História Sacred - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Alice Nine, LM.C, Miyavi, The GazettE
Personagens Aiji, Aoi, Hiroto, Kai, Maya, Miyavi, Nao, Personagens Originais, Reita, Ruki, Saga, Shou, Tora, Uruha
Tags Aijimaya, Aoiha, Hirotora, Mivykai, Reituki, Sagashou
Exibições 38
Palavras 3.709
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Esporte, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Suspense, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Esse capítulo só saiu graças a Algol, Nitta, Kiriaki, Laethia e Airumellow. Agradeçam a eles por isso.
Tô sem ânimo pra nada.
Espero que gostem do capítulo. <3

Capítulo 17 - 16 - Sequências e consequências parte I


Sacred

XVI - Sequências  e consequências parte I

20 de Julho de 2000

Casa da família Uke, Kanagawa, Japão

Assim que a luz do sol penetrou pelo vidro da janela, , Kai abriu os olhos, espreguiçando-se lentamente, ainda que seu corpo carregasse visíveis marcas do acidente que ocorrera em menos de dois dias, não sentia mais tanta dor como antes.

Tanto física, como psicológica.

Estranhamente, desde o raiar do dia, seu coração palpitava acelerado, freneticamente, como se há qualquer momento, algo fosse acontecer, só não conseguia distinguir se era algo bom ou ruim.

Após permanecer mais alguns minutos na cama, Kai se levantou buscando pelo celular que jazia na cômoda branca, impecavelmente em ordem.

Havia ali uma mensagem.

To: Reita

From: Me

812am 20 Julho

Kai-san, espero que esteja acordado. Hoje vamos nos depedir do Taka no Aeroporto. Vai nos acompanhar ne? Sairemos daqui as 13:00. Me liga.

Reita.         

Ao ler a mensagem, um suspiro de derrota escapou de seus lábios. Então era isso. Takanori de fato partiria dali a algumas horas, para outro país, afim de ser tratado de sua doença. Kai sabia do avanço, mesmo que ele vivesse preso em muitos de seus problemas, ainda sim, lembrava de Takanori. O brilhante garoto da escola. O dono de radiante sorriso e respostas certas na hora certa. Algumas vezes meio brigão, outras vezes protetor demais, a estrela do time de basquete do colégio. Havia tantas qualidades para empregar Ruki, contudo, era triste lembrar que logo tudo que passaram juntos tornariam-se apenas longas lembranças repletas de sentimentos.

Pegou a toalha e partiu para o banheiro. Durante o banho, lutou bravamente para ignorar a dor já muito conhecida que se instalou em seu peito. Era doloroso demais que felicidade que sentia fosse por praso tão curto. Aquele sufocante aperto, mais uma vez crescia dentro de si. Aquele buraco esmagador. Fechou os olhos e levou as mãos ao peito.

Suas pernas amoleceram.

A visão ficou turva.

Sentiu-se ligeiramente tonto.

Como se, num repente, algo estivesse se chocado contra si, acabou caindo de joelhos no chão, não conseguindo controlar o peso do próprio corpo.

Deus, ele iria morrer ali mesmo.

Acuado, levou a mão ao peito, apertando a região o quanto pôde, comprimindo os lábios, sentindo cada pedacinho - já muito dolorido de seu corpo - doer cada vez mais. De joelhos ali no banheiro, sentindo a água quente cair em suas costas, lembrou-se com clareza do rosto de cada um de seus amados amigos.

Akira.

Takanori.

Yuu.

Kouyou.

Takamasa.

E o último dele era o que mais lhe causava desespero, spo por lembrar de suas feições, sentiu como se o ar de seus pulmões estivesse sendo cruelmente arrancado.

Kai sentiu medo de morrer naquele instante e deixar Miyavi sozinho.

Sentiu medo de deixar todos seus amigos sozinhos.

Pois, fazia parte de um grupo de pessoas que lembravam de si, que se importavam consigo, tal pensamento o fez se levantar, agarrar-se a toalha e sair do banheiro, ignorando solenemente todos os objetos cortantes que haviam nas pequenas gavetas do banheiro. No quarto, enquanto procurava por suas roupas ouviu um toque de mensagem. Pegou o aparelho para checar.

To: Meev

From: Me

9:53am 20 de Julho.

To indo na sua casa, vamos no Templo ai perto? Preciso te mostrar algo, muito importante.

Algo estava muito errado, pois já eram 10:36am e só agora a mensagem fora entregue. Rapidamente tratou de responder.

To: me

From: Meev

10:37am 20 de Julho.

Onde você está? Qual tempo vamos? Estou te esperando. Não demora...

No entanto, não houve resposta imediata, fato que o deixou um pouco intrigado. e aquela sensação ruim, embora estivesse diminuído, ainda se fazia presente em seu peito.

Vestiu-se com uma camisa de mangas compridas amarela clara e uma calça preta jeans, um tenis All Star, pegou o celular e a mochila com alguns pertences e saiu para o corredor.

Ao entrar na sala, deparou-se com uma cena nada familiar: O pai andava de um lado para o outro, tentando falar com alguém no telefone, parecia bem nervoso e sua voz soava baixa e preocupada.

Sua madrasta, estava com ambas as mãos nos lábios e algumas lágrimas nos olhos. Algo muito sério havia acabado de acontecer. Kai chegou a pensar que fosse algo relacionado a família, olhou do para a para a madrasta quando a perguntou pulou de sua boca.

- O que aconteceu?

No momento em que a mulher viu o enteado vestido para sair, se desesperou. Foi caminhando depressa em sua direção e o tomou nos braços, em um abraço protetor.

Kai estranhou muito aquele toque, nunca fora abraçado por ela, na verdade sim, mas não daquela forma protetora e preocupada. Ela nem era sua mãe. Aquilo o deixou mais desesperado ainda.

- Não deixa ele sair. - o pai bradou. - Ele não pode ver aquilo.

- Ver? - Kai repetiu, a dor em seu peito por alguma razão cresceu tanto que agora poderia esmagá-lo. - Ver o que? Pai, o que tá acontecendo?

- Yutaka... Querido... - a madrasta passou as mãos geladas em seu rosto. - Volta pro seu quarto... - ela tentava sorrir, tentava demonstrar que estava tudo bem, mas era claro que não estava.

Kai foi se desvencilhando de seus braços e indo em direção a porta.

- O que ta acontecendo? - tocou a maçaneta para abri-la. – Alguém pode me falar?!

- Yutaka não! - o pai gritou, largando o telefone e tentando pará-lo.

Mas era tarde demais. Assim que os olhos de Kai de depararam com a cena a sua frente, as mãos agarraram o pulso do pai, o ar dos pulmões sumiu, sua voz desapareceu.

Sua mente parou de funcionar.

Havia muitas pessoas paradas na frente de sua casa, todas elas estão rodeando algo, ou alguém, muitas delas choravam, outras falavam no telefone preocupadas, da mesma forma que o pai a alguns segundos atrás, haviam outras abaixadas. Porém, o que deixou Kai totalmente apavorado, foi a bicicleta amarela completamente amassada jogada a alguns metros dali, um carro parado e um pouco de sangue no capô.

Kai conhecia aquela bicicleta.

- Não... Não... - foi a única coisa que murmurou antes de sentir o abraço forte do pai e as lágrimas rolarem por seu rosto.

20 de Julho de 2000

Casa da familia Matsumoto, Kanagawa, Japão

Takanori estava sentado na beira de sua cama a algumas horas. A mala pronta jazia esquecida ali ao seu lado, já fechada. A roupa que usaria dali a algumas horas já estava passada e cuidadosamente dobrada em cima da cama.

No entanto, a novidade já havia chegado até sua casa. A mãe acabara de romper sua porta, para lidar a pior notícia que poderia receber. Ishihara Takamasa sofrera um terrível acidente na frente da casa de Yutaka, não resistiu até a chegada da ambulância.

Passou a mão levemente trêmula no rosto e olhou os outros rostos ali presentes. Kouyou estava empoleirado na janela como sempre ficava, roía a unha do polegar e olhava qualquer ponto da rua pela janela de vidro. Taka entendeu o quanto aquela notícia mexera com ele. Desde o momento em que o grupo se reuniu ali no quarto nenhuma palavra foi dita.

Yuu estava sentado na cadeira da escrivaninha de Takanori, os pés cobertos por meias listrada de preto e branco batiam freneticamente no chão e as mãos tamborilavam o braço da cadeira, os olhos mantinham-se fechados.

Akira por sua vez, estava sentado no chão, as costas apoiadas na cama de Ruki, bem ao lado do baixinho, que acariciava seus cabelos loiros. Os joelhos estavam dobrados e as mãos jogada sobre os mesmos. Os lábios crispados e os olhos fixos na parede de Ruki onde havia um pôster do The Smiths. De todos os presentes, Akira era quem claramente se sentia mais mal, pois a alguns dias atrás prometeu a Kai que cuidaria de Miyavi. Mesmo que não entendesse o motivo do pedido do outro, agora sentia-se mal por não ter feito nada. Entretanto, o que poderia ser feito?

O clima do quarto era pesado demais, quase ninguém respirava. Takanori de vez em quando passava a mão no rosto, na intensão de limpar uma lágrima. Kouyou só roía as unhas num canto, Yuu permanecia de olhos fechados.

- Precisamos algo. – Akira quebrou o silêncio.

- O velório é daqui a pouco. – Yuu interviu.
Não falo sobre o velório. – Akira olhou para Yuu e depois para Kouyou que o fitou, sem parar de roer as unhas. – Eu falo do Kai, ele tá precisando da gente agora.

Ruki olhou o namorado e sentiu o coração apertar. Todos os meninos estavam com os olhos vermelhos, de tantas lágrimas que haviam derramado desde o momento da notícia. O mais eles poderiam fazer?

- O que sugere? – Takanori suspirou.

Akira deu de ombros.

- Vamos oferecer a ele tudo que temos. – Akira se levantou. – Somos um time ainda, não somos? Não só de basquete, mas somos um time desde que andávamos de bicicleta nessa rua a 8 anos atrás. Vamos só ficar ao lado dele agora. É o mínimo que podemos fazer.

Os outros meninos concordaram.

Talvez, na visão deles aquilo fosse o mínimo. Mas o que é o máximo para uma amizade verdade?

28 de Outubro de 2013

Hospital Central de Kanagawa, Japão.

O doutor Suzuki caminhava a passos calmos pelo corredor, as mãos no bolso do jaleco e o olhar analítico em tudo ao seu redor. Os seus 11 anos de medicina lhe ensinaram a ser bem observador. Era uma característica que herdou de seu pai, o neurologista muito conceituado, Suzuki Komui.

Caminhando ainda, virou num corredor quase vazio e entrou em seu consultório, deu a volta na mesa, e largou-se na cadeira macia. Em sua frente na mesa branca havia um notebook branco ligado com uma foto na tela.

Era Takanori que estava nela. Os cabelos castanhos brilhantes assim como os olhos pareciam brilhar mais do que diamantes expostos ao sol. Os lábios vermelhos e carnudos curvados num sorriso simples. Aquela foto havia sido tirada a algum tempo, mas era preferida de Akira, Takanori estava com os óculos e uma camiseta xadrez.

Num ato automático levou seus dedos à tela, tocando a bochecha do Ruki da foto. Ruki. Fazia muito tempo que não sentia a maciez daquela pele, não ouvia o som daquela voz, não sentia a delicadeza de sua respiração. A falta que Matsumoto fazia era tão extrema que causava em Akira uma dor quase permanente no peito. Porém, ele sabia que as coisas só dariam certo se permanecessem da forma que estavam indo. Tamborilou os dedos na mesa e colocou a senha no computador a brindo a área de trabalho e voltou as suas pesquisas. Aquilo rendeu umas boas horas do dia. Estava absorto em uma pesquisa que começara através de seu pai e agora finalmente conseguiu dar continuidade. Não era apenas uma simples pesquisa.

Era algo mais forte.

Envolvia Takanori.

Ouviu o som da porta bater e ergueu os olhos.

- Quem é? – perguntou.

- Um velho amigo. – Assim que a porta se abriu, uma figura conhecida apareceu através dela. Akira por reflexo se levantou e caminhou até o homem a sua frente.

Ele era mais ou menos de sua altura, o sorriso que carregava em seus lábios era repleto de palpável gentileza, as bochechas continham um par de covinhas. Os cabelos longos com as pontas loiras cacheadas o deixavam com um bem diferente do que o próprio Suzuki estava acostumado.

- A quanto tempo Kai! – abraçou o amigo. E não foi um simples abraço, foi um abraço sincero carregado de saudades. – Como vão as coisas?
Vão bem, acabei de chegar de Los Angeles e vim te ver, o Kou disse que você começou a trabalhar no lugar do seu pai. – sua voz era gentil e serena, assim como tudo nele.

- Na verdade ja faz um tempo, o Kou ta bem atrasado. – Akira riu. – Aliás, como ele está?

- Olha, a última vez que falei com ele foi a três meses atrás, ele assinou contrato com a Dior e agora mal tem tempo pra respirar.

Kouyou havia se tornado modelo a algum tempo e saiu do Japão em meados de 2010. O grupo dos seis amigos de treze anos atrás agora era só uma lembrança gostosa e nostálgica. Yutaka se sentou na cadeira, de frente para Akira e passou a falar de como fora sua estadia em Estados Unidos. Havia se tornado jornalista e acabou sendo chamado para escrever colunas no The New York Times e outros jornais importantes da Califórnia. Contou de tudo que escreveu, de como crescera profissionalmente, e enquanto falava, Akira notava seu olhar doce. E sorriu gentil com isso.

Foi a pergunta lhe atingiu como um tapa.

- E o Taka?

Houve um longo silêncio.

- Na mesma ainda. – Foi a resposta amarga que recebeu. – Achei melhor fazer isso do que vê-lo sofrer. Pelo menos amenizaria a dor até eu aprofundar nas pesquisas do meu pai.

- Akira... Ele concordou com isso? – Kai estreitou os olhos.

- Claro que sim! – o médico rebateu. – Eu não faria nada sem a permissão dele.

- Sabe o que eu penso disso... – Kai respirou fundo. – Sabe que se eu pudesse voltar atrás e concertar as coisas com o Meev eu...
 Não é assim! Kai, o Miyavi foi a fase mais bonita que vivemos quando éramos jovens, não lembra dele como se o aconteceu fosse culpa sua. Era pra ser assim.

- Não... – negou com a cabeça levemente. – Eu não culpo você de ter feito isso com o Taka, eu sei que você o ama e quer encontrar um jeito de amenizar a dor dele, mas o que me deixa desesperado – levou a mão ao peito – é a falta que ele deve estar fazendo pra você agora.

Droga. De saudades Yutaka entendia muito bem. Akira sabia disso e não tinha nem como contestar.

- Eu vou trazer o Taka de volta. – o médico abriu um sorriso amargo. – Só preciso de mais tempo.

- E enquanto isso?

- Enquanto isso ele dorme um pouco.

Seus olhos desviaram para a tela do computador e a foto de Takanori. Se aquele baixinho soubesse da falta que fazia, se ao menos soubesse. Talvez faria um pequeno esforço para abrir os olhos logo.

Aki-chan... me perdoe por estar fraco demais? Nessas horas, eu não sinto mais meu corpo, sinto apenas dor. Me perdoa se eu só quiser fechar os olhos? Me perdoa por não ter conseguido lutar por nós? Ei Aki... você poderia cantar pra eu dormir? Estou cansado e só quero ir pra cama. Me perdoe se eu não acordar amanhã, eu já terei ido. Ido para um lugar onde meu corpo não clama por trégua. Me perdoe por ser um covarde.”

- Estou pensando em fazer uma visita pra ele mais tarde. Quer ir junto? – Kai perguntou depois de um longo silêncio incomodo entre ambos. Akira exatamente onde Kai iria em quem iria visitar.

- Claro, vai ser um prazer.

20 de Julho de 2000

Cemitério Aoyama, Kanagawa, Japão

Eram muitas pessoas vestidas de preto em volta de um caixão. O céu estava azul demais na opinião de Takanori, não era nem de longe um azul bonito e vívido, mas sim um azul sufocante e intenso, parecia que a qualquer minuto seriam engolidos. Takanori odiava usar terno, os outros garotos também não gostavam, porém todos eles usavam.

Yuu, Kouyou, Akira, e Takanori estavam lado a lado enquanto o ministrante dizia algumas palavras a respeito de Takamasa. Um jovem feliz, uma pessoa boa, gentil com todos, com tanta viver, entretanto, teve a vida parada de maneira tão violenta. Aquelas palavras ditas pelo ministrante faziam os meninos rodar os olhos, se aquele cara ao menos conhecesse Miyavi de verdade não falava coisas tão rasas a seu respeito.

Acontece que Miyavi era profundo demais pra ser explicado somente com tais palavras.

Tudo aconteceu muito depressa. Em um dia ele estava vivo e no outro, já não respirava mais. É engraçado como as coisas ao nosso redor funcionar, em um momento temos, e no momento seguinte, tudo não passa de uma lembrança.

Takanori olhava para cada rosto ali presente, muitos deles, era bem conhecido por si, pois se tratava da animada familia de Meev, outros alguns parentes distantes que não se recordava, porém todos carregavam a mesma expressão em suas faces. A tristeza, a dor da perda.

Não havia como expressar em palavras a imensidão daquela dor. O próprio Ruki não estava conseguindo medir. Desde que recebera a noticia tudo ao seu redor se desfez. De repente não iria viajar mais naquele dia e sim iria ao velório de seu amigo de infância.

“ Ei Meev... Você foi injusto. Era pra você me enterrar primeiro, não eu enterrar você... Mas olhando agora, talvez eu tenha sido o injusto em pensar assim, pois, eu não gostaria que você sentisse a dor que sentimos agora. Lugar de anjo é no céu. Você só voltou pra casa.”

Todos os meninos mantinham-se quietos olhando o ministrante e suas palavras vazias, no entanto, os olhos de Ruki se desviaram e focaram em Kai. Ele se mantinha afastado do grupo, estava junto a lápide do amigo. Era o único de todos que não usava preto, mas sim amarelo. Miyavi dizia que era a cor da felicidade. Radiante.

A cena cortou o coração do Matsumoto, e lentamente, afastou-se do grupo e caminhou em direção a Kai. Sentou-se ao seu lado e permaneceram em silêncio.

- Acha que foi injusto? – Kai perguntou, não se dando ao trabalho de virar e ver quem estava ao seu lado, sabia que era Takanori, ele era o único que tinha coragem pra isso.

- Não. – Takanori respondeu de súbito. – Na verdade eu não sei o que pensar.

- Pelo menos ele não vai mais sentir dor. – um sorriso sofrido nasceu nos lábios do moreninho. – ele deixou uma carta pra mim. Não tive coragem de ler ainda. Nem sei se vou ter. – estendeu o envelope para Takanori. – lê pra mim Taka.

Takanori pegou o envelope, mas na hora que ia abrir, parou.

- Não. – devolveu. – Por mais que seja duro enfrentarmos algumas coisas na nossa vida, temos que fazer, porque isso nos deixa mais fortes. O Miyavi tinha algo por você que não era medido por nenhum de nós, era só entre vocês. Você precisa ser o primeiro a saber.

Kai o olhou, uma lágrima correu livre por seu rosto antes de ser seca. Takanori se levantou e sorriu.

- Você já foi corajoso até agora. – o baixinho sorriu. – Só prove que você é o melhor.- Se levantou lentamente e voltou para o grupo de preto ali próximo.

Kai pegou a carta em suas mãos e abriu o envelope. Conforme ia abrindo a carta, sentia o coração bater violentamente contra o peito.

“Você acreditaria se eu disser que eu sempre te vi perfeito? Eu sei quais são seus problemas sobre perfeição, mas Kai... a perfeição é única, é de cada pessoa, e do jeito que você é, é perfeito. Se você soubesse que por todos esses anos o motivo da minha felicidade foi você, se ao menos soubesse que a razão dos meus sorrisos foi só você, não faria isso tudo consigo próprio. Eu fico feliz todos os dias quando levanto pra ir pra escola porque sei que vou te ver, vou fazer alguma palhaçada, bancar o idiota pra te ver sorrir.

Seu sorriso é o mais bonito do universo.

Mesmo que as vezes eu esteja querendo desistir de tudo, eu penso em como você se sentiria se eu estivesse a ponto de me perder. Sabe Kai, por muito tempo eu queria ser como você, forte, inteligente, inabalável, saber dizer a coisa certa, na hora certa, mas depois de algum tempo e alguns ocorridos, eu percebi que, eu não queria ser como você.

Eu queria você pra mim.

É, a realidade é essa, gosto de você a muito tempo, talvez desde que me entendo por gente, gosto do seu riso frouxo, do seu jeito acanhado, gosto da forma como move os dedos, e de como suas mãos ficam suadas. Eu gosto de detalhes em você que talvez você mesmo nunca notou, mas eu já notei, porque fico horas te observando e você nem percebe, mas eu nem te julgo por isso, prefiro ficar em anônimo do que dizer algo e acabar estragando tudo.

Kai, se um dia eu for embora, você consegue me perdoar? Eu não sei porque estou dizendo isso, na verdade escrevendo, porque não tenho coragem pra dizer isso na sua frente pessoalmente. Mas, você conseguiria me perdoar? Só que, eu quero que saiba que eu não estarei indo embora porque quero, mas sim porque chegou o momento. Todo mundo, em algum dia vai embora pra algum lugar. Assim como o Ruki vai ter que partir agora, eu também vou. Eu sinto uma dor profunda no peito e não sei se isso é bom ou ruim. Por favor, não me odeie por isso.

Se eu for embora e não der tempo de me despedir, prometa algo pra mim? Prometa que vai ser feliz?

Felicidade é só questão de ser.

Então seja.

Miyavi.

Kai leu aquelas palavras escritas em perfeita caligrafia por repetidas vezes. Absorvei cada palavra, cada virgula. Muito embora soubesse que Miyavi nutria algum sentimento por si, nunca lhe passou pela cabeça que ele fosse se declarar, muito menos de que as coisas terminariam daquela forma tão brusca. Levou a carta contra o peito, fechou os olhos e apertou os lábios.

Felicidade era realmente só questão de ser. O que lhe custava ser feliz? Abriu os olhos e fitou o céu azul. Caiu na grama verde e abriu os braços. O vento batia em seus cabelos lentamente, como uma ousada dançarina. A brisa suave tocava seu rosto como uma doce caricia.

Felicidade.

Por que Miyavi sempre pedia as coisas mais difíceis?

Entretanto, Kai sabia como as coisas seriam dali por diante. Seus olhos avançaram para o grupo de pessoas que enterravam o corpo do seu amigo a alguns metros dali. Ele não acompanharia aquele ritual, pois Miyavi não estava ali dentro daquela caixa. Ele era agora a brisa doce que lhe tocava o rosto. Era o passaro que cantava suavemente na arvore.

Era a liberdade.

A felicidade.

Só precisava pegar para si.


Notas Finais


Desculpem aos mil anos de demora. Prometo que as coisas vão melhorar um pouco daqui pra frente <3

Beijos doces!
Me digam o que acharam?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...