História Sangue Nobre - Linhas apócrifas - Capítulo 1


Escrita por: ~

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Categorias Dragon Ball
Personagens Bra, Bulma, Kakaroto, Trunks, Vegeta
Tags Bulma, Dragon Ball, Vegeta
Exibições 147
Palavras 4.713
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Drama (Tragédia), Ficção Científica, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Dragon Ball não me pertence.

Olá pessoal!
Depois de quatro anos do fim de "Sangue Nobre", eu estou cumprindo minha promessa de escrever o capítulo "apócrifo" no qual as Fúrias cobram a dívida que Vegeta, Kakkaroto e Bulma contraíram ao serem salvos por elas do calabouço de Freeza no capítulo 32 de Sangue Nobre - The Sequel. No entanto, o capítulo acabou se tornando alguns capítulos e precisarei deles para contar essa estória.

É bom estar de volta. Espero que gostem. ^^

Capítulo 1 - O chamado de sangue


“Lembra daquelas paredes que construí? Bem, baby, elas estão desmoronando.

Elas nem tentaram ficar em pé, nem fizeram um som...

Mas, eu achei um jeito de deixá-lo entrar.

E eu nunca tive dúvida, sob a luz de sua auréola: eu tenho meu anjo agora.”.

Halo, Gary Lightbody (Beyonce's Cover)

 

Era alta madrugada em Vegetasei.

Vegeta encontrava-se em um lugar afastado do Distrito Real, uma planície entre montanhas. O rei perdera a noção da hora, como de costume, pois estava febrilmente combatendo seu melhor oponente. Aquele era só um treinamento como tantos outros que eles já fizeram, embora em um passado distante, já tenham se enfrentado de forma séria naquele mesmo local. Contudo, apesar de ser um treinamento, Vegeta não dava trégua para Kakkarotto e os dois lutavam e se machucavam seriamente, por vezes, só parando quando um dos dois estivesse muito próximo do fim.

Kakkarotto aproximava-se a toda velocidade para um chute efetivo no abdômen de Vegeta, e, normalmente, o rei se esquivaria facilmente do ataque e contra atacaria, mas segundos antes do impacto, Vegeta saiu da posição de guarda, arregalou os olhos e deixou-se golpear.

A força do chute foi tanta que o rei sayajin foi arremessado ao chão, abrindo uma grande cratera no mesmo.

Kakkarotto, vendo que Vegeta encontrava-se imóvel no lugar onde caíra, sem tentar atacar novamente, desceu curioso até onde estava o amigo e soberano.

- Vegeta, o que aconte-

- O ki de Bulma está muito agitado. – ele falou sem olhá-lo, parecendo concentrado. – alguma coisa aconteceu... Vamos ao castelo...

Kakkarotto, não pensou duas vezes, e repetindo o gesto de Vegeta, levou dois dedos à fronte e se teletransportou. Em questão de milissegundos, estavam na ala restrita do castelo que, àquela hora, encontrava-se mortalmente silenciosa. Sem esperar, Vegeta seguiu rumo a seu quarto e Kakkarotto o seguiu a passos rápidos.

- Nãaaaaoooooooo...

Um grito de mulher cortou o silêncio da noite, os dois sayajins rapidamente reconheceram a voz de Bulma e correram na direção das grandes portas de seu quarto.

A porta foi aberta de uma vez.  

A luz ainda estava apagada, mas pela porta aberta da varanda, de onde o vento frio da madrugada levantava as cortinas, entrava a luz das luas de Vegetasei que dava ao quarto uma claridade mórbida.

Bulma estava sentada na cama, respirava muito rápido, parecia muito agitada e estava chorando.

- Bulma! – Vegeta disse muito preocupado, correndo rapidamente até o leito. – O que aconteceu, mulher? – ele perguntou em um tom preocupado, abraçando-a. – Achei que estivesse em perigo.

- E-eu...  E-eu estava Vegeta... – Bulma soluçou com o rosto contra seu peito. – Três mulheres... E-elas... Elas estavam aqui... E elas tinham um favor pra cobrar... Um... Um sacrifício... Foi real... Foi muito real... A porta... Está aberta! – Bulma disse referindo as portas escancaradas da varanda que levavam o vento frio para dentro do quarto.

Bulma fungou e novamente caiu em prantos, o rosto escondido contra o peito de Vegeta. O sayajin passou a mão pelas costas da esposa confortando-a, contudo, por dentro ele estava muito preocupado. Levantou o olhar para Kakkarotto que, após fechar as portas da varanda e acender a luz do quarto, estava próximo a cama e tinha os braços cruzados contra o peito.

O olhar de entendimento que os dois sayajins trocaram só tinha um significado. Eles sabiam quem estava de volta. Eram as Fúrias.

E parece que tinham vindo cobrar sua dívida.

***

 

Aquele era um segredo que Vegeta e Kakkarotto guardavam há sete anos. 

Há sete anos eles sabiam que as Fúrias tinham lhes ajudado a fugir do calabouço de Freeza e que tinham prometido voltar algum dia para cobrar o favor. Ambos nunca divulgaram tal fato para Bulma a fim de não preocupá-la, e de não fazê-la lembrar dos acontecimentos terríveis daquela noite e que as Fúrias apagaram de sua memória, mas quando a rainha sayajin falara dos sonhos, eles tinham certeza que elas tinham voltado.

E que cobrariam seu preço.

***

- Bulma, conte-me mais desse sonho, Vegeta pediu delicadamente enquanto a confortava. O sayajin sabia da importância de qualquer informação que estivesse contida, qualquer coisa poderia ser um aviso, uma pista do que aqueles seres terríveis e poderosos poderiam estar buscando.

Bulma levantou o rosto que estava encostado ao peito do marido, parecia muito confusa, mas olhou sério para ele, em seguida para Kakkarotto.

- São aquelas mulheres... – disse com os olhos cheios de lágrimas. – as mulheres do calabouço... Aquelas de olhos vermelhos...

- Elas disseram algo? – Kakkarotto manifestou-se sem se conter.

- Vieram cobrar uma dívida... – Bulma disse lembrando-se. – De nós três. – completou, e em seguida, muito perturbada. – O que diabos estamos devendo a elas? – indagou histericamente, desatando a chorar em seguida.

- Elas... – Vegeta e começar, mas foi interrompido por Kakkarotto.

- Não é nada, Bulma. – Falou aproximando-se e olhando significativamente para Vegeta. – Foi só uma lembrança do passado que voltou. Às vezes acontece comigo também...

- Mas... – ela tentou argumentar.

- Não é nada, mulher. – Vegeta continuou entendendo a mensagem de Kakkarotto. – Tente dormir...

- É melhor eu deixa vocês – Kakkarotto falou levando os dedos a fronte. – Tente dormir, Bulma... – o sayajin falou afetuosamente antes de se teletransportar.

Quando Kakkarotto desapareceu, Vegeta deitou-se ao lado de Bulma, a mulher tentou falar algo, mas o sayajin fez sinal para que ela se calasse, ele a abraçou e a aconchegou em seu peito, em pouco tempo a rainha dormia novamente.

***

Quando sentiu a respiração de Bulma ritmada e calma, Vegeta desvencilhou-se de seu abraço tentando não acordá-la e saiu do quarto. Kakkarotto o esperava no corredor, Vegeta havia sentido seu ki ali o tempo todo.

- Elas voltaram, Vegeta. – Kakkarotto disse gravemente. – Precisamos contar a verdade a Bulma.

- A verdade? – Vegeta indagou desesperado. – Está louco Kakkarotto? Por que eu traria pra minha esposa as lembranças daquela noite medonha?

- Mas as Fúrias voltaram! – Kakkarotto afirmou alarmado. - E elas vieram cobrar um favor! Um favor de nós três!

- Um favor por ter nos soltado do calabouço de Freeza... – Vegeta lembrou. – Isso não tem nada a ver com que aconteceu antes disso... Bulma não precisa lembrar-se daquele lagarto bebendo seu sangue... Muito menos dele me obrigando a... – o sayajin não conseguiu terminar a frase. – Bem, você sabe... O importante é que está acabado. Aquele lagarto queima no inferno há sete anos... E tudo está bem.

- Nem tudo... – Kakkarotto continuou. – Teremos de atender ao pedido das fúrias...

- Elas que venham! – Vegeta retorquiu alterado. – Somos sayajins e pagamos nossas dívidas...

- Só espero que o que elas queiram, não estejam além do que podemos pagar...

- Se isso acontecer, Kakkarotto, estaremos prontos pra lutar. – Vegeta replicou encerrando a questão.

***

Os dias passaram sem maiores ocorrências em Vegetasei. Bulma não mencionara novamente o estranho sonho ao marido e Vegeta e Kakkarotto concordaram manter o segredo até que algo novo acontecesse, estavam sempre a espera, mas como os dias passaram sem nada acontecer, em pouco tempo estavam quase esquecidos do episódio.

Bulma, no entanto, não ficou parada. Ela ficara muito cismada com o sonho que tivera, e aquela altura, já tinha pesquisado tudo que havia de conhecido sobre as Fúrias. E ao tomar conhecimento de quem seriam, sentiu um aperto no peito, pois sabia que não era um bom presságio, contudo, também se calou e permaneceu a espera, sem revelar suas descobertas ao rei e ao general sayajin, pois tinha a certeza de que eles lhe escondiam algo.

Ela também não revelou ao marido e ao amigo, que continuava sonhando. Também não revelou que os estranhos sonhos não envolviam mais as três mulheres, mas sim um estranho rapaz.

O rei também não percebeu outras anormalidades nas noites de sua esposa.

Bulma estivera trabalhando muito em seu laboratório naquele período, ela acordava antes de Vegeta, o que era muito cedo, pois o próprio rei acordava praticamente ao nascer do sol para treinar, antes de iniciar seu dia trabalho. A rainha estava profundamente envolvida no seu mais atual projeto, e trabalha incansavelmente, o que ninguém achava estranho, visto que sempre que estava em um projeto novo, Bulma focava seu tempo e atenção inteiramente ao mesmo.

Certa manhã, Bulma acabou dormindo mais que de costume e quando acordou Vegeta já havia saído para seu treino matinal.

A rainha cuidou de seus afazeres matinais e logo chegava ao laboratório para dar continuidade a seu projeto. Contudo, ao entrar no laboratório aquele dia, encontrou sua equipe desmontando o hangar que ela utilizava. Os computadores estavam desligados e a nave em que ela estava trabalhando e que estava perto da finalização, estava coberta por uma lona branca.

- Kales, o que significa isso tudo? – Bulma indagou a um dos cientistas de sua equipe enquanto olhava em volta. – Por que ninguém está trabalhando? Por que estão levando os equipamentos?

- Ma-Majestade... – o cientista falou um pouco sem jeito, pego de surpresa pela desinformação da rainha. – são ordens da tesouraria real, avisaram hoje de manhã que o projeto estava embargado. – Achávamos que vossa majestade soubesse...

- Embargado? Que absurdo! – Bulma alterou-se. – É um projeto de minha responsabilidade! Como o embargam sem me avisarem? Fique aí com a equipe, Kales e não retire um parafuso desse hangar. Eu vou ver o que está acontecendo...

Dizendo isso, a rainha, vestida com seu jaleco de laboratório, dirigiu-se para a sala do atual chefe de tecnologia do planeta, Gohan detinha o cargo, pois Bulma havia abdicado do mesmo anos antes, para poder se dedicar-se inteiramente a suas invenções, e também por causa da família e das obrigações que acompanham uma rainha.

Ela entrou na sala de Gohan sem bater.

O cientista chefe estava em sua mesa lendo alguns documentos e levantou o olhar quando a porta foi aberta, o sorriso que ia abrir foi interrompido ao ver a expressão de poucos amigos na face de sua rainha.

- Gohan, você poderia me explicar por que diabos meu atual projeto está embargado? – ela foi começando visivelmente irritada, sentando-se em uma cadeira a frente da mesa do cientista.

Gohan ficou surpreso, pois não sabia do que se tratava o assunto que Bulma mencionara, ele desconhecia o projeto de Bulma e seu embargo.

- Embargado?

- Isso mesmo, - Bulma confirmou. - Cheguei para trabalhar hoje e me informaram que meu projeto estava embargado! Isso é um absurdo! Só quem pode embargar os projetos é Vegeta e ele não seria louco de fazer isso sem me comunicar... Deve haver um engano.

- Acalme-se, Bulma. Deve ser algum erro... – Gohan a tranquilizou – pode me dar o número do projeto para que eu cheque aqui no computador?

- 30112011 – Bulma falou mecanicamente.

Gohan digitou no computador a sua frente, leu as informações que apareceram na tela e ia franzindo o celho na medida em que as lia. Instantes depois se voltou para Bulma.

- O projeto foi embargado automaticamente pela tesouraria do império. – Ele falou surpreso. – Parece que nas últimas duas semanas o seu projeto consumiu uma soma considerável de Sayans... 

- Meus projetos sempre foram caros... – Bulma disse sem entender. - Isso não é motivo para embargá-los...

- Mas esse projeto está saindo muito caro e ultrapassou o limite de crédito automático. - Gohan tentou explicar. - Nesses casos o sistema automaticamente barra os recursos do projeto. Projetos caros assim precisam da autorização do rei Vegeta pra serem liberados, são ordens diretas dele.

- Então você está dizendo que meu marido embargou meu projeto? – Bulma indagou irritada levantando-se e pondo os braços na cintura.

- Escute, Bulma, talvez ele nem saib... – Gohan tentou explicar, mas era tarde demais, Bulma levantou-se e saiu muito zangada da sala.

Não era preciso ser um gênio como ela ou Gohan para saber para onde a rainha se dirigia. Assim, instantes mais tarde, Bulma entrou na sala do trono sem ser anunciada, como era seu costume.

Vegeta a viu entrar nervosa e percebeu seu ki alterado. Ele já esperava pela visita da esposa a qualquer momento, depois que o tesoureiro lhe comunicara mais cedo sobre o embargo de um projeto secreto que a rainha estava fazendo e que havia consumido trezentos mil Sayans em duas semanas.

O rei sayajin estava sentado na cabeceira da mesa de reuniões e assinava alguns decretos, quando a rainha se aproximou.

- Se é sobre o seu projeto, eu mantive o embargo. – ele falou sem levantar o olhar enquanto terminava de assinar o último decreto de uma pilha que era recolhida por um escriba.

Bulma parou do outro lado da mesa, e ficou olhando zangada enquanto seu marido dispensava o escriba e levantava o olhar para ela.

- A propósito, mulher, você está linda hoje. – Vegeta disse em um tom sensual e íntimo que só usava quando estava a sós com sua esposa. Ele olhava a mulher de cima a baixo.

- Não me venha com essas! – Bulma falou confirmando sua irritação. – por que não liberou meu projeto?

- Ele não cumpre os pré-requisitos. – Vegeta disse calmamente, cruzando as mãos enquanto tinha os cotovelos apoiados na mesa.

- Que absurdo! – Bulma replicou zangada. – Você podia me explicar por que fez isso?

– Quem precisa me explicar é você. – Vegeta a encarou. - Você me conhece o suficiente pra saber que sou muito racional quando se trata da economia do planeta, Vegetasei tem a economia mais equilibrada dos planetas da OPU, e não é por acaso. É por que eu avalio muito bem para onde os recursos estão indo.

- Vegeta, meus projetos sempre foram caros, e sempre tiveram o retorno esperado. E nunca, nunca foram embargados. – Bulma falou batendo na mesa, muito nervosa. – E, aliás, tornaram você muito mais rico se bem lembro... O gasto pra esse projeto é fichinha perto do que eu já gastei antes e agora você me vem com essa de corte? O problema aqui não é dinheiro... Tenho certeza disso.

- Bulma, eu mesmo escrevi e sancionei uma lei na qual todos os projetos caros tem que ser aprovados por mim, e eu sempre aprovei seus projetos, mesmo os poucos que fracassaram... Mas agora você me vem com um projeto secreto! SECRETO! – ele quase gritou, revelando sua irritação com aquele fato. – O que poderia ter de tão secreto em um projeto que você tem que esconder do rei, que por acaso é seu marido?

Bulma parecia um pouco atônita com aquela revelação. Ela não estava preparada para ser abordada por Vegeta nessa perspectiva.

- Bem... Eu não posso revelar nada sobre esse projeto ainda. – ela falou desconcertada.

Foi à vez de Vegeta se irritar.

- Então você vai continuar sem me dizer do que se trata isso? – falou levantando-se - que projeto é esse que nem seus auxiliares sabem do que se trata?

- Você andou interrogando meus auxiliares sem minha autorização, rei Vegeta? – ela indagou colocando as mãos sobre a mesa e inclinando-se sobre ela na direção de Vegeta.

 - Entenda como quiser. – ele replicou desconversando.

- VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE INTERROGAR MINHA EQUIPE SEM A MINHA AUTORIZAÇÃO!

- E VOCÊ NÃO TEM DIREITO DE OMITIR INFORMAÇÕES AO REI! Projetos secretos são proibidos e você sabe disso! – Vegeta apontava o dedo em riste para a mulher que estava do outro lado da mesa.

- Achei que você tivesse confiança em mim para confiar em meu projeto. – Bulma disse emburrada.

- E eu achei que você tivesse confiança em mim para falar de qualquer projeto... O que tem de tão importante nesse projeto que nem eu posso saber?

- Eu não vou dizer, Vegeta. – Bulma falou inflexível.

- Então não tem dinheiro pro projeto. É a lei. – ele falou em tom de desafio enquanto a encarava.

- Pensei que o rei podia mudar a lei...

- Posso, mas não quero. E não vou. – sentenciou. - Se você não pode confiar em mim, eu também não vou confiar em você.

- Muito bem. – Bulma disse comedida e com um olhar cínico para o marido. – Eu aceito sua decisão, Majestade. Dessa forma, vou continuar esse projeto com meu dinheiro. Com licença, vou voltar ao meu laboratório...

Vegeta sentiu-se ultrajado.

- Bulma, você sabe que não pode utilizar os laboratórios do castelo para projetos não autorizados.  - ele lembrou com satisfação.

- Tudo bem. – Bulma disse de forma impessoal e voltou-se para sair do aposento. – a propósito. – ela deteve-se por um momento. – Estou saindo agora para a Ilha Cápsula. Vou trabalhar no MEU projeto, com o MEU dinheiro e na MINHA casa. Avise ao Gohan para colocar alguém no meu lugar até que eu retorne. Só voltarei quando concluir meu projeto.

- Você não vai fazer isso... – Vegeta disse sem acreditar enquanto sua esposa lhe dava as costas.

- Vou. – Bulma disse despreocupadamente dirigindo-se para a saída da sala do trono.

- Você não pode abandonar seu trabalho aqui no castelo! – ele ameaçou.

- Me demita, então. – Bulma disse sem voltar-se para o marido.

- Mas você não pode simplesmente sair do castelo...

- Por que, Vegeta? Vai cercear meu direito de ir e vir? – ela disse em tom de desafio. - Sou sua prisioneira por acaso?

- Não, mas é minha esposa!

- Sim, sou sua esposa. – Ela confirmou ao chegar à porta. - E decidi passar uns dias fora. Tente me impedir... Majestade.

Sem dizer mais nada, Bulma saiu da sala do trono deixando Vegeta extremamente confuso e zangado com tudo que acabara de acontecer e sem entender por que sua esposa estava fazendo tudo aquilo.

***

A verdade é que nem Bulma sabia o porquê.

Ela apenas sabia que tinha uma necessidade sobre-humana de terminar aquele projeto. Um projeto que surgira quase por completo em sua mente durante os sonhos quase reais que ela vinha tendo nas últimas duas semanas.

Ela sabia o que fazer, como fazer e sentia uma necessidade irreal de fazer. Quase uma obrigação. E foi por causa disso que ela deixou o castelo de Vegetasei aquele dia e rumou para seu antigo laboratório na Ilha Cápsula para concluir seu projeto.

Por um momento, a rainha achou que Vegeta fosse tentar impedi-la, mas percebendo que o mesmo não fizera e nem faria isso ela sentiu-se até um pouco culpada por estar omitindo os planos de seu marido.

                Mas ela pôs-se a trabalhar e, nos dias que se seguiram, trabalhou incansavelmente naquele estranho e misterioso projeto.

***

Bulma corria.

Os pés descalços podiam sentir a grama úmida sob seus pés. Sua respiração estava difícil por conta do esforço. O rapaz estava lá. E estava a sua procura.

Ela quase via sua face, quando acordou sobressaltada...

Olhou em volta assustada, estava sozinha e viu apenas a penumbra em seu quarto na casa da Ilha Cápsula.

Com o coração aos pulos dentro do peito, ela levantou-se como mandada por uma força desconhecida. Saiu do quarto ainda descalça, sentindo o mármore frio da casa deserta sob seus pés.

Desceu as escadas e foi até o alçapão que dava acesso ao porão, onde estava seu laboratório. Ao descer as escadas do porão, não precisou ligar as luzes do laboratório, pois o mesmo estava iluminado por uma grande claridade.

Essa claridade vinha da nave que ela acabara de concluir no fim daquele dia. A nave parecia que fora ligada e estava dando partida sozinha... Suas luzes piscavam sem parar e Bulma olhava sem entender a nave não tripulada se movimentando.

Quando Bulma chegou ao fim da escada que descia ao laboratório, a nave fez um barulho ensurdecedor, começou a subir e antes de destruir o teto do laboratório, a mesma desapareceu.

Bulma encontrou-se então no laboratório completamente mergulhado na escuridão. E, ainda sem acreditar no que acontecia, ela acendeu as lâmpadas e olhou para o lugar onde sua invenção estivera.

Estava completamente vazio.

A rainha cientista não teve muito tempo para tirar conclusões dos fatos, pois em seguida, ela escutou outra explosão como aquela que a nave fizera ao desaparecer. Só que vinha lá de cima, do lado de fora da casa.

Rapidamente, ela subiu correndo as escadas e andou pela casa escura, segundos depois estava correndo na escuridão da clareira onde sua casa se encontrava. Seu sonho estava se tornando real, ela corria descalça pela grama úmida.

Bulma não pôde distinguir vários vultos que a seguiam, mas ela sabia muito bem que se tratavam da guarda real que estava protegendo sua casa na Ilha Cápsula, provavelmente a mando de Vegeta. Ela não ligava para a presença dos mesmos, apenas se concentrava em correr na direção da floresta de onde vinha uma grande claridade e muita fumaça.

Quando finalmente chegou ao local onde as árvores estavam retorcidas, viu a nave que ela recém construíra, caída e semidestruída. Ela aproximou-se e observando a nave, assustou-se ao perceber que parecia haver alguém no local onde deveria estar o piloto da nave.

E seja lá quem fosse, estava desacordado.

 Bulma não sabia como faria para alcançar o local onde o desconhecido estava, pois era muito alto. Mas, antes que pudesse mesmo pensar em uma estratégia, a mulher ouviu alguém atrás de si e virou o olhar naquela direção.

- Pode deixar que eu vejo quem está lá.

Era Vegeta que estava a suas costas. Sem falar mais nada, o rei sayajin passou por Bulma e foi até a nave. Depois de abri-la. Saiu de lá trazendo um corpo nos braços.

Pousou perto de Bulma, só assim ela pode ver que se tratava de um jovem rapaz que estava muito machucado.

Era o rapaz dos seus sonhos. O estranho rapaz de cabelo azul.

 

***

 

Cerca de uma hora depois, o casal real estava no centro médico do castelo, ambos observavam o rapaz que agora estava em um tanque de regeneração.

Vegeta não falara nada até aquele momento e parecia muito perdido em seus pensamentos. Bulma também. O casal não trocara nenhuma palavra desde que tinham trazido o jovem machucado ao castelo.

Depois do que pareceram horas, foi Bulma que quebrou o silêncio, quando finalmente os médicos os deixaram sozinhos na sala em que estava o tanque de regeneração do rapaz recém- encontrado.

- Eu vinha sonhando com ele, todas as noites... – ela falou ao marido ainda sem tirar os olhos do rapaz desacordado.

- Eu também. – o rei sayajin disse sério, para a surpresa da esposa.

- Ele estava pedindo ajuda... Mas, eu não tinha como ajudá-lo... – ela falou já caindo em prantos. – e eu sinto quem ele é... – ela falou aproximando-se do tanque de regeneração e tocando o vidro delicadamente com a ponta dos dedos. – Você não percebeu a semelhança? – indagou voltando-se ao marido que a observava com os braços cruzados sobre o peito.

- Claro que percebo. – Vegeta disse impassível. – mas... Não faz sentido... Nosso filho está no quarto dele agora... E além do mais, esse rapaz é bem mais velho...

Bulma ia falar algo, mas foi interrompida quando os olhos do rapaz se abriram em um olhar alucinado de pânico. Ele respirou fortemente e começou a bater freneticamente contra o vidro do tanque de regeneração. Uma pequena rachadura começou no centro das pancadas e rapidamente se espalhou por toda extensão do grosso vidro, fazendo o tanque explodir.

 Vegeta tirou Bulma do caminho antes que a enxurrada de líquido a atingisse, quando o vidro quebrou. E enquanto o rei pairava sobre o chão encharcado da sala, o estranho rapaz de cabelo azul tossia ao mesmo tempo em que arrancava a máscara de oxigênio. Nesse momento, a equipe médica entrou na sala, assim como os guardas da escolta real, e antes que algo pudesse ser dito pelo rei ou pela rainha, o rapaz foi contido e sedado por ordem da chefe da equipe médica.

- Idiotas! Por que o sedaram? – Vegeta indagou irritado, ainda carregava Bulma em seus braços e pairava sobre o líquido que se espalhara pela sala.

- Majestade, ele poderia entrar em choque por ter saído tão repentinamente do tanque de regeneração. – Natasha, a chefe da equipe médica, explicou. – Contudo, sua recuperação é impressionante. Ele deve ser muito forte para precisar ficar apenas uma hora no tanque de regeneração. Ele é forte como um...

- Sayajin. - Bulma a interrompeu. – Ele é um sayajin.

- Quando ele acordará? – Vegeta indagou. Estava ansioso para interrogar o rapaz sobre sua identidade.

- Provavelmente só amanhã, majestade. – Natasha respondeu com segurança. – Podem voltar aos seus aposentos e os mandarei chamar assim que o mesmo estiver desperto.

- Não. – Bulma afirmou convicta. – Vamos ficar ao lado dele.

                Vegeta não discordou. O rapaz foi levado para um quarto, onde dormiu pelo resto da noite.

Rei e rainha velaram o sono do estranho garoto adormecido.

***

Quando o rapaz abriu os olhos na manhã seguinte, ele não viu Bulma que dormia em um pequeno sofá próximo a sua cama, seus olhos encararam, no entanto, um par de olhos negros e inquisidores.

- Quem é você? – Vegeta indagou sem rodeios quando o rapaz o olhou.

- Onde estou? – o rapaz perguntou sem considerar a pergunta de Vegeta e parecendo assustado. Ao olhar em volta, seus olhos se deteram no lugar em que Bulma dormia. Ao vê-la, o rapaz saltou rapidamente da cama e foi até onde ela estava, estendeu a mão para tocá-la, mas Vegeta segurou seu pulso antes que ele o fizesse.

- Eu não vou perguntar novamente, moleque - o rei sayajin disse muito sério. - quem é você?

O rapaz o encarou seriamente por um momento, depois sorriu.

- Tem certeza que não sabe quem eu sou... Pai?

Vegeta não pôde retorquir aquela revelação, pois Bulma acordava. Quando a rainha abriu os olhos e percebeu o rapaz de cabelos azuis de pé ao seu lado, ela não hesitou em abraçá-lo.

- Filho! – disse emocionada abraçando o rapaz que lhe retribuiu o abraço de forma muito amorosa.

- Isso não faz sentido! – Vegeta explodiu falando pros dois. – Esse menino não pode ser nosso filho, Bulma! – esbravejou zangado quando a mulher deixou de abraçar o rapaz.

- Mas ele é. – ela repetiu segurando o braço do rapaz. – Eu sei que é, Vegeta. – ela disse confiante. – e você também sabe.

- Sim, eu sou Trunks, pai. – o rapaz disse orgulhoso. – Mas agora preciso saber que lugar é esse que estou. E por que vocês dois estão vestidos assim...

Trunks referia-se a armadura real que Vegeta usava, com sua capa vermelha e o símbolo de Vegetasei no peito, além do colar azul Royal que representava os soberanos sayajins. Bulma também usava o colar, tinha os longos cabelos presos com uma tiara e vestia um vestido branco e azul longo e justo também com uma capa.

- Que bobagens... – Vegeta indagou perplexo. – Você está no castelo real de Vegetasei, é lógico...

O garoto fez uma expressão de extrema surpresa...

- Mas... Isso não é possível! Vegetasei explodiu há quase trinta anos atrás... Freeza o explodiu... Eu não posso estar em Vegetasei... – Trunks refletiu aflito.

- Freeza explodiu Vegetasei? Nunca ouvi tamanho absurdo! – Vegeta replicou ultrajado. – Está maluco garoto? Afinal de contas? Quem você? É melhor dizer antes que eu me canse disso... –ameaçou puxando o rapaz pela gola da camisola do centro médico que o mesmo vestia.

- Ele não é deste tempo, Vegeta. – Bulma interrompeu. – Ele é nosso filho, mas não nessa linha de tempo... Eu sei que você sabe... Você disse que também sonhou...

Vegeta largou Trunks e olhou perplexo para a mulher, depois se recompôs.

- Supondo que essa sandice seja verdade, - indagou após um momento de reflexão. - o que veio fazer aqui, moleque?

- Eu vim por que preciso de ajuda. – Trunks respondeu prontamente. – e só podia recorrer a vocês...

- Que tipo de ajuda? – Vegeta indagou desconfiado, porém interessado.

- Há um ser que vive em meu tempo, - Trunks começou a explicar em um tom pesaroso. - ele destruiu quase todos os humanos... E hoje ele reina sobre a Terra. Ele me aprisionou, mas consegui fugir com a ajuda delas... As Fúrias me mandaram até vocês... Só vocês podem me ajudar a vencer esse monstro que aniquilou nossos destinos, - disse olhando tristemente para Bulma. - Esse monstro que fez minha mãe morrer fugindo dele... Esse que é mais poderoso que qualquer um no meu tempo.

- Mas quem é esse ser? – Vegeta indagou intrigado. – Quem é esse ser que pode ser mais poderoso que meu próprio filho?

Então, Trunks lançou um olhar de muita dor para Vegeta e depois de um momento respondeu:

- Esse ser é você... Pai.


Notas Finais


Agora percebo por que demorei tanto tempo para escrever essa estória. O destino queria que eu assistisse DB Super antes, e que usasse um pouco do enredo de lá, estou muito empolgada com a estória que vou conta, embora não seja muito longa.

Comentários são sempre bem vindos.

Até o próximo.^^


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