História Saint Seiya-A queda dos deuses; Interativa - Capítulo 8


Escrita por: ~

Postado
Categorias Saint Seiya
Personagens Personagens Originais
Tags Cavaleiros Do Zodiaco, Interativa, Saint Seiya
Visualizações 59
Palavras 24.005
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Survival, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


POW!
BOOM!
PA!
PIMBA!

Voltei nessa birosca!
Com um capitulo que mano...
Mano...
Ta grande ein
Já aviso ao senhor navegante que não costuma ler capitulos muito grandes
Vai com calma.
Le um pouco agora, um pouco depois.
Pq isso aqui não é tudo

Eu tinha planejado fazer um super mega blaster capitulo pra abordar o que esta acontecendo no Santuário e na Fortaleza Submarina, tudo em um cap só.
Porém só a primeira parte ficou grande de mais como você pode perceber, então a parte dos Marinas sera finalizada em outro capitulo (q provavelmente sera grande também)

Ok agora vamos ao capitulo

Ahn
Espera, esqueci de uma coisa
Você deve ta pensando agora:

"AAAAAAHN hunt07 eu n me lembro de nada q aconteceu na historia. Você é displicente. Demora 20 anos pra postar. Agora eu já esqueci de tudooo AAAhn" ~ninguém fala assim

Acalmem-se
Acalmem-se
Esse que vos fala tem a solução.

Agora em todos os capítulos
Teremos um resumo dos acontecimentos que aconteceram (HÁ) nos capítulos anteriores

Tudo tranquilo? Beleza, agora aproveitem o capitulo. Deu um trabalhão pra fazer.
Agora adeus

Capítulo 8 - A ascensão do último Cavaleiro de Ouro.


Fanfic / Fanfiction Saint Seiya-A queda dos deuses; Interativa - Capítulo 8 - A ascensão do último Cavaleiro de Ouro.

Nos capítulos anteriores de A queda dos deuses:

O mundo sofre pelos constantes ataques das forças de Porfirion. Forçados pelas circunstâncias e pelo frágil estado em que o Santuário se encontra, os Grandes Mestres, Kawica e Karep, reúnem os poucos Cavaleiros de Prata que restam e revelam que a situação em que os combatentes que desceram ao Tártaro estão, pode ser ainda mais complicada devido a existência de um antigo guerreiro com o poder de controlar o tempo, que pode estar sendo usado pelos inimigos ao seu favor. E em uma missão secreta, o Cavaleiro de Lobo, Shiro, foi enviado para trazer o poderoso guerreiro de volta a luz. Ainda na reunião, os Mestres enviam Suikya de Taça e seus companheiros, Ankaa de Fênix e Zum de Pegasus em missão diplomática ao Reino Submarino de Poseidon. Momentos após, um inimigo invade o Salão dos Mestres, assassinando o Cavaleiro de Centauro e desafiando o Mestre Kawica para um duelo. O homem identifica-se como Hipólito de Passagem, um dos Gigantes de Porfirion, ele golpca que parentemente é derrotado, mas logo reaparece, vestindo a Armadura de Ouro de Áries. O enfurecido e incontrolável Hipólito e o antigo santo de Áries travam uma grandiosa batalha, onde no fim, ambos perecem.

Já no mundo submarino, Suikya entra em conferência com Poseidon, que toma conhecimento da ofensiva dos Gigantes e de sua arma que tem o incrível poder de destruir deuses, o Raio Lunar. Entretanto, durante a reunião, a Fortaleza é atacada pelo Gigante Polibotes e seus subordinados, ceifando a vida de um dos Generais Marinas, Vihaan de Chrysaor.

O deus dos mares, usa de seu conhecimento e sabedoria e ordena que Midorikawa de Dragão-Marinho e Dante de Lmynades, recuperem a lança dourada de Vihaan, que esta sendo utilizada pelos inimigos para destruir os Pilares Sagrados que sustentam o mar, enquanto que os outros Generais partam para a ilha de Ogígia, para recrutar um novo aliado, o traído antigo Rei dos Gigantes, Eurimedon.

Enquanto isso, o Santuário é novamente atacado por um velho conhecido. Encélado subia novamente as Doze Casas, que agora se encontravam em ruínas,com o intuito de recuperar algo que lhe pertencia, contrariando as ordens de seu rei. Todavia, ao chegar às portas Casa de Libra, é surpreendido por um misterioso cavaleiro guardando a entrada, o homem se revela sendo Karep, o último Mestre do Santuário.

 

~

O grandioso choque das duas técnicas fora suficiente para afastar momentaneamente os dois guerreiros. 

De um lado, Karep, vestido da brilhante Armadura de Ouro de Libra. De outro, o misterioso Gigante de Porfirion, Encélado.

 Dois guerreiros formidáveis, um ocupava o cargo de Grande Mestre do Santuário, mesmo aposentado de sua vida de cavaleiro, não havia abandonado os seus serviços ao lado de sua deusa, Athena. O outro por sua vez servia ao Rei dos Gigantes, ou será que servia a si mesmo? Em uma noite subiu as Doze Casas e fez o que todos achavam ser impossível, derrotou todos os Doze Cavaleiros de Ouro, os que eram considerados mais poderosos dentre todos os cavaleiros do Santuário e sequestrou a deusa. 

Aquelas duas lendas estavam prestes a iniciar a maior batalha que o mundo já havia presenciado, e talvez a última a ser vista.

+

+

+

 

-Apertem o passo!- Gritava Ismael de Baleia aos seus dois companheiros que o acompanhavam. - Temos que ser rápidos. Aquele Cosmo poderoso está na Casa de Libra agora.

 

Ismael era um rapaz determinado, um exemplo dentre os cavaleiros de Prata, tanto que muitos diziam estar destinado a receber a Armadura de Sagitário no futuro, a mesma que seu tutor, Nylí, vestira por muito tempo.

Mesmo tendo sido teletransportado para longe do Santuário, e tendo sentido um poderoso e maligno Cosmo subindo as Casas, Ismael não se abateu e junto dos outros dois prateados, havia retornado para um segundo round com os inimigos de sua deusa.

 

-Ismael, espere. Já subimos três casas em um ritmo absurdo. – Disse o cavaleiro de Pavão, já ofegante devido a correria pelas escadas.

 

-E ainda faltam mais três. Vamos!

 

-O que estou querendo dizer é: Não temos mais forças. Acabou Ismael. O cosmo poderoso que você sentiu subir as escadas, eu também o senti. E escute bem o que eu digo, não temos a mínima chance, nem nós três juntos podemos com ele. É morte na certa.

 

Os olhos claros do cavaleiro de Baleia passearam pelo ambiente ao seu redor, até se fixar no rosto do robusto cavaleiro de Hércules.

 

-E você Golias, o que acha? Ainda tem forças para subir mais alguns lances de escada? Porque eu vou, com ou sem vocês, e enfrentarei quem é que esteja lá em cima e quando for a hora morrerei também, por Athena e por toda vida na Terra. Porque esse é o meu trabalho, foi para isso que nasci e treinei, foi para isso que me tornei cavaleiro e é para isso que derramo sangue e suor.

Vocês podem ficar aqui e guardar a entrada da Casa de Câncer, não irei acusa-los de traição, mas enquanto estiverem aqui, lembrem-se dos que morreram, daqueles que deram a vida por esta causa. Lembrem-se de Brangou de Centauro, dos doze dourados, do Mestre Kawica. - O cosmo do jovem Ismael cobria todo seu corpo, como uma aura azulada, esquentando todo o ambiente, inclusive o interior do grande Golias de Hércules.  Raghu de Pavão era aprendiz do antigo cavaleiro de Virgem, o qual também havia sido morto por Encélado, devido a isso, detinha um grande conhecimento sobre o Cosmo, enquanto Ismael discursava, Raghu em nada se atentou, a não ser nas perturbações singulares que o elevar do Cosmo de Ismael causavam no ambiente, desde de ondulações nas sombras nas paredes, até uma leve vibração no chão, que fez trepidar algumas pequenas rochas soltas, mas o que mais chamou a atenção de Raghu foi uma sombra no chão que despontou de Ismael, e para o espantar do Pavão ela tinha o estranho formato de asas.- E no fim, lembrem-se de Athena.

 

O gigante Golias retirou seu elmo esverdeado e disse:

 

-Lutarei ao seu lado, meu amigo, até o fim.

 

-Então está na hora de irmos. -Disse o confiante Cavaleiro de Baleia, orgulhoso por seu amigo ter decidido ajuda-lo.

 

Ismael se virou e a sombra aos seus pés se desfez, Raghu voltou a si e rapidamente falou:

 

-Esperem. Eu... mudei de ideia. Acho que posso acompanhar vocês. -Ponderou por um segundo, pensando em uma desculpa.- Quero ver meu mestre de novo.

 

-Você quer mesmo ir?- Questionou Golias com um leve sorriso desdenhoso.

 

Percebendo que não havia sido convincente o bastante, Raghu assumiu seu tom de voz soberbo já conhecido por todos e disse:

 

-Quero dizer, pelo o que entendi vocês não esperam voltar com vida dessa batalha. Comigo no campo, posso utilizar minhas técnicas curandeiras para prorrogar seus momentos finais. E quando chegar o fim me encontrarei com meu mestre no pós-vida. Não estou entendendo este descaso com minha presença na batalha. Posso ser mais racional e sábio, mas também sou um cavaleiro de Athena, caso tenham se esquecido.

 

-Está certo então. - Concluiu Ismael ainda um pouco desconfiado.- Vamos, a Casa de Câncer está logo a frente.

 

Os três cavaleiros continuaram o caminho, Ismael corria como se acabasse de começar o percurso. Sua energia parecia nunca se extinguir, enquanto que os outros dois se esforçavam muito para acompanha-lo.

Correndo logo atrás, Raghu se aproximou de Golias e decidiu trocar informações sobre o acontecido:

 

-Você viu aquilo?

 

-Do que está falando?- Disse o grandalhão meio confuso.

 

-O Cosmo de Ismael seu paspalhão, ele estava estranho, até mesmo o espaço a sua volta estava sendo alterado.

 

-Ora, Ismael é conhecido no Santuário por ter a Cosmo-energia mais desregrada de todos os cavaleiros. Até mesmo o seu mestre fora designado para ajudar Ismael a controlar suas explosões de Cosmo, talvez a inquietação pela batalha tenha o deixado mais instável.

 

Mesmo ainda não convencido, Raghu preferiu terminar a conversa ali.

 

-Sim, talvez tenha sido isso.

 

Ao chegarem às portas da Casa de Câncer, Raghu estava perdido em seus pensamentos, onde teorizava sobre as manifestações da energia de Ismael. Tentou lembrar-se dos ensinamentos de seu mestre e sobre algumas antigas profecias que há muito tempo aprendera. Até que teve mais uma vez os sentidos alarmados.

 

A entrada era a mesma, pilastras de mármore branco ornavam o acesso ao Templo do Grande Caranguejo, que ainda detinha em seu teto uma grande abobada do mesmo material das pilastras e paredes. No centro uma imensa porta de mais de 8 metros de altura estabelecia a entrada. E era de seu interior que o Cavaleiro de Pavão podia sentir a emissão de um cosmo maligno.

 

-Há algo de sobrenatural aqui. - Constatou o sensitivo, Raghu.

 

-É a Casa de Câncer, Pavão.  Seria estranho não ter algo sobrenatural nela. - Disse o grande Golias com sua voz imponente.

 

-Não é desse Cosmo que estou falando.

 

-Como é?

 

-O inimigo invadiu as Doze Casas, estou certo?- Começou dizendo Raghu.

 

-Sim.

 

-Olhe ao seu redor, não sobrou nada no Santuário, o inimigo era totalmente destrutivo. Então, me de uma explicação plausível para que a Casa de Câncer esteja intacta.

 

-Talvez o Cavaleiro tenha sido derrotado mais rápido do que o imaginado.

 

-Não. - Cortou Ismael entrando no raciocínio de Raghu. - Ele está certo. Há algo estranho aqui. Espere, Raghu você participou da contagem de mortos, liderou a busca por sobreviventes. Onde está o corpo do Cavaleiro de Câncer?

 

-Ele... - Raghu pensou por um momento, tentando acessar suas memórias.- Não existe corpo. Quando entramos na Casa de Câncer após a batalha, a Armadura de Ouro estava montada no centro da Casa. A cova está vazia.

 

 -Precisamos relatar isso ao Mestre Karep. - Avisou Golias.

 

-Precisamos encontra-lo primeiro.

 

Disse Ismael já retomando a corrida e adentrando a grande Casa de Câncer juntamente com seus aliados.

 

+

+

+

 

A barra dupla da Armadura de Libra podia criar estrelas.

 A arma estava sendo usada em sua segunda forma, em que a barra se divide em duas partes e as mesmas são conectadas por uma corrente, assim, transformando-a em um nunchaku.

Karep, o agora restituído Cavaleiro de Libra, realizava diversos giros e movimentos com seus bastões. Passando a arma de uma mão para a outra em uma velocidade absurda, fazendo com que as posturas que o Cavaleiro realizava ficassem praticamente imperceptíveis a olhos comuns, com isso, toda vez que uma das barras atingia o vazio, uma pequena explosão de luz dourada era criada, como se houvessem estrelas na ponta do bastão.

 

Karep não usava o elmo da Armadura de Libra, o que facilitava seu reconhecimento. Como um digno descendente dos habitantes do Continente de Mu, Karep parecia não ter envelhecido tanto e tinha no lugar das sobrancelhas, pintas circulares de uma cor roxeada, a mesma cor adotada por seus cabelos, que não passavam do pescoço e eram bem rebeldes e espetados.

 

  -Já lhe avisei Encélado, desta Casa você não passará. - Disse o Mestre em meio a seus movimentos com o nunchaku.

 

O Gigas de armadura da mesma cor que o fogo, se ergue do chão e desprende sua capa vermelha.

 

-Você é mesmo um tolo. - Disse o inimigo mascarado e de voz modulada, enquanto admirava sua capa flutuando para o horizonte.- Pensei que meu retorno a essa terra amaldiçoada seria tranquilo. Você consegue compreender que essa batalha só nos irá fazer mal? Eu perderei meu tempo e você sua vida, por que então continuar?

 

-Você é muito convencido, rapaz.

 

Encélado abre os braços:

 

-Acontece quando se mata doze cavaleiros de Ouro em uma noite.

 

O Gigas parte em carreira, preparando um potente soco com o punho em brasa. Ao desferir o golpe a queima-roupa na altura do rosto do Cavaleiro de Libra, Encélado é surpreendido, pois seu golpe era defendido com um dos bastões do nunchaku dourado. Não se dando por vencido, o guerreiro de Porfirion ergue o punho esquerdo e prepara um gancho em direção as costelas do Libra, porém novamente Karep realiza um rápido movimento e passa a barra-dupla para sua mão direita, girando a arma e passando um dos bastões por cima do ombro o fazendo dar a volta por baixo de seu braço e protegendo a área atacada.

Em uma enorme velocidade, Encelado recua um passo e junta os braços ao corpo, queimando seu cosmo flamejante, e depois salta a frente com os dois punhos erguidos em direção ao peito de Karep, entretanto, o golpe é parado a centímetros de seu alvo.

Uma das características da barra dupla da Armadura de Libra é sua corrente flexível, um conhecimento que Encélado não detinha.

Com seus movimentos incrivelmente rápidos, Karep havia estendido as correntes da barra, e passado pelos pulsos de Encélado, prendendo suas mãos no último momento.

 

-Seus movimentos, lentos assim, não serão o bastante para quebrar minha defesa.

 

Disse Karep, antes de lançar um chute no peito de Encélado, que é jogado a uma grande distância.

 

Sem dizer nada o Gigas mascarado se ergue do meio da poeira levantada e dispara em velocidade contra Karep. Com seu corpo envolvido pela aura de seu cosmo, Encélado lança uma série de socos poderosos, que força Karep a recuar alguns passos enquanto se defende com o seu nunchaku.

Os murros diretos defendidos por Karep emitiam um intenso barulho de impacto, remetente aos trovões.

 

-Sua defesa não se manterá para sempre!- Dizia o Gigas enquanto golpeava e se movimentava, seguindo Karep de Libra. - Até mesmo as mais resistentes muralhas tem um ponto fraco.

 

-Se pensa que estou apenas defendendo seus golpes, está enganado. - Dizia Karep enquanto bloqueava os socos de Encélado e recuava não deixando o Gigas levar a luta para o corpo a corpo. - A arte do Kobudo consiste em utilizar a barra-dupla para iludir o adversário, faze-lo pensar que está dominando o combate, enquanto o usuário estuda os movimentos do inimigo, procurando uma brecha em seus golpes.

 

E enquanto ele explicava sua técnica, o olhar frio e estratégico de Karep havia encontrado uma falha na guarda de Encélado: Entre um potente soco e outro, o Gigas alternava o braço usado, deixando a guarda aberta por exatos 10 centésimos de segundo.

 

-E aqui está uma. -Completou Karep.

 

O Mestre do Santuário movimentou o braço que estava ocioso e sacou a segunda barra-dupla da Armadura de Libra. Realizando pela primeira vez um movimento ofensivo, Karep balançou o segundo nunchaku e golpeou de baixo para cima, cortando o ar na área desprotegida entre os braços de Encélado e acertou o queixo do Gigas, fazendo-o voar escada a baixo. Nem mesmo o Gigante que havia derrotado os Doze Cavaleiros de Ouro passava despercebido do olhar analítico do reestabelecido Cavaleiro de Libra.

 

-Entenda, ataque e defesa estão sempre juntos em uma batalha.

 

Poucos segundos depois, Karep ouve passos na escadaria, Encélado havia retornado!

Um pouco cambaleante, o Gigas subia escadaria, e tinha sua máscara negra em formato de rosto humano trincada.

 

-Uma vez me disseram que aqueles que utilizam máscaras para realizar determinada ação tem vergonha de quem são e do que fazem. – Provocou Karep.

 

Sem pensar duas vezes o guerreiro de Porfirion arranca a máscara que cobria o rosto e a solta no degrau, pisando sobre ela logo depois.

Karep ainda não conseguia ver o rosto do homem que enfrentava, sua cabeça estava inclinada então seus cabelos negros cobriam parte de seu rosto. Encélado pôs a mão sobre o elmo que cobria sua cabeça, segurando um dos chifres negros e disse:

 

-Na verdade está certo. Tenho vergonha de utilizar esta Couraça, tenho vergonha de usar esse corpo. - Ele então retira seu elmo, revelando seu rosto. Rosto esse que era conhecido de Karep. Cabelos escuros e lisos, jogados para trás não passavam do pescoço, seu queixo era largo; olhos eram azulados e cheios de fúria, suas sobrancelhas eram grossas e a direita era cortada por uma cicatriz na vertical que descia até sua bochecha. E era aquela cicatriz que reavivava a memória de Karep. - Por isso estou aqui, quero retornar a plenitude de meu poder, retomar o que é meu de direito.

 

Estupefato pelo que via, Karep involuntariamente abaixa os braços e diz:

 

-Você? Então foi você que fez tudo isso? Como pôde? E agora serve a Porfírion? Como um peão no xadrez? Traidor.

 

Queimando certa quantidade de cosmo, Encélado arranca em grande velocidade, criando um grande rastro de destruição por onde passava.

 

-EU SIRVO A MIM MESMO!- E sem deixar tempo de resposta, o Gigas desfere um poderoso soco contra o rosto do Cavaleiro de Libra. O encontro entre o punho de Encélado e a bochecha de Karep criou uma onda de choque no local, que ecoou por dezenas de metros fazendo tremer tudo por onde ela passava, foi possível também ouvir o som de ossos de Karep sendo quebrados enquanto o cavaleiro era arremessado para o interior de Casa de Libra.

 

Encélado rapidamente lança-se para dentro da sétima casa e se prepara para retornar ao combate.

Ainda atordoado pelo golpe que recebera, Karep se levanta, mantendo os nunchakus em mãos e se põe em posição de defesa, Encélado por sua vez enche os punhos cerrados de cosmo e desfere um rápido soco no rosto do Cavaleiro de Libra, que gira em uma meia volta recuando alguns passos.

O Gigas não aguarda muito tempo e já lança outro soco em Karep, dessa vez no lado esquerdo das costelas.

O guerreiro de Porfirion aproveitava que Karep estava aturdido graças à série de golpes, para castigar mais ainda o Libra usando uma sequencia de golpes diretos: esquerda, direita e um gancho nas costelas, e ao finalizar, repetia os movimentos.

Encélado lutava como um boxeador possuído.

Karep parecia estar sem forças para reagir, apenas recebia os golpes e recuava quando podia, mantendo a guarda elevada com os nunchakus nas mãos, mas Encélado o acompanhava e a cada golpe desferido, a força dos socos parecia aumentar, assim, alguns ferimentos já começavam a aparecer em seu corpo, assim como trincas na Armadura de Libra. O cavaleiro precisava agir.

 

Reunindo as poucas forças que tinha, Karep utiliza de sua velocidade e estende as correntes de ambos os nunchakus para depois enroscar as barras nos braços de Encélado, prendendo novamente as mãos do Gigas.

 

-De novo isso? Você é realmente ridículo. Acha que estas correntes podem me impedir de mata-lo?

 

Sem dar tempo de resposta, Encélado lança-se em direção a Karep e golpeia o rosto do cavaleiro utilizando a própria cabeça com uma enorme força. O Libra é arremessado para o outro canto da sala e derruba uma das poucas pilastras ainda de pé na Sétima Casa.

 

Logo a seguir, Encélado sente um ardor em sua testa, então, leva uma das mãos para verificar o local da dor e percebe que tem um pequeno corte na área que logo começa a sangrar.

 

-Corpo fraco...

 

 Porém não havia sido apenas isso que o Gigas havia percebido, viu também que as barras duplas de Karep ainda estavam presas em seus pulsos.

 

-Pobre coitado. - Disse o Gigante, retirando as correntes presas. - Sei que ainda não está morto, mas mesmo assim acho que esse nosso primeiro enfrentamento foi um pouco decepcionante da sua parte. Se fosse para comparar, até o momento o outro Libra deu mais trabalho que você.

 

Encélado eleva o olhar, direcionando-o para o local para onde Karep havia sido arremessado e percebe que o Cavaleiro de Libra já havia levantado e estava em pose de batalha, emanando uma gigantesca quantidade de cosmo dourado.

O Gigas pôs a perna esquerda a frente, flexionando os joelhos enquanto deixava a perna direita como apoio. Juntou o braço direito ao tronco, posicionando o outro braço a frente do corpo e queimou também uma imensa quantidade de Cosmo-energia, dizendo com um sorriso sinistro no rosto:

 

-Então que tal começarmos de novo?

 

-Para sorte de todos, acredito que uma batalha entre nós dois não criaria uma Guerra dos Mil Dias. - Comentou o Cavaleiro de Libra, para logo depois cuspir para o lado uma certa quantidade de sangue que havia se acumulado em sua boca.

 

-Concordo com você, Karep. Até porque para que isso ocorra, o poder de luta de ambos os guerreiros deve estar equiparado. - Encélado abre um sorriso. - Algo que não ocorre no presente momento.

 

Karep imediatamente se lança em uma investida, erguendo o punho direito que emanava uma brilhante aura esverdeada. Encélado logo faz o mesmo e dispara em velocidade indo de encontro ao Grande Mestre, porém a mão esquerda era erguida trazendo uma grande quantidade de cosmo proveniente do elemento do trovão.

 

E os dois gritaram ao mesmo tempo, conjurando seus golpes especiais:

 

-GRANDE DRAGÃO ANCESTRAL!.- Disse Karep fazendo desde o ombro até seu punho assumirem a forma de um dragão da mesma coloração de seu cosmo.

 

-ROSNAR TROVEJANTE. - E então toda a Casa de Libra foi enchida com um som imensurável, como se inúmeros trovões atingissem o solo ao mesmo tempo, uma imensa esfera de energia radiante havia se formado na palma da mão do Gigas.

 

No exato momento e local em que aquelas duas forças se chocaram, uma torre de tamanho colossal feita de pura energia ergueu-se ao infinito, cortando o céu da Grécia.

 Aquele disparo de poder, era a representação da superabundância de Cosmo envolvido em ambos os golpes, os quais dispersavam tanta energia que o choque entre ambos por pouco não criou uma singularidade no espaço ao redor, uma quebra na harmonia da realidade.

 

Do lado de fora da Casa foi possível para alguns sentir essa singularidade, inclusive, enquanto o raio de energia subia ao infinito, Ismael e os outros deslumbraram uma estranha vibração no céu, como quando jogamos uma pedra em um rio, e toda água ao redor é agitada.

 

-Isso não é bom. - Comentou Ismael, enquanto observava o disparo de energia.

 

-A batalha está se elevando a um nível muito alto. - Completou Raghu de Pavão.- Trará consequências catastróficas para todos nós.

 

Enquanto isso, na Casa de Libra, a energia disparada já se enfraquecia e os dois combatentes se encaravam, ofegantes e com alguns ferimentos pelo corpo.

 

Encélado foi o primeiro a quebrar a trégua.

Mexeu-se com velocidade deixando alguns pisos de pedra soltos para trás, e preparou um potente soco.

Karep fincou o pé direito no chão como apoio, e ergueu o braço esquerdo para bloquear o golpe do inimigo.

Ligeiro como era, o Cavaleiro de Libra logo soltou um murro direto contra o peito do Gigas, que se mostrou tão habilidoso quanto o nosso herói e segurou o soco com a palma da própria mão.

Aquele fato revelava para Karep que ele estava certo em suas teorias, os punhos de Encélado não eram normais, havia algo a mais.

E foi então que aquela disputa de força confirmou de uma vez o que Karep especulava, sua mão direita estava sendo esmagada pela força de Encélado, que já estava prestes a partir a manopla da Armadura de Libra. Ninguém era poderoso o bastante para realizar tal ato usando apenas uma mão.

 

Mesmo perturbado por aquele fato, Karep não podia esperar mais. Lançou o corpo contra o de Encélado, e lhe disparou uma potente joelhada contra a boca do estômago. Enquanto o Gigas cuspia uma quantidade significativa de sangue, Karep deslizou para trás de seu inimigo em um piscar de olhos e de mãos juntas “martelou” as costas de Encélado que some em meio a um bolsão de poeira, pedaços de rocha e estilhaços alaranjados de sua Couraça.

Essa havia sido uma boa demonstração de uma das incríveis habilidades que os Cavaleiros de Ouro detinham: o uso da velocidade da luz.

 

Karep retorna ao chão e como ainda podia sentir o Cosmo de seu adversário, logo sacou outra dupla de suas armas: Os Tonfas de Libra.

Ele os girou nas mãos e preparou-se para o reinicio do combate.

Quando finalmente identificou a silueta de Encélado saindo do buraco criado por sua queda, Karep partiu para o confronto.

Sem dar tempo de resposta, ele girou o porrete e disparou um golpe contra o rosto do Gigas. Centésimos depois, o Libra deslizou para o lado de Encélado e acertou uma pancada extremamente estratégica e brutal contra a lateral do joelho do Gigante, ouvindo em seguida o som visceral de tendões e ligamentos sendo partidos com uma violência intensa, misturado ao grito de dor de Encélado.

 

Karep de Libra se apressa e já prepara outro golpe, agora mirando o alto da cabeça de seu inimigo, para assim finalmente terminar o combate.

Ele desce o tonfa, mas milagrosamente Encélado ergue a mão e o segura,

 

-Rápido, mas não tão rápido. -Disse sorrindo o Gigas com um fio de sangue negro escorrendo no canto da boca.

 

 Sem dar tempo para que o Gigas comemore o cavaleiro de Athena logo o castiga mais uma vez e lança um golpe contra suas costelas, derrubando o homem no chão.

 

-Maldito... -Disse Encélado se arrastando no chão, enquanto engasgava com o próprio sangue.

 

-Acabou, Encélado. - Comentou o Cavaleiro de Libra, enquanto girava seus tonfas, retornando para a posição de defesa.

 

Notando que seu inimigo se mantinha a espera, Encélado disse:

 

-Não vai me matar de uma vez?

 

-Não luto contra inimigos abatidos e debilitados. Seria contra o código de honra que jurei seguir. Então se levante guerreiro de Porfirion.

 

-Cavaleiros e seus códigos...

 

-Você também já os seguiu, não se esqueça disso.

 

-Não sou um de vocês, nunca fui. Sabe disso.

 

-Não deveria negar o seu passado. Deveria se orgulhar do homem que foi.

 

-Tão sentimental...

 

-Erga-se de uma vez. Lute comigo um último confronto.

 

-Não me venha com piedade, cavaleiro. - Disse Encélado, fazendo força para se levantar.

 

-Não sou piedoso, sou justo.

 

Encélado se esforça, sente uma dor estridente vinda de diversas partes de seu corpo, principalmente das costelas, e finalmente se põe em pé novamente. A perna esquerda estava inutilizada, ele não conseguia tocar o chão sem sentir uma dor aguda vinda do joelho. A perna não podia ser estendida por completa graças aos tendões partidos. E Encélado tinha a certeza que algum órgão dentro de si havia sido partido também, já que seu sangue cor de piche se acumulava sem parar na boca. 

Isso sem duvida iria ser um atraso.

 

 Vendo o estado lastimável em que o Gigas se encontrava, Karep realiza uma ação totalmente inesperada. De olhos fechados, o Libra respira fundo, enchendo os pulmões de ar e depois expira, para então soltar os tonfas ao chão.

 

-O quê? Isso é alguma brincadeira? Não zombe de mim.

 

-O código... Tenho um juramento a seguir.- Comentou ele, ainda de olhos fechados.

 

-Tolice.

 

O Gigas usa de seu cosmo para lançar-se em velocidade, cruzando o espaço da Casa de Libra tão rápido que nem ao menos tocou o chão e soltou um de seus característicos socos na direção do rosto de Karep, que nem ao menos abriu os olhos para se defender. Apenas jogou a cabeça para o lado, fazendo o golpe do Gigante cortar o ar e depois saltou para a esquerda.

Ao pousar no outro canto da sala, Encélado se esforçou, mas não conseguiu forças o bastante para manter-se de pé na chegada, e aterrissou de cócoras no chão.

 

-AAARGH. - Bravejou de raiva o Gigante enquanto disparava novamente na tentativa de acertar outro golpe.

 

Mas Karep se movimentava rápido de mais, e mesmo ele de olhos fechados, Encélado não conseguia alcança-lo. Assim todos os golpes que o Gigante tentava, acabavam com ele acertando o vazio e no fim de volta ao chão.

 

Maldição. Com minha perna destruída eu nunca conseguirei acerta-lo.”

 

Era sem dúvida um massacre. O Cavaleiro de Libra superava o seu inimigo e dominava por completo o combate naquele momento. E isso parecia incomodar ambos os guerreiros.

 

-Então esse é o poder do grandioso Encélado, o matador do Santuário?- Desafiou, Karep. - É só isso que tem a oferecer?

 

-Ainda não acabei!- Gritou enfurecido Encélado, erguendo-se novamente do chão enquanto a temperatura do espaço ao seu redor entrava em erupção. - INFLAME COSMO!  Receba, ROSNAR FLAMEJANTE.

 

Finalmente o combate reinicia.”- Pensou Karep.

 

E então o Gigas queima uma gigantesca quantidade de seu cosmo e concentra a energia criada, brilhante e quente como uma estrela, na palma de sua mão. A energia se expande tomando a forma de uma grande esfera de fogo que é disparada por Encélado e vai rapidamente de encontro a Karep. O brilho do globo de fogo era tão cintilante, que toda a Casa de Libra pareceu ter sido jogada as trevas e sua grandeza era tanta, que ele cobria por duas vezes o espaço ocupado pelo Mestre do Santuário, sendo assim, impossível para ele desviar do golpe do Gigante.

 

-Seja pulverizado pelo calor das estrelas, maldito.

 

Porém, antes mesmo da esfera de cosmo de fogo explodir no corpo do alvo, uma linha dourada foi cruzada na esfera. De uma ponta a outra, o globo de fogo era cortado verticalmente por essa luz.

 Até que a esfera se parte em duas bandas que logo depois desaparecem com uma explosão, e heroicamente, do meio delas surge o Santo Dourado de Libra, Karep, saltando de meio ao fogo enquanto empunhava uma das espadas douradas de Libra.

O cavaleiro aponta sua espada para inimigo e grita fazendo sua voz ecoar por toda Casa de Libra:

 

-LÂMINA DO JULGAMENTO: CORTE DIVINO.

 

A espada de libra assume um brilho esbranquiçado, para logo depois alongar-se alguns centímetros.

Karep, realiza um movimento no ar com sua espada brilhante, como se o cortasse, e assim uma rajada de energia atravessou o ar.

 

-Impossível... - Disse Encélado sem acreditar no que via.

 

Centésimos depois o Gigas usa de sua destreza e salta para o lado na tentativa de desviar do golpe de espada que vinha em sua direção.

Ao aproximar-se do fim da acrobacia, Encélado é pego de surpresa por um forte impacto no lado direito de seu peito, o que o desequilibra no último momento e o arremessa ao chão.

Karep finalmente pousa ao solo, ele gira sua espada brilhante e parte em velocidade em direção ao Gigas.

No outro canto da sala, Encélado já começava a se recompor de pé, porém, antes disso, percebeu que um grande corte, que descia desde o ombro esquerdo até as costelas e havia ferido sua carne profundamente.

Sangue negro escorria de um corte perfeito em seu corpo, que havia transpassado sua couraça sem causar muitos danos e atingido sua pele.

 

Incrível”, Pensou ele enquanto olhava para o sangue que pingava no chão.

 

Encélado se levantou e encheu os punhos de cosmo, fazendo-os parecer bolas de fogo. Karep se aproximou e girou mais uma vez a espada brilhante, porém dessa vez preparou um golpe, vindo de cima para baixo. Como sempre veloz em seus golpes com as mãos, Encélado ergueu o punho esquerdo acima da cabeça e em um ato de incrível força, defendeu o golpe do Cavaleiro dourado.

 

Karep manteve a espada e Encélado também não afrouxou o punho, e os dois continuaram ali, se encarando naquela disputa de força:

 

-Essa espada... - Começou dizendo Encélado entre os dentes.- O cosmo que ela emana, não é comum.

 

Karep pôs mais força no cabo da espada e disse:

 

-Você tem seus truques, eu tenho os meus.

 

-Sem duvida você é diferente dos outros cavaleiros que enfrentei. - Disse Encélado, enquanto sangue começava a pingar de seu punho. - Mas seus “truques”, não são segredo para mim. Conheço um cosmo de origem divina quando vejo um.

 

O quê?” Espantou-se por dentro, Karep, sem deixar isso transparecer em seu rosto, “Como ele pode saber?”.

 

-Mas ao mesmo tempo. - Continuou falando o Gigas.- Estou intrigado. O cosmo que atribui poder a esta espada não provém de Athena.

 

Usando o braço ocioso, Encélado lança um soco no estômago de Karep, afastando o dourado.

Karep se recompõe, e logo se põe em postura de combate.

 

-Você está certo. Essa espada de Libra foi embebida com o ikhor de um deus. Ela foi imersa no sangue de Astreia, a deusa da Justiça, a mesma que carrega a Balança de Libra nos céus.

 

Ouvindo aquilo, Encélado abre um sorriso, dizendo:

 

-Quem diria que um traidor de Athena chegaria ao posto de Grande Mestre.

 

-Não sou traidor!- Argumentou Karep. - Minha servidão a deusa da sabedoria é genuína, darei minha vida por ela se assim for necessário. O pacto com a deusa da justiça foi feito por um Cavaleiro de Libra antes mesmo de meu nascimento, nos tempos mitológicos para ser exato. Naqueles anos, houve uma Guerra Santa contra o deus da guerra, Ares. Tudo estava perdido, o mundo estava ardendo em chamas, Athena havia sido sequestrada e grande parte dos cavaleiros de Ouro haviam sido derrotados. Então, precisávamos de uma resposta rápida contra os ataques dos guerreiros de Ares. Um dos três cavaleiros dourados ainda vivos, o santo de Libra, realizou um acordo com a deusa que havia criado sua constelação, Astreia. E conseguiu que ela desse um pouco de seu sangue para dar poder a uma das armas de Libra, em troca, dali em diante os Cavaleiros de Libra deveriam lutar em extrema justiça e equilíbrio em seus combates, como uma balança de pratos, regendo a harmonia das lutas.

 

-Isso não faz o menor sentido. Como pode haver equilíbrio em um combate? No fim, apenas um pode sair vitorioso.

 

-Está correto, mas em todas as minhas lutas, não venci com trapaças, ou por meio de técnicas covardes, venci por mérito, venci porque eu era o melhor.

“Respeite seus adversários até o fim, um combate justo é o ideal, pois não há beleza numa vitoria vinda pela desonestidade.”, este foi o ensinamento passado a mim pelo meu mestre, que foi ensinado pelo mestre dele e assim por diante.

 

-Por isso não me matou quando eu estava no chão e nem retribuiu os meus golpes momento atrás.

 

-Você ainda estava fraco de mais para um combate equilibrado. Então esperei até que estivesse pronto.

 

-Eu estava certo. Você é mesmo um tolo. Com certeza um adversário diferente de todos que já enfrentei. Mas eu ainda não consigo entender em o que há de equilibrado em uma luta com um sujeito empunhando uma espada com uma benção divina.

 

-Suas ações me deram a oportunidade de utiliza-la. Você foi o único ser que até o dia de hoje conseguiu destruir todos os doze cavaleiros do zodíaco, fora isso também pesquisei sobre seus aliados no antigo arquivo do Santuário. Os Gigantes sempre carregam consigo uma arma própria. Desde sua primeira aparição no Santuário pensei muito sobre que tipo de arma você usaria. Durante esses dias que antecederam este nosso combate, eu treinei com todas as minhas forças, técnicas que pudessem parar ataques de todos os tipos de armas, e que pudessem inutiliza-las também. Mas agora descobri que sua arma são seus punhos, você tem grande poder na luta corpo a corpo.

Felizmente, eu me preparei para lutar contra você, Encélado, e pode ter certeza que vingarei todos os jovens que você assassinou.

 

-Que pena, perdeu seu tempo, pois todo o seu treinamento não servirá de nada contra mim. -O gigas solta um sorriso de canto de boca.- Estava poupando boa parte de meu poder até agora, esse corpo é fraco de mais para suportar toda a minha força, mas você não me dá escolhas. Já perdi muito tempo e sangue com você, então... - Encélado fecha os olhos por um segundo e os abre novamente, porém dessa vez eles estavam completamente brancos, desprovidos de pupila.- PREPARE-SE!

 

Encélado eleva seu cosmo de uma forma incrível, a aura que misturava tons de vermelho e amarelo expandia-se de seu corpo e aquecia toda a Casa de Libra. O guerreiro de Porfirion gritava enquanto seu cosmo aumentava cada vez mais e os pisos ao seu redor se partiam e eram afetados por um terremoto que tomava o local.

Logo, as rochas e pisos soltos começavam a flutuar lentamente, era o imenso cosmo de Encélado agindo na gravidade ao seu redor.

Logo, duas esferas de energia se formaram nas mãos do Gigante, uma delas era avermelhada e demonstrava estar em uma altíssima temperatura, a outra por sua vez, era azulada e tinha varias faíscas crepitando em seu exterior.

Ele finalmente junta as mãos, fundindo as esferas, criando uma bola de energia ainda maior e grita com todas as forças:

 

-FÚRIA DO CÉU E DA TERRA!

 

Então, de dentro daquela esfera de puro cosmo, uma rajada de energia poderosíssima é disparada em direção a Karep.

O sábio Mestre do Santuário, rapidamente puxa o escudo de Libra que se encontrava em seu ombro e o posiciona na frente de seu corpo, cravando bem firme os pés no chão.

 

-Ajude-me Athena.

 

As palavras ditas pelo cavaleiro pareciam fazer efeito, pois neste exato momento o escudo assumiu um ofuscante brilho dourado para em seguida defender Karep do grandioso disparo de energia.

A força da técnica de Encélado era tanta, que Karep podia sentir seu corpo sendo empurrado para trás, enquanto seus pés afundavam no chão. O calor da Fúria de Encélado começava a ser transmitido para as mãos do cavaleiro.

 

-ATHEEENAAA!

 

Mesmo já tendo visto e aprendido muito ao longo de 210 anos, Karep nunca havia presenciado tamanho poder, Encélado era sem dúvida o homem mais poderoso que o Mestre do Santuário já havia enfrentado.

Para Karep, infelizmente, Encélado ainda não havia demonstrado todo o seu poder.

 

O raio cessa.

Encélado solta os braços, um pouco ofegante, ele tinha as mãos fumegando intensamente, como quando uma brasa ardente é jogada a água.

 

-Você e seus truques. - Diz o Gigas com um sorriso.

 

Karep finalmente abaixa o escudo e sem dizer nada, se espanta com o que vê na face de sua ferramenta.

Uma grande fenda.

 

Ele partiu o Escudo de Libra?!”

 

Os olhos cor de lavanda de Karep passam pela superfície do escudo rachado como se não acreditassem naquela imagem.

O Cavaleiro larga seu escudo no chão, vendo ele finalmente ser divido em duas bandas.

 

-Isso não deveria ser indestrutível?-Zombou Encélado.

 

-Terei que elevar ainda mais o meu poder se quiser equilibrar esse combate.

 

-Pode até tentar, mas você é apenas um cavaleiro de Ouro, eu derrotei doze. Meu poder está aos poucos voltando a ser o que era na última vez que nos vimos. Quando eu finalmente chegar a Nona Casa, aí sim, serei imbatível. Os deuses voltarão a me temer.

 

-Sabe que não permitirei que passe desta casa. - Disse Karep com um certo tremor na voz, assumindo uma posição defensiva.

 

-Sim eu sei disso. Mas não sei se seu corpo sem vida conseguirá me impedir de passar.

 

Karep dá um passo a frente queimando o cosmo, e aponta a espada para Encélado, fazendo sua energia percorrer a arma também:

 

-CÓLERA DO DRAGÃO. -Karep dispara uma poderosa rajada de cosmo que assume a forma semelhante a um dragão.

 

-Ousa utilizar essa técnica fraca contra mim?

 

Encélado enche seus punhos de cosmo e dispara um potente soco contra o Cólera do Dragão de Karep, fazendo-o dispersar no exato momento.

 

-Vou lhe mostrar o que é poder de verdade! –Ele então invoca duas esferas de fogo em suas mãos. - SINTA O CALOR DO SOL. NEBULOSAS DE FOGO!

 

O gigante arremessa as duas esferas de cosmo flamejante, que durante a trajetória se fundem em uma só.

A grande bola de fogo emitia um som grandioso, como se inúmeras explosões ocorressem em seu interior. Por onde passava desprendia pisos de pedra e trazia para perto de si rochas e pedaços de colunas. Todos esses objetos atraídos eram instantaneamente consumidos ao chegarem próximo a sua superfície.

Encélado havia criado uma estrela.

 

Karep começava a sentir seu corpo sendo puxado pela força de atração da estrela e então ele crava sua espada divina no chão, enquanto vê tudo o que restou da Casa de Libra sendo tragado pela esfera de fogo.

 

Maldição”-Pensou o Cavaleiro enquanto via o que antes parecia ser impossível de se tornar pior, ganhando novas proporções.

 

A cada segundo que se passava, a esfera crescia de tamanho e sua força de atração parecia aumentar de poder.

Quebrando até mesmo o chão que ficava abaixo da fundação da Casa de Libra.

Se aquilo não fosse parado, destruiria todo o Santuário.

 

+

+

+

 

Prestes a adentrar a Casa de Virgem, os três cavaleiros de Prata continuavam a subir as escadarias. Até que viram a esfera de fogo surgir no horizonte.

 

-O que é aquilo?- Perguntou Golias estremecido.

 

-Não parece ser coisa do Mestre Karep. - Comentou Raghu.

 

-Já está repensando suas escolhas, Raghu?-Disse Ismael de Baleia.

 

-Você realmente quer me deixar para trás, não é?

 

-Não diga isso...

 

-Silêncio. - Cortou o Cavaleiro de Pavão se virando para as escadas atrás.- Sinto que estamos sendo seguidos.

 

Golias e Ismael rapidamente passam a frente, assumindo posições de luta.

 

-Quantos são?-Perguntou o cavaleiro de Hércules.

 

Raghu fechou os olhos, se concentrando mais e disse:

 

-Muitos.

+

+

+

 

Cara a cara com Encélado.

Aquela cena fugia do senso de realidade de Karep.

Enquanto ele estava se esforçando para se manter preso a espada no chão, o Gigas estava de braços cruzados a sua frente, enquanto atrás de si a esfera de fogo continuava a consumir tudo.

 

-É lindo não é?- Disse o homem de olhos vazios. - Sei o que está pensando, como é possível eu estar aqui sem precisar me prender a algo. Talvez eu lhe explique se sobreviver a mais essa.

 

E então dispara um soco no rosto do Mestre do Santuário.

 

-Adeus, Karep. Até que você lutou bem... - Disse o homem saindo cambaleando em meio a destruição.- Para um velho.

 

-Espere!-Gritou Karep.

 

-O que foi?-Disse o Gigas, impaciente. - Ainda tenho que passar pela Casa de Escorpião.

 

-Depois que você se foi, sumiu do Santuário, abandonou sua deusa...

 

-Ela nunca foi minha deusa. - Corrigiu Encélado levantando a mão.

 

-Os anos se passaram, uma geração inteira de cavaleiros foi criada.

 

-E onde isso se torna importante ao ponto de eu estar ouvindo?

 

-Eu tive um aprendiz. Um rapaz talentoso, coração ardente. Desejava a justiça sempre. Eu o ensinei muito, tenho certeza que um dia ele irá se tornar um poderoso cavaleiro de Ouro, mais poderoso até mesmo do que eu. A geração a que ele pertence será sem duvida mais poderosa do que a nossa, Encélado. –Karep suspira. - Esse jovens de hoje em dia...sempre querem saber mais, nunca se cansam de aprender, não é mesmo?  Vejo os aspirantes, lutando, dando suor e sangue para se tornarem cavaleiros. Eu vejo em seus olhos reflexos do que já fomos um dia, vejo sentimentos que já sentimos: esperança, companheirismo, amor, coragem, força de vontade, vejo sonhos que almejamos. Vejo meus companheiros que já se foram... vejo seu legado, suas heranças.

Isso é o que me dá forças para continuar. -Karep fecha os olhos por um momento,e seu rosto é invadido por lagrimas que rolam, pingando no piso da Casa de Libra, mas mesmo assim ele abre um sorriso.-  O que estou falando? Pareço mesmo um velho. Na verdade acho que já sou. Para nós acabou, Encélado. Somos seres foras de nosso tempo.

 

-Fale por você, Karep. - Disse o Gigas quase que rosnando.

 

-Só existe um papel no mundo de hoje em dia para um velho cavaleiro como eu. - O Libra reabre os olhos, agora brilhando como duas esmeraldas.- Trazer esperança para a nova geração.

 

O corpo de Karep é imediatamente rodeado por uma coluna de fogo esverdeada, que se ergue até o infinito. Quem estava do lado de fora da Casa pôde ver o céu ser afetado.  Escurecendo e sendo invadido por nuvens cinza, como em um dia de uma forte tempestade.

A torre de fogo esverdeado se dissipa, e Karep reaparece mudado: Finalmente o homem usava o elmo da Armadura de Libra, o qual simulava o rosto de um tigre e em suas costas, algo que espantava Encélado, duas asas dragonescas de puro cosmo esverdeado despontavam.

Karep desencrava a espada do chão e instantaneamente alça voo, erguendo-se a quase 3 metros do chão, demonstrando como suas asas eram fortes, já que parecia nem ser afetado pela força atrativa da já enorme estrela de fogo de Encélado, e diz:

 

-Vou lhe relembrar por que nos chamam de Guerreiros da Esperança, Gigante. - Então automaticamente uma parte retrátil de seu elmo é ativada, cobrindo e protegendo as áreas da boca e do nariz.- Prepare-se para o rugido do dragão.- disse Karep com a voz levemente modulada.   

 

O Cavaleiro de Libra gira sua espada abençoada pela deusa da justiça e salta para cima do Gigante, descendo a lâmina mirando o crânio do inimigo.

Porém mais uma vez seu golpe é parado pelo punho de Encélado.

 

-Já lhe avisei Karep. Meu poder está próximo do que era em meu auge. Você não pode mais me parar.

 

-Então devo equilibrar as coisas.

 

Ainda sobre Encélado, Karep inicia uma combinação de golpes com sua espada, todos eles em uma incrível velocidade. O gigante mal podia ver a lâmina que cortava o ar a sua frente, mas mesmo assim posicionava as mãos corretamente para defender os golpes.

 

Até que finalmente, Karep supera a defesa do Gigas e encontra um ponto onde poderia golpea-lo. Um corte rápido e cirúrgico, cegando o olho direito de Encélado.

Após o golpe o Gigas, gira em uma meia volta e logo leva a mão ao olho cego, tentando cessar o sangramento.

 

-Maldito!- Ele grita com a mão encharcada de sangue negro.

 

O gigante ergue a mão aberta em direção ao Cavaleiro alado e depois a fecha em um punho, a levando até perto do peito, como se tentasse pegar algo no ar.

 

Karep sente a enorme estrela de fogo atrás de si se movimentar e ao se virar para esfera é pego de surpresa por uma rajada de fogo sendo disparada em sua direção vinda de dentro do grande globo. Diferente do que Karep pensava, a rajada não se choca contra ele e sim dá a volta em sua cintura, dando um forte aperto. Aquilo se parecia mais com um tentáculo feito de cosmo, e neste caso o molusco era a estrela.

 

O Cavaleiro de Libra aposentado ergue a lâmina brilhante e desfere um golpe no “tentáculo” cortando ligação com a esfera flamejante. Porém logo em seguida outra aparece, logo depois outra, e mais outra, no fim haviam dezenas de braços de fogo tentando puxar Karep para perto da estrela.

Enquanto as cortava em pedaços, Karep via no chão Encélado realizando vários movimentos com as mãos, como se comandasse a estrela, e talvez comandasse realmente.

 

Ao todo, Karep já havia decepado 15 tentáculos de fogo, até que vindo de um ponto cego, Encélado apareceu saltando.

Com as mãos infestadas de faíscas ele gritou:

 

-ROSNAR TROVEJANTE.

 

E disparou o soco na direção do desavisado e ocupado Mestre do Santuário, contudo, Karep não era Mestre a toa. Aproveitando o movimento que estava realizando para cortar dois braços que viam mais ou menos na altura de sua cintura, Karep conduziu a espada, cortando o ar de baixo para cima e destruiu os dois braços de uma vez só, mas não parou por ai, deu um leve giro para a direita e ainda com a espada realizando o golpe, decepou a mão esquerda de Encélado.

 

O Gigas concluiu a trajetória do seu salto, porém caiu no chão sem acertar nada nem ninguém e ainda sem uma das mãos.

 

Sentado no chão, o Gigante olhava horrorizado para o que restava de seu braço, enquanto seu sangue cor de piche jorrava do ferimento.

 

-AAAAAAARGH!- Gritou de dor e desespero o homem. - Desgraçado, veja o que fez comigo!

 

-Ninguém mais morrerá pelas suas mãos, Encélado. Você foi desarmado. -Disse o Cavaleiro Alado com seu corpo brilhando abraçado por uma aura verde.

 

Mas a esfera parecia estar conectada a Encélado, e no exato momento que o homem lançou seu grito de dor, a estrela de fogo ondulou e assim mais uma centena de braços de fogo lançaram-se na direção de Karep.

 

Karep girou no ar e guardou a espada, usando o máximo que conseguia de sua energia cósmica acumulada e estendeu as mãos em direção à estrela, dizendo em alta voz:

 

-CÓLERA DOS CEM DRAGÕES.

 

A aura de Karep se expande e dela centenas de rajadas de um cosmo poderosíssimo são disparadas, todas na forma de um dragão voador chinês.

Os tentáculos de fogo não tinham a mínima chance e todos são completamente destruídos.

 

Agora com o cosmo voltando ao seu equilíbrio Karep vira-se novamente para seu inimigo.

 

-É o fim, Encélado.

 

O cavaleiro pousa de volta ao chão sacando sua espada novamente, enquanto seu elmo se abre.

 

-Seu julgamento começará.

 

-CALE-SE!- Disse o Gigante envolto por uma poça de sangue. - CHEGA DE CONVERSA. ESTOU CANSADO OUVIR VOCÊ FALAR. - Encélado ergue novamente a mão aberta para sua estrela e depois cerra o punho.-  SUPERNOVA.

 

A esfera de fogo automaticamente entra em colapso. Sua superfície já não é mais estável, criando varias pequenas erupções. Até que, finalmente ela assume um brilho esbranquiçado e entra em expansão. Karep já não conseguia detectar nenhum som, é como se estivesse no vácuo. Por onde a esfera passava, tudo era vaporizado.

 

 Karep olha para aquilo e sem pensar duas vezes alça voo, visando a saída dos fundos da Casa de Libra, porém, enquanto voava e desviava das ruínas que apareciam em seu caminho, o cavaleiro de Libra é pego de surpresa por um forte puxão em uma das pernas que o tira de sua rota e o leva ao chão.

Era Encélado, que gritava coisas que o Cavaleiro não podia nem ao menos ouvir, o Gigas o vira de barriga para cima, e lança um poderoso pisão que chega a trincar a Armadura de Ouro de Libra. Com a mão que lhe sobrava, Encélado disparou um forte gancho no rosto de Karep, jogando o capacete do homem para o lado, em seguida o Gigas que há pouco havia sido derrotado, rouba a espada de Libra (no mesmo momento a espada perde seu brilho esbranquiçado) e a ergue bem acima do peito de Karep.

No momento o Libra não pôde ouvir, mas Encélado gritou:

 

-Eu serei a nova geração!

 

E inevitavelmente desce a espada no peito do nosso herói, atravessando seu corpo.

 

-Agora morra com todo o seu Santuário.

 

Encélado dá uma olhada rápida por cima do ombro, e mancando muito, tenta dar seus passos para sair da Casa de Libra.

 

+

+

+

 

-CANHÃO DA TORRENTE.

 

Um número incontável de inimigos haviam aparecido no Santuário.

Os três cavaleiros de prata faziam o que podiam dentro da Sexta Casa para não deixar nenhum deles chegarem até onde acontecia a batalha do Mestre Karep.

 

Golias de Hércules usava de sua força física e de seu poderoso cosmo para destruir, aniquilar e acabar com seus inimigos. Seus embates nunca eram contra menos de três adversários ao mesmo tempo.

 

Ismael de Baleia era mais precavido, seus golpes funcionavam melhor a distância, e quando recorria ao combate de proximidade tentava usar o máximo de estratégia para finalizar rapidamente a luta.

 

Raghu de Pavão era o último na formação de defesa pensada por Ismael, a maior parte do tempo ele se preocupava em utilizar os mantras que aprendera com seu mestre para dar suporte aos companheiros e para criar uma parede invisível para bloquear a saída da Casa de Virgem.

 

Enquanto o combate acontecia, mais e mais acólitos de Porfirion apareciam. Raghu se mantinha sentado em posição de Lótus, recitando suas rezas de proteção e revitalização do cosmo.

Até que três inimigos quebraram a defesa de seus colegas e correram em sua direção.

 

-Ei, ei. - Gritou um deles com sua voz estridente e aguda.- O que temos aqui?

 

-Covardes. - Disse Raghu.- Abandonaram a batalha e seus companheiros.

 

-Quem é você?-Disse outro, esse tinha um dos olhos cortado por uma profunda cicatriz. -Não está em uma boa posição para tentar nos intimidar. Estamos em maior quantidade.

 

-Vejo apenas três homens mortos.  Ao cruzarem meu caminho vocês selaram seu destino. Por isso vou leva-los para um passeio.

 

-Como é?- Disse novamente o da voz aguda.

 

-Isso mesmo. - Raghu fica de pé.- Por que não escolhem um destino?- Seus olhos brilham em dourado enquanto suas mãos assumiam diversas posições de conjuração de selos remetentes a transmigração. - CICLO DAS SEIS EXISTÊNCIAS.

 

O cavaleiro de prata ergue a palma da mão e dela um brilho dourado surge e os três homens que ali estavam sentem seus corpos sendo erguidos em direção ao céu até que o trio desaparece em uma explosão de luz.

 

-Façam uma boa viagem.

 

Raghu logo volta a se sentar, porém ao estar prestes a reiniciar seus mantras, o cavaleiro sente um poderoso cosmo explodindo.

 

O que pode ser isso? Este cosmo não pertence a Ismael nem a Golias, nem ao menos ao Mestre Karep. Algo de muito ruim está acontecendo na Casa de Libra.”- Ele se vira, e por cima do ombro ele pôde ver. Uma imensa bola de fogo, semelhante ao Sol, erguendo-se acima do teto da Casa de Libra e consumindo tudo em seu caminho, era a Supernova de Encélado.

 

Raghu de Pavão imediatamente se levanta e espantando com que via, percebe que a estrela aumentava de tamanho a cada centímetro de terra que percorria. Pensando rápido, o único jeito de dete-la e assim salvar o Santuário da aniquilação total, era impedir que continuasse crescendo.

 

Olhando para os seus parceiros, Raghu notou que eles já estavam ocupados em suas respectivas batalhas, ou seja, o Pavão estava sozinho nessa.

 

-Que Athena nos ajude.

 

O Pavão ergue suas mãos em direção a esfera, que já havia consumido praticamente toda a escadaria entre a Casa de Libra e a de Virgem. Faltando dez degraus para que a cortina de fogo e destruição de Encélado o atingisse, Raghu respirou fundo e com todo o fôlego captado ele falou:

 

-KAHN.

Imediatamente, uma camada dourada cobriu toda a extensão da bola de fogo, impedindo seu crescimento.

Aquele campo de força consumia muita energia de Raghu, por isso, com poucos segundos de uso da técnica, o cavaleiro já começava a sentir os efeitos da exaustão.

 

-Preciso de mais poder. - Disse ele já com as mãos tremulas.

 

O Cavaleiro de Prata cerrou os olhos e no seu subconsciente ele disse:

 

OHM 

 

E repetiu aquele mantra por mais três vezes, potencializando seu campo de força e consequentemente sua reserva de cosmo. 

 

+

+

+

 

“O quê é isso? Onde estou? Há quanto tempo estou morto?”

 

Você ainda não pereceu meu irmão, não enquanto eu estiver aqui.”

 

Kawica? É você? Eu estou ouvindo sua voz, mas não consigo ver nada”.

 

Pois que continue assim, nada no lugar onde estamos é do agrado da visão humana.”

 

Eu não compreendo, irmão. Eu estava na Casa de Libra, havia sido derrotado por aquele Gigante, mas agora estou aqui, nessas trevas, nem ao menos consigo ver minhas mãos diante de meus olhos, temo pelo futuro do mundo. Athena... Os cavaleiros... Nós... Eu falhei.”

 

Por que diz isso?”

 

Falhei para com minha deusa, falhei com os jovens cavaleiros que deram suas vidas em vão, falhei com o mundo. Eu devia ter parado Encélado. Era a minha missão.”

 

“Você se condena de mais. Não acha que tudo isso já ficou no passado? Agora você poderá descansar.”

 

“Não posso descansar enquanto aqueles jovens estão dando suas vidas, não posso descansar enquanto Athena está nas mãos dos inimigos, não posso descansar enquanto o mundo está a um passo do precipício, preciso fazer alguma coisa, minha campanha ainda não esta terminada.”

 

Hump, seu senso de compromisso com a humanidade é algo invejável, meu irmão. Mesmo depois de percorrer a via dolorosa de pés descalços, parece querer continuar carregando o peso de vidas humanas em sua costas.”

 

“Prevejo uma era de dor e sofrimento para a humanidade, Kawica. Os poucos cavaleiros que restaram na Terra não serão suficiente para parar a ira de Encélado, e eu já sofro antecipadamente por aqueles que se encontrarão em meio a guerra.”

 

“Um amor incondicional, cego, foi esse amor que Athena sentiu pelos homens, e é esse mesmo amor que posso ver em você, meu irmão. Por acaso tem ideia de onde estamos?”

 

“Acredito que em uma dimensão pertencente ao pós-vida.”

 

“Você sempre foi muito inteligente. Em partes está certo. Mas não estamos completamente no pós-vida, pois você ainda não pertence este lugar.”

 

“Como é? Eu vi a explosão, logo depois que Encélado me prendeu no chão com a Espada de Astreia. Meu corpo deveria ter sido consumido pelo fogo.”

 

“Mas não foi, seu corpo foi salvo no último momento por minha Muralha de Cristal. Mesmo já não estando no mundo material, eu pude utilizar minha técnica. Seu corpo está a salvo por enquanto, mas as chamas da explosão continuam consumindo o Santuário.”

 

“Eu... não entendo como conseguiu interferir no mundo terreno? Apenas os deuses são capazes de realizar tal ato.”

 

“Sim, isso é verdade, mas você precisa de uma segunda chance, o mundo precisa de você... e Encélado precisa aprender a respeitar melhor os Cavaleiros do Zodíaco.”

 

“O que você fez?”

 

“Diga-me uma coisa, tudo aquilo que você disse. Acredita mesmo na nova geração de cavaleiros que está por vir?”

 

“Eles serão os melhores”

 

“Então o que fiz vale o preço. Tenho fé em você, Karep. Agora erga-se por uma última vez, deus dragão.”

 

+

+

+

 

Em meio ao calor das chamas. Em meio a destruição e ao caos. Um único espaço se mantém seguro, como um oásis no meio do deserto.

Karep abriu os olhos, mas não acreditou. As chamas chocavam-se contra as paredes de sua defesa invisível, porém não tinham forças para destrui-la.  A obra de Kawica era realmente poderosa, mesmo já não estando no mundo físico.

Por um momento Karep se pega pensando nas palavras de seu irmão: O que ele fez para que Karep continuasse vivo? Queria ele que não fosse nada estúpido.

 

Erguendo um pouco a cabeça do chão, o cavaleiro de Libra, percebeu que estava cercado pelo campo de força de Kawica. Aquelas paredes quase translúcidas formavam um apertado cubo, que parecia estar diminuindo de tamanho, acoplando apenas a área onde Karep estava.

 

Ele deve estar perdendo as forças.”-Imaginou Karep.

 

-Sei que está ouvindo isso, irmão. - Karep ergue novamente a cabeça, vislumbrando a espada ainda cravada em seu peito.- Vou precisar da sua ajuda para uma coisa.

 

Karep pousa ambas as mãos no cabo da espada e respira fundo por duas vezes, para dizer:

 

-Juntos.

 

Alguns dizem que é melhor para o corpo saber antecipadamente que sentirá dor, entretanto, para Karep, não parece ter surtido efeito. Ter a espada passando novamente por seu peito foi uma das piores dores que ele já havia sentido em sua vida, as feridas sendo reabertas pela lâmina, o sangue voltando a jorrar, a carne sendo retalhada mais uma vez.

Quando a espada foi finalmente desencravada, Karep a jogou para o lado e por um triz ele não desvaneceu novamente, por um triz a morte não o teve em suas mãos novamente. Muitos podiam não entender, mas Karep sabia de onde vinha a força que o mantinha firme:

 

-Obrigado, Kawica.

 

Reuniu forças e levantou-se, para ver mais sangue vazar de seu corpo, mas Karep era forte, ao ver aquilo, ele sorriu e disse confiante:

 

-Não vou morrer aqui. Minha hora não chegou.

 

+

+

+

 

O Gigante mancava e sangue o seguia.

O rastro negro manchava a escadaria em direção à nona casa do zodíaco. Realmente, Encélado estava surpreso, ele nunca imaginaria que um cavaleiro de Ouro pudesse causar tantos problemas para ele. Fora os ferimentos graves: Um olho cego, mão esquerda decepada, joelho partido; muito tempo havia sido perdido, naquela altura, com certeza, Porfirion já havia enviado alguns de seus insignificantes servos no encalço dele. Mas nada daquilo importaria daqui a alguns minutos, pois Encélado estava prestes a retomar seu antigo poder, que há muito fora tirado dele pelos deuses.

Mais alguns passos, e ele finalmente chegaria à sua antiga casa, a verdadeira nona casa do Santuário, a Grande Casa de Serpentário.

 

-Das trevas para luz, do declínio ao apogeu. Esse mundo verá o resurgimento do verdadeiro deus, todo o esplendor do poder de Odisseu, o último cavaleiro de ouro.

 

Enquanto subia um degrau de cada vez, Encélado percebeu que no chão uma sombra surgia por sobre a dele, uma sombra com o formato de asas.

 

-Esse maldito... Ele não morre?

 

Encélado se vira, já erguendo o pulso, preparando-se para o bloqueio e vê que Karep havia realmente sobrevivido e já estava bem em cima dele.

 Karep usando suas asas dracônicas, girou a espada e a desceu em direção a cabeça de Encélado, mas ele imediatamente se defendeu, empurrando o resurgido cavaleiro para longe no ato.

 

-Já lhe disse Encélado, você nunca chegará a Casa de Ofiúco.

 

-Não cabe a você decidir isso, Libra.

 

-Esta luta já se estendeu de mais. Seu tempo no Santuário já se esgotou.

 

Em um ato inesperado, Karep pousa ao chão e crava sua espada na terra, o que repentinamente cria inúmeras rachaduras no solo, partindo da espada.

 

-Você deve pagar pelos assassinatos que cometeu e essa batalha já se elevou a um nível muito alto. Acabei por perder o controle, falhei em meu propósito.

 

-Você falhou no momento em que cruzou o meu caminho, velho. Cavou a própria cova. E eu acho que dessa vez você gastou o seu último truque não foi?- Disse o Gigas, se referindo a cicatriz que cortava o peito de Karep, onde antes estava o ferimento aberto pela Espada de Astreia.

 

-O que aconteceu com você, Odisseu? Você já foi um homem bom. O melhor de nós.

 

-Eu vi a verdade, Karep. Vi por quem de fato lutávamos. Você por acaso já saiu dos limites do Santuário? Já viu quem são humanos que sua deusa tanto defende? São selvagens, a escoria do mundo. São movidos por ganância e vaidade. Matam uns aos outros por motivos fúteis e mesquinhos, as vezes por prazer.

 Cansei de lutar, dar o meu sangue e ver amigos morrerem por esses vermes irracionais.

 Não estou do lado de Porfirion se é o que acha, na verdade não estou do lado de ninguém. Os deuses falharam na criação do homem, Karep. Não tenho poder para recomeçar, mas posso reparar o erro. Venha comigo, lute ao meu lado, Karep. Derrubaremos os deuses desse mundo de seus tronos sórdidos e colocaremos a humanidade nos trilhos, vamos remontar a civilização, dessa vez da forma certa.

 

-Você está louco, Odisseu.

 

-É loucura querer melhorar o mundo? Nossos poderes unidos, serão capazes de milagres. Pense no que podemos fazer. Um novo mundo, uma segunda chance para a humanidade. Limparemos a superfície da Terra, preservaremos apenas os bons e retos de conduta, serão poucos, eu sei, mas o suficiente para criar uma nova civilização. Livre de deuses, corrupção e maldade.

 

-Não... Não, Odisseu, não pode ser desta forma.

 

-O quê? Não seria justo? –Zombou o homem, referindo-se ao discurso do cavaleiro de Libra. - Eu estou lhe dando uma última chance, cavaleiro. Você não terá condições de me parar no futuro.

 

 -O poder o cegou, velho amigo. Isso é muito triste. - Disse ele fechando os olhos demonstrando tristeza.

 

-Não sinta pena de mim, escravo de Athena!- Rosnou Encélado, cuspindo seu sangue negro enquanto gritava.

 

-Não sinto. Nem se eu quisesse eu poderia sentir. Estamos em um julgamento e o réu não pode ser digno de pena.

 

-O quê disse?

 

Imediatamente o espaço ao redor de Encélado é alterado, o mundo se escurece, não era possível ver ou ouvir nada nem ninguém. Por um momento o Gigas temeu ter pedido seus sentidos, já que não podia ouvir o suspirar do vento, muito menos enxergar o chão sob seus pés.

Até que ele ouviu uma voz distante, que parecia ser a mescla de dezenas de vozes, de começo foi impossível para Encélado reconhecer a pessoa ou as pessoas por trás daquela voz:

 

-A CORTE ESTÁ EM SEÇÃO. -Disseram as vozes em uníssono.

 

No exato instante o mundo de trevas onde o Gigas estava foi alterado. Em sua frente uma gigantesca mesa se elevou, maior do que tudo que ele já havia visto, sete homens vestindo robes se sentavam atrás daquela mesa, era impossível para Encélado identificar o rosto daqueles homens de mais de 80 metros de altura pois todos estavam com as faces escondidas pelas trevas, exceto o sujeito sentado no centro, Karep.

 

Olhando ao seu redor, Encélado viu que o local exato onde estava havia sido alterado também, agora o Gigas estava sobre um dos pratos de uma balança gigante, o símbolo principal da constelação de Libra.

 

-Para onde me trouxe?!- Gritou Encélado.

 

-Você está sobre os pratos da balança de Libra. - Comentou a forma gigante de Karep.- A balança do julgamento divino.

 

-O que é isso? Por acaso é uma técnica ilusória?

 

-Sinto em decepciona-lo. Mas não. As Balanças do Juízo ficam em um plano distante da existência. E só podem ser alcançadas por um libriano quando o mesmo alcança um estado superior ao sétimo sentido. Você já não está mais na Terra, Odisseu.

 

-Quem são esses?- Disse Encélado se referindo aos homens mascarados.

 

-São cavaleiros de Libra. Aqueles que defenderam a Sétima Casa antes de mim. Suas presenças foram invocadas por mim utilizando a Espada de Astreia.

 

-Por qual motivo me trouxe até aqui?

 

-É aqui que seus atos terão fim. Seu julgamento será realizado e a pena aplicada. Seus poderes são de um incrível nível de destrutibilidade, Odisseu. Mesmo sem um de seus punhos, mante-lo na Terra seria condenar a todos.

 

-Me leve de volta, covarde. Agora!

 

Encélado, o guerreiro revelado como sendo o antigo cavaleiro Odisseu de Serpentário, tenta recorrer ao seu cosmo, mas algo de inesperado acontece. Ele se sente impotente, suas forças não se fazem presentes.

Involuntariamente, o gigante cai de joelhos diante de seus julgadores.

 

-O que está acontecendo?-Disse ele, olhando para a mão que lhe restara, sem poder conjurar seus trovões.

 

-Você não tem poder aqui, Encélado. A dimensão foi construída com a intenção de reprimir os poderes do réu. Foi o primeiro Santo de Libra que deu forma a ela. Consegue conceber a grandeza do poder de alguém que cria dimensões?

 

-Você gosta de contar historias, não é? Isso é só um lugar escuro com uma balança gigante e um bando de fantasmas. Nada de mais. Já vi um dos subordinados de Porfirion fazer coisas maiores. Damios, mas ele era um fraco.

 

-Você despreza de mais o poder dos cavaleiros.

 

-Não se esqueça de que eu já fui um de vocês. Esse tipo de coisa não me assusta mais.

 

-Comece logo o julgamento, Mestre Karep. Sabe que não podemos manter ele aqui por muito tempo. - Comentou impaciente, o homem que ficava a direita de Karep.

 

-Um julgamento a essa altura seria perda de tempo e energia. As ações deste homem já chegaram ao Olimpo.  Caso deseja evitar um conflito ainda maior para o Santuário, deve condena-lo de uma vez, Mestre. - Disse outro dos homens misteriosos.

 

-Em meu entendimento, Mestre Karep...

 

-CHEGA!-Ruge Encélado.

 

Um tremor atinge a Dimensão do Julgamento. Por um momento, as imagens dos antigos cavaleiros de Libra desaparecem no ar, para logo retornarem.

 

-O que significa isso?-Gritou um dos homens.

 

-Por um instante fui desgarrado deste plano. - Disse outro, assustado.

 

-Foi ele. Este homem é diferente. - Disse outro antigo cavaleiro, enquanto Encélado se contorcia de dor no chão, rangendo os dentes.- Ele conseguiu queimar seu cosmo aqui, mas isso deveria ser impossível!

 

-Nós o subestimamos...

 

-Não há mais tempo, Mestre Karep. Ele deve ser condenado.

 

-Não.

 

-O que disse Karep?

 

-Por mais maligno que esse homem seja. Não posso condena-lo sem um julgamento justo.

 

-Julgamento?! Você por acaso enlouqueceu? Kawica não desfez da própria alma para que você hesitasse agora. Queime esta criatura de uma vez!

 

-Como é? O que diabos Kawica fez?

 

- Ele fez o que fez porque confiou em você, Karep. Ele sabia que iria fazer o certo quando chegasse a hora. Não o decepcione. Não pode poupar esse ser da condenação que ele merece.

 

-Não é assim que deve ser.  Isso não seria de acordo com nosso código.

 

-AAAAARGH.

 

Encélado, ainda caído ao chão, libera mais um grito de fúria, estremecendo mais uma vez a dimensão de Karep.

Mas dessa vez, o santo de Libra agiu. Enquanto soltava o seu rosnar, correntes douradas surgiram ao redor do corpo do Gigas e o prenderam em um forte abraço.

 

-Sabe que isso não o deterá por muito tempo não é?-Comentou um dos antigos cavaleiros.

 

-Sei, mas me dará tempo para pensar.

 

-Pensar? Você está se mostrando um tolo covarde, Karep. Por acaso nos invocou aqui para conversar com ele? Você sabe que gastou muita energia trazendo ele até aqui, um julgamento necessitaria de ainda mais poder. Algo que você já não tem depois de tanta luta.

 

-Lutamos pela justiça, Mestre Armin. Lembre-se do juramento.

 

- Então por que não o leva de volta a Terra e termina sua luta contra ele? É obvio o porquê. Na última vez Kawica teve que interferir senão você já estaria morto. Você esta se tornando uma vergonha para todos nós.

 

-Mestre Armin...-Disse outra voz, tentando interver.-Está passando dos limites.

 

-Escute bem, Karep. Ou você sentencia essa criatura de uma vez por todas, ou tomaremos o controle deste conselho e da Espada de Astreia. Sabe que temos poder para isto.

 

Enquanto que os librianos iniciam uma turbulenta discussão, Encélado começa a se contorcer com movimentos cada vez mais intensos. Até que a atenção de um dos mestres é atraída para uma luz forte que nascia do centro da sala. Uma luz quente e brilhante, semelhante a uma grande fornalha acessa.

 

O corpo de Encélado havia sido tomado por chamas alaranjadas, que surpreendentemente não queimavam sua pele, apenas pareciam aquecer as correntes de Ouro.

O Gigas soltava uma mescla bizarra de gritos de dor e risadas assustadoras enquanto suas correntes já começavam a ser derretidas.

 

-TOLOS!- Bradou o gigante, erguendo-se do chão, com os olhos e a boca tomados pelo fogo. - Nem mesmo aqui vocês podem me parar!

 

-Mestre Karep... -Disse um dos homens esperando uma ação do Cavaleiro de Libra.

 

-Como ele pode estar conseguindo queimar o cosmo nessa dimensão?

 

-O ódio de vocês me alimenta!- Gritou o Gigas, descontrolado feito um demônio, agora com os braços livres. - Acham que aqui vocês são deuses? Vou mostrar a verdadeira extensão dos meus poderes. O poder de Encélado, O Gigante da Fúria!

 

-Queime-o, Karep. - Ordenou aquele que atendia pelo nome de Armin.-Queime-o agor...

 

Mas Encélado foi mais rápido. Reuniu um tórrido fogo na mão, mais quente que o magma, mais incandescente que o interior de uma estrela, e o disparou como um raio na direção dos homens gigantes, derrubando dois que estavam no lado direito de Karep de uma vez só.

Ele não parou fogo também foi disparado do que restava de seu outro braço, derrubando mais espectros. E enquanto ria descontroladamente, mais um disparo de fogo brotou de seu corpo, desse vez de seu peito.

 

Os antigos cavaleiros eram derrubados um por um e com isso Karep não conseguia mais sentir suas presenças. De alguma forma, Encélado estava banindo o espírito dos homens daquele plano.

Karep precisava agir, a cada cavaleiro derrotado, sua conexão com a dimensão ficava mais frágil, já que dependia do cosmo deles para mantê-la.  Seu plano de levar o Gigas para o julgamento no Conselho de Libra não havia funcionado, com isso, só lhe restava uma opção.

 

Em meio aos gritos de Encélado e dos antigos cavaleiros de Libra, Karep levantou-se de seu trono e disse:

 

-O julgamento foi finalizado. Está condenado a pena máxima. Sua alma não será poupada, criatura. -Ele estende os braços ao minúsculo Gigas. - JUIZO FINAL.

Imediatamente, as chamas de Encélado se esfriam, até que desaparecem. Em seguida, o Gigas leva a mão a cabeça como se sentisse a pior enxaqueca de sua vida e então o homem cai de joelhos.  Instantaneamente, um circulo formado por inscrições místicas é formado no chão ao redor de Odisseu. As letras na língua estranha, eram escritas por uma tinta dourada que brilhava tão quanto uma constelação do zodíaco. Logo em seguida uma torrente de chamas douradas é formada no chão sob os pés de Encelado e sobe, alcançando o céu vazio da dimensão.

É possível ouvir o grito de dor de Odisseu em meio ao urro estrondoso das chamas místicas de Karep.

-Esse é o Fogo de Dice. Você foi um adversário formidável, Encélado. - Dizia Karep, enquanto os gritos do Gigas em meio ao fogo dourado se mantinham firmes.- O mundo nunca viu alguém como você.

Mas então, uma grande explosão ocorre. Vinda de dentro para fora da torre de chamas douradas, ela traz um novo terremoto para a Dimensão do Julgamento. O fogo místico assume uma nova coloração vibrante: vermelho sangue.

-Essas chamas mornas...

Mesmo atrás da grande mesa, Karep pôde ver o que acontecia.  A base da torre de fogo era rasgada por uma mão humana, que nem parecia se importar com as queimaduras. A mão abria passagem de dentro da torre, como se abrisse uma simples cortina. E de dentro daquela cortina de fogo e destruição, um corpo desfigurado e irreconhecível saiu.

-Acha mesmo que esse fogo frio pode me parar?- Nenhum fio de cabelo havia restado em seu corpo, sua pele estava em carne viva e em alguns pontos carbonizada, com alguns pedaços desprendidos e fundidos a Couraça, da qual não havia restado muito e o que havia sobrado, estava em ruínas. - Não é muito inteligente usar uma técnica do elemento fogo contra alguém que o domina, não é mesmo? Deixa eu te ensinar o que é calor de verdade.

Com os seus gritos e gemidos de dor, Encélado milagrosamente reúne mais uma vez seu cosmo de fogo e estende sua mão decrépita para Karep, que rapidamente:

-ISON.

Um flash de luz cegante, e logo tudo havia mudado.

-ROSNAR FLAMEJANTE.

A bola de fogo disparada por Encélado acerta uma pilastra partida no chão. Sem que o Gigas percebesse, Karep os havia transportado de volta para o mundo normal.

-Justo. Você não poderia lutar contra mim, se me mantivesse naquela dimensão. Não é tão poderoso a ponto de sozinho manter aquele mundo em pé e ainda usar uma de suas técnicas. Não é tão burro quanto pensei.  Mas está na hora de terminar, não acha?

Karep reaparece, vindo de trás de Encélado, trazendo a Espada de Astreia nas mãos, agora, com sua lâmina trincada, e se posiciona a frente de seu inimigo.

-Tirou as palavras da minha boca. -Disse o já extenuado Cavaleiro de Libra.

A batalha havia sido dura para ambos até aqui. É claro que os danos estavam mais visíveis em Encélado agora, já que seu corpo havia sido destruído pelo Juízo Final de Karep. Mas o lemuriano também tinha seus ferimentos pelo corpo, fora as trincas em sua tão adorada armadura de Ouro.

 

-Você foi um adversário em tanto. Nunca enfrentei alguém como você, Karep. E preciso ser sincero, ao termino deste combate, independentemente do resultado, para mim foi honra lutar até aqui.

-Minhas palavras de antes estão mantidas. - Karep embainha a Krínoume, a Espada de Astreia. - Tenho certeza que essa batalha será lembrada até a última das gerações.

-Quero que saiba que minhas intenções não são más. Meu objetivo desde o começo é salvar a humanidade. Tudo o que fiz, eu sei, não foram coisas boas, mas foram pelos homens.

-Posso enxergar isso em você, Encélado. Mas seus métodos são desesperados. Essa matança que você planeja, não trará nada além de mais sofrimento para todos. Olhe para você, Odisseu. Veja o que se tornou.

-Em alguns momentos, penso que talvez tenha errado em algumas escolhas. Mas então percebo que o que fiz foi necessário. O mundo está doente, Karep. E se eu tenho o poder necessário em minhas mãos, então... Cabe a mim salvá-lo.

-Compreendo... Você já se distanciou de mais de nós, Odisseu. Seus pensamentos e sentimentos estão distorcidos. Não há retorno do ponto de onde está. O Santuário está prestes a dar adeus ao maior Cavaleiro que já pisou nesta terra.

Encélado abre um sorriso:

-Isso já aconteceu antes, Karep. Não sou digno desse titulo já faz muito tempo. Sei o que fiz, não vou mentir para mim mesmo, dizendo que sou um homem bom. Aqueles doze cavaleiros não tinham culpa de seguir uma líder cega. Eram apenas jovens de coração esperançoso. Sei como pensavam, já fui um deles uma vez.

Vou te fazer um último pedido, Karep de Libra: Deixe-me passar. Eu estive me segurando toda a luta, mas já chega. Se eu usar o meu último golpe, não só você, mas todo o Santuário irá pelos ares.

 Pense, nós dois já estamos cansados e feridos de mais. Eu sinto a dor me atacando em cada centímetro do meu corpo. Você já usou tudo o que podia.

Karep, você já não tem nada a provar. Você é um homem bom e justo, é fiel a sua deusa e ao Santuário. E por isso deve me deixar passar.

 

-Sabe que não posso. Como você mesmo disse, sabe o que se passa dentro de um cavaleiro. Posso já estar aposentado, mas quando visto esta armadura, sinto o mesmo sentimento de quando a vesti pela primeira vez. Sinto que sou um cavaleiro de Athena, que vivo para lutar pelo amor e pela justiça. E que lutarei até que a última faísca da minha vida se apague. Protegerei esta terra e sua gente até o meu último suspiro e sempre levarei comigo as memórias e sonhos dos meus companheiros que já se foram.

Faço isso, pois sou um Cavaleiro do Zodíaco e esse é o meu destino!

 

Uma onda de poder é invocada por Karep, envolvendo seu corpo e aquecendo todo o espaço ao seu redor. Imediatamente as partes de armadura que protegiam o seu tronco se desprenderam, deixando o seu peitoral a mostra, enquanto seu cosmo esverdeado circundava seu corpo.

 

 -Assim não me deixa escolhas, Karep.

 

E assim Encélado posiciona o corpo a frente, finalmente invocando toda a plenitude de seu poder sem temer a inevitável destruição de seu corpo atual.

 

-Você está selando o destino do Santuário, Karep. Não há mais volta! NADA FICARÁ EM MEU CAMINHO. TERMINAREI O QUE COMECEI NAQUELA NOITE.

 

Enquanto isso, do outro lado do campo de batalha, Karep parecia fazer o mesmo, queimando a maior quantidade de cosmo que já havia queimado em toda sua vida como cavaleiro.

 

-NÃO PENSE QUE ME ESQUECI DOS DOZE CAVALEIROS QUE ASSASSINOU! FAREI JUSTIÇA!

 

Esse foi o momento.

A quantidade de cosmo manipulada por ambos foi tanta, que uma alteração na realidade foi sentida a quilômetros de distância do Santuário.

Desde Athenas até Belgrado na Sérvia. A terra tremeu tanto na Macedônia quanto na Bulgária. Ondas gigantes foram vistas na Albânia e na costa de Montenegro também. Pássaros que migravam perderam o sentido de direção na Itália.

Nesse momento, não apenas o Santuário, mas toda a Grécia estava sob as trevas. O céu estava escuro, trovões cortavam violentamente o teto do mundo a cada segundo, enquanto um vento poderosíssimo assoprava e anunciava a chegada de uma tempestade. Talvez a última que a Grécia veria.

O poder daqueles dois seres era imensurável.

 

-Isso acaba agora!-Gritou Encélado enquanto seu cosmo mudava de cor, assumindo um brilho dourado.

 

Karep fechou os olhos e assim suas memórias foram acessadas automaticamente. Ele viajou anos de volta ao passado em poucos segundos. Viu a primeira vez que vestiu uma armadura, sua primeira batalha, reviveu os dias da Guerra Santa contra Hades quando lutou ao lado de Kawica de Áries, relembrou os seus primeiros dias como Mestre do Santuário e o tempo que treinou Arthur de Dragão até o momento em que lhe entregou uma das espadas de Libra para o jovem.

Lembrou-se de todas as gerações de cavaleiros que viu passar e de como cada uma delas haviam o moldado para ser o homem que ele é hoje.

E no fim, viu-se em um campo aberto. Uma campina verde que se estendia além de onde sua vista alcançava. Uma leve brisa fresca corria, enquanto o por do sol tingia o céu de laranja.

Karep olhou ao redor e encontrou sobre uma pequena elevação de terra, uma única árvore que crescia em todo o campo e reunidos de baixo dela estavam onze homens. Eram os cavaleiros de Ouro da última geração, aqueles que haviam sido derrotados por Encélado.

Logo ao identificarem Karep, os cavaleiros que vestiam suas armaduras completas se aproximaram do homem e um por um o cumprimentaram. Os cavaleiros de Áries e Touro foram os primeiros, logo depois Gêmeos e Leão e assim por diante. Até chegarem Nanqui de Aquário e Lebis de Peixes os dois últimos a serem mortos.

 

-Todos vocês... estão aqui.- Disse o Mestre do Santuário tentando conter as lágrimas.

 

-Sentimos muito mestre. - Disse Lebis.- Nós falhamos em nosso dever naquela noite. Tudo isso é culpa nossa.

 

-Não. Lutaram até o fim. Protegeram e  cumpriram seu dever como cavaleiro. Mesmo contra um adversário mais poderoso, vocês não se deram por vencidos.

 Alguns de vocês deixaram aprendizes na Terra. Tenho certeza que os cavaleiros carregarão seus legados com eles, eles já se despediram de vocês, mas vosso legado nunca será esquecido. Me orgulho de dizer que cairei no mesmo terreno onde heróis como vocês caíram. Hoje não somos apenas cavaleiros, somos irmãos.

 

Todos os Santos de Ouro que ali estavam se aproximam de Karep e pousam suas mãos sobre os ombros do cavaleiro e Nanqui de Aquário diz:

 

-Estamos juntos com o senhor, mestre. Aqui, no fim…

 

Karep reabre os olhos e enxerga Encélado estendendo as mãos abertas em sua direção.

O Libra respira fundo e diz em seu subconsciente:

 

Juntos... no fim”.

 

E escuta o som de um forte trovão cortar o céu para logo depois ouvir Encélado conjurando sozinho a técnica proibida:

 

-EXCLAMAÇÃO DE ATHENA!

 

A famosa técnica banida pela deusa da sabedoria que muitos diziam ter o poder destrutivo do Big Bang havia sido invocada.

Na teoria seria necessária a presença de três cavaleiros de Ouro para reproduzirem esta técnica, já que a quantidade de cosmo necessário era colossal, mas Encélado parecia não se importar muito com teorias e usou todo o seu poder para conjura-la.

 

Aquele disparo de uma pura e poderosíssima energia cruzava aquele curto espaço entre os dois guerreiros com uma velocidade absurda, e para bloquea-la e equilibrar o combate uma última vez, Karep de Libra precisava de uma técnica a altura.

 

Ele estendeu a mão e automaticamente sentiu seu cosmo sendo potencializado por uma força exterior. Sentiu-se como o homem mais poderoso da Terra, porque naquele momento corria sobre o seu corpo o poder de onze cavaleiros de Ouro.

 

-RUJA COSMO. ESTÁ NA HORA DE UM MILAGRE! CLAMOR DO ZODÍACO.

 

O Cosmo unificado de Karep e de mais onze cavaleiros dourados disparou-se com força total em direção ao raio dourado lançado por Encélado.

Os raios de poder se chocaram, criando uma imensa esfera de energia no momento do contato.

Karep olhou ao redor, e enquanto transferia todas as suas forças para manter firme a sua técnica, percebeu que o espaço ao seu redor estava começando a deixar de existir.

O alcance de sua visão parecia ter diminuído, pois não conseguia discernir o que se passava além de quatro metros de onde estava, tudo posterior a isso parecia ter sido engolido pelo Sol, já que Karep enxergava apenas o vazio tingido áureo.

Os pisos no chão e as ruínas a sua volta, não eram apenas destruídas e partidas, eram pulverizadas. Desapareciam no ar, minimizadas a pequenos grãos de poeira que por sua vez se desfaziam em níveis atômicos.

Para o Mestre do Santuário, o mundo já não tinha som, nem cheiro ou cor. Por um momento ele até mesmo se esqueceu de onde estava, uma vez que até o céu parecia ter deixado de existir, coberto por uma cortina branca.

 

 -Ao jovens cavaleiros que aqui permanecerem, deixo Athena em suas mãos. Deposito em vocês a minha fé. Pois parece que chegou a hora desse velho cavaleiro deixar o combate... Não posso mentir, valeu a pena.

 

 

Os olhos de Karep correm pela superfície de seus braços e nesse mesmo momento seu corpo começa a ser desfeito. Sua pele desprendia-se em forme de pequenas e finas escamas que em seguida eram levadas pelo vento.

Seus olhos se escurecem, e ele então os fecha, fazendo lágrimas rolarem por sua face e seguida um sorriso se abre em seu rosto.

 

Nesse momento, já sem forças para resistir mais, o corpo de Karep é imediatamente partido e fragmentado em milhões de minúsculos estilhaços e sem surpresas o mesmo acontecia com o que havia restado do deteriorado corpo de Encélado.

O fim havia chegado para aquelas duas lendas.

 

+

+

+

 

Ainda de mãos erguidas, Raghu de Pavão estava prestes a chegar ao seu limite.

A Supernova de fogo não crescia mais, porém se mantinha firme sobre à Casa de Libra, até que algo aconteceu.

Um estrondoso som de explosão invadiu os ouvidos do cavaleiro de prata, imediatamente a esfera de fogo a sua frente diminuiu de tamanho, reduzindo-se rapidamente até deixar de existir.

Raghu abaixou os braços, permitindo-se um momento de alivio, uma pausa para respirar. Até que a aparente fonte do som ensurdecedor captado pelo cavaleiro se revelou: Um véu de energia dourada medindo mais de trinta metros atropelava e aniquilava tudo em seu caminho.

 

Sem ponderar, Raghu virou-se para seus parceiros e gritou:

 

-Golias, Ismael, venham para cá agora!

 

Sem pensar duas vezes, a dupla de cavaleiros abandonou seus respectivos combates que travavam contra os servos de Porfirion e correrem em direção a Raghu. O Pavão ergueu os braços novamente e de olhos fechados disse:

 

-KAHN!

 

E mostrando sua velocidade absurda, a cortina de energia chegou até o local onde os cavaleiros estavam atravessando a Casa de Virgem.

Vendo o campo de força esférico que Raghu havia criado ao redor deles, Ismael olhou em volta e viu os inimigos que antes enfrentava sendo reduzidos a pó com a chegada da explosão e se surpreendeu com a força de seu companheiro que conseguia manter aquele escudo de cosmo-energia em pé, resistindo a todo aquele poder. Ismael estava convencido de que Raghu era um valoroso companheiro.   

 

A explosão finalmente se dissipa.

Raghu abaixa seu escudo e logo suas pernas bambeiam. Muita energia havia sido gasta para bloquear tamanho poder destrutivo. Mas antes mesmo do cavaleiro despencar ao chão, a imensa mão de Golias de Hercules o ampara.

 

-Você está bem, Raghu? E o que houve com o seu cabelo?

 

Golias se referia a tonalidade esbranquiçada assumida pelos cabelos de Raghu de Pavão, talvez proveniente do desmedido esforço realizado pelo cavaleiro de prata, para manter sua barreira.

 

-Sim, só um pouco cansado. -Disse ele, esforçando-se para se repor de pé.

 

-Então é melhor que abra os olhos. Vai querer ver isso.

 

-Prefiro continuar assim. Elevarei meu cosmo se poupar um dos meus sentidos. Ganesha me guiará.

 

-Não sobrou nada dessa vez, Raghu. - Disse Ismael em profunda tristeza.-O Santuário se foi.

 

O rastro de destruição havia varrido a extensão das Doze Casas quase que por completa.  Somado ao céu negro que era cortado incessantemente por trovões, aquele ambiente remetia muito a um cenário de fim de guerra. Onde nada sobra, a não ser ruínas.

Desde próximo ao cume do monte, onde estava a Casa de Peixes, até o local da Casa de Gêmeos, nada havia restado. Apenas uma terra cinza e sem vida, cravejada por entulho proveniente da estrutura dos Templos Zodiacais.  

 

-O que faremos?- Disse Ismael de Baleia, caindo de joelhos no chão de terra. - Ele nos tirou tudo dessa vez.

Mesmo de olhos fechados, os sentidos do Cavaleio de Pavão captavam tudo. Raghu podia sentir qualquer coisa ao seu redor, e nesse momento notou uma perturbação no cosmo de Ismael de Baleia, muito parecida com a qual ele havia demonstrado quando estavam prestes a chegar a Casa de Câncer.

Ele então constatou que isso sempre acontecia quando o cavaleiro tinha explosões de emoção. Durante o discurso de mais cedo: bravura, determinação, esperança e até o revanchismo. E agora o mundo de Ismael havia virado de ponta cabeça. Seu interior estava cheio de ódio e frustração.

 

-Deve se acalmar, Ismael. - Disse o Pavão.

 

-Não me diga o que fazer. Vou dizer para você o que deveríamos ter feito. - Disse enfurecido, o Cavaleiro de Baleia levantando-se do chão. -  Devíamos ter sido mais rápidos! Perdemos tempo na Casa de Virgem.

 

-Não iria fazer diferença nenhuma. Veja o nível que esse combate assumiu. -Argumentou Golias. - Seriamos derrotados em um estalar de dedos.

 

-Mas estaríamos aqui. Lutando e não subindo escadas. Eu morreria feliz ao lado de meus amigos e de nosso mestre.

 

-Seu tipo de pensamento me assusta. Por que chega a esse extremo?

 

-Sendo um cavaleiro, você deveria saber. É em nome de Athena.

 

O dia havia se tornado noite. As nuvens do céu estavam cada vez mais densas e escurecidas e a chuva parecia cada vez mais próxima.

O trio de cavaleiros esforçou-se e subiu a montanha por mais alguns minutos, até que finalmente chegaram ao marco zero da explosão que destruiu as Doze Casas. Uma grande cratera de mais de dez metros de profundidade e quinze de diâmetro ocupava o local.

 

-Foi aqui que aconteceu a luta. -Comentou Golias.

 

-Onde ela encontrou seu fim, na verdade. -Corrigiu Raghu.

 

Foi no momento em que de dentro da cratera um pequeno ponto luminoso surgiu. Ele voou e saiu do buraco, iluminando por onde passava com sua fraca luz e parou centímetros do trio. Era um pequeno vagalume com seu tórax cintilando uma luz dourada.

Ele permaneceu ali por alguns segundos, até que partiu, batendo suas asas em direção ao céu.

 

Permanecendo-se privado do sentido da visão, Raghu revelou:

 

-Amigos, este foi o cosmo de Karep despedindo-se de nós. 

 

Nesse exato instante uma nova saraivada de violentos trovões se iniciou. Mas desta vez era diferente. Dezenas roncavam no céu a cada segundo.

Percebendo a nova mudança no tempo, os cavaleiros elevaram seus olhares para o céu e perceberam algo novo.

 

A cada raio que iluminava o céu, era possível ver silhuetas por de trás das nuvens. Sombras humanas de um tamanho titânico que duelavam nos céus.

Para os cavaleiros no chão a luta se desenrola em flashes, já que apenas a luz criada pelos raios possibilitava a visão do combate.  A cada trovão um novo golpe era desferido.

 

-O que são essas sombras em meio as nuvens?- Perguntou Golias.

 

-Eu estava enganado. -Sussurrou Raghu para si mesmo.

 

Até que de repente, a luta e os raios cessaram. O céu se acalmou, mas os corações do trio de prata batiam intensamente. Um pressentimento ruim invadia seus espíritos naquele momento.

Foi então que um único relâmpago cortou o céu, partindo o horizonte precisamente no meio e se chocou contra o solo a uma boa distância a frente do local onde antes estava a Casa de Escorpião.

A chuva finalmente se inicia.

Em meio aquele rigoroso temporal, os cavaleiros sentiam seus corpos sendo atingidos pelas frias gotas de água, que começavam a parecer mais com agulhas graças a força com que caíam, e já estavam convencidos que aquela não era uma chuva comum.

 

Em seguida um novo tremor atinge o Santuário. As rochas soltas começam a trepidar sobre o chão já barrento, até mesmo o trio parecia se esforçar para manter o equilíbrio e continuar de pé.

 

Metros adiante do local onde estavam, no exato lugar da queda do relâmpago, uma estrutura começa a surgir da terra. Abrindo um novo buraco no chão, a construção parecia estar viva e erguia-se de meio a lama, rochas e água, porém mesmo assim parecia não se degradar. 

A edificação de arquitetura grega tinha mais de quinze metros de altura e como se é comum nesse estilo de construção, sua entrada era ornada com colunas de pedra branca. As pilastras sustentavam a grande ombreira da porta, onde um símbolo havia sido marcado, o cajado de Asclépio. Mas o que mais chamava a atenção dos cavaleiros naquela estrutura eram as duas grandes estatuas postas uma de frente para outra. Duas serpentes de pedra que pareciam guardar a entrada do edifício que se assemelhava muito a uma:

 

-Casa do Zodíaco?-Perguntou Golias de Hercules para seus companheiros. - É uma Casa escondida?

 

-Temo que sim. - Disse Ismael. - Sabe do que se trata, Raghu?

 

-Tem grandes semelhanças com uma descrição que li uma vez nos arquivos secretos de meu mestre. A história contava sobre uma Casa oculta, encoberta pela terra e esquecida pelo tempo, que apenas seria trazida de volta a luz quando seu guardião retornasse.

 

-Um décimo terceiro cavaleiro de Ouro?

 

-Correto. Um lendário guerreiro, afastado de sua armadura e expulso da Terra pelos deuses. Um Cavaleiro de Ouro que detinha um poder divino e que era adorado pela humanidade, tão quanto um deus.

 E isso incomodava muito habitantes do Olimpo, sendo assim eles decidiram darem um fim no deus mortal.

Mas o guerreiro não abandonaria seus poderes sem lutar, então usou de sua influência sobre a humanidade e sobre o Santuário e desafiou seus inimigos a uma guerra. Homens contra homens, irmãos contra irmãos, cavaleiros contra cavaleiros.

No fim o guerreiro lendário foi traído por alguns dos cavaleiros de Ouro que o apoiavam e diziam serem seus amigos, e ele foi derrotado e banido dessa terra.

Seu Templo Zodiacal foi soterrado e escondido, juntamente com sua armadura dourada, com o intuito de apagar seu nome da historia e da memória dos homens. Mas hoje ela retorna a superfície, cumprindo a profecia. Odisseu de Serpentário ressurgiu.   

 

-O que diz essa profecia?

 

-Que em tempos de guerra, desespero, fome e morte. Quando a esperança dos homens se esgotasse e até mesmo os deuses temessem ante a escuridão. A serpente dourada se libertaria de seus grilhões e traria a luz de uma nova era para o mundo.

 

-Não me parece tão ruim assim. -Comentou Golias.

 

-Tente dizer o mesmo após Odisseu iniciar a propagação de sua doutrina pelas nações. No mundo idealizado pelo Serpentário apenas aqueles que o assumirem como seu verdadeiro deus e libertador dessa terra serão poupados. O resto terá sua vida ceifada sem escrúpulos.

Odisseu abomina os deuses, sua arrogância nos tempos antigos o fazia pensar que fosse maior do que eles. Maior até mesmo do que sua deusa, Athena.

Com certeza ele tentará novamente trazer o máximo de cavaleiros para a sua causa e se jogar em uma nova guerra contra os olimpianos. A Terra se tornará um enorme campo de batalha.

Não podemos permitir que isso aconteça. Em hipótese alguma Odisseu pode sair do Santuário.

 

-Okay. -Suspirou Ismael, tentando assimilar tudo o que havia escutado.- Um Cavaleiro de Ouro lendário que tem poderes de um deus. Mais alguma coisa que deveríamos saber?

-Odisseu é o prior de sua própria religião. Sendo assim uma de suas principais armas é a palavra. Fiquem cientes que a todo o momento ele tentará convencê-los e persuadi-los a o seguirem.  A tentação será grande meus amigos, mas lembrem-se de Athena.

 

-Será um bom desafio no fim das contas. - Disse o Cavaleiro de Baleia olhando para seus parceiros.

 

-Talvez o último. Ainda não somos fortes o bastante para esse tipo de coisa. Mas mesmo assim precisamos de um plano. - Disse o grandalhão de Hércules.- Atacar com tudo o que temos só vai nos matar mais rápido.

 

-Eu tenho um, mas não sei se vocês vão gostar. - Anunciou o Pavão.

 

-Acho que não temos escolha, Raghu.

 

-Entramos na Casa e confrontamos Odisseu. Durante o combate vocês tentarão atacar mantendo distancia, pois um golpe dele pode ser mortal. Enquanto vocês ganham tempo, eu queimarei o máximo de meu cosmo e usarei minha técnica suprema nele. 

 

-Acho que pode ser uma boa ideia. - Concordou Ismael.

 

-Há uma grande chance de vocês perderem suas vidas lá, Ismael. - Avisou o Cavaleiro.- Pense com cuidado.

 

-Ele está certo, Raghu. Não temos escolha. Ou é isso, ou Odisseu parte do Santuário sem o mínimo esforço. Eu também apoio a ideia. - Golias põe a mão sobre o ombro de Ismael.- E até porque,  assim podemos realizar o desejo de Ismael:  morrer em um combate ao nosso lado.

 

-Veremos quem cairá primeiro, Golias. - Disse Ismael sorrindo.- Aposto que você não aguentará dez minutos contra o cavaleiro deus!

 

-Pois aposte quanto quiser nanico. Eu Golias de Hércules. - Disse enquanto batia no peito. - Serei o cavaleiro que mais dará trabalho pra esse dourado traidor. Ele vai ter que queimar muito o cosmo para me eliminar. E é bom que Nylí de Sagitário não esteja assistindo isso lá no Campos Elísios. Ou então vai ficar bem desapontado com o aprendiz. “Derrotado logo no começo da luta? Foi pra esse cara que eu deixei a minha armadura?”

-Quem você está chamando de nanico, seu armário de elefante?!

Ouvir aqueles dois zombando e debochando um do outro antes do combate mais importante que teriam em toda vida, fez Raghu de Pavão pensar que a Terra estava realmente perdida. Aqueles dois palermas realmente não estavam prontos para um combate do nível que os estava esperando. Não serviriam nem como iscas, como era planejado. Morreriam em poucos minutos

Mas e se ele estivesse errado? Assumindo uma nova perspectiva, Raghu entendeu o que os dois cavaleiros faziam. Eles estavam tão angustiados e apavorados com o que viria a seguir que precisavam de uma forma de amenizar a preocupação, mesmo já sabendo do fim inevitável que os esperava. Ismael e Golias pareciam ser do tipo de pessoas que veem a morte, olham em seus olhos e sorriem para ela. Naquela hora, em seus prováveis últimos momentos de vida, Raghu começou a acreditar que aquele era um bom jeito de ver toda a situação.  

 

-Seus inúteis! Não comecem a brigar aqui. É melhor guardarem bastante energia para quando forem servir de brinquedo para Odisseu.

 

Os dois cavaleiros suspenderam por um momento a disputa de insultos e se surpreenderam por ouvir algo daquele tipo saindo da boca do sempre sério Raghu.

 

-Raghu?

 

-Não quero ter que catar seus restos logo aqui, em meio a esse temporal.  Agora vamos! Temos um cavaleiro traidor para derrotar.

 

+

+

+

A subida até a Casa de Serpentário foi cansativa. Pouco das pedras que formavam as escadarias havia restado. Por isso os cavaleiros se esforçavam para passar pelos grandes bolsões de lama que ocupavam o caminho, enquanto ainda tinham que desviar dos recorrentes deslizamentos de terra que estavam empenhados em derrubar o trio.

Golias carregava em suas costas o Cavaleiro de Pavão que continuava privado de sua vista, enquanto Ismael ia a frente do grupo usando seu cosmo de vez em quando para afastar possíveis ameaças. Os cabelos levemente cacheados de Ismael já estavam ensopados com o contato persistente da forte chuva fria, e isso prejudicava muito sua visão, até que finalmente ele viu:

 

-Ali!- Gritou o Cavaleiro para seus amigos que subiam logo atrás. - Nós chegamos. A Casa está logo a frente.

 

Ismael logo se dirigiu a entrada da Casa de Serpentário, observando o que podia de seu interior enquanto aguardava seus amigos.

-Chegamos Raghu. - Avisou Golias levando o Pavão de volta ao chão.

-Já posso sentir um cosmo poderosíssimo vindo do interior desta casa. - Revelou o Pavão.

-Então vamos. Não podemos deixar nosso amigo esperando. - Disse Ismael de Baleia já correndo para o interior da Casa.

Por dentro, a Casa de Serpentário apresentava-se não muito diferente de uma Casa Zodiacal qualquer.  Acompanhando o caminho seguido pelos cavaleiros, um largo tapete dourado percorria os pisos esbranquiçados até o pé de um altar de mármore no extremo da Casa. Seguindo o tapete, haviam meias colunas de sete metros de altura esculpidas de uma pedra de aparência vulcânica que sustentavam piras de bronze acesas por chamas azuladas. O altar branco no fim da sala era um formato piramidal, cada um dos quatro degraus que mediam por volta de um metro de altura, eram marcados por desenhos de serpentes aterrorizantes.

Porém o que mais chamava a atenção de quem entrava na Casa de Serpentário, era o que estava sobre o altar das cobras.

Uma armadura de Ouro completa. A mais brilhante que o trio já havia visto.

Desde suas ombreiras duplas levemente elevadas para se assemelharem com presas, passando pelo peitoral e as manoplas, ambas protegidas com um pequeno escudo, até as partes que protegiam suas pernas, todo o conjunto era decorado com pequenas marcas em prata. Tudo para embelezar ainda mais a armadura sagrada. De trás seu elmo em formato da cabeça de uma serpente de chifres.  Uma estrutura prolongada semelhante a uma cauda surgia e se estendia o suficiente para aparecer à frente da armadura. E ainda, vistosas asas brotavam de suas costas.

Para completar, a armadura trazia em uma das mãos um grande cetro em um formato de uma cobra alada.

 

Admirados com a beleza da armadura, os cavaleiros desaceleraram a corrida, mas mesmo assim mantiveram-se atentos.

Até que uma voz se manifestou:

 

-Bem vindos meus filhos.

 

-O quê?- Exclamou Ismael quando pensou que a voz que ouvira estava sendo emitida pela armadura vazia de Serpentário.

 

-Vocês são os primeiros a me encontrarem após meu renascimento. Sintam-se honrados.

 

-Quem é você? Mostre-se! - Gritou Golias.

 

-Ora pequenino. Posso ser chamado por muitos nomes. Krishina, Iavé, Allah, Marduque, Rá... Encélado. Tudo depende do seu ponto de vista.

 

-Você é só mais um que pensa ser Deus. O mundo está cheio de pessoas como você.

 

-Oh não meu cavaleiro... Você está enganado. – Disse Odisseu com sua voz serena. -O mundo nunca viu alguém como eu.

 

A Casa de Serpentário estremece e Raghu, o mais sensitivo do trio de prata, sente uma enorme Cosmo-energia se acumulando no exato local da Armadura de Ouro.

Até que o interior da armadura é ocupado por uma sombra, que parecia muito mais tangível e corpórea do que um espírito comum. Dedos de trevas se entrelaçam no cetro de ouro e um par de olhos completamente vermelhos e brilhantes aparecem na altura do rosto.

 

-Chegou a hora. –Disse Raghu.

 

-Meus filhos, a nova era ira se iniciar. Acompanhem-me nesta jornada, ajudem-me a salvar a humanidade. – Disse Odisseu de Serpentário com um tom quase apostólico, dando os primeiros passos para sair do altar. - Sinto em seus corações um fogo ardente que só pode ser avivado pela justiça e pelo amor.   O mundo de hoje perdeu estes valores, mas juntos, traremos a luz para todos.

 

-Seu discurso é bonito. Mas qual será o preço a ser pago para acompanha-lo nessa jornada?- Perguntou Ismael, já esperando uma resposta desequilibrada e violenta.

 

-Seu orgulho, minha criança. Vaidade, egoísmo, medo e seu ódio. Deixe tudo isso para trás e assim caminhará lado a lado comigo na estrada.

 

-Você mente. -Afirmou Ismael, ainda um pouco desconcertado com a resposta de Odisseu.- Sinto isso em você.

 

-O quê você sente meu filho, são os efeitos da semente maligna plantada em sua mente. Os deuses desse mundo e seus intuitos malignos corromperam toda a criação. Sua arrogância e prepotência acabaram por jogar a humanidade nas trevas. Os homens não podem se submeter a caprichos de deuses não perfeitos. Criaturas fracas que não ao menos são dignas de serem chamadas de divindades.

 

-Então você retornou por nós? Por todos nós?

 

Percebendo a mudança de atitude por parte de Ismael, Golias de Hércules dá alguns passos a frente, ficando lado a lado de seu amigo e diz:

 

-Ismael, lembre-se do que falamos.

 

-Sim, eu retornei a esta terra porquê amo a humanidade e não posso permitir que sofram mais nas mãos opressivas e impiedosas dos deuses.

Mas não trarei paz para o nosso tempo sozinho. Preciso de poderosos guerreiros ao meu lado. Homens corajosos que estão aptos a lutar e a desafiar o reinado arbitrário dos olimpianos. Aqueles que se voluntariarem receberão uma parcela de meu poder divino tornando-se meus profetas, prontos a levarem meus ensinamentos a todo o mundo.

 

-Eu… -Ponderou Ismael.- Ainda acredito que está mentindo.

 

Odisseu calmamente dá mais alguns passos, se aproximando cada vez mais do trio de prata.

 

-O que seu coração lhe diz, jovem cavaleiro?

 

-Meu coração?- Murmurou Ismael parecendo estar com os pensamentos em conflito.

 

-Ismael não o ouça. Lembre-se de quem você é e o que faz você vestir essa armadura- Aconselhou Golias já assumindo sua posição de luta.

 

-Não o ouça, Ismael. - Cortou Odisseu, assumindo rapidamente um tom agressivo.- Pense no tanto de sofrimento que você já viu desde que nasceu, em quantas vezes você já disse adeus para uma pessoa que amava, quantas vezes um amigo seu caiu em combate e agora pense em quantas dessas vezes você foi aparado por um deus? Sua deusa no mínimo sabe o seu nome? Eles não se importam com você, Ismael. Mas eu sim meu filho. Agora me diga o que seu coração lhe diz?

 

-Meu coração…

 

Ouvindo toda a conversa e sentindo o cosmo de Ismael elevar-se de uma maneira anormal, Raghu sussurrou na direção de Golias:

 

-Prepare-se para a luta, Hércules. Nosso amigo caiu na armadilha da serpente.

 

Mas algo inesperado aconteceu. A aura azul que o corpo de Ismael emanava parecia não parar de crescer. E então o cavaleiro quebrou o silêncio.

 

-Meu coração me mostra a verdade, Serpentário. Ele me lembra que sou um cavaleiro de Athena. Defensor da paz e da justiça na Terra e que nunca serei corrompido por suas falsas promessas. Sei do seu verdadeiro propósito e como guardião da paz escolhido pela deusa da sabedoria, nunca permitirei que saia desta casa!

 

-Os tempos passam, mas a trupe de seguidores de Athena contínua com sua insolência. Ingratos…

 

-Chega!- Gritou Ismael disparando com velocidade em direção a Odisseu. - Acabarei com isso de uma vez. CANHÃO DA TORRENTE.

 

O corajoso cavaleiro de Baleia enche seu punho com seu poderoso cosmo e salta preparando um potente soco contra o rosto de Odisseu. Porém sem saber de onde, Ismael sente um forte impacto que o arremessa a metros de distância, fazendo-o voltar ao seu ponto de origem.

 

Ismael tenta se levantar e ao mesmo tempo diz:

 

-O... O quê aconteceu? Ele parece ter um campo de força ao redor de si.

 

-Vamos por o plano em prática. - Avisou Golias.- Comece o que você tem que começar Raghu. Vamos ganhar tempo.

 

-Entendido. - Disse o aprendiz do Cavaleiro de Virgem, já se sentando no chão em posição de Lótus e iniciando seus mantras.

 

Golias olhou nos olhos de Ismael, oferecendo uma das mãos para auxiliar o cavaleiro a se levantar:

 

-Demonstrou muita audácia e honradez, nanico. Estou orgulhoso.

 

Ismael segurou a mão do grandalhão, usando-a como apoio e diz:

 

-Não que eu me importe muito com o que os armários de elefante pensam sobre mim, mas obrigado. - Os dois se viram de frente para Odisseu, o adversário invencível e assumem suas posturas de combate.- Pronto para morrer?

 

-Estou desde que assumi esta armadura. -Brincou Golias.

 

Os dois partem em velocidade, cada um deles explodindo o universo que habitava em seus interiores e queimaram sua cosmo energia para usar seus golpes.

 

Ismael com seu:

 

-CANHÃO DA TORRENTE. - O golpe favorito do cavaleiro. Um soco poderosíssimo cuja força fora aumentada dez mil vezes pelo uso do cosmo.

 

E Golias usando:

 

-PRESAS DEVASTADORAS DE ERIMANTO. - Ambos os braços de Golias são revestidos por uma aura avermelhada e quando finalmente interrompe sua corrida, o gigante cruza os braços e as auras são disparadas como rajadas de cosmo em direção a Odisseu.

 

Ao se aproximar do Serpentário, Ismael salta novamente, mas mais uma vez é abatido antes mesmo de completar o golpe. Dessa vez ele é jogado para um dos cantos da Casa e nem ao menos teve a oportunidade de ver os golpes de Golias falhando também.

 

O escolhido de Hércules não desanima e retoma a corrida. Reunindo forças para se por de pé, Ismael observa o amigo concentrando cosmo nos punhos e objetivando um ataque corpo a corpo.

Golias se aproxima e lança um soco direto usando o braço direito, porém em um piscar de olhos, Odisseu desloca-se para de trás do cavaleiro e com ainda mais velocidade, a estrutura semelhante a uma cauda em seu elmo se movimenta e desfere um poderoso golpe contra as costas de Golias, enterrando o homem no chão com imensa força.

 

Então era isso. Odisseu não tinha um campo de força, na verdade sua velocidade era tanta que ficava impossível para os cavaleiros enxergarem seus movimentos defensivos. Mas por qual razão Ismael havia conseguido visualizar o movimento dessa vez? Algo estava diferente dentro do Cavaleiro de Baleia, mas não era hora de reclamar. Ele precisa agir.

 

-Seus ataques são inúteis contra mim. Se eu quisesse já estariam mortos. - Revelou Odisseu.

 

Não será possível acerta-lo com um golpe comum. Só uma técnica de velocidade equivalente terá chances.”- Maquinou Ismael. ”Preciso ser mais forte.”

 

Com o corpo iluminado por sua aura e o coração em brasa, clamando por justiça. O cavaleiro de Baleia se ergueu do chão, determinado a confrontar o lendário Cavaleiro de Serpentário.

 

Enquanto meditava, Raghu percebeu novamente uma desarmonia na Cosmo-energia do Cavaleiro de Baleia. Ele parecia estar reunindo o máximo de seus poderes naquele momento.

Mestre, o que será que se passa no interior de Ismael?”- Disse Raghu em seus pensamentos.

 

O Cavaleiro de Baleia parte em extrema velocidade, potencializando sua agilidade com ajuda de sua Cosmo-energia. Cara a cara com Odisseu, Ismael disparava um soco atrás do outro, todos visando o rosto do cavaleiro de Ouro lendário.

Direita, esquerda, direita, esquerda. Aqueles eram os golpes mais rápidos de toda a vida de Ismael.  Porém mesmo assim ainda não estavam a altura da velocidade do Serpentário.

Odisseu era tão rápido que seus movimentos nem ao menos podiam ser vistos, ele apenas desaparecia e reaparecia fora do alcance do soco desferido. Mas mesmo assim Ismael não se deva por vencido, movimentava-se também em grande velocidade, tentando acompanhar o inimigo.

 

-Ótimo. - Dizia a voz serena de Odisseu enquanto desviava dos golpes sem esforço.- Ótimo meu filho. Sua fúria está incrementando seus poderes.

 

-Calado maldito!-Urrou Ismael, enquanto a sequência de seus golpes seguia ininterrupta e cada vez mais rápida.

 

-Mas ainda tem muito o que aprender.

 

Com sua velocidade incrível, confundindo-se com a da luz, Odisseu desvia de mais um soco e usa sua cauda metálica para desferir um violento golpe de baixo para cima contra Ismael. O Cavaleiro protegido pela constelação de Baleia voa pela Casa de Serpentário formando uma parábola e deixando um rastro de sangue e estilhaços de armadura pelo ar.

 

-Tolo. - Disse Odisseu quando o corpo de Ismael enterrou-se no piso de pedra.- Está partindo o meu coração o que você está me forçando fazer. Não quero mata-lo cavaleiro. Sinto um grande potencial em você.

 

-Ele é um cavaleiro de Athena, idiota. - Gritou Golias que havia retornado ao combate. O cavaleiro ressurgira acima do Serpentário, saltando a uma enorme altura- Assim como eu. MARTELO ESMAGADOR TITÂNICO.

 

Golias gira no ar, apontando o corpo em direção ao chão e ergue o punho, durante a queda, uma grande quantidade de sua energia cósmica se acumula em sua mão. Golias parecia um míssil cortando o céu, indo em direção a Odisseu.

 

Os cavaleiros de prata pareciam lutar com o máximo de seus poderes. Estavam alcançando um nível que nunca haviam alcançado. Mas ainda não era o bastante.

Golias choca-se contra o alvo e imediatamente uma explosão de energia elétrica é liberada. Em meio a mistura de poeira e fumaça, Golias ergue-se do buraco criado por sua técnica e olha em volta procurando por Odisseu.

 

O desgraçado é rápido de mais.”- Pensou o cavaleiro.

 

A nuvem se dissipa e imediatamente a cauda de Serpentário lança-se na direção de Golias feito um chicote de um carrasco, cortando o ar rápido como um bote de uma serpente.

 

Golias no mesmo instante salta para fora do buraco e vê a cauda furando o solo com toda força. Porém sem delongas, o cavaleiro se espanta mais uma vez com a incrível velocidade de seu adversário:

 

-Abra os olhos, criança.

 

Surpreendendo o Hércules, o Cavaleiro de Serpentário havia reaparecido por detrás de Golias. Ele então gira o seu cetro dourado e rebate o cavaleiro de Prata para longe.

 

Mesmo grandalhão e corpulento e o cavaleiro de Hércules era ágil. Assumiu o controle sobre seu corpo e antes mesmo de se chocar contra um dos pedestais que sustentavam as piras, levou uma das mãos ao chão e deslizou pelo piso, para logo em seguida se levantar.

 

-Esse é o poder dos cavaleiros de Athena de hoje em dia? Que decepção. - Disse Odisseu.

 

-Até agora você também não parece tão poderoso quanto dizem. –Debochou Golias com um sorriso no rosto.

 

-Ora, então deixe-me mostrar mais uma pequena porcentagem de meus poderes. Tente acompanhar meus movimentos, sorridente cavaleiro de Prata.

 

Em meio a um flash de luz, Odisseu desaparece do local. Golias olha em volta. Aflito, o cavaleiro de Hércules não sabia o que esperar.  O que estaria acontecendo? Qual seria o próximo movimento de Odisseu?

Até que uma dor pungente o atacou. Seu corpo parecia estar sendo pisoteado por manada de rinocerontes e no mesmo instante uma explosão de luz despontou do lado esquerdo de seu peito, rasgando carne, roupa e armadura. Em seguida outras irrupções de luz eclodiram, dessa vez vindas de suas costas, pernas, braços e abdômen. De onde os feixes de luz dourada brotavam sua armadura esverdeada era destroçada e partida. Até que por fim seu capacete explodiu em estilhaços e a cabeça careca de Golias ficou a mostra.

Sem esboçar muitas reações, o cavaleiro de Hercules apenas liberava leves de grunhidos de agonia enquanto seus olhos assumiam uma terrível expressão de espanto.

Agora com o que restara de sua armadura infestada por grandes crateras, Golias despenca de cara no chão. Ele havia sido derrotado.

 

Com um novo flash de luz, Odisseu reaparece de pé próximo ao corpo de Golias.

 

-Aprenda insolente. O cosmo sempre definirá o resultado da batalha. Com um cosmo frio e ridículo desses, você nunca chegaria nem aos meus pés.

 

-Maldito! O que foi que fez?- Era Ismael, ele havia recobrado a consciência e ainda tomava forças para se por de pé. - Golias, me ouça. Levante-se meu amigo, ainda preciso de você para derrotar esse desgraçado.

 

Mas o cavaleiro de Hércules não movia um músculo. Ismael temia o pior.

 

-Diga alguma coisa seu imbecil!

 

-Ele não pode te responder, Baleia.

 

-Você o matou. Eu nunca o perdoarei!

 

-Não, ele não está morto ainda. Na verdade, meus golpes na velocidade da luz removeram todos os seus cinco sentidos. Golias está cego, surdo e mudo, mas não morto. Mas não acredito que sua vida durará por mais que um minuto.

 

Ismael reuniu as forças que sobravam nas pernas e se levantou. Sua armadura de Prata estava com algumas rachaduras e Ismael já não usava sua tiara.

Ele cerrou bem os punhos e disse:

 

-Eu juro por todas as estrelas do céu, que farei o meu máximo para derrota-lo. Faço essa promessa por Athena e por meus amigos. Você não sairá do Santuário, desgraçado!

 

-Apenas um milagre para me impedir, Ismael. - Disse Odisseu com sua voz serena habitual.

 

-Athena está comigo.

 

-Veremos até quando manterá esse pensamento. – Disse o cavaleiro lendário com seu corpo envolvido pela aura dourada de seu cosmo.

 

Ismael saltou a frente, ganhando terreno para depois correr em direção ao Serpentário. Agora com o corpo aquecido por sua aura pujante, Ismael investe com agressividade para cima de Odisseu e recomeça sua sucessão de golpes. O cavaleiro de Prata de Baleia dispara um soco com o punho, porém como um raio, Odisseu recua, fazendo Ismael acertar o vazio. Não se dando por vencido, o Prata rapidamente eleva seu cosmo e salta para disparar um forte chute cruzado com a perna direita na altura do rosto de Odisseu. Porém o golpe é bloqueado no último instante pelo escudo esquerdo do Serpentário. 

 

Finalmente, eu o atingi!”-Vibrou Ismael em seus pensamentos. ”Não posso parar agora.”

 

Ele ainda no ar, gira o corpo e desfere mais um golpe, dessa vez usando o calcanhar da perna esquerda, e para sua felicidade, acerta com tudo a cabeça do Serpentário.

 

Ismael retorna ao chão e inflamado pelo contentamento de finalmente ter acertado um golpe em cheio em Odisseu, ele não se segura e queima seu cosmo já partindo para um novo ataque:

 

-Sinta o poder da constelação de Cetus!  CANHÃO DA TORRENTE.

 

Seu punho brilha em azul e agora com sua força potencializada dez mil vezes, ele dispara um soco que...

 

-Deixe-me explicar uma coisa, criança. Sou eu quem dita o ritmo dessa luta. Você é apenas um treino para mim, uma forma de aquecer meus recém-recuperados poderes. Como eu disse, se eu quisesse você já estaria morto.

 

O extremamente poderoso golpe de Ismael de Baleia, havia sido bloqueado por Odisseu, que usara apenas uma mão para parar o golpe.

 

-Im... Impossível.

 

-Já estou cansado disso. Eu ofereci a você parte de meu poder, mas por orgulho você rejeitou. Você tinha muito potencial, Ismael. Me entristece ter de fazer isso.

 

Odisseu convoca sua cauda de metal, com a intenção de atravessar o peito de Ismael, porém havia algo de errado. A cauda não respondia aos seus comandos. O Serpentário olha por cima dos ombros e vê algo que o surpreende.

 

-Como isso pode ser possível? Eu removi seus cinco sentidos!

 

Era Golias de Hercules. O homem estava de pé, agarrado com todas as forças a estrutura de Ouro.  O cavaleiro de armadura morta eleva a cabeça, revelando seus olhos esbranquiçados devido a cegueira e libera um de seus famosos sorrisinhos debochados.

 

-Maldito, eu vou reduzir seu corpo a poeira!-Gritou Odisseu saindo de seu tom sereno.

 

-Terá que passar por mim primeiro!- Ainda com uma das mãos presas, o cavaleiro de Baleia reúne sua energia no punho esquerdo e dispara um forte soco contra o abdômen do Serpentário, tendo como resultado apenas o som do impacto entre sua mão e a chapa de oricalco que protegia o corpo de Odisseu.

 

-Está tentando me fazer rir, cavaleiro?- Diz Odisseu se virando novamente para Ismael ao mesmo tempo em que libera um golpe no rosto do cavaleiro usando seu cetro, arremessando Ismael a metros de distância, que se choca contra uma das meias colunas.

 

Em seguida, Odisseu se vira para Golias, então a parte prolongada de seu elmo se movimenta para cima e depois para baixo como chicote, fazendo o Cavaleiro de Hércules beijar o solo, sendo jogado como um boneco.

 

Como o corpo ferido e cheio de hematomas, Golias de Hercules se levanta do chão mais uma vez com os punhos erguidos.

 

-Pobre coitado. Mesmo sem os sentidos, não sabe a hora de parar de lutar. Sua persistência é algo admirável, porém não há espaço para seres fracos como você em minhas fileiras. – Odisseu aponta o cetro em direção a Golias e os olhos da serpente dourada na ponta da arma se iluminam. - Pense que sua vida não foi em vão cavaleiro. Lutou bravamente, Athena ficaria orgulhosa.

 

Ismael se apressa. Ele se levantou rapidamente, ignorando as dores trazidas pelo combate contra Odisseu, e queimou seu cosmo para correr o mais rápido que podia em direção ao Serpentário.  Mas já era tarde.

 

-OLHAR DA PENITÊNCIA.

 

Os olhos da serpente alcançam seu brilho máximo e instantaneamente, sem dar tempo para que Golias demonstrasse dor, o Cavaleiro de Prata é petrificado. Transformando-se em uma estátua de pedra.

Não parecendo o bastante, Odisseu movimenta sua cauda de ouro e usando-a como uma lança, atravessa o peito de Golias, destruindo por completo corpo petrificado do Cavaleiro.

 

Agora chegando ao fim dos seus mantras, Raghu identifica uma mudança no espaço ao seu redor: O primeiro de seus amigos havia sido derrotado.

 

Golias se tornará uma gigante estrela agora. Sua proteção sobre nós vira do céu daqui por diante. Adeus meu amigo, Adeus Golias de Hércules. Parta em paz gigante esmeraldino”.

 

-Não!

 

Não podendo acreditar no que via, Ismael de Baleia cai de joelhos no chão da Casa de Ofiúco.  Sem poder conter as lágrimas de raiva e luto, o Cavaleiro grita para seu inimigo:

 

-Covarde! Como pode fazer isso?! Ele já estava sem os sentidos e você o matou dessa forma desleal.

 

-Ele morreu sem sentir dor, Ismael. - Disse o Serpentário ainda de costas para o Prata.- Foi mais do que ele mereceu. Por que está tão preocupado com aquele fraco?

 

-Era meu amigo... Meu melhor amigo.

 

-Você não deveria se envolver com cavaleiros como ele.  Aquele homem sujava o nome dos Cavaleiros de Prata, era fraco de mais até para vestir uma armadura. É graças a cavaleiros como ele que o Santuário está em ruínas agora.

 

Ismael de Baleia se mantinha em silêncio, ainda joelhado ao chão. Seu ódio era tanto que o mundo ao redor do cavaleiro se escureceu. Ismael apenas enxergava a Odisseu a sua frente e todos os pensamentos que corriam em sua mente era relacionados a tramar uma forma de atingir o Serpentário. 

Sua respiração se tornou intensa como a de um animal selvagem, o coração batia a mil, os dentes rangiam e até os músculos se enrijeceram. Seus olhos assumiram um brilho dourado e a aura de seu cosmo cresceu tanto que parecia atingir o teto da Casa de Serpentário.

 

Sentindo o calor extremo criado pelo Cosmo do amigo, Raghu rezou:

 

Que os deuses nos ajudem.”

 

E então, Ismael de Baleia se ergue do chão e solta um grito enfurecido que pareceu avivar ainda mais sua Cosmo-energia, pois nesse exato momento sua própria armadura se partiu, parecendo não aguentar o imenso poder que o cavaleiro liberava.

 

Observando tudo de longe, Odisseu de Serpentário sussurrava:

 

-Ótimo, criança. Ótimo. Desperte todo o seu poder. Alcance o estado máximo de seu cosmo.

 

-AAAAAARGH. ENSINAREI VOCÊ A RESPEITAR OS CAVALEIROS DE ATHENA!- Nesse momento a gigantesca aura que o Cavaleiro de Prata emanava se tornou dourada e no céu a constelação de Sagitário brilhou mais do que nunca, abençoando Ismael.

 

Ismael despertou o Sétimo sentido. Que poder mais incrível.”-Espantou-se Raghu de Pavão.

 

Ismael de Baleia queimou o máximo de seu Cosmo, concentrando toda a energia criada no punho erguido e gritou:

 

-Por Athena e por Golias. RELÂMPAGO DE PLASMA!

 

Um golpe digno de um Cavaleiro de Ouro. Ensinado por seu mestre, Ismael nunca havia atingido a perfeição dessa técnica, ele nunca havia alcançado a velocidade da luz. Até agora.

Ele então aponta o punho na direção do Serpentário e dispara milhares de imperceptíveis golpes na velocidade da luz, que ao entrarem no campo de alcance de Odisseu assumem a forma de feixes de luz que entrecruzam o campo de batalha. Subindo, descendo, indo para direita e esquerda, cortando tanto na diagonal, vertical e horizontal. Ricocheteando para todos os lados. 

 

Odisseu desaparece mais uma vez por meio de seus flashes de luz. Ainda que o calor de seu Cosmo estivesse um pouco reduzido após o uso do Relâmpago de Plasma, Ismael se mantinha atento a todo momento durante a dança mortal de seus feixes de luz.

Mesmo com seu golpes viajando na velocidade da luz, Odisseu ainda detinha uma velocidade quase instantânea. Ele imaginava que o Serpentário havia atingido o máximo de sua velocidade novamente para tentar desviar das flechas de luz, mas mesmo com tamanha rapidez, havia muitas flechas para se desviar. 

                                                                                                                                 

-Agora te peguei, desgraçado. - Dizia o confiante Cavaleiro de Baleia.

 

O Relâmpago cessa. Logo em seguida Odisseu reaparece no campo de batalha. Sempre trazendo um misto de deslumbramento e apreensão para aqueles que dividem espaço com ele.

 

-Mesmo com o Sétimo Sentido desperto, sua técnica foi lenta de mais cavaleiro.

 

Porém, nesse exato de instante um estalo foi escutado. Ele havia sido emitido pela Armadura de Serpentário. Mais precisamente de seu elmo. No alto do capacete, entre os chifres, uma rachadura havia sido aberta por uma das flechas de luz. De imediato a fenda se alonga, cortando a face do elmo no meio.

 O peso da cauda de ouro puxa o capacete para trás, abrindo o elmo em duas partes e deixando a cabeça de Odisseu desprotegida.

 

A sombra que ocupava a Armadura de Serpentário cerra os olhos brilhantes e diz:

 

-Já chega. Tentei se benevolente com você Ismael, mas agora você foi longe de mais. Danificou a Armadura Sagrada.

 

Mesmo estando desprotegido e com o torso exposto, Ismael não se abatia. Posicionou-se para o combate, elevando o Cosmo. Enquanto olhava por cima do ombro buscando Raghu, ele pensou:

 

Cederei para você meus últimos minutos, Raghu. Se aprece.”

 

 

Odisseu estende sua mão aberta em direção ao Cavaleiro de Prata, ela então é coberta por uma aura avermelhada tendo pequenos discos de energia na ponta de seus dedos. Em seguida o Serpentário diz:

 

-Chegou sua hora, Ismael! EXTINÇÃO CARMIM DE RASALHAGUE.

 

Uma grande quantidade de Cosmo se acumula na mão de Odisseu que logo o dispara na forma de milhares de longas e finas agulhas de energia rubra.

As agulhas viajam pelo espaço numa velocidade acima da luz e se teletransportam, reaparecendo a poucos centímetros diante de Ismael, sem deixar chances para o que Cavaleiro possa desviar.

 

Todas as agulhas atingem Ismael, perfurando o seu corpo em vários pontos. O Cavaleiro de Baleia é novamente jogado ao chão, sentindo uma dor imensurável tomar o seu corpo.

O jovem olha para o seu corpo, já todo arranhado e lesionado devido ao duro combate, e percebe que os lugares atingidos pelas agulhas de Odisseu, estavam marcados por pontos avermelhados.

 

-O... O que fez comigo?- Gaguejou Ismael, sofrendo com a dor pungente.

 

Ainda com os dedos cintilando em vermelho, Odisseu se aproximou dizendo calmamente:

 

-Percebi que eu estava enganado. Você ainda não esta pronto para ser meu servo. Talvez nunca esteja. Ainda lhe falta algo, mas não sei o que é.

 

-Eu nun.. ca serviria a alguém como você. –Grunhiu o Prata, já perdendo as forças.

 

-Acho que já sei. É petulante, arrogante. Acha que é alguém, mesmo estando em minha presença. Você nunca teria espaço em minhas fileiras, Ismael. E sabe por quê? Vou lhe dizer. –Odisseu retorna ao seu tom de voz agressivo e assustador e diz. -Porque você não é nada mais do que um inseto. Um verme que só está vivo até agora pela minha graça.

 

 Odisseu se aproxima e aproveitando que Ismael está se remoendo de dor, caído no chão, ele então pisa em seu rosto, afundando a cabeça do Cavaleiro no piso de pedra. E continua dizendo:

 

-Esse é o seu lugar, Ismael. É o lugar de todos vocês, humanos e deuses. De baixo do meu pé.

 

O Cavaleiro Lendário então se afasta, dando dois passos para trás e diz:

 

-Mas mesmo assim. Mesmo você não tendo espaço em minhas tropas, atribuirei uma função a você. Esses pontos vermelhos em seu corpo criados pela minha técnica criam uma conexão entre nós. Sua função, minha criança, será a mais honrada de todas. Você dará a sua vida para reconstruir o meu corpo.

 

Com o rosto coberto por rochas e com as forças se esvaindo, Ismael não conseguia nem ao menos mexer um dedo.

 

-Sinta-se orgulhoso.

 

Odisseu então fecha a mão a qual os dedos ainda estavam envolvidos pela aura rubra de sua técnica e imediatamente os pontos no corpo de Ismael brilham em um tom cintilante, fazendo o Cavaleiro se remexer no chão devido a dor.

 

-Isso meu filho. Está indo muito bem, suas forças me serão muito úteis.

 

Enquanto Odisseu falava, seu corpo de sombras começava a ser transformado. Onde antes apenas havia trevas e vazio, agora era ocupado por ossos e músculos. Em alguns pontos pele já podia ser vista. O que acontecia é que, além de causar uma dor fulminante, a Extinção Carmim de Rasalhage usada por Odisseu criava um vinculo inquebrável entre o usuário e o alvo, que drenava as forças do atingido até que não restasse nenhum resquício de vida e transferia para Odisseu.

O único jeito de Ismael de Baleia se livrar da técnica era com a morte.

 

-Estamos quase no fim, Ismael. -Dizia Odisseu de Serpentário com o corpo praticamente completo, até mesmo seus longos cabelos prateados haviam retornado.

 

Mesmo estando extremamente enfraquecido e com os sentidos falhando, Ismael tentava elevar seus pensamentos a Athena e a seus amigos, despedindo-se enquanto ainda podia.

Em seguida, já sentindo o manto da morte caindo sobre seu corpo, o cavaleiro procurou guiar sua mente ate a de Raghu, que ainda reunia o máximo que podia de seu Cosmo no começo da Casa.

 

Raghu, me perdoe, mas meu corpo já não aguenta mais. Espero que Golias e eu tenhamos cumprido o nosso dever... Adeus meu amigo.”

 

-Você lutou bravamente, Ismael. Tenho certeza que Nylí de Sagitário está orgulhoso de sua incrível evolução.

 

É a voz de Raghu de Pavão! Ele finalmente terminou sua meditação.”

 

Ismael estava certo. Raghu havia encerrado suas rezas e agora estava de pé a poucos metros do Cavaleiro de Serpentário.

Odisseu se vira para o Cavaleiro de Pavão, revelando sua nova aparência.

Raghu nunca havia se encontrado com o Gigante da Fúria, pois senão perceberia a incrível semelhança entre Encélado e Odisseu. O Serpentário apenas se distinguia graças aos cabelos: longos e esbranquiçados.

 

-E então o terceiro Cavaleiro de Prata decide se juntar a luta. Aparentemente é um covarde, deixou os amigos serem derrotados e nem ao menos ergueu um dedo.

 

-Tudo foi planejado.

 

-As mortes deles também?

 

-Sabíamos dos riscos.

 

-É claro. Diga isso a Ismael quando você o encontrar no Mundo dos Mortos. - Ele então novamente fecha bem forte a mão e ergue a outra apontando-a para Raghu.- EXTINÇÃO...

Raghu imediatamente abre os olhos que permaneciam fechados desde a Casa de Virgem e libera uma explosão de Cosmo luminoso.

Além de momentaneamente cego, Odisseu é jogado para trás pela onda de força, separando-se de seu cetro.

 

Com o sentido da visão retomada, Raghu não demora muito e queima todo o seu Cosmo concentrado, acumulando uma quantidade de energia semelhante a criada por uma estrela em suas mãos e diz:

 

-RENDIÇÃO DIVINA.

 

Partindo das mãos de Raghu uma onda de energia destrutiva é criada. Ela se expande em uma forma cônica, indo em direção a Odisseu de Serpentário que já se recolocava de pé.

O poderosíssimo disparo de cosmo atinge seu alvo, criando uma explosão tão colossal que derruba a parede que estava por detrás de Odisseu e abre um grande rombo no teto.

 

Aproveitando o momento, Raghu imediatamente corre para socorrer Ismael.

A parte superior de seu corpo já não era mais protegida por sua armadura, o que facilitou para o Pavão notar os pontos criados por Odisseu.

 

-Preciso remover isso. - Disse Raghu para si mesmo,olhando para o corpo ferido e maltratado em seu colo.

 

-É impossível. - Revelou Odisseu, saindo de meio a poeira criada pela queda do teto.- A vida de Ismael me pertence agora. Os poucos resquícios de sua alma servem apenas para me proverem força.

 

Odisseu parecia não ter sofrido um único arranhão, igualmente sua armadura, brilhante e majestosa como sempre.

 

-Maldito. Seu corpo já está completo, por qual razão não o liberta dessa maldição?

 

-Ismael me negou. Negou todo o poder que ofereci, negou um lugar de prestígio ao meu lado. Ele já não merece mais meu perdão.

 

-Ismael é um herói. Um título que nunca serei digno de receber. Ele lutou até o fim pela deusa e pelo mundo. Não deixarei que morra aqui.

 

-A vida dele pode ser ceifada por mim com um único movimento. O que você pode fazer para me impedir?

 

-Ismael... Ele é capaz de fazer coisas inacreditáveis. Ele terá um futuro grandioso, na verdade, posso sentir que só teremos um futuro graças a ele. É uma equação simples, a vida dele vale muito mais que a minha. Meu poder é incomparável com o que ele pode fazer. - Raghu põe delicadamente Ismael de volta no chão e se levanta, respirando fundo ele diz- Leve-me com você.

 

-O quê?

 

-Serei o seu servo se concordar em poupar a vida deste cavaleiro.

 

Surpreso com o que ouvia, Odisseu sorriu e disse:

 

-Seja bem vindo ao lar minha criança. Aproxime-se e ajoelhe-se perante o seu novo senhor.

 

Raghu olhou uma última vez para o desacordado Ismael, e caminhou bem lentamente em direção a Odisseu. A cada passo que dava, uma parte da Armadura de Pavão se desprendia de seu corpo. Começando pelas ombreiras, em seguida as manoplas e as caneleiras, logo depois o cinturão e o peitoral e por último a diadema. A Armadura de Prata de Pavão estava abandonando Raghu, desprezando suas escolhas.

O ex-cavaleiro se aproximou e ajoelhou-se diante do Serpentário, para dizer:

 

-Suas ordens, meu senhor.

 

Odisseu então estende o braço para direita e imediatamente o seu cajado voa em sua direção, retornando a sua mão.

O Serpentário aponta os olhos da cobra dourada em seu cetro para Raghu e diz:

 

-Primeiro erga-se.

 

Raghu se levanta e juntamente a esse movimento, magicamente uma nova armadura surge sobre seu corpo. O metal reluzia, tingido por um verde água brilhante. A armadura era toda ornada por traços dourados, que desenham seu peitoral, cinturão e cobriam as bordas das ombreiras e os punhos das manoplas. Sua diadema era tão brilhante quanto o resto da armadura e para completar ainda tinha uma joia azul no centro.

Em conjunto, Raghu sentiu seu corpo sendo tomado por um imenso poder, diferente de tudo o que ele já havia sentido. Ele sentia que dezenas de universos explodiam em seu interior. Por último, seus olhos também mudaram de cor, assumindo a mesma coloração de sua armadura: verde.

 

-Você agora se torna um de meus Profetas. Irá a cada uma das potências desse mundo, até os locais mais populosos, em cada grande templo da Terra e anunciará o meu retorno. Dirá a todos que quiserem ouvir, que o deus verdadeiro retornou. Proclame as massas que o dia pelo qual todos ansiavam, chegou. Fará isso, Raghu de Mántis?

 

-Sim, meu senhor. -Afirmou Raghu curvando a cabeça.

 

-Muito bem. Agora está na hora de partimos.

 

Dando as costas ao seu parceiro caído, Raghu andou lado a lado com Odisseu de Serpentário, renegando a deusa Athena e seu juramento como cavaleiro.

 

Mortalmente ferido e sem forças para se levantar do chão, Ismael desperta por um momento e ergue um pouco a cabeça, observando seu amigo partindo da Casa de Ofiuco, ele se esforça para dizer:

 

-Ra... Raghu...espere.

 

Mas não aguenta e desfalece novamente.

 

[+ + +]

 

 

-Eu retornei meu magnânimo Senhor dos Oceanos. - Apresentou-se ajoelhando diante de seu rei, a criatura esquisita conhecida como Dante de Lmynades.

 

-Não me recordo de ter requisitado sua presença em meu templo.

 

Disse o deus dos mares. O grande Poseidon se encontrava vestindo sua Escama completa e trazia em suas mãos seu sagrado tridente. Poseidon mantinha-se de pé em frente a sua arma. De olhos fechados, ele se concentrava para queimar o máximo de seu cosmo divino no intuito de assegurar que os portais no templo do Pilar do Atlântico Sul se mantivessem abertos para que os cavaleiros e os generais pudessem atravessa-los.

 

-Na verdade, Vossa Alteza. - Começou dizendo o General, com seu já conhecido tom de voz ardilosamente cortês.- Estou aqui para lhe entregar isto.

 

Os olhos de Poseidon se abriram e logo identificaram o que Dante trazia nas mãos.

 

-A Lança de Vihaan. Você a recuperou. -Disse ele em um tom de surpresa.

 

-Sim mestre. Perdoe-me por fazê-lo esperar pelo retorno da arma do falecido General de Chrysaor. Acredito que isso reavive a esperança nos corações de nossos homens. É intolerável que um artefato tão poderoso como este caia em mãos perversas.

 

-Eu enviei Midorikawa de Dragão-Marinho para recuperar a lança. Onde ele está?-Questionou o deus dos mares.

 

-Sim, Sim. O Dragão-Marinho. - Disse Dante balançando a cabeça demonstrando desgosto. - Senhor tenho algo para revelar. Talvez não seja de seu agrado, mas é necessário que ouça. - Disse o General retirando seu elmo, libertando os cabelos semelhantes a algas marinhas. - Temos um traidor em nosso meio.

 

-Como é?-Disse Poseidon com os olhos arregalados

 

Dante se concentrou, esforçando-se para aplicar o máximo de sua magia trapaceira em sua fala e disse:

 

-Mestre, eu segui o General Midorikawa até o Pilar do Atlântico Norte. O homem que derrotara Vihaan estava lá com a lança em punho e também era seguido por um grande número de soldados. O Dragão-Marinho os derrotou facilmente e depois confrontou o líder. O homem, conhecido como Boros de Triângulo das Bermudas, estava prestes a ser assassinado pelas mãos de Midorikawa quando eu intercedi por sua vida e refresquei a memória do Dragão-Marinho sobre a vontade de Vossa Majestade: interrogar o assassino de Vihaan. - Dante parou por um momento, respirando fundo e colocando mais emoção no discurso.- Mas o Dragão-Marinho estava nervoso, e eu não entendia o motivo. Em meio a um grande debate eu interroguei Boros e ele me disse que havia recebido ajuda de um de nós para entrar na Fortaleza Submarina. E este alguém foi Midorikawa de Dragão-Marinho. General do Pilar do Atlântico Norte. 

 

O salão ficou em silêncio por alguns segundos. Poseidon parecia incapacitado para encontrar palavras em sua mente para construir uma simples frase. A confusão em sua mente era tamanha que o deus sentiu uma forte enxaqueca e logo levou a mão a testa e disse:

 

-Sua acusação é muito grave, Lmynades. - Disse Poseidon com um certo pesar na voz, devido ao grande apreço que detinha por Midorikawa.- Existem provas? Onde se encontra esse tal Boros?

 

-Ele está morto senhor. Não sobreviveu aos ferimentos causados pelo Dragão-Marinho.

 

-Mas se Midorikawa é mesmo um traidor, por que ele permitiria que viesse até mim com a lança de Vihaan?

 

-Eu... Eu,não tenho muito orgulho de dizer isso, mas eu fugi do campo de batalha com a lança. Midorikawa provavelmente retornará até Cabo Sunion onde Polibotes está, ou então irá ao encalço de Seiun de Scylla e dos cavaleiros de Athena. O senhor deveria enviar Gunter de Cavalo Marinho para caça-lo. -Sugeriu o nefasto Dante.

 

-Eu não consigo compreender. - Disse Poseidon ainda com os pensamentos confusos.- Por qual motivo Midorikawa faria algo desse tipo? Por que ele trairia todos nós?

 

-A mente de criaturas deste tipo é labiríntica, meu senhor. Nunca entenderemos seus motivos. Acredito que ele pretendia assassina-lo com a lança dourada. Precisamos de uma resposta rápida contra esse traidor. Deseja que eu anuncie as novas ordens a Gunter de Cavalo Marinho?

 

-Não posso disparar ordens cegamente. - Explicou Poseidon, enquanto travava uma batalha interna contra o desarranjo que atacava sua mente.- Preciso de mais provas para poder ultimar o destino do Dragão-Marinho.

 

-Mestre Poseidon. - Disse o Lmynades pondo mais veneno nas palavras enquanto se aproximava do deus em corpo de homem. - O senhor está deixando que o homem que antes habitava este corpo mortal assuma o controle novamente. Precisa ser firme em suas ações. Olhe ao nosso redor, o inimigo já não está mais em nossas portas, ele está aqui dentro, entre nós. Abandone esses sentimentos mundanos. Sei que o senhor salvou a vida de Midorikawa quando ele ainda era um pequeno recém-nascido e o cuidou como um filho, mas pense um pouco. Quando plantamos trigo e nascem ervas daninha, nós as arrancamos fora.

 

-Dante... - Disse o deus de olhos fechado em meio a uma respiração pesada.

 

-Sim?

 

-Deixe a lança e saia de meus aposentos imediatamente. Preciso pensar.

 

-Mas senhor...

 

-SAIA!- Ordenou o deus aquecendo seu cosmo.

 

Enfurecido e frustrado, Dante de Lmynades largou a lança dourada no chão e recolocou o elmo, para em seguida sair do salão do trono real.

 

Do lado de fora, reencontrou-se com o sereno Gunter de Cavalo Marinho que fazia a guarda do Templo.

 

-Saia do meu caminho! - Gritou enraivecido o Lmynades.

 

Gunter virou-se para o outro General e mantendo a compostura disse:

 

-Midorikawa é uma grande pessoa. Crescemos juntos aqui na Fortaleza. - Disse enquanto admirava os Pilares que cortavam o horizonte.- Seria lamentável se um combate entre nós fosse necessário.

 

-Então porque não deita e chora um pouco, Cavalo Marinho? -Debochou o Lmynades com os dentes afiados a mostra.

 

-Porque se meu rei me enviar para derrotar o Dragão, assim o farei. Mas caso as acusações contra o General venham a ser falsas, é a sua cabeça que rolará Lmynades.

 

-Ousa me ameaçar?-Desafiou o Lmynades.

 

-Estou apenas me certificando que sabe das consequências de seus atos. Agora ouça seu rei e suma daqui.

 

+

+

+

 

-Aquele é Pilar do Atlântico Sul. - Apontou Seiun de Scylla que conduzia o sexteto.

 

-Também conhecido como o meu Pilar. - Comentou Anfitrite, felicíssima por apresentar o seu templo aos cavaleiros.

 

O grupo de Marinas havia se organizado em uma formação que protegia as laterais e a frente do trio de cavaleiros. Anfitrite de Sirene e Mayumi de Kraken corriam pelas pontas, enquanto o líder Seiun ia à frente.

 

-Preparem-se cavaleiros, vamos levar vocês até a Sala dos Portais. - Explicou Mayumi. - e mostrar onde vocês devem entrar, dai em diante será com vocês.

 

-Entendido. - Respondeu Suikya de Taça.

 

Foi então que uma grande explosão atacou o sexteto.

Sem que os nossos heróis percebessem sua chegada, uma de explosão de luz cintilou e destruiu parte da estrada por onde eles atravessavam, arremessando-os para longe no processo.

Passada a poeira criada pela destruição, foi possível ver uma esfera de luz dourada de um pouco mais de três metros de altura no exato local da explosão. 

Rapidamente se recompondo, Zum de Pegasus logo se recolocou de pé e se posicionou diante da esfera, pronta para o que viesse a seguir.

 

Após alguns instantes a esfera se desfaz, revelando um novo globo em seu interior, dessa vez de um material muito semelhante ao vidro.

Zum respirou fundo, sentindo a aproximação de Mayumi de Kraken, e viu o interior de vidro se desfazer.

Seu interior guardava um numero considerável de guerreiros, talvez catorze ou quinze, ela não sabia dizer. Todos trajavam armadura e pareciam deter um grande poder.

Mas quem mais chamou a atenção de Zum, era o homem do centro. Vestido de uma desbotada armadura dourada, infestada de cracas e conchas de moluscos, o homem carregava em sua mão um grande garfo de ouro que parecia fazer contraparte ao Tridente de Poseidon. Zum já sabia de quem se tratava.

 

-Polibotes- Murmurou a General de Kraken.

 

Polibotes abriu sua boca, dispersando muita água vinda de seu corpo e disse:

 

-Thunnus, Aya, Antiade e Bargasus. O resto continuará comigo.

 

Em seguida, quatro guerreiros saíram do espaço onde antes estava a esfera de luz. Em seguida, um dos guerreiros que se manteve com Polibotes sacou um rosário de contas douradas e o manejou usando os dedos médios e anelares das mãos, imediatamente o globo de vidro se recompôs e depois sumiu em um flash de luz.

 

-Acho que devemos nos apresentar antes de uma luta. - Disse com um sorriso um dos guerreiros. Assim como todos os outros, sua armadura detinha uma coloração avermelhada. Porém ele se diferenciava dos outros por uma das suas ombreiras, assumir o formato de uma grande carapaça de um caranguejo eremita infestada de espinhos. – Eu me chamo Thunnus de Anomura e...

 

-Não me importa quem vocês são. - Cortou Seiun, reaparecendo no campo. - É melhor que abram passagem.

 

-Isso não foi nem um pouco educado rapaz. - Comentou um dos guerreiros de Polibotes. Dessa vez era o corpulento Bargasus de Polifemo, que trazia em suas mãos um grande martelo de guerra.

 

-Vamos parar com as cordialidades! Quero logo derramar o sangue desses vermes. - Disse o encurvado e baixinho Aya de Camahueto, com o grande, afiado e solitário chifre em sua diadema cintilando com a luz do Sol.

 

-Vamos abrir passagem para vocês cavaleiros. - Explicou Mayumi de Kraken para o reorganizado trio de Athena.

 

-Façam o nosso tempo perdido valer a pena. - Disse Seiun assumindo sua posição de luta diante do grupo de guerreiros a sua frente.

 


Notas Finais


UOU
E ai oq acharam?
Vários mistérios ein?
Pessoal espero q tenham gostado
Peço perdão pela demora
Prometo q a continuaçao desse capitulo não demora a sair

Pessoal diferentemente dos outros capítulos, hj temos um comunicado a fazer.
Eu venho tendo alguns problemas com Spirit, não só com a comunidade e talz (q já ficaram conhecidos pra quem acompanha os meus desabafos na timeline), mas também com o sistema daqui.
Eu percebo que perco favoritos ao mesmo tempo que ganho.
Ficou difícil de entender? Eu explico.É assim: Quando alguém vem e favorita a fanfic aqui, eu automaticamente perco um favorito. Sendo assim meu numero de favoritos não sai de 25 e eu não tenho a menor ideia do motivo disso estar acontecendo.
Talvez seja um bug no contador, não sei.

Outra coisa é o sistema de postagem de capitulos aqui.
Não é a primeira vez que eu tenho dor de cabeça pra postar os caps.
Eu vou lá uso essa caixa merda pra mandar o texto.
Eu sempre tenho que fazer uma pós edição no capitulo. Pq sempre quando eu mando pra cá ele perde a orientação que eu boto (Centralizado pra algumas partes do texto), eu as vezes tenho q pular linhas pq os parágrafos vem muito próximos uns dos outros ou então cortar linhas pra poder separar.
Mano, é uma bagunça entende?
E eu tenho sempre que resolver isso tudo (as vezes não dá pq é mt coisa)
E ai quando eu vou postar o capitulo, oq rola? O site buga, o capitulo não é enviado e eu tenho que recarregar a pagina.
Sabe quantas vezes eu já escrevi esse desabafo aqui? 3. É, isso mesmo.

Galera eu to de saco cheio do Spirit. Esse site já deu.
Eu e um amigo (Q tbm é leitor aki e obviamente usuário do SS) acreditamos ter achado a solução.

Vcs já ouviram falar em Amino certo?
Entao, acredito que lá seja uma boa oportunidade para continuarmos a Fanfic e tbm melhorar o jeito que ela é apresentada, jaq o autor pode editar o texto de varias maneiras lá (incluindo até mesmo adicionar Gifs durante o texto)

Então
Oq acham?

Oq eu estava pretendendo seria: Continuar escrevendo aqui, até terminar essa saga e ao mesmo tempo postar os capítulos em algum Amino de CDZ. Esses capítulos seriam os antigos, que iriam ser reformatados, com varias correções e é claro, com as imagens que dariam uma nova cara ao texto.
Ao termino da Saga dos Gigantes, a fic daria adeus ao Spirit e passaria a ser postada apenas no Amino.
Até pq ao final desta saga eu abrirei vagas para novos cavaleiros e para tudo ser mais dinâmico e organizado seria bom q as fichas viessem apenas de uma fonte.

Deixem a opinião de vocês, se vocês já usam Amino deem sua opinião tbm.
E claro, me digam oq acharam do capitulo de hj.

Vlw galera
Até a próxima.


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...