História Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 21


Escrita por: ~

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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Autoridade Mágica, Comunidade Mágica, Espanha, Magia, Meiling, Organizações Mágicas, Sakura, Syaoran, Tomoyo
Exibições 28
Palavras 6.327
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo-Ai, Violência
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Entre uma aula de anatomia e mais um tútulo de Syaoran, Sakura tem uma bela surpresa que para muitas mulheres é um belo de um privilégio…

Capítulo 21 - O nascimento de Sholong


 Após uma revigorante lua de mel de uma semana em Okinawa, o casal Li chegou a Hong Kong, aguardados por Meiling e Fuutie, que os esperava no aeroporto internacional de Hong Kong. O aeroporto estava lotado naquela época do ano de começo de primavera. Era a época do ano em que se fazia negócios e se viajava a casamento ou acompanhava os dos outros, o movimento aumentava.

Era a terceira vez que Fuutie via a cunhada, a primeira havia sido na primeira viagem de Sakura para a região especial da China, quando Sakura ganhou o concurso da loteria. Viu que a cunhada estava animada, mas, ao mesmo tempo, sentia que um medo preenchia a alma daquela mulher de cabelos castanhos e uma sensação de alívio temporário era transmitido pelos olhos semicerrados e meio inchados daquela japonesa. A lua de mel fora revigorante, mas assim como uma aspirina, não resolve os problemas. A mulher de cabelos castanhos curtos abraçou Sakura e acariciou o seu rosto:

– Ni Hao, Sakura! Sei que você está em uma terra desconhecida, mas não se sinta estranha entre nós; sou sua cunhada e você está entre parentes; seja lá o que esteja passando dentro da sua alma, saiba que se quiser desabafar, pode falar comigo. – A mão gentil de Fuutie e a leitura que ela falia dos sentimentos da cunhada fizeram Sakura se impressionar e arregalar os olhos, acelerar os batimentos.

– Como… tá tão na cara assim?

Sentindo que tinha assustado Sakura, Fuutie tentou se redimir e Meiling se aproximou:

– Me desculpa, Sakura, mas… sou uma psico sensitiva, consigo captar sentimentos dos outros com facilidade… Portanto, se precisar de mim, só falar!

– Sakura, não liga pra essa boba, venha com a gente, agora você está em uma família de magos! Nos acompanhe, todos vocês! Shoran, você carrega a bagagem! – Meiling tratou de encher o primo com a montanha de malas que ele e Sakura havia trazido de Okinawa.

– Não abusa, Meiling! – Respondeu Syaoran.

 

S&T:FJ

 

Sakura tentou se acalmar um pouco dentro do táxi que as levava para a residência dos Lis, mas a camisa azul clara e a calça azul escura vestida por Fuutie e o terno verde usado por Meiling dizia o contrário. Sakura sentia que estava indo em direção a uma delegacia de polícia ou um quartel. O constrangimento de Sakura apenas aumentou quando ela viu os demais membros do clã dos Li na porta da mansão aguardando os recém-casados, fardados, e as conversas cada vez mais frequentes em Mandarim. Era a mesma casa azulada a beira-mar que Sakura estivera fazia nove anos no passado, não mudara nada.

Syaoran havia dito a ela que Hong Kong é uma ilha multicultural e multiétnica e muitas línguas se ouvia na ilha. Nativamente, se falava cantonês. O inglês e o mandarim eram aprendidos nas ruas, na escola e na vida e Sakura conhecia o idioma da América, mas ainda era sofrível no mandarim, apenas sabia algumas frases básicas, apesar de Syaoran insistir par que ela aprendesse. O problema era que Sakura tinha a mente muito ocupada com a faculdade de medicina e não podia se dedicar ao aprendizado da língua do marido.

Foi quando Sakura viu os “generalões” chineses, vestidos com a mesmo terno verde de Meiling, cheios de estrelas e medalhas no peito e nos ombros, que estava ao lado de Yelan, que ela reconheceu bem pela veste tradicional chinesa que vestia, que sentiu a pressão. A família Li era uma família tradicional Chinesa cheia de militares e guerreiros. Sakura tinha de mostrar que entendia de respeito e tradição também.

– Ni Hao, Furen Yelan (Olá, senhora Yelan) – Disse Sakura no pobre mandarim que falava.

– Sakura, My dear, no need to fear… (Sakura, minha querida, não precisa ficar com medo…) – Yelan se aproximou de Sakura e deu um beijo na bochecha dela, que, assim como ela tinha feito na primeira aparição de Sakura naquela casa, era um sinal para os demais de que ela aprovava o casamento dela com seu único filho homem. Um dos “generalões” ao lado de Yelan murmurou algumas palavras em cantonês para Fuutie e ela imediatamente pegou um terno azul-marinho e colocou-o junto com um coldre.

Mesmo com as palavras de Yelan, Sakura ainda estava tensa com todos aqueles homens de cara fechada que a olhavam atentamente. Um dos homens, de cabelos grisalhos e olhos vermelhos, saiu da “formação” que estava e tocou nas mãos de Sakura:

– Sakura, não tenha medo, eu sou Zihao Li, sou o pai de Meiling, quero te apresentar ao resto da família… Esse é Qiantian Li e esse é o filho dele, Heng He Li e sua futura esposa, Shufei…

– Ora, Major Zihao, pensávamos que seríamos apresentados pela nossa hierarquia, como sempre foi… não é porque ela é uma japonesa ou que se trata do filho da Yelan que ela vai ter privilégios aqui… – Um dos “generalões” questionou Zihao, recebendo olhares negativos de Yelan e Qiantian.

– General Xing Tuo, meu irmão, desculpe pelo erro, não foi intencional. Sei que é o mais tradicional dos Lis e um grande guardião da nossa tradição e não vou decepcioná-lo mais. Sakura, cumprimente o general e seu filho, Lieng Li. – Sakura apertou as mãos com tremor dos dois chineses e Zihao continuou com as apresentações:

– Esse aqui é o Tenente Tianyu Lu, filho do general Qiantian e agente da inteligência… saiu da academia esse ano. Essas você já conhece: Inspetora Fanren, Sargento Feimei, Sargento Fuutie e Agente Shiefa. Elas não são do exército, elas são da polícia de Hong Kong e… Coronel Yelan Li, nossa irmã e a mais velha de nós. – Sakura cumprimentou Yelan e fez uma pergunta para a matriarca:

– Yelan-san, vocês todos são do exército?

– Sim. É o destino de um Li se tornar um guerreiro e proteger a China. Essa é uma missão passada por gerações por nossa família…

– Exceto Syaoran, que preferiu “seguir seu coração”. Não me desaponte, Syaoran… – Disse o General Qiantian.

– E… todos vocês nasceram com magia?

– Sim, exceto Meiling… um belo de um Abor… – Respondeu o General Xing Tuo, olhando furtivamente para Meiling que não se virou para olhar para o tio. Imediatamente, foi interrompido pelo Major Zihao:

– É a minha filha, general! – Zihao interrompeu a fala do irmão antes que Sakura entendesse, mas ele queria ter dito mais.

Xing Tuo olhou furiosamente para Zihao:

– Olha a inversão de valores do nosso tempo! O herdeiro dos Lis jogando futebol, renegando a academia militar e casado com uma japonesa! Uma japonesa! Agora você está me questionando, Major? Se estivéssemos na academia isso significaria prisão esse seu desacato!

Yelan interferiu:

– Eu bem que me arrependo por não continuar na ativa e não ter viado general, minha patente seria maior que a sua, com certeza, irmão, mas não estamos no exército, mas sim na nossa casa e eu bem que posso mandar que se cale e não estrague tudo como sua irmã! – Disse furiosamente Yelan para Xing Tuo. O general encarou a irmã e respondeu:

– Essa “inversão de valores” ainda vai levar nossa família à ruína! A ruína!

Sakura não entendia nada da discussão “educada” entre os irmãos, mas sentia que era sobre ela. Syaoran começava a ficar trêmulo e as irmãs de Syaoran surgiram na frente do casal, tentando isolá-los daquela confusão. Foi quando Yelan chamou todos para que se reunissem na mesa de jantar dentro da mansão.

S&T:FJ

 

A sala de estar era ao estilo inglês. Dois imensos lustres de cristal iluminavam as paredes amadeiradas daquele recinto cheias de retratos dos lis do passado e uma imensa mesa da época vitoriana preenchia os espaços. Era um local especial de reuniões da família Li. Sakura descobriu mais tarde que aquela mesa e aquela casa era mais velhas do que ela e já foi propriedade do governador britânico de Hong Kong.

Funcionárias entravam pelas quatro portas daquele lugar trazendo imensas bandejas com comidas chinesas e inglesas. Eram mulheres de pele morena e cara fechada, do interior da China e não eram acostumados com estrangeiros. Era fácil perceber isso pelo cabelo de Sakura, castanho vivos, pintados e claros contra os cabelos castanhos escuros das irmãs de Syaoran e dos três irmãos de Yelan.

Yelan era a filha mais velha, por isso, se sentava na cabeceira da mesa. Syaoran, como filho da chefe da família, se sentava na direita dela. Seguiram a ele Sakura e as irmãs de Syaoran. À esquerda dela estava Meiling, a principal mulher da família e os demais irmãos de Yelan e seus filhos, por ordem de idade. Sakura estava de frente dos três homens que mais temia. Os olhos de Zihao eram como os de Meiling, amistosos, porém desafiadores, mas não intimidadores. Falava de vez em quando coisas em cantonês com Meiling. Qiantian olhava para Sakura com curiosidade e Xing Tuo, com um certo desejo intrínseco e um ar de obsessão. Diversas vezes, enquanto comia, Sakura ouvia palavras como “Clow” e “Daidouji” sendo ditas pelos dois oficiais.

As mãos de Sakura começaram a tremer e Fuutie percebeu as variações dos sentimentos de Sakura e tentou puxar assunto com ela. Mesmo assim, Sakura ainda se sentia mal comendo ao lado daquelas pessoas que a cobiçavam com os olhos. Sakura olhou para Syaoran e Meiling, mas eles não faziam nada. Estavam acostumados com aquilo e não queriam questionar os tios, que, pelo que Sakura tinha visto na discussão na frente daquela casa, era um tabu a não ser feito. Vendo-se de pés e mãos atadas, Sakura não conseguia mais comer e se levantou da cadeira, ato prontamente corrigido pele general Qiantian:

– Sakura, você ainda não terminou a refeição e nem Yelan terminou a sua. Aqui se segue a regra vitoriana, você apenas deve se levantar da cadeira quando a chefe da família terminar a sua refeição.

– Moda é uma coisa que se muda com o tempo, General; eu autorizo que Sakura saia, é melhor que alguém em boas condições esteja a nossa mesa do que sujar todo o tapete com vômito, o que seria desagradável. Vá, Sakura!

Sakura se levantou, não foi seguida por Syaoran e nem por Meiling.

 

S&T:FJ

 

Sakura saiu da sala de jantar e foi para o quarto, descansar um pouco do estresse que tinha passado naquela mesa de jantar. Brigou com Syaoran por ele não ter feito nada a respeito dos olhares ambiciosos do tio e Syaoran retrucou, dizendo que era uma tremenda falta de respeito agir com tamanha grosseria com ele. Pela primeira vez naquela viagem, Sakura se viu cercada de inimigos naquela casa, tão complexos de se lidar quanto os problemas causados pelas cartas Clow. Por um lado, tinha o General Xing Tuo e seu assédio à Sakura, no outro, o respeito que devia dar à família do marido. Como lidar com isso? Foi quando duas pessoas de olhos rubros entraram naquele quarto: Meiling e o pai dela, o Major Zihao, trajados com impecáveis vestes chinesas, cheias de dragões; a do pai era amarela, a de Meiling, vermelha como os olhos dela:

– Sakura, nem vou te perguntar se está tudo bem, porque eu seu que não tá! – Disse Meiling, se sentando ao lado da cardcaptor – Mas… escuta o que o meu Bà Bà tem a dizer…

– Eu não quero saber nada desses generais! Estou estressadíssima com aquele miserável do tal de Xing Tuo! – Esbravejou a cardcaptor.

Zihao sorriu com os insultos de Sakura e a cardcaptor se voltou para ele. Vendo que o homem de cabelos meio grisalhos tinha uma cara meio “bondosa” e não a condenara, resolveu se virar para ele e ouvir a proposta dele:

– Sakura, vamos aos jardins? Nos acompanha num chá? – Zihao sorriu e segurou as mãos de Sakura e a levou até o jardim. Sakura estava atônita, porque, pela primeira vez, não sentiu ameaça nas maneiras daquele homem.

O jardim do casarão dos Lis era imenso, cheio de plantas chinesas trazidas de muitas partes da China. Zihao contou que os Lis conseguira todas elas nas viagens militares que fazia pelo país e coletava algumas para trazer para o jardim. Sakura se admirava como uma criança olhando para aquilo. Havia um chafariz ao fundo onde estavam postas três xícaras de chá e um bule. Os três se sentaram e Sakura olhou demoradamente para o casulo de uma borboleta que mal começava a voar enquanto Meiling contava sobre ela e sobre o pai:

– Sabe, Sakura, porque não devemos abrir o casulo de uma borboleta antes da hora, nem mesmo pra ajudar a pobre? – Perguntou Zihao.

– Já ouvi falar sobre isso; é porque ela não vai ter forças pra voar?

– Também, que tem a ver com esse outro motivo: porque estamos violando a liberdade dela, a natureza dela, o espaço dela. Tirar isso dela seria como alterar a própria natureza dela como borboleta… Ela talvez nunca voe como as outras borboletas… – Zihao tocou gentilmente nas mãos de Sakura e acariciou-as – Ninguém aqui vai tirar sua liberdade, eu garanto! – Zihao olhou firme para ela e Sakura entendeu o que ele quis dizer. Sakura cerrou um pouco as pálpebras, sem fechá-las, desconfiada um pouco.

– Promete mesmo?

– Prometemos! – Zihao e Meiling colocaram suas mãos encima das da cardcaptor e Sakura finalmente sorriu no fim daquele dia estressante.

 

S&T:FJ

 

Se Sakura se estressara com os eventos da mesa de jantar, Syaoran se sentia como um animal enjaulado, sem poder fazer nada, exceto respeitar o tio. Não podia bater de frente com ele e isso ela sabia muito bem, o general era conservador, perigoso e cheio de contatos. Ele também o era.

Na varanda do seu quarto, voltado para o mar do sul da China, com a luz da lua minguante iluminando aquela água e o vento do mar invadindo aquele espaço, Syaoran pegou o telefone que estava no bolso e ligou para os “contatos” que tinha na China:

– Alô, sabe alguma informação do meu processo no partido? … Hum… Hum… ainda está indeferido? – Syaoran se irritou – Ah… entendi… é… Vou ter que fazer uma escala em Beijing e… Syaoran pegou um bloco de notas, uma caneta e escrevia freneticamente. – Hum… tá certo então… até! – Syaoran desligou o celular e quase sem perceber, Heng He, seu primo, apareceu fardado na sua frente, querendo pegar o papel que o primo tinha escrito, mas as mãos de Syaoran foram mais rápidas e ele escondeu o papel:

– O que está escondendo, primo?

– Nada do seu interesse!

– Ligando pra Pequim, é?

– Eu já disse que não é da sua conta! Não temos mais dez anos pra você ficar se teleportando na frente dos outros sem mais nem menos e ficar me grampeando!

– Não resisti, primo… mas é pro seu bem… – Heng He andou até o parapeito e apontou para Syaoran um canto daqueles imensos jardins. – Se lembra, primo? Há dez anos eu perdi pra você aquele duelo, se lembra? Na época eu era ruim demais, mas agora… acho que dá pra dar um pau em você… – Heng He socou o peito de Syaoran com os dois punhos e o rapaz olhou raivosamente para o primo.

– Sem stress… sem stress… você sempre foi nervosinho… e também, o mais comprometido de nós… foi pro Japão sozinho e conseguiu se virar por lá… eu te admiro primo, mas você falhou no principal…

Syaoran arregalou os olhos e entendeu finalmente aonde o primo queria chegar.

– Enquanto você brinca com a “boneca” no Japão, a gente tava trabalhando duro aqui, eu, a Shufei e o tio Xing… tudo pra que a missão não fosse esquecida… e você não se esqueceu dela, ou se esqueceu? – Heng He segurou firme os ombros de Syaoran.

– Eu não me esqueci… nem por um minuto…

– Mas parece que sim, primo! Você até se casou com essa vadia em vez de acabar com ela!

– Não chama ela de vadia… – Heng He olhou desconfiado para o primo e Syaoran mudou um pouco o tom… – Quis dizer… essa “vadia” me ajudou muito no Japão, caramba! Ela é muito poderosa! Nem posso lidar com ela agora!

– Você podia primo! Não podia deixar isso acontecer! – Heng He soltou Syaoran e andou em círculos por aquele cômodo. – Eu sempre te admirei primo, tão disciplinado, tão focado no treinamento… tão maduro… nunca me esqueço das cenas da Meiling tentando te seguir e te imitar! Eu tenho muita dó da bichinha até hoje… – Heng He se voltou para Syaoran e olhou fixamente para ele. – Sabe, eu tenho vontade de me deitar com essa tal de Sakura só pra saber se ela é boa de cama e tem uns lábios doces… – Heng He moveu obscenamente os lábios pela boca e ficou olhando para o primo. – Aqueles bustos pequenos… falam que as japonesas são quentes… sei como é, tive que me deitar com uma em uma missão… – Syaoran ficava cada vez mais tenso com as palavras do primo e chegou ao ponto antes que ele fizesse:

– Você não pensa Heng He? Você que é da inteligência militar do exército não pensa? Isso é um plano caramba! Ela já está aqui, as cartas estão com ela… não vai demorar muito pra que ela…

– … Se torne uma Li? Você acredita nisso? Ela vive com você há três anos e não sabe uma palavra do mandarim que é o básico! Nadica de nada de cantonês! Agora você fala japonês fluente! Ou essa Sakura é uma tapada ou se faz de idiota…

– Mas ela é tapada! Ela tem uma dificuldade sofrível pra aprender…

– Mas não pra pensar por conta própria, isso eu pude perceber… – Heng He voltou a andar em círculos pelo quarto. – Rebelde ela, não? Imagino ela na cama… e te entendo… deve ser quente essa tal de Sakura… tudo bem, tudo bem… deite-se com ela, faça filhos nela, aproveite… mas depois… não se esqueça da missão…

– Trazer as cartas Clow para a China… nunca deixei de pensar no como…

Heng He sorriu:

– Ótimo primo! Isso me deixa mais calmo e o tio Xing também…

– É assim que você pensa da Shufei?

– Shufei? Shufei é minha flor, minha princesa de jade… é bem capaz de eu ser tão maluco por ela do que ela por mim… não sou rude com as chinesas e nem as outras… só ela e você sabe o porquê…

Syaoran ficou imóvel e Heng He continuou a dizer impropérios contra Sakura.

– Nenhuma mulher merece ser ofendida, eu sei, mas eu fico puto com essa tal de Sakura que te desviou da missão! Uma tapada como ela ser dona das cartas Clow!

Syaoran estendeu a mão e olhou fixamente para o primo.

– Nunca deixei de pensar em como trazer essas cartas pra cá… nenhum segundo da missão… da minha estadia no Japão…

Heng He cumprimentou-o e olhou fixamente para ele:

– Eu sempre sonhei com essas cartas aqui… eu sempre te admirei e te apoiei quando você quis voltar e a tia Yelan não quis te liberar… eu sabia que você tinha um plano.

Os dois primos se abraçaram cordialmente e Heng He sussurrou algumas palavras ao ouvido do primo:

– É melhor você conseguir isso rápido cara… o tio Xing tá me pressionando e vai pressionar você…

– Eu sei disso… eu sei disso…

 

S&T:FJ

 

Meses e meses se passaram e Sakura jurou não colocar os pés no casarão dos Lis se fosse para se encontrar com o general Xing Tuo. Lembrou-se com saudades do senhor Zihao, a mãe de Meiling e as demais irmãs de Syaoran. De resto, gostou de revisitar Hong Kong mais uma vez. Continuou estudando bastante e revendo as amigas, os familiares e a turma de Tomoeda quando tinha uma folga no curso, o que era raro… se não fosse as recuperações que tinha que passar!

Syaoran levava a vida normalmente e sem suspeitas em Osaka como futebolista, enquanto tentava classificar a seleção chinesa para a copa do mundo na África do Sul (em vão, pois a China ficara atrás da Austrália e do Catar na terceira fase eliminatória) e manter o Gamba Osaka em nível competitivo nos quatro campeonatos que disputava. Na liga dos campeões da Ásia, foram eliminados nas oitavas; na copa do imperador já foram eliminados na terceira rodada contra o Albirex Niigata; no campeonato Japonês, tentavam se manter na zona da “libertadores asiática”, o título seria difícil e estavam atrás do Cerezo Osaka, o maior rival! Mas na copa da liga japonesa…

A copa da liga japonesa é um torneio disputado pelos 18 times da primeira divisão do começo ao final do ano. A final aconteceria em outubro e já estava marcada. O Tokyo Verdy, primeiro finalista, pegaria nada mais, nada menos do que… o Gamba Osaka! Sim! A vida não poderia ser tão injusta com Syaoran a ponto de ele não se dar bem em alguma coisa… E ele se deu! Era o artilheiro da copa da liga com 12 gols. O jogador estava extremamente focado em ganhar o título e ganhar alguma coisa naquele ano. O gosto da vitória e o amor da torcida transmitido durante aquele jogo foram especiais. Levantar o troféu e anunciar publicamente seu casamento com Sakura era uma coisa que nunca esqueceu e gostaria de repetir, mais uma vez, com o potencial anúncio de um filho.

Com todos esses fatores, era difícil para Syaoran abandonar a carreira no Japão e voltar pra China com as cartas Clow, apesar das repetidas tentativas do Guangzhou Evergrande Taobao, um time chinês, de repatriá-lo. O amor que recebeu da torcida e até mesmo de fãs do rival Cerezo em Osaka tocaram fundo no coração dele depois do anúncio do casamento na final e ficava imaginando o que aconteceria se ganhasse o título e anunciasse uma possível gravidez de Sakura. Seria a apoteose e não queria terminar com esse sonho tão cedo por conta das cartas Clow; afinal, Sakura era gente boa demais com ele e uma pessoa bacana para se ter como esposa.

Milhares de correspondências chegavam ao apartamento do casal, em Osaka e Syaoran não tinha tempo de ler tudo. Lia algumas ao lado de Sakura e em algumas até citava uma terceira pessoa entre eles, nos desenhos que recebia do casal. Era um filho e aquilo era tocante… até demais para ele.

Para concentrar todo o fanatismo que recebia em Osaka, adotou uma atitude que não queria fazer tão cedo: Entrou de vez no mundo das redes sociais. Twitter, Facebook, Linkedin (onde citava que fazia arqueologia na Kansai), Flickr, Myspace, Cyworld (rede social coreana, afinal, queria ser conhecido por lá também). A China não ficou de fora: Renren (Facebook da China), Sina Weibo (twitter), Youku (youtube) e Tencent (Yahoo/Google). Syaoran entrou para a era digital em grande estilo: uma foto e um vídeo ao lado de Sakura, com um aceno tímido de Sakura quando ela tentou falar um pouco de mandarim para o vídeo do youku; era como se estivesse voltando ao tempo dos vídeos com Tomoyo. Em pouquíssimas horas, aquilo tudo já tinha sido visto, compartilhado e comentado milhares de vezes. Era uma loucura aquele negócio de redes sociais, dizia Sakura. Pensou: talvez não fosse tão diferente com Tomoyo, mas o certo é que Syaoran viu e fez primeiro antes que mais alguém fizesse. E acertou: nunca nenhum jogador asiático foi tão popular como ele nas redes sociais, até o fim da carreira dele. Os comentários a respeito de um pimpolho não pararam e apenas aumentava. Syaoran respondia que, na hora certa, as coisas aconteceriam… mas aconteceu mais cedo do que ele esperava.

No dia da final contra o Tokyo Verdy, Syaoran estava no vestiário, calçando as chuteiras, quando Sakura lhe disse, timidamente, com o pai, Fujitaka, Kero no bolso, Yukito e Touya birrento ao seu lado antes de começar a partida com um exame de sangue nas mãos:

– Tou grávida…

– Grávida?

– S-sim…

– Quanto tempo?

– Já vai fazer um mês..

– Um mês?!

– Af! Como esses dois gritam… – Resmungou Touya.

O que Syaoran fez? Caiu para trás? Jogou mal, preocupado em ser papai e em todas as dificuldades que teria de enfrentar daqui pra frente? Entrou no jogo animado feito um touro e marcou três gols no primeiro tempo, pôs a bola na barriga pra comemorar os três gols, deu dois passes para gol na goleada de 5 a 2 contra o Tokyo Verdy e confirmou no seu perfil em todas as redes sociais que tinha aberto, depois de levantar a taça da copa da liga japonesa, levantar Sakura pelo ar como um troféu na comemoração, é claro, em uma simples mensagem de 140 caracteres com uma foxo anexa de Sakura colocando as mãos na barriga, as suspeitas que os fãs do casal tinham ao longo daquele jogo:

@07lisyaoran: Grande dia levantando a taça da copa da liga ao lado dos meus amigos! Valeu torcida, o meu maior tesouro ainda vai chegar. Papai já te ama!

 

Depois dessa, nunca foi tão emocionante acompanhar a vida do casal Li e futebol, mesmo para quem não gosta do esporte, seja para a imprensa, para os fãs e mais ainda, para os paparazzi!

 

S&T:FJ

 

Osaka, 21 de maio de 2009

 

Naquele quarto de hospital, passados nove meses daquela final, Sakura mordia os lábios com a dor que aquela pequena criaturinha fazia, pedindo para sair. Aquela dor era uma sensação de alívio para ela, muito mais tolerável do que as centenas de flashes das máquinas fotográficas dos paparazzis que a cercavam a todo instante, atrás dos muros da Kansai, atrás das portas do seu apartamento em Osaka.

O que Sakura pensou que fosse uma maravilha e seria útil para apoiar o marido, se tornou um inferno na vida dela. Coisa comuns e cotidianas que sempre fazia, como ir para a Kansai de metrô ou dar uma simples passeada pela cidade se tornaram coisas mais difíceis para se fazer com um pingo de paz e privacidade. A exposição que sofrera nas redes sociais e na mídia, ao lado de Syaoran que já começava a despertar o interesse de grandes clubes de futebol do ocidente, como o FC Barcelona; isso só aumentava seu status de “celebridade” ou “esposa daquele famoso futebolista”.

Sakura, simplesmente, não podia fazer coisas que sempre fez porque sempre haveriam pessoas para paparicá-la, tratá-la como uma criança, idolatrá-la, pedir autógrafos, fazer curtas entrevistas, mimá-la com presentes e torcedores do Gamba, prontos com uma máquina fotográfica ou celular para tirar um autorretrato com a “mulher do cara”. Deus! Era horrível aquilo tudo, pensava consigo mesma. Era uma fama que não merecia, não queria e não fizera nada para recebê-la, exceto, é claro, apoiar Syaoran.

Syaoran respondia que isso era normal, afinal ele era uma estrela em acensão no futebol e ver olheiros do FC Barcelona nos jogos do Gamba era mostras que chegara ao ponto de ser considerada uma superestrela do esporte como seu ídolo, Cristiano Ronaldo, que assinaria aquele ano mesmo com o Real Madrid, seu time europeu de coração. Ele estava muito feliz com aquilo, mas como Sakura não estava contente com aquilo, resolveu acompanhar Sakura todas as vezes que saíam de casa e pedir nas redes sociais mais moderação por parte da torcida. Mesmo assim, precisar de Syaoran para comprar um hambúrguer na Dunkyon era constrangedor. Sentia que estava sendo vigiada, guardada, como Tomoyo era pelas guarda-costas; sentia-se sufocada e não livre. Como detestava aquilo!

Pensar em Tomoyo fizera Sakura conversar mais com as amigas, Chiharu, Naoko e Rika e pedir conselhos delas, pessoas com a mesma idade que ela. Depois, ligava para o pai, para o irmão, para Yukito e para Sonomi, pessoas mais velhas do que ela. Todos diziam a mesma coisa: era normal aquilo, aquela superexposição na mídia, nos sites de notícias. Ela era esposa de uma estrela em acensão do esporte e Sonomi até mesmo ofereceu suas guarda-costas para ajudar Sakura e Syaoran a conter o assédio. Ele aceitou a ajuda e Sakura, frustrada, engoliu aquela nova realidade como um prato indigesto que apenas fazia porque Syaoran ficava feliz com aquilo e porque ela gostava do rapaz, da família e dos amigos. Se não fosse por isso… sentiu-se como uma “princesinha” presa dentro daquela imensa torre que era o apartamento de Osaka, como sempre ironizou e chamou Tomoyo por ela ficar cercada de guarda-costas naquela mansão.

Ah! Tomoyo! Se ela estivesse lá, as coisas seriam mais fáceis, com certeza. Uma das raras pessoas que contava todas as angústias que sentia, todas mesmo. Criou o hábito de escrever diários para ela já que ela não estava lá para ouvi-la e jurou fazer a amiga ler todos eles assim que ela aparecesse! Sabe-se lá onde andava Tomoyo, mas outro hábito que adquiriu foi comprar as revistas de moda e estilo para ver se o nome da amiga era mencionado. Tomoyo lançara dois CDs e tinha todos autografados por ela. A última notícia que ouvira da amiga foi em uma revista de março de 2009, citando uma entrevista com o estilista Kobus Dipenaar e ajuda que Tomoyo lhe dera no desfie na cidade do Cabo. Outra manchete era do começo do mês de maio que lera na internet um site em português a respeito do trabalho de Tomoyo na Universidade de Luanda. Ela estava viva, mas há tempos não dava notícias. Apesar de não ter a amiga por perto para lhe dar paz, a Kansai era outro lugar onde podia se sentir livre.

No primeiro dia de faculdade após o anúncio da sua gravidez, o bombardeio de fotos e perguntas foi enorme e Sakura correu para a reitoria. O reitor baixou uma ordem na faculdade impedindo o assédio de qualquer estudante por outro, sob pena de processos legais. Foi um alívio ouvir aquilo do reitor, mas Sakura não podia comandar a liberdade de pensamento, fala e expressão daquele lugar. Sempre quando passava, ouvia cochichos e conversas a respeito do tamanho da sua barriga que eram imediatamente silenciados assim que se aproximava. Aprendeu a conviver com aquilo com a imensa capacidade humana de adaptação, da mesma forma que aprendeu a aceitar os flashes dos paparazzis querendo saber a quantas andava a sua barriga.

E lá ela estava, depois de nove meses, deitava em uma cama de hospital tentando dormir um pouco, suada e fedida com os cabelos bagunçados, oleosos e sem lavar há três dias, em paz, em um quarto branco com o enxoval do “pequeno dragão” que se aproximava a cada contração. Syaoran e a família estavam do lado de fora. Dois kanjis, um significando “pequeno” e o outro “dragão”, bordados toscamente por Kero na lateral da imensa bolsa. Sakura sorriu e se lembrou do dia que soube que esperava um menino e, mais ainda, no dia que o nome dele foi escolhido:

 

Flashback:

Estava ela, Tomoyo e Syaoran no parque do pinguim com aquelas roupas verdes e rosadas, sujas e esfarrapadas depois de capturarem e transformarem a carta esperança. Os dois anunciaram o começo do namoro para Tomoyo e ela ficou atônita, suspensa com aquele anúncio e com a câmera em mãos, como se fosse congelada. Syaoran se aproximara de Tomoyo para sacudi-la e ela saíra do seu estado catatônico com um pulo, filmando os dois e berrando muito!

– Finalmente a Sakura-chan se confessou para o Shoran-kun! Já imaginaram o nome do filho dos dois!

– Filhos!? – Os dois berraram feito loucos, como se não acreditassem naquilo. Eram jovens demais para pensarem naquilo.

– Sim! Filhos! Se for menino acho melhor dar o nome de “pequeno dragão” para ele, assim como o do pai é “pequeno lobo”. Pra combinar. Como se diz em chinês mesmo, Li-kun?

– Bem… é… “Sholong”. – Syaoran pegou um graveto e escreveu o nome na areia.

– Aqui a gente lê esse nome como “Chitatsu”, “Kotatsu”, alguma coisa assim… – Disse Sakura.

– Fechado! E se for menina, acho melhor… Hanabi!

– Hanabi? – Indagou Sakura.

– Sim, Hanabi, Sakura! Ela vai ser uma estrelinha como você! – Tomoyo se aproximou de Sakura com a câmera e Sakura ficou constrangida com aquilo.

– Mas Hanabi não é “fogos de artifício”? – Perguntou Syaoran.

– Sim! Pra ela brilhar e explodir, Li-kun! – Respondeu Tomoyo, dando saltos com o braço, imitando os fogos de artifício.

– Na China a gente lê isso como “Yanhua”!

– Parem de ser chatos com esse negócio de pronúncia, gente! Quem vai ter os filhos sou eu! – Disse uma Sakura com bochechas avermelhadas. Todos gargalharam.

Aqueles dois nomes, Sholong/Chitatsu e Hanabi ficaram na cabeça do jovem casal e os dois concordaram em seguir a sugestão de Tomoyo. E lá estava o nome dele, naquela mala de roupinhas amareladas e bordadas feitas por Rika, Chiharu, Naoko, Kero (sim! Kero aprendera a bordar, mal, mas bordava), Yukito, Sonomi, Fujitaka e Touya. Da China: de Yelan e as irmãs de Syaoran que não compareceram, mas estavam ansiosas para ver o neto e sobrinho. Era tantos os presentes que ganhara que não precisou comprar fraldas nos meses que se seguiram. Mesmo com aquilo tudo, desejou, só por um segundo, ter a idealizadora do nome do filho ao seu lado, mais uma vez. Depois de tanto pensar, dormiu finalmente.

 

 

Itsumo itsumo soba ni iru yo

Donna tooku kimi no kokoro ga mayotte mo

 

Kurayami no naka ni

Futari de tadayoi nagara

Mujaki na kotori no you ni

Tsubasa no yosete ita

 

Sabishii toki ni wa

Egao ni kakureru kimi wa

Tokenai koori no yaiba

Kono mune wo sarashite

 

Dakishimeru...zutto

 

(Sempre e sempre estarei ao seu lado

Não importa o quão distante e perdido seu coração esteja

 

No meio das trevas profundas

Nós dois flutuamos juntos

Como se fossemos pequenos pássaros inocentes

Enquanto nossas asas estavam abertas

 

Quando você se sente sozinho

Você se esconde atrás de um sorriso

Com a sua espada de gelo eterno

Expõe este peito

e me abraça… sempre)

 

Acordou levemente, sem abrir os olhos, sentindo um beijo profundo em sua face suada depois de ouvir uma canção de uma voz feminina familiar, sussurrada em seu ouvido, suas mãos, testa, cabelos e barrigas sendo tocadas e acariciadas por uma mão que já conhecia. Era ela. Somente uma pessoa faria aquilo por ela e com ela naquelas condições meio que “embaraçosas” para qualquer mulher vaidosa. Mesmo suada e cheirando mal (Sakura não suportava sentir o cheiro do próprio suor!), era beijada por ela, acariciada por ela como se nada daquilo fosse importante. Tentou abrir os olhos, mas a voz que acabara de cantar a canção lhe dizia “vai com calma, Sakura…” e a mulher voltou a cantar novamente:

生まれる人

龍から

光を浮き上がらせる

そして、暗闇

起き上がる

空に

まだ土地。

月を輝かせる

永遠の光、

それはもたらす

別の約束

母なる地球へ

恩恵と慈悲。

(Um para nascer

De um dragão

Elevando a luz

E o escuro

Se levanta alto

No céu para

A terra imóvel.

Véu da lua com

A Luz da Eternidade,

isso traz

Outra promessa

Para a Mãe Terra com

Uma recompensa e misericórdia.)

Os votos de Tomoyo para o nascimento de Chitatsu/Sholong fizeram Sakura lacrimejar e ela abriu os olhos. Viu o rosto sorridente, sem vida e murcho de Tomoyo, que também começava a lacrimejar. As duas choraram. Tinha tanto a falar, mas as contrações apenas aumentaram com o choque de ver Tomoyo e Sakura começava a gritar. Syaoran, que também estava no quarto, abriu a porta com tudo e foi chamar a emergência. Sakura agarrou as mãos de Tomoyo com tanta força que a jovem estilista arregalou os olhos. Sakura, em meio aquela imensa dor, pedia para Tomoyo não deixar o lado dela. Tomoyo pegou a mão dela e deu um profundo beijo nas costas da mão.

Médicos entravam no quarto e levavam a cardcaptor para a sala de obstetrícia, mas ela não soltava Tomoyo. Syaoran, como pai, foi chamado para acompanhar o parto, mas Tomoyo foi barrada na porta da sala. Foi então que Sakura berrou:

– Ela vai entrar… ela vai entrar também!

Não querendo estressar Sakura, a obstetra que faria o parto vestiu imediatamente Tomoyo com a imensa capa médica azul, uma touca e o protetor de boca branco e Sakura apenas soltou a mão de Tomoyo para que ela fosse vestida com aquela roupa médica quando a obstetra disse pra ela que ela entraria na sala.

Tomoyo ficou segurando a mão direita de Sakura com sua habitual câmera (pois esse momento, tão importante na vida de uma mulher, ela não perderia por nada desse mundo! Dizia ela) e Syaoran a esquerda; os dois, tendo suas mãos apertadas e torturadas a cada urro de Sakura; era suportável aquilo, pensavam os dois e Tomoyo pedia para a amiga querida ter calma, que tudo daria certo. Vai dar tudo certo. O mantra invencível. E tudo deu.

Nasceu, Chitatsu/Sholong (um nome que até mesmo os médicos confundiam, por não saber a pronúncia chinesa), silenciosamente, como se ainda dormisse, no dia 21 de maio de 2009, um evento que marcou a vida daqueles três para sempre. Imortalizado na câmera que Tomoyo havia trazido consigo e no autorretrato que Syaoran tirou de si e de Tomoyo com o menino nos braços, ensanguentado e quieto nos braços da amiga do casal. Tomoyo entregou o menino para Sakura e ela sorriu, desmaiando, por fim, por conta da pressão baixa e o cansaço que aquele parto todo tinha lhe trazido. Sholong chorou pela primeira vez.

 

S&T:FJ

 

Sakura ainda viu Tomoyo pela última vez, ao entreabrir os olhos e ver a amiga em seu vestido roxo, olhando entre as janelas daquele hospital, vendo os tímidos raios de sol que entravam por aquela janela. O menino não estava com ela mais, estava no berçário. Syaoran repousava em uma poltrona que estava ao seu lado e Sakura não tinha mais forças para se levantar da cama.

Com sua fraca voz, chamou por Tomoyo. Ela ouviu e se aproximou do lado da cama dela. Tocou a mão esquerda dela, beijou as costas da mão profundamente e Sakura, sentindo que ela podia se distanciar a qualquer momento, disse:

– Fica… do meu lado…

Tomoyo não respondeu e apenas cantou a canção que cantara ao rever Sakura, cariciando a face dela, a testa dela, os cabelos dela:

Kurayami no naka ni futari de tadayoinagara

Mujaki na kotori no you ni tsubasa wo yosete ita

Sabishii toki ni wa egao ni kakureru kimi wa

Tokenai koori no yaiba

Kono mune wo sarashite dakishimeru

Soba ni iru

Zutto…

 

Sakura adormeceu, Tomoyo beijou-lhe a bochecha suada e nunca mais o jovem casal viu a amiga….

 

The end… ?

 

Continua!


Notas Finais


As músicas que eu usei no capítulo foram “syncronicity” da Yui Makino (música totalmente SxS, mas útil para os fins da minha cena SxT!) e o poema “One born dragon”, parte da profecia do Final Fantasy IV e que se encaixa perfeitamente no nascimento do Chitatsu! (meu JRPG favorito e primeiro jogo que joguei no PSX!). A ambiguidade no nome dele é proposital e serve para expor as diferenças entre China e Japão mais tarde nessa fic… vocês vão ver quando eu chegar na parte do julgamento e tudo o mais…

Como esse capítulo me custou a sair, não porque me faltou a inspiração, mas é que ele ficou extenso demais! Tinha tanto a falar… preciso me controlar ou esse texto não sai! (E os outros que eu planejei também…).

Primeiro: Depois da lua de mel, a visita à Hong Kong. Essa foi uma parte “tensa” desse texto. Primeiro porque mostra que Syaoran nunca se esqueceu de dua missão de trazer as cartas Clow para a China. Vou trabalhar com mais cuidado numa parte mais avançada dessa história essa “ambiguidade”. Acho que daqui há dois capítulo já falo mais sobre isso. Se quiserem mais detalhes, leiam minha fic “Better Call Sakura!” Hehehehe!

A copa da liga Japonesa: eu amo esse fenômeno todo das redes sociais e tudo o mais e aproveitei pra começar a falar sobre elas no meu texto. Daqui pra frente, vai ser um assunto constante nessa fic; as redes sociais vão ser onipresentes! Afinal, os sites de interação de usuários podem se chamados de redes sociais? hehehe! Vamos debater!
O nascimento de Chitatsu: O que eu lamento por não ter falado agora, vou falar mais pra frente: a reação dos amigos e parentes de Sakura (A Sonomi vai entrar na lista de parentes da Sakura nesse texto também), mas vou deixar mais pra frente, para falar como a família e amigos de Sakura reagiram ao aparecimento de Tomoyo, um ano depois do casamento… hehe! O que eu mais gosto do meu texto são as cenas Sakura/Tomoyo, tão raras, mas busco colocar muita tensão e emoção nesses raros momentos… vou falar da Tomoyo, só que mais pra frente… bem mais pra frente…

Espero que gostem, afinal, esse texto não quis terminar!


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