História Safe Haven - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Abo, Abo Bts, Bts, Namjin, Namjin Abo
Exibições 58
Palavras 4.560
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Fluffy, Romance e Novela, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


HOLA HOLA HOLA
sieres bien venidos mis amigos
o capítulo tá meio chatinho, mas é necessário
não desistam de mim

*Lais eu ainda não respondi seus comentários porque não sei como fazê-lo abkjebfa
mas tô feliz por estar gostando

Capítulo 3 - 3


Abril deu espaço a maio e os dias continuaram a passar. O movimento no restaurante cresceu de forma perceptível e a reserva de dinheiro na lata de café de Seokjin também cresceu de forma proporcional e reconfortante. Seokjin não sentia mais os estertores do pânico ao pensar na possibilidade de que não teria dinheiro caso precisasse sair da casa.

Mesmo depois de pagar o aluguel, as contas e as despesas com comida, percebeu que, pela primeira vez em anos, tinha algum dinheiro sobrando. Não muito, mas o bastante para que conseguisse se sentir livre e leve. Na manhã de sexta-feira, ele parou em frente à loja Momo Jean’s, um brechó especializado em roupas de segunda mão. Seokjin levou a manhã inteira para examinar as roupas que estavam à venda e comprou dois pares de sapatos, duas calças, um short, três camisetas elegantes e algumas blusas, a maioria das quais eram de grife e que pareciam ser quase novas. Seokjin ficava surpreso ao pensar que algumas pessoas tinham tantas peças boas de roupas que poderiam doar algumas que provavelmente custariam uma pequena fortuna em uma loja de departamentos.

Jo estava pendurando um mensageiro dos ventos em sua varanda quando Seokjin chegou em casa. Desde aquele primeiro encontro, eles não haviam conversado muito. O trabalho de Jo, qualquer que fosse, parecia mantê-la ocupada, e Seokjin cumpria tantos turnos quanto pudesse no restaurante. À noite, ele notava que as luzes da casa de Jo ficavam acesas, mas já era tarde demais para que fosse até lá. Por sua vez, Jo também não havia passado o fim de semana anterior em casa.

— Há quanto tempo não conversamos, hein? — Disse Jo, com um aceno. Ela deu um toque no mensageiro dos ventos, fazendo-o tinir antes de atravessar o jardim.

Seokjin chegou até sua varanda e colocou as sacolas no chão. — Por onde esteve?

Jo deu de ombros. — Você sabe como são as coisas. Trabalhando até tarde da noite, acordando cedo pela manhã, indo aqui e ali. Há momentos em que me sinto como se estivesse sendo puxada em todas as direções. — Disse ela, apontando para as cadeiras de balanço. — Você se importa? Eu preciso parar um pouco. Passei a manhã inteira limpando a casa e acabei de pendurar aquela coisa. Gosto do som que ele faz.

— Fique à vontade. — Disse Seokjin.

Jo se sentou e movimentou os ombros em círculos, tentando relaxar. — Você está ficando bronzeado. Tem ido à praia?

— Não. Fiz alguns turnos extras nas últimas semanas e trabalhei na área externa. — Disse Seokjin, afastando uma das cadeiras e abrindo espaço para que pudesse esticar as pernas.

— Sol e água... o que mais há ali? Trabalhar no Tao’s deve ser muito parecido com uma temporada de férias.

Seokjin riu. — Não é bem assim. E você, o que tem feito?

— Nada de sol nem diversão para mim ultimamente. — Disse Jo, olhando para as sacolas de compras. — Eu queria ter vindo mais cedo para tomar outra xícara de café, mas você já havia saído.

— Fui fazer compras.

— Estou vendo. Achou algo interessante?

— Acho que sim. — Confessou Seokjin.

— Bem, não fique sentado aí. Mostre-me o que você comprou.

— Tem certeza de que quer ver?

Jo riu. — Eu moro em uma cabana no fim de uma rua de cascalhos que fica no meio do fim do mundo, passei a manhã inteira lavando e enxugando meus armários. Que outras opções eu tenho para me divertir?

Seokjin tirou uma calça jeans da sacola e a entregou a Jo, que a segurou em frente ao rosto, observando os dois lados com cuidado. — Uau! — Disse ela. — Você provavelmente encontrou esta calça na Momo Jean’s. Eu adoro aquele lugar.

— Como você sabe que eu a comprei na Momo Jean’s?

— Porque nenhuma outra loja da cidade vende roupas tão boas. Isto veio do armário de alguém. Provavelmente de algum ômega rico. Muitas das coisas naquela loja são praticamente novas. — Pousando o jeans sobre o colo, Jo deslizou os dedos sobre o bordado nos bolsos de trás. — Os detalhes são maravilhosos, gostei muito dos desenhos. — Disse ela, olhando em direção às sacolas. — E o que mais você comprou?

Seokjin passou-lhe as peças uma por uma, divertindo-se com a empolgação de Jo com cada uma. Quando a sacola estava vazia, Jo suspirou. — Bem, agora estou oficialmente morrendo de inveja. E deixe-me adivinhar: não sobrou nada parecido com isso na loja, não é?

Seokjin deu de ombros, sentindo-se repentinamente acanhado. — Desculpe. Eu passei um bom tempo lá escolhendo.

— Bem, não tem problema. Você fez excelentes escolhas. Estas roupas são verdadeiros tesouros.

Seokjin olhou para a casa de Jo. — E como estão as coisas por lá? Já começou a pintar os cômodos?

— Ainda não.

— O trabalho está lhe tomando muito tempo?

Jo fez uma careta. — A verdade é que, depois de desencaixotar minhas coisas e limpar a casa do chão até o telhado, eu acho que minha energia acabou. Mas eu fico feliz por ser sua amiga, pois isso significa que eu ainda posso vir até sua casa, que é alegre e colorida.

— Pode vir a qualquer hora.

— Obrigada, isso significa muito para mim. Mas o Sr. Seungri, aquele alfa maldoso, vai me trazer algumas latas de tinta amanhã. Acho que isso explica por que estou aqui. Estou quase em pânico ao pensar que vou passar o final de semana com tinta respingando na minha roupa.

— Não é tão ruim assim. O tempo até que passa rápido.

— Está vendo estas mãos? — Perguntou Jo, exibindo as palmas. — Elas foram feitas para acariciar alfas bonitos, para serem adornadas com unhas bonitas e anéis de diamante. Não foram feitas para segurar rolos de pintura, ficarem manchadas com tinta ou para fazer outros tipos de trabalho braçal.

Seokjin deu uma risadinha. — Quer que eu te ajude?

— De jeito nenhum. Sou especialista em deixar as coisas para depois, mas a última coisa que eu quero é que você pense que eu sou incompetente. Porque sou muito boa no que faço.

Um bando de andorinhas saiu das árvores, movendo-se em um ritmo quase musical. O balanço das cadeiras fazia com que as tábuas da varanda rangessem levemente.

— O que exatamente você faz?

— Trabalho com aconselhamento psicológico, por assim dizer.

— Em uma escola?

Jo balançou a cabeça negativamente. — Não. Em situações de luto e perda.

Seokjin parou por um momento para pensar. — Acho que não entendi direito.

Jo deu de ombros. — Eu vou até a casa das pessoas e tento ajudá-las. Geralmente isso acontece quando alguém muito querido morre. — Disse ela. Após uma pausa, sua voz ficou mais suave quando prosseguiu. — As pessoas reagem de maneiras muito diferentes, e meu trabalho é descobrir como ajuda-las a aceitar o que aconteceu. Aliás, detesto essa palavra, pois nunca conheci ninguém que realmente estivesse disposto a aceitar os fatos. Mas, basicamente, é isso que eu faço. Afinal, independentemente do quão seja difícil, a aceitação ajuda as pessoas a seguir em frente com suas vidas. Mas, às vezes... — Ela deixou a frase no ar. Em meio ao silêncio, arrancou um pedaço da pintura da cadeira de balanço que estava descascando. — Às vezes, quando estou cuidando de alguém, outros problemas acabam surgindo. E é com isso que venho trabalhando ultimamente. Em geral, as pessoas precisam de outros tipos de ajuda também.

— Parece ser um belo trabalho.

— E é. Mesmo que tenha suas dificuldades. — Concluiu ela, virando-se para Seokjin. — E você, o que me diz?

— Você sabe que eu trabalho no Tao’s.

— Mas você não me disse mais nada sobre você.

— Não há muito mais a dizer. — Protestou Seokjin, desejando que a conversa não enveredasse por aquele rumo.

— É claro que há. Todos têm uma história. — Comentou Jo, antes de fazer uma pequena pausa. — Por exemplo, qual foi o verdadeiro motivo que o trouxe para Pohang?

— Eu já lhe disse. Queria um lugar onde pudesse recomeçar a vida. — Insistiu Seokjin.

Jo pareceu estar olhando através dele enquanto absorvia aquela resposta. — Tudo bem. — Disse ela após algum tempo, sem rancor na voz. — Você tem razão. Não é da minha conta.

— Não foi isso o que eu disse.

— Foi, sim. Você disse de uma maneira gentil. E eu respeito sua resposta, porque você tem razão: realmente não é da minha conta. Mas, só para você saber, quando você diz que quer recomeçar a vida, a conselheira que existe dentro de mim se pergunta por que você sente a necessidade de recomeçar. E, mais importante do que isso, o que foi que você deixou para trás.

Seokjin sentiu seus ombros ficarem tensos. Percebendo o desconforto nele, Jo prosseguiu.

— E se fizermos desta forma? — Perguntou ela, de maneira gentil. — Esqueça que eu fiz essa pergunta. Mas saiba que, se algum dia você quiser conversar a respeito, estarei aqui para lhe ajudar. Sou uma boa ouvinte, especialmente quando meus amigos precisam. E, acredite ou não, conversar, às vezes, ajuda bastante.

— E se eu simplesmente não puder conversar a respeito? — Disse Seokjin, em um sussurro involuntário.

— Que tal se você ignorar o fato de eu trabalhar com aconselhamento de pessoas? Somos apenas amigos, e amigos podem conversar sobre qualquer coisa. Como o lugar onde você nasceu, ou algo que lhe deixava feliz quando você era criança.

— E que importância isso tem?

— Não é realmente algo importante. E é exatamente por isso que estou conversando com você. Você não precisa dizer nada que não queira realmente dizer.

Seokjin absorveu as palavras de Jo antes de olhar para ela com os olhos semicerrados. — Você é muito boa no que faz, não é?

— Eu me esforço. — Concordou Jo.

Seokjin entrelaçou os dedos sobre o colo. — Tudo bem. Eu nasci em Anyang. — Disse ele.

Jo se recostou na cadeira de balanço. — Nunca estive lá. É um lugar bonito?

— É uma daquelas velhas cidades construídas ao redor de uma estação de trem. Você já deve ter visto algum lugar assim. Uma cidade pequena, cheia de pessoas boas e trabalhadoras que estão apenas tentando melhorar suas vidas. Era um lugar bonito, especialmente durante o outono, quando as folhas começavam a mudar de cor. Eu pensava que nenhum lugar no mundo poderia ser mais bonito que aquele.

Seokjin baixou os olhos, perdido em meio às lembranças. — Eu tinha um amigo chamado Jihoon, um belo ômega, e nós costumávamos colocar moedas sobre os trilhos do trem. Depois que o trem passava, nós andávamos em volta dos trilhos para tentar encontrá-las e sempre ficávamos abismados quando víamos que o peso do trem havia apagado todas as marcas de cunhagem das moedas. Às vezes as moedas ainda estavam quentes ao toque. Eu me lembro de quase ter queimado meus dedos certa vez. Quando penso na minha infância, quase sempre são lembranças de pequenos momentos agradáveis como esse.

Ele deu de ombros, mas Jo continuou em silêncio, deixando que Seokjin prosseguisse.

— De qualquer forma, foi lá que estudei. Sempre na mesma escola. Foi ali que terminei o ensino médio, mas acho que, naquela época... não sei... acho que estava farto de tudo aquilo, sabe como é? A vida em uma cidade pequena, onde todos os fins de semana eram iguais. As mesmas pessoas indo sempre às mesmas festas, os mesmos alfas bebendo cerveja na carroceria de suas caminhonetes. Eu queria mais, mas não consegui ir para a faculdade. Para encurtar uma longa história, acabei indo para Daegu. Trabalhei lá por algum tempo, me mudei algumas vezes e agora, alguns anos depois, estou aqui.

— Em outra cidade pequena onde tudo é sempre igual.

Seokjin balançou a cabeça. — Esta cidade é diferente. Ela faz com que eu me sinta...

Quando Seokjin hesitou, Jo terminou a frase por ele.

— Seguro?

Quando os olhos assustados de Seokjin se encontraram com os dela, Jo parecia estar estupefata. — Não é tão difícil de entender. Como você mesmo disse, você quer recomeçar. E que lugar melhor para fazer isso do que este? Onde nada acontece? — Ela parou por um momento. — Bem, não é sempre assim. Eu ouvi que houve uma certa comoção na semana passada. Quando você foi até a loja de conveniência.

— Você ficou sabendo?

— Vivemos em uma cidade pequena. É impossível não ouvir os comentários. O que aconteceu por lá?

— Foi assustador. Em um minuto eu estava conversando com Namjoon e, quando vi o que estava acontecendo no monitor, acho que ele percebeu a expressão no meu rosto. No instante seguinte ele saiu correndo. Ele passou por mim e correu pela loja como um raio. Yerin olhou para o monitor e entrou em pânico. Eu a peguei nos braços e fui atrás do pai dela. Quando cheguei aos fundos da loja, Namjoon já havia tirado Jisoo da água. Foi um alívio ver que ele estava bem.

— Também acho. — Disse Jo, assentindo. — O que você acha de Yerin? Ela não é a criança mais linda e doce do mundo?

— Ela me chama de senhorito Seokjin.

— Eu adoro aquela garotinha. — Disse Jo, erguendo os joelhos e trazendo-os para junto do peito. — Mas não fico surpresa por vocês terem se dado bem. Ou pelo fato de ela ter corrido para seus braços quando sentiu medo.

— Por que diz isso?

— Porque ela é uma criança muito sensível e inteligente. Ela sabe que você tem um bom coração.

Seokjin fez uma expressão cética. — Talvez ela estivesse com medo por causa do que estava acontecendo com o irmão. Quando o pai dela saiu correndo, eu era a única pessoa que estava na loja.

— Não se deprecie assim. Como eu disse, ela é sensível e consegue perceber essas coisas. — Retrucou Jo. — E o que houve com Namjoon? Depois do que aconteceu?

— Ele ainda estava um pouco abalado, mas, apesar do susto, parecia estar bem.

— Chegou a conversar com ele outras vezes desde então?

Seokjin deu de ombros mais uma vez, como se aquilo não fosse muito importante. — Não muito. Ele é sempre gentil quando vou até a loja e sempre tem os produtos que eu preciso em estoque, mas nada além disso.

— Ele é muito bom no que faz. — Disse Jo, segura de si.

— Você fala como se o conhecesse muito bem.

Jo balançou-se em sua cadeira. — Acho que eu o conheço bem, sim.

Seokjin esperou que ela falasse mais, mas Jo permaneceu em silêncio.

— Quer falar a respeito? — Perguntou Seokjin, inocentemente. — Afinal de contas, conversar pode ajudar bastante, às vezes. Especialmente se tiver um amigo para lhe ouvir.

Os olhos de Jo brilharam. — Sabe, eu sempre suspeitei que você fosse muito mais inteligente do que deixa transparecer. Está usando minhas próprias palavras para conversar comigo. Você devia ter vergonha de se esconder assim.

Seokjin sorriu, mas não disse nada. Da mesma forma que Jo havia feito com ele. E, de maneira surpreendente, aquela estratégia funcionou.

— Não tenho certeza do quanto eu posso dizer. — Acrescentou Jo. — Mas posso lhe dizer que ele é um bom alfa. É o tipo de pessoa com quem você pode contar para fazer a coisa certa. É possível enxergar isso no amor que ele tem por seus filhos.

Seokjin juntou os lábios por um momento. — Vocês dois já se encontraram alguma vez?

Jo pareceu escolher suas palavras com cuidado. — Sim, mas talvez não da maneira que você esteja imaginando. E para que as coisas fiquem bem claras: aconteceu há um bom tempo e todos prosseguiram com suas vidas.

Seokjin não conseguiu entender a resposta dela, mas não quis insistir no assunto. — Qual é a história dele, então?

— Seria melhor que você perguntasse a ele.

— Eu? E por que iria querer perguntar isso a ele?

— Porque você perguntou a mim. — Disse Jo, erguendo uma sobrancelha. — O que significa claramente que você está interessado nele.

— Não estou interessado nele.

— Então por que você quer saber coisas a respeito dele?

Seokjin fez uma careta. — Para uma amiga, até que você é bastante manipuladora.

Jo deu de ombros. — Eu simplesmente digo às pessoas aquilo que elas já sabem, mas têm medo de admitir para si mesmas.

Seokjin pensou naquilo. — Para que as coisas fiquem bem claras, estou oficialmente retirando minha oferta de ajudá-la a pintar sua casa.

— Você já disse que faria isso.

— Eu sei, mas quero retirá-la assim mesmo.

Jo soltou uma risada. — Tudo bem, tudo bem. Ei, o que você vai fazer esta noite?

— Preciso ir trabalhar daqui a pouco. Na verdade, acho que já é hora de começar a me arrumar.

— E amanhã à noite? Você vai trabalhar também?

— Não. Este final de semana estarei de folga.

— Então o que acha de eu trazer uma garrafa de vinho? Estou precisando beber um bom vinho e não quero ter que sentir o cheiro da tinta fresca por mais tempo do que o necessário. Podemos combinar?

— Parece que vai ser bem divertido.

— Ótimo. — Disse Jo, levantando-se da cadeira de balanço. — Estamos acertados, então.

 

*****

 

A manhã de sábado chegou trazendo o céu azul, mas logo as nuvens começaram a se formar. Cinzentas e pesadas, elas se formavam e se agrupavam ao mesmo tempo que o vento soprava cada vez mais forte. A temperatura começou a cair e, quando Seokjin saiu de casa, teve que vestir uma blusa de moletom. A loja ficava a cerca de três quilômetros de sua casa, um percurso de aproximadamente meia hora de caminhada vigorosa, e ele sabia que teria que se apressar se não quisesse que a chuva o apanhasse.

Seokjin chegou à estrada principal assim que ouviu o ribombar dos trovões. Ele acelerou o passo, sentindo o ar ficar mais denso à sua volta. Um caminhão passou correndo no asfalto, deixando uma nuvem de poeira atrás de si, e Seokjin foi até o canteiro central que dividia as duas pistas. O ar cheirava ao sal que vinha do oceano. Acima dele, um gavião de cauda vermelha flutuava intermitente nas correntes de ar ascendentes, testando a força do vento.

O ritmo constante dos seus passos distraiu sua mente, e ele se viu refletindo sobre a conversa com Jo. Não as histórias que havia contado, mas algumas das coisas que Jo havia dito a respeito de Namjoon. Acabou por decidir que Jo não sabia do que estava falando. Enquanto Seokjin estava simplesmente tentando conversar, Jo havia distorcido suas palavras e as transformado em algo que não era realmente verdadeiro. Namjoon certamente parecia ser uma boa pessoa e, como Jo disse, Yerin era muito doce e meiga, mas ele não estava interessado em Namjoon. Mal o conhecia. Desde que Jisoo havia caído no rio, eles mal haviam trocado algumas palavras, e a última coisa que queria era entrar em um relacionamento, qualquer que fosse.

Assim, por que ele tinha a sensação de que Jo estava tentando fazer com que eles ficassem juntos?

Ele não sabia ao certo, mas, para ser honesto, aquilo não lhe importava. Estava feliz pelo fato de que Jo viria até sua casa naquela noite. Dois amigos, compartilhando uma garrafa de vinho... não era algo tão especial assim, ele sabia. Outras pessoas faziam aquele tipo de coisa o tempo todo. Seokjin franziu a testa. Tudo bem, talvez não o tempo todo, mas a maioria delas provavelmente sabia que podia fazer aquilo se quisessem, e ele supunha que aquela era diferença entre ele próprio e as outras pessoas. Quanto tempo fazia desde que havia feito algo que parecesse normal?

Desde sua infância, admitiu Seokjin para si mesmo. Desde aqueles dias em que colocara moedas sobre os trilhos. Mas não havia contado toda a verdade a Jo. Não dissera a ela que ia até o lugar onde o trem passava para fugir do som das discussões de seus pais, das vozes arrastadas que se insultavam mutuamente. Não contou a Jo que havia sido pego no fogo cruzado mais de uma vez e que, quando tinha 12 anos, fora atingido por um enfeite de vidro que seu appa lançara contra sua omma. O objeto lhe causou um corte na cabeça que sangrou por várias horas, mas nem a mãe nem o pai demonstraram qualquer interesse em levá-lo para o hospital. Não disse à Jo que seu pai era cruel quando estava bêbado, ou que ele nunca convidara qualquer pessoa, nem mesmo Jihoon, para visitar sua casa. Ou que não conseguiu ir para a faculdade porque seus pais achavam que era um desperdício de tempo e dinheiro. Ou que eles o expulsaram de casa no dia em que ele terminou o ensino médio.

Ele pensou que talvez pudesse contar aquilo a Jo. Ou talvez não contasse. Não era tão importante. E daí que ele não tivera a melhor das infâncias? Sim, seus pais eram alcoólatras e frequentemente estavam desempregados, mas, ignorando o incidente com o enfeite de vidro, eles nunca chegaram a machuca-lo. Não, ele nunca ganhou um carro ou teve festas de aniversário, mas nunca foi para a cama sem jantar. E, quando o outono chegava, independentemente da situação financeira da família, ele sempre ganhava roupas novas para ir à escola. Talvez seu pai não fosse o melhor alfa do mundo, mas ele não vinha até seu quarto na calada da noite para fazer coisas horríveis consigo — coisas que Seokjin sabia que haviam acontecido com alguns amigos e amigas ômegas. Aos 18 anos, ele não se considerava uma pessoa traumatizada. Talvez um pouco decepcionado por não ter cursado uma faculdade e nervoso por ter que encontrar seu caminho sozinho no mundo, mas não traumatizado além de qualquer possibilidade de recuperação. E ele havia conseguido. As coisas não foram tão ruins em Daegu. Ele conheceu alguns bons alfas e ainda se lembrava de mais de uma noite que passara rindo e conversando com os amigos do trabalho até o dia amanhecer.

Não, insistiu ele consigo mesmo. Sua infância não havia definido sua vida, nem tinha algo a ver com a razão pela qual ele se mudara para Pohang e, embora Jo fosse a coisa mais próxima de uma amiga que ele tinha na cidade, essa amiga não sabia absolutamente nada sobre sua vida. Ninguém sabia.

 

*****

 

Oi, senhorito Seokjin. — Disse Yerin, ainda sentada em sua mesinha de desenho.

Não havia nenhuma boneca aquele dia. Em vez disso, ela estava curvada sobre um livro de colorir, com bastões de giz de cera nas mãos, trabalhando em uma imagem de unicórnios sob um arco-íris.

— Oi, Yerin. Como você está?

— Estou bem. — Yerin tirou os olhos do livro de colorir e olhou para Seokjin. — Por que você sempre vem a pé para cá?

Seokjin analisou a pergunta por um momento e depois deu a volta no balcão, agachando-se para ficar da mesma altura que Yerin. — Porque não tenho um carro.

— Por que não?

Porque não tenho habilitação, pensou Seokjin. E mesmo que eu tivesse, não tenho dinheiro para comprar ou manter um carro. — Bem, vou lhe dizer o que farei. Vou pensar em comprar um, certo?

— Certo. — Disse ela. E estendeu o livro de colorir para Seokjin. — Você gostou do meu desenho?

— Está bonito. Você está fazendo um ótimo trabalho.

— Obrigada. Vou lhe dar esta folha quando eu terminar.

— Não precisa fazer isso.

— Eu sei. — Disse ela, com uma autoconfiança encantadora. — Mas eu quero que você fique com ela. Você pode colocá-la na porta da sua geladeira.

Seokjin sorriu e se levantou. — Era exatamente nisso que eu estava pensando.

— Precisa de ajuda com as compras?

— Acho que consigo cuidar disso sozinho hoje. Assim você pode terminar de colorir.

— Tudo bem. — Concordou Yerin.

Ao pegar uma cesta de compras, Seokjin viu que Namjoon se aproximava. Este acenou para ele e, embora não fizesse sentido, Seokjin teve a sensação de que aquela era a primeira vez que realmente prestava atenção nele. Embora seu cabelo fosse grisalho, havia apenas algumas poucas linhas de expressão ao redor dos olhos dele que, de algum modo, realçavam a aura de vitalidade que ele tinha ao seu redor. Os ombros dele eram mais largos do que a cintura, e Seokjin teve a impressão de que Namjoon era um homem que não exagerava na comida nem na bebida.

— Oi, Seokjin. Como está?

— Pode me chamar de Jin. Estou bem. E você?

— Tudo tranquilo, Jin. — Disse ele, abrindo um sorriso. — É ótimo ver você. Eu queria lhe mostrar uma coisa.

Namjoon apontou para o monitor e Seokjin viu que Jisoo estava sentado no ancoradouro atrás da loja, segurando sua vara de pescar.

— Você deixou que ele voltasse a pescar? — Perguntou.

— Percebeu o colete que ele está usando?

O mais alto se aproximou do monitor, apertando os olhos. — Um colete salva-vidas?

— Eu demorei um pouco para achar um que não fosse desajeitado ou quente demais para ele, mas esse é perfeito. E, para falar a verdade, eu não tive escolha. Você não faz ideia do quanto ele estava triste sem poder pescar. Nem tenho como enumerar quantas vezes ele me implorou para que eu o deixasse voltar para a doca. Não conseguia mais suportar aquilo, então pensei que esta seria uma boa solução.

— Ele não se importa em usar o colete?

— Uma das novas regras da casa. Ou usa o colete ou fica sem pescar. Mas eu não acho que ele se importe.

— E ele chega a pescar alguma coisa?

— Não tanto quanto gostaria, mas, às vezes, ele pega alguns peixes, sim.

— E vocês os comem?

— Às vezes. Mas Jisoo geralmente os joga de volta na água. Ele não se importa de pescar o mesmo peixe várias vezes.

— Fico feliz por você ter encontrado uma solução.

— Um pai mais previdente teria pensado nisso antes que um acidente acontecesse.

Pela primeira vez, Seokjin olhou para ele. — Tenho a impressão de que você é um ótimo pai.

Seus olhos se encontraram e ambos se observaram por um momento, antes que Jin se forçasse a desviar o rosto. Namjoon, sentindo o desconforto do outro, começou a mexer nas coisas que estavam atrás do balcão.

— Tenho uma coisa para você. — Disse o alfa, tirando uma sacola de trás da caixa registradora e colocando-a sobre o balcão. — Há uma pequena fazenda que me fornece alguns produtos e eles têm uma estufa. Conseguem cultivar algumas coisas em épocas que outras empresas não conseguem. Ontem eles trouxeram alguns legumes frescos. Tomates, pepinos e alguns tipos diferentes de abobrinhas. Talvez você queira experimentá-los. Meu esposo jurava que eram os melhores que ele já havia comido.

— Seu esposo?

Ele balançou a cabeça. — Ah, me desculpe. Ainda faço isso às vezes. Estava me referindo à meu esposo, já falecido. Ele morreu há alguns anos.

— Eu lamento. — Murmurou Seokjin, enquanto sua mente repassava a conversa que teve com Jo.

Qual é a história dele?

Seria melhor que você perguntasse a ele. Aquela fora a resposta de Jo.

Era óbvio que Jo sabia que o esposo dele havia morrido, mas não dissera nada a respeito. Estranho.

Namjoon não percebeu que o outro estava pensando na conversa que tivera no dia anterior. — Obrigado. — Disse ele, com a voz um pouco estrangulada. — Ele era uma ótima pessoa. Tenho certeza de que você teria gostado dele. — Completou Namjoon. Uma expressão saudosa lhe cruzou o rosto. — De qualquer forma, ele sempre elogiou aquele lugar. Eles trabalham com alimentos orgânicos e a família ainda colhe os legumes manualmente. Em geral, os produtos deles desaparecem logo depois que chegam, mas eu separei alguns para você, se quiser experimentá-los. — Comentou, sorrindo. — Além disso, você é vegetariano, não é? Os vegetarianos adoram estes legumes. Eu garanto.

Seokjin olhou para ele, apertando os olhos. — Por que você acha que eu sou vegetariano?

— Não é?

— Não.

— Acho que me enganei, então. — Disse Namjoon, colocando as mãos nos bolsos.

— Tudo bem. Já me acusaram de fazer coisas piores.

— Duvido muito.

Não duvide, pensou Jin. — Bem, acho que vou levar os legumes. Obrigado.

 

 


Notas Finais


não tenho muito o que falar aqui, esse cap foi bem chatinho mas o proximo vai ter mais interação namjin

bjs e até lá ♥


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