História Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 87


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Autoridade, Comunidade, Espanha, Futebol!, Magia, Meiling, Orange, Organizações, Sakura, Tomoyo, Yuri
Visualizações 9
Palavras 2.198
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“Era um dia de festa: Dom Felipe VII e a Princesa Sofia estavam visitando a Catalunha; uma grande honra esperava por Tomoyo e uma grande ameaça pairava sobre Sakura… a vida do Rei corre perigo!”

Ain Soph (אין סוף): Significa “Sem limites” em Hebraico. É o momento em que podemos conseguir definir alguma coisa que está prestes a existir; muitos chamam esse momento de “Deus”, mas Deus é uma coisa mais que ampla para ser definida assim; é um espaço sem limites capaz de tudo, é onde começam as manifestações que darão origem ao tudo, é o segundo véu se abrindo, querendo se manifestar. Se o universo conhecido é formado por tudo o que há, espaço e tempo foram as primeiras coisas a surgirem, se é que o espaço e o tempo foram realmente criados, se é que já não existem desde já…

Capítulo 87 - A família Real


Fanfic / Fanfiction Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 87 - A família Real

 Palácio do Parlamento da Catalunha, 13 de setembro de 2015

 

O agora Palau del Parlament de Catalunya era um antigo arsenal usado na guerra contra os Barcelonenses que protestaram veementemente contra a Casa Bourbon e o Rei Dom Felipe V, no começo do século dezoito. Durante a ditadura franquista, o Parlamento foi fechado e o brasão da Catalunha, removido da fachada, em troca do Brasão da Casa Bourbon. Agora, um Rei e uma princesa da Casa Bourbon visitavam o prédio pela primeira vez em décadas, e contemplavam o Brasão do pórtico, ostentando orgulhosamente as cores da Catalunha, mais uma vez.

Durante o tempo que esteve na Catalunha, O Rei e sua filha hospedaram-se no palacete do Conde de Godó, um dos raros empresários catalães a serem fiéis a Casa Bourbon e agraciado com o título de nobreza das mãos do próprio Dom Felipe VII. Fizeram o trajeto de carro, da casa do Conde até o “Parc de la Ciutadella”, o parque que ficava em frente ao prédio. O Rei preferiu fazer a pé o trajeto entre o parque e o prédio, mostrando para filha os detalhes daquele parque, desde o arco do triunfo da Catalunha até o pórtico do Palau. A família Real era acompanhada de perto pelas câmeras da crítica imprensa catalã e também pela imprensa.

Ao lado do rei, dirigindo o carro conversível, estava o General Bandeiras, chefe da guarda real e do forte esquema de segurança. Na frente da Princesa, O capitão que era chamado de Cão de Caça por esbravejar ordens no pequeno microfone preso à lapela da farda azul, em plenos pulmões aos guardas da dianteira e por colocar as mãos sempre no fone de ouvido na orelha, escutando par ver se estava tudo bem. Era ele quem deveria proteger a princesa contra tudo e contra todos. Mas não foi necessário.

No fim dos três dias, a família real não foi mal recebida como sempre era quando o Rei visitava o País Basco e a Catalunha, muito pelo contrário. O Rei usou um catalão impecável, quase nativo, coisa que tinha aprendido com o tio, Dom Miquel durante os anos de exílio na Itália. Catalão era sua língua materna e a língua materna da princesa também. Optara também por fazer o trajeto em carro conversível, deixando a filha acenar e ser vista pelos barceloneses. Na Diada, uma festa que se tornava cada vez mais independentista na Catalunha, o rei assistiu do palanque ao desfile civil nas ruas, mantendo-se indiferente aos gritos por “Independência” proferido por alguns da multidão, mas sempre sendo fortemente protegido pelo fiel Cão de Caça e pelo General Bandeira em sua farda azul impecável. Os dois homens de azul se tornaram também um alvo fácil da imprensa.

Nas ruas, de boné, com as cores da Catalunha, sobre os ombros da mãe, no dia da Diada, Chitatsu olhou para a Princesa Sofia pela primeira vez; ela aplaudia a marcha, sorria de vez em quando e fazia perguntas ao pai e aos homens de azul de vez em quando:

– Mamãe, aquela é a Princesa Sofia?

– Eu acho que é, filho; ela está sendo muito bem vigiada por aqueles homens de terno azul marinho…. Acho que é sim…

– Você sabia que a Princesa Sofia vai ser a primeira rainha a ter nascido na Catalunha? – Perguntou Kero, nos ombros do rapaz.

Chitatsu olhou com desdem para o Guardião:

– Nem você sabia disso! Perguntou pra Tomoyo, isso sim!

– Nem um, nem outro, eu li nesse panfleto que me deram! – Kero pegou o papel e segurou-o diante de Chitatsu.

Chitatsu ficou cada vez mais desconfiado do Guardião e começava a gargalhar:

– Agora você vai me dizer que sabe ler em Catalão! Nem mesmo eu sei ler isso!

– Você nunca deve desconfiar de um Guardião! Ha! – Gracejou Kero.

– Dá uma olhada na Princesa pra mim que eu não consigo ver…

– Vai lá, Kero, faz alguma coisa! Meu filhote quer ver a princesa! – Pressionou Sakura.

Sem alternativa, o guardião voou pela nuvem de papel picado amarelo e vermelho que voava e o ocultava com facilidade. Aproximou-se da Guarda Real e seus pequenos olhos se encontraram com os olhos azuis da Princesa. Ela descobriu e chamou seu “Cão de Caça”, apontando para o céu. Quando Kero olhou para os profundos olhos verdes do Homem de Azul marinho, o cabelo tigela dele, Kero teve uma vertigem e desmaiou como se tivesse sido ofuscado por uma forte luz. Acordou encima de uma mesinha de restaurante de rua, horas depois, observado por Tomoyo e Sakura e cutucado por Chitatsu. A marcha da Diada já havia passado e as ruas estavam começando a ser limpas por conta de todo aquele papel:

– Acordou, mamãe, olha! – Disse Chitatsu.

– Kero-chan, o que aconteceu? – Perguntou Sakura, angustiada.

Kero olhou para ela. Ele estava sério e não estava a fim de gracejos. Até mesmo Chitatsu percebeu isso e ficou preocupado.

– Eu não seu… eu só olhei pro guarda e… desmaiei… não entendo…

Sakura e Tomoyo se entreolharam. Chitatsu perguntou:

– Você viu a Princesa?

– Sim, isso eu vi. Ela tem uns cabelos onduladinhos, amarelinhos como meus pelos e uns olhos azuis clarinhos… Acho que ela gostou de mim, mas aquele guarda que protege ela… acho que ela deve ter te visto…

 

E agora eles estavam lá, a caminho do salão nobre do Parlamento para a etapa final da visita de Sua Majestade na Catalunha. Sakura, Tomoyo, Chitatsu, Kero, Meiling e Syaoran, que arranjaram um tempinho para seguirem Sakura na Catalunha e acompanharem a importantíssima visita real e prestigiar Tomoyo. Eles sabiam que Cão de Caça estaria lá também.

– E aí, bola de pelo, fiquei sabendo que você desmaiou quando viu a princesa; será que ela era tão bonita assim pra você ter sido derrubado pelo encantamento daquele Guarda Real? Sobe que Cão de Caça vai estar aqui hoje, se eu fosse você, tomava cuidado, você já está na mira dele… – Disse Syaoran, em um impecável terno preto de uma alta grife alemã.

Kero teve vontade de morder o dedo de Syaoran com aquele gracejo:

– Eu não tenho medo dele não, tá? Eu tava com fome e por isso, eu desmaiei, e outra: não senti nenhuma magia vinda daquele cara não…

– Se eu fosse você, eu me preocupava… – Respondeu o jogador Madridista.

Dentro do enorme salão, haveria um discurso final do rei para os empresários, mesas enormes com vários pratos a serem servidos e um enorme espaço para o baile real. Muitos cochichavam que o Rei poderia dançar com Tomoyo na cerimônia:

– Tou sabendo que o Rei em pessoa quer dançar com você, amiga! Qual a sensação disso? Ser cortejada por um Rei! – Disse Meiling, vestida de um vestido de seda vermelho com mangas curtas e uma barra que deslizava pelo chão.

Tomoyo riu levemente:

– Duvido que eu seja escolhida como Rainha por sua Majestade; a “bondade” que ele me faz me nomeando sua roupeira já me atraiu fúria o bastante dos meus colegas empresários da Catalunha… Me falaram que eu estava cometendo uma traição contra a nação aceitando essa “honra” e que eu mordia a mão que me alimentou… – Tomoyo trajava um blazer preto com calças de sua própria coleção, desenhada por ela, com pequenas rendas na dobra do paletó do blazer, um peitoral bufante e uma gravatinha borboleta vermelha no pescoço. Dois brincos safiras pendiam de suas orelhas, uma cortesia de Marcela, que não estava lá.

Sakura olhou preocupada para ela:

– Puxa vida, Tomoyo, ele é o Rei da Espanha, o pessoal podia ter um pouco de respeito por ele… – Sakura usava um vestido sem alças preto, da coleção de Tomoyo que ia até a altura das canelas e um salto alto a que não estava habituada e a fazia andar muito mal.

– Ele pode ser o rei da Espanha, mas não da Catalunha… Catalunha não é Espanha… – Disse Kero.

Sakura olhou maliciosamente para ele, debochando:

– Tá espertinho hoje, hein?

– Eu só quero ver a Princesa… – Concluiu Chitatsu, que até agora não tinha se manifestado. Todos riram.

Nos corredores do Parlamento, as pilastras estavam adornadas com enormes faixas de seda, ora com as três flores-de-lis douradas em fundo azul da Casa Bourbon, ora pelas quatro listras vermelhas em fundo amarelo da Catalunha. Caminharam pelo carpete carmesim até o salão de honra, onde Tomoyo era aguardada pelos empresários Catalães e entraram pela porta leste. Bartomeu, seu chefe, estava lá também, assim como Dom Miquel Tossel, tio do Monarca e avô da Princesa. O rei também havia visitado-o e assistido uma missa dele no sábado, após a Diada, na Sé episcopal de Barcelona (que não era na Sagrada Família).

Dois metros e meio acima do carpete rubro do salão de honra, haviam tapetes nas paredes com brasões reais da coroa de Aragão e um mezanino onde os Guardas Reais, a imprensa e outros convidados menores seriam posicionados. Sakura e o resto do pessoal não ficaria lá, disso Tomoyo se garantiu. No canto norte da parede, o chão era elevado em um degrau, havia um enorme Brasão da Catalunha, talhado em pedra que era ladeado pelas bandeiras do Reino e da Província; um púlpito também fora providenciado e três imensos lustres iluminavam as paredes bejes do lugar. As mesas com os jantares estavam na face sul do salão e um imenso espaço estava entre o brasão e as mesas, indicando o salão de danças. Os empresários estavam à espera na parte baixa dos degraus, com suas esposas, esposos, filhos, filhas e demais companheiros, na porta leste.

Acima do mezanino, o som de botas sobre o carpete era audível: os soldados da guarda real começavam a se posicionar. Homens e mulheres de terno e gravata azuis com entalhes militares nas vestes seguravam fuzis. Eram cerca de cinquenta.

Abaixo, na porta leste, a passagem se abria. A Marcha real começou a ser tocada.

 

“¡Viva España! Alzad los brazos hijos del pueblo español que vuelve a resurgir”

 

A primeira pessoa a aparecer na porta era Cão de Caça, o capitão da Princesa. Sakura, Tomoyo, Meiling e Syaoran ficaram de olhos levantados, impressionados; depois, a primeira impressão gerou susto neles; por fim, uma sensação gélida lhes encheu a barriga quando ele abriu a boca para falar:

 

“Gloria a la patria que supo seguir, sobre el azul del mar el caminar del sol”

 

– Senhores, senhoras, Dom Felipe, O Sétimo de seu nome, Rei dos Catalães, dos Bascos e dos Galegos, Senhor da Andaluzia e Protetor das Américas e sua filha, Dona Sofia, Princesa das Astúrias.

Cão de Caça olhava para os quatro. O homem estava mais constrangido do que eles.

Sakura gaguejava. Sabia o que era ter um doppelganger e sabia o que era ter uma sósia. Marcela e a carta espelho que o digam. Doppelganger eram malignos, diziam, agora aquele homem chamado informalmente de Cão de Caça…

– O que foi, gente, o que foi? – Disse Kero, esgueirando-se entre eles só pra ficar chocado.

O rei entrava. Usava um terno preto de poliéster com delicadas rendas nas extremidades e levíssimos babados, imperceptíveis. Era a marca de Tomoyo e de sua coleção. Era um homem alto, corpulento, com anéis em todos os dedos, barba volumosa e cabelos longos que escorriam pelas costas. Todos os seus dedos tinham anéis encrustados de pedras preciosas de todos os domínios que visitara. Seus olhos eram azuis-claros, frios e gelados, semicerrados, como se o peso de suas responsabilidades o cansasse, inclusive aquela cerimônia, cheia de gente que o odiava.

Ao lado dele, uma menina estava de mãos dadas com ele. Depois, a menina desprendeu das mãos do pai assim que entrou, cruzando os dedos na altura da barriga. Usava um vestido cheio de babados, enfeitado por uma gravatinha borboleta no pescoço. Pequenos laços pendiam do vestido de seda a cada extremidade, formando um padrão harmônico. O vestido era azul, austero e ia até as canelas. Para não mostrar as espáduas e segurar a gravata, a princesa usava uma blusa baby look branca com uma manga bufante e gola alta, como uma camiseta polo. Uma pulseira com uma safira estava em seu pulso. Seu olhar e fisionomia eram sério, frio e profundamente azul-claro como o pai, típico para alguém da família real e austero demais para uma criança da idade dela. Seus cabelos eram dourados, claros e ondulados, pareciam querer voar a cada passo que ela dava com as sapatilhas azuis, da cor do vestido.

– É o mesmo vestido vermelho que eu fiz pra Sakura… O primeiro que eu fiz… Só que, sem aquela saia rodada, agora, na cor azul… – Tomoyo olhou para o Cão de Caça. – Com certeza, ele tem alguma coisa a ver com isso…

– Todo mundo viu o que eu vi, Gente? – Perguntou Meiling. – Aquele cara é a cara do Syaoran, o rosto é igual, mas os olhos…

– Vocês não acham que eles são iguais aos meus? – Indagou Sakura. – Shoran?

Syaoran olhava furioso para o homem. Depois, fechou os olhos e entendeu o que estava acontecendo:

– Aquele cara é o meu filho… meu e da Tomoyo também, não é?

Tomoyo e Syaoran entreolharam-se em concordância, dando um leve sim com a cabeça. Sakura não entendia nada e Meiling fazia uma cara confusa. Kero começava a se preocupar. Cão de caça os olhou e entendeu tudo; sua identidade havia sido revelada.

 

Continua…

 


Notas Finais


Por trás do báculo: Sempre tive um interesse por tópicos militares, religião e agora, nobreza e realeza. Não podai deixar de destacar isso aqui! Hehe! Por isso, aparece tanta gente fardada nesses capítulos todos. Não se assustem, não se assustem. A pequena brincadeira que eu fiz com o clone do Syaoran aparece aqui.; ele é um personagem que já apareceu diversas vezes por aqui e acho que ninguém percebeu; quem deve ser o clone? Eu já dei muitas pistas… hehehe!

A Marcha real, o hino da Espanha, não tem letra. Isso serve para que ele não seja vaiado ou que atletas de outras nacionalidades, como a Basca e a Catalã não fechem a boca quando ele deveria ser cantado. Essa letra que eu coloquei aqui é de 1928, antes da ditadura franquista, mas é (infelizmente) fortemente associada com ela.

Essa forma de apresentar o rei eu tirei de GRRM, Ha!


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