História Salve-me - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai)
Personagens Arthur Pendragon, Ban, Diane, Elaine, Elizabeth Liones, Gowther, Hawk, Helbram, Jericho, King, Meliodas, Merlin, Personagens Originais
Tags Amor, Ban, Banlaine, Fluffy, Liza Mcgarden, Nanatsu No Taizai, Romance, Superação, The Seven Deadly Sins
Visualizações 464
Palavras 6.397
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Fluffy, Josei, Mistério, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


✦ Eu sou mega fã de BanLaine, mas infelizmente, simplesmente escrevem muito pouco sobre! Eu fico muito triste com isso e espero que com essa pequena fic, que não passará de 6 capítulos no máximo, outros fãs se sintam motivados.
✦ Tive essa ideia do nada, e como estou com insônia, resolvi botar pra frente e gostei do resultado... espero que ela seja bem aceita!
✦ Nunca escrevi fic nanatsu no taizai...
✦ Desculpem o capítulo ser tão grande, eu realmente não quero que essa fic tenha muitos capítulos e não quis dividi-lo.
✦ Repetindo, terá no máximo 6 capítulos. Provavelmente 5 ou 6.
✦ Arte de capa não é de minha autoria.

Capítulo 1 - Me ligue


Fanfic / Fanfiction Salve-me - Capítulo 1 - Me ligue

 

 _ CAPÍTULO UM _

Me ligue

Japão / Tóquio 28 de janeiro, 2016

 

_ Está tudo aí? _ A mulher indagou pela quarta vez desde que saíram do aeroporto.

_ Tá, mãe.

_ Escova de dentes? Toalha de banho? Cobertor da vovó?

Enquanto a mãe listava os objetos, Elaine recordava do momento em que os pôs dentro de sua mala, dando-se conta que esqueceu-se de sua escova de dentes _ abandonada na pia de mármore do banheiro de sua casa.

_ Tá, tá tudo aqui. _ mentiu desviando o olhar pra janela. Aquela altura do campeonato, mesmo que tivesse esquecido o cobertor da vovó, não haveria muito o que fazer além de escutar sua mãe lhe dizer que ela lhe mandou arrumar as malas com dois meses de antecedência e que ela passaria frio por não ouvi-la.

Seu pai estava na porta de casa. Faziam quatro anos que Elaine não o via e a garota chegou a conclusão, ao olha-lo pela janela, que ele não mudara muito. Só engordou um pouco. Ainda usava aquele sobretudo velho e puído que até hoje a mãe de Elaine dizia o quanto odiava e que ela, Elaine, suspeitava que era um dos muitos motivos que levaram seus pais a se divorciarem, há 6 anos atrás.

King, no entanto, esse sim mudara radicalmente. Elaine quase não reconheceu seu irmão, ao lado do pai com um sorriso de orelha a orelha.

_ Jesus! Tá passando fome?! _ A mulher indagou abismada com o emagrecimento do filho _ Querido, você tá doente?!

_ Não, eu to bem! _ ele garantiu ainda rindo.

_ É bom te ver também, Lianne. _ O homem a cumprimentou pondo as mãos dentro do sobretudo. A mulher olhou para a peça de roupa pelo canto do olhos e torceu o nariz.

Elaine olhava  a rua com curiosidade. Havia moradores que ela não lembrava que residiam ali. Em contra partida, a garota avistou o casal de idosos no final da rua, entrando em casa com alguma sacolas em mãos. Eles lhe puseram dentro de sua residência quando o pai de Elaine uma vez ficou muito bêbado e simplesmente a esqueceu do lado de fora da casa. É claro que Elaine jamais contou esse episódio para sua mãe, ou seu pai estaria de trás das grades naquele exato momento, e não a observando silenciosamente.

_ Você vai adorar a escola! _ King prometeu enquanto puxava a mala de dentro do carro e a arrastava.

_ Imagino... _ Elaine respondeu sorrindo fracamente. A verdade é que, por mais que estivesse com saudades de seu irmão e do seu pai irresponsável, Elaine detestava mudanças _ o que teria de ocorrer por conta do recente casamento de sua mãe. Havia muitas coisas que a pequena garota guardava para si, como se dessa forma aqueles segredos que tanto lhe abatiam e pesavam sobre seus ombros ficassem mais leves.

Mas não ficavam.

Antes de entrar outra vez no carro, Lianne abraçou King até as costelas do garoto estalarem alto e segurou o rosto miúdo da filha com ambas as mãos, beijando-lhe a face diversas vezes, o que fez a garota engolir em seco e se afastar com um sorriso forçado.

_ Amo você, querida. Se cuide, okay?

_ Também te amo, mãe... _ murmurou com voz embargada _ Boa viagem de volta para Austrália.

 

[...]

 

Depois de pôr suas roupas muito bem dobradas e organizadas no guarda-roupas, Elaine forrou sua cama com o cobertor rosa e exalando a sabão em pó _ o cobertor que sua avó lhe dera antes de ela vir para Tóquio.

_ Posso entrar? _ King indagou atrás da porta.

_ Pode _ Elaine lhe respondeu, sentando no colchão macio.

O garoto entrou e fechou a porta, indo para o lado da irmã e também sentando-se.

_ Você está bem? _ perguntou de repente. King queria começar aquela conversa de outra forma, mas a pergunta simplesmente escorregou por entre seus lábios.

_ Claro. _ Elaine respondeu desviando os olhos para o guarda-roupas.

_ Você tá... diferente. Sei lá, parece que tem algo errado.

_ Passaram-se quatro anos, King _ a garota o lembrou. _ É claro que as coisas mudaram.

King encarou sua irmã, enquanto ela permaneceu olhando o móvel como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

_ Tá bem. _ murmurou por fim. _ Fale quando se sentir mais a vontade...

Elaine cogitou inventar algo para justificar seu comportamento recluso, mas acabou optando por permanecer quieta.

_ Você vai adorar a escola _ King mudou de assunto repentinamente. _ Sobre tudo, a biblioteca. Tenho certeza que, uma vez lá, não vai querer voltar para casa.

Elaine encarou seu irmão e riu.

_ Agora fiquei animada. A biblioteca da escola na Austrália não tinha mais que três estantes abarrotada de livros corroídos pelas traças. Você lia até a página 12, e à página seguinte era à 62.

King riu e tocou suavemente o joelho da garota.

_ Pois vai surtar com sua nova biblioteca.

Enquanto se despia sem pressa alguma, Elaine se encarou no grande espelho grudado na porta do banheiro e suspirou. Sempre fora magra e franzina, coisa que jamais a incomodou. Elaine era do tipo de garota que não é exatamente desleixada, porém não é nenhum um pouco fútil. Para ela, passar horas em um salão de beleza ou na manicure era uma grande perda de tempo. No entanto, a garota estava bastante magra. A cintura fina, as costelas ressaltadas sutilmente por baixo da pele muito branca, os seios que quase não desenvolveram, a clavícula saltada. Ver aquilo causava uma sensação de melancolia em Elaine, não por motivos estéticos, mas pelos motivos por trás daquilo.

Os hematomas mais recentes eram os piores, Elaine evitava encarar suas costas nuas.

Quando ela mergulhou na água morna, repousou sua cabeça na borda da banheira e fechou os olhos. Estava completamente exausta. Quando veio a sair de seu banho, já eram 18h, e, mal a menina libertou os cabelos loiros da toalha felpuda, seu pai bateu em sua porta e a abriu lentamente, pondo o rosto para dentro.

_ Vamos jantar naquele café que você adorava ir. _ anunciou sorrindo e fazendo algumas rugas surgirem ao redor dos olhos cor de mel.

_ Tá bom, deixa eu só vestir algo. _ respondeu também sorrindo.

Elaine imaginou que seu pai faria o que sempre fazia quando ela lhe visitava nas férias. E não errou em sua conclusão precipitada. O homem levou os dois irmãos para o café, onde comeram panquecas de banana, sorvete, cupcake de chocolate, e King ainda detonou um litro de milk shake de morango. Depois passaram em um shopping e Elaine saiu com dois pacotes, um em cada braço. No fim da noite, sentaram-se os três no sofá da sala e assistiram The Walking Dead até caírem no sono.

No dia seguinte, a loira despertou de supetão e caiu de sua cama, batendo a cabeça no piso e gemendo baixo.

_ Ah, ela tá na minha! _ Elaine ouviu a voz empolgada de seu irmão, no quarto ao lado.

Vai com calma, King. A Diane é bem... _ uma voz feminina o repreendeu.

_ Puta? _ a terceira voz era masculina, mas com toda certeza não era a de seu irmão.

Elaine levantou do piso e massageou a nuca.

N-não! Eu ia dizer temperamental, Meliodas!

Elaine ainda vestia o suéter branco e o jeans escuro que usou na noite passada, agora bastante amassados. Ela foi até seu banheiro, onde escovou os dentes com uma escova que King lhe deu quando ela lhe disse que não tinha uma. Depois passou uma água no rosto, amarrou os curtos cabelos de qualquer jeito e foi até o quarto de seu irmão, onde o encontrou largado na cama, com os pés para o alto, encarando o teto.

Um rapaz de baixa estatura e de grandes olhos verdes mexia em uma pequena caixa de madeira.

_ Bom dia! _ King a cumprimentou, se sentando no colchão.

_ Quem é essa aí? _ Meliodas perguntou chacoalhando a caixa bem perto de seus ouvidos, sem parecer realmente interessado no objeto.

_ Eu sou Elaine _ a garota se apresentou _ Irmã do King.

_ Ah... foi mal, faz tempo desde a última vez que te vi por aqui _ o baixinho se desculpou.

Uma garota saiu do banheiro de King e Elaine a fitou enquanto ela se aproximava ajeitando a franja sobre um dos olhos.

_ Oi, Elaine! _ Elizabeth a cumprimentou sorrindo docemente.

_ Ah, ainda bem que alguém lembra de mim _ Elaine murmurou, fingindo estar magoada.

King sentiu-se menos preocupado. Agora sua irmã estava começando a lembrar o que ela era: Uma garota de riso fácil, irônica e extremamente sentimental. Nada comparado à aquele comportamento recluso, e até frio, que Elaine estava apresentando desde que chegara no dia anterior.

Talvez só estava cansada da viajem, pensou King.

O dia resumiu-se a ficar esparramado no tapete felpudo do quarto de King, conversando sobre trivialidades juvenis e comendo besteiras que Eric _ o pai de Elaine e King _ trazia ao longo do dia.

_ Vai ter um show de rock esse fim de semana _ Meliodas contou entediado. _ Vê se tira essa bunda magricela do colchão.

Ele se referia a King.

_ Show de rock? _ Elaine repetiu curiosa.

_ É, com umas bandas calouras... _ Elizabeth confirmou. _ A namorada do Ban vai se apresentar com a banda dela.

_ Como é mesmo o nome da banda deles? _ Meliodas questionou ainda com aquela pequena caixa de madeira.

_ Bastardos infernais, algo assim... _ Elizabeth correu os dedos por sua franja perolada, tentando recordar se aquele era mesmo o nome da banda.

_ Hum... _ O garoto se virou para o lado de Elizabeth, onde ela estava deitada de peito para cima, como os outros quatro. _ Que tédio. Deixa eu pegar nos seus peitos?

A garota desviou os olhos do teto e virou seu rosto na direção de Meliodas, corando como uma maçã madura.

_ V-vai em frente...

_ Já deu pra mim. _ Elaine murmurou, se levantando do tapete e batendo nas nádegas para tirar a poeira do jeans. _ Estou fedendo a cachorro de rua e tenho uma bolsa escolar para organizar. _ ela virou para o seu irmão, que olhava Meliodas apertar os seios de Elizabeth como alguém olharia para a verruga da avó _ E eu acho que quero ir para esse show aí...

_ Você nem gosta de rock! _ King a lembrou, indignado pela possibilidade de ter que sair de sua cama quente e confortável no fim de semana.

_ Acho que quero sair um pouco... _ contou sincera. Na verdade, Elaine sentia necessidade de sair e parar de pensar em seus segredos obscuros. Sua voz saiu quase embargada e ela logo forçou um sorriso para isso passar despercebido.

_ Tá... _ King a respondeu, percebendo o que o sorriso de sua irmã era superficial demais para o gosto dele.

Uma máscara.

 

*   *  *

 

Na sexta-feira a noite, Elaine vestia um suéter amarelo com linhas brancas na vertical, jeans de lavagem clara e seu all star azul. Pensou em fazer algo com seu cabelo, pesquisou penteados simples para cabelos curtos e, faltando 20 minutos para saírem de casa, a garota estava sentada no colchão de sua cama enquanto Elizabeth terminava de prender seus fios dourados na fina trança que circundava toda sua cabeça.

_ Prontinho! _ a garota exclamou animada, saltando da cama com um sorriso de orelha a orelha. _ Você ficou tão fofinha!

Na sala, Meliodas beliscava uma barrinha de chocolate enquanto assistia King reafirmando para si mesmo que estava bom o suficiente para Diane querer beija-lo. Desde que soube que a garota iria para o tal show, simplesmente surtou e passou horas escolhendo uma roupa. 

Como uma garota antes de seu primeiro encontro.

_ Para com isso... _ Meliodas reclamou, lambendo os dedos sujos de chocolate. _ Relaxa e vai. Só vai, cara.

Elizabeth surgiu junto com Elaine. O vestido preto ressaltava seus grandes seios, mostrava suas pernas torneadas, e apertavam suas curvas de forma sensual.

O loiro no sofá voltou a lamber os dedos já limpos, observando como o tecido do vestido roçava na pele de Elizabeth enquanto aproximava-se, lhe fitando totalmente ruborizada. Perto de uma garota como aquela, Elaine aparentava ainda mais uma pré-adolescente no inicio da puberdade. Naquele momento, ela sentiu-se um pouco mal. Estranho seria se não se sentisse. Mas ela ignorou a sensação de inferioridade e saiu de casa junto com os outros, entrando na picape preta de Meliodas a fim de, finalmente, seguirem para o show de bandas calouras. 

 

[...]

 

Elaine observava tudo ao seu redor, muito curiosa. Os jovens de corte de cabelo extravagantes, piercings, tatuagens e roupas rasgadas. Mamãe degolaria o papai se soubesse onde ele me deixou ir.

Em cima do pequeno palco de madeira, alguns jovens organizavam a fiação. O evento ocorreria em um galpão alugado, com as paredes forradas num tecido fino e vagabundo, e pedaços de papel crepom azul marinho enfeitando todo o perímetro.

_ Que merda de arrumação é essa... _ Meliodas comentou olhando em volta _ Elizabeth, segura bem essa sua bolsa aí quando desligarem as luzes.

_ Ah, tá até legal, a gente nem pagou nada mesmo.... _ Elaine discordou. Quando a loira olhou para o palco outra vez, viu um grandalhão beijando uma mulher, lhe apertando nos braços, e por fim se afastando com um sorriso torto no rosto.

_ Lá vem... _ King murmurou, totalmente ensopado de suor, sacudindo a camiseta vermelha freneticamente.

_ Que coisa ridícula ficar agarrando a namorada em público. _ Meliodas disse, para segundos depois dar um sorriso cínico.

King o encarou de olhos semicerrados, ainda sacudindo a camiseta.

_ Você faz isso direto! Seu macaco no cio!

O grandalhão ainda sorria torto quando se aproximou metido em um conjunto de couro vermelho. Seu tórax, muito definido e trabalhado, ficava exposto na jaqueta curta demais para o seu tamanho.

Elaine olhou aquilo e, segundos depois, ergueu o olhar para a face do homem, engolindo em seco. Ele olhava para algo atrás dela e, de repente, a encarou com seus orbes vermelhos.

_ É tua parente? _ questionou com uma voz rouca e melodiosa. Quando o silêncio se prolongou, Ban desviou o olhar de Elaine e encarou Meliodas, que estava com os olhos fixos na nádega poucos centímetros abaixo de seu queixo. O baixinho estava prestes a subir o vestido preto e verificar a cor da calcinha de Elizabeth, se King não tivesse o parado com um seus clássicos chiliques.

_ Você quer parar?! Estamos em um maldito galpão cheio de pessoas, porra! _ ele puxou ar e limpou o suor da testa. _ Ah, ela é minha irmã. _ Acrescentou, respondendo a pergunta de Ban. _ Chegou de viagem na segunda.

  _ Hum... _ foi tudo o que Ban deu como resposta, e então virou-se, ao lado de Elaine, e encarou o palco. 

As luzes foram apagadas, Elaine ouviu o sussurro de Meliodas mandando Elizabeth segurar a bolsa e então a primeira banda começou a se apresentar.

No baixo, estava a namorada de Ban. Ele a assistiu tocar com um sorriso torto o tempo todo. Elaine às vezes o olhava no escuro, as luzes que lembravam pisca-pisca de natal iluminando um pouco sua face. Ela observava a cicatriz em seu queixo e pescoço, olhava o jeito que ele sorria, como o couro abraçava seus músculos e como Ban era realmente grande. Ele exalava intimidação até na forma de passar os dedos pelos fios extremamente claros com reflexos azulados.

Em determinado momento, quando os bastardos infernais tocou uma música com solo de guitarra, houve uma confusão de garotos se socando e trocando chutes. Rapidamente um circulo se formou e Elaine viu-se completamente desorientada sem entender o que estava acontecendo. Quando sentiu braços a erguerem do chão, seu coração quase saltou pela boca.

_ A roda não é lugar para garotinhas. _ Ban murmurou ao largar Elaine. King segurou uma mão de sua irmã, afastando-a do homem com um puxão rude.

Ban sorriu torto e deu a volta nos calcanhares, juntando-se aos outros brigões.

 

[...]

 

_ Eu fiquei desesperado quando percebi que o anão ao meu lado não era ela! _ King contava. _ Elaine, você tem que se afastar quando a roda abre, entendeu? Não é para ficar dentro... a não ser que queira trocar tapas, claro.

A loira assentiu, um pouco irritada com seu irmão ter lhe confundido com um anão.

_ O culpado é você de não ter alertado sua irmã dessas coisas. _ Meliodas o acusou, olhando em volta com visível tédio. _ Ela não frequenta esse tipo de lugar, esqueceu?

_ Por que ele ficou lá? _ Elaine indagou, ainda surpresa com a atitude de Ban.

_ Porque o Ban é um arruaceiro sem juízo. Por isso. _ King a respondeu como se fosse algo óbvio.

Elaine saiu de casa com o intuito de esquecer os motivos de seus pesadelos, e obteve êxito. Ao menos por algumas horas. Tudo que a pequena pensava, naquele momento, era no quanto Ban era esquisito. Não esquisito tipo seu antigo parceiro de química, que tinha mania de coçar as axilas e cheirar os dedos quando achava que ninguém estava vendo. Esquisito do tipo intrigante. Diferente. Peculiar.

_ Você devia aparecer aqui mais vezes, Meliodas _ Hawk disse, caminhando em direção ao banheiro. _ Essa espelunca é sua.

Hawk era um rapazote gorducho de quatorze anos, com cabelos cor de rosa na altura dos ombros e uma pequena argola no lóbulo da orelha esquerda.

_ Concordo, pivete.

Elaine olhou rapidamente na direção da voz, corando em seguida pela forma que agiu _ sem sequer disfarçar seu interesse. Ban surgiu abotoando os botões na manga do uniforme idêntico ao de Hawk, só que muito maior. Ele apoiou o cotovelo no balcão e se esgueirou para perto da loirinha.

_ O que a garotinha vai querer? _ indagou dando um meio sorriso.

Elaine piscou algumas vezes e por fim sentou-se em um acento do bar.

_ Cerveja _ respondeu batucando os dedos. Ele arqueou uma sobrancelha e negou com o indicador bem na frente do rosto da loira.

_ Nada disso. Garotinhas não bebem cerveja.

_ Isso mesmo, gostei de ver. _ King aprovou a atitude _ Continue assim, Ban. Quem sabe um dia se torna alguém responsável.

Ban virou-se brevemente e repousou uma garrafa de líquido incolor sobre a mesa.

_ Garotinhas bebem vodca.

Meliodas chacoalhou a cabeça negativamente e riu alto.

_ Vai embebedar a sua irmã! _ King falou entre os dentes.

_ Eu embebedaria, se tivesse uma. _ respondeu enquanto limpava um copo com um pano. Em seguida, jogou o pano sobre um ombro e forrou o copo de bebida. King cerrou os olhos observando Ban empurrar o copo para perto de Elaine.

A garota o encarou e passou os dedos na aba, levando o copo aos lábios e se engasgando em seguida.

_ Não bebe isso! _ King guinchou, tomando o objeto das mãos da irmã e o deixando longe. _ Sabe-se lá o que ele pôs...

Ban bateu no balcão e se esgueirou sobre ele para encarar King de perto.

_ Eu por acaso tenho cara de quem droga criança, caralho?

_ Tem! _ Meliodas e King o responderam juntos.

_ Eu não sou nenhuma criança! _ Elaine protestou.

_ Ah, é sim! _ King rebateu.

_ Você é meu irmão gêmeo! Tenho sua idade, gênio.

Ban tombou a cabeça para o lado e sorriu.

_ Gostei de você, garotinha. Não é que nem seu irmão bunda mole.

_ Bunda mole?! _ King rosnou.

_ É, ou acha que não vi você suando bicas quando Diane passou por você?

_ Eu não sou bunda mole!

_ Então prove isso, bundão, sua garota tá vindo aí. _ Ban disse, trocando o pano para o outro ombro e deixando o balcão.

Elaine o observou sumir na cozinha do bar. O gosto do gole da vodca que bebeu ainda queimava sua garganta e a fazia querer vomitar. 

_ Demorou... _ Meliodas comentou quando Elizabeth o envolveu em um abraço e apertou sua cabeça contra seus seios.

_ Desculpa, a Diane quis passar em casa.

_ Ah, para com isso, Meliodas! Pelo amor de Deus, deixa a sua namorada tomar um ar...  _ Diane bufou. _ Ah, oi lindinha! _ Cumprimentou virando-se para Elaine. _ O que tá fazendo com esses psicopatas?

King estava estático ao lado da irmã. O olhos presos em Diane, uma gota de suor escorrendo por sua têmpora e os lábios começando a tremer de nervosismo.

_ O-oi! _ murmurou dando um aceno de mão desajeitado.

_ E, anjo, tá passando mal? _ Diane indagou, percebendo o comportamento estranho do outro.

_ Ele tá a fim de você _ Elaine cantarolou, esticando o pescoço em direção a cozinha. King engasgou-se e Diane deu tapas em suas costas, o fazendo se dobrar para frente e fazer som de vômito. _ Vou ver algo para tirar o gosto da vodca. _ e então deu a volta no balcão e adentrou a cozinha furtivamente, não dando chances para seu irmão retrucar algo sobre ela ficar sozinha com um arruaceiro sem juízo.

_ Quero algo pra comer _ disse de braços cruzados, encarando as costas largas de Ban. Ele estava de frente o fogão, mexendo uma panela, vestindo um avental branco e pequeno demais para o seu grande porte.

_ Espera uns minutos aí, garotinha. _ respondeu sem desviar sua atenção do que fazia. Elaine se perguntou se Ban se referiria a ela daquela forma dali em diante. Provavelmente. 

Bom, ao menos não é algo como anã ou Olívia palito, ela pensou consigo mesma enquanto esperava o homem servi-la.

 

 

Depois daquela noite confusa e cheia de acontecimentos estranhos, Elaine não viu mais o Ban. Na verdade, a garota não viu sequer a luz do sol. Os dias que se seguiram ela permaneceu trancada em seu quarto, com as cortinas fechadas, deitada em sua cama, fingindo dormir quando seu irmão ou seu pai adentrava seu quarto. Ela comia duas vezes ou até mesmo uma única vez por dia, cada vez mais débil e fragilizada.

O ano letivo começaria em duas semanas, Elaine não tinha ânimo nem para pentear os cabelos. 

King se perguntava o porquê de tudo aquilo. Sua irmã nunca se comportou daquela forma, nunca demonstrou quaisquer sintoma de depressão, e de repente isso? De repente estava definhando?

Às vezes Elaine queria simplesmente se abrir e vomitar o que tanto lhe corroía. Mas ela sabia no que acarretaria como consequência dessa decisão, e não queria destruir a felicidade de sua mãe depois de tantos anos a vendo bêbada para esquecer o buraco que seu ex-marido deixou em seu peito.

 

*  *  *

 

Na segunda-feira, o jipe preto de Meliodas parou em frente a residência de King. Falava sem parar do quanto estava animado para as aulas de inglês, que seria fluente na língua e iria viajar para Londres com Elizabeth, nas férias.

Elaine juntou-se aos outros dentro do carro, olhando sua casa pela janela. Desejava ter ao menos um pingo daquela animação.

Na quarta-feira, Diane agarrou King no meio da aula de primeiros socorros, mostrando como se salva alguém com uma respiração boca a boca. Resultado: Ambos foram para a diretoria e levaram advertência, mas King não ficou triste ou irritado. Estava feliz porque beijou a garota que gostava e porque sairia com ela na sexta.

Elaine observou seu irmão se esquecer dela e de seu comportamento estranho, mas não o culpou. Na verdade, agradeceu mentalmente a Diane por ter ocupado a cabeça dele. Não queria ninguém se preocupando com ela. Eu sobrevivo, dizia para si mesma, convicta.

Já faziam-se um mês que Elaine havia se mudado para Tóquio, e ao ousar encarar-se de costas no grande espelho pregado na porta de seu banheiro, percebeu que quase já não tinha hematomas. Assim como eles, meus pesadelos irão sumir com o passar do tempo, pensava ela.

 

*  *  *

 

O sol estava castigando a pequena garota que suava por debaixo do suéter amarelo com listras brancas na vertical. Mesmo protegida dentro da casa modesta e muito bem organizada, o dia abafado e escaldante proporcionava uma péssima sensação em Elaine. Os grunhidos no primeiro andar pioraram a situação da garota, que passou a encarar os papéis que tinha em mãos, amaldiçoando Elizabeth por coloca-la em uma situação daquelas.

Quando ela já cogitava desistir de fazer o trabalho de física e simplesmente ir embora, a porta abriu e ela se sobressaltou no sofá, como uma criança pega no ato.

_ O que faz aqui, garotinha? _ Ban indagou-a, tombando a cabeça para o lado e sorrindo torto.

Elaine suspirou e encarou, novamente, os papéis em seu colo.

_ Era para eu estar fazendo um trabalho de física.

_ Era? _ Ban arqueou uma sobrancelha. Encarou o teto da sala, finalmente ouvindo os gemidos que começavam a ficar realmente altos. _ Minha mãe nada santíssima...

_ Pois é.

Ban caminhou até o sofá e se largou ao lado de Elaine.

_ Esquenta com isso não, eles fazem isso direto. _ contou enquanto tirava o celular do bolso do jeans. _ Pelo jeito que a cama tá batendo na parede, vai acabar daqui à pouco.

Elaine estava completamente corada. Era esquisito estar em uma situação daquelas com um homem ao lado. Ela simplesmente não conseguia parar de prestar atenção naqueles ruídos, e cogitou tapar os ouvidos quando finalmente eles cessaram.

_ Ai, falei! _ Ban riu e se espreguiçou. Elaine deu uma olhadela no celular em suas mãos, atitude que não passou despercebida por ele. Dez segundos foi o suficiente para ela ler o assunto central da mensagem: um cheiro masculino ou algo assim. _ Minha namorada tá esquisita... _ ele explicou.

_ Esquisita como? _ perguntou, em um misto de curiosidade e vergonha por ter bisbilhotado.

_ Sei lá, tá esquisita. Tipo... _ ele começou a listar nos dedos enquanto continuava. _ Não me telefona mais antes de dormir, quando saiu do trabalho ela não me manda uma mensagem pra saber se cheguei bem em casa... essas coisas, sabe. Ela fazia tudo isso, e não tá fazendo mais.

_ Desde quando?

_ Desde o show. _ Ban desviou o olhar para o jarro sobre o centro de vidro e semicerrou os olhos _ Desde uma semana antes do show.

_ Hummm... _ Elaine murmurou, sem saber o que dizer.

_ E eu também sentir um cheiro esquisito nela ontem... um cheiro masculino.

_ Pode ser o seu cheiro _ Elaine sugeriu.

_ Não, não é. Não uso aquele perfume.

_ Olha, ela pertence a uma banda, não é? Vai ver é de algum garoto da banda... _ supôs franzindo as sobrancelhas.

Ban a encarou e sorriu. Mas sem mostrar os dentes, um sorriso que você daria a uma criança ingênua demais.

_ Não, garotinha. Tava impregnado na roupa dela, como se o dono do perfume tivesse a abraçado por muito tempo, entende? Não é algo que se mistura a sua roupa por estar perto. Também senti cheiro de cigarro e eu não fumo, muito menos ela. Jericho até usa maconha vez ou outra, mas cigarro não.

_ Acha que ela tá te traindo? _ perguntou depois de um breve momento pensando se seria boa ideia questionar isso.

_ Acho. _ admitiu encarando o celular em sua mão. _ Eu já falei pra ela que se ela estiver gostando de outro cara é só falar e cair fora, eu não vou fazer nenhuma loucura. Mas eu realmente vou ficar puto se ela tiver me fazendo de palhaço. Cara, é só falar e cair fora...

_ Eu sinto muito. _ Elaine murmurou abraçando os joelhos.

_ E ainda não responde minhas mensagens. _ Ban desviou o olhar do celular e encarou Elaine _ E você, já namorou alguém?

Aquela pergunta a pegou de surpresa. 

_ Deixa isso quieto _ respondeu constrangida.

_ Qual é, abre o jogo, garotinha. Não é possível que nenhum garoto gostou de você. Você é tipo a garota que todo cara ajuizado quer. Bonita, porém não da forma que babacas procuram.

_ Sou? _ indagou o encarando surpresa.

_ É, ué. Sua pele não tem espinha ou marcas, as garotas devem pegar no seu pé.

Elaine se encolheu com o comentário. Sentiu-se melancólica por não ser verdade o que Ban disse. Sua pele não era perfeita.

_ Hum... então Austrália não tem muitos garotos ajuizados. _ disse quase um minuto depois. O celular que Ban tinha em mãos vibrou e ele o checou na mesma hora.

_ Ocupada... _ ele murmurou irritado. _ Sempre assim.

Elizabeth desceu as escadas junto de Meliodas, fazendo Ban e Elaine olharem enquanto eles pisavam na sala.

_ Foi mal _ ele disse encarando Ban.

_ Eu estou acostumado com isso, mas deviam pensar na garotinha, aqui sentada no sofá, ouvindo tudo. Ela com certeza não estava.

_ Eu sinto muito, Elaine! _ Elizabeth guinchou, muito corada _ Não faço mais. Juro de mindinho!

 

 

Depois daquela tarde escaldante e daquela conversa com Ban, Elaine passou duas semanas sem vê-lo novamente. Durante esse período, ela se jogou nos estudos, e os estudos tornou-se seu ponto de equilíbrio. Elaine ocupava sua cabeça com a segunda guerra mundial e o Cosette e Cosseno. Já conseguia comer as três refeições diárias, ouvia seu irmão falar por horas de como Diane era boa no sexo, assistia The walking dead com seu pai a noite e lia mais um pouco sobre genes alelos antes de dormir.

Ainda assim, ainda se esforçando como nunca antes, ela tinha aqueles malditos pesadelos.

 

*  *  *

 

Diferente das ultimas três semanas, aquele dia estava cinzento e com nuvens escondendo o azul do céu. O ar estava gélido, o clima monótono e Elaine esfregava uma mão na outra, ambas enfiadas em felpudas luvas brancas.

Estava sentada em um banco de um café, olhando lá fora pela vitrine. Tomava um milk shake, o canudo entre os lábios carnudos e naturalmente rubros o tempo todo. Elaine pensava sobre sua nova rotina. Em seu primeiro bimestre. Suas notas estavam decolando, isso a deixava não exatamente feliz, mas... reconfortada de alguma forma. Afinal, estava conseguindo pôr sua vida para frente, manter as coisas nos eixos.

_ Você é muito quieta, sabia? _ Diane comentou, apoiando o cotovelo na mesa e fazendo bico _ É tão chato ficar perto, porque fico imaginando o que se passa nessa cabecinha!

Elaine riu ainda com o canudo entre os lábios. No entanto, seu sorriso evaporou ao ver Ban passar correndo na rua, algo dentro de si mandando-a segui-lo. Talvez fosse intuição, talvez apenas um forte sentimento de "preciso desvendar as façanhas desse homem". Provavelmente um pouco dos dois. 

Ela pôs algumas moedas sobre a mesa e saiu correndo, sem dar explicações alguma para uma Diane boquiaberta. Correu por onde o viu passar, não tardando a vê-lo se enfiando em um estabelecimento no final da rua.

Elaine empurrou algumas pessoas que andavam devagar demais em sua frente e também se enfiou na barbearia, empurrando a porta de vidro que tinha uma placa com os dizeres "FECHADO PARA ALMOÇO".

_ Ban! _ berrou o vendo abrir a porta dos fundos da barbearia. Mas ele sequer olhou para trás. Ela correu atrás, passando pela porta escancarada e sendo atingida em cheio por uma baforada de cigarro. Elaine abanou as mãos, tentando enxergar algo através da fumaça, até que visualizou uma mulher tentando subir o jeans e um homem repousando um cigarro pela metade em um cinzeiro.

_ Ocupada! Ocupada abrindo as pernas! _ Ban vociferou. _ Nossa, se você soubesse a vontade que estou de acertar a sua cara! _ ele passou as mãos pelo rosto suado e em seguida partiu para cima do outro homem, que sequer teve a decência de subir as calças e continuava sentado no chão, como se não tivesse sido flagrado transando com uma mulher comprometida.

Ele acertou três socos na boca de Ban, que agarrou sua cabeça, complemente fora de si, e a arremessou no piso várias e várias vezes, até Elaine acordar do transe o puxar pela roupa.

_ Para, Ban! _ pediu desesperada, imaginando que a qualquer momento o homem ia morrer com os miolos espalhados pelo piso.

Jericho estava atônita, pálida e com seu batom vermelho borrado. Os cabelos lilás desgrenhados e algumas mechas escapavam do rabo de cavalo. Ban finalmente soltou o homem e a encarou, levantando do chão e apontando um dedo trêmulo em sua direção.

_ Só me diz o motivo. _ pediu resfolegando. _ Eu te dei tudo, Jericho, TUDO. Eu te dei liberdade para ser o que você quisesse, eu te aconchegava em meus braços quando estava cansada de tocar! Eu até mesmo fiz planos com você, PLANOS. Porra, era só dizer, não precisava me fazer de idiota dessa forma! Era só cair fora!

Jericho estava com os olhos fixos em Elaine. Achou um possível motivo que o fizesse tão culpado quanto ela, pois não havia como ela dizer que ele entendeu errado. 

_ E essa menina aí? Que diabos está fazendo com você?

_ Eu segui ele quando o vi passar correndo na rua _ Elaine a respondeu com frieza.

_ Me responde o motivo! _ Ban insistiu transtornado, passando as mãos pelo rosto nervosamente.

_ Porque é exaustivo pra caralho conviver com você! Você exige demais de mim!

_ Eu? _ Ban bateu no próprio peito e a encarou. _ Eu te deixei livre, Jericho! Essa foi a minha maior prova de amor! Quando disse que participaria de uma banda que só tinha homens, o vocalista sendo ex-namorado seu, o que eu disse? Que apoiaria todos os seus sonhos, e torceria para que chegasse em todo os seus objetivos. Isso é exigir demais?

Jericho apertou os lábios e desviou o olhar para o chão.

_ Mas pelo visto, te dei a liberdade para ser o que quisesse e você escolheu ser uma puta.

_ Não, Ban! Por favor, eu estava muito cansada da banda e não tava pensando direito! _ Jericho choramingou, o encarando com os olhos marejados. _ Por favor, pense em nós!

_ Em nós? Você não pensou em nós quando ele estava te comendo! Você não pensou, Jericho! Você sequer me ouviu uma única vez! Se queria ficar com esse... _ Ban encarou o homem desacordado no chão. _ Com esse saco de bosta, era só falar! Eu não te impediria, não faria uma loucura ou te trancaria no meu apartamento até mudar de ideia. ERA. SÓ. FALAR!

Jericho finalmente viu que não conseguiria reparar aquele erro e falou tudo o que lhe deu na telha, já no ápice de seu estresse.

_ Vai se foder, Ban! Vai, se, foder! Ele me deu o que você não dava, e sabe o que era? _ Ban semicerrou os olhos, esperando que continuasse. _ Um bom tapa enquanto me comia, um puxão de cabelo, e nada desse papo de futuro e planos e faculdade de culinária! Ele só me comia e pronto! 

Jericho bateu com as costas na parede e caiu no piso. Elaine se pôs na frente do homem que ainda tinha o punho erguido, abraçando seu tórax com os braços completamente trêmulos. 

_ Chega... _ murmurou em seu peito. _ Ela fez a escolha dela. Hora de seguir em frente...

Jericho ergueu o resto, uma filete de sangue surgindo no canto dos lábios. Cobriu o local que ardia com as mãos, o olhar incrédulo.

_ Que merda você fez?!

_ Te dei o que tanto queria. _ respondeu como se cuspisse as palavras. Em seguida, chutou o cinzeiro que estava no chão em sua direção, acertando suas canelas. _ Espero que goste do cheiro desse cara e dos cigarros dele, porque com certeza suas roupas não irão exalar o meu nunca mais.

 

[...]

 

_ Fiquei com medo... _ ela admitiu enquanto passava o algodão embebido de cicatrizante nos lábios machucados do homem. _ Achei que ia matar ele pra valer.

_ Eu também.

Elaine molhou um novo pedaço de algodão no remédio e passou sobre o lábio inchado de Ban. Ele ergueu o olhar de repente, fazendo-a corar por estar perto demais.

_ Desculpe te fazer ver uma cena daquelas, garotinha.

_ Tudo bem, eu te segui. _ Elaine deu de ombros _ Eu sinto muito mesmo por tudo isso... _ ela terminou seu trabalho, pôs o algodão dentro de um copo sobre o centro e sentou-se no braço do sofá _ Deve ser angustiante... ser traído dessa forma.

_ Queira nem imaginar _ Ban murmurou agarrando os cabelos e os soltando em seguida. _ Acho que já está na hora de ir para a casa, garotinha. Seu irmão deve estar muito preocupado.

Elaine arregalou os olhos, como se só naquele momento tivesse se dado conta que já passava das 17h e que com certeza Diane já tinha contado para o seu irmão que ela correra do café como uma louca.

_ Tem razão _ concordou coçando a nuca. Retirou as luvas de dentro do bolso do jeans e cobriu as mãos. Tirou o celular do outro bolso e viu que tem cinco chamadas não atendidas.

_ Tá encrencada, não é? _ Ban indagou, vendo sua cara. Elaine riu e assentiu. _ Falando em encrenca, salve meu número. Se tiver numa situação crítica, me ligue. Se tiver em um beco sem saída com um cara te espreitando, me ligue. Se quiser dicas com garotos, me ligue. Eu devo isso a você, eu realmente ia perder a cabeça e ir preso se não fosse você...

_ Nesse caso, salve o meu também. _ propôs, sorrindo um pouco com as bochechas sutilmente coradas. _ Se sentir que vai fazer a maior besteira da sua vida, me ligue. Se sua raiva for grande o suficiente para querer estourar a cabeça de alguém, me ligue. Se apenas não estiver bem e achar que conversar sobre possa te fazer melhorar, me ligue. 

Ban entregou seu celular para Elaine, a observando digitar seu número, que foi salvou como "Irmã do King". Em seguida, ela entregou o seu próprio, que Ban salvou como "Conselheiro Amoroso ♥", já se imaginando dando dicas infalíveis para a garota e avaliando se seu pretendente era bom o suficiente para ela.

 

 

 

 


Notas Finais


E é isso, galera. Espero que tenham gostado e até o próximo.


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