História Salve-me - Capítulo 1


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Categorias The Seven Deadly Sins (Nanatsu no Taizai)
Personagens Arthur Pendragon, Ban, Diane, Elaine, Elizabeth Liones, Gowther, Hawk, Helbram, Jericho, King, Meliodas, Merlin, Personagens Originais
Tags Amor, Ban, Banlaine, elaine, Fluffy, Nanatsu No Taizai, Romance, Superação, The Seven Deadly Sins
Exibições 122
Palavras 6.260
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Ecchi, Famí­lia, Festa, Fluffy, Josei, Mistério, Poesias, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


✦ Eu sou mega fã de BanLaine, mas infelizmente, simplesmente escrevem muito pouco sobre! Eu fico muito triste com isso e espero que com essa pequena fic, que não passará de quatro capítulos no máximo, outros fãs se sintam motivados.
✦ Tive essa ideia do nada, e como estou com insônia, resolvi botar pra frente e gostei do resultado... espero que ela seja bem aceita!
✦ Nunca escrevi fic nanatsu no taizai...
✦ Desculpem o capítulo ser tão grande, eu realmente não quero que essa fic tenha muitos capítulos e não quis dividi-lo.
✦ Repetindo, terá no máximo 4 capítulos. Provavelmente 3 ou 4.
✦ Arte de capa não é de minha autoria.

Capítulo 1 - Me ligue


Fanfic / Fanfiction Salve-me - Capítulo 1 - Me ligue

 

Capítulo 1 - Me ligue

Japão / Tóquio - 28 de janeiro de 2016

 

_ Estar tudo aí? _ A mulher indagou pela quarta vez desde que saíram do aeroporto.

_ Tá, mãe.

_ Escova de dentes? Toalha de banho? Cobertor da vovó?

Enquanto a mãe listava os objetos, Elaine recordava do momento em que os pôs dentro de sua mala, dando-se conta que esqueceu-se de sua escova de dentes _ abandonada na pia de mármore do banheiro de sua casa.

_ Tá, tá tudo aqui _ mentiu desviando o olhar pra janela. Aquela altura do campeonato, mesmo que tivesse esquecido o cobertor da vovó, não haveria muito o que fazer além de escutar sua mãe lhe dizer que ela lhe mandou arrumar as malas com dois meses de antecedência e que ela passaria frio por não ouvi-la.

Seu pai estava na porta de casa. Faziam 4 anos que Elaine não o via e a garota chegou a conclusão, ao olha-lo pela janela, que ele não mudara muito. Só engordou um pouco. Ainda usava aquele sobretudo velho e puído que até hoje a mãe de Elaine dizia o quanto odiava e que ela, Elaine, suspeitava que era um dos muitos motivos que levaram seus pais a se divorciarem, há 6 anos atrás.

King, no entanto, esse sim mudara radicalmente. Elaine quase não reconheceu seu irmão, ao lado do pai com um sorriso de orelha a orelha.

_ Jesus! Tá passando fome?! _ A mulher indagou abismada com o emagrecimento do filho _ Oh, querido, você tá doente?!

_ Não, eu to bem! _ ele garantiu ainda rindo.

_ É bom te ver também, Lianne _ O homem a cumprimentou pondo as mãos dentro do sobretudo. A ruiva olhou para a peça de roupa pelo canto do olhos e torceu o nariz.

Elaine olhava  a rua com curiosidade. Havia moradores que ela não lembrava que residiam ali. Em contra partida, a garota avistou o casal de idosos no final da rua, entrando em casa com alguma sacolas em mãos. Eles lhe puseram dentro de sua residência quando o pai de Elaine uma vez ficou muito bêbado e simplesmente à esqueceu do lado de fora da casa. É claro que Elaine jamais contou esse episódio pra sua mãe, ou seu pai estaria de trás das grades naquele exato momento, e não a observando silenciosamente.

_ Você vai adorar a escola! _ King prometeu enquanto puxava a mala de dentro do carro e a arrastava.

_ Imagino... _ Elaine diz sorrindo fracamente. A verdade é que, por mais que estivesse com saudades de seu irmão e do seu pai irresponsável, Elaine destetava mudanças, o que teria de ocorrer por conta do recente casamento de sua mãe. Havia muitas coisas que a pequena garota guardava pra si, como se dessa forma aqueles segredos que tanto lhe abatiam e pesavam sobre seus ombros ficassem mais leves. Mas não ficavam.

Antes de entrar outra vez no carro, Lianne abraçou King até as costelas do garoto estalarem alto e segurou o rosto miúdo da filha com ambas as mãos, beijando-lhe a face diversas vezes, o que fez a garota engoli seco e se afastar com um sorriso forçado.

_ Amo você, querida. Se cuide, ok?

_ Também te amo, mãe... _ murmura com voz embargada _ Boa viagem de volta pra Austrália.

 

[...]

 

Depois de pôr suas roupas muito bem dobradas e organizadas no armário, Elaine forrou sua cama com o cobertor rosa e exalando a sabão em pó _ o cobertor que sua avó lhe dera antes de vir pra Tóquio.

_ Posso entrar? _ King indagou atrás da porta.

_ Pode _ Elaine lhe responde sentando no colchão macio.

O garoto entrou e fechou a porta, indo pro lado da irmã e também sentado-se.

_ Você está bem? _ pergunta de repente. King queria começar aquela conversa de outra forma, mas a pergunta simplesmente escorregou por entre seus lábios.

_ Claro. _ Elaine respondeu desviando os olhos pro armário.

_ Você tá... diferente. Sei lá, parece que tem algo errado.

_ Passaram-se 4 anos, King _ A garota o lembra _ É claro que as coisas mudaram.

King encara sua irmã, enquanto ela permaneci olhando o armário como se fosse a coisa mais interessante do mundo.

_ Tá bem _ murmura por fim _ Fale quando se sentir mais a vontade.

Elaine cogita inventar algo pra justificar seu comportamento recluso, mas opta por permanecer quieta.

_ Você vai adorar a escola _ King muda de assunto repentinamente _ Sobre tudo, a biblioteca. Tenho certeza que, uma vez lá, não vai querer voltar pra casa.

Elaine encara seu irmão e rir.

_ Agora fiquei animada. A biblioteca da escola na Austrália não tinha mais que três estantes abarrotada de livros corroídos pelas traças. Você lia até a página 12, e à página seguinte era à 62.

King rir e toca suavemente o joelho da garota.

_ Pois vai surtar com sua nova biblioteca.

Enquanto se despia sem pressa alguma, Elaine se encarou no grande espelho grudado na porta do banheiro e suspirou. Sempre foi magra e franzina, coisa que jamais a incomodou. Elaine era do tipo de garota que não é exatamente desleixada, porém não é nenhum um pouco fútil. Para ela, passar horas num salão de beleza ou na manicura era uma grande perda de tempo. No entanto, a garota estava bastante magra. A cintura fina, as costelas ressaltadas sutilmente por baixo da pele muito branca, os seios que quase não desenvolveram, a clavícula saltada. Ver aquilo causava uma sensação de melancolia em Elaine, não por motivos estéticos, mas pelos motivos por trás daquilo. Os hematomas mais recentes eram os piores, Elaine evitava encarar suas costas nuas.

Quando ela mergulhou na água morna, repousou sua cabeça na borda da banheiro e fechou os olhos. Estava completamente exausta. Quando veio a sair de seu banho, já eram 18 horas, e mal a menina libertou os cabelos louros da toalha felpuda, seu pai bateu em sua porta e a abriu lentamente, pondo o rosto pra dentro.

_ Vamos jantar naquele café que você adorava ir. _ anunciou sorrindo e fazendo algumas rugas surgirem ao redor dos olhos cor de mel.

_ Tá bom, deixa eu só vestir algo. _ respondeu também sorrindo.

Elaine imaginou que seu pai faria o que sempre fazia quando ela lhe visitava nas férias. E não errou em sua conclusão precipitada. O homem levou os dois irmãos pro café, onde comeram panquecas de banana, sorvete, cupcake de chocolate e King ainda detonou um litro de milk shake de morango. Depois passaram num shopping e Elaine saiu com dois pacotes, um em cada braço. No fim da noite, sentaram-se os três no sofá da sala e assistiram the walking dead até caírem no sono.

No dia seguinte, a loura despertou de supetão e caiu de sua cama, batendo a cabeça no piso e gemendo baixo.

_ Ah, ela tá na minha! _ Elaine ouviu a voz empolgada de seu irmão no quarto ao lado.

Vai com calma, King. A Diane é bem... _ Uma voz feminina o repreendeu.

_ Puta? _ A terceira voz era masculina, mas não era a de seu irmão.

Elaine levantou do piso e massageou a nuca.

N-não! Eu ia dizer temperamental, Meliodas!

Elaine ainda vestia o suéter branco e o jeans escuro que usou na noite passada, agora bastante amassados. Ela foi até seu banheiro, onde escovou os dentes com uma escova que King lhe dera quando ela lhe disse que não tinha uma. Depois passou uma água no rosto, amarrou os curtos cabelos de qualquer jeito e foi até o quarto de seu irmão, onde o encontrou largado na cama, com os pés pro alto e encarando o teto. Um rapaz de baixa estatura e de grandes olhos verdes mexia numa pequena caixa de madeira.

_ Bom dia _ King a cumprimentou se sentando no colchão.

_ Quem é essa aí? _ Meliodas perguntou chacolhando a caixa bem perto de seus ouvidos.

_ Eu sou Elaine _ a garota se apresentou _ Irmã do King.

_ Ah... foi mal, faz tempo desde a última vez que te vi por aqui _ O baixinho se desculpa.

Uma garota sai do banheiro de King e Elaine a fita enquanto ela se aproxima ajeitando a franja sobre um dos olhos.

_ Oi, Elaine! _ Elizabeth a cumprimentou sorrindo docemente.

_ Ah, ainda bem que alguém lembra de mim _ Elaine murmura fingindo estar magoada.

King sentiu-se menos preocupado. Agora sua irmã estava começando a lembrar o que ela era: Uma garota de riso fácil, irônica e extremamente sentimental. Nada comparado aquele comportamento recluso e até frio que Elaine estava apresentando desde que chegou no dia anterior.

Talvez só estava cansada da viajem _ pensou King.

O dia resumiu-se a: ficar esparramado no tapete felpudo do quarto de King, conversando sobre trivialidades juvenis e comendo besteiras que Eric _ o pai de Elaine e King _ trazia ao longo do dia.

_ Vai ter um show de rock esse fim de semana _ Meliodas conta entendiado _ Vê se tira essa bunda magricela do colchão.

Ele se referia a King.

_ Show de rock? _ Elaine repeti curiosa.

_ É, com umas bandas calouras. _ Elizabeth a responde. _ A namorada do Ban vai se apresentar com a banda dela.

_ Como é mesmo o nome da banda deles? _ Meliodas questiona ainda com aquela pequena caixa de madeira.

_ Bastardos infernais, algo assim _ Elizabeth corre os dedos por sua franja perolada

_ Hum... _ O garoto se vira pro lado de Elizabeth, onde ela estava deitada de peito pra cima, como os outros _ Que tédio. Deixa eu pegar nos seus peitos?

A garota desviou os olhos do teto e virou seu rosto na direção da de Meliodas, corando como uma maça madura.

_ V-vai em frente.

_ Já deu pra mim _ Elaine murmura se levantando do tapete e batendo nas nádegas pra tirar a poeira do jeans _ To fendendo a cachorro de rua e tenho uma bolsa escolar pra organizar. _ ela vira pro seu irmão, que olhava Meliodas aperta os seios de Elizabeth como alguém olharia pra verruga da avó _ E eu acho que quero ir pra esse show aí...

_ Você nem gosta de rock! _ King a lembra, indignado pela possibilidade de ter que sair de sua cama quente e confortável no fim de semana.

_ Acho que quero sair um pouco... _ conta sincera. Na verdade, Elaine sentia necessidade de sair e parar de pensar em seus segredos obscuros. Sua voz saiu quase embargada e ela logo forçou um sorriso pra isso passar despercebido.

_ Tá... _ King a responde, percebendo o que sua irmã tentou disfarçar. 

Um desespero muito bem disfarçado.

 

*   *  *

 

Na sexta-feira a noite, Elaine vestia um suéter amarelo com linhas brancas na vertical, jeans de lavagem clara e seu all star azul. Pensou em fazer algo com seu cabelo, pesquisou penteados simples para cabelos curtos e, faltando 20 minutos pra saírem de casa, a garota estava sentada no colchão de sua cama enquanto Elizabeth terminava de prender seus fios dourados na fina trança que rodeava toda sua cabeça.

_ Prontinho! _ a garota exclamou animada, saltando da cama e sorrindo. _ Você ficou tão fofinha!

Na sala, Meliodas beliscava uma barrinha de chocolate enquanto assistia King reafirmando pra si mesmo que estava bom o suficiente pra Diane querer beija-lo. Desde que soube que a garota iria pro tal show, simplesmente surtou e passou horas escolhendo uma roupa. 

Como uma menina antes de seu primeiro encontro.

_ Para com isso _ Meliodas reclamou, lambendo os dedos sujos de chocolate _ Relaxa e vai. Só vai, cara.

Elizabeth surgi junto com Elaine. O vestido preto ressaltava seus grandes seios, mostrava suas pernas torneadas e apertavam suas curvas de forma sensual. O louro no sofá voltou a lamber os dedos já limpos, observando como o tecido do vestido roçava na pele de Elizabeth enquanto ela andava, lhe fitando totalmente ruborizada. Perto de uma garota como aquela, Elaine aparentava ainda mais uma pré-adolescente no inicio da puberdade. Naquele momento, ela sentiu-se um pouco mal. Estranho seria se não se sentisse. Mas ela ignorou a sensação de inferioridade e saiu de casa junto dos outros, entrando na picape preta de Meliodas e seguindo pro show de bandas calouras. 

 

[...]

 

Elaine observava tudo ao seu redor, muito curiosa. Os jovens de corte de cabelo extravagantes, piercings, tatuagens e roupas rasgadas. Ah, minha mãe degolaria o papai se soubesse onde ele me deixou ir.

Em cima do pequeno palco de madeira, alguns jovens organizavam a fiação. O evento ocorreria num galpão alugado, com as paredes forrada num tecido fino e vagabundo e pedaços de papel crepom azul marinho enfeitando todo o perímetro.

_ Que bosta, hein _ Meliodas comenta olhando em volta _ Elizabeth, segura bem essa sua bolsa aí quando desligarem as luzes.

_ Ah, tá legal, a gente nem pagou nada mesmo.... _ Elaine discorda. Quando a loura olhou pro palco outra vez, viu um grandalhão beijando uma mulher, lhe apertando nos braços e por fim se afastando com um sorriso torto no rosto.

_ Lá vem _ King murmura, totalmente ensopado de suor e sacudindo a camiseta vermelha freneticamente.

_ Que coisa ridícula ficar agarrando a namorada em público _ Meliodas diz e dá um sorriso sínico. King o encara de olhos semicerrados, ainda sacudindo a camiseta.

_ Você faz isso direto! Seu macaco no cio.

O grandalhão ainda sorria torto quando se aproximou metido num conjunto de couro vermelho. Seu tórax, muito definido e trabalhado, ficava exposto na jaqueta curta demais pro seu tamanho. Elaine olhou aquilo e, segundos depois, ergueu o olhar pra face do homem, engolindo seco. Ele olhava pra algo atrás dela e, de repente, a encarou com suas orbes vermelhas.

_ É tua parente? _ questionou com uma voz rouca e melodiosa. Com o silencio como resposta, Ban desviou o olhar de Elaine e encarou Meliodas, que estava com os olhos fixos na nádega poucos centímetros a baixo de seu queixo. O baixinho estava prestes a subir o vestido preto e verificar a cor da calcinha de Elizabeth, se King não tivesse berrado.

_ Você quer parar?! Estamos num maldito galpão cheio de pessoas, porra! _ Ele puxou ar e limpou o suor da testa. _ Ah, ela é minha irmã _ Acrescenta. _ Chegou de viagem na segunda.

  _ Hum... _ foi a resposta de Ban, que virou-se, ao lado de Elaine, e encarou o palco. 

As luzes foram apagadas, Elaine ouviu o sussurro de Meliodas mandando Elizabeth segurar a bolsa e então a primeira banda começou a se apresentar. No baixo, estava a namorada de Ban. Ele a assistiu tocar com um sorriso torto o tempo todo. Elaine as vezes o olhava no escuro, as luzes que piscavam feito o pisca-pisca de natal iluminando um pouco sua face. Ela observava a cicatriz em seu queixo e pescoço, olhava o jeito que ele sorria, como o couro abraçava seus músculos e como Ban era realmente grande. 

Ele exalava intimidação até na forma de passar os dedos pelos fios extremamente claros com reflexos azulados.

Em determinado momento, quando os bastardos infernais tocou uma música com solo de guitarra, houve uma confusão de garotos se socando e trocando chutes. Rapidamente um circulo se formou e Elaine viu-se completamente desorientada sem entender o que estava acontecendo. Quando sentiu braços a erguerem do chão, seu coração quase saltou por sua boca.

_ A roda não é lugar pra garotinhas _ Ban diz ao pôr Elaine no chão. King toma a mão de sua irmã e a afasta do homem com um puxão. Ban sorri torto e dá a volta nos calcanhares, juntando-se aos outros brigões.

 

[...]

 

_ Eu fiquei desesperado quando percebi que o anão ao meu lado não era ela! _ King conta _ Elaine, você tem que se afastar quando a roda abri, entendeu? Não é pra ficar dentro. A não ser que queira trocar tapas.

A loura assentiu, um pouco irritada com seu irmão ter lhe confundido com um anão.

_ O culpado é você de não ter alertado sua irmã dessas coisas _ Meliodas o acusa olhando em volta com tédio _ Ela não frequenta esse tipo de lugar, esqueceu?

_ Por que ele ficou lá? _ Elaine indaga ainda surpresa com a atitude de Ban.

_ Por que o Ban é um ruaceiro sem juízo. Por isso. _ King a responde como se fosse algo obvio.

Elaine saiu de casa com o intuito de esquecer os motivos de seus pesadelos, e obteve êxito. Ao menos por algumas horas. Tudo que a pequena pensava aquele momento era no quanto Ban era esquisito. Não esquisito do tipo seu antigo parceiro de química, que tinha mania de coçar as axilas e cheirar os dedos quando achava que ninguém estava vendo. Esquisito do tipo intrigante. Diferente. Peculiar.

_ Você devia aparecer aqui mais vezes, Meliodas _ Hawk diz caminhando em direção ao banheiro _ Essa espelunca é sua.

Hawk era um rapazote gorducho de quatorze anos, com cabelos cor de rosa na altura dos ombros e uma pequena argola no lóbulo da orelha esquerda.

_ Concordo, pivete.

Elaine olha rapidamente na direção da voz, corando em seguida pela forma que agiu. Ban surgiu abotoando os botões na manga do uniforme idêntico ao de Hawk, só que muito maior. Ele apoiou o cotovelo no balcão e se esgueirou pra perto da loura.

_ O que a garotinha vai querer? _ indaga dando um meio sorriso.

Elaine pisca algumas vezes e senta num acento do bar.

_ Cerveja _ responde batucando os dedos. Ele arqueia uma sobrancelha e nega com o indicador bem à frente do rosto da loura.

_ Nada disso. Garotinhas não bebem cerveja.

_ Isso mesmo, gostei de vê _ King aprova a atitude _ continue assim, Ban. Quem sabe um dia se torna alguém responsável.

Ban vira-se brevemente e repousa uma garrafa de líquido incolor sobre a mesa.

_ Garotinhas bebem vodca.

Meliodas chacolha a cabeça negativamente e gargalha.

_ Vai embebedar a sua irmã! _ King fala entre os dentes.

_ Eu embebedaria se tivesse uma. _ responde enquanto limpa um copo com um pano. Em seguida, joga o pano sobre um ombro e forra o copo de bebida. King cerrou os olhos observando Ban empurrar o copo pra perto de Elaine. A garota o encarou e passou os dedos na aba, levando o copo aos lábios e se engasgando em seguida.

_ Não bebi isso! _ King diz tomando o objeto das mãos da irmã e o deixando longe. _ Sabe-se lá o que ele pôs.

Ban bate no balcão e se esgueira sobre ele pra encarar King de perto.

_ Eu por acaso tenho cara de quem droga criança, caralho?

_ Tem _ Meliodas e King o respondem juntos.

_ Eu não sou nenhuma criança! _ Elaine protesta.

_ Ah, é sim! _ King rebate.

_ Você é meu irmão gêmeo! Tenho sua idade, gênio.

Ban tomba a cabeça pro lado e sorrir.

_ Gostei de você, garotinha. Não é que nem seu irmão bunda mole.

_ Bunda mole?! _ King rosna.

_ É, ou acha que não vi você soando bicas quando Diane passou por você?

_ Eu não sou bunda mole!

_ Então prove isso, bundão, sua garota tá vindo aí _ Ban diz trocando o pano pro outro ombro e deixando o balcão.

Elaine o observou sumir na cozinha do bar. O gosto do gole da vodca que bebeu ainda queimava sua garganta e a fazia querer vomitar. 

_ Demorou... _ Meliodas diz quando Elizabeth o envolveu num abraço e apertou sua cabeça contra seus seios.

_ Desculpa, a Diane quis passar em casa.

_ Ah, para com isso, Meliodas. Pelo amor de Deus, deixa a sua namorada tomar um ar. _ Diane bufa. _ Ah, oi lindinha! _ Cumprimenta virando-se pra Elaine _ O que tá fazendo com esses psicopatas?

King estava estático ao lado da irmã. O olhos presos em Diane, uma gota de suor escorrendo por sua têmpora e os lábios começando a tremer de nervosismo.

_ O-oi! _ murmura dando um aceno de mão desajeitado.

_ E, anjo, tá passando mal? _ Diane indaga percebendo o comportamento estranho do outro.

_ Ele tá afim de você _ Elaine diz esticando o pescoço em direção a cozinha. King engasga e Diane dá tapas em suas costas, o fazendo se dobrar pra frente e fazer som de vômito. _ Vou vê algo pra tirar o gosto de vodca.

Elaine dá a volta no balcão, passa para dentro e adentra a cozinha.

_ Quero algo pra comer _ diz cruzando os braços e encarando as costas largas de Ban. Ele estava de frente o fogão, mexendo uma panela, vestindo um avental branco e pequeno pro seu corpo. 

_ Espera uns minutos aí, garotinha. _ responde sem se virar.

Elaine se perguntou se Ban se referiria a ela daquela forma dali em diante. Provavelmente. Bom, ao menos não é algo como anã ou Olívia palito. _ Ela pensou consigo mesma.

 

 

Depois daquela noite confusa e cheia de acontecimentos estranhos, Elaine não viu mais o Ban. Na verdade, a garota não viu sequer a luz do sol. Os dias que se seguiram e ela permaneceu trancada em seu quarto, com as cortinas fechadas, deitada em sua cama fingindo dormir quando seu irmão ou seu pai adentrava seu quarto. Ela comia duas vezes ou até mesmo uma única vez por dia, cada vez mais débil e fragilizada. O ano letivo começaria em duas semanas, Elaine não tinha ânimo nem pra pentear os cabelos. 

King se perguntava o por que de tudo aquilo. Sua irmã nunca se comportou daquela forma, nunca demostrou quaisquer sintoma de depressão, e de repente isso? De repente estava definhando?

As vezes Elaine queria simplesmente se abrir e vomitar o que tanto lhe corroía. Mas ela sabia no que acarretaria como consequência dessa decisão, e não queria destruir a felicidade de sua mãe depois de tantos anos a vendo bêbada pra esquecer o buraco que seu ex-marido deixou em seu peito.

 

*  *  *

 

Na segunda-feira, o jipe preto de Meliodas parou em frente a residência de King. Falava sem parar do quanto estava animado pras aulas de inglês, que seria fluente na língua e iria viajar pra Londres com Elizabeth nas férias.

Elaine juntou-se aos outros dentro do carro, olhando sua casa pela janela. Desejava ter ao menos um pingo daquela animação.

Na quarta-feira, Diane agarrou King no meio da aula de primeiros socorros, mostrando como se salva alguém com uma respiração boca a boca. Resultado: Ambos foram pra diretoria e levaram advertência, mas King não ficou triste ou irritado. Estava feliz por que beijou a garota que gostava e por que sairia com ela na sexta. Elaine observou seu irmão se esquecer dela e de seu comportamento estranho, mas não o culpou. Na verdade, agradeceu mentalmente a Diane por ter ocupado a cabeça dele. Não queria ninguém se preocupando com ela. Eu sobrevivo _ dizia pra si mesma convicta.

Já faziam-se um mês que Elaine mudou-se pra Tóquio, e ao ousar encarar-se de costas no grande espelho pregado na porta de seu banheiro, percebeu que quase já não tinha hematomas. Assim como eles, meus pesadelos irão sumir com o passar do tempo _ pensava ela.

 

*  *  *

 

O sol estava castigando a pequena garota que suava por baixo do suéter amarelo com listras brancas na vertical. Mesmo protegida dentro da casa modesta e muito bem organizada, o dia abafado e escaldante proporcionava uma péssima sensação em Elaine. Os grunhidos no primeiro andar pioraram a situação da garota, que encarava os papéis que tinha em mãos amaldiçoando Elizabeth por faze-la se prestar aquele papel.

Quando ela já cogitava desistir de fazer o trabalho de física e simplesmente ir embora, a porta abriu e ela se sobressaltou no sofá, como uma criança pega no ato.

_ Tá fazendo o quê aqui, garotinha? _ Ban indagou tombando a cabeça pro lado e sorrindo torto.

Elaine suspira e encara os papéis em seu colo.

_ Era pra eu estar fazendo um trabalho de física.

_ Era? _ Ban encara o teto da sala, ouvindo os gemidos ficarem altos. _ Minha mãe nada santíssima.

_ Pois é.

Ban caminha até o sofá e se larga ao lado de Elaine.

_ Esquenta com isso não, eles fazem isso direto _ Conta enquanto tira o celular do bolso do jeans. _ Pelo jeito que a cama tá batendo na parede, vai acabar daqui à pouco.

Elaine estava completamente corada. Era esquisito estar numa situação daquelas com um homem ao lado. Ela simplesmente não conseguia parar de prestar atenção naqueles ruídos e cogitou tapar os ouvidos quando finalmente eles cessaram.

_ Aí, falei _ Ban rir e se espreguiça. Elaine dá uma olhadela no celular em suas mãos, atitude que não passou despercebida por Ban. Dez segundos foi o suficiente para ela ler o assunto central da mensagem: um cheiro masculino, ou algo assim. _ Minha namorada tá esquisita... _ ele explica.

_ Esquisita como? _ pergunta num misto de curiosidade e vergonha por ter bisbilhotado.

_ Sei lá, tá esquisita. Tipo _ ele começa a lista nos dedos enquanto continua _ não me telefona mais antes de dormir, quando saiu do trabalho ela não me manda uma mensagem pra saber se cheguei bem em casa. Essas coisas, sabe. Ela fazia tudo isso, e não tá fazendo mais.

_ Desde quando?

_ Desde o show. _ Ban desvia o olhar pro jarro sobre o centro de vidro e semicerra os olhos _ Desde uma semana antes do show.

_ Hum... _ Elaine murmura sem saber o que dizer.

_ E eu também sentir um cheiro esquisito nela ontem... um cheiro masculino.

_ Pode ser o seu cheiro _ Elaine sugeri.

_ Não, não é. Não uso aquele perfume.

_ Olha, ela pertenci a uma banda, não é? Vai ver é de algum garoto da banda. _ Supõe franzindo as sobrancelhas.

Ban a encara e sorri. Mas sem mostrar os dentes, um sorriso que você daria a uma criança ingenua demais.

_ Não, garotinha. Tava impregnado na roupa dela, como se o dono do perfume a tivesse a abraçado por muito tempo, entende? Não é algo que se mistura a sua roupa por está perto. Também senti cheiro de cigarro e eu não fumo, muito menos ela. Jericho até usa maconha vez ou outra, mas cigarro não.

_ Acha que ela tá te traindo? _ pergunta depois de um breve momento pensando se seria boa ideia questionar isso.

_ Acho. _ admite encarando o celular em sua mão _ Eu já falei pra ela que se ela tivesse gostando de outro cara é só falar e cair fora, eu não vou fazer nenhuma loucura. Mas eu realmente vou ficar puto se ela tiver me fazendo de palhaço. Cara, é só falar e cair fora.

_ Eu sinto muito... _ Elaine murmura abraçando os joelhos.

_ E ainda não respondi minhas mensagens... _ Ban desvia o olhar do celular e encara Elaine _ E você , já namorou alguém?

Aquela pergunta a pega de surpresa. 

_ Deixa isso quieto _ responde constrangida.

_ Qual é, abre o jogo, garotinha. Não é possível que nenhum garoto não gostou de você. Você é tipo a garota que todo cara ajuizado quer. Bonita, porém não da forma que babacas procuram.

_ Sou? _ indaga o encarando surpresa.

_ É, ué. Sua pele não tem espinha ou marcas, as garotas devem pegar no seu pé.

Elaine se encolhe com o comentário. Sentiu-se melancólica por não ser verdade o que Ban disse. Sua pele não era perfeita.

_ Hum... então Austrália não tem muitos garotos ajuizados. _ diz quase um minuto depois. O celular que Ban tinha em mãos vibra e ele o checa na mesma hora.

_ Ocupada... _ ele murmura irritado _ Sempre assim.

Elizabeth desci as escadas junto de Meliodas, fazendo Ban e Elaine olharem enquanto eles pisam na sala.

_ Foi mal _ ele diz encarando Ban.

_ Eu to acostumado com isso, mas deviam pensar na garotinha aqui sentada no sofá ouvindo tudo. Ela com certeza não estava.

_ Eu sinto muito, Elaine! _ Elizabeth diz muito corada _ Não faço mais. Juro de mindinho!

 

 

Depois daquela tarde escaldante e daquela conversa com Ban, Elaine passou duas semanas sem vê-lo novamente. Durante esse período, literalmente se jogou nos estudos e os estudos tornou-se seu ponto de equilíbrio. Ela ocupava sua cabeça com a segunda guerra mundial e o cosete e cosseno. Já conseguia comer as três refeições diárias, ouvia seu irmão falar por horas de como Diane era boa no sexo, assistia The walking dead com seu pai a noite e lia mais um pouco sobre genes alelo antes de dormir. Ainda assim, ainda se esforçando como nunca jamais fez, ela tinha aqueles malditos pesadelos.

 

*  *  *

 

Diferente das ultimas três semanas, aquele dia estava cinzento e com nuvens escondendo o azul do céu. O ar estava gélido, o clima monótomo e Elaine esfregava uma mão na outra, ambas enfiadas em felpudas luvas brancas.

Estava sentada num banco de um café, olhando lá fora pela vitrine. Tomava um milk sheak, o canudo e entre os lábios carnudos naturalmente rubros o tempo todo. Elaine pensava sobre sua nova rotina. Em seu primeiro bimestre, suas notas estavam decolando, isso a deixava não exatamente feliz, mas... reconfortada de alguma forma. Afinal, estava conseguindo pôr sua vida pra frente, manter as coisas nos eixos.

_ Você é muito quieta, sabia? _ Diane comenta, apoiando o cotovelo na mesa e fazendo bico _ É tão chato ficar perto, por quê fico imaginando o que se passa nessa cabecinha. 

Elaine rir ainda com o canudo entre os lábios. No entanto, seu sorriso some ao ver Ban passar correndo na rua, algo dentro de si à mandou segui-lo. Talvez fosse intuição, talvez apenas um forte sentimento de "preciso desvendar as façanhas desse homem". Provavelmente um pouco dos dois. 

Ela pôs algumas moedas sobre a mesa e saiu correndo, sem dar explicações alguma pra uma Diane boquiaberta. Correu por onde o viu passar, não tardando a vê-lo se enfiando num estabelecimento no fim da rua. Elaine empurrou algumas pessoas que andavam devagar demais em sua frente e também se enfiou na barbearia, empurrando a porta de vidro que tinha uma placa com os dizeres "fechado pra almoço".

_ Ban! _ berrou o vendo abrir a porta dos fundos da barbearia. Mas ele sequer olhou pra trás. Ela correu atrás, passando pela porta escancarada e sendo atingida em cheio por uma baforada de cigarro. Ela abanou as mãos, tentando enxergar algo através da fumaça, até que visualizou uma mulher tentando subir o jeans e um homem repousando um cigarro pela metade num cinzeiro.

Ocupada. Ocupada abrindo as pernas _ Ban vocifera _ Nossa, cara, se tu soubesse a vontade que to de acerta a tua cara _ Ele passa as mãos pelo rosto suado e em seguida parti pra cima do outro homem, que sequer teve a decência de subir as calças e continuava sentado no chão, como se não tivesse sido flagrado transando com uma mulher comprometida. Ele acerta três socos na boca de Ban, que agarra sua cabeça, complemente fora de si, e a arremessa no piso várias vezes, até Elaine acordar do transe o puxar pela roupa.

_ Para, Ban! _ pedi desesperada, imaginando que a qualquer momento o homem ia morrer com os miolos espalhados pelo piso.

Jericho estava atônica, pálida e com seu batom vermelho borrado. Os cabelos lilás desgrenhados e algumas mechas escapavam do rabo de cavalo. Ban finalmente soltou o homem e a encarou, levantando do chão e apontando um dedo trêmulo em sua direção.

_ Só me diz o motivo. _ pedi resfolegando. _ eu te dei tudo, Jericho, tudo. Eu te dei liberdade pra ser o que você quiser, eu te aconchegava em meus braços quando estava cansada de tocar. Eu até mesmo fiz planos com você, planos. Porra, era só dizer, não precisava me fazer de idiota dessa forma. Era só cair fora.

Jericho estava com os olhos fixos em Elaine. Achou um possível motivo que o fizesse tão culpado quanto ela, pois não havia como ela dizer que ele entendeu errado. 

_ E essa menina aí? Que diabos está fazendo com você?

_ Eu segui ele quando o vi passar correndo na rua _ Elaine a responde com frieza.

_ Me responde o motivo! _ Ban berra passando as mãos no rosto nervosamente.

_ Por que é exaustivo pra caralho conviver com você! Você exigi demais de mim!

_ Eu? _ Ban bate no próprio peito e a encara _ Eu te deixei livre, Jericho. Essa foi minha maior prova de amor. Quando disse que participaria de uma banda que só tinha homens, o vocalista sendo ex-namorado seu, o que eu disse? Que apoiaria todos os seus sonhos, e torceria para que chegasse em todo os seus objetivos. Isso é exigir demais?

Jericho aperta os lábios e desvia o olhar pro chão.

_ Mas pelo visto, te dei a liberdade pra ser o que quiser e você optou por ser uma puta.

_ Não, Ban! Por favor, eu estava muito cansada da banda e não tava pensando direito! _ Jericho choraminga o encarando com os olhos marejados _ Por favor, pense em nós!

_ Em nós? Você não pensou em nós quando ele tava te comendo. Você não pensou, Jericho. Você sequer me ouviu uma única vez. Se queria ficar com esse... _ Ban encara o homem desacordado no chão _ com esse saco de bosta, era só falar. Eu não te impediria, não faria uma loucura ou te trancaria no meu apartamento até mudar de ideia. Era. só. falar! 

Jericho finalmente ver que não conseguiria reparar aquele erro e fala tudo o que dar na telha, já no ápice de seu estresse.

_ Vai se foder, Ban! Vai se foder! Ele me deu o que você não dava, sabe o que era? _ Ban semicerra os olhos, esperando que continuasse _ Um bom tapa enquanto me comia, um puxão de cabelo e nada desse papo de futuro e planos e faculdade de culinária, ele só me comia e pronto! 

Jericho bate com as costas na parede e cai no piso. Elaine se ponhe na frente do homem que ainda tinha o punho erguido, abraçando seu tórax com os braços completamente trêmulos. 

_ Chega... _ murmura em seu peito _ Ela fez a escolha dela. Hora de seguir em frente.

Jericho ergue o resto, uma filete de sangue no canto dos lábios. A mão sobre o local que ardia, o olhar incrédulo.

_ Que merda você fez?!

_ Te dei o que tanto queria. _ responde como se cuspisse as palavras. Em seguida chuta o cinzeiro que estava no chão em sua direção, acertando suas canelas _ Espero que goste do cheiro desse cara e dos cigarros dele, por quê com certeza suas roupas não irão exalar o meu nunca mais.

 

[...]

 

_ Fiquei com medo _ ela admite enquanto passa o algodão embebido de cicatrizante nos lábios machucados do homem _ Achei que ia matar ele pra valer.

_ Eu também.

Elaine molha um novo pedaço de algodão no remédio e passa sobre o lábio inchado de Ban. Ele ergue o olhar de repente, fazendo-a corar por estar perto demais.

_ Desculpe te fazer ver uma cena daquelas, garotinha.

_ Tudo bem, eu te segui. _ Elaine dar de ombros _ Eu sinto muito mesmo por tudo isso... _ ela termina seu trabalho, ponhe o algodão dentro de um copo sobre o centro e senta no braço do sofá _ Deve ser angustiante... ser traído dessa forma.

_ Queira nem imaginar _ Ban murmura agarrando os cabelos e os soltando em seguida. _ acho que já estar na hora de ir pra casa, garotinha. Seu irmão deve estar muito preocupado.

Elaine arregala os olhos, como se só agora se desse conta que já passava das 17 horas e que com certeza Diane já tinha contado pro seu irmão que correra do café como uma louca.

_ Tem razão _ concorda coçando a nuca. Retira as luvas de dentro do bolso do jeans e cobre as mãos. Tira o celular do outro bolso e vê que tem 5 chamadas não atendidas.

_ Tá encrencada, não é? _ Ban indaga vendo sua cara. Elaine rir e assenti. _ Falando em encrenca, salve meu número. Se tiver numa situação crítica me ligue. Se tiver num beco sem saída com um cara te espreitando, me ligue. Se quiser dicas com garotos, me ligue. Eu devo isso a você, eu realmente ia perder a cabeça e ir preso se não fosse você.

_ Nesse caso, salve o meu também. Se sentir que vai fazer a maior besteira de sua vida, me ligue. Se sua raiva for grande o suficiente pra querer estourar a cabeça de alguém, me ligue. Se apenas não estiver bem e achar que conversar sobre possa te fazer melhorar, me ligue. 

Ban entrega seu celular pra Elaine, a observando digitar seu número, que foi salvou como "irmã do King". Em seguida entregou o seu próprio, que Ban salvou como "conselheiro amoroso", já se imaginando dando dicas infalíveis pra garota e avaliando se seu pretendente era bom o suficiente pra ela.

 

 

 

 


Notas Finais


E é isso, galera. Espero que tenham gostado e até o próximo.


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