijou os lábios de Camila e veio até mim. – Ela está pisando na bola, não é justo contigo. – Disse e beijou minha testa.

: - Obrigada, Lo. – Camila agradeceu por mim. – Nos falamos mais tarde, sim?

: - Pode deixar, se divirtam. – Disse indo até a porta e sorriu divertida. – Não se matem.

 

Olhei para a porta, olhei para Camila que fazia a mesma coisa que eu.

 

: - Ela é tão engraçada quanto você, Cabello. – Falei debochando dela enquanto seguia para porta.

: - Nossa, obrigada... – Ela falou passando por para eu fechar a porta. – Você colocou minha autoestima lá no fundo do poço.

: - De nada, pode contar comigo pra isso. – Disse rindo e fui até a mesa de Kyra. – Ky, está dispensada por hoje, tudo bem? Não há nada para fazer e eu vou sair com Camila agora.

: - Sério? – Perguntou e assentiu, - Tudo bem então. Vou organizar minha mesa e vou embora, obrigada Normani. – Disse sorrindo gentil.

: - Imagina, não iria te prender aqui pra nada. – Ajeitei minha bolsa e fui até Camila. – Tchau Kyra!

: - Até amanhã, senhoritas. – Disse sorrindo e Camila e eu retribuímos.

Andamos em silencio até o elevador e o esperamos, já que parecia estar subindo alguém. E, para minha surpresa, a pessoa que saiu do elevador foi Gordon, que ficou assustado por encontrar Camila e eu juntas. Ele lançou um olhar questionador para Camila que correspondeu, e eu me senti uma peixe fora d’água ao observar a troca de olhares estranha entre ambos.

 

: - Sr. Hansen. – Cumprimentei quebrando a tensão que se formava ali. – O que faz em minha empresa?

: - Srta. Kordei. – Ela assentiu em cumprimento e esboçou um sorriso foçado. – Somos sócios agora, posso vir até aqui de vez em quando, não?

: - Não, não pode sr. Hansen, - Falei mau humorada. – Não somos sócios, somos apenas parceiros em um único projeto, e não pretendo que passe disso. Além do mais, Camila já fica a maior parte do tempo aqui na empresa, sabe-se lá fazendo o que, não tem necessidade do sr. aqui.

: - Sinto muito, Kordei. – Ele falou fechando a cara. Idiota, eu odeio esse homem. – Eu vim para conversar com Usher, marcamos hora.

: - Como assim? Ele não me avisou nada. – Falei confusa.

: - Ele ainda é o dono, Kordei. – Negou com a cabeça e sorriu debochado. – Ainda manda em você.

: - Gordon, está para nascer homem que vai mandar e desmandar em mim. – Falei passando por ele e apertei o botão do elevador. – Não se sinta muito à vontade em minha empresa. – Entrei no elevador junto a Camila quando o mesmo abriu as portas e me virei para o homem de terno que ainda me olhava com os olhos arregalados. – Eu não gosto da sua presença, nem de você. Tenha um bom dia. – Falei e sorri forçado enquanto as portas do elevador se fechavam. Esse cara se acha, mas eu vou mostra-lo quem realmente manda por aqui.

Camila e eu descemos até a garagem em silencio, e permanecemos assim até que eu pusesse o carro na avenida movimentada.

: - Que porra foi aquela? – Ela perguntou soltando um suspiro pesado. – Você acabou com a raça dele. – Concluiu e gargalhou.

: - Não pense que eu não vi a troca de olhares entre vocês, Karla. – Olhei-a pelo canto dos olhos e a vi fechar o sorriso rápido e engolir seco. Sorri triunfante, estava no caminho certo.

: - Claro que não, Normani. – Pigarreou antes de continuar a falar. – Você está vendo coisas.

: - Vendo coisas, Camila? – Olhei pra ela e ri debochada. – Eu não sou idiota, eu não sei qual é a do Gordon, e nem porquê você apareceu do nada, mas, eu sei que existe algo maior que a parceria entre as empresas.

: - N-normani, não faz sentido você me acusar assim. – Disse nervosa e passando a mão pelos cabelos. – Não há nada, eu juro. – Falou e desviou os olhos.

: - Não faz sentido? Por favor... – Continuei observando o transito e segurei o volante firmemente. – Não seja sonsa, Camila. Você sabe que eu estou certa, só tem que me dizer...

: - Não tem o que dizer, Kordei. – Disse passando as palmas das mãos nas pernas. Camila é transparente demais. – Se tivesse, eu falaria.

: - Como eu disse, Camila... Eu não sou idiota. – Falei e respirei fundo tentando me acalmar mais. – Não vamos falar disso agora, mas, eu não vou desistir de saber o que é.

Ficamos em silencio até chegarmos na cafeteria, e fomos direto à uma mesinha perto da grande janela de vidro. Por ser 15h00 ainda, a cafeteria se encontrava praticamente vazia, somente alguns universitários aqui e ali, mas ainda assim, vazia. Fizemos nossos pedidos e logo engatamos uma discussão quando Camila disse que meu brownie não combinava com sorvete de hortelã, e eu obviamente, rebati... ficamos nessa discussão boba sobre doces e combinações até eu enfiar um pedaço de brownie com sorvete em sua boca e ela finalmente ceder.

: - Normani... – Camila chamou-me com a boca cheia de brownie e sorvete. Pois é, ela ainda pediu um pra ela... – Dinah tem mesmo tem evitado? – Perguntou depois de engolir o que tinha na boca.

: - Primeiro, não fale de boca cheia. – Falei olhando com nojo pra ela que ria. – Segundo, podemos não citar Dinah hoje? – Pedi torcendo o nariz.

: - Tudo bem, mas caso queira desabafar... saiba que pode conversar comigo, tudo bem? - Disse e sorrindo gentil. Nem parece que me odiava até três semanas atrás.

: - Você falando assim, nem parece que queria me desbancar há três semanas. – Falei debochada e ela revirou os olhos, sabia que eu mantinha-me com dois pés atrás. – Mas obrigada, vou manter em mente! – Sorri agradecida. – Conte-me sobre você e Lauren... Parece que vocês souberam separar bem esse lance de trabalho e relacionamento.

: - Lauren é um doce. Tem toda aquela pose de durona, mas é mais mole que chocolate derretido. – Disse suspirando e eu comecei a me arrepender de entrar nesse assunto. Doce demais pro meu atual paladar. – Nós conseguimos separar, na verdade, nosso sexo é maravilhoso. – Ela completou... E eu sabia que ia me arrepender.

: - Nem me fala em sexo, pelo amor de Deus. – Falei frustrada. Tinha perdido as contas de quantos dias estava sem uma boa foda. Dinah não tinha tempo pra mim, então eu ficava só na masturbação. – Além de carente, tô frustrada sexualmente. – falei bufando e ouvi Camila gargalhar.

: - Eu estou com muita dó da Dinah quando ela aparecer na sua frente. - Disse ainda rindo e eu a acompanhei. Realmente, não sei o que faria primeiro. – Pelo menos agora eu já sei de onde vem todo esse seu mau humor.

Fuzilei-a com os olhos e continuamos a conversar coisas banais, assuntos de trabalho, coisas pessoais, ficamos quase duas horas na cafeteria, até resolvermos ir para nossas casas antes que o fluxo de carros aumentasse e nos prendesse ao transito.

Camila me pediu para leva-la até a Hansens, já que Lauren havia a levado para o serviço mais cedo e ela voltaria com a mesma. Só pode ser um teste divino, ou dessa garota latina sentada ao meu lado no banco do carona. Cheguei rápido até a empresa, que ficava perto da minha, e fiquei observando a fachada do prédio em silencio.

: - Não quer descer e ir falar com a Dinah? – Perguntou-me enquanto juntava sua bolsa para descer. – É bom vocês conversarem pessoalmente.

: - Sabe quanto tempo eu estou tentando vê-la e ela sempre arranja desculpas? – Perguntei respirando fundo e recebendo um aceno positivo com a cabeça. – Se sabe, então também deve saber que eu estou cansada de levar “não” a cada investida, se ela quiser, dessa vez vai ter que vir atrás de mim, Mila. – Suspirei chateada. – Se não se importa... – Destravei o carro esperando que ela entendesse a deixa.

: - Me chamou de “Mila”, hein? – Falou descontraída e se inclinou para beijar minha bochecha. -  Se cuida, Mani... Descansa essa sua cabeça.

: - Pode deixar, até amanhã. – Falei sorrindo fraco enquanto ela saia do carro e acenava uma última vez antes de entrar no grande prédio.

Permaneci com o carro em frente ao prédio, encarando a fachada pensando se deveria descer e falar com Dinah, por mais alguns minutos antes de suspirar e engatar a marcha para sair dali. Precisava manter minha palavra, mesmo que a saudade que eu sentia fosse enorme. Dirigi calmamente até meu apartamento particular, onde usava só quando precisava ficar sozinha, ou tirar todo meu estresse na dança sem precisar ir ao estúdio do clube. Hoje era um dia em que eu queria ambos. Ficar sozinha e me desestressar.

Entrei no apartamento e fui direto ao meu quarto e tirei minhas roupas formais e coloquei um short de moletom e fiquei de top, sabia que suaria até não querer mais e quanto menos tecido, melhor. Fui até o meu estúdio e dei play no som e caminhei até a barra que tinha ali e apoiei meu pé esquerdo sob ela e ergui os braços e comecei com movimentos sutis. Abaixei a perna e girei meu corpo, e andava de um lado para o outro performando os passos de balé que já eram velhos conhecidos meus.

 

Dinah Jane POV.

Eu entrei pelo apartamento de Normani devagar, era um lugar grande, bem organizado, decorado e aconchegante. Perguntava-me por que a mulher morava com Usher se tinha esse belo apartamento ao seu dispor. Ao longe podia ouvir a melodia suave vindo do final do corredor, imaginei que ela estaria mesmo dançando para aliviar o estresse que eu causei nas últimas semanas. No entanto, eu tinha razões, mas nenhuma delas me fazia tirar o peso de culpa dos meus ombros e o aperto no peito por saber o quão chateada a mulher estava comigo.

A verdade era que eu sequer queria sair de seus braços, não queria mesmo! Mas, eu fiquei atolada de serviços nas ambas as empresas – que agora haviam se tornado uma só, já que Sean conseguiu a aprovação de meu pai para juntá-las, e eu também tinha que cuidar de Seth e Regina... Eu nunca imaginei que cuidar de crianças fosse tão cansativo assim, fora a investigação que estava corroendo meus neurônios, ou pelo menos os que sobraram, e Sean que não saiu dos meus pés nas últimas semanas reclamando atenção. Eu sei que nada justifica eu ter deixado Normani em segundo plano como fiz, uma vez que estávamos tendo uma relação estável, mesmo que eu seja casada – o que é outra coisa que me corrói por dentro... não é justo com Normani, e muito menos com Sean, apesar dele ser um babaca, ainda é meu marido.

Depois que Lauren chegou na empresa hoje mais cedo, ela conversou comigo um bom tempo sobre como as coisas iam, e me alertou sobre Normani estar mais do que chateada... E eu não tirava sua razão. Já imaginava a chateação, afinal, ela estava me ignorando há um dia. E, como se não bastasse, horas depois Camila aparece e me dá outro sermão pelo mesmo motivo. Aproveitei a oportunidade e pedi para que elas cuidassem dos meus irmãos durante a noite e avisei Sean que não dormiria em casa, inventei qualquer desculpa, e ele aceitou rápido.

Sai da Hansens e fui direto ao apartamento que Normani dividia com Usher e o mesmo abriu a porta só de cueca... Sinceramente, não gostei de saber que ele andava assim em casa com Normani lá, porém, logo ele me avisou que Normani provavelmente estaria no apartamento particular dela, mas que só diria o endereço se eu contasse o que tinha feito para a mulher ficar resmungando pelos cantos, e ele sequer se intimidou quando eu ameacei dizendo que ia quebrar a cara dele.... Por fim, contei a história resumidamente e ele sumiu dentro do apartamento e voltou com uma chave e um papel. Logo eu descobri que era o endereço. Subir até o apartamento foi a parte mais fácil.

Quando cheguei ao final do corredor, vi a porta aberta e me escorei nela e a observei dançando. Seus movimentos eram sutis, seus movimentos eram certeiros. Normani dançava e impunha toda a sua sensualidade, a leveza, a precisão em seus movimentos. Concentrada no que fazia, com os olhos fechados, ela parecia sentir a música, ou melhor, ela era a música e também a dança.

Se houvesse alguma possibilidade de eu me apaixonar ainda mais por Normani, eu teria me apaixonado ali, vendo-a tão concentrada em si.

Ela andou pela sala fazendo seu corpo se movimentar lentamente, seguindo o ritmo da música, parando logo em seguida e ficando na ponta dos pés enquanto uma de suas mãos passavam por seus cabelos, e com as pontas dos dedos da outra mão, passava suavemente por seu rosto, ela deu um giro, logo em seguida esticando uma perna para o alto enquanto mantinha o rosto levemente levantado e os olhos fechados. Ela girou mais uma vez ficando com seu corpo direcionado à porta, onde eu estava, quando ela finalmente abriu os olhos, sua expressão suave sumiu, dando lugar à uma confusa e aos poucos uma brava.

: - O que faz aqui, Dinah? – Perguntou indo até o som e desligando-o. – Como entrou aqui? - Perguntou com a voz firme.

: - E-eu... Mani, eu vim me desculpar... você sabe, por ser uma babaca. – Disse suspirando enquanto entrava de vez na sala e caminhava até ela. -  E, eu entrei pela porta.

: - Não faça piadas, Dinah. – Reclamou dando um passo para trás. – Eu quero que você pegue suas desculpas e saia da minha frente.

: - Eu não vou sair, Normani. – Eu sabia que aquilo seria difícil, mas, eu faria qualquer coisa para ela me desculpar. – Eu sei que eu fiz merda, e que eu fui uma idiota contigo nas últimas semanas. – Respirei fundo enquanto me aproximava dela. – Sei também que nada do que eu diga vai justificar eu ter furado contigo tantas vezes, mas eu juro, eu estou com tantas saudades quanto você.

: - Que bom que sabe. – Ela disse cruzando os braços e desviando os olhos de mim. – Já acabou? Pode ir embora, agora?

: - Eu não acabei, se você me deixar falar... – Pedi e busquei sua mão, e ela se desvencilhou, me fazendo bufar chateada. – Eu fui até seu apartamento com Usher e... Ele anda só de cueca quando você está lá? Eu realmente me incomodei com isso... Quero dizer, vocês são casados e tal, mas são só amigos e... – Comecei a falar gesticulando com as mãos.

: - Dinah, você veio aqui pra falar do jeito que Usher e eu andamos na nossa casa? Se sim, pode dar meia volta e ir embora – Falou apontando para porta.

: - NÃO! – Falei alto. – Não, desculpa... Como eu ia dizendo, eu fui até lá e pedi pra conversar com você e ele me disse que você, provavelmente, estaria aqui, mas disse que só falaria o endereço se eu contasse o que tinha feito pra você, então eu resumi tudo e ele me deu a chave e o endereço. Eu cheguei e você estava tão linda dançando, Normani. Me apaixonei por ti outra vez vendo-a dançar. – Falei e ouvi ela pigarrear e desviar os olhos. -  E agora, cá estou eu, pedindo desculpas por ser a maior babaca da vida, por ter furado contigo. E mesmo que não queira ouvir, e mesmo sabendo que você já foi compreensiva demais comigo, eu peço que entenda que está difícil eu equilibrar tudo em minhas costas, fora o Sean que...

: - Eu não quero ouvir o nome do Sean, Dinah. – Ela falou exasperada. – Poxa, você sempre o coloca em meio as nossas conversas. Você quer continuar com ele? Quer desistir de nós?

: - Não, Moni. Pelo amor de Deus, não. – Eu falei e grudei meu corpo no dela e segurei seu rosto entre minhas mãos e beijei todo seu rosto. – E-eu não quero perder você, por favor. Me guia nisso tudo, Normani, me ajuda a segurar tudo isso, tá tão pesado... mas não vai embora.

: - Pra isso, pra eu te ajudar... – Ela disse soltando os braços e colocando suas mãos suavemente em cada lado da minha cintura. – Você precisa me deixar perto, Dinah. Eu não quero ir, mas preciso que você me queira perto também.

: - E eu quero, é o que eu mais quero, amor. – Encostei minha testa na sua e senti-a soltar o ar pela boca. – Eu sinto tanto sua falta, me perdoa, por favor? – Pedi com a voz falhada e senti o peso do silencio cair sob meus ombros. Não sei se passaram-se segundos ou minutos, para mim, foram horas. Quando eu estava pronta pra me afastar de seu corpo, senti suas mãos apertando minha cintura e ela juntando seu corpo no meu em um abraço forte e eu finalmente soltei o ar dos meus pulmões.

: - Se você fizer coisa parecida outra vez, Dinah.... – Falou e beliscou minha cintura fazendo-me pular e gemer com a dor do local. – Eu juro que nunca mais olho pra você.

: - Eu não vou, Moni. – Falei sorrindo enquanto deixava mais beijos em seu rosto e via-a sorrir junto comigo. – Prometo. – Falei a última parte olhando em seus olhos e ela assentiu fechando os olhos e me puxando pra um beijo rápido e longo.

Nós estávamos com saudades uma da outra, carentes e frustradas sexualmente falando, portanto, não tinha espaço para beijos doces e lentos.

: - Me leva pro seu quarto – Disse quando separei nossos lábios pra respirar e ela me segurou pela mão e saiu guiando-me pelo corredor enquanto eu observava seu quadril mexer de um lado para o outro enquanto ela rebolava.

Eu não pregaria os olhos essa noite, e pela primeira vez em semanas, seria por um motivo maravilhoso. 


Notas Finais


Aqui a música: https://www.youtube.com/watch?v=FuNFMUr82lk

Qualquer erro conserto depois. Até sexta.


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