História Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 85


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Autoridade, Comunidade, Espanha, Futebol!, Magia, Meiling, Orange, Organizações, Sakura, Tomoyo, Yuri
Visualizações 8
Palavras 3.849
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“Sakura, por fim, conhece o trabalho de Tomoyo (E deixa sua marca) enquanto a Ordem do Dragão se prepara para uma ação com um impacto tremendo…”

Capítulo 85 - Apenas um tempo a mais com você (Extra II)


Fanfic / Fanfiction Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 85 - Apenas um tempo a mais com você (Extra II)

Nos dias que se seguiram, Sakura, Chitatsu e Kero excursionaram por Barcelona acompanhados ora por Marcela, Pedro ou Tomoyo. Visitou o terreno onde estava sendo construídas as futuras instalações das Indústrias Daidouji na Espanha, as futuras instalações da confecção que Tomoyo estava montando na Catalunha, o Park Guell, a Casa Millá, a Casa Bartló, o Museu nacional da Catalunha, o Arc del Triomf, o complexo olímpico das olimpíadas de 1992, a arena de touros desativada, as atrações do monte Tibidabo, as praias, os clubes e comeu em uma porção de restaurantes pratos e mais pratos de comida mediterrânea. Kero adoou e foi o maior responsável pelos gastos com alimentação.

A última etapa da visita foi na Ciudad Esportiva Joan Gamper, em Sant Joan Despí, onde Tomoyo passava a maior parte do tempo.

A estilista fez questão de apresentar a amiga para cada jogador do clube, cada detalhe da instalação onde os jogadores se preparavam para o começo do campeonato no final de agosto e recebeu em troca inúmeras sacolas com camisetas e presentinhos do Barça que deixaria Syaoran irritado.

A última etapa da visita foram os escritórios da presidência do clube onde Bartomeu as aguardava por trás de sua larga mesa de presi, cercado por bandeiras do Clube e da Catalunha (e nenhuma da Espanha), sentado em sua poltrona confortável. O sol brilhava por trás das longas janelas e suas persianas:

– Ah, finalmente tenho o prazer de conhecer a amiga de Tomoyo que traz tanta inspiração para a nossa Diretora de comunicação social… – Disse o homem com um forte sotaque arrastado de Catalão que mal Sakura conseguiu entender as palavras em castelhano que ele dizia, principalmente os sons das consoantes bê, efe e vê que se confundiu toda na hora de cumprimentar o homem:

– Eu também fico muito feliz mesmo de conhecer o chefe da minha amiga Tomoyo… é uma coisa muito importante ser presidente do Farça, a Tomoyo já deve ter assumido essa função muitas vezes e não foi uma coisa nada fácil…

Tomoyo e Bartomeu olharam atônitos para Sakura, surpresos com a gafe dela. Durante os breves segundos de silêncio que demoraram para entender a inocência com que ela falara a palavra “Farça” (sempre usada em sentido pejorativo contra o Barça):

– Que foi gente, falei alguma coisa errada? – Perguntou Sakura. Ela estava tão confusa quanto incrédula com aquela seriedade toda.

Tomoyo deu um leve tapa na barriga de Sakura com as costas da mão direita, apertou a barriga, inclinou-se e desatou-se a rir freneticamente. Bartomeu fez o mesmo.

 

S&T:FJ

 

Touya analisava uma ressonância magnética quando uma mulher de cabelos castanhos longos deu uma fungada em seu pescoço e um abraço de sufocar:

– Amo-or! Já tá na hora de a gente jantar, não está?

Touya virou-se para a mulher e deu um beijo em sua boca que a mulher fez questão de prolongar por mais alguns instantes.

– E você, mocinha, não acha errado estagiários do hospital ficarem assediando outros médicos do hospital?

Deram mais um beijo, só que dessa vez, mais leve e rápido. A mulher envolveu os braços ao redor do pescoço dele.

– Eles já sabem de nós…

– E eu que queria uma coisa mais discreta… não tem como ser nada discreto com você, não é? – Disse ele, furioso como sempre.

A mulher sorriu:

– Não tem mesmo!

O casal se preparava para mais um terceiro beijo quando a porta do consultório de Touya de súbito se abriu:

– Nakuru, Touya, o jantar já está pronto; vocês me pediram pra avisar antes que desse a hora do intervalo da cantina… – Disse um homem baixinho de cerca de um metro e sessenta, cabelos lisos e curtos, pele muito morena, fortinho e robusto. Ele não era do Japão.

– Ah… Domingo, já tinha me esquecido desse detalhe! – Disse Touya, confuso.

– Sei que tem muitas coisas a se preocuparem, mas… ficar de barriga vazia no meio do expediente não é uma coisa muito legal. – O homem de cara rechonchuda sorriu.

Touya coçou a cabeça, embaraçado com a cena enquanto Nakuru sorria e gargalhava. Os três andaram corredores abaixo até o refeitório, mas é óbvio que Nakuru não perderia a chance de ficar agarradinha com o braço de Touya caminho abaixo. Foi logo depois de se casarem que Nakuru desembestou a querer virar médica a qualquer custo para acompanhar Touya. Dizia e dizia para Fujitaka que os Kinomoto seriam uma família de médicos de agora em diante, com Sakura, Touya e agora ela, Nakuru Akizuki Kinomoto. Eriol apoiava a Guardiã e concordara em financiar totalmente seus estudos.

– Como vai as Filipinas, Domingo? Alguma notícia da sua mãe?

– Ela está bem, um pouco fraca, mas vai indo bem… Creio que vou continuar mais um tempo aqui com vocês.

– Que bom! Você tem se mostrado um amigo valioso, Domingo Abarca! Você não sabe como o meu sogrão gosta de falar com você! – Chegaram ao refeitório e Nakuru deslizou os dedos pelo queixo rechonchudo de Domingo, arrastando Touya pela frente.

Olhando-os por trás de uma pilastra, Domingo refletia:

– Sim, é bom saber isso… Y viva la Reina, Y viva España y el império donde el sol nunca se pone… – Os olhos de Domingo brilharam ligeiramente em vermelho, com a excitação de ter entrado definitivamente no círculo interno da Família Kinomoto.

 

S&T:FJ

 

Dom Ramon Bustos, presidente de governo da comunidade mágica espanhola, um homem na casa dos seus trinta anos, um metro e setenta, pele morena, forte sotaque andaluz, cabelos lisos presos em um rabo de cavalo e cavanhaque bem-feito, fitava o horizonte por trás das imensas janelas de cristal de seu escritório dourado. O brilho era causado principalmente por conta das imensas estantes douradas cheias de frascos repletos de conhecimentos que ele retirava e depositava sobre uma bandeja em sua mesa. Por meio deles, tinha o conhecimento imediato de qualquer coisa e a visão de coisas distantes.

Foi para essa mesma bandeja que Dom Ramon apontou assim que saiu das janelas do escritório e voltou-se para sua convidada. Era visível que uma veia latejava em sua testa:

– Akiho Shinomoto, essa é a enésima vez que você me fala dessa tal de “Ordem do Dragão”, “Ordem do Dragão”, “Ordem do Dragão”. Quantas vezes eu tenho que dizer pra você que não tenho informações nos arquivos da comunidade mágica sobre essa ordem? Nenhuma ordem mágica passa desapercebida por nós, nem as clandestinas, nem as encrenqueiras como os “Salteadores da Catalunha”. Como eu vou me explicar pro Conselho Europeu sobre as duas mortes de magos e a morte daquela modelo nos Pirineus falando de algo tão fantasioso do que a própria magia pras pessoas comuns?

Akiho esbravejou contra o chefe de governo, desesperada; seus cachos em forma de concha de sorvetes estavam sem brilho, rebeldes, como se tivesse dormido ao relento:

– Eu estou falando que a Ordem do Dragão existe! Dom Miquel Tossel, o príncipe da Igreja, não passa de um assassino e um terrorista e tem muitos mais por trás dele!

– Você sabe quem você está acusando? – A voz de Dom Ramon se sobrepôs à dela. – Você está acusando um Príncipe, como você bem falou, um príncipe que tem mais reputação que o próprio Papa, de assassinato sem ter provas! Investigamos e investigamos o lugar e não encontramos resto de nenhuma energia mágica, você me entende? Sem nenhum rastro dessa energia mágica levando ao Cardeal, eu vou estar jogando a Comunidade mágica da Espanha na lama, e pior: vou bater de frente com a Igreja! Você tem ideia do que é isso? Durante milênios lutamos contra a Igreja pra alcançar a paz só no meio do século passado! Quantos bruxos e bruxas foram queimados nas fogueiras… Deus! Eu não quero começar uma guerra de novo… – Dom Ramon sentou-se em sua poltrona e fitou a bandeja diante de si. Por meio dela, podia-se ver a cena do crime sendo investigada por magos franceses. Nenhum deles tivera mais sucesso do que eles.

Akiho olhava para ele indignada. Tentou sua última cartada. Arregaçou a manga, apertou o antebraço com força e mostrou uma tatuagem alaranjada para ele na forma de um sol vermelho de 17 raios finos e prolongados:

– Eu tinha sete anos quando eles me levaram; a gente mal tinha se mudado da Galícia por conta do trabalho do meu pai; vivia em Hospitalet de Llobregat com a minha mãe e o meu pai quando eles vieram… – Lágrimas apareceram no rosto dela. – Eles apareceram com aquelas armaduras roxas, mataram meu pai na minha cara, minha mãe foi usada pra experimentos até a morte! Experimentos, só porque ela era uma feiticeira… uma bruxa…! Eu me lembro… Durante três anos fiquei trancada em um tanque de ensaio… presa a fios… Eles me diziam que estavam tentando fazer um experimento para conseguir as cartas Clow e eu seria muito importante pra eles… essas malditas cartas Clow… e eu era a única compatível… Trouxeram um cara da Itália, acho que o nome dele era Cláudio Ricieri, nunca vou me esquecer esse nome… esse rosto… o maior especialista nessa “lenda” toda. Mas eu me lembro bem do rosto do homem que abusou do meu corpo e me mutilou… não em sentido sexual… mas eu fui operada em estado consciente das mais diversas formas possíveis: barriga, cabeça, braços… a dor era insuportável! O desgraçado ainda colocava Cristo no meio! Falava que ele sofreu muito e que meu sofrimento era pouco e as Cartas Clow seriam a glória! Nunca vou me esquecer do rosto dele, do homem que me violou, porque o que ele fez foi uma violação… Dom Miquel Tossel, príncipe da Igreja… Cardeal Carmelengo… Os dois desgraçados se atreviam a rezar antes de me mutilarem! Miseráveis!

Akiho estava com a cara inchada, vermelha. Seus belos olhos azuis claríssimos estavam vermelhíssimos, com as veias em carne viva. Enxugava as lágrimas com a palma das mãos enquanto Dom Ramon se levantou de sua cadeira para segurar seus ombros:

– Akiho… sua dor é real… Você perdeu seu pai, sua mãe sim… mas investigamos e investigamos sua memória pra comprovar a sua versão dos fatos e tudo o que vimos… aliás, tudo o que Dom Sergi, meu antecessor viu, foi uma garotinha correndo assustada quando assaltantes mataram seu pai e a sua mãe. Você viu a cena… correu, correu, correu e Dom Miquel Tossel te salvou, te abrigou, te amparou e te deixou três anos num orfanato de Barcelona até que seu tio, irmão da sua mãe, veio te buscar pra morar na Galícia…

– Eles adulteraram minha memória! – Akiho deu um último berro, agora rouco.

– Eu sei… se isso for verdade… Essa Ordem do Dragão é a organização mágica mais temível que já existiu… Não temos nenhum rasto das suas atividades… Descanse… ninguém vai te dar crédito porque Dom Miquel é a pessoa mais confiável da Espanha pra noventa e cinco por cento da população… a última pesquisa indicou isso…

Akiho deu uma fungada no catarro que estava escorrendo, virou as costas e saiu do escritório, desolada, acabada, destruída. Dom Ramon deu um profundo suspiro e fechou os olhos por um tempo. Depois, voltou-se para suas estantes douradas cheias de frascos e pegou o frasco mais negro que encontrou, contemplando-o:

– Eu bem que podia te ajudar, Akiho, mas sou só mais um peão nesse jogo todo, nas mãos de dois velhos assim com você; apesar de ser o interventor de Madrid… não tenho força contra eles…

Abriu o frasco e um fio negro brilhante escorreu de lá. Ao atingir o chão, o fio tornou-se uma espécie de armadura medieval roxa com capacete, gorjal, manopla, saiote, peitoral, caneleira e braçadeiras e uma capa vermelha nas costas. A armadura parecia ser feita de uma espécie de metal, plástico e poliéster únicos no mundo e muito brilhante. Desenhada na capa, havia as sete estrelas brancas da bandeira de Madrid.

– Aparezca, Dragón!

A armadura, como que por repulsão, explodiu no ar e implantou-se no corpo de Dom Ramon como se fosse atraída pelo corpo dele. A armadura tinha forma de um ser humano.

Dom Ramon pulou pela janela e atravessou-a sem quebrar, voando pelos céus como se fosse o super-homem.

Voou algum tempo pelos céus até se deparar com o palácio flutuante da ordem, o mesmo palácio de pedras negras e estandartes negros com o sol de dezessete pontas em vermelho, de raios prolongados. Cada uma daquelas pontas tinha a forma da cabeça de um dos dezessete répteis da Ordem do Dragão, inclusive o ser humano, as aves, animais do período pré cambriano e os dinossauros.

O imenso portão da entrada tinha dez metros de altura por sete de comprimento. Fora antigamente a entrada para o fosso dos dragões quando o Palácio Flutuante nem sequer era da Ordem, servindo como uma base para operações avançadas dos Centuriões Mágicos Romanos para subjugar os celtas com os seus dragões, que assolavam o norte da Hispânia com sua magia.

A passagem era um imenso túnel negro de cinquenta metros com archotes de chamas verdes que raramente apagavam a cada um metro e meio.

– Deuses, essas muralhas são realmente grossas mesmo! – Admirou-se o Interventor, tocando nas pedras negras. O palácio era quente como a pele de um Dragão.

Do lado direito, estava a antiga entrada do fosso, ainda selada com pedras negras e fogo de dragão. Adiante, o túnel se abria para um pequeno jardim que era reflexo do grande jardim mais adiante. Vira o chafariz, as ervas que cresciam aos pés das quentes paredes. Não tinha tempo para isso. Tinha que ir para a entrada à direita e abrir a porta para a pequena biblioteca, onde era aguardado.

Abriu a porta, andou sobre a tapeçaria vermelha para observar Dom Miquel e Dom Tito, o Arquieparca em sua armadura roxa e capa vermelha e o regente em sua armadura dourada e capa vinho, os dois jogando xadrez com uma clara cara de tédio. Ele sabia que os ingleses jogavam uma espécie de Xadrez onde as peças eram vivas e se destruíam umas às outras e depois se restauravam no final do jogo. Dom Tito perdia. Ele, Ramon Bustos, era bom no xadrez e quase virou grão-mestre quando vivia no mundo dos humanos, mas os deveres do pai como mago o afastaram do universo da mãe. Podia ganhar dos dois facilmente. Eram dois velhos sob a luz do archote, um de setenta anos e o outro de noventa, mas que tinham muita força vital pra ressuscitar os antigos dragões de Hispânia do Fosso dos Dragões e nenhuma perspectiva de vida para ver o inferno que criariam na Europa e no mundo, pensou. Mas bem que eles poderiam estender as suas vidas indefinidamente como fez seu colega Interventor do País Basco e isso era um perigo.

Olhou para o lado e a Gerenciadora Basca estava lá, em pé, aguardando-o ao lado da sua Gerenciadora de Madrid. Cumprimentou-as silenciosamente. As duas eram muito amigas e lamentava-se que aquela bela gerenciadora Basca morreria em pé esperando ser a Interventora. Vinte Gerenciadores Bascos a antecederam.

– Já chegou? – Dom Miquel ergueu os olhos para ele. – Já estou na minha terceira partida. Xeque-mate. – O Cardeal moveu sua torre contra o rei encurralado pelo cavalo.

– E eu estou cansado de perder. – Dom Tito virou furiosamente seu rei.

Os dois se levantaram e foram até os sofás. As amigas gerenciadoras os seguiram.

– Porque o senhor me chamou em especial, Regente, Arquieparca?

– Chamamos a todos, Dom Ramon, mas só o senhor nos atendeu… não faz mal… – respondeu Dom Tito.

– O Interventor Basco teve a bondade de mandar sua gerenciadora e uma carta de desculpas… – Disse Dom Miquel.

– Os interventores têm… independência desde que a Ordem é Ordem…

– Covardes… – Dom Tito encheu um copo de vinho e se serviu. – Informações valiosas chegaram até nós e todos fogem… é assim que querem servir a Ordem?

– Vossa Graça, peça para qualquer Gerenciador para roubar as cartas e eles obedecerão. – Respondeu Dom Ramon.

– Primeiro, a investigação, Interventor. – Disse Dom Miquel, servindo-se também. – Desde que Sakura Kinomoto pôs os pés na Catalunha, venho me dedicando a estudá-la e tenho uma ideia dos poderes dela e do alcance… Dom Domingo Abarca nos fez um grande serviço em conseguir informações sobre as cartas da família dela sem perceberem… as ruas e as pessoas de Tomoeda estão cheias de memórias…

– Sei… seus dons Pré cognição são realmente excepcionais. “Eles estão mais adiantados do que eu pensei, achei que teria mais tempo” – Pensou. – Falando de cartas, Akiho esteve comigo… ela me contou tudo…

– Ah é? – Dom Miquel sorveu seu vinho de uma só vez e depositou a taça na mesa. – Que diga, acompanhamos todos os passos dela… todos… e não tem jeito de ela nos trair…

– Você maltratou essa menina demais, Arquieparca. Por isso eu tenho medo do que você pode fazer com o pobre do Chitatsu Kinomoto…

– Era tudo coisa do maluco do Cláudio. Insistia em explorar ela ao máximo pra obter as cartas Clow a partir dela… no fim, conseguimos reformular o báculo que ele chamou de “Báculo dos sonhos” e algumas cartas que ele chamou de “Transparentes”. Essas cartas se mostraram uma total decepção; ela é mais forte do que um mago de categoria A, é verdade, mas essas cartas transparentes nunca vão ser melhores que as cartas Clow originais… só são uma sombra delas… Ela me serviu por uns dez anos até eu enviá-la pelo mundo pra analisar o casal Li até o tutano… já foi mais útil antes, mas agora… não serve mais pra nada… Era melhor ter deixado ela como estava…

“Ele nem sequer nega ou tem pena dela”, Pensou Dom Ramon.

– Mas ela realmente não tem utilidade mesmo? – Perguntou Dom Tito.

– O Cláudio e a Stregheria gostam de se gabar que eles que começaram a apurar a verdade ou falsidade da existência das cartas… fomos nós que começamos o trabalho sujo! – Dom Miquel apertou com força suas mãos em suas coxas.

– Com o perdão da palavra, Vossa Graça. - Perguntou a gerenciadora de Madrid. – Voltando ao assunto, que espécie de informações obtemos dela?

– Você logo saberá. – Disse Dom Tito. – Anuncio-vos o nosso novo Enviado da Ordem do Dragão por Castela Mancha… Gerard, o Catalão.

O coração de Dom Ramon deu um salto em seu peito.

As portas se abriram e um homem corpulento com barba rasa, ainda por fazer e cabelos finos, que exibiam uma ligeira careca, apareceu com a armadura roxa de Castela Mancha com o elmo do Monstro de Gila debaixo dos braços. Enviados, Gerenciadores e Interventores eram as patentes mais altas da Ordem, eram escolhidas a dedo, ocupadas por apenas uma pessoa cada, compartilhavam a mesma armadura e não exigiam um histórico dentro da Ordem, somente a capacidade de exercer a função. Caso os três estivessem juntos, a armadura era duplicada e até mesmo triplicada.

Dom Ramon levantou-se de imediato:

– Desde que lutamos contra os árabes na Andaluzia, nunca vi uma ascensão tão alta na Ordem desde Al-Malik, o primeiro árabe a usar a armadura de Enviado da Andaluzia…

– Poupe-me do seu gracejo, Interventor; era eu quem deveria usar essa armadura, você bem o sabe…

Dom Ramon não tinha boas memórias de Gerard. Era um garoto da Catalunha enviado para Madrid para tentar usar as armaduras superiores da Ordem do Dragão já que Dom Miquel já era o Gerenciador da Catalunha há tempos. Os dois já tinham passado pelos pré-requisitos para entrar na Ordem quando Dom Gabriel, o outrora Interventor de Madrid, pôs os dois para lutarem. Dom Ramon tinha levado a melhor e Dom Miquel tratou de colocar ele como Domador de Dragões nos calabouços do Palácio da Catalunha por ter frustrado as expectativas dele.

– Você que não sabe nada da Nossa história… nem nunca soube desde que Dom José tentou em vão enfiar o “Livro negro” na sua cabeça…

– Como é que é?

Os dois se encararam. Raios negros e vermelhos saíam das mãos dos dois.

– PAREM OS DOIS! – Esbravejou Dom Tito. – Caso não saiba, Interventor, tenho uma grande missão para Gerard que vai lhe garantir o posto de meu Gerenciador assim que ele tiver sucesso nela. É bom que aprendam a se respeitarem.

Os raios vermelhos se dissiparam até pararem. A encarada dos dois continuou por mais algum tempo até se sentarem e Dom Miquel explicar o plano:

– Dia 13 de setembro, domingo, meu sobrinho, Dom Felipe VII e minha neta, Dona Sofia, vão visitar o parlamento da Catalunha dois dias depois da Diada. É uma visita de três dias. O objetivo da visita é conversar com os empresários catalães e participar de uma cerimônia no Parlamento com um fim puramente político: Ele vai tornar Tomoyo Daidouji em Roupeira Real, segunda roupeira, pra ser exato. É o primeiro passo pra torná-la em uma nobre da coroa, dando pra ela um título de “Dona”. Pra virar uma Baronesa, uma Condessa é mais um passo… A Catalunha ama Tomoyo e detesta a monarquia; ele pretende fazer isso na frente dos empresários pra mostrar pra aqueles independentistas que ele é o Rei dos Catalães e deseja colocar a Catalunha num papel de destaque na Espanha… Meu tolo sobrinho dá mais que os dedos pra aquelas sanguessugas quando eles querem o braço todo e até metade da Nação se pudessem! – Disse Dom Miquel.

– É durante essa visita que usaremos cinquenta homens e mulheres da nossa Cavalaria de Dragões pra atacar o Parlamento com tudo disfarçados de guardas reais… – Respondeu Dom Tito.

– E o comando vai ser meu. – Gerard apertou com força os punhos. – Eu vou entregar a cabeça de Dom Felipe VII numa bandeja prateada como uma homenagem ao Dragão Principal… Coisa que você não tem coragem de fazer, não é, Ramon? Sempre rastejando nos pés do Rei e nunca se atrevendo a se sacrificar em prol da nossa Ordem…

Dom Ramon olhou para Dom Miquel e não viu nenhuma reação no rosto dele. “Vai mandar o sobrinho pra fogueira mesmo e nem sente nada”. Depois, voltou-se para Gerard:

– Eu sou o presidente da Comunidade mágica espanhola, caso não saiba! – Dom Ramon voltou-se para Dom Tito. – Pretende obter as cartas ou só matar o Rei?

– Ele só vai matar o Rei. Aproveitaremos a confusão para estudar um pouco mais as cartas Clow e nos preparar para um ataque definitivo contra Sakura mais tarde… lembre-se que ela tem o Marido e a Tomoyo para protegê-la… não podemos nos arriscar muito conta uma coisa que desconhecemos que é o alcance dos poderes de Sakura, apesar do excelente trabalho de Dom Domingo Abarca… – Dom Tito umedeceu a garganta com um gole de vinho.

“Falam da morte de um Rei como se fosse a morte de um animal”

– Vossa graça, terei eu algum papel nessa obra?

– Não, meu bom interventor, deixarei o comando nas mãos de Gerard; se quiser participar ou contribuir com conselhos, terá que se por sobre o comando dele. – Respondeu Dom Tito.

Dom Ramon fez um gesto com as mãos e chamou sua gerenciadora. Ela levantou-se e ficou do seu lado.

– Agradeço a honra, mas rejeito. Jamais em nossa história um Interventor serviu um Enviado… “Ou sequer matamos o rei”, Pensou.

– Os tempos mudam… – Respondeu Gerard.

– Boa sorte na sua empreitada. Y viva la reina Sofia!

Fez uma reverência e bateu as portas. Aquele convite foi uma ofensa.

 

Continua…

 


Notas Finais


Por trás do Báculo: A cena da Sakura falando “Farça” foi uma coisa que apareceu de repente na minha mente e que eu resolvi aproveitar e colocar aqui, coisa que não acontece com a cena do Touya: eu há muito pensava em colocar ela aqui, mas daí, descartei pra depois retomar ela. Nessa parte da História, estou colocando todas as peças importantes que vão fazer parte do jogo para obter as cartas Clow daqui em diante e Touya é importante porque ele é do Núcleo Japonês da História e tenho planos para ele, não para agora, mas para frente; por hora, não pretendo que ele apareça muito.

Essa série de capítulos foi meio que um Laboratório que eu fiz e estou satisfeito com o resultado. Cada uma fala de um ponto de vista diferente dos atores dessa guerra pelas cartas, seja a Ordem do Dragão ou Sakura e sua turma. Todos tem sua importância aqui…

E, além disso, essa é uma história de amor! Hehe!


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