História Same Mistake - Capítulo 4


Escrita por: ~

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Categorias Naruto
Personagens Sakura Haruno, Sasuke Uchiha
Tags Naruto, Romance, Sakura Haruno, Samemistake, Sasuke Uchiha, Sasusaku
Exibições 211
Palavras 4.939
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Hentai, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi gente! Mais um pouquinho do passado da Sakura em itálico!
Boa leitura ;)

Capítulo 4 - Capítulo 04


Eu sei que isso parte o seu coração

Se mudou para a cidade em um carro aos pedaços e

Quatro anos, nenhuma ligação

¨

 

Faz dois meses e alguns dias de aula, eu e Ino estávamos lotadas de trabalhos a se fazer. Nossas provas estavam por vir e eu me sentia amedrontada para enfrentá-las. Enquanto eu me enfiava de cabeça nos livros, Ino se preocupava com qual cor do esmalte que pintaria suas unhas. Todas as listas de exercícios minha colega de quarto não fez nenhuma, apenas as copiou de mim. Ino simplesmente estava levando numa boa o começo da sua vida acadêmica.

Hoje é sexta-feira e eu resolvi ficar na biblioteca depois da aula á tarde. Ino não quis me acompanhar, pois acha um absurdo já ter que ficar manhã e tarde em plena sexta feira na faculdade. Um dos trabalhos a se fazer é individual, poderíamos nos ajudar, mas ela disse que faria em casa pesquisando na internet e, referenciaria algum livro qualquer só para dizer que pesquisou em fontes confiáveis.

Como não possuo esse espírito aventureiro da minha amiga, preferi pegar três livros com mais de trezentas páginas para elaborar meu trabalho. Na área das mesas de estudos, eu contei sete pessoas comigo. Realmente o silêncio e calmaria ajudaram e tanto em minha concentração que, o trabalho fluiu, restando apenas a conclusão. Ao me espreguiçar na cadeira, olhei no canto direito do notebook notando que são quase nove horas.

Recolhi meus pertences com sensação de dever cumprido, talvez se eu estivesse entrado na onda de Ino, provavelmente esse trabalho não havia nem começado. Uns dos fatores ruins de dividir um quarto com alguém que fala muito é perder atenção a qualquer segundo. Coloquei a mochila sobre os ombros e saí da biblioteca, apesar das aulas à noite, a universidade está quieta.

Ao chegar próxima do estacionamento principal, avistei que adiante, aproximadamente á uns sete metros de distância, está acontecendo uma briga. Olhei para os meus dois lados tentando encontrar alguma alma viva para poder socorrê-los, pois eu não vou enfrentá-los sozinha. São dois homens bem mais altos do que eu, sem falar que o barulho dos socos e chutes dava para ter uma noção da força deles.

Estreitei meus olhos tentando reconhecê-los, mas a iluminação no estacionamento não é das melhores. Arrisquei dando alguns passos a frente, mas ainda mantendo uma boa distância dos brutamontes. Um deles foi ao chão e aí que a briga ficou feia para lado do mesmo, levou três chutes no abdômen e dois socos no rosto.

Porque isso só acontece comigo, na boa!! Parece que o universo conspira em me meter em situações constrangedoras e ruins. Quando o cara que está de pé ameaçou chutar o outro caído, eu gritei. Não sei por que me enfiei nessa confusão, talvez o espírito aventureiro de Ino viera me visitar.

O cara devolveu o pé ao chão virando seu rosto na minha direção. Quando pensou em me ignorar e voltar a bater no outro caído eu abri a boca novamente. Já estou na merda, certo? Nada poderia piorar.

— Ei! Para com isso ou vai matá-lo! — ele cessou seus movimentos.

Olhou-me novamente e eu percebi quando respirou fundo para se acalmar, e ao terminar de inspirar, deu um chute de leve nas pernas do rapaz ao chão.

— Otário! Sorte sua por uma mulher aparecer!

E ao dizer isso, se afastou e deu-me as costas caminhando adentro do estacionamento, sumindo entre os automóveis. Logo depois, escutei o barulho do motor de um carro saindo dali. Sem pensar duas vezes corri para ver o rapaz caído, talvez pudesse ajudá-lo com alguma coisa ao meu alcance. Ao me aproximar do bendito cujo, o reconheci de imediato.

Sasuke.

— Mas que merda!

Realmente, tinha que ser justo ele? Porra!

Sasuke abriu os olhos e, a me ver, sorriu ladino. Os seus lábios estão sangrando, no canto do seu olho esquerdo têm um hematoma avermelhado e inchado, sem falar que do nariz saia um filete de sangue.

— Merda, Sasuke!

Eu podia deixá-lo ali, fingir que não vi nada disso. Afinal, acabei salvando-o de ficar em um estado pior do que já se encontra. Sasuke é grandinho suficiente para lidar com suas merdas. Mas, não. Lá estava eu, me ajoelhando ao seu lado, virando-o de barriga para cima para tatear seu abdômen e costelas torcendo para não encontrar nenhuma lesão grave.

Nenhum osso quebrado, mas o abdômen parecia estar levemente inchado. Segurei seu rosto com as minhas duas mãos, percorrendo meus olhos por toda a sua estrutura óssea angulosa e perfeita. Aparentemente nada grave, apenas um corte no lábio inferior e contusão no canto do olho e nariz. Larguei seu rosto e retirei meu celular do bolso da calça jeans, prestes a ligar para uma ambulância.

— Não. — sua voz saiu mais rouca que o normal. Talvez, grogue. — Apenas me ajuda até o carro, por favor?

O olhei incrédula, ele mal conseguiu se mover e ainda quer dirigir nestas condições precárias. Suspirei indignada e me levantei. Não iria contrariá-lo, como já disse, Sasuke é bem grandinho para resolver seus problemas. Guardei no bolso da calça o celular, e o ajudei a levantar-se. O braço esquerdo dele foi por cima dos meus ombros e o meu braço direto arrodeou sua cintura. Ao ajudá-lo a sentar-se no banco do carro, respirei fundo prestes a me afastar e seguir meu caminho para casa.

— Obrigado. — seus olhos cravaram-se aos meus. — Entre, lhe deixo na sua casa, é o mínimo que posso fazer por ora.

Já está tarde, mesmo não sendo tão longe de casa, eu aceitei. Tudo bem é só uma carona em agradecimento. Dei a volta e me sentei no banco de carona ao seu lado. Sasuke ligou o carro e logo saímos da UES.  Falei o endereço e depois disso não nos atrevemos a soltar qualquer palavra durante o curto caminho. Assim que estacionou em frente ao prédio, retirei rapidamente o cinto de segurança pegando a minha mochila sobre meu colo e abri a porta.

— Sakura. — disse antes que eu colocasse os pés para fora. O olhei por cima dos ombros. — Obrigado, por isso.

Meu estômago doeu da forma como me olhou, levando-me de volta ao passado. Mas, assim que meus olhos caíram sobre sua mão direta em cima do volante, enxergando o anel de compromisso no dedo anelar, um puxão do umbigo me trouxe de volta a realidade.

— Não haverá uma próxima ajuda da minha parte.

Saí do carro e fechei a porta não esperando que saísse alguma palavra da sua boca. Passei tão rápido pela portaria que, quando me dei conta, já estava dentro do elevador, arfando. Chegando ao apartamento, dei de cara com as três sentadas ao redor da mesa com duas caixas de pizza.

— Iriamos te ligar agora! — comentou Shion. — Compramos pizza!

...

 

A semana de provas havia terminado e eu me sentia literalmente acabada. Sensação de ter ido á guerra e voltado com traumas psicológicos e dores em toda a parte do corpo. Enquanto eu tentava dormir na minha cama aconchegante depois várias noites dormindo apenas de duas á três horas, Ino não calava a boca.

— Se eu reprovar, meu pai vai me matar! Ele gastou uma grana pesada investindo nos dois cursinhos que fiz só pra conseguir passar em medicina. Merda! Acho que  fui mal em Biologia celular e molecular I e também em  Saúde coletiva I.

Não respondi nada, a princípio. Estou tão exausta que, não sinto vontade de passar algum sermão nela, sobre suas míseras vontades de estudar e se preocupar apenas com suas belas unhas. Nem mesmo senti vontade de tranquilizá-la um pouco ao lembrá-la de que teria a segunda prova para recuperar-se, mas isso eu diria em outra hora ou ela mesmo se recordará desse pequeno fato.

Ao acordar, chequei as horas no celular constatando que eram quase dez da noite. Em um pulo saí da cama ao me dar conta que acabei perdendo de comer cheese Burger que Tenten paga todas as quintas para nós.  Chegando à sala, só encontrei com Ino tediosa olhando para a televisão.

— Não me diga que perdi o cheese Burger da Tenten? — disse ao me aproximar e sentar no lugar vago ao seu lado no sofá.

— Nós perdemos! — respondeu emburrada.

— Aff, que merda! — chutei a almofada que estava no chão.

Começou a passar um seriado que nós duas gostamos e, tanto eu como Ino, já não estávamos mais ligando sobre o ato traíra de nossas colegas de apartamento ir comer sem nos chamar. Fiz pipoca e Ino animou-se em fazer brigadeiro, perto da meia noite Tenten e Shion chegaram, mas mal conversaram conosco e foram logo para o quarto.

Descobrimos através de Konan algumas semanas depois daquela festa que Tenten está saindo com o Hidan. Ino suspeita que Shion esteja de rolo com algum deles também, já que nenhuma delas chegou a nos contar algo a respeito.

Para falar a verdade, não me interessa nem um pouco se elas estão saindo ou não com alguém. Ino e sua mania de querer saber de tudo ás vezes estressa. A maratona de cinco episódios foi ao fim, depois de tomar um bom banho e escovar os dentes encontrei Ino deitada em sua cama.

— Vamos sair amanhã, sem Tenten ou Shion. Na boa, elas estão começando a irritar.

— Pode ser. — dei de ombros e retirei a toalha do corpo e vesti meu pijama.

— Nunca reparei que você teve uma tatuagem na costela esquerda. — meus olhos arregalaram e me virei ficando de frente para ela. — O que estava escrito? Não faça essa cara de quem foi pega no flagra... — revirou os olhos e sentou-se sobre o colchão. — Por trás de uma tatoo sempre tem algum motivo.

Limpei a garganta, estendi a toalha na cabeceira da cama e me sentei calmamente no colchão. Bom, só tenho uma única saída para me livrar das milhares de perguntas que Ino lançará. Respondendo de uma única vez e sendo bem clara. Apesar de que, não quero em momento algum dar detalhes.

— O nome da minha avó. — sorri amarelo. — Eu passei maior parte da minha infância com ela, e quando morreu resolvi tatuar seu nome. Mas, me arrependi, e então fiz algumas sessões para apagar.

Ino pareceu se comover e eu respirei em total alívio. Apaguei a luz do meu abajur e tentei pegar no sono. Mas, não foi uma tarefa fácil.

 

...

— Sakura, não quero que faça isso porque se sente obrigada ou algo parecido. — segurou-me pelos ombros antes que entrássemos no Studio.

— Não estou me sentindo assim, Sasuke. — sorri. — Eu quero fazer!

Expirou largando meus ombros, e então, adentramos o mesmo studio de tatuagens que Sasuke fez a dele. Fazia um mês que ele havia feito, eu me sentia no dever de fazer alguma loucura por ele também. Pois, naquela época, parecia que ao estar comentando algo louco, era uma prova de amor.

Então, a minha tatuagem não foi algo tão romântico como a dele, mas significava demais para mim. Foi gravado na minha pele, aproximadamente três dedos abaixo do seio esquerdo na região das costelas.

“All i need is your love

S.U.”

Durante o processo da tatuagem, Sasuke ficou segurando minha mão direita. Quando terminou, ele me lançou um dos seus melhores sorrisos e me beijou. Disse que, não encontraria outra namorada tão louca quanto eu, e que o nosso amor estava gravado em nossas peles apenas como demonstração do imenso tamanho dele.

Eu, apenas achava que, o meu amor por ele não tinha tamanho. Não era algo que podia ser medido, mas o turbilhão de sentimentos dava-me a certeza que, era tão intenso que nem as mais belas palavras seriam capazes de mostrar a intensidade deles.

Seis meses depois, Sasuke terminou comigo.

Foi em uma sexta-feira ao entardecer, lembro que saí da escola depois de terminar meu horário de monitoria e o encontrei no campo que dá acesso á floresta de Konoha. O pessoal costumava jogar futebol, brincar, deitar, fazer piquenique, namorar, e outras coisas ali. Mas, naquele dia, só estávamos eu e ele.

Lembro que, ao chegar perto dele para lhe abraçar como de costume, Sasuke recuou, deu um passo para trás afastando-se. Claro que, não me importei tanto, eu estava tão feliz por vê-lo depois de duas semanas longe, pois fora viajar com Fugaku para conhecer Kiri, a próxima cidade que iriam morar.

Nosso namoro já se encontrava, de certa forma, abalado pela distância futura que iriámos ter que enfrentar. Sasuke ainda não tinha se decidido se entraria em alguma faculdade ou ficaria naquela vida de rock star sem futuro.

Sasuke estava sério, mais sério que o normal. E, só foi aí que, percebi que não teríamos uma boa conversa, ou muito menos aproveitaríamos aquele momento. Ele colocou as mãos no bolso da sua calça jeans surrada e soltou a respiração vagarosamente.

— Tenho que contar uma coisa, preciso ser sincero. — disse olhando nos meus olhos.

— Então conta... — minhas mãos iniciaram um leve tremor, pois jamais, durante os dois anos e quatro meses de namoro ele havia agido de tal forma.

 — Conheci outra pessoa. — disse sem nenhum rodeio. Franzi o cenho e ele continuou. — Há aproximadamente uns três meses e meio, por aí, eu estou saindo com outra pessoa. Viajei para Kiri, mas não com meu pai. E sim, com a Rin.

Rin havia sido de sua turma e tinha se mudado para outra cidade por causa da universidade, mas eu não fazia ideia que era Kiri à cidade. Como também não fazia ideia que os dois tinham alguma coisa. Rin foi umas das poucas que não fez parte do fã clube de Sasuke, na verdade, era uma das garotas que não se metia com quase ninguém. Não dava para acreditar naquilo, não fazia sentido.

Não é possível!!

— Porque você está fazendo isso? — minha voz saiu incerta. — Isso... É mentira! Para com essas brincadeiras ridículas, Sasuke!

— Presta atenção, Sakura! Não é uma brincadeira, se você pensar com calma, verá que é verdade!

— Não... Não pode ser...

Mesmo que eu quisesse que fosse mentira, os fatos começaram a fazer sentido. Eu achava que estávamos abalados pelo fato da mudança, pelo fato de ficarmos longe um do outro por algum tempo, mas não era isso. Sasuke estava cada vez mais distante de mim nos últimos dias, mal me olhava ou conversava. Sempre que nos encontrávamos eu tinha a sensação que ele não queria estar comigo. Sem falar que, seu celular parecia o refúgio, ou as ligações misteriosas que recebia.

E, eu me senti a pessoa mais estúpida do planeta por acreditar nele quando dizia que tinha que ir encontrar Suigetsu ás sete da noite em um sábado, quando o mesmo nesse horário deveria estar trabalhando no restaurante. Ou quando dizia que iria ajudar sua mãe no jardim, sendo que, eles tinham um jardineiro para isso. Até mesmo quando disse que iria viajar com Fugaku, sendo que, não suporta ficar mais de uma hora com o próprio pai. Rin deveria estar em Konoha em todas essas ocasiões.

— Lamento Sakura, mas aconteceu... Não sei explicar. — deu de ombros como se estivesse explicando que um mais um é dois. Ou, como se aquilo tudo não fosse grande coisa.

Respirei fundo, tentei manter a calma. Apesar de que, minhas pernas tremiam, minha cabeça doía, e eu queria desesperadamente surtar. O choque foi grande, mas o dor de ser enganada por justamente pela pessoa que eu mais amava, foi pior.

— Eu não entendo... Poucos meses antes você faz uma loucura por amor, e agora... — as palavras faltaram e os meus olhos já se encontravam lagrimando.

— Tem mais uma coisa que lembrei agora, mas isso não é tão importante. Saí com a Matsuri também, mas faz mais tempo. Ano passado ainda. — disse totalmente neutro, sem expressão alguma.

Matsuri? Matsuri a minha melhor amiga? 

Eu queria vomitar, sumir, chorar, voltar no tempo e consertar tudo, queria tanto coisa ao mesmo tempo. Mas, de tudo isso, não fiz nada. O meu estado em choque progrediu, não consegui nem ao menos rosnar, ou acertar-lhe um mísero tapa.

— Como eu já disse, aconteceu! — continuou friamente e deu-me as costas. — Não tenho mais nada a falar, nosso namoro acabou faz tempo, não temos mais nada um com o outro. — ao terminar de dizer, começou a caminhar. — Não me procure mais, arranje outra pessoa para passar o tempo, sei lá. Mas, não venha atrás de mim, Sakura. Não quero brigar com Rin por sua causa.

As últimas palavras repetiram em eco dentro da minha cabeça. “Não quero brigar com Rin por sua causa”... Por minha causa... Como se eu fosse um estorvo, ou a culpada de tudo.

Eu ainda dei três passos à frente na sua direção, mas desisti. Na verdade, não tive forças para lidar com tudo aquilo. Estava sendo doloroso demais. Sentei no gramado vendo-o sumir assim que saiu do acesso ao campo. Soquei a terra em ódio por tê-lo deixado escapar; Queria ter gritado, chamado de imbecil ou de podre, queria ter lhe dado boas bofetadas ou até mesmo mordidas para arrancar-lhe sangue. Queria fazê-lo sofrer nem que fosse fisicamente, mas nem isso eu consegui.

A noite chegara, e eu senti uma enorme vontade de ligar para ele, ou até mesmo ir á sua casa. Pedir para esquecer tudo aquilo, que nós poderíamos dar certo ainda. Mas, tudo que fiz foi chorar. Não podia me rebaixar mais do que ele me rebaixara em todo aquele tempo. E, ainda me lembro do meu choro, foi algo tão sufocante e agonizante que, até mesmo minha mãe entrou em desespero por mim.

Na semana seguinte, através das más línguas soube que Sasuke e sua família mudaram-se. Apesar de tudo, chorei. Sim, tudo que eu fazia era chorar. Mesmo me achando ridícula, era a única coisa que estava ao meu alcance naquele momento.

Cinco dias depois que Sasuke havia ido embora, descobri estar grávida. Outro choque na minha vida em um curto tempo. Meus pais se desesperaram pela a única filha com dezesseis anos estar grávida, tentaram entrar em contato com a família de Sasuke, mas eu implorei para que não contassem. Apesar do o amor que ainda estava espalhado por todo o meu ser, ele começara a despencar aos pouquinhos formando pequenas cicatrizes em mim. Eu não queria rever Sasuke, eu temia ter que enfrentá-lo. Na verdade, eu temia que fosse me rejeitar juntamente com o bebê de três meses que eu estava gerando.

Com certo desgosto, meus pais respeitaram minha decisão. Parei de chorar pelos cantos, ainda doía muito, mas eu tinha que ser forte. No quarto mês de gestação descobri estar grávida de um menino, lembro-me que foi uma surpresa e tanto. Foi naquele momento que, minha ficha caiu e eu acordei para a realidade. Eu teria um filho, um ser humano que dependia de mim, alguém que seria para sempre meu. Alguém que, merecia todo o meu amor. Foi à primeira vez depois de tanto tempo eu que me senti feliz.

Meu pai ficou feliz, sempre quis ter um filho homem e, agora teria um neto. Minha mãe também adorou a notícia de ter um netinho. Eu já havia até pensando em nomes e, o que mais me agradou fora Izuna. Porém, no inicio do quinto mês, fui parar no hospital por causa de um aborto espontâneo.

...

 

Toda vez que me lembro desses episódios da minha vida, fico alguns dias sem vontade de fazer nada. Ainda é difícil engolir, quando penso que poderia estar com meu filho saudável de quase quatro anos correndo para lá e para cá. Ainda imagino se ele teria os meus olhos ou os olhos de Sasuke...

— Sakura!! — pisquei os olhos três vezes e a olhei. — Vai logo tomar banho, daqui a pouco Kabuto passará aqui para nos buscar!

Mecanicamente me levantei da cama pegando a muda de roupas que havia separado. A sexta-feira passou tão depressa que, eu não sei como foi meu dia na faculdade. Minha mente divagou durante boa parte do dia, talvez eu tenha agido mais estranho que o normal. 

Assim que terminei de me arrumar, Kabuto ligou para Ino avisando que estava nos esperando no carro. Kabuto é da nossa turma, e graças a Ino, alguns dos nossos colegas concordaram em ir beber hoje à noite.  Entrando no carro, Kabuto está ouvindo músicas eletrônicas e o barulho ali dentro é ensurdecedor.

Chegando ao barzinho próximo ao campus da UES, encontramos em uma mesa, ao lado esquerdo do recinto perto das janelas os demais colegas. Chouji, Shino e Genma, eu quase não conversava com eles. Infelizmente a nossa turma tem muita panelinha, grupinhos demais, e isso de certa forma, não faz com o que todos se socializem.

Após uma rodada de Chopp barato e bastante espumoso, as conversas entre nós seis fluíram agradavelmente. Descobri que meus colegas eram mais patetas do que um dia pude imaginar. Principalmente Chouji. Foi na terceira rodada de chopp que Genma teve uma ideia.

— Vamos ao Pub aqui perto, me falaram que universitários não pagam até meia noite!

Ino bateu palmas em resposta, achei aquilo desnecessário, mas o restante do grupinho acabou concordando com a ideia. Então, fomos tudo no carro do Kabuto, e não foi nada agradável. Primeiramente, o volume exagerado do som; Segundo, estávamos em seis em um carro velho caindo os pedaços; Terceiro, tive que ir ao colo do Genma! Gente, pelo amor de Deus!

Ao chegar no tal Pub, Shino tratou de pagar aquela primeira rodada de bebidas, trouxe consigo um balde com gelo e seis garrafas de cerveja. Achamos uma mesinha no meio da pista e por ali ficamos. O lugar encontrava-se cheio, uma banda tocava músicas diversas e até que estava sendo mais divertido que a primeira festa caríssima que fomos.

Chouji e Kabuto não paravam de falar sobre uma garota do curso de enfermagem, ou melhor, dos seios dela. Ino estava reprendendo Shino por estar usando óculos escuro em um lugar que já é escuro, mas o mesmo rebatia dizendo que, aquilo era puro estilo. Genma preferiu pegar no meu pé, dizendo que eu deveria pintar meu cabelo da cor natural dele, pois uma médica de cabelos coloridos não passa confiança alguma para qualquer paciente. No fim, entramos em uma bela discussão, mas depois tudo tornou-se mais leve com mais bebidas em nosso organismo.

Já estávamos na terceira rodada, mas Chouji e Kabuto preferiram comprar uma garrafa de Jack Daniels e energéticos. A mistura foi feia, e eu já me sentia terrivelmente zonza. Ino ria de qualquer merda que Genma dizia; Enquanto eu, Chouji, Kabuto e Shino apostamos em quem lembrava mais dos nomes de bactérias e suas funções. Típico conversa de nerd, e o pior é que, me lembrei de boa parte.

Ino gritou, sério, ela realmente gritou quando avistou o Kiba. Genma gargalhou debilmente, e o restante – incluindo eu – apenas a observamos, bebendo, é claro. Ino saiu falando algo sobre se vingar, mas ninguém deu bola mesmo. Continuamos a encher a cara falando de remédios caseiros medicinais, eu já me sentia muito melhor que mais cedo, o passado já havia sido guardado novamente na caixinha de lembranças do me consciente.

Tentei explicar o que era aloe vera para Shino quando Naruto apareceu na nossa frente. Claro que, de imediato ignoramos. Chouji resolveu abraçar o balde e as bebidas de forma protetora, evitando que, o loiro fosse roubar nossa melhor amiga ali.

— Relaxa gorducho, não quero sua bebida.

— Ele me chamou de gorducho? — Chouji pediu a Kabuto que, ficou um tempinho tentando raciocinar o que estava acontecendo.

— Sua amiga está chamando por você, rosinha. — Naruto comentou olhando nos meus olhos.

— Que porra é essa? — perguntou Genma virando bruscamente para Naruto, e ainda por cima, derramou um pouco de bebida na camisa pólo do rapaz que, acabou estreitando os olhos.

— Esse cara é retardado! Quer roubar nossa bebida e vem com história de rosinha! — Chouji falou para Kabuto.

— Mano, não viaja! — disse Shino.

E só agora eu percebo que estou no meio de idiotas!

— Eu se fosse você aproveitava para sair do meio desses babacas. — Naruto disse na maior cara de pau e isso deixou meu amigo Chouji levemente irritado. Quase concordei com Naruto, mas uma preocupaçãozinha a respeito de Ino foi maior.

— O que aconteceu com a Ino?  — será que ninguém percebeu que ele está falando da Ino??? Os idiotas ainda discutiam entre si.

— Se essa Ino que você fala for uma loira desmiolada, ela está passando mal. E pediu para chamar uma garota de cabelo cor de rosa que está no meio de quatro caras retardados.

— Passando mal? — Kabuto arregalou os olhos.

— O que??? Retardados?... GALERA, VAMOS DEIXÁ-LA IR A PÉ! — foi à vez de Genma gritar a última frase, assustando nós todos.

— Somos todos médicos aqui! — Shino deu um tapinha no ombro de Naruto. — Relaxa.

— Estudantes do primeiro semestre de medicina, né querido!? — rolei os olhos, quanta gente retardada!

— O que ela tem? — pediu Kabuto.

— Porra, como vocês são irritantes! Caralho! — desabafou Naruto. — Foda-se, me sigam!

Chouji saiu carregando o balde com as bebidas debaixo do braço totalmente brega, Genma ia bufando atrás de Naruto e balbuciava algo sobre Ino ser uma falsa, ao meu lado estão Shino e Kabuto falando sobre as possíveis situações que nossa amiga pode estar. Atravessamos a pista, subimos para a parte vip, e no terceiro camarote encontramos Ino com mais dois caras.

— Caralho Naruto, porque trouxe esse bando de calouros aqui? — perguntou um ruivo.

Como eles sabem que somos calouros? Sério, essa gente possui uma bela memória para lembrar-se de cada rosto da UES, ou possuem uma lista de fotos dos calouros.

— Eles dizem ser médicos, a doida da loirinha está passando mal, então... — deu ombros e adentrou o camarote servindo-se de bebida.

— Conta outra, olha o estado do gordão! — disse um cabeludo de olhos claros, muito bonito, aliás.  Como é o nome dele mesmo?

— O que? Nós viemos ajudar! A-J-U-D-A-R! E vocês ficam rindo da nossa cara!? — rebateu Genma. — Ino, mas que porra é essa de nos chamar de retardados?!

— Escuta aqui, eu tirei nove na prova de anatomia, idiotas! — comentou Kabuto.

O Ruivo de antes começou a rir juntamente com o cabeludo. Naruto já não dava bola para nós, e eu caminhei até Ino que está sentada no único banco de madeira do camarote.

— O que eles fazem aqui? — cochichou no meu ouvido e eu apenas dei de ombros, porque se for pra explicar nem eu mesma sei por onde começar. — Perdi Kiba de vista, acabei esbarrando no Naruto e estou fingindo estar mal, por favor, me dê cobertura até o Kiba voltar!

Tenho que me lembrar de nunca mais sair com esse pessoal! Não sei quem é o mais louco. Fala sério! Quase que eu falei pra ela tomar vergonha na cara e parar com essa obsessão, o cara deve ter fugido dela. Shino entrou na discussão que eles travavam entre qual curso era melhor, a engenharia ou a medicina.

O cabeludo estava dando uma pequena explicação sobre o comportamento da estrutura de uma viga de concreto armado funciona para Kabuto e Shino, quando Sasuke e Kiba adentram o camarote.

Merda! Mil vezes merda!

Será que, aonde eu for esse carma sempre vai aparecer??  

Sério, não estou sabendo lidar com esse meu baita azar de encontrá-lo por aí. Justo hoje!

Ino piorou sua careta de dor e eu quase bati palmas pela atuação dela. Kiba e Sasuke, passaram seus olhos em todos nós, talvez se perguntando quando tudo isso começou enquanto estavam fora.

— Quer saber, eu não estou nem aí para essas merdas estruturais que você está falando. — comentou Genma. — Ino para com essa palhaçada e vamos sair do meio desses idiotas! Isso já se tornou ridículo!

— Eu realmente estou mal... — disse entre dentes.

— Pessoal, vamos apostar o que ela tem no caminho do hospital? — sugeriu Kabuto arrumando a armação do óculos de grau no rosto.

— Os perdedores vão pagar uma janta! Ou o perdedor, tanto faz. — deu de ombros, Chouji.

— Imagina se o gorducho não iria sugerir comida, tsc! — foi à vez do ruivo novamente.

— Esse cara está me enchendo! — rebateu.

— Ino é melhor irmos embora... — cochichei em seu ouvido, mas ela fingiu não me escutar.

A maldita além de me ignorar, levantou-se com um dos braços ao redor da sua cintura e arrastou os pés na direção de Kiba. Ele, ao perceber a aproximação da minha amiga débil, manteve-se focado nos próximos movimentos da mesma. Ino, fingiu tropeçar nos próprios pés e caiu lindamente no braços de Kiba que, a segurou para não cair feito uma polenta ao chão.

Genma também percebeu o teatrinho da loira e cerrou os dentes, resmungou “vadia” e tratou de puxar Kabuto e Shino pelo braço.

— Vamos embora. — disse ao arrastar os dois. — Sakura, convença Chouji a não perder tempo com esses babacas.

Bom, Ino conseguiu o que queria: a atenção do Kiba. E, talvez o cara fosse bonzinho, ou realmente caiu como idiota no fingimento da loira. Está lhe perguntando o que dói e se quer ir ao hospital que ele a leva. Chouji começou a trocar farpas com o ruivo que, acabei de lembrar o nome, Gaara. Naruto havia nos ignoradas há tempos, o cabeludo ria de Gaara e, por fim, Sasuke me encarava como se estivesse pedindo uma explicação para todo aquele circo.

Respirei fundo e dei alguns passos indo na direção do meu colega, lhe cutuquei e o puxei pelo braço repetindo as mesmas palavras de Genma, “vamos embora”.  Agradeci aos céus por ele ter aceitado numa boa, não atrevi a dirigir alguma palavra á Ino, pois não me levará á lugar algum. Deixamos eles para trás e encontramos com os outros na pista, Kabuto reclamava de dores de cabeça e Shino queria vomitar. 

No fim, acabamos indo embora. 


Notas Finais


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