História Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 86


Escrita por: ~

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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Autoridade, Comunidade, Espanha, Futebol!, Magia, Meiling, Orange, Organizações, Sakura, Tomoyo, Yuri
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Palavras 3.579
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“Nos imensos salões do Palácio da Zarzuela, um guarda real anda inquieto…”

Capítulo 86 - O Guarda Real


Fanfic / Fanfiction Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 86 - O Guarda Real

 Palácio de Zarzuela, Madrid, Agosto de 2015

 

– Atenção, Sentido! Direita, volver! Segundo pelotão, avante!

Hesitante, os dois pelotões de vinte cinco homens cada, de farda azul tradicional obedeceu ao homem de olhos puxados, cabelo tigela castanho e rosto branquíssimo.

“A cada dia se torna mais fácil. Eles estão se acostumando comigo”

Diante do portão de mármore do palácio, um homem tomou a frente de cada um dos pelotões. Marcharam três passos e bateram continência:

– Tenente García, entregando a patrulha sem alterações!

– Tenente Sanchez, recebo a patrulha sem alterações!

Os dois homens deram meia volta e entraram em formação.

– Fora de forma, marche! – Gritou o homem de feições chinesas e profundos olhos verdes, em bom castelhano, como se fosse sua língua mãe.

Os soldados deram um passo a frente e se dispersaram. O primeiro pelotão foi direto para as casernas; estavam cansados e haviam terminado a sua vigília. O segundo pelotão começava a assumir seus postos ao redor da muralha interna do palácio e garantir a privacidade da família real. Do alto de um parapeito, com as mãos em um balaústre, sob a luz do sol, três pessoas observavam. Um homem de farda azul com ombreiras douradas, várias medalhas no peito e cabelos grisalhos estava sério ao lado de um homem bonito e um pouco menor, cabelos longos e lisos, barba espessa e bonita, olhos azuis-claros e terno e gravata, cheio de anéis nos dedos. Por fim, havia uma menina loira de cerca de seis anos em um vestido de princesa com os mesmos olhos azuis do homem bonito.

Os três saíram do parapeito, descendo as escadas laterais. A menina estava de mãos dadas com o homem de farda azul que fazia perguntas constantes para ela:

– Você sabe o que estávamos fazendo agora?

– Sim, General Bandeiras. É a troca de guardas, não é? São oito da manhã e a guarnição sempre faz a troca nesse horário…

– Muito bem, minha princesa! Sabe o que eles fazem?

– Eles me protegem e protegem o papai…

De repente, a pequena princesa descolou-se do General e saiu correndo até ele, sorrindo:

– Shoran!

– Princesa Sofia!

Shoran abriu os braços para pegar a menina no colo. Abraçou-a. Como era delicioso sentir o perfume daqueles cabelinhos cor de ouro clarinhos, ondulados, gregos, herdados da mãe. Seu peito esquentava e sua respiração se tornava irregular quando ela estava perto de si. Ela sentia isso e seu corpinho ficava quente também nos braços dele.

“Ela é apenas uma criança, ainda uma criança. Lembre-se disso”.

Soltou-se do abraço e ela sorriu para ele. Como ele amava a cor daqueles olhinhos azuis. Desmontou-se todo, quebrou o protocolo e sorriu também como uma criança para ela. Deu um beijo na testa dela antes de soltá-la e levar uma bronca do General:

– Capitão Syaoran, Princesa Sofia. Olhem a compostura. Vocês estão diante da guarda real inteira!

A princesinha colocou as mãos na cintura, inflou as bochechinhas e tentou olhar feio para o Oficial General:

– Dom Javier Bandeiras, o Capitão Shoran é meu amigo e é dever da guarda proteger as intimidades da Família Real. Não posso ter um amigo?

O general agachou-se até ficar na altura dela:

– Não na frente da guarda toda, princesa… Receio que esteja atrasada pra sua aula de Espanhol. A Carmem Bandeiras, minha neta, está te esperando… – O general olhou para o parapeito onde uma menina de cabelos pretos lisos e feições japonesas acenava para ela. A menina correu parapeito abaixo e curvou-se para o General e para o homem bonito, levantando a aba do vestido:

– Majestade, Senhor comandante! Peço permissão para falar com a minha amiga, a Princesa Sofia. – Mesmo sendo o Avô, ela o cumprimentava com extremo respeito, seguindo o protocolo à risca fora do ambiente familiar dela.

O general consentiu e a primeira coisa que ela viu foi Syaoran. Corou-se toda quando o viu, os belos cabelos castanhos e os profundos olhos verdes. O capitão notou e sentiu uma pontada de dor no peito quando a viu. Sorriu para ela, não com alegria, mas sim, melancolia e tristeza:

“Lembre-se, ela ainda também é uma criança, assim como a Princesa Sofia”.

– Nossa Carmem, como você é chata! Estamos dentro do palácio, não precisa ser tão formal assim com o seu vovô! – Disse a Princesa Sofia, cruzando os braços, virando o rosto. – E ainda tá cedo, a aula é as nove!

– O professor Hidelbrando vai passar mais cedo. Ele tem aula na Universidade… vamos, Princesa…

– Sofia, Carmem, Me chama de Sofia! Deixa eu me despedir do papai e do Capitão Shoran.

A princesinha abraçou e beijou o pai que se agachou para ficar na mesma altura que ela:

– Boa lição, filha; aprenda bastante que eu quero ver minha sucessora muito sabida! – O rei deu uma alisada no nariz da filha enquanto ela beijava as bochechas barbudas dele.

– Até mais tarde, Papai!

Levantou a aba do vestido para o General antes de correr para Syaoran.

– Senhor comandante, Capitão Shoran!

Ele colocou-se na altura da princesa só pra ser beijado por ela no rosto:

– Dedique-se, hein?

– O professor Hidelbrando só ensina música pra gente… ele fala que a gente ainda é muito nova… ele é muito chato…

– Princesa! – Carmem ficou surpresa com o que ela disse.

– São canções em espanhol, catalão, galego e basco que são muito importantes pra que a pequena princesa conheça seu povo e se torne uma boa rainha mais pra frente e seja cortejada pelos grandes príncipes da Europa; você quer ser uma rainha amada até na Catalunha, não quer?

A pequena princesa ficou um tempo olhando para ele, sorrindo como uma traquina:

– Se eu tiver alguém como você do meu lado, Capitão Shoran, eu vou ter tudo! – Para surpresa de todos, Sofia soltou os lábios com tudo contra a bochecha de Syaoran e deu um abração no pescoço dele. Carmem ficou assustada, mas os adultos não esboçaram reação. Eles sabiam que a pequena princesa era assim.

– Papai, raspa a barba, o rosto do Capitão Shoran é muito lindo e eu gosto muito dele assim!

– Vou considerar, minha pequena, vou considerar…

Durante um segundo, um segundo apenas, Syaoran fechou os olhos só pra sentir eles umedecerem com aquelas palavras.

– Vamos, Carmem.

Sofia correu escadas acima, passando pelas portas de vidro que separavam o interior do palácio do pátio externo.

Ao lado do Rei e do Comandante da Guarda Real, Carmem estava parada, hesitante. Ela também queria fazer tudo o que Sofia fizera com ele, Syaoran sabia. Por fim, o tempo rugiu e ela tomou coragem:

– Permissão, Capitão.

“Ela ainda é apenas uma criança, lembre-se disso”

Syaoran a segurou no colo e deixou que ela o abraçasse, o beijasse no rosto. Ela ficou tanto tempo fazendo isso que Sofia voltou ao parapeito para chamar a amiga:

– Carmem, deixa meu Cão de Caça e vem estudar! Para de paquerar ele! Ele é meu! Vai arranjar o seu! O fessor Hidelbrando tá chamando…

Carmem se soltou de Syaoran e correu para a amiga, com o rosto corado, tremendo com o comando da Pequena Princesa. Termia tanto que tropeçou no último degrau e foi ajudado por ela a se levantar.

O general aproximou-se dele e ele se pôs em posição de sentido:

– Perdão, General, vou lembrar a Princesa do seu lugar…

– Não é necessário, Cão de Caça, vejo que a princesa sabe se colocar no seu lugar e colocar até mesmo o Comandante da Guarda Real no lugar… Boa sorte, com ele…

O general afastou-se, dando um ligeiro tapa no ombro dele, apontando para o Rei, que já havia voltado para o parapeito. Subiu as escadas e pôs-se a falar com o Rei.

– Majestade. Deseja falar comigo?

O rei sorriu:

– Syaoran…

– Prefiro Cão de Caça, se não for muito, majestade.

– Como queira… posso usar seu nome verdadeiro, o que acha?

Cão de Caça fez não com a cabeça. O Rei sorriu. Cão de Caça sabia que era uma brincadeira do rei com ele.

Ele estava cansado de ouvir aquele nome. Syaoran Li y Daidouji era seu nome oficial na Espanha, filho de Syaoran Li, nome de seu pai, avô e bisavô, migrantes chineses que viviam há quatro gerações na Espanha e de Tomoyo Daidouji, uma prima menor do ramo sem dinheiro dos ricos industriais Daidouji, do Japão, que migrara para a Espanha em busca de ter sucesso como modelo; acabou não conseguindo nem um e nem outro. Nascera em 1985, em Melilla, a cidade árabe da Espanha, fora do território espanhol e criado sob a religião do norte da África, mas não era praticante, nem costumava ir regularmente na mesquita. Seus pais nunca foram endinheirados o bastante e resolveu se juntar aos oficiais do exército na esperança de conhecer seu país que conhecia apenas nos livros e na televisão. Estava no exército há doze anos, servira em La Rioja, Extremadura, Castela Leão, foi até o Afeganistão com a OTAN e já estava na Guarda Real. Seu castelhano sem sotaque estrangeiro, seu sucesso e suas feições estrangeiras lhe valeram anos de preconceito e olhadelas feias.

Essa era história sua oficial.

Essa era sua história, ele não era ninguém importante, só alguém com um certo talento e muita sorte na vida. Um muçulmano, africano ferrado filhos de gente mais ferrada ainda, sem posse, sem ambição. Fora escolhido pelo rei para ser oficial da guarda por pura sorte.

Era essa sua história. Não era ninguém em especial…

… Mas era amado desde cedo pela Princesa Sofia, e para sua infelicidade, pela sua amiguinha, Dona Carmem Bandeiras y Nakayama, futura condessa de Vilassar de Mar, na Catalunha:

– … O peso que eu coloquei nos seus braços é grande, não é? – Perguntou o Rei.

– Nunca vai ser pesado carregar a Princesa Sofia…

– Digo pelo seu coração… você ama ela, não ama? Seu coração suporta aqueles abraços e beijos? Ela é direta com você e já começa desde cedo a te amar… já consigo ver o final disso…

– Não é uma história feliz de se ver, Majestade…

– Mas você conseguiu impedir esse amor puro e inocente que sente por ela? Esse amor sem desejos, nem malícia? O seu e o dela?

Syaoran ficou em silêncio por um tempo.

– Não sei, majestade, pra ser honesto… só quero a felicidade dela… ela é só uma criança… só uma criança… seja hoje, seja amanhã… Só quero ver ela sorrir…

– Eu não estou falando da Dona Sofia criança, estou falando da Dona Sofia que você viu…

– Prefiro não falar dela e…

– E se esquecer que você é um homem e que ela, futuramente, vai ser uma mulher? Hoje ela é uma criança, mas você já viu ela como uma mulher feita amanhã. Te invejo; nem sei se vou viver pra ver a minha filha crescer. Você realmente é filho de Tomoyo pensando mais nela do que em você! – O rei tirou as mãos do balaústre e começou a caminhar para dentro do palácio. – Não importa o que aconteça pra frente, Syaoran, eu estou te enviando para o meio de serpentes e o seu batismo acredito que vá ser quando eu for pra Catalunha mês que vem. Me prometa que você vai proteger a vida da minha filha até mais do que a minha, mesmo se ela estiver sob ameaça, você me promete? Você me promete que, se tiver que se dividir entre a minha vida e a vida dela, use o seu amor por ela e o carinho enorme que ela sente por você como um escudo para protegê-la, por mais que… Por mais que… – O rei segurou os ombros dele e o fez olhara para si. Syaoran hesitava e virou o rosto. O rei percebeu. – Isso é uma ordem, Syaoran, não estou falando pra você escolher, mas sim, obedecer e você vai obedecer, não importa o quê.

Syaoran olhou para ele, juntou a palma das mãos e girou. Uma espada saiu de dentro de seu braço. Ele depositou a ponta da espada aos pés do rei, ajoelhou-se, segurando o cabo dela:

– Minha vida é do senhor, Majestade, Minhas ações, atos e pensamentos estão voltados para as ordens de Sua Majestade, para a proteção de Dona Sofia e a preservação da ordem do Reino. Em nome de Dom Felipe, sétimo de seu nome, Rei de Toda Espanha, por Cristo, nosso senhor…

– Muhammad, nosso Profeta, que a paz esteja com ele; lembre-se que você é de Melilla, Syaoran… – Corrigiu o Rei.

– … Muhammad, e que a paz esteja com ele, eu lhe juramento a minha espada.

– Pode se levantar.

O rei abraçou Syaoran. Um abraço longo e apertado:

– Eu também tenho direito a ter a minha privacidade e ser mortal ao menos uma vez na vida. Minha filha entende disso mais do que eu, que fui criado do lado de padres que me veneravam e me proibiam de quase tudo…

Os dois olharam para ver se eram observados; os guardas estavam longe demais para terem visto alguma coisa. O Rei deu um afago nele antes de voltar aos seus afazeres reais.

 

S&T:FJ

 

O tapete de lã vermelho com detalhes dourados e diversos brasões da família Bourbon era confortável aos pés, mas seus nervos doíam e sentia a tensão de cada passada ao andar por eles. Consequência disso era que sua respiração começava a ficar pesada, mais uma vez; tentou repetir seu mantra invencível.

“Ela é só uma criança, é apenas uma criança… Isso não deveria ter problemas…”

Mas tinha. O grande risco de alterar drasticamente a história a cada olhadela que ela dava para ele. Tentava se manter afastado dela o máximo que podia, mas ela era a princesa das Astúrias e ele era seu guarda real particular. Por fora, ele era Li Syaoran, filho de Syaoran, mas por dentro, só ele mesmo sabia o que era.

Cumprimentou os dois guardas reais na porta do quarto dela antes de entrar.

Era de noite. O Quarto era amplo como devia ser próprio de uma princesa, cheias de grossas cortinas, uma lembrança quando os tapetes eram usados em paredes em vez do chão. Dois imensos lustres de cristal iluminavam o espaço. Havia uma porta para o closet e outra para o banheiro privado, próxima a cama feita com o colchão mais macio da Europa, cheia de penas de aves e molas. Era alto demais para a princesa subir por si, por isso, tinha uma escadinha de madeira aos pés dele.

A princesa olhava para um livro grosso cheio de gravuras, típico do mundo dos magos. Ao lado dela, estava o homem de armadura roxa e capa vermelha com as sete estrelas brancas de Madrid nas costas.

– Nossa, Dom Ramon, essa é a ilustração de todas as cartas Clow?

– Sim, princesa. Você consegue ler a capa?

– O professor Hidelbrando tá me ensinando… vou tentar…

Com dificuldade e lentidão típicas para a idade dela, a princesa passou os dedos pela capa do livro. Ele aprendera a ler kanjis com quatro anos, ensinado pelo pai e aos seis, já começava a ler seus primeiros grandes livros sem dificuldades.

“Ela é apenas uma criança, lembre-se disso”

– O livro de Clow, um ensaio, por Domingo Abarca.

– Isso mesmo, princesa! – Dom Ramon bateu palmas para ela. Dona Sofia agitou-se toda e bateu as palmas das mãos contra as dele também.

A princesa folheou mais algumas páginas:

– Essa aqui é a Sakura, Dom Ramon?

– Sim, ela é a atual proprietária das cartas… do lado dela estão Kero e Yue, os guardiões dela.

– Puxa vida, posso falar pra Carmem sobre isso?

– Não, Princesa, isso é um segredo entre eu e você…

-- Não posso falar nada ainda pro meu papai?

-- Ainda não, Princesa, mas pode falar comigo, com o vô Dom Miquel... 

– E com o Cão de Caça, não é?

Dona Sofia levantou os olhos para Syaoran, sorrindo, mostrando a janelinha nos dentes que ganharam no final daquela tarde quando tropeçou e correu:

– Eu, você e o Capitão Shoran!

– Sim. – Dom Ramon cumprimentou-o com um olhar e a princesa virou mais uma página do livro. Nela, havia a foto de um menino de cabelos castanhos bagunçados e profundos olhos verdes, bem diferentes dos cabelos tigelas do Syaoran que estava na sua frente:

– Nossa! – A princesa colocou as mãozinhas na bochecha, admirada. – Que menino é esse com o Kero voando do lado dele?

“Deus! Até mesmo em foto ela consegue sentir…”

– Esse é o Sholong Li, também conhecido como Chitatsu Kinomoto… ele é o filho da Sakura…

– Vai ser ele quem vai herdar as cartas da mesma forma que eu vou herdar a Espanha?

– Não, alteza, a Senhora quem vai herdar as cartas…

– A Sakura vai dar pra mim? – A princesa perguntou animada.

– Não. A gente que vai te dar…

O capitão Syaoran fez uma cara triste. Dona Sofia percebeu:

– Esse Chitatsu podia ser meu amigo e a gente podia dividir as cartas juntos… – Disse a princesa, fazendo biquinho, fechando o livro.

“Você não sabe nada, princesa, ainda bem…”

– Princesa, acho que já estudamos as cartas demais por hoje. Agora é hora de dormir, mocinha!

– Mas você não me ensinou nada de novo hoje, Dom Ramon! – A princesa estava visivelmente frustrada.

– Ora, Dona Sofia, esse livro tem muito mais informações do que você imagina… amanhã te ensino a conjurar fogo, está bem?

A princesa virou a cara pro lado, com os bracinhos cruzados sobre o peito, olhou para o Capitão Syaoran que fez sim com a cabeça.

– Tá bom, então.

– Agora vá tomar seu banho, vestir seu pijama e escovar bem seus dentes fazendo bolinhas, assim! A gente vai te esperar aqui e daqui a pouco o papai vai vir aqui te contar uma história.

– Vocês prometem?

Os dois fizeram sim com a cabeça.

– Vou indo então… – A princesa desapareceu nas infinitas dobras de roupas do Closet, buscando o pijama. Dom Ramon fez um gesto para o Capitão, guiando-o até a sacada. O vento quente de verão começava a esfriar a cada noite, o Capitão percebeu. A capa de Dom Ramon vibrava na ventania.

– O outono está chegando, não acha? Acho que a sua missão também…

– Por que a princesa me chamou?

– Pra dar um beijo de boa noite no “Cão de Caça” dela… ela gosta de você e me fala disso direto… acostume-se com isso…

– Isso não deveria acontecer… – Syaoran irritou-se. – Pedi pro Rei continuar a minha vigília em Barcelona… mas ele me pede pra ficar com ela… ele é um mago, ela também, ele sabe as consequências disso tudo… você viu ela olhando as fotos?

Dom Ramon não respondeu.

– Céus! E se ela descobre tudo?

– Não vai descobrir, o rei tem certeza disso…

– Ah, é mesmo? Agora eu estou realmente surpreso, Interventor, com o que eu descobri hoje. Pois nem eu mesmo imaginava que o Ordem do Dragão sabia tanto sobre as cartas nessa época… Vocês sabem tanto quanto os americanos ou os chineses…

– Até mais do que eles. Sakura está na Espanha, lembre-se disso…

– Já até estão falando que as cartas vão ser dela?

– Você não faz ideia do que você não sabe ainda, “Syaoran”, apesar de achar que ela não sabe nada ainda, e não sabe de nada mesmo. – Dom Ramon apoiou o antebraço no parapeito. – A princesa nunca viu a mãe, nunca esteve com ela, o pai sempre anda ocupado… Sou eu quem ensina magia pra ela no fim do dia e um batalhão de professores Universitários com títulos de nobreza trata de cansar ela com Geometria, história, línguas… Você faz ideia da pressão que ela sofre? Ter que aprender seis línguas por dia e não ter ninguém pra dividir isso? Sua Majestade queria apertar mais o cinto, mas os professores falaram que a Princesa não vai ser uma superdotada e que ele podia maneirar… Ter uma pessoa do lado dela é saudável pra idade dela, ter você, justamente você do lado dela é o que o Rei quer… Sabia que ela implorou pra mim pra falar pro pai dela pra deixar ela ir pra escola como as outras crianças? O rei quer evitar isso, a Princesa pode revelar mais do que o necessário e vai dar um trabalhão limpar as besteiras que ela fizer… Fora que ela vai se tornar um alvo fácil pros extremistas da Ordem fora daqui, pra aqueles que querem matar o Rei… Ela é a chave… Você entende, não entende?

– Entendo…

– É exatamente por isso, O general Bandeiras instalou a neta dele no palácio, pra fazer companhia pra princesa… e olha que ela gosta e, pra nossa alegria, Dona Carmem tem poderes mágicos assim como ela… As duas aprendem juntas…

– O Rei não sabe o que faz…

– Eu acho que ele sabe mais do que eu e você… – Dom Ramon virou-se para ele, saindo do parapeito, encarando-o. – Você tenta evitar um futuro cruel mudando o presente… sabe o que acontece com magos que ousam mudar o futuro? Você sabe, você sabe… “Ou a Tomoyo, ou o Syaoran, os dois não podem ser…”; Como você pensa em salvar a vida deles e preservar o seu futuro? O futuro da Princesa das Astúrias? Você tem um compromisso com esse país, rapaz, da mesma forma que eu tenho um compromisso e uma missão com Sua Majestade… Você já sabe o final dessa história, não sabe? Como pensa em resolver esse imbróglio todo?

Cão de Caça não respondeu por um tempo. Seu estômago se contorcia como se estivesse sendo rasgado.

– Tentando…

– Pois tente, mas pense nela primeiro… – Dom Ramon segurou os ombros de Syaoran e apontou para o quarto. A princesa Sofia já terminara o seu banho e estava penteando os cabelos, esperando por seu beijo de boa noite de seu fiel Cão de caça.

 

Continua… 


Notas Finais


Por trás do báculo: Relendo esse capítulo novamente, ele é meio lento, mas bem construído. Aqui, eu consigo sentir toda a influência que GRRM exerceu sobre mim (Acho que estou aprendendo com ele!). Eu gosto dele porque ele apresenta os últimos atores dessa trama toda; consegui mostrar o Cão de Caça, Rei da Espanha, a filhinha dele e herdeira do trono e o melhor: mais detalhes de Dom Ramon Bustos, da Ordem do Dragão e da Comunidade mágica! Como pode isso? Ele realmente vai ser muito importante na quarta parte desse texto… Aliás, o que acharam desse guarda real de pele Branquíssima, olhos verdes profundos e a cara do Shoran? Ele é mais uma brincadeira que eu faço aqui, da mesma forma que a Marcela é a cópia física da Sakura. Ele já apareceu aqui, é o mesmo Shoran do capítulo “O sonho da Sakura” e ele já apareceu muito, muito antes aqui; eu revelo mais sobre ele quem adivinhar a real identidade desse “Syaoran”! (isso é um concurso!)

Só pra esclarecer: eu falo muito do Rei da Espanha, da filha dele, do Cardeal e tudo o mais. Reitero novamente que essa é uma obra de ficção e não tem compromisso com a realidade, apesar de que o Rei da Espanha de verdade tem uma filha como sucessora do Trono (o nome dela não é Sofia e não têm uma mãe que é uma princesa grega como essa aqui! E muito menos tem poderes mágicos!). A Princesa Sofia é uma personagem legal, vocês vão gostar dela!


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