História Sangue Negro - Capítulo 45


Escrita por: ~

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Categorias Harry Potter
Personagens Alvo Dumbledore, Bellatrix Lestrange, Fenrir Greyback, Harry Potter, Hermione Granger, Lord Voldemort, Remo Lupin, Ronald Weasley, Severo Snape
Tags Harry Potter, Hermione Granger, Severo Snape, Snamione, Ss/hg
Exibições 451
Palavras 3.839
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Magia, Romance e Novela
Avisos: Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Tortura
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oi meus amores!

Primeiramente, desculpem a demora para postar o capítulo hoje. Mas aqui está ele! Eu não deixaria vocês na mão. ;)

Bem, vamos ao encontro inesquecível do Snape com os sogros...

- B

Capítulo 45 - Promessas


– Hermione, seu namorado gosta de chocolate?

Eu estava nas pontas dos pés pegando os pratos no armário, enquanto minha mãe terminava de preparar a ceia. Ela estava animada para conhecer Severo e queria agradá-lo. Meu pai não ficou tão feliz com a notícia do meu namoro, mas mesmo assim separou o melhor vinho que tinha em casa para servir a Severo.

– Ele não é muito de doces – comentei dando de ombros. – Mas come chocolate, sim.

Normalmente, quando comíamos juntos, ele me dava a sua sobremesa. Então não sabia exatamente o tipo de doces ele gostava. Severo não era como Lupin que andava com barras de chocolate nos bolsos. De qualquer forma, eu tinha certeza que ele comeria qualquer coisa que minha mãe oferecesse a ele.

Ela ergueu as sobrancelhas para a minha resposta, mas sorriu abandonando as panelas para pegar alguns ingredientes na despensa. Eu separei uns guardanapos e os dobrava quando ela tornou a falar.

– Tenho certeza que ele irá gostar da minha torta de chocolate – murmurou convencida. – Não conheço uma única pessoa que não goste dela.

Eu sorri e balancei a cabeça. Ela soltou alguns sacos de farinha e barras de chocolate na bancada ao meu lado, então caminhou até a geladeira e procurou por mais alguns artigos cantarolando alguma música que eu desconhecia. Sai da cozinha para terminar de arrumar a mesa de jantar e parei alguns instantes para admirar meu pai assistindo o noticiário. Era bom estar em casa e não ter que me preocupar com ex-comensais e sangues-puros me caçando.

Depois de espalhar os pratos, talheres e guardanapos, voltei para a cozinha. Encontrei minha mãe com os braços cruzados. Ela olhava para os ingredientes como se eles fossem se misturar sozinhos.

– O que houve?

Ela suspirou e apontou para a bancada.

– Faltam ovos. Achei que esses seriam suficientes, mas não são – explicou frustrada. – Terei que mudar a sobremesa.

Eu sabia o quanto ela queria fazer aquela receita em especial.

– Posso ir comprar mais ovos – ofereci olhando para o relógio na parede. – O mercado ainda está aberto.

Seus olhos brilharam com a minha oferta, mas ela negou com a cabeça.

– Não se preocupe, Hermione. Posso fazer outra coisa...

– Eu vou e volto em cinco minutos – avisei já me preparando para sair da cozinha.

Ela sorriu e me mandou um beijo no ar.

– Obrigada, querida.

Passei pela sala e parei no cabideiro para pegar meu sobretudo preto. A neve caia incessante do lado de fora de casa e fazia muito frio, não seria aconselhável sair só de vestido na rua. Minhas pernas eram aquecidas pela meia calça de lã negra, então o casaco seria o suficiente. Ou era o que eu esperava.

– Onde vai, filha? – a voz do meu pai me atraiu.

– Buscar ovos – expliquei. – Volto logo.

Ele sorriu.

– Está levando sua varinha?

Eu ri da sua questão, mas concordei com a cabeça. Por ser maior de idade, eu podia usar magia sem ser expulsa de Hogwarts. Então na cabeça do meu pai, minha varinha era uma ótima arma para o caso de eu precisar me defender na rua.

– Se Severo chegar, não se intimide – avisei.

Ele ergueu uma sobrancelha e riu com divertimento.

– Não deveria ser o contrário? Seu namorado que deveria ser intimidado pelo seu pai.

Eu apenas sorri e ergui os ombros.

– Quando você conhecê-lo, irá entender o que quero dizer.

Foi a minha vez de rir da sua expressão surpresa.

– Devo ficar preocupado? – indagou.

– Não – murmurei. – Ele é ótimo. Você verá.

Aproximei-me dele e lhe dei um beijo na bochecha antes de me afastar e lhe dar um último aceno. Então, sai de casa. Dei um passo para trás ao sentir o vento frio contra o meu rosto. Uma nuvem de fumaça fugiu pela minha boca e eu abracei meus braços criando coragem para continuar a caminhar até o mercado.

Apesar de contar aos meus pais sobre Severo, eu não disse nada sobre os percalços daquele início de ano letivo e nem sobre Bellatrix e Voldemort. Não queria que eles se preocupassem com algo que não podiam evitar ou confrontar. E como eles nunca me disseram que eu era adotada, eu não queria falar que meus pais biológicos eram os dois bruxos mais temidos do mundo bruxo. Sem dizer que eu me sentia melhor sem esses assuntos me rondando. Era como voltar a ter uma vida normal.

 

No caminho de volta, uma fumaça cinza se espalhava pelo céu escuro, originado de algum ponto há algumas quadras a minha frente. O que poderia estar pegando fogo? Eram raras queimadas no inverno por motivos óbvios.

Continuei a caminhar desviando dos montes de neve que se formavam na calçada. Meus pés afundavam e me obrigavam a diminuir a velocidade dos meus passos. Mas algo dentro de mim parecia incomodado com aquela fumaça. Era mais como um pressentimento ruim.

Ao virar a esquina e chegar ao meu quarteirão, um frio – sem nenhum tipo de relação com a neve ao meu redor – se apossou do meu corpo e eu tremi da cabeça aos pés. O saco com os ovos que eu carregava caiu no chão quando eu perdi as forças dos braços e das pernas. O desespero se apossou de mim. O fogo dominava a minha casa e a neve nem parecia fazer cócegas nas labaredas.

Corri o máximo que conseguia até o cenário trágico. Merlin! Como aquele fogo começou do nada? Não fazia nem dez minutos que eu deixara a casa e tudo estava sob controle.

Meus pais! Onde estavam meus pais?

O calor excessivo tomou meu corpo com a proximidade do fogo. Sem pensar racionalmente, tentei abrir a porta. A maçaneta estava tão quente que queimou minha mão ao mínimo toque. Gemi de dor, mas a ignorei para sacar minha varinha. Explodi a porta com um bombarda e me apressei para dentro da casa em chamas.

Ao entrar na sala, meu coração parou e eu me desequilibrei batendo o ombro no batendo da porta, queimando parte do meu casaco. Mas eu não consegui me concentrar naquilo. Não quando meu pai estava caído sobre o tapete, inerte. Corri até ele e cai de joelhos ao seu lado, me debruçando sobre seu corpo. Sacudi seus ombros gritando para que ele acordasse. Não houve resposta alguma.

Meus gritos foram interrompidos por tossidas que fugiam pela minha garganta. A fumaça dos móveis queimados me comprometeria logo. Tentei apagar o fogo, mas nem mesmo com a varinha eu consegui controlá-lo.

Droga!

As lágrimas já escorriam pelo meu rosto. Mas eu não podia me desesperar completamente, tinha que manter o controle e tirar meus pais de casa. Ergui o olhar para procurar uma rota de fuga e encontrei uma pessoa em pé me analisando. Apesar do calor, um frio tomou meu corpo. 

Rebastan.

Ele sorria vitorioso, admirando minha situação. Seus braços antes cruzados sobre o peito, apontaram a varinha para mim e eu retribui, com uma fúria crescendo no meu peito. Era tudo culpa dele!

Um baque, parecido com o barulho de aparatação, chamou nossas atenções e ele sumiu no ar, sem que eu pudesse arriscar um feitiço. Voltei a dar atenção para o meu pai e tentei puxá-lo pelo braço, para apoiá-lo no meu ombro. Mas ele era pesado demais. Eu não queria arriscar usar magia e acabar queimando-o.

Minha tosse se tornou ainda mais forte e meus olhos ardiam, pelo choro e pela fuligem. Eu tinha que procurar minha mãe antes que a casa desabasse em cima dos dois. Senti uma mão tocar meu ombro e olhei alarmada para quem se aproximara.

Meu choro aumentou assim que vi Severo ao meu lado. Ele me forçou a soltar meu pai e levantar do chão. Colocou um lenço sobre o meu nariz e minha boca e indicou que eu deveria continuar a segurá-los. Ele se agachou ao lado do meu pai e tocou seu pescoço. Meu coração martelava no meu peito. Eu não queria aceitar a verdade cruel que fazia meu couro cabeludo formigar de aflição.

Severo suspirou e se ergueu do chão para me puxar para si.

– Precisamos sair daqui, Hermione – ele sussurrou no meu ouvido.

Eu neguei com a cabeça em desespero.

– Meus pais, Severo! Eu não posso deixá-los!

Seu rosto se contorceu e ele negou com a cabeça.

– É tarde demais. Eles estão mortos.

Mais lágrimas lavavam meu rosto e um grito escapou pela minha garganta. Os braços de Severo me mantiveram em pé, porque minhas pernas cederam diante da notícia. 

Não podia ser verdade. Meus pais não podiam estar mortos. Tentei me soltar de seus braços para alcançar meu pai, mas Severo me deteve aumentando o aperto ao meu redor.

– Sinto muito – murmurou.

Senti um puxão no umbigo e o chão sumiu sob os meus pés. O calor foi substituído pelo frio extremo. O fogo ao meu redor sumiu para dar lugar a neve. Olhei ao redor e apesar da vista embaçada, vi A Toca na minha frente. Minhas pernas dobraram sozinhas sem firmeza alguma e Severo me acompanhou no caminho para o chão. Eu o agarrei pelo pescoço e chorei contra o seu peito como uma criança.

Rebastan tinha tirado duas pessoas que eu amava. Meus pais estavam mortos! E nada no mundo os traria de volta.

 

Severo Snape

– Rebastan matou meus pais, Severo! – grunhiu exasperada.

Hermione chorava compulsivamente contra o meu peito e eu não conseguia fazer nada além de abraçá-la. Eu precisei tirá-la da casa ou ela acabaria morta como os pais. Só não sabia como dizer a ela que seus pais não foram mortos pelo fogo. Pelo que vi de seu pai, ele foi vítima de uma maldição da morte e eu só podia supor que a mãe de Hermione também. O fogo era apenas para fingir um acidente para os trouxas e para criar uma armadilha para Hermione.

O desgraçado do Rebastan ainda usou um fogo maldito. Nem que Hermione quisesse conseguiria apagá-lo. Aquele feitiço infernal só parava quando destruía tudo ao redor. Mas eu sabia que precisava voltar para resgatar os corpos dos pais dela antes que fossem completamente incinerados.

Peguei Hermione no colo, tirando-a da neve. Olhando-a com atenção, notei que estava cheia de queimaduras espalhadas pelo corpo. Precisava tratá-la e deixá-la em segurança antes de resolver essa pendência. 

Escolhi a casa dos Weasley como refúgio por saber que ali seria o lugar mais seguro para Hermione naquele momento. Eles entenderiam sua dor. Eu duvidava que se a levasse até a mansão dos Malfoy ela seria tratada da mesma maneira.

Bati à porta com urgência e chamei por Arthur. Os risos e a música alta que soavam de dentro da casa diminuíram e quando a porta se abriu, vi os olhos de Molly se arregalarem. Arthur se juntou à mulher rapidamente ao vê-la petrificada.

– Severo? – murmurou com o cenho franzido olhando Hermione. – O que houve?

– Entre! – Molly ordenou abrindo espaço.

Eu teria tempo para explicar depois. Passei pela cozinha cheia, ignorando os olhares dos presentes e me apressei até a sala. Sentei Hermione no sofá e tirei seu casaco para ver melhor suas queimaduras. Suas mãos, a parte inferior das pernas e um dos ombros chamaram minha atenção pela gravidade dos ferimentos. 

Ela me olhava enquanto as lágrimas ainda marcavam seu rosto. Fiz um leve afago em suas bochechas e sequei suas lágrimas com carinho. Deitei-a com cuidado e saquei minha varinha. Aproximei-a dos seus machucados e murmurei alguns feitiços para curar suas queimaduras superficiais. O ombro estava queimado além da minha capacidade e precisei recorrer ao que tinha ao redor.

– Molly – chamei a mulher que nos observava a certa distância. – Você tem Essência de Ditamno?

Ela assentiu e correu para a cozinha para pegar o que eu pedira. Logo entregou o pequeno frasco e eu gotejei a essência nas queimaduras. Instantaneamente as feridas cicatrizaram e Hermione relaxou consideravelmente. Por mais que sua dor não fosse pelos machucados, a dor física não deveria tornar a situação mais fácil.

Conjurei um lenço limpo e com a ajuda da varinha o umedeci. Cuidadosamente, eu o passei sobre o rosto de Hermione, tirando grande parte da fuligem. Ela não disse nada, mas não importava o quanto eu secasse suas lágrimas, mais tornavam a cair.

Naquele momento, aquilo era tudo que eu podia fazer. Eu precisava voltar para Hogwarts para pegar poções que a ajudariam a descansar, e contar sobre o novo ataque a Alvo. Faria isso depois de ir até a casa de seus pais. Tirei meu casaco dos ombros e a cobri com ele.

– Eu irei até Hogwarts pegar algumas poções para você – expliquei acarinhando seu rosto. – Voltarei logo.

Hermione segurou minha mão com força, puxando-me contra si. Ela ignorou tudo ao redor e praticamente se sentou para me abraçar pelo pescoço com força. Seu choro se intensificou e eu senti suas lágrimas escorrerem pela minha pele.

– Fica comigo! Por favor! – pediu com o rosto enterrado entre meus cabelos. – Eu não quero que nada te aconteça também.

Seu desespero me deu um aperto no peito. A última coisa que eu queria era sair de perto dela. Infelizmente, as coisas nunca eram da forma que eu queria. E, por ela, eu precisava sair dali e resolver toda aquela encrenca de Rebastan. Afastei seu rosto para analisá-lo de perto e ver seus olhos lacrimosos. Depositei um beijo em sua testa e tornei a contornar seu rosto com os dedos.

– Eu vou ficar bem, só irei até Hogwarts e voltarei para ficar com você – murmurei. – Aqui você ficará segura, eu prometo.

– Promete que vai voltar logo?

– Estarei de volta antes que possa dizer você-sabe-quem.

Ela assentiu e se encolheu sob o meu casaco. Beijei sua testa uma última vez e olhei em seus olhos antes de levantar do chão e me afastar.

Voltei para a cozinha com todos os olhares sobre mim, cobrando uma explicação. Além dos Weasley; Potter, Lupin e Fleur Delacour estavam na casa.

– Rebastan? – Lupin foi o primeiro a se pronunciar e eu assenti.

Ele era o único ali que sabia sobre tudo. Não era surpresa que ele adivinharia na hora o autor do ataque. Lancei um feitiço em Hermione para que ela não ouvisse nossa conversa. Não queria que ela tivesse que ouvir e reviver toda aquela história.

– Os pais de Hermione foram mortos por Rebastan Lestrange – contei.

As feições de horror tomaram todos os rostos, como era de se imaginar. Molly levou as mãos à boca, Potter e o Weasley idiota se entreolharam assustados, Lupin saltou da cadeira e passou as mãos pela cabeça compulsivamente, enquanto os outros olharam para o chão petrificados.

– Voldemort mandou comensais atacarem a família dela? – Arthur indagou inocentemente. – Mesmo Bellatrix sendo mãe biológica dela?

Soltei uma risada irônica com a pergunta. Claro que eles imaginariam isso. Só não sabiam que Voldemort e os comensais seriam os últimos a atacar Hermione e a família dela.

– Não, Rebastan desertou do exército de Voldemort – expliquei vendo seus rostos ficarem ainda mais confusos.

Suspirei e toquei olhares com Lupin. Ele assentiu em concordância à minha questão muda.

– Antes de contar a história, é melhor vocês saberem a verdade – murmurei e vi os cenhos franzidos. – Hermione é filha de Voldemort.

O choque fez o silêncio reinar na cozinha. Apenas o som baixo de um rádio em algum lugar da casa ecoava, de forma que as respirações tensas podiam ser ouvidas. Eu não tinha tempo para esperar que se acostumassem com a notícia. Prossegui contando toda a história desde as armações de Rodolfo até a vingança de Rebastan. Naturalmente, o silêncio permaneceu.

– Por que você estava na casa dos pais dela essa noite? – o rugido do Weasley mais jovem e mais burro quebrou o silêncio.

Isso não era da conta daquele ruivo intrometido.

– Eles estão juntos – Potter respondeu amargurado. – Eu os vi ontem.

Senti um vinco se formar entre as minhas sobrancelhas. Em que momento aquele moleque me viu com Hermione? Na festa de Slughorn? Mas ele não estava no salão...

Analisei as reações dos ocupantes perante ao comentário do Potter: Lupin apenas cruzou os braços e desviou o olhar. Os gêmeos trocaram olhares impressionados. Arthur e Molly estavam surpresos, mas não disseram nada. O Weasley e o Potter me olhavam com ódio suficiente para perfurar meu crânio. Curiosamente, a Srta. Ginevra Weasley olhava surpresa para Lupin ao invés de mim, enquanto Fleur Delacour nem parecia estar ali.

– Guardem suas opiniões para vocês – grunhi. – Hermione não pode ficar sozinha e aqui é o lugar mais seguro para deixá-la enquanto vou para Hogwarts pegar algumas poções e contar a Dumbledore sobre o novo ataque.

– Claro, Severo – Molly sussurrou. – Cuidaremos bem dela.

Assenti com um meneio de cabeça.

– Lupin – chamei e ele me deu atenção –, eu não pediria isso se não fosse importante. Mas fique com Hermione durante a minha ausência.

Ele concordou e se afastou na direção do sofá para ver como Hermione estava. Com um suspiro resignado, tornei a olhar para os donos da casa.

– Voltarei logo – avisei. – Com licença e... Obrigado.

Sai da casa sem esperar por uma resposta. Já tinha perdido tempo demais explicando tudo a eles. Aparatei para a rua da casa dos pais de Hermione e não me surpreendi em ver uma multidão reunida ao redor da casa, enquanto bombeiros tentavam apagar as chamas.

Aproximei-me da cena e quando tentei ultrapassar uma fita de contenção ao redor da casa, um trouxa que deveria ser uma autoridade tentou me impedir.

– O senhor não pode passar!

– Sou genro dos donos da casa – expliquei e ele se surpreendeu. – Minha esposa está em choque demais para vir.

– Venha comigo, por favor.

Acompanhei o homem para dentro do perímetro e ele me guiou até um carro com mais homens vestidos como ele. Eles fizeram algumas perguntas e preencheram uma ficha com meus dados para entrar em contato.

– Conseguiram retirar os corpos dos dois? – questionei.

Um dos policiais assentiu.

– Sim, com esse fogo insano foi um milagre não terem sido carbonizados – replicou. – O senhor ou a sua esposa poderão reconhecer os corpos em dois dias, quando serão liberados da autópsia.

Concordei e agradeci. Pelo menos Hermione teria seus corpos para enterrar.

Notando que não havia mais nada a ser feito por ali, aparatei para Hogwarts. Passei na minha sala para pegar as poções para Hermione e depois segui para a sala de Alvo. A imagem de Hermione chorando desesperada não saia da minha mente e não havia nada que eu pudesse fazer para amenizar sua dor pela perda de seus pais.

Quando Alvo me deu permissão para entrar, eu segui direto para uma das cadeiras em frente a sua. Ele pareceu surpreso com a minha visita, mas me deu toda a sua atenção, após me analisar.

– Desde quando você usa roupas trouxas?

Claro que ele repararia na minha mudança de trajes. Imaginei que deveria me vestir de outra forma para conhecer os pais de Hermione. Então estava com uma calça jeans preta, uma camisa branca e o suéter que Hermione me dera de presente. Mas eu me neguei a respondê-lo, aquilo não era importante para o momento e Alvo pareceu perceber.

– O que houve, Severo? – indagou. – Pela sua cara, não foi coisa boa.

Engoli em seco e joguei a cabeça para trás de olhos fechados. Um suspiro escapou dos meus lábios. Lá estava eu, prestes a repetir toda aquela história novamente.

– Rebastan atacou a casa dos pais trouxas de Hermione e os matou.

Os olhos azuis de Alvo se arregalaram, mas ele logo os fechou pesadamente e negou consecutivamente com a cabeça.

– E Hermione?

Respirei fundo.

– Está devastada – murmurei lembrando do seu rosto amargurado e tomado pela dor. – Se eu não tivesse chegado a tempo, ela teria morrido tentando tirar os pais da casa em chamas.

Ele acenou com a cabeça, absorvendo a informação.

– Onde ela está agora? 

– Eu a levei para a casa dos Weasley. Foi o lugar mais seguro que consegui pensar na atual circustância – expliquei.

– Fez bem, meu filho, fez bem – sussurrou em aprovação. – Aposto que está desesperado para voltar para o lado dela, não é? Pois então vá. Ela precisa de você nesse momento.

Fechei os olhos e travei o maxilar.

– Tem mais uma coisa que preciso falar com você – murmurei tornando a olhá-lo.

Dumbledore franziu o cenho, mas fez sinal com a mão para que eu prosseguisse.

– Quero te pedir um favor. Eu já havia pensado nisso antes, mas hoje eu tive certeza de que é o certo a ser feito...

O velho me analisou atentamente e afagou a própria barba.

– O que precisa, Severo?

Reuni toda a coragem que tinha e tomado pela imagem desesperada de Hermione, lancei mãos de todas as minhas duvidas.

– Prometa – murmurei. – Prometa que se eu morrer, você irá apagar da mente dela todas as lembranças que Hermione tem de mim.

O velho me encarou atônito e franziu o cenho.

– Tem certeza do que está me pedindo?

Assenti com a cabeça.

– Eu não suporto imaginar que Hermione sofreria desse jeito por mim – sussurrei. – Não quero que ela sofra mais.

– Severo...

– Prometa! – exigi.

Alvo suspirou e me analisou por longos segundos, antes de concordar.

– Tem a minha palavra.

 

Retornei à casa dos Weasley minutos depois de encerrar minha conversa com Alvo. Passara mais tempo do que gostaria longe de Hermione e precisava me certificar que ela estava bem. Eu sentia o costumeiro incomodo de quando algo estava errado com ela, mas a sensação se arrastava desde a morte de seus pais. Ela ainda deveria estar devastada. Claro que estaria.

Molly me recebeu e eu fiquei mais aliviado ao ver que todos já tinham se recolhido para seus aposentos.

– Como Hermione está? – questionei.

A mulher robusta suspirou resignada.

– Ela está no quarto de Gina – informou. – Chorou até dormir.

O aperto no peito aumentou. Eu deveria ter ficado ao lado dela para acalmá-la até que ela dormisse, para poder descansar devidamente. Não gostava da ideia dela chorar tanto a ponto do próprio corpo desligar exausto.

– Importa-se se eu vê-la?

Molly negou com um meneio de cabeça e pediu que eu a seguisse. Subi os lances de escada tomando cuidado com os degraus tortos. Ela parou no terceiro andar e me guiou até uma porta simples de madeira. Abriu-a vagarosamente e espiou dentro do quarto, antes de me dar permissão para entrar.

Assim que entrei no quarto, avistei Hermione completamente envolta pelas cobertas. Nem conseguia ver sua cabeça ou seus pés. Suspirei e me aproximei para olhá-la. Só queria me certificar que ela estava bem. Molly nos deu privacidade e encostou a porta. Sentei na beirada da cama e puxei vagarosamente a coberta para procurar seu rosto.

Tamanha foi a minha confusão em não encontrar sinal algum de Hermione em meio a um montante de cobertores e travesseiros. Sai do quarto apressado e dei de cara com Molly. Ela tomou um susto e franziu o cenho.

– Onde está Hermione?

– Como assim? – questionou confusa. – Ela está dormindo aí no quarto.

– Não, ela não está! – vociferei.

Molly deu a volta no meu corpo e entrou no aposento apenas para constatar o mesmo que eu. Ela saiu aflita e desesperada do quarto. Procurou por Hermione nos outros cômodos, mas foi em vão. Hermione não estava na casa.

– Ela fugiu.


Notas Finais


Eu disse que o encontro entre o Snape e os pais da Hermione seria inesquecível, não? Só não avisei que era no bom sentido. Sinto muito a todos que esperavam uma interação entre eles.

Agora metade da Ordem sabe sobre o relacionamento dos dois e que Hermione é a filha do Voldemort. Harry descobriu e abriu a boca.

Esperamos que Dumbledore não precise cumprir sua parte na promessa com o Sev, não é?

E agora? Para onde Hermione fugiu?

Preparem seus corações para o próximo capítulo... A guerra se aproxima!

- B


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