História Safe On My Heart - Capítulo 6


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Categorias O Orfanato da Srta. Peregrine Para Crianças Peculiares
Personagens Abraham Portman, Alma LeFay Peregrine, Bronwyn Bruntley, Claire Densmore, Emma Bloom, Enoch O'Connor, Esmeralda Avocet, Fiona Frauenfeld, Horace Somnusson, Hugh Apiston, Jacob Portman, Millard Nullings, Olive Abroholos, Personagens Originais, Victor Bruntley
Visualizações 44
Palavras 2.557
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 14 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


olá, peculiares!
eu queria ter deixado esse capítulo pra semana que vem, mas como ele já está pronto, não quis enrolar.
espero que esteja do agrado de vocês. e pra quem sentiu a treta vindo no capítulo passado, é bem aqui que ela começa...
Boa leitura!

Capítulo 6 - Até A Próxima


Fanfic / Fanfiction Safe On My Heart - Capítulo 6 - Até A Próxima

~Enoch

Dava para ouvir do meu escritório a euforia das crianças peculiares enquanto a srta. Peregrine iniciava nosso espetáculo. Alma sabia muito bem como fazer uma entrada triunfal, levando peculiares e pessoas normais à loucura. Era a minha parte favorita do show, vê-la descendo na forma de um falcão e pousando em cima da cortina vermelha, logo depois se escondendo atrás dela e retornando a forma humana. Ela fazia uma reverência ao público e falava "Sejam bem-vindos" na língua dos peculiares antigos e o resto do show começava. Nós já fizemos shows do tipo para as pessoas da Ilha, fazíamos uma vez por mês, mas com a partida de Abraham para longe, os peculiares ficaram desmotivados e nosso esporte favorito se tornou apenas uma lembrança. Pelo menos até Jacob chegar.

E pensar no garoto, me fez lembrar de uma coisa: meu coração ainda está doendo com a pequena traição de Olive. Já não estava mais com raiva da ruiva, sei que ela não fez nada de propósito. Porém ainda sentia um formigamento caminhando dentro de mim, causado pelo jovem Portman. Jacob não é igual ao avô apenas na aparência, ele é mais parecido com o velho do que pensa. Seduz as pessoas com a mesma facilidade e lhes arranca tudo o que precisa, para depois ir embora. Sei que é o que ele irá fazer, quando se cansar de reviver as aventuras do avô, não pensará duas vezes em voltar para a sua época e o conforto de seus dias atuais. Dias esses que despertam a minha curiosidade... Às vezes me pergunto se valeu a pena ter sido encontrado pela Ave. Sou grato por tudo o que ela fez por mim, mas não consigo deixar de pensar em tudo o que fui impedido de viver preso nessa Fenda e nesse corpo jovem abrigador de uma alma velha e saturada.

Respirei fundo, ouvindo os aplausos animados de todos lá embaixo e decidi ir até lá.

Do lado de fora, todos prestavam atenção em Hugh e Fiona que realizavam o seu número conjunto. A garota movia as mãos em cima de um vaso cheio de terra e dali nasciam flores, que em seguida eram polinizadas pelas abelhas de Hugh que para completar dançavam em volta de seu trabalho bem feito. Procurei por Olive em meio aos peculiares sentados e não a enxerguei ali, o que significava que logo ela iria se apresentar. E foi o que aconteceu assim que A Dupla da Natureza (como ambos se denominaram) saíram do palco, dando lugar a Olive. Sentei-me ao lado de Horace que se encontrava com os olhos vidrados no que iria acontecer. Eu estava curioso para vê-la fazer o que fosse. Nunca vi uma apresentação de Olive, mesmo sabendo que ela foi encontrada em um circo, ela nunca nos mostrou o que fazia lá. Como já disse, é como se ela tentasse esconder seu dom, como se não fosse algo para se orgulhar.

_ Boa tarde, jovens peculiares! - Olive nos cumprimentou. - Este número que vou apresentar é algo que eu fazia quando me apresentava para as pessoas no passado. Espero que todos gostem. Eu o chamo de "Alma em Chamas". - disse e parou no centro do palco. Eu estava animado. Queria ver até onde se extendia a sua peculiaridade, se era ainda mais chocante do que eu imaginara.

Silêncio. Olive fechou os olhos e uniu as mãos, fazendo-me notar que usava luvas brancas. Respirando fundo, ela se concentrou e em questão de segundos suas mãos pegaram fogo, fazendo com que suas luvas derretessem! Então as chamas começaram a se alastrar pelos seus braços, chegando ao seu pescoço, logo depois passando para seus cabelos que se ergueram. Eu estava embasbacado. Nunca presenciei nada igual. Olive era ainda mais incrível do que demonstrava e estavam pensando da mesma forma que eu, pois a aplaudiram de pé e começaram a gritar "Olive é demais!" em uníssono.

De repente Bronwyn se aproximou com um balde de água e jogou o conteúdo na ruiva, apagando suas chamas. Olive abriu seus olhos e estavam em um tom amarelado que nunca havia visto. Sorrindo docemente, agradeceu os aplausos e saiu do palco, descendo por uma escada lateral. Horace se levantou, indo até ela e lhe entregando uma toalha para que se secasse e um novo vestido, já que o que usou na apresentação ficou arruinado. Ela falou algo para o garoto e retornou para casa, onde se trocaria.

Enquanto os outros assistiam Bronwyn levantar e detonar pedregulhos e rochas maiores que ela, aproveitei para ir atrás de Olive. Eu precisava dizer a ela o quanto aquilo foi emocionante.

_ Olive! - chamei-a vendo-a entrar no banheiro das meninas. Ela se virou.

_ Enoch?! O que está fazendo aqui? - perguntou surpresa.

_ Eu vim parabenizar você. Sua performance foi tão linda... - "assim como você", completei mentalmente. Ela corou.

_ Obrigada, Eny. Mas não foi uma boa ideia vir atrás de mim nesse estado.

_ Eu sei, mas precisava dizer isso a sós. Você foi brilhante. - disse me aproximando dela. Senti um ímpeto de tocar em seu rosto rosado, que ainda devia estar quente mesmo molhado. Ela se afastou.

_ Preciso me trocar agora... - se voltou na direção do banheiro novamente, mas eu precisava perguntar...

_ Olive, posso perguntar uma coisa?

_ Claro, Enoch. - olhou novamente para mim.

_ Por que nunca me mostrou o que podia fazer? - ela sorriu de canto e lançou-me seu olhar ainda amarelado (me pergunto porque ficaram naquela pigmentação...).

_ Nem sempre a minha peculiaridade foi aplaudida... - disse e baixou a cabeça.

_ A minha peculiaridade nunca foi aplaudida. Mas a sua... Você levou todos ao delírio! - ela riu e me aproximei outra vez, dessa vez realizando o desejo de tocar em seu rosto, onde acaricei sua bochecha.

_ Eny, nós vamos perder o resto do show se continuarmos aqui. - disse e tomou distância de meu toque, entrando de vez no banheiro. Novamente aquele sentimento de coração partido tomou forma. Tinha alguma coisa estranha no seu tom de voz, como se ela quisesse se desviar de mim. Mas por que ela estava o fazendo? Ora, Enoch, não seja tolo! É óbvio que isso é culpa daquele garoto franzino! Ele está estragando tudo, da mesma maneira que o avô fez. Se ele quer viver o que o avô viveu, então precisará conhecer um peculiar a quem ainda não foi apresentado...

[...]

O "grande espetáculo" havia terminado, já estava escuro. Minha performance foi o de sempre, dei vida a um mini-exército de homúnculos e os fiz lutarem entre si até a morte. Jacob ficou impressionado e disse que meus bonecos pareciam mini-robôs. Não faço ideia do que sejam isso, mas para não ser repreendido pela ymbryne, agradeci. E claro, para pôr meu plano em prática.

Estávamos reunidos na sala. Olive e Claire não se desgrudavam um minuto, eu as observava de longe. De vez em quando a ruiva me olhava de canto, mas eu ainda tinha a sensação de que algo estava errado com ela. Emma, Fiona, Hugh, Jacob e Millard jogavam pife em volta da mesa de centro. Podia jurar que Emma trocou alguns olhares com o garoto. Seria interessante se alguma coisa acontecesse entre os dois, assim ele esqueceria Olive de vez.

A srta. Peregrine adentrou a sala e observou cada um de seus peculiares. Desviei o olhar quando seus olhos pararam em mim, mas logo a mulher limpou a garganta.

_ Crianças, eu sei que estão se divertindo muito, mas já está tarde e Jacob precisa voltar para perto de seu pai em Cairnholm. - todos exclamaram seu descontento com a notícia. - Silêncio! Meus amores, nós temos uma rotina que precisa ser cumprida nos esperando. Prometo que, se Jake quiser, faremos mais apresentações para ele. Combinado? - as crianças vibraram animadas. Me irritava o fato de se contentarem com tão pouco, até mesmo Olive. Aproveitei a deixa para iniciar meu plano.

_ Senhorita, deixe-me levar Jacob até a saída. - todos viraram suas cabeças na minha direção.

_ Sr. O'Connor... - era clara a desconfiança no rosto da Ave, mesmo assim ela resolveu me dar uma chance. - Está bem. Acompanhe o sr. Portman até a saída, mas sem atrasos. - disse por fim.

Jacob levantou-se de onde estava, despedindo-se dos outros peculiares. Olive apenas sorriu e lhe abraçou, levando Claire e Bronwyn consigo para o andar de cima. A senhorita aproximou-se de mim.

_ Enoch... eu espero que isso não seja uma brincadeira de mau gosto. Sei que não se dava bem com Abraham, mas não é justo que desconte suas frustrações no neto dele. Jacob não sabe sobre o que aconteceu. Ele não tem culpa - respirei fundo, antes de responder.

_ Não se preocupe, eu só quero conhecê-lo melhor... Eu não sou tão ruim assim. - ela sorriu e afagou minha bochecha.

_ Você é especial, sr. O'Connor, assim como todos os outros. E é tão bom quanto. - sorri de canto, sem humor. Jacob veio até nós dois.

_ Então... podemos ir? - perguntou.

_ Podem, claro. - Alma nos deixou sair da casa. Ela iria nos esperar ali, mas Claire e Wyn começaram a brigar e ela precisou resolver o problema. Tudo estava se ajustando a meu favor.

O garoto estava indo na direção da floresta que levava até a saída, mas o impedi.

_ Espere. Eu gostaria de falar com você, é importante e... acho que é do seu interesse também. - Jacob arqueou as sobrancelhas.

_ Do meu interesse? - ele me olhou de cima a baixo. - O que você quer?

_ Escute, eu não gosto de você e você está ciente disso. Mas existe uma coisa que gosto menos ainda que é mentira; enganação.

_ Do que está falando, Enoch? - segurei em seu braço e o guiei até a porta dos fundos da casa.

_ Tem uma coisa que você ainda não sabe. Na verdade, uma pessoa que você ainda não conheceu e faz parte do lar.

_ Como assim? Eu conheci todos os peculiares e são como meu avô havia descrito. - revirei os olhos, já cansado de tanta lerdeza.

_ Será mesmo? Tente se lembrar das histórias que ele contava. Não está faltando alguém aqui? - ele pensou por um tempo que pareceu uma semana. Até que arregalou os olhos.

_ Victor Bruntley. O garoto com força sobre-humana. - as engrenagens de sua cabeça parecem ter funcionado. - Onde ele está? Como você mesmo disse, ainda não o conheço. - hora da ação.

_ Ele está morto. - disse aquelas palavras, impedindo um nó de se formar na garganta. - A pedido da Bronwyn, ele continua em seu quarto. Não sei como a srta. P permitiu, mas ele está lá. Intacto pelo tempo.

_ Sinto muito. Mas por que ninguém falou sobre isso? - dei de ombros.

_ É o nosso assunto proibido. Somente Bronwyn pode falar sobre o irmão.

_ Por que está me contando, então?

_ Eu odeio enganação. E mais cedo ou mais tarde, você percebe que é tudo o que esse lugar é. Uma bela mentira que nos mantém presos, sem futuro. Eu perdi uma vida inteira aqui, não acho que você esteja disposto a fazer o mesmo. - Jacob ficou sem palavras. Nem eu esperava me sair tão bem o enganando.

_ Enoch, pode me fazer um favor? - assenti com a cabeça. - Me apresente ao Victor. Mas... me apresente ao Victor acordado. - assenti de novo.

_ Me siga. Sem fazer barulho.

Entramos na casa pela porta dos fundos, que dava para a cozinha. Passamos pela sala de jantar e pela sala, até subirmos as escadas.

_ Onde o quarto dele fica? - sussurrou para mim.

_ Em frente ao meu.

_ E onde o seu quarto fica? - isso vai ser longo...

_ Apenas me siga, eu já fiz isso mais vezes do que essa Fenda já foi reiniciada.

Andamos até o quarto do garoto. Peguei a chave de seu esconderijo no alto da porta sem esforço e a destranquei. A porta não rangeu como costuma fazer, para a minha sorte. Deixei que Jacob entrasse na minha frente e fechei a porta quando ambos estávamos lá dentro.

Jacob espantou-se vendo o estado perfeito em que Victor se encontrava. Ele olhou para mim esperando a mesma reação, mas eu já estava acostumado.

_ O que faremos agora? - eu mexia na gaveta onde escondo meus utensílios.

_ Você só precisa observar.

Com minha tesoura, meu bistúri e uma agulha e linha, agachei-me ao lado de Victor, puxando seu cobertor. Abri sua camisa, mostrando seu peitoral com um corte cicatrizando no centro. Jacob aproximou-se e olhou para o corte espantado. Reabri seu corte e enfiei dois dedos dentro do mesmo, para tocar em seu coração. Ao sentí-lo, completamente sem vida, fechei meus olhos e me concentrei. Uma dor de cabeça forte me atingiu, durando alguns minutos, mas logo passou assim que senti seu coração voltar a pulsar. Retirei meus dedos de seu peito, os limpando numa toalhinha e esperando Victor abrir os olhos. E ele logo o fez, respirando ofegante como se tivesse despertado de um pesadelo, deixando Jacob boquiaberto vendo tudo acontecer. Victor olhou em minha direção.

_ Você não se cansa? - perguntou e riu. Sorri também.

_ Não vai gritar pela srta. Peregrine como da última vez? - ele deu de ombros, olhando na direção de Jacob.

_ Abe?! O que está fazendo aqui? - ele ficou tenso. - Seu desgraçado, você nos deixou aqui para morrer! - acho que nunca mencionei que eu não era o único a odiar Abraham.

_ Esse não é o Abe, Victor. - ele ficou confuso.

_ M-meu nome é J-Jacob... Jacob Portman. - disse estendendo a mão para Victor.

_ Ah, isso explica estar tão magro. - segurei o riso.

_ E-eu sou neto do Abe. Ele me falou sobre você. Me falou sobre todos vocês e sobre o lar. - Victor o anasilou, enquanto ouvia.

_ Imagino porque esteja aqui, garoto, e sinto muito. Mas aqui não é o seu lugar. - direto como sempre.

_ C-como? Meu avô pediu pra que os encontrasse antes de falecer!

_ Claro que pediu, porque você é um de nós. - Jacob se levantou, atônito.

_ Não, deve haver algum engano... Ele só queria que eu os conhecesse. É impossível que eu seja como vocês.

_ Na verdade, não é. - respondeu. Victor falava como um homem. Ele sempre foi assim: cético e direto. - O'Connor, ninguém contou pra ele? - fiz que não com a cabeça.

_ Contou o quê? O que estão me escondendo?

_ Se ninguém contou até agora, talvez não seja a hora certa. - Jake fechou os punhos, descontente.

_ Não! Eu não quero esperar a hora certa se o assunto me envolve. Se vocês dois sabem de alguma coisa, eu quero que me contem! - Victor lançou-me um último olhar, entendendo que era o que eu queria.

_ Você é um peculiar, Jacob, assim como eu, como Enoch e o seu avô.

_ Isso é impossível! Eu não sou peculiar, não tenho nada de especial...

_ Mas você é. Somente peculiares e aqueles malditos acólitos conseguem atravessar a Fenda. - disse e voltou a sua posição inicial. Jacob estava atordoado e saiu do quarto às pressas. Tentei chamar sua atenção, mas não me deu ouvidos, provavelmente indo embora.

_ O que está tramando, O'Connor?

_ Nada. Ele merecia a verdade, só isso.

_ Tanto faz. Agora me deixe descansar em paz, de preferência pra sempre. - nós rimos. - Só uma coisa: não faça nada que vá se arrepender depois. O garoto não é o Abe. Lembre-se disso. - e tornou a fechar os olhos.

_ Adeus. Até a próxima.


Notas Finais


bom, eu sempre quis que o Victor interagisse com o Enoch (até porque shippo os dois rs) e ele será muito importante pro passado da história.
espero que tenham gostado, e se quiserem comentar o que mais gostaram no cap, agradeço - é tipo uma pesquisa tá?
beijos e queijos 🔥💀


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