História Sabor - Capítulo 7


Escrita por: ~

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Categorias Camila Cabello, Fifth Harmony
Personagens Camila Cabello, Lauren Jauregui, Personagens Originais
Tags Camila Cabello, Lauren G!p, Lauren Jauregui, Romance
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Palavras 3.912
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Orange, Romance e Novela, Yuri
Avisos: Bissexualidade, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 7 - Seis



CAMILA VENCEU outra vez, e quando sentou-se no carro para a viagem de volta à casa em Malibu, ela estava meio que em choque. Ao mesmo tempo que sabia ser capaz de cozinhar, a vitória era a confirmação de que ela era um verdadeiro talento, como sua avó costumava dizer. Era uma vitória amarga, no entanto, porque ela se deu conta do que havia jogado fora por “amor”.

– Parabéns – disse Dinah. – Pensei que ia pegar você no último minuto quando aquela carne de porco que você tirou do forno estava um pouco rosada.

– Pensei a mesma coisa. Quero dizer, churrasco Austin é complicado de superar. Tudo estava fluindo para mim hoje – respondeu Camila.

– Verdade. Eu provei seu prato e, por mais que seja doloroso para mim admitir isso, estava delicioso. – Obrigada, Dinah. O seu também estava bom – elogiou Camila.

 – Estou surpresa por Dave ter ficado entre os três primeiros – disse Dinah. – Alguém com certeza o ajudou em suas aptidões de destrincha, ou ele estava escondendo o jogo ontem à noite… Você acha que ele é astuto o suficiente para fazer isso?

Camila não sabia. Ela deu de ombros e pegou seu diário de receitas para fazer algumas anotações sobre o prato que havia preparado. Por causa do estilo do programa, ela não havia tido tempo de fazer anotações enquanto estava cozinhando. Com apenas uma hora para cozinhar, simplesmente não havia tempo para analisar enquanto preparava. Uma coisa que havia observado era que Lauren havia retrocedido em mais um sabor típico de Nova Orleans, o que havia lhe custado pontos na rodada final, de acordo com os jurados. Ela fizera um prato com sabores italianos, bem diferente da comida que havia apresentado antes.

Derrotar Lauren era bom porque Lauren a havia desafiado e porque ela queria que Laure a notasse e a enxergasse como aquela a ser superada. Mas Lauren pareceu brava e chateada consigo depois que anunciaram Camila como vencedora. Isso era algo que ela não queria que ocorresse com Lauren.

Perder era difícil. Ela certamente a tinha feito em quantidade suficiente quando ela e Ally estavam competindo uma contra a outra em concursos de confeitaria.

Camila nunca teria pensado assim àquela época, mas a rivalidade com Ally a ajudara a se preparar para o momento atual.

– Não consigo acreditar que Harry está entre os três últimos. Foi um choque – disse Dinah. – Ontem à noite ele apresentou um ótimo prato.

– É diferente quando se cozinha contra o relógio – disse Camila, ainda fazendo anotações em seu diário. Ela não queria conversar sobre os outros chefs. De fato, a única que a interessava tinha um sotaque sulista arrastado. Ela sentia que talvez Lauren não estivesse em seu melhor dia. Será que a noite anterior a havia abalado mais do que Lauren queria admitir? Camila esperava que sim. Não queria achar que era a única que estava tomando decisões erradas e sofrendo por ambas. E ainda assim, ao mesmo tempo, ela realmente esperava que Lauren não estivesse afetado por ela. Queria… não, precisava que o relacionamento com ela fosse do tipo despreocupado. Aquilo facilitaria as coisas quando elas seguissem caminhos separados. Para registrar o encontro entre elas como simples luxúria.

Ela se virou para olhar pela janela e se concentrou no fato de que todo o treinamento em Paris havia valido a pena. Ela nunca teria imaginado que poderia ganhar um carro cozinhando, admitia que havia conquistado muitas coisas como confeiteira e até mesmo começara seu próprio negócio, mas estas eram habilidades que ela evitava utilizar desde que abandonara a cozinha do chef Austin há muitos anos. Habilidades que ela associara a suas decisões ruins e que resultaram em um coração partido. Era gratifcante saber que o sexo com Lauren não soava como um erro de fato.

Embora não tivesse absolutamente plano nenhum de fazê-lo outra vez, Camila não se arrependia. Diabos, ela pensou, voltando o olhar para seu diário de receitas: se dormir com Lauren elevava sua habilidade culinária a este nível, ela teria de descobrir como dormir com ela e não envolver suas emoções na coisa toda.

Eles retornaram à casa, e todos saíram dos carros. Camila tentou não prestar atenção em Lauren, mas não conseguiu evitar. Um lado dela se perguntava se Lauren ainda queria encontrá-la naquela tarde. Mas ela sabia que ela iria querer. Se havia uma coisa que Camila tinha aprendido sobre Laureb no curto período desde que a conhecera, era que ela nunca dizia nada se não estivesse falando sério.

– Acho que você colocou os jurados na sua mão – disse Harry. – Difícil acreditar que uma pequena confeiteira de cupcakes está superando todos nós. 

– Eu… 

– Ela é uma chef habilidosa, Harry. Pode falar a bobagem que quiser, mas estamos todos sendo julgados por nossos pratos – disse Lauren  baixinho com aquele sotaque sulista dela. – Ela não teria vencido se não tivesse merecido. 

– Tanto faz – falou ele, e saiu de perto furiosamente. 

Dinah ergueu ambas as sobrancelhas para Camila, como se para perguntar por que ela está defendendo você? Camila simplesmente deu de ombros. Ela não fazia ideia do motivo pelo qual Lauren a defendera, mas um lado dela realmente gostava do que ela havia feito. 

– Obrigada – respondeu camila enquanto eles subiam os degraus até a casa. 

– Lauren está certa – disse Dave.

 – Você se saiu bem hoje – Camila comentou com Dave.

 – Eu só relaxei do jeito que Lauren sugeriu. Parei de ouvir o tique-taque do relógio em minha cabeça e consegui pensar na comida – justificou Dave.

 – Olhe para você, Lauren, dando conselhos e defendendo chefs…

Lauren ficou calada, então entrou na casa e foi até a sala de estar conjugada, especificamente até o bar.

– Não vejo objetivo em ganhar algo se todo mundo não estiver disputando no mesmo nível.

– Concordo – disse Dinah quando se juntou a Lauren, servindo-se de gin e tônica. – E você, Camila? O que nossa vencedora deseja beber? 

– Refrigerante diet – respondeu ela. 

– E rum? – perguntou Dinah com um sorriso.

 – Não – retrucou ela.

Ainda precisava encarar uma conversa com Lauren sobre a noite anterior e iria precisar estar com todo seu juízo intacto. Todos se dividiram em grupos enquanto debatiam sobre o que iria ser feito para o jantar. Era um clima de acampamento de verão.

Devido à vitória de Camila, todo mundo quis ficar perto dela, e a tarde passou rapidamente, como um borrão, enquanto ela papeava com todos os chefs. Finalmente, a maioria dos competidores foi para os quartos enquanto alguns saíram para caminhar na praia ou surfar. Lauren foi até Camila, que estava sentada em uma cadeira da varanda. 

– Pronta para aquela conversa? – perguntou ela. 

Não, pensou Camila. Naquele momento, estava em paz. O caos em sua cabeça estava tranquilo, e ela estava saboreando o fato de ter feito o tipo de comida da qual sua avó teria ficado orgulhosa. Mas sabia que precisava lidar com Lauren e com a noite anterior. 

– Acho que sim. 

– Não estou planejando torturar você – disse Lauren com um sorriso torto.

– Eu sei. É só que neste instante… deixa para lá. Vai soar bobo se eu disser. – Ela ficou de pé e começou a seguir em direção à margem da praia.

– Não tem nada de bobo em você, Camila. Eu subestimei você, provavelmente por causa do seu tamanho.

– Todo mundo sempre faz isso. Mas é como Shakespeare disse: “Verdadeira raposa era na escola; apesar de pequena, é perigosa.”

– Ele estava certo. É sempre engraçado para mim como a sabedoria do século XVII se aplica à vida moderna. 

– Você conhece muita coisa de Shakespeare? – perguntou Camila. 

– Sim. Minha mãe é professora de inglês no ensino médio, e meu pai diz que mulheres gostam de homens que leem sonetos para elas. 

– E você acreditou nele? – perguntou ela. 

– Bem, até agora ele provou estar certo sobre mais algumas outras coisas. Eu nunca disse isso para ele, no entanto. Ele tem um ego imenso.

Ela riu devido ao modo como Lauren falou aquilo. Percebia pelo jeito como Lauren contava que ela e os pais tinham um relacionamento íntimo. Ela não deveria estar surpresa, Lauren tinha a personalidade de alguém que possuía tudo. Uma mulher que estava muito acostumada a conseguir o que queria. Então o que exatamente ela queria dela?

– Você se lembra de algum soneto? – perguntou ela quando elas chegaram à praia e começaram a caminhar à beira d’água.

– Não mais – respondeu Lauren. – Mas eu não queria recitar Shakespeare para você. Eu queria conversar sobre a noite passada. 

É claro que ela queria. 

– O que tem ela?


– VOCÊ QUER repetir o que aconteceu? – perguntou Lauren. 

Camila parou abruptamente e se virou para olhar para ela. 

– Nós não estamos aqui para fazer sexo. 

– Não, não estamos, mas existe algo entre a gente – disse Lauren. 

Ela assentiu. 

– Eu sei que você disse que me beijar fez você cozinhar melhor na cozinha do chef Ramone…

– O que você está tentando me perguntar? Se eu quero dormir com você outra vez para cozinhar melhor? – quis saber Lauren, ofendida por Camila ter feito tão pouco dela como pessoa. Mas então Lauren percebeu que ela não sabia realmente quem ela era. 

Ela mordeu o lábio e então deu um passo agressivo em direção a.Lauren. 

– É exatamente o que desejo saber. 

Lauren enxergou um desafoi na expressão de Camila e soube que, apesar do jeito indiferente como ela estava agindo, a noite passada tinha significado mais do que sexo casual para ela. A última coisa que Lauren tinha pretendido fazer durante aquele concurso era se envolver com qualquer mulher. Estava tomando uma decisão drástica durante sua estadia na Califórnia e precisava se manter focada nisto.

Mas também sabia que a vida tinha um jeito de empurrá-la para seguir a direção necessária, e não tinha exatamente certeza do motivo pelo qual estava tão ligado em Camila Cabello, só sabia que não havia como negar isto.

– Eu não preciso de sexo para cozinhar bem – disse Lauren a ela. – Eu cozinho há minha vida inteira, mas ainda estava para achar uma mulher que me tirasse da minha zona de conforto na cozinha do jeito que você fez hoje.

– Mesmo? – indagou ela, dando um passo para trás e parecendo não notar a rebentação que lhe envolvia os tornozelos e encharcava a barra da calça jeans. – Desculpe.

– Não peça desculpas – falou Lauren, e segurando a mão dela, começou a caminhar outra vez, receosa de dizer muito mais coisas. Mas Lauren já havia revelado mais do que deveria, considerando que elas eram concorrentes. Ainda assim, mentir sobre a atração que sentia por Camila não teria sido aceitável para ela. – Eu só queria que você soubesse que não estou brincando com você. 

Ela suspirou profundamente. 

– Estou feliz por isso. Tenho que admitir que fiquei com um pouco de medo de isto ser parte de sua estratégia. Embora, para ser honesta, tenha parecido voltar contra você hoje. O que aconteceu quando você estava cozinhando?

– Não sei – admitiu Lauren. – Só recuei para os pratos e sabores com os quais estou familiarizado.

– E os jurados não queriam isso. Acho que eles querem que a gente evolua… você sabe, você me deve um prato. Tem que cozinhar para mim. 

– Eu sei. O que quer que eu faça para você? – perguntou Lauren.

 – Não sei. Algo que vá fazer eu me esquecer de tudo o que sei sobre você. Faça-me um prato que vá me obrigar a enxergar você sob um prisma diferente – disse ela. – Assim como a oferta de um petisco sobre Shakespeare fez. 

– Você gostou daquilo, não foi? 

– Sim – admitiu ela. – Você tem uma voz muito bonita, eu não me importaria de ouvi-lo recitar alguns sonetos para mim. 

–Talvez nossa próxima aposta envolva isto – disse Lauren.

 Ela balançou a cabeça. 

– Você não vai querer me ouvir tropeçando em inglês arcaico.

 – Talvez você tenha que ler algo um pouco mais picante para mim. Acho que não haveria nada mais sexy do que ouvir você falando sobre sua fantasias.

 Ela corou e balançou a cabeça outra vez. O vento agitava sua franja curta. 

– Eu não sou… isto é, eu não tenho… 

Lauren gargalhou quando percebeu que a imperturbável Camila Cabello ficava desconfortável ao falar sobre sexo. Ela era sedutora ao extremo e fez o que queria quando elas estava no momento de intimidade, mas havia um lado dela que era tímido no que dizia respeito às palavras.

 – Não consigo acreditar que você não tem fantasias – disse Lauren. 

– É claro que tenho – protestou ela. – Todo mundo tem, mas isso não significa que eu queira falar sobre elas. 

– Eu quero. 

– Não estou surpresa. Apesar do que o seu pai te disse sobre os sonetos. Qual o motivo para gostar de ouvir mulheres falando assim? – perguntou ela.

– É sexy – disse Lauren. – E não estou interessada nas fantasias de todas as mulheres.

Ela se virou para olhar o mar.Lauren se perguntou se realmente iria conhecer todos os segredos dela, mesmo ciente de que ficariam juntas ali por seis semanas. O interior de Camila era muito particular. Será que Lauren seria capaz de descobrir mais a respeito dela através de sua culinária e de seus pratos? Ela duvidava. Sentia que ela estava se escondendo não apenas de Lauren, mas do mundo. Ela só a deixava enxergar o que pensava que ela queria ver.

O acanhamento ao falar sobre sexo provavelmente era uma das primeiras coisas genuínas que Lauren fora capaz de descobrir a respeito dela. Camila era toda ousadia e coragem, mas debaixo daquilo havia uma mulher vulnerável.

Lauren estava sendo honesta quando disse que a desejava e que não tinha nada a ver com o concurso, no entanto via agora que aquele fato em especial tornava o relacionamento entre elas complicado. Será que ela, ao menos, queria lhe dar uma chance?

– Como você se sente em relação à gente se conhecer melhor durante o concurso? – perguntou Lauren. – Não estou tentando manipular você.

Ela se voltou para Lauren, os olhos castanhos tão tempestuosos quanto o Golfo do México durante um furacão.

– Não sei. Quero dizer não. Estou aqui para provar algo a mim e para vencer. E sei que você está aqui pelo mesmo motivo.

– Isso mesmo. Ambas estamos cozinhando pelo nosso futuro – disse Lauren. – Acho que todo mundo aqui está.

Lauren percebeu que Camila não tinha respondido à pergunta. Não de fato. Tinha a sensação de que, se deixasse, ela nunca responderia.

– Não vou ignorar o que acontece entre nós dois, Garota do Cupcake. Eu quero você, mas mais do que isso, quero conhecer você.

– Eu entendo, mas não tenho certeza do que responder. Não faz diferença se eu responder não e pedir a você para me deixar em paz. Você já faz parte de mim. Droga, eu não deveria ter dito isso.

Lauren riu e a puxou, fazendo-a desequilibrar e cair em seus braços, e então, abaixando-se, a beijou com toda a frustração mal contida que sentira durante o dia todo. Quando Lauren levantou a cabeça e se afastou dos lábios dela, eles estavam inchados, e os olhos, semicerrados. Lauren queria carregá-la para algum lugar privado e fazer amor com ela. Mas sabia que, da próxima vez que ela e Camila fizessem amor, as coisas iriam mudar entre elas, e não haveria volta. 

– Existe alguma coisa entre a gente – disse Lauren. 

– Eu sei. Eu queria que fosse só a culinária – admitiu ela. – Sempre tive um gosto péssimo para pessoas.

– Talvez seu gosto esteja mudando – disse Lauren, relutante em permitir que ela a amontoasse no mesmo balaio dos sujeitos que tinham vindo antes dela. 

Espero que sim, pensou Camila. 

– Já fui magoada e não quero cometer o mesmo erro outra vez, mas eu sempre sou muito lerda para aprender as coisas. 

– Quais erros?

 Ela balançou a cabeça. 

– Não é uma história que eu queira te contar. 

– Conte a versão mais curta, que caiba em um post. 

– A versão de 140 caracteres? – perguntou ela, no entanto sorriu para Lauren. 

– É. 

– Pensei que contos de fadas pudessem se realizar e acreditei em toda as palavras ditas por ele. Bote aí a hashtag #deviatersidomaisesperta. 

– Que tipo de contos de fadas? – perguntou Lauren. 

– Que existe um cara para mim. Um homem que poderia me completar e me dar o final feliz. Mas isso não é realista. Não posso ignorar a verdade sobre as mulheres da família Cabello.

– Que verdade é essa? 

– Vivemos sozinhas – respondeu ela.

 – E seu pai? 

– Nunca conheci meu pai ou meu avô. Nenhuma das mulheres em minha família conheceu seus pais… sabe o que isso significa, Lauren? 

– Não sou esse tipo de pessoa.

 – Você está prometendo alguma coisa para mim? – quis saber ela. Camila não acreditaria nela. Afinal, promessas eram apenas palavras, e ela precisava de… não, merecia atitudes. 

– Não.


CAMILA FICOU um pouco surpresa por Camila ter sido tão honesto com ela. Um lado dela tinha que respeitar a honestidade dela. Mas a garotinha dentro de si, que ainda queria acreditar em contos de fadas, estava decepcionada por ela não ter cumprido o esperado. 

– Acho que é isso. 

– Sim, é – disse Lauren. – Não vou fazer você perder tempo fazendo promessas quando você provavelmente não vai acreditar nelas. Simplesmente vou ter que convencê-la de que não sou como as outras pessoas que passaram pela sua vida.

Ela prendeu a respiração, e o coração falhou uma batida. Ela estava falando sério? Ou será que era apenas um truque para fazê-la acreditar… Lauren teria que ser bem cruel para dizer esse tipo de coisa… para alimentar suas esperanças apenas para destruí-las depois. 

– Tudo bem, prove. 

– Não tenho como provar agora, tenho? 

– Não – respondeu ela. Pensando que Lauren provavelmente nunca provaria.

Camila não iria criar qualquer esperança em relação a Lauren. Ela estava ali por motivos particulares, assim como ela. Não havia por quê complicar as coisas mais ainda. 

– Acho que devemos voltar. 

– Ainda não. Quero que você me mostre a cidade. 

– Hum… por quê? 

– Temos a tarde livre e, se vou preparar uma refeição para você, preciso conhecer você melhor. 

– Ha – disse ela. – Como é que passear pela cidade comigo vai ajudar nisso? 

– Eu estava pensando que poderíamos ir à feira de fazendeiros de Los Angeles. 

– Os produtos bons já terão acabado. Além disso, aquilo está mais para um shopping center com comerciantes fixos. 

– Então mostre-me algo que defina Los Angeles para você – disse Lauren.

 – Eu sou mais do sul – disse ela. – Los Angeles realmente não é meu tipo de cidade.

– Não acho que os produtores do programa vão nos deixar dirigir até San Diego – disse Lauren com aquele meio sorriso que a deixava sem fôlego.

Não havia como negar que Lauren era uma pessoa muito atraente. Mesmo parada à beira da praia, com o vento bagunçando seu cabelo negro, ela ficava mais sensual. Os olhos estavam sombreados pelo sol. A camisa complementava os seios. O jeans desbotado abraçava as pernas, e quando ela se virou, Camila permitiu que seu olhar se demorasse sobre o traseiro dela. Ela queria esticar a mão e tocá-lo, mas não o fez. Precisava se controlar. Até Lauren provar a ela que não a amaria e abandonaria. 

– Bem? 

– Bem o quê? – perguntou ela. Distraída pelo corpo de Laure. Queria ter podido ver mais dela na noite anterior.

– Para onde podemos ir que defina Los Angeles para você? – perguntou Lauren. – Em que você está pensando?

– Em nada – disse ela. O restaurante Johnnie’s Culver City lhe veio à mente. Não era longe de onde elS estavam, e os sanduíches de lá eram… bem, não realmente a cara de Los Angeles, estavam mais para as delicatessens judaicas de Nova York. O tipo de coisa capaz de transportar o comensal para outro lugar. Era perfeito para demonstrar o que ela havia dito a Lauren mais cedo. 

– Tive uma ideia. Vou falar com Jack e ver se podemos conseguir um carro. 

– Muito bem. Acho que provavelmente teremos que levar outras pessoas conosco – disse ela. – Não consigo enxergar os produtores permitindo apenas nós duas saindo juntos.

– Concordo. Tudo bem, Lauren. Você vai descobrir um jeito de me cortejar mesmo com outras pessoas em volta. 

– Está certo – respondeu Lauren. Elas retornaram à casa, e Camila ficou feliz por finalmente estar no meio dos outros participantes do programa. Havia uma tensão na casa, provavelmente porque os três últimos colocados do desafio teriam de cozinhar no dia seguinte focando em permanecer no concurso. Ela estava feliz porque nesta noite só precisava pensar em Lauren, e não em ir para casa depois da primeira semana.

Ela encontrou Jack e perguntou a ele se elas podiam ir até o Johnnie’s. Vinte minutos depois ele confimou que podiam, e sete deles seguiram para os carros.

Camila fcoui surpresa por Harry ter se juntado a eles. Achou que ele fosse querer ficar e treinar suas habilidades com a faca, assim como Christian e Frances, que também ficaram entre os três últimos.

Ela estava espremida no banco de trás, entre Lauren e Harry. Tentou não dar bola para o fato de ainda adorar o perfume de Lauren. 

– Algum de vocês já esteve no Johnnie’s antes? 

– Eu não – respondeu Lauren. – Esta é minha primeira vez em Los Angeles. 

– Eu estive aqui antes, mas costumo frequentar os restaurantes top de linha – disse Harry. – Não estou surpreso por você gostar de lanchonetes. 

– Qual é o seu problema comigo? – perguntou Camila a Harry. Ele deu de ombros. – Eu só não enxergo como é que alguém com seus gostos pôde me superar na cozinha.

– Meus gostos? Harry, comida não precisa ser um negócio feito para gourmets o tempo todo. Hoje o desafio foi cozinhar para universitários. Você realmente não entende onde errou? Não importa o quão obscuros sejam seus ingredientes se o cliente não gostar… isso é uma lição básica da culinária.

– Ela está certa – completou Lauren. – Tentei apresentar um novo prato no meu último restaurante, e a clientela se revoltou. Eles queriam os pratos que esperavam encontrar lá. Harry assentiu. 

– Acho que eu não estava enxergando o panorama. 

Camila sorriu. 

– Eu disse que estava errado – admitiu ele. 

– Eu não quero que você esteja errado, apenas que pare de me culpar porque não venceu.

Ele ficou calado durante o restante do trajeto e, quando encostaram diante do restaurante na Sepulveda e todo mundo desceu dos carros, Lauren segurou a mão de Camila e a parou.

 – O quê? 

– Eu só queria que estivéssemos juntos quando subíssemos até lá. O que tem nesse restaurante que fala ao seu coração?

– A tradição dele – falou ela. – E ele me lembra de uma viagem a Nova York que fiz com minha mãe e minha avó. Comemos em uma lanchonete lá… Foi uma viagem legal. As únicas férias que realmente tive com minha mãe, já que ela ficava trabalhando o tempo todo. Quando eu dou uma mordida em um sanduíche de pastrami aqui, eu me lembro daquele dia e da risada dela.

Camila temia ter falado demais, mas Lauren apenas assentiu.

 – Para mim, uma das melhores patisseries é o Café du Monde. Meu pai e eu costumávamos caminhar até lá todos os domingos de manhã, e eu ficava sentada enquanto ele lia o jornal. Éramos só nós dois…

– A comida deveria causar isso sempre – disse Camila. – Nem sempre consigo captar isto, mas é por isso que as receitas tradicionais são importantes, para encontrar aquele sabor familiar e levá-lo a algum lugar novo.

 – Sim – concordou Lauren. 

Mas Camila podia ver que Lauren estava perdida em seus pensamentos. Ela se perguntava se havia revelado demais ao levá-la ali, mas daí havia aprendido ao longo dos anos que a maioria das pessoas enxergava apenas o que queria ver, tanto nela quanto em si mesmas. Lauren não iria perceber o quanto a comida era importante para ela e para seu passado ou que era a chave para todos os segredos dela. Lauren teria de escutar as coisas que ela não dizia para descobrir aquilo. E Lauren era, afinal, apenas uma pessoa.



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