História Saigon - Capítulo 3


Escrita por: ~

Postado
Categorias SHINee
Personagens Jinki Lee (Onew), Jonghyun Kim, KiBum "Key" Kim, Minho Choi, Taemin Lee, Woohyun
Tags 2min, Drama, Jongkey, Jongtae, Omegaverse, Onkey, Wookey
Exibições 34
Palavras 4.762
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Lemon, Policial, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Suspense, Violência, Yaoi
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Homossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Olá,

Sei que demorei para postar.... Sorry?

Algumas coisas irão se explicar neste capítulo, outras não e algumas surpresas sim \o

Aproveitem.

Capítulo 3 - My Eyes


Fanfic / Fanfiction Saigon - Capítulo 3 - My Eyes

Já sentiu como se sua vida, não fosse propriamente sua?

Meus dias tem sido assim, meu corpo não era propriamente meu, outros o tinham como posse, donos de algo que não lhes valia, assim como meus pensamentos perdiam-se a cada vez que aquele homem exalando um cheiro tão forte e nojento entrava em minha cela. Seus dedos sem qualquer cuidado tocavam meus braços empurrando-me contra a gélida parede acinzentada, já sabia que naquela hora meu corpo não me pertenceria, se não fosse pelas agressões, serias pelas violências.

Minhas veias eram tão violadas quanto os abusos que meu corpo sofria, com tudo eles me envenenavam, destruíam meu corpo, minha sanidade, mas eles nunca levariam meu coração. Mais uma vez sentia o veneno queimar em meu sangue como verdadeiras brasas perfurando cada sentido do meu corpo, suas intenções eram óbvias, tornar-me mais sucessível, mais dócil e menos relutante ao que eles faziam.

Ontem ouvi um deles conversando no corredor, diziam que as pessoas presas naquele lugar eram treinadas. Sim, entrei em uma espécie de treinamento ao qual não pedi, não me inscrevi, nenhuma ficha fora preenchida e assinada por mim, ao contrário eu tornava-me um viciado naquela substancia que me era aplicada, não que eu aprovasse o uso, mas nela tornava-me inconsciente das ações deles.  

Um último forte suspiro saiu de meus pulmões, meus braços estavam tão pesados naquele momento que não tive forças para erguer-me, somente meus olhos fitavam aquele homem alto, cabelos avermelhados e com braços assustadoramente fortes, vestindo suas roupas. Era nojento olhar a forma em rude em que ele subia a calça e com força fechava o zíper, deixando um som horripilante eriçar os pelos do meu corpo.

Sempre desejei que um dia ele entrasse em minha cela, e com um minuto de fúria roubasse minha vida assim como fez com a Irina em minha frente. Um tiro no centro de sua cabeça e ele usurpou dela o último suspiro de vida, apavorei-me claro, ao ponto do meu corpo paralisar quando os respingos de sangue caíram sobre minha pele. Palavras rudes foram ditas a mim naquela hora, e nada eu fazia a não ser espasmar meu corpo assustado com seus gritos tão fortemente usados de um alpha.  Usar a voz de alpha era algo amedrontador, meus sentidos perdiam-se quando era feito, não havia controle de quaisquer ações, a única coisa que conseguia fazer era chorar por sentir-me inútil, desrespeitado e tão frágil.

Seus dedos pesados e frios seguraram meu queixo, apertando-os o suficiente para despertar-me de quaisquer pensamentos que fossem levados pelo veneno que sua droga espalhava em meu corpo. Pisquei algumas vezes, encarando aqueles olhos amendoados e sentindo o cheiro de sua pele entrar tão forte em minhas narinas a ponto de me deixar enjoado. Este é o alpha que mais tenho repudia, John é o seu nome, ao menos todos aqui o chamam por este nome.

-Você tem sorte, sabia? Sorte por ter estes olhos e este rosto tão delicado. – Seus dedos apertavam minha pele, tentei erguer meus braços para o afastar, mas não me restavam forças. – Tem sorte por ser tão precioso ao chefe, a única coisa que em impede para não acabar com sua miserável vida, eu odeio seu cheiro principalmente quando esta gemendo por outro cara.

Sorri. Afinal meu torturador amava meu corpo e odiava quando outro me tocava, e por isso a cada vez que um homem diferente passasse por aquela porta, eram meus gemidos que o deixavam irado, meu cheiro de excitação que o enlouquecia e isso não aconteceria nunca com ele.

Mais uma vez seus lábios tocaram os meus com brutalidade, como se tentasse roubar a minha alma através deste beijo não correspondido, forçado por ele. Um alivio quando o vi atravessar a porta de ferro enferrujada, como sempre antes de partir ele dizia a sua vontade em marcar-me para sempre e tornar-me seu, mesmo contra a vontade.

Agora me via daquela forma, deitado naquela cama com colchão de molas velho, espetando meu corpo nú, repleto de sêmen daquele ser desprezível que me usara para o seu próprio prazer. Ele era o meu diabo no inferno que minha vida se tornou. Senti aos poucos as minhas lagrimas caírem sob minha face, tão quentes e salgadas que me faziam perceber que a droga de vida a qual a minha tornou-se. Eu não tinha nome, era apenas um número identificado pelo lado de fora na porta do meu inferno, não havia Woohyung para me amar, me proteger e cobrir meu corpo com o dele dizendo que tudo ficaria bem. Desejei com minha alma que ele tivesse marcado meu corpo, assim tornara-me tão inútil quanto a Irina que agora está livre em suas cinzas queimadas no canto qualquer deste lugar, afinal este era o destino daqueles que já tinham a ligação de alma, sem qualquer utilidade eles eram mortos e cremados, fazendo com que os cheiros de suas carnes entrassem pelas estreitas janelas com barras de ferro.

Meu olhar direcionava a parede oposta à minha cama, já havia perdido a conta dos dias em que passo encarcerado, recluso desejando minha morte, perdi-me assim que completou cento e oitenta e quatro dias. Dias estes que demoravam a passar, o relógio andava contra a minha vontade, o tempo era meu inimigo, aquele que cravava em minha pele suas lanças em desejo para punir-me.

Meus membros moviam-se devagar, eu precisava levantar, a janela confessava que logo o dono estaria aqui, para inspecionar-me como fazia todas as tardes. O efeito da droga extinguia-se à medida que meus movimentos voltavam sobre meu controle, um pé de cada vez no chão frio, forças para aguentar meu corpo nas fracas pernas em que me sustentavam, passos lentos em direção ao canto da cela propriamente intitulado como banheiro, onde havia um vaso sanitário e um chuveiro onde a agua caia de um tudo tão gélida quanto o inverno neste país. Nem um sabonete me era dado para limpar a pele, limpar o meu corpo de toda esta sujeira, posicionei-me embaixo daquele cano e abri a torneira sentindo a fria agua molhar meu corpo, uma esponja era o que eles achavam o suficiente para o banho, e nela esfregava em minha tez tentando tirar o suor nojento e o sêmen daquele demônio de meu corpo. Ele não ousava gozar dentro de meu corpo, seu medo pela morte era maior do que seu desejo em me possuir, porem espalhava sua sujeira em minha pele deixando-me enojado pelo ato.

Esfregar nunca foi o suficiente, não em minha mente, minha dor era pior que poderia imaginar, eu sabia que Woohyung provavelmente me procurava, mas eu já não era digno a ele, como poderia me amar, sabendo que por tantas vezes fui tocado e maculado por outro homem que não fosse ele? A derrota era mais que evidente, as lagrimas confundiam com a agua que caia em meu rosto, eu não poderia voltar, não haveria como voltar, ser o filho de alguém, o esposo de alguém, amigo de alguém...

Minha atenção partiu mais uma vez para porta sendo aberta, lá estava meu dono, trajando uma roupa diferente das quais ele usava normalmente, um social de marca ao qual eu não atreveria molhar com meu corpo. Seus olhos fitavam cada parte minha como um predador contendo-se para não arrancar o sangue e comer a carne de sua presa, eu apenas cobri minhas intimidades como pude com as mãos, deixando cair sob meus pés a esponja. Enquanto a agua corria por meu corpo, sentia no cômodo o fraco cheiro de sexo não consensual, suor que não era o meu e que agradeci por meu dono não conseguir senti-lo desta forma.

Eu não aguentaria outra punição.

-Hoje teremos uma visita especial e você é a minha maior regalia. – Suas mãos pousaram nos bolsos de sua calça, para trás, empurrou um pouco do seu paletó. Virei-me para fechar a torneira e logo o olhar de volta. – Um dos homens mais ricos virá nos visitar e ele procura novos funcionários, sabe que sua fama já se espalha, mesmo que nunca tenha saído daqui?

Negativei com minha cabeça, mantinha meus olhos baixos, sentindo meu corpo arrepiar com o vento frio batendo em cada gota que escorria por minha pele, seus passos tornaram-se mais próximos e pararam quando uma toalha rodeou meus ombros. Atrevi-me a o olhar, sentindo estranhamente um calor quando passou a mover o tecido felpudo em minha pele, ele sorria como se tivesse a certeza que ganhara na loteria e eu era o seu ticket premiado.

-Saiba que este homem tem uma boa fama, ele gosta muito de seus empregados... – “Empregados? ” - ... Talvez você tenha sorte, quem nasceu com estes olhos tão raros deve ter uma grande sorte. – “Sorte? “ voltei minha cabeça para baixo, fitando seus sapatos caros e tentando manter meus olhos bem abertos para não chorar a sua frente. – Duvida que tem sorte, trinta e quatro? – A toalha era passada em meus cabelos, enxugando –os e tirando-me a desculpa que usaria para minhas lagrimas traiçoeiras. Mais uma vez negativei com a cabeça, sem o encarar com medo que sofresse mais agressões. – Ótimo, então torne-se atrativo hoje.

A toalha foi deixada em minha cabeça, mantive-me naquela posição para não o deixar ver meu rosto, seus passos fortes saíram da minha cela deixando a porta aberta, a primeira vez em tanto tempo. Talvez ele tivesse a certeza que eu não fugiria ou estava me testando para acabar com minha vida. Não iria dar-lhe qualquer prazer e assim me mantive na mesma posição, parado olhando através das lagrimas que caiam de meus olhos, pingando sobre meus pés.

Um cheiro mais doce invadiu o lugar, ela sempre viera me ver em ocasiões especiais e está com certeza era especial, meu dono nominado por mim de “Robert” havia deixado clara as intenções. As delicadas mãos de Meire seguraram a toalha, passando levemente em meu rosto, limpando as lagrimas que nele haviam trilhado, rapidamente ela ergueu meu queixo sorrindo em minha direção.

-Não deixe que a fraqueza tome conta de sua alma, Kbum. – Anuí com a cabeça, Meire era uma das pessoas mais calorosas que encontrei neste lugar, ela cuidava dos meus ferimentos e tentava amenizar minhas dores, tantas físicas como psicológicas e a única pessoa que me chama por meu verdadeiro nome e não um numero de uma cela. – Hoje você deve usar tudo o que te ensinei, mostre ao visitante o quanto você é melhor que os outros.

Meire enrolou a toalha em minha cintura, ela não se importava com a minha nudez, talvez estivesse habituada com outras pessoas que aqui passaram, e para um beta isso não importaria. Ela seguia a minha frente, em passos quase mudos para pegar em minha cama uma sacola que havia deixado. Limpei a última lagrima que correu em minha face com a costa da mão direita, parei logo atrás dela curioso sobre o que estava escondido. Tentei olhar sobre seus ombros e logo ouvi sua fraca risada e até divertida.

-Mestre mandou-me vesti-lo e o deixar o mais atraente entre todos os outros. – Da sacola ela tirou uma calça jeans branca, achei pequena demais para mim, dei um passo ao lado pegando a peça e logo negativei com a cabeça, não queria usar algo tão apertado e cheio de cortes, expondo tanto a minha pele. – Kibummie, pense bem. Você irá sair deste lugar e ir para um melhor. Tenho certeza disso. – Meire segurava meu rosto com suas pequenas mãos cálidas, ela sabe o quanto eu sofro neste lugar e as humilhações que tenho passado. – Lá é um lugar melhor, certo que você continuará saindo com homens em troca de dinheiro, mas sei que vai ser bem melhor que viver neste cubículo.

Olhei para baixo, Meire soltou meu rosto assim que anui com o que havia dito, sair deste inferno e partir para outro desconhecido. Assim que voltei a olhar para a Meire, ela segurava orgulhosamente entre seus dedos uma regata preta com alguns desenhos abstratos em dourado, meus olhos arregalaram em espanto, aquilo era a assinatura da minha prostituição, dei alguns passos para trás em negativa, não poderia usar algo tão promiscuo.

-Kibum, isso é para chamar a atenção do ricaço que vem hoje. – Ela pegou as roupas e jogou em minha direção, as peguei por reflexo. – Vista-se eu ainda tenho que cuidar dos outros.

Fui deixado mais uma vez em minha cela, sozinho e com a porta aberta. Uma confiança a qual eu não estava acreditando, se eles estavam me testando com certeza seria neste momento. Um deslize e eles fariam o inferno com minha vida.

Troquei-me rápido, vesti as roupas que a Meire deixou, não tinha muito o que fazer com rosto, cabelos e todo o resto. Meus pés ainda pisavam naquele chão frio e o pior estava sendo a fome a qual sentia, fome típica de um viciado em drogas após o efeito do uso. Mas eles não tinham ideia que John havia tornado-me um dependente mesmo contra as recomendações do chefe. Robert prezava que seus “escravos” fossem limpos e que o uso destes venenos deveria ser somente em último caso. O que ele não sabe é que seu precioso John me procura todos os dias, afim de esgotar a sua ira e tensão em meu corpo, usando-me como um vegetal, um morto sem qualquer emoção.

Enquanto tentava disfarçar a fome tomando agua que caia direto do cano denominado de chuveiro, um dos amigos do John apareceu, este era mais baixo que eu, cabelos curtos e vermelhos, mas com um sorriso assustador que me arrepiava a alma. Com poucas palavras e uma voz rouca, mandou que o seguisse e assim o fiz. Pela primeira vez nestes mais de cinco meses em que passei encarcerado como um animal selvagem, um criminoso, eu saia do cubículo em que era minha morada, um corredor tão assombroso quanto de um filme de terror, haviam outras pessoas como eu, encostadas na parede, esperando suas ordens para seguir em frente. Um frio percorreu-me a linha da coluna, fazendo com que meus pelos eriçassem, esfreguei meus braços em uma tentativa de esquentar-me, porém ainda tinha aquela sensação ruim em que um ódio me era direcionado. Virei meu rosto para os lados tentando encontrar de onde vinha essa sensação parando assim que vi o meu “diabo pessoal” encarando-me em fúria, olhos perfurantes a minha alma. Encolhi os ombros virando para o lado em que todos estavam. Não poderia ceder e ter qualquer deslize, sair deste inferno a procura de outro melhor era a minha meta e Meire depositou-me a confiança que isso iria acontecer.

Pés descalços caminhavam juntamente com os meus, andávamos pisando naquele chão frio e úmido, um cheiro forte de ferrugem e mofo adentrava nossas narinas deixando-me tão enjoado que quase poderia vomitar o que não havia em meu estomago. Mas ainda sim sentia fome.

-Prestem atenção. – O baixinho troncudo ditou fazendo com que parássemos. Sua destra indicou a porta direita, demos alguns passos para olhar, talvez o rico estivesse naquele local, mas ao contrário do que imaginei, havia uma garota ajoelhada, mãos unidas a frente do corpo, seus cabelos loiros cobriam seu rosto. – Essa escrava tentou fugir quando fizemos uma apresentação mais cedo para a mesma pessoa a qual vocês serão apresentados. – O baixinho entrou na sala parando em frente a ela. A loira tremia assustada, eu já imaginava o que aconteceria e assim virei meu rosto para o lado oposto. Um disparo e todos gritaram dando um passo atrás, assustados demais com o que viram. – Este será o destino de quem tentar fugir hoje. – Meu queixo foi seguro me fazendo olhar o baixinho, meu rosto queimava em culpa, medo, raiva... sentia meus olhos começando a lacrimejar. – E pode até acontecer com você e seus raros olhos.

Senti vontade em cuspir e esmurrar o rosto dele, mas assim como ele sorriu soltou meu queixo seguindo em frente, limpei com ira meu rosto tentando esquecer o toque deste assassino. Só queria me livrar de tudo e principalmente o cheiro de sangue que agora estava forte. Apressei meus passos para alcançar os outros, subimos alguns lances de escadas parando somente ao chegar em um corredor mais escuros que o anterior.

Havia um cheiro de cigarros, álcool, frutas, comidas, mas algo era tão evidente quanto estes. Os cheiros dos homens que lá estavam, suas vozes confundiam-se entre eles, risadas e música alta. Meu coração batia muito rápido, meu estomago embrulhou por tal insegurança e medo, isso não é algo que eu quero fazer, o que eu imaginei para minha vida, ser a escolha de alguém para satisfação sexual e ser pago para isso. Fugir não era uma opção, não depois que vi a Irina sendo brutalmente assassinada a minha frente por ter tentado escapar deste lugar. Rezei para que Woohyun viesse atrás de mim, encontrasse este lugar fétido, sujo e promiscuo, onde pessoas eram tratadas como um lixo e vendidas como um objeto.

Esse agora é o meu destino, ser propriedade de alguém que está disposto a pagar o preço que o “Robert” quiser para lucrar ainda mais com o meu sexo.

As cortinas abriram a nossa frente, virei um pouco meu rosto fechando os olhos por algumas vezes, uma forte iluminação em nossa direção, eu não conseguia enxergar muito bem pela quantidade de tempo em que estive preso naquele buraco mal iluminado, aos poucos consegui perceber que a nossa frente havia pessoas, mais exato eram pés calçados por sapatos sociais e altamente caros.

“Woo onde você está? ”

Voltei a desejar que meu namorado fosse esperto o suficiente para encontrar-me e vir me salvar juntamente com uma enorme tropa policial e exterminasse a todos que estão aqui fazendo este comercio tão imundo. Mas isso não iria acontecer, não é? Segurei firme meus punhos, meus olhos mantiveram-se baixos assim como a minha expressão corporal, estava realmente assustado. E se não fosse um lugar melhor que este?

“John” é um idiota, nojento, mas quantas vezes ele me livrou de surras as quais eram praticamente encomendadas para mim? Ou ao menos ele assumia o ato e batia-me não forte o suficiente para me deixar mal nos dias próximos?

Um a um passavam a nossa frente, o tal baixinho segurou meu queixo erguendo meu rosto, novamente pisquei os olhos, a luz incomodava, mas assim notei um homem alto parado a minha frente, ele é bonito, diferente dos outros, e tão asiático quanto eu. Por causa do foco de iluminação atrás dele e a minha péssima visão não consegui ver mais que seus olhos expressivos. Como se tivesse tomado a sua decisão, recuei um pouco inseguro, mas logo parei quando duas mãos seguraram em minha cintura, senti o típico odor forte e enjoativo do Robert, ele estava me olhando com luxuria, a mesma a qual o John sempre me olhava, a única diferença que ele pensava em dinheiro e o quanto meu corpo estava sendo lucrativo a ele.

Tão rápidos fomos tirados daquela sala que nem percebi que minhas mãos e cintura estavam presas em uma corrente grossa, fria, pesando em meu corpo. Segui por uma direção diferente as que os outros seguiram, era um corredor mais claro, meus pés pisavam em um piso limpo, laminado quase reluzindo o teto, que por sua vez também era tão limpo que me deixava enjoado, John tinha uma respiração forte, era notável o quanto ele estava relutante ao fazer isso, e eu apesar de tudo estava rindo internamente, afinal meu corpo poderia não mais sofrer por seus toques ignorantes.

Ao final do corredor havia uma porta de vidro, o que há muito tempo eu não via, o lado de fora da minha prisão, o cheiro de liberdade a qual pude desfrutar por breves minutos até que estranhamente uma pontada em meu pescoço deixou-me tonto o suficiente para não manter meu corpo em pé.

 

1 ano depois...

 

-Amor? – Levei minhas mãos em seu rosto, meus polegares acariciavam sua face. Mas eu não conseguia o ver claramente, haviam falhas em seu rosto distorcido por algo diferente. Seus cabelos não eram negros como a noite, mas loiros como se refletissem o próprio sol. – Eu não consigo te ver!

Seus braços rodearam minha cintura puxando-me em sua direção, o calor que vinha da pele do outro aquecia meu coração a ponto de fazer-me sentir confortável. Afundei meu rosto naquele pescoço buscando seu cheiro para impregnar em meu corpo, naqueles braços eu me sentia seguro.

-Não se preocupe. Eu vou te encontrar.

Sentei-me levando as mãos em minha cabeça, não entendi ao certo, estava sonhando? Mas fora tão rápido e tão real que conseguia sentir aquele calor, o cheiro e os toques daquela pessoa. Eu iria enlouquecer, ou já estava louco por sonhar com alguém que não existe. Deitei-me novamente em minha cama com os braços abertos, meus olhos fitavam o teto acinzentado de meu quarto, estes sonhos sempre me deixavam confuso, meu corpo explodia em um calor estranho, quase como se...

-Acorda hyung! – Virei os olhos ao ouvir a voz daquele que tirava a minha paz. Virei meu corpo para a esquerda enrolando-me no lençol, não queria sair da cama ou até mesmo ser perturbado, mas parece que sou o único a desejar isso. – Hyung, vamos! Eu estou com fome.

Taemin segurava meu braço tentando tirar-me daquela cama tão aconchegante e que me lembrava o sonho perfeito que eu havia tido, voltei a sentar. Ele sorria em minha direção, parecia uma criança que mal tinha noção das coisas ruins que já aconteceram em sua vida. Taemin está a mais tempo aqui do que eu possa imaginar e nunca havia tido amigos ou alguém que passasse alguns momentos com ele. Diferente de mim ele via esta casa como um lar, um lugar que o acolheu e lhe deu o que precisava, segurança.

Quando saí de Turcomenistão pensei que minha vida seria um inferno, me doparam no momento em que botei os pés na rua, deixando com que eu acordasse em meio a outras pessoas, em um local frio e escuro. Passamos alguns dias lá dentro como se fossemos animais, sendo servidos por comidas frias e até enlatadas, para nos aquecer entregavam cobertas tão finas que era necessário encostarmos uns nos outros para termos um pouco do calor. Não sabia ao certo quantos dias passei dentro daquele local, confinado, mas quando tudo pareceu estável foi que percebemos que chegamos ao nosso destino.

Alguns homens altos e outros nem tanto entraram no local, pela fala deles identifiquei sendo coreanos e naquele momento descobri que era o meu destino, bastava descobrir se era Coreia do Sul ou a do Norte. Cordas foram passadas em meu corpo e punhos, somente eu desembarque daquele lugar. Em passos rápidos, notei que o tempo inteiro estava dentro de um Container e que a viagem foi através de um navio de cargas. Os outros ficaram para trás, seus destinos eu não sei até hoje, mas o meu foi vir para este lugar. Um prostibulo de ômegas afim de satisfazer homens necessitados de sexo, até mesmo alphas que entravam em seu Cio afim da satisfação sexual.

Saigon é uma casa grande, respeitada e totalmente livre de qualquer punição neste país. Não que prostituição e escravidão não seja um crime, porque é, mas aqui é frequentado pelo “Alto Escalão” onde homens importantes e famosos em todo o país escolhe Saigon como seu lugar de refúgio.

E foi aqui que conheci o Taemin.

Ele não é como eu, Taemin já estava neste local há muito tempo, seu corpo é tão frágil e suas ações tão infantis que tenho medo que ele volte a machucar-se como antes. Tae é um órfão que vivia nas ruas, o chefe o encontrou enquanto morava em um cortiço, seu corpo era usado por homens e mulheres que buscavam prazer e ele fazia tudo em troca de um prato de comida e um lugar para morar. Por prazer, seu antigo dono vendia seu Heat para quem pagasse o mais caro, ou até mesmo o entregava ao Rut de qualquer alpha nojento que o marcava por prazer. O mesmo prazer que seu antigo dono tinha ao matar o homem e fazer com que Taemin sofresse pela quebra do laço.

Às vezes me pergunto como ele consegue sorrir?

-Aigoo, Taemin! Ao menos me deixe acordar. – Sai da cama me arrastando em direção ao guarda-roupas. – Sei o porquê desta animação toda. – Ele riu, virei meu rosto notando que já estava pronto para sair, virei os olhos voltando a escolher uma roupa mais decente. – Espere um pouco, vou fazer meu asseio.

Peguei uma calça preta não muito apertada, uma camisa branca gola canoa. Hoje é o dia em que podemos sair, Taemin escolheu colocar o seu dia no mesmo que o meu, assim ninguém reclamará por ele sair sozinho. Taemin é um homem bonito, e acho que ele consegue ser mais bonito que muitas mulheres, seu rosto tão angelical faz com que muitos homens alphas e betas enlouqueçam para tê-lo, muitos pagam uma fortuna por uma noite com ele, mas nem todos conseguem. O preferido do chefe tem suas regalias e só atende quando sente vontade.

Não demorei tanto para me arrumar, na verdade o que complicou foi colocar as malditas lentes de contato escuras, eu não levo o menor jeito para isso, porem tenho que as usas sempre que saio de Saigon como ordens expressas. Acredito que é realmente pela cor rara de verde onde não existem outros como eu. Uma maldição herdada de meus ancestrais, minhas bisavós tinham esta cor, já as outras gerações nasceram normais, porem a maldição caiu sobre mim. O último ômega desta espécie.

Taemin me arrastava em meio a calçada, e eu tentava equilibrar-me com o sorvete e sacolas com as compras que havíamos feito nas mãos ocupadas. As pessoas pareciam nos ignorar, todos sabiam de fato quem éramos e o que fazemos para viver. Algumas lojas não nos aceitavam e outras abriam as portas com a consciência que estávamos lá para gastar nosso dinheiro. Eu pensava em juntar para comprar a minha liberdade, os cálculos feitos davam em torno de Cento e trinta milhões de wons. Um valor que nunca vi em minha vida e acredito que nunca verei, afinal a dívida só aumenta à medida em que os dias passam.

Muitos outros como eu pensaram da mesma forma e ainda pensam, guardando seus míseros trocados para um dia em sua velhice tentar saldar uma dívida eterna.

Não acho que Saigon seja perfeito para uma pessoa viver, não acredito que os dois irmãos, donos da boate sejam boas pessoas como se mostram e quando eu tiver uns trinta e cinco anos serei dispensado como qualquer indigente, sem rumo e nem nada. Mas enfim, eles me tratam não só como uma mercadoria, mas como um empreendimento lucrativo, e como sempre fui bom em marketing e os meus olhos são a chave da minha imagem, decidi que me tornaria o melhor daquele lugar, aquele ao qual lhes traria mais lucros, mais visibilidade, mais clientes... um empreendimento de sucesso.

-Olhe Kibum. – Paramos repentinamente, Taemin apontava para um predinho pequeno de tijolos, envelhecido, paredes caindo aos pedaços e uma mistura de pinturas em seu interior que parecia uma casa mal-assombrada. Sempre passávamos em frente a ele imaginando que quando ficássemos velhos veríamos morar neste lugar e seriamos os fantasmas velhos de Daegu. – Olhe, parece que realmente tem alguém lá dentro.

Fechei um pouco meus olhos tentando focar o seu interior, aproximei da velha mureta que batia um pouco acima da linha da minha cintura focando meu olhar onde Taemin apontava.

-Não estou vendo nada garoto. – Seu braço passou pela lateral do meu corpo, movi um pouco a cabeça para ter a mesma visão que ele.

-Lá... – Taemin sussurrou como se estivesse com medo. – Olha a sombra do fantasma.

Tentei enxergar o que ele notara, meus olhos perceberam uma sombra contra a parede mais visível, não haviam movimentos, mas sabia que a forma era de um homem. Mordi o lábio inferior tentando entender o que era aquilo, Taemin mantinha-se tão perto que sentia a sua respiração adocicada em meu pescoço. Suas mãos envolveram meu braço como se pedisse proteção caso acontecesse algo, mas quem iria me proteger?

Quanto mais meus olhos tentavam focar aquela imagem, mais meu braço sofria com as mãos do Taemin. Estava realmente curioso com isso, havia uma pessoa naquele lugar, um homem, conseguia sentir em minha pele, meu corpo...

-Vamos!

Fui novamente puxado por ele, Taemin estava com medo diferente de mim, eu estava curioso querendo saber que sombra era aquela, a quem pertencia. Mas apenas segui meu amigo assustado de volta para o nosso lar.


Notas Finais


Capítulo ficou curto y_y

Vou tentar não atrasar tanto agora que Obsession foi finalizada u.u Mas não sei se conseguirei huahuahauhauhau

Bjs *3*


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