História Sacred Bone - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jungkook, V
Tags História Da Coréia, Taeseok, Vhope
Exibições 29
Palavras 2.310
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia)
Avisos: Homossexualidade, Incesto
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


mais uma história resgatada da antiga conta; eu demorei meses para escrevê-la e não queria desperdiçar

ela é bem mais simples para quem já viu Hwarang, ou outros dramas históricos coreanos, mas creio que não traz nada muito complicado; só se deve saber que antes, na coreia, havia três reinos; silla, baekje e goguryeo... e sacred bone era um sistema de hierarquia bem fuleiro...

espero que apreciem!!!

Capítulo 1 - Mansae!


 

 

Inacreditável.

Era como Taehyung julgava o evento que acontecia naquele instante, dentro do palácio, o qual servia de apresentação para o povo, vitória para o reino e castigo para si.

Inacreditável, mas ele sabia que precisava presenciar aquilo para cair em si; acuado atrás de uma pilastra, escondido nas sombras como parte dos atos impuros do recém-nomeado novo rei de Silla. De fato, ele entendia qual seria o seu próprio destino desde que tomou ciência de onde estava se metendo – e ainda assim era difícil digerir aquele maldito casamento bem diante de seus olhos –.

Kim Taehyung, na realidade, não passava de um mero mestiço que teve a sorte (ou o azar) de cair nos braços do príncipe herdeiro, Jung Hoseok.

 

*

 

Inicialmente, o rapaz era apenas um simples vendedor de joias nas redondezas da capital, sem laços muito lucrativos ou poder, e que, certo dia, foi surpreendido por um galante e misterioso homem de olhos negros; este se apresentou com um nome falso, é claro – aproveitando-se do tempo que viveu afastado do palácio para aprender artes maciais e do fato de sua volta não ter sido anunciada, Hoseok saíra de rosto limpo para se divertir sem se preocupar em ser reconhecido –, depois lhe comprou todo o estoque presente e, por fim, praticamente o arrastou para um bar, mais tarde, com uma conversa barata que ludibriava qualquer um.

O príncipe, secretamente, tinha certo apreço por rapazes.

O caso foi levado à diante apenas com a insistência do galanteador e com a inocência do jovem, que realmente acreditou ter achado o amor de sua vida. Foram meses de encontros diurnos e noturnos, que sempre terminavam em sexo e promessas gratuitas. Por vezes, o homem se dizia solitário e infeliz, assim como Taehyung se dizia negligenciado pela vida dura; os dois carregavam responsabilidades demais nas costas; e assim ambos se faziam de conforto um para o outro, até o dia em que a identidade da alteza foi revelada de modo brusco.

O dia em que toda a verdade veio à tona foi devidamente perturbador para o Kim, que quase entrou em pânico quando um esquadrão de guardas reais, de repente, surgiu em sua casa e o levou acorrentado até a rainha, sem nenhuma cerimônia. O pobre rapaz ficou desesperado – em seu lugar, qualquer um ficaria, aliás –, a sua cabeça fervendo de tanto levantar hipóteses durante o trajeto, até ele estar de joelhos em frente à mulher que exalava nobreza e crueldade no olhar.

Em primeiro lugar, a rainha regente quisera simplesmente matá-lo, pois considerava um absurdo intragável saber que seu filho, um Sacred Bone, havia se envolvido com alguém de tão baixa classe e, ainda por cima, um garoto. No entanto, ao perceber que tal decreto poderia fazer com que rumores maldosos fossem espalhados pela cidade, prejudicando, assim, seus negócios dentro dos Três Reinos, decidiu que seria suficiente mandá-lo para as proximidades de Baekje, sem que ninguém ficasse sabendo; assim Taehyung e o príncipe nunca mais se veriam novamente e o problema estaria resolvido – ou pelo menos era isso que ela tinha em mente.

O mestiço foi levado para perto da cidade vizinha com a ameaça de que se voltasse seria morto de imediato, mas o que mais o deixou atormentado, na verdade, foram as dúvidas que lhe corroeram por dias a fio, nos quais ele mal soube como se manter em uma terra desconhecida sem nenhuma prata na bagagem. Ele não conseguia dissolver aquela história tão rápido; seu amado era o herdeiro da coroa? Concordava que ele era um pouco estranho e cheio de segredos, sim, mas para ser justamente aquele príncipe, que passou anos fora, sendo treinado para uma possível guerra?! E a questão que mais lhe magoava: ele foi mesmo o único enganado daquela maneira tão patética?

Taehyung temia não ter passado de um mero capricho do príncipe, enquanto seu próprio coração sempre esteve completamente entregue.

Contudo, passadas algumas semanas, o mestiço conseguiu se convencer de que, sendo ou não o filho da rainha, aquele homem com quem se envolveu já estava no passado; não encontrá-lo outra vez fazia parte da sua pena, afinal, e ele achava que deveria cumpri-la, mas o destino parecia estar, realmente, querendo brincar consigo. Aconteceu que Jung Hoseok fora atrás do garoto, bem naquele casebre abandonado, onde ele tinha se estabelecido por pura sorte. E foi ali que todas as fichas do jovem finalmente caíram por terra, quando já nem mesmo deviam estar sendo mantidas de pé.

 

*

 

— Essas roupas realmente fazem com que você pareça um futuro rei – foi a primeira coisa que Taehyung dissera, após ver o outro praticamente implorar para que conversassem, pelo menos um pouco; era doloroso e quase um crime encará-lo depois de tudo, e o máximo que ele podia fazer naquela situação era utilizar do bom e velho sarcasmo, enquanto lutava arduamente para segurar suas lágrimas. — Aquele cavalo lá fora também parece caro... Agora eu devo chamá-lo de alteza?!

 

Hoseok suspirou, abraçando toda a culpa de uma só vez e querendo se punir por ver seu amado passando por toda aquela confusão sozinho. Ele confessava que no começo não havia intenções tão profundas para com o mestiço, mas algo na sutileza que Taehyung emanava em todos os momentos fazia com que ele ponderasse simplesmente abandonar toda aquela conversa de realeza só para ficar ao seu lado. E claro que, nem mesmo por um segundo, ele cogitou revelar que fazia parte daquele universo corrupto; teria alimentado aquela mentira até o final sim, se não fosse pela intromissão da rainha em seus assuntos, porém tudo já estava feito e não havia como voltar atrás; Hoseok fez o maior escarcéu nos aposentos de sua mãe quando soube o que ela tinha feito para mantê-lo longe do seu único fio de liberdade. Nascer em berço de ouro nem sempre significa ter uma vida feliz.

 

E agora lá estavam os dois; compartilhando o gosto amargo de terem sido classificados como proibidos.

 

— Meu amor, eu só... Eu só escondi tudo isso porque não queria deixar-te pensar que estava em perigo por minha causa! – o príncipe quis explicar, enquanto tentava se aproximar do outro, mas na medida em que o fazia, Taehyung recuava o mesmo tanto, então parou de se mover. — Aliás, eu tive medo que você se afastasse, assim como está fazendo agora...

 

Perigo... – o mestiço pensava, desacreditado. – Que besteira ele está dizendo? Quem exatamente está em perigo aqui? De onde já se viu um nobre de sangue real andar sozinho pela floresta, atravessando as fronteiras de onde não se possui um tratado de paz?!

 

— É... Mas acontece, alteza, que só o fato de você e eu sermos homens já nos coloca em risco desde o começo e, ainda assim, eu nunca fugi disso! O que eu sinto por você vai muito além; eu seria capaz de tudo... – Suspirou. — Porém isso já não importa mais e você não devia estar aqui, entendeu? A rainha proibiu-me de vê-lo, caso contrário a minha cabeça poderá ser cortada... Eu estou banido de Silla! E se você se preocupa, ao menos um pouco, comigo, basta me deixar aqui de uma vez, pois eu estou muito bem, obrigado! Você sabe... Meus pais morreram há muito tempo e eu estou acostumado a viver sozinho. Sequer importa se eu sou nobre ou mestiço, ou nada disso, porque ninguém da minha família se salvou daquela epidemia além de mim... Ninguém pode me proteger além de mim mesmo. – Tomou fôlego para, em fim, ditar: — Então, por favor, vá embora!

 

No meio de tantas palavras carregadas de sentimentos distintos, porém, quem acabou transbordando foi o príncipe, comovido e magoado ao mesmo tempo. Ele não soube exatamente em que parte dos dizeres afobados do mestiço aconteceu; de repente, ele simplesmente sentiu algo molhado escorrer pelo seu rosto e quando se deu conta do que se tratava, não as enxugou, nem nada; apenas deixou que Taehyung notasse o quão ele também estava quebrado perante aquele infortúnio, que também era equivalente ao que ele berrava por dentro, de saudade, pelos vários dias que ficaram distantes, sem saber se se veriam de novo.

Hoseok não podia se render, não queria se deixar levar pelo caminho obscuro que sua mãe havia planejado sem antes lutar com tudo o que tinha nas mãos, mesmo que isso significasse dar murros em ponta de faca. Custasse o que custasse, o príncipe não desistiria do seu amor tão fácil; não o deixaria sofrer ainda mais; ou ao menos partilharia aquela dor com ele, como sempre fizeram, desde o princípio.

 

 — Eu sei que você está com medo, meu amor... – iniciou o seu discurso, com a voz rouca; precisava convencê-lo. — Eu sei que o que nós temos pode ser considerado inadmissível para os outros... E o adicional de eu possuir todos esses títulos e posições nos ombros... É assustador, eu também sinto isso! Mas, Taehyung, eu te amo. E eu também tenho poder! Nós não podemos entregar a batalha assim, de mão beijada, não concorda?!

 

Aquilo o pegou de cheio.

 

E mesmo certo de que aquilo era loucura; convicto de que aquela ideia o levaria direto para a morte (ou para algo ainda pior); o mestiço se deixou levar pelas palavras do príncipe. Ele não entendia de política tanto assim; não passava de mais um súdito ignorante, aos olhos dos nobres; mas desde muito novo vivera somente suportando a mesmice amargosa que a vida lhe empurrou goela abaixo. De súbito, Taehyung pensou que talvez valesse a pena lutar por um amor, ainda que isto significasse a sua sentença final.

 

*

 

Não demorou mais do que três dias para que tudo voltasse ao normal (ou quase isso). O príncipe Jung simplesmente batera de frente com a rainha, exigindo a suspensão da punição de seu amante e, ainda, a devolução da casa e dos bens do mesmo, que haviam sido tomados quando ele foi levado à força de lá. De algum modo, pareceu funcionar quando Hoseok ameaçou fugir do trono sem deixar rastros; não era exatamente uma garantia de que a mulher ficaria somente assistindo-o de braços de cruzados, mas pelo menos seria um tempo, até Taehyung lhe dar confiança outra vez.

Hoseok foi cauteloso ao máximo; tanto que cansou de assegurar Taehyung de que tudo ficaria bem a partir dali (embora ele mesmo não tivesse tanta certeza, pois conhecia a personalidade ferrenha da rainha). O príncipe ia visitar o mestiço todas as noites e, aos poucos, eles retornaram a conversar sem culpa ou medo, o que, para o Kim, foi devidamente mais animalesco que antes, já que o outro não tinha mais um passado a esconder; logo isto o fazia sentir-se especial e o deixava mais entregue a cada revelação do futuro rei sobre o próprio caminho traçado, dando-o entendimento de que nem tudo era luxo em um âmbito de riquezas materiais.

Convencidos e apaixonados, houve o momento em que eles se permitiram e se amaram novamente. De corpo e alma; sem se importarem com patentes, ou com o misterioso amanhã, que jurava açoitá-los a qualquer instante.

 

E, então, o ritual de sacrifício recomeçou.

Fora um ligeiro período de pura felicidade... Um carnaval ruidosamente apaixonante, que comoveria qualquer alma romancista a testemunhar aquela troca de sentimentos.

Mas o trono era como os olhos de Medusa; tornava pétreo qualquer coração caloroso, fazendo, assim, da rainha a mais maldosa vilã existente; estava tudo às mil maravilhas para os amantes até ela dar o bote e anunciar o casamento, o que traz o mestiço de volta para trás da pilastra de dentro do palácio.

O príncipe Jung Hoseok estava se casando com a princesa Jung Dawon; sua irmã mais velha – que, a propósito, também estava sendo forçada a participar daquilo –; para dar continuidade ao reinado dos famigerados Sacred Bone. Por mais que tenha tentado, Hoseok apenas não pudera evitar; dias antes, quando tentava convencer sua mãe de que aquilo o faria definhar de tristeza, descobriu que tudo fazia parte do plano maligno dela. Mas a rainha estava de consciência tranquila; em sua concepção, deixara o filho se divertir por tempo suficiente e agora ele teria que cumprir com o seu dever.

Entretanto, no dia anterior à cerimônia, – sendo vigiados por guardas que o impediriam de fugir a qualquer custo, obviamente – Taehyung acolheu o frágil futuro rei nos braços e chorou com ele, aquele amor impossível.

 

— O que ela vai fazer com você depois que tudo terminar? Maldição, deveríamos ter fugido antes!

               

O mestiço fungava, mas tentava manter-se forte, além de encorajar o parceiro com palavras que ele mesmo sequer acreditava e carícias em seu cabelo cumprido, bagunçado em seu colo.

 

— Está tudo bem, tudo bem... Quando você for rei, nada poderá nos impedir, certo? Não é esse o poder que a coroa o dará?!

               

Mas naquele momento nada apontava para um final feliz. E a última coisa que o Kim lembraria de ter visto seria o rosto de desconforto do novo rei – o seu mais belo sonho – desfocando, enquanto ele era, nova e subitamente, arrastado por guardas para os fundos do palácio, que estava completamente isolado.

Amarram seu pescoço em uma corda pendurada no teto e o fizeram subir em um banco, alegando ser a mando da rainha (quem mais seria, afinal?). Eles também disseram haver um motivo (que foi claramente inventado, para varrer os boatos para longe); espionagem.

 

— Suas últimas palavras? – um dos guardas, por fim, falou; ele era robusto e sério, mas carregava certo pesar no olhar, além de uma sutil cicatriz no rosto.

 

Taehyung suspirou, cansado de tanto lutar em vão; sequer conseguia mais derramar alguma lágrima. Hoseok não precisava salvá-lo. Esperava que ele não enlouquecesse quando o encontrasse e que cuidasse do povo como um bom rei deveria fazer. De repente seus pensamentos nublaram e a aceitação plena lhe serviu de torpor. Fechou os olhos.

 

— Vida longa ao rei!

 

 


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...