História Razão ou Emoção - Capítulo 1


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Culpa, Emoção, Fuga, Ilusão, Interior, Razão
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Palavras 1.704
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 10 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério
Avisos: Suicídio
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Saudações!

Primeiro texto enviado tendo a perspectiva de uma personagem original. E por quê? Ultimamente (ou com mais frequência) andei lendo muitos textos de várias autoras aqui do sito cujo os textos são tristíssimos, envolvendo baixa autoestima, frustrações com a vida, sentimentos não correspondidos, etc. Enfim. Pequeno surto sobre o que li. Por favor, não tirem conclusões precipitas sobre mim; que eu gosto de pensar em tristeza ou em vê-las nesse estado. Porque não é verdade. É só que, às vezes, essas coisas saem. E dessa vez saiu isso. Espero que entendam. Só peço encarecidamente que não sejam levantados julgamentos diante de minha pessoa, pois este assunto ainda é um pouco delicado para mim. E sei que entender vocês é algo totalmente diferente.

Ahn...para uma pessoa que está passando atualmente com problemas de tempo, de internet, trabalho, coração e uma outra porrada de coisas que me levaram a um sério bloqueio. Não esperem coisas boas logo agora!

Sem delongas, leia à vontade e tire suas próprias conclusões.

Capítulo 1 - A Fuga


Às vezes nós pagamos caro por nossas decisões. Se investimos errado podemos perder dinheiro, se não estudamos sofremos com a falta de capacidade e o tempo perdido, se nos envolvemos com a pessoa errada acabamos por experimentar dores que são até piores que dores físicas. No entanto, dinheiro se recupera, tempo pode-se dizer que "antes nunca do que tarde" e feridas se curam. Entretanto há algo que se paga muito mais caro quando se erra, há algo do qual você não se recupera, você apenas foge e quanto mais você foge com mais força aquilo lhe atinge.

As coisas não estavam bem, estavam péssimas, na verdade, se estivessem péssimas já seria bom, péssimo dá para melhorar, o que eu estava sentindo não.

Abri o notebook assim que acordei, talvez houvesse algo de bom, algo que me entretece, mas aparentemente só porque eu precisava não havia nada que prestasse, e mesmo que houvesse, acho que no fundo eu sabia muito bem que pouco tempo duraria e que nem com areia molhada eu construía meus castelos. Eu iria desabar, minhas ilusões iriam desabar, mas eu ainda estava crente que eu conseguiria me drogar por ao menos mais algumas semanas ou dias.

Acho que a vida já conspirou demais ao meu favor na minha fuga de mim mesma e talvez seja por isso mesmo que as coisas tenham chegado a esse ponto. Eu me enganei por quantos anos? Uns 5 no mínimo? Foi tanto tempo que quando aquela escuridão toda se aproximou eu mal pude acreditar. O que eu havia feito, da onde vinha aquela monteira toda de problemas dos quais eu nem me lembrava? Você não acredita que algo possa te afetar a tal ponto até que aquilo lhe tira o sono, a concentração, os cabelos e o pingo de otimismo e autoconfiança que sobrou. Tudo vira problema, pois o essencial não está resolvido, o essencial foi jogado num poço fundo na esperança de que nunca suba à superfície. Mas ele está lá, no fundo, tentando subir enquanto escorrega nas pedras úmidas, numa guerra constante no qual perde quem cansa primeiro: aquele que tenta empurrar para baixo ou aquele que tenta subir.

A ilusão é sempre sua maior aliada, você cria enormes construções sobre o poço, um reino, uma floresta, um lago, e acrescenta todos os detalhes que lhe agradam. Tudo é embaçado do começo ao fim, mas como alguém me disse que as coisas tendem a melhorar, eu acredito que um dia eu verei tudo com nitidez, que delírio! Numa tentativa de persecução você mira algum ponto e tenta imaginar seus detalhes, mas quão complexa pode ser a arquitetura de um castelo?

No entanto, nada escapa da realidade, num dia qualquer você percebe que tudo que você construiu em sua mente não está embaçado, mas sim que nada passa de um borrão disforme o qual apenas uma mente muito fértil conseguiria lhe dar forma. E é aí que você se lembra que um borrão abstrato pouca força faz para que se mantenha um prisioneiro em seu devido lugar.

E lá está ele, o borrão não é mais claro como numa doce manhã onde há um belo sol quentinho mas sem ser ardido. É tudo escuro, primeiro num tom avermelhado e depois arroxeado. Eu gosto de tons de roxo, no entanto, esse momento pouco dura, depois do meu reino destruído eu não tenho mais força para impedir que as coisas parem por ali, eu não tenho força para impedir que tudo ao meu redor fica completamente escuro.

Não está frio nem calor, mas não está aquela temperatura amena e gostosa, na verdade, não existe absolutamente nada que eu consiga sentir, nem mesmo o meu coração batendo. Existe apenas uma coisa que eu consigo sentir: uma assustadora presença que me rodeia, a qual eu não consigo ver, apenas temer.

Como que por telepatia eu sei que a presença fala "talvez com um pouco de sorte você fuja de mim desta vez. Tudo bem. Eu não importo. Eu vou voltar, eu continuarei ali no canto de sua mente. Você sabe que eu estou lá, que sempre estive e sempre estarei, e também que sou mais forte que você. Você pode me prender por anos que eu continuarei forte, presa, mas forte. E quanto a você? Se você conseguir se livrar de mim essa será a última vez, você sabe disso. Eu sempre estarei a espreitar e eu vou te achar em qualquer lugar que você decida se esconder, eu vou te encontrar, eu vou te pegar e nós vamos juntas para a nossa desgraça."

Eu sabia o que aquilo significava, não teria fugido tanto se não soubesse. Fechei os olhos e tentei visualizar uma praia, um resort bastante atraente e um clima fresco, todavia algo gritava em minha mente "não vai acontecer", e eu sabia muito bem que não. Mas eu precisava, ao menos agora, acreditar em algo assim a qualquer custo.

"Quanto maior o salto maior o tombo."

O tombo já ia ser grande, eu sabia, talvez não fizesse diferença alguma se fosse daquela altura ou um pouco mais alto, a questão era se eu estava preparada para saltar. Talvez não fosse nem se eu estava preparada, mas sim se eu preferia pular de "livre e espontânea vontade" ou se preferia ser empurrada.

A tentativa frustrada de tentar visualizar uma praia rapidamente se transformou numa nítida imagem do alto de um prédio. A visão? Simplesmente cinza e desagradável, a avenida abaixo entupida de carros andando lentamente por causa do trânsito.

"Vai ser hoje?"

Um frio na barriga tomou conta de mim quando tentei imaginar a queda. Não, eu não ia pular. É só se agarrar a outra ilusão, qualquer uma, nada que um esforço básico não resolva. Eu consigo, eu sei que consigo, eu já fiz isso várias vezes certo? Eu consigo de novo.

Deste modo, virei as costas para a avenida lá em baixo e corri para o que deveria ser a porta para entrar no prédio. Minhas pernas estavam lentas e pesadas, eu fazia esforço, mas corria em câmera lenta. Senti algo me perseguir e esforcei-me ainda mais para correr. Não adianta, eu estou lenta, fazendo um baita de um esforço para nada. Esperava ser pega por uma das pernas e ser atirada ao chão de modo patético, entretanto, não foi isso que aconteceu. Enquanto eu tentava correr naquele ar denso que mal me deixava fechar a curta distância entre a beirada do prédio e a porta, algo atravessou meu peito com tanta força que nem voz eu tive para gritar. Como da última vez em que furei as orelhas eu mal pude acreditar que parte de mim havia sido perfurada, era uma dor esquisita, que até que não doía tanto na hora, mas fazia a parte machucada latejar com cada vez mais força a cada segundo que passava.

O ar deixou de ser tão denso e eu cai molemente de joelhos no chão. Em poucos segundos eu sentia o chão ir andando por baixo de mim, eu estava sendo arrastada.

Não era culpa minha, se eu pudesse eu nunca teria te enterrado, eu teria ido fundo, eu teria deixado que você vivesse livremente junto comigo, eu teria te nutrido, cuidado de você. Que escolha eu tive? Você era algo que as pessoas não aceitavam, você me causou imenso sofrimento, e a dor foi tanta que eu tive que te enterrar, eu não sobreviveria com você. Eu poderia gritar que cada um dos seus problemas possuía nome, RG e CPF, mas que nenhum deles era eu, mas eu não gritei. Para você eu sei que pouco importa, afinal, fui eu que te joguei naquele poço, que tentei de calar a todo custo construindo castelos de areia em cima.

Talvez a culpa fosse realmente apenas minha mesmo, eu deveria ter chorado, deveria ter gritado, deveria ter feito birra, deveria ter feito meus sentimentos serem sentidos e ouvidos, assim como as minhas vontades. Eu deveria ter sido uma adolescente e jovem-adulta que vive suas emoções. Talvez tivessem me dado como louca, irracional e até mesmo imbecil e irresponsável, mas assim as pessoas aceitariam na marra, uma hora você se acostuma com gente problemática e o que é anormal passa a ser algo comum. Se eu tivesse feito tudo isso eu não teria tido que te enterrar. No entanto, eu queria ser forte, eu quis achar que maturidade era algo muito diferente do que realmente é. Talvez porque o mundo tenha uma visão bastante deturpada de maturidade? Não sei ao certo.

Mas o que passou não importava mais, meus joelhos já não sentiam mais o chão e eu não havia me dado conta de quando isso ocorrera. Eu estava caindo e finalmente senti algo bater dentro de mim. Forte e desesperado meu coração mais parecia uma britadeira fora de controle do que um órgão humano. Não fosse tanta violência a sensação até que poderia ser boa, mas a dor impedia que eu aproveitasse a louca sensação de ter adrenalina correndo por meu corpo de novo.

Esperei pelo momento em que o asfalto, a calçada, um carro ou até mesmo uma pessoa colidiria com o meu corpo. Isso nunca aconteceu. Meus olhos estavam cerrados como se alguém tivesse costurado minhas pálpebras. Tudo que havia passado voltava com a intensidade de um soco, eu nem me lembrava que me importava tanto com algumas coisas, mas elas estavam ali como se fosse ontem. Eu pensava em soluções para cada uma delas, mas fazia tanto tempo que eu não conseguia ver nenhuma saída. Tudo que "ela" gostava e queria estava morto e vivo ao mesmo tempo. Morto pois eu não sabia como consertar tudo aquilo, como devolver para ela tudo que lhe era essencial depois de tanto tempo de rejeição, eu havia estragado tudo. E vivo porque os sentimentos, os sonhos e as ambições ainda estavam lá, fortes, firmes, incrivelmente intocados apesar do meu esforço hercúleo para que desaparecessem.

A queda acabou quando me senti mergulhada em tudo aquilo. Eu nadei para todos os cantos, dessa vez foi mais rápido que correr, mas ou eu estava bem no meio de um vasto oceano ou eu estava imersa em água infinita. Ela estava certa, iria me pegar e eu nunca mais conseguiria fugir.


Notas Finais


Gratidão a quem leu e entendeu 1/3 do texto.


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