História Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 88


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Categorias Sakura Card Captors
Personagens Sakura Kinomoto, Shaoran Li, Tomoyo Daidouji
Tags Autoridade, Comunidade, Espanha, Futebol!, Magia, Meiling, Orange, Organizações, Sakura, Tomoyo, Yuri
Visualizações 7
Palavras 3.928
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Bishoujo, Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Fantasia, FemmeSlash, Ficção, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Musical (Songfic), Orange, Romance e Novela, Saga, Seinen, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Terror e Horror, Violência, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


“Um grande alvoroço surgiu entre os amigos com aquela aparição misteriosa… A curiosidade de ir mais a fundo os consumia a cada hora…”

Capítulo 88 - A festa Real


Fanfic / Fanfiction Sakura e Tomoyo: Finalmente Juntas - Capítulo 88 - A festa Real

 De um lado, o Cão de Caça da Princesa, do outro, os quatro mais Kero e os demais empresários. Um olhava para o outro e não podiam falar nada ainda, enquanto o rei não terminasse seu discurso e a cerimônia não se encerrava, mas será que seria fácil chegar até ele depois da cerimônia ou o Rei e a princesa tinham outros compromissos? Os quatro se indagavam.

– Senhores empresários… – O Rei prosseguia. Nenhum empresário se curvou ou aplaudiu o Rei, apesar de ele falar em catalão, exceto Tomoyo e o Cardeal Dom Miquel, que cumprimentou amavelmente seu sobrinho, beijando suas mãos cravejadas de anéis, afinal, ele era seu tio, mas era também seu vassalo e súdito. – Eu, como catalão de nascença, tenho uma filha nascida e concebida aqui, sei o quanto a Cataluna é importante para o Reino, por isso, eu peço pra vocês um pouco de paciência. – Murmúrios surgiram entre aqueles homens e mulheres, muitos deles conspiravam e financiavam frequentemente a independência da Catalunha contra o que eles chamavam de “Coroa de Madrid”. O Rei não era burro e sabia disso. – A Catalunha vai receber tudo o que já deu para o Reino e ainda mais, isso eu garanto; não se sintam abandonados pelo poder central. – O Rei não se atrevia a dizer “Madrid” naquele lugar, onde ele andava em cama de gato. – Vocês organizaram uma grande manifestação em frente ao Museu de arte da Catalunha no ano passado, queixando-se do abandono das estradas, rodovias e de toda infraestrutura Catalã. Seus apelos foram escutados. Por isso, anuncio em primeira mão que aumentaremos o fluxo de investimentos na Espanha nos próximos dez anos com uma parceria estratégica com os países do extremo oriente; China, Japão, Coreia, principalmente.

– Independência! – Um empresário tímido gritou da massa de empresários e não pode ser identificado e foi seguido por outros que também disseram “Visca Catalunya”.

– Fazer negócios na Espanha está sendo atrativo para os empresários e fazer negócios na Catalunha vai ser mais ainda daqui há dez anos. Flexibilizaremos as leis tributárias e simplificaremos a burocracia. Isso não é promessa, o poder central está trabalhando nisso agora mesmo… Eu estou fazendo. Anuncio também que a minha filha vai estudar na Catalunha a partir do verão do ano que vem, vai viver na Catalunha enquanto eu ainda vou ficar em Madrid, cuidando do Reino. Tudo para que ela possa crescer no lugar de onde ela nasceu, possa sentir, como futura Rainha a dor e as alegrias que vocês sentem, como futura Rainha e cidadã Catalã que ela é.

Murmúrios vindos da massa se avolumaram com o anúncio surpreendente do rei.

“Ele té sacrificando a filha em prol da unidade do Reino… Quanta abnegação…” Pensou Tomoyo.

– A Catalunha sempre foi acolhedora. Vocês pressionaram o poder central de Madrid para acolher mais refugiados vindos das guerras na Síria e no Sudão do Sul para cá e estamos fazendo isso. Se não fosse a acolhida de vocês com os estrangeiros, seja do sul ou do norte, não conseguiria anunciar aqui hoje essa injeção de investimentos que a Catalunha vai receber nos próximos anos. Acolham bem a minha filha, por favor, da mesma forma que vocês acolheram Tomoyo Daidouji entre os seus, pois ela é a nossa prova viva de que não abandonamos e nem esquecemos da Catalunha e de tudo o mais que eu falei aqui. Essa mulher junto com a mãe dela investiram quase um bilhão de Euros na Espanha e geraram dez mil postos de trabalho, diretos ou indiretos durante a grande crise que sofremos aqui. Quando a nossa permanência na União Europeia era questionada, ela continuou a investir e trabalhar em suas confecções e agora está construindo duas fábricas das Indústrias Daidouji aqui, uma em Madrid e a outra em Barcelona, fora a sua própria tecelagem em Tarragona. Ela veio do extremo oriente para começar uma nova vida aqui. Agora, depois de cinco anos de residência aqui, ela optou por se tornar uma de nós, uma cidadã espanhola, com todos os nossos direitos e deveres. – O General Bandeiras se aproximou do Rei com uma espada nas mãos. O Rei a desembainhou. O aço reluziu brilhante e dourado sobre a luz dos lustres. Aquela espada poderia cortar facilmente a cabeça dela.

Tomoyo deu um passo à frente e se ajoelhou. A princesinha deu um passo para trás.

O rei segurou com as duas mãos o cabo da espada.

– E agora… Eu faço de Tomoyo uma súdita do reino e uma amiga da Coroa. Não pensem que ela está os traindo com esse pequeno gesto que eu faço. O mesmo convite que eu faço para ela, eu faço para vocês; esperem e verão, juntem-se a paz do rei e do reino e garanto que a Catalunha prosperará assim como o resto do reino. Uma Catalunha independente não faria bem nem pra vocês, nem para nós, muito menos é uma certeza de aceitação na União Europeia. Pois quando o inverno chegar, o lobo solitário morre, mas a matilha sobrevive.

Ligeiros aplausos saíram para o rei da massa de homens e mulheres.

Dom Felipe colocou a ponta da espada no ombro esquerdo de Tomoyo.

– Tomoyo Daidouji i Amamiya, residente em Barcelona, nascida na distante Tomoeda, é por livre e espontânea vontade que deseja se associar ao Reino da Espanha e prestar vassalagem a mim?

De olhos fechados, cabeça encurvada, ela disse:

– Sim, majestade. Meu trabalho, minhas palavras, minha memória são do Reino de agora em diante.

O Rei colocou a ponta da espada no ombro direito dela:

– Em meu nome, o Rei de Toda a Espanha, de agora em diante, até o fim de seus dias, você se levantará desse chão com o título de Dona Tomoyo Daidouji i Amamiya; Nomeio-a como Segunda Roupeira da família real. Um título que será passado para seus filhos de geração em geração. Eu vou ser seu suserano e você, a minha vassala. Você está ao meu serviço e a serviço do reino e deve fazer de tudo para seu progresso e prosperidade. Você é capaz de fazer isso?

– Sim, majestade. Aceito com prazer essa responsabilidade.

Tomoyo levantou-se e uma salva de palmas foi dada a ela. Ela fez uma reverência à Princesa, levantando a aba do vestido e beijando suas pequeninas mãos. Ver Cão de Caça do lado dela a preocupou um pouco. Depois, fez o mesmo gesto para o rei, beijando suas mãos cravejadas de anéis.

O baile e o jantar iniciaram-se. O Rei e a princesa não deram nenhuma menção de que tinham compromisso.

Os quatro precisavam falar com Cão de Caça.

– Kero, você fica aí com o Chi, tá certo? – Disse Sakura.

Mas, de repente, a princesa precisou usar o banheiro e Cão de Caça fora escolhido para mostrar o caminho para ela. O Rei era cercado de imediato por alguns empresários que perguntavam a respeito daquela proposta que ele tinha. Os quatro estavam frustrados.

– E agora, o que a gente faz? – Indagou Tomoyo.

– Dançar… comer… aqui tem espaço para tudo… – Respondeu Meiling – A gente não pode ficar parados… Me acompanha, Syaoran?

O chinês encolheu os ombros e acompanhou a prima.

Tomoyo e Sakura resolveram experimentar as iguarias: postre, frango a passarinho, empadão de lampreias, salada à moda de Valência, Paella negra, camarões tostados. Vinte minutos se passaram entre uma conversa e outra. A maioria dos colegas empresários falava a mesma coisa: era inútil aquilo, a Catalunha seria independente em breve e que ela era corajosa o bastante para se atrever a se juntar com a Família Real de Madrid.

– Quando a Catalunha se tornar independente. – Perguntou Bartomeu, seu chefe, muito sorridente depois de algumas taças de espumante. – Eles pretendem acabar com os títulos de nobreza e qualquer um que tiver vínculos com a realeza de Madrid vai ser impedido de fazer negócios com ela; o que pensa em fazer, Tomoyo?

A estilista sorveu um gole de seu espumante e só então respondeu:

– Vou continuar a costurar e vender a minha mão de obra pra quem queira, Presi, vou ser sempre uma aranha fiadeira da mesma forma que a Sakura vai ser sempre uma curandeira. – Sorriu Tomoyo, apertando as mãos da amiga. Sakura ainda estava confusa com a visão de Cão de Caça:

– Porque a gente não se diverte, Sakura? A Meiling parece que está se divertindo tanto…

Sakura dirigiu o olhar para o casal de primos na pista de dança, tentou se empolgar, mas insistia em olhar para a porta oeste, de onde partira o Guarda Real. O Syaoran ameaçador daquele sonho que tomou forma humana. Sakura olhou para Tomoyo e sentiu que a amiga escondia alguma coisa:

– Você tem certeza que eu não deveria me preocupar?

– Tão certa quanto o Sol vai se levantar amanhã no leste e se por no oeste, Sakura. – Uma voz masculina atrás de si respondeu. Era Cão de Caça.

A voz, as feições de Syaoran, até a altura era igual exceto pelos olhos. Ao seu lado, a pequena princesa. Tomoyo fez uma reverência:

– Dona Tomoyo. Fico feliz em vestir esse vestido da sua coleção… espero vestir mais…

– Alteza, esse eu fiz especialmente inspirado na minha amiga, Sakura…

– É uma amiga muito especial, pelo que eu vejo… – Sakura olhou para Tomoyo e a estilista corou com a afirmação. – Com licença, preciso falar com aquele rapazinho que estava me espionando na Diada… – Disse a Princesa, apontando para Chitatsu e Kero que se empanturravam com um grande taco, para preocupação de Sakura – Fiquem com meu Cão de Caça, ele é sério, quieto, pálido, mas não faz mal… a não ser que… – A Princesinha apertou o passo e correu para Chitatsu.

Nem deu tempo para Sakura tentar se enturmar com a pequena. Cão de Caça era mais importante. Girou a cabeça e viu Tomoyo apalpando o rosto dele. A tonalidade da pele dos dois era a mesma:

– O que você está fazendo aqui? – Perguntou Tomoyo. Seus olhos estavam tristonhos.

– Eu disse pra vocês que tempos difíceis estão chegando… eles vão começar hoje… – Cão de Caça soltou as mãos de Tomoyo das suas bochechas e deu um beijo na palma delas.

– Eu não entendo… o que vocês estão falando? – Indagou, Sakura, preocupada. A essa altura, Meiling e Syaoran terminaram sua dança e fitava os três.

– Tem muita coisa que você não entende agora, Sakura, e nem é a minha intenção revelar todo o meu propósito aqui além do que eu já falei pra você. Hoje, da pior forma possível, vocês vão saber que, o que eu estou falando é verdade. Eu só digo uma coisa: estejam atentos. Nem todos que estão aqui são amigos do rei ou da princesa.

Cão de Caça saiu e foi em direção à Princesa e Chitatsu, que discutiam a essa altura dos fatos. Sakura segurou na chave da estrela em seu pescoço e Tomoyo revirou sua bolsa:

– Eles não deixam ninguém entrar com armas na presença do Rei, mas eu tenho as minhas precauções… – Tomoyo tirou uma espécie de bastão prateado da bolsa e mostrou para Sakura.

 

S&T:FJ

 

Enquanto essa discussão se desenrolava, a Princesinha se aproximava de Chitatsu e Kero, que a perceberam de imediato. O rapaz mordiscava um grande pedaço de taco e Kero engolia metade do bolo. Viu a princesa e se engastou, tossindo pedaços de taco pelo chão:

– Kero, me ajuda, a princesa Sofia tá vindo aqui!

– Ora, bolas, e eu sei lá lidar com princesas! Foi espiar ela pra você e desmaiei! Lide com ela você! – O guardião cruzou os braços e virou as costas para ele.

– Kero, seu bobão! – Chitatsu bebeu um gole de suco, passou as mãos no cabelo e na roupa, alisando tudo.

A princesa chegou. O coração de Chitatsu pulava no peito. Chitatsu já vira meninas antes da idade dele, mas como Dona Sofia Bourbon y Paleologos, nenhuma igual. Ela era loira de olhos azuis e cabelos ondulados e ele sempre vira meninas de olhinhos puxados, cabelos lisos e pretos por toda a vida. Aquilo era novidade. Uma sensação esquisita surgiu dentro de sua barriguinha quando a viu. Não teve coragem de falar nada até ela abrir a boca:

– Você que é Chitatsu, filho do Shoran?

– Sou sim, sou sim… majestade?

A princesinha escondeu uma gargalhada com a palma da mão, seguindo a risca o manual de etiqueta. As mãos dela estavam enluvadas.

– Você é engraçado. Você é sobrinho da Tomoyo, minha serva, não é?

– Sou sim… que negócio é esse de serva?

– Ela é a minha súdita e eu sou a suserana dela. Ela tem que me servir, como meu papai disse, se ajoelhar e fazer reverência pra mim. Você vai fazer isso um dia, não vai? E você vai parar de me espionar com esse boneco, não vai? Porque você estava me espionando?

Chitatsu começava a deixar de ficar com cara de bobo com ela para começar a fazer uma cara mais séria com esse papo todo de ajoelhar e espionar. Ao fundo, olhou Sakura e Tomoyo, observando-os. Cão de Caça se aproximava. Chitatsu olhou para os cabelos dele, iguais aos do pai, mas os olhos e a cor de pele dele eram diferentes. Uma pele branquíssima e profundos olhos verdes. Kero, ao seu lado, começava a se irritar. Pousou em seus ombros de braços cruzados. A princesa percebeu e viu a aproximação de Cão de Caça.

– Vocês estão assim por causa do meu Cão de Caça? O nome dele é Shoran como o do seu papai, sabia? – Cão de Caça estava do lado dela. Chitatsu tremia ao olhar para ele e Kero o encarava, tentando saber qual era a dele. Ele acenou para os dois, não obteve resposta e falou:

– Princesa, preciso falar com você urgente.

– Ah, não, o papai não tá indo não, né? Preciso arrancar a verdade dos dois espiões… – A princesinha se agitava, inconformada, cruzando os braços. Era uma princesa, mas era uma criança acima de tudo.

Syaoran agarrou o braço do sósia bruscamente:

– Antes disso, preciso falar uma palavra ou duas com você, vamos? – Syaoran arrastou bruscamente o homem para outro canto do salão. Cão de Caça nem sequer resistiu e sentia que aquilo ia acontecer. A Princesa, de alguma forma estava satisfeita. Chitatsu e Kero também e ficaram menos tensos.

– Ufa, agora sim. E então, vai se ajoelhar um dia também? Porque você tava me espionando, espião.

Kero se irritou com aquilo:

– Você é besta ou quer um Euro? Que mané ajoelhar o que! Ele só queria ver você, tá bom? Ele não é um espião, mas pelo visto, não vale a pena te espionar imagine olhar de perto!

Chitatsu ficou com os cabelos mais bagunçados do que já estava com a resposta de Kero, surpreso. A Princesa inflou as bochechas e sua face corava. Seus olhos arregalaram:

– Mas que bonequinho insolente é você! Além de me espionar, fica falando esses impropérios diante da princesa das Astúrias! – Ela virou-se para Chitatsu – Faça-o se desculpar ou eu vou chamar meu Cão pra lidar com você!

– Que lidar que nada, aquele clone mal feito do pirralho! Por que você me chamou de boneco, hein? Saiba que da mesma forma que você é a Princesinha dos cafundós do Judas, eu sou o Grande Kerberos, Guaridão da Sakura, do Chitatsu, das Casas Li, Kinomoto e Daidouji. Exijo que se retrate também ou vou chamar o Goiabinha bichado do Yue pra lidar com você!

Chitatsu ficou mais surpreso ainda com a resposta de Kero. Fechou os olhos, apertou os dentes e só esperou vir o bafo quente da princesa na sua cara. Aquele ar tinha um delicioso cheiro de morango:

– O que é que você falou?

– Que diabo é impropério? – Perguntou Chitatsu, encolhido de medo.

A princesa fechou os olhos, respirou fundo e falou com toda a calma do mundo:

– Sei… você é um guardião, não é? Eu também tenho magia e sei fazer mais truques que vocês dois juntos! Vocês são dois comilões traquinas sem um pingo de educação e nobreza, seus comuns! Mesmo tendo sangue mágico, são dois baderneiros, baderneiros. – A princesa pôs ênfase na palavra “Baderneiro”. – Tal guardião, tal pirralho!

– Isso eu concordo.

– Kero! – Protestou Chitatsu.

– Você era da Sakura, não era? Tal mãe, tal filho!

Chitatsu agora estava disposto a responder para a princesa:

– E você, hein? Nariz empinado!

– Moleque mulambento!

– Bafo de morango!

– Pirralho!

– Sua boba!

– Seu pirralho!

A discussão entre os dois continuou até que os olhares de alguns empresários caíram sobre eles. O pessoal começou a sorrir. Os dois briguentos olharam para a mesa cheia de comida, e então, olharam um para o outro.

 

S&T:FJ

 

Enquanto isso, antes da discussão, Cão de Caça se servia com um postre e Syaoran o pressionava contra a mesa onde estavam o banquete sem nenhum apetite:

– Você é o Syaoran, meu filho, não é? O que você tá fazendo aqui? Me atormentando, é? Saiu dos meus sonhos pra me atormentar?

O homem o encarou. A pele de Syaoran era morena e seus olhos muito castanhos. Aquele cara não tinha nada a ver com ele, é verdade, mas imitava bem a sua altura e seu tom de voz. Syaoran conhecera muitos magos que mudavam a fisionomia, imitando a voz e a altura de outra pessoa e não estava nada feliz com aquilo. De alguma forma, a imitação não estava perfeita, pois a cor de pele e os olhos não batiam:

– Se lembra o que eu te disse? Que tempos difíceis estavam chegando? Eles batem a sua porta agora, Syaoran, na porta do seu quarto de casal, para atormentar a sua esposa, ele se esconde debaixo da cama de seu filho, por trás do guarda-roupas da Meiling… Ele está aqui, mas você não me entende…

– E o que você faz aqui? Pelo que você me disse, você deixaria comigo essa tarefa, não disse?

– E disse também que salvaria a sua vida! Essa é a hora! Agora, uma coisa terrível vai acontecer que nem você, nem a Tomoyo podem impedir, sozinhos…

– Nem com todo poder das cartas Clow?

– Nem com todo o poder dos guardiões. – Cão de Caça olhou ao redor – Olhe pra pessoas daqui, nem todo mundo aqui lida com magia; são muitas memórias a serem reconfiguradas pela autoridade mágica espanhola e seria um escândalo usar magia na frente do rei…

Por um momento, Syaoran baixou os olhos e ficou quieto para então voltar a levantá-los e fitar seu sósia. Não gostava de sósias desde a carta espelho, passando agora por Marcela, a sósia de Sakura:

– E o que você pretende fazer?

– Salvar a vida do rei, da princesa, a sua também, meu pai.

Syaoran sentiu que o homem se sentia a vontade falando “Meu pai”. E soava muito naturam:

– Meu e da Tomoyo?

– Seu e da Tomoyo…

Syaoran fitou Tomoyo do outro lado do Salão, conversado com o Rei. Os dois se olharam por um segundo.

– Como pode isso?

– Não cabe a você saber agora… por hora… prepare sua espada e espere pelo meu sinal…

Cão de Caça entregou para Syaoran a esfera negra com uma corda vermelha por onde saía a espada dele. Abriu a palma da mão direita e tocou com a mão esquerda o bolso onde ela estava. Aquele homem era cheia de segredos. Arrancou a espada do bolso dele sem ele ter percebido. Syaoran fez não com a cabeça e agarrou a esfera.

Ao longe, duas crianças gritavam, chamando a atenção dos dois homens. A música parara e o General Bandeiras ficara tenso.

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Cão de Caça só teve tempo de ver a multidão ao redor gargalhando dos dois, um Kero que só assistia a tudo e jogava mais lenha na fogueira, nos ombros de Chitatsu. Cada um deles tinha um pedaço de comida nas mãos que por um milagre não tinha saída das mãos deles ainda. Todo mundo viu isso e tentou correr para separar os dois e Sakura estava pronta para gritar, mas ele foi mais rápido:

– Vocês podem parar? – Disse Cão de Caça, num tom firme e sério. Os dois soltaram os pedaços de comida que seguravam. Pararam de imediato. Aquela voz era a mesma voz de repreensão tanto para Chitatsu quanto Sofia.

Cão de Caça olhou para o Rei, olhou para Sakura e recebeu um sim silencioso dos dois com a cabeça.

Aproximou-se e puxou a orelha dos dois:

– Isso é uma vergonha tanto da parte de Vossa Alteza quanto da sua parte, Chitatsu!

Cão de Caça puxou os dois para a porta leste. O salão voltou ao normal e a música continuou. Agachado num canto, ele repreendia os três:

– Uma nobre princesa não deveria dizer isso pra seus súditos, Alteza! A senhora deveria tratar com respeito a todos!

– Ele não é meu súdito, Shoran… – A princesa estava cabisbaixa. Ouvir o nome do pai fez Chitatsu olhar para o homem. Ele era branco como leite e seu pai era moreno, graças aos céus.

Cão de Caça voltou-se para Chitatsu:

– Isso foi uma falta de educação e cavalheirismo da sua parte! Nunca se trata uma menina assim, ainda mais a Princesa das Astúrias.

Chitatsu não sabia o que fazer, encarava o homem com a voz e as feições do pai sem dizer palavra. Kero estava silencioso. Olhou para a princesa e, do nada, se ajoelhou:

– Desculpa.

A Princesa ficou tão admirada com o gesto que colocou as mãozinhas na boca com o choque.

– Ainda bem que vocês se entenderam… agora… vou precisar de vocês mais que nunca, principalmente você, Chitatsu. Kero, eu falo com você depois. Vá pra Sakura e cuidado pra não ser percebido.

Sem nem entender o porquê, Kero obedeceu sem pestanejar. Chitatsu ficou chocado com aquilo. Cão de Caça colocou as mãos nos seus ombros:

– Me escuta! Falo como o seu pai, me pareço com o seu pai, mas não sou seu pai. Mas sou filho dele, assim com você, você me entendeu? Não precisa ficar assustado…

Cão de Caça chacoalhou Chitatsu de leve até receber um aceno de entendimento dele:

– Ótimo. Agora, Chi, vou te dar uma missão de guarda real… Da guarda real… Segure a princesa em suas mãos, bem apertadas, sabe? Assim. – O homem pegou em suas mãos para se certificar que estava fazendo certo. – Não, um pouco mais, assim, isso!

– E depois?

A princesa não entendia nada.

– Corra, corra como nunca e fuja de qualquer um que aparecer em armadura roxa, entendeu? Escondam-se!

– Mas… – A Princesinha tentou questionar.

Havia uma urgência no tom de voz que ele usava e os dois entenderam.

– Eu quero ficar com o meu pai, quero ficar com você, Shoran! – A princesinha começava a chorar e a enxugar as lágrimas com as mãozinhas.

– Você não ouviu? A gente tem que ir… – Chitatsu puxou a menina, mas ela se recusava a ir.

Cão de Caça agachou-se mais uma vez, só que agora, com um tom mais terno:

– Minha princesa, eu vou te alcançar, eu prometo, só que agora, você tem que ir com ele… seu papai vai precisar de mim… e você vai precisar do Chitatsu… ele é um bom rapaz e vai te proteger… eu prometo… eu prometo…

O homem passava as mãos no rostinho dela, limpando as lágrimas, dando um beijo na testa. A menina acalmou um pouco.

– Vão!

Chitatsu puxou a princesa pelos corredores cheios de estandartes da Casa Bourbon e da Cataluna. A princesa ainda deu um último olhar para ele antes de saírem.

Cão de Caça voltou para o Grande Salão só para ser questionado por Sakura, Tomoyo, Syaoran e Meiling sobre o porquê de ele fazer aquilo e então, as grandes vidraças do salão foram arrebentadas por homens de armadura roxa e capas vermelhas. Os guardas reais do mezanino engatilharam seus fuzis e apontaram para o rei:

– É a hora. – Ele disse.

 

Continua… 


Notas Finais


Por trás do Báculo: eu achei muito divertida a briga entre a Princesa e o Chitatsu, serviu para mostrar a interação inicial dos dois e mostrar que os dois são muito crianças ainda… Kero jogando mais lenha na fogueira foi demais, muitas vezes ele é o alívio cômico que eu preciso nesse texto.

Aqui terminam as questões a respeito de Cão de Caça. Acho que já falei muito dele por aqui e não é a minha intenção explorar ele mais ainda do que ele já foi. Próximo cap, termino de falar sobre ele, seus poderes e o alcance deles pra me dedicar ao primeiro confronto que a turma vai ter contra a Ordem do Dragão… pancadaria nos aguarda!


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