História Sayryns - Os Três Corações (Livro 01) - Capítulo 5


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Ação, Anjos, Aventura, Comedia, Fantasia, Ficção, Magia, Mistério, Mitologia Grega, Romance, Sobrenatural
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Palavras 9.124
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Fluffy, Luta, Magia, Mistério, Misticismo, Policial, Romance e Novela, Saga, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Mutilação, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas do Autor


Novo capítulo de Sayryns! Espero que gostem ^^

Capítulo 5 - O primeiro ataque


Fanfic / Fanfiction Sayryns - Os Três Corações (Livro 01) - Capítulo 5 - O primeiro ataque

Minxie nem fazia ideia de que Dlav havia entrado na catedral junto com ela. Ela sentiu estar sendo seguida, mas ao se virar não viu ninguém, além de que estava escuro demais para ver alguma coisa. Ao se virar novamente para continuar sua exploração, dois olhos felinos vermelhos se abriram na escuridão atrás da Sayryn. Com passos lentos e suaves, Minxie caminhava pelo chão com um piso velho de madeira. Dlav a seguia andando de quatro pela parede como uma aranha.

-- O que essa imbecil tá fazendo aqui? E ainda mais sozinha? – pensou Dlav parecendo nervoso e ao mesmo tempo preocupado

            Após alguns passos, o local foi clareando um pouco mais por causa da luz da lua que entrava pelos buracos no teto. Minxie se encontrava no centro do tapete vermelho que ficava entre as fileiras de bancos de madeira e em sua frente, estava um enorme altar com um trono negro bastante horrendo. Engolindo em seco, o coração de Minxie começou a acelerar. Ela estava sozinha, mas podia sentir a presença de vários Lyvrenys por perto. Ela se virou e Dlav fechou os olhos para que os mesmos não fossem vistos na escuridão. De repente, um monte de corvos passou voando por ela e a Sayryn de cabelos verdes levou um tremendo susto sacando suas tonfas para atacar, mas logo se acalmou quando se deu conta de que eram apenas pássaros. Apenas um Lyvreny, ela queria matar pelo menos um Lyvreny para vingar a morte de Dyllan. Aproximando-se mais do altar, ela começou a ouvir sons de correntes sendo arrastadas pelo chão.

            Assim que se virou, Minxie foi surpreendida por dez correntes negras com uma aura escura ao redor das mesmas que vieram da escuridão em uma velocidade absurda na direção da Sayryn que deu um grande salto dando um mortal para se esquivar, no entanto, a ponta de uma das correntes perfurou o tornozelo dela, a fazendo gritar de dor e abaixar a guarda, permitindo que as outras correntes se enrolassem pelo seu pescoço, braços, pernas e cintura. Completamente presa pelas correntes, as mesmas começaram a lançar Minxie contra a parede, teto e chão com uma força tão intensa que era possível ouvir os ossos da Sayryn sendo quebrados junto com os tijolos. Dlav observava tudo na escuridão e seus olhos tremiam demonstrando um olhar perplexo com o que via.

            As correntes jogaram Minxie no chão com tanta força que ela afundou no solo no buraco que se abriu. Em seguida, as correntes a ergueram no ar e começaram a apertar seu corpo, deixando marcas na pele pálida. Era possível ver um líquido vermelho escorrendo pelas correntes, sangue que saía das feridas causadas pelas mesmas. Minxie estava tão fraca que não conseguia se livrar daquelas malditas correntes que apertavam cada vez em seu corpo, só o que podia fazer era gritar de dor. Ela gritava tão alto que seu grito ecoava pelas paredes rachadas e os mosaicos das janelas, até que ela começou a ouvir uma risada. Uma risada bastante familiar.

            Sons de passos surgiram na escuridão e iam ficando cada vez mais altos à medida que iam se aproximando. Até que ele chegou – Lowki, o líder dos Lyvrenys. Ao vê-lo, Minxie arregalou os olhos e seu rosto demonstrou uma tremenda reação de espanto e surpresa. O coração dela parou de bater por alguns segundos e o choque foi tão grande que por um momento ela esqueceu das correntes apertando seu corpo. Cabelos longos, ondulados e prateados, um rosto jovem extremamente bonito, olhos felinos vermelhos brilhantes, orelhas longas e pontudas, dentes caninos afiados ultrapassando os lábios que formavam um sorrisinho malandro, pele cinza escura, vestia um sobretudo negro por cima de uma camisa e calça também negras. A franja lisa cobria os olhos mas o brilho dos mesmos podiam ser vistos. Além disso, as correntes negras estavam enroladas nos braços do líder dos Lyvrenys. Era ele quem estava as controlando. Dando uma curta risada marota, Lowki colocou uma mão na cintura.

-- Mas que garota mais bonitinha. Ei garotinha, seus pais não lhe ensinaram que é falta de educação invadir a casa dos outros? – perguntou o líder dos Lyvrenys

            Ao ouvir a voz de Lowki, Minxie sentiu um tremendo arrepio percorrer todo seu corpo. Aquela voz...era a mesma voz. As roupas, o rosto, o cabelo, até as correntes nos braços...tudo era o mesmo.

-- M-mestre...mestre Lídius? – perguntou Minxie com a voz fraca e estrangulando um gemido, já que nem conseguia falar direito com uma corrente apertando sua garganta deixando marcas na pele

            Lowki tinha a mesma aparência de Lídius, o líder dos Sayryns. Tudo nele era idêntico, só o que diferenciava eram a cor das asas, das roupas, das correntes e dos olhos.

-- Lídius? Ah...faz muito tempo que eu não ouço esse nome. – disse Lowki

            Após dizer isso, as correntes lançaram Minxie contra a parede e depois contra o chão, a fazendo cuspir uma jorrada de sangue.

-- O que veio fazer aqui, garotinha? Por favor não me diga que veio matar Lyvrenys, porque isso seria muito idiota. Principalmente vindo de uma Sayryn tão fracote quanto você. – disse sorrindo

-- C-como é possível? Você...você é idêntico...ao m-mestre Lídius... – disse Minxie gemendo de dor

            Lowki abaixou os olhos.

-- Podemos ser idênticos na aparência...mas eu jamais serei como ele. Até mesmo porque, eu sou muito melhor. Não concordam?

            Minxie franziu a testa sem saber para quem Lowki havia feito a pergunta. Até que ela viu vários olhos felinos vermelhos abertos na escuridão atrás do líder dos Lyvrenys. Foi então que ela percebeu que Lowki não era o único ali. O local estava infestado de Lyvrenys.

-- V-vocês...mataram o Dyllan...eu preciso...p-preciso...vingar a morte dele... – murmurou a Sayryn puxando os braços tentando se livrar das correntes, mas seus ossos doíam bastante e ela gemia de dor

-- Não acho que você esteja em condições de vingar a morte de ninguém. Mas está em condições de responder às minhas perguntas. Agora me diga, onde estão Casstyel e Aryel? – perguntou Lowki

-- Não sei onde o Casstyel está. E a sua Lyvreny filhote ainda vai ficar acorrentada por um bom tempo. Pode ter certeza disso. – afirmou Minxie com um olhar de raiva em seus olhos lilases

            Os cantos da boca de Lowki se esticaram um pouco em um sorriso preguiçoso.

-- Mestre Lowki, por que não a prendemos? Assim poderemos usá-la como moeda de troca. – disse uma voz na escuridão

-- É uma boa ideia. Mas eu não sou de fazer acordos. Cruzar no meu caminho é o último erro que alguém comente antes de ser morto. – respondeu com os braços cruzados e o rosto sério novamente

            O céu relampeou, e a luz que entrou pelo buraco no teto iluminou o local revelando todos os Lyvrenys atrás de Lowki, até que a escuridão tomou conta novamente e apenas seus olhos voltaram a ficar visíveis. As correntes começaram a se desenrolar do corpo de Minxie até que ela ficasse totalmente livre.

-- Por que mandaram uma Sayryn tão fraca como você sozinha para invadir nosso refúgio e nos matar? Acharam que você daria conta? Estão nos subestimando? – perguntou Lowki com um tom raivoso na voz

-- Eu vim por vontade própria!

            A Sayryn tomou sua verdadeira forma e partiu para cima de Lowki. Ele esticou o braço para frente e as correntes enroladas no mesmo foram para cima de Minxie e novamente se enrolaram pelo corpo dela a jogando com toda força contra uma janela de vidro a quebrando por completo. Minxie foi jogada no chão com o corpo cheio de cortes e cacos de vidros.

-- Vamos mostrar o que acontece quando nos subestimam. Novato! – chamou o líder dos Lyvrenys

            Um Lyvreny encapuzado se aproximou. Usava um manto negro e o capuz impedia de ver seu rosto.

-- Mate essa Sayryn. Mas quero uma morte bem bonita e criativa. Eu odeio mortes simples. Enquanto isso, vamos nos divertir um pouco com os humanos! Para o centro da cidade! – exclamou Lowki batendo suas asas e saindo voando embora da catedral pelo buraco do teto

            Todos os outros Sayryns também bateram suas asas e voaram seguindo seu líder. Bastante ferida e machucada, Minxie tentou levantar do chão, mas não conseguiu. O Lyvreny encapuzado se aproximou dela e ergueu sua enorme foice de lâmina gigante e extremamente afiada, segurando o cabo bem firme com as duas mãos. Minxie tremia, estava com medo. Se tivesse obedecido seu líder não estaria naquela situação. Podia sentir o sangue e o suor escorrerem pelo seu corpo cinza, suas asas estavam machucadas e ela não tinha forças para se levantar e nem atacar. Levantou os olhos e fitou o Lyvreny encapuzado, ainda com a foice erguida em mãos. Minxie notou que as mãos do Lyvreny tremiam e ele parecia estar hesitando.

-- Vai mesmo me matar?

            Após essa pergunta, um vento forte entrou pela sala fazendo o capuz do Lvvreny abaixar, permitindo assim que seu rosto fosse visto. A Sayryn arregalou os olhos. Uma imensa vontade de gritar surgiu em seu peito. Seu corpo paralisou, seu coração acelerou, seu sangue gelou. A perplexidade, a surpresa e o sentimento de decepção dominaram a mente da Sayryn de olhos lilases que não sabia como reagir após ver o rosto do Lyvreny à sua frente. Olhos felinos vermelhos, roupas, cabelos e asas negras eram agora características do seu ex melhor amigo, que sempre esteve ao seu lado e sempre a apoiou em vários momentos.

-- D-Dyllan?! – gritou Minxie fazendo sua voz ecoar pelo local. Ainda estava em choque. Não conseguia acreditar que Dyllan estava vivo e havia virado um Lyvreny

            Uma lágrima de sangue escorreu pelo olho direito do Lyvreny em pé perante a Sayryn caída no chão.

-- Sinto muito, Minxie. – foi apenas o que Dyllan disse antes de atacar com sua foice

            No entanto, cessou o ataque quando ouviu um grito na escuridão:

Pare!”

            Uma gota de suor escorreu pelo maxilar da Sayryn enquanto que a lâmina da foice estava a milímetros da sua garganta. Dyllan se virou e viu Dlav surgir na escuridão.

-- Pode deixar essa Sayryn comigo, novato. – disse Dlav segurando sua enorme foice nos ombros

            Dyllan o olhava com os olhos trêmulos.

-- Tem certeza? – perguntou Dyllan com um pouco de nervosismo na voz

-- Vá para o centro e se una aos outros. Eu cuido dela.

            Dyllan afastou a foice da Sayryn, cobriu novamente a cabeça com o capuz, bateu suas enormes asas negras e subiu aos céus indo embora voando da catedral pelo teto. Minxie estava com os olhos baixos e seu rosto demonstrava uma expressão vaga de tristeza e decepção. Dlav se aproximou dela e apontou a foice para o seu rosto.

-- Você. – disse Dlav

            Minxie ergueu a cabeça para olhar para o Lyvreny repleto de tatuagens pelo corpo para esconder as cicatrizes.

-- Vá embora. E nunca mais ouse colocar os pés aqui novamente. – ordenou

-- Não vai me matar? – perguntou Minxie surpresa

-- Quer que eu a mate?

            Minxie manteve-se em silêncio.

-- Estou lhe dando essa chance para fugir. Agora vá. – disse Dlav lhe dando as costas e indo embora

-- Por que está me deixando ir?! – perguntou Minxie novamente com o coração quase para explodir de frustração

-- Isso faz parte da minha dívida que tenho com você. – respondeu Dlav sem parar de caminhar até sumir na escuridão

            Minxie ficou o olhando com os olhos trêmulos sem conseguir entender. Assim que ouviu um som de portão sendo fechado, deduziu que finalmente havia ficado sozinha naquele local terrível. Fechando os olhos com força, a Sayryn escondeu seu rosto com as mãos e começou a gritar. Se Sayryns tivessem a capacidade de chorar, ela choraria.

XXXXX

            Enquanto isso, Miro encontrava-se adormecido em sua cama no seu quarto. Estava tudo silêncio, só era possível ouvir os ponteiros do relógio se movendo. Suado e com a respiração um pouco ofegante, Miro não parecia estar tendo um sono tranquilo. Após ele ter desmaiado queimando em febre, os Sayryns o levaram para a sua casa para descansar. Cass havia voltado à lanchonete onde Miro trabalhava e pedido informações para os outros funcionários sobre onde ele morava. Mesmo com o sono pesado, Miro viu uma imagem. Estava bem borrada, mas ele teve a impressão de ver um belo anjo de enormes asas brancas em pé em um campo devastado, em um cenário completamente pós-apocalíptico. Esse anjo tinha os olhos felinos mais brilhantes e mais belos que ele já havia visto. A íris do olho direito era amarela e a do olho esquerdo era azul. Além disso, ele tinha dois losangos – um amarelo e outro azul – no corpo, um cima do outro. Esses losangos brilhavam e pareciam ser duas pedras preciosas emitindo um poder extremamente grandioso. Com uma enorme espada de luz em mãos, esse anjo estava rodeado por uma aura de luz e seus belos cabelos prateados balançavam ao vento. Esse anjo – que na verdade era um Sayryn – não parava de encarar Miro. Lágrimas começaram a escorrer pelo rosto do Sayryn e o mesmo disse algo que Miro não conseguiu ouvir. Paralisado e sem conseguir sair do lugar, só o que Miro podia fazer era observar o Sayryn a sua frente. Além disso, o pobre rapaz de cabelos negros e olhos laranjas podia sentir seu corpo ardendo em chamas, como se estivesse caindo nas profundezas do Tártaro, o inferno da mitologia grega. O Sayryn ergueu sua espada de luz e partiu para cima de Miro. Quanto mais se aproximava, mais a aura de luz ao seu redor ficava mais forte. Atrás do Sayryn, podia-se ver duas almas de dois lobos gigantescos, cada um com quatro imensas asas nas costas e três caldas. Um lobo tinha a pelagem e os olhos amarelos e o outro tinha a pelagem branca e os olhos azuis. Um representava a luz e o outro representava o gelo. Assim que o Sayryn chegou bem próximo, Miro o reconheceu – era Casstyel. As almas de ambos os lobos entraram na lâmina da espada antes que Casstyel atravessasse o corpo de Miro com ela.

            Miro acordou gritando bem alto após sentir a lâmina da espada de Casstyel atravessando seu coração. Estava suado e seu corpo tremia. Seu rosto estava molhado de lágrimas e ele podia sentir uma leve dor no coração. Estava ofegante e sentia sua cabeça pesada. Foi apenas um sonho, mas parecia tão real. Por que Miro havia sonhado com Casstyel tentando mata-lo? Por que seus olhos estavam com duas cores diferentes? O que eram aqueles losangos no peito do Sayryn? Que lobos eram aqueles? O coração de Miro apenas se enchia cada vez mais dúvidas e ele não ia descansar enquanto não tivesse todas aquelas respostas. Depois que sua antiga escola no Japão sofreu um incêndio, todos os alunos foram transferidos para outras escolas do Japão. Ele foi o único que foi mandado para a Inglaterra, coincidentemente na mesma escola onde estudava um Sayryn. Teria sido o destino? Estaria seu destino sendo controlado por alguém?

            Olhando ao seu redor, Miro sabia que havia sido salvo por alguns Sayryns quando foi atacado por Lyvrenys. Mas não fazia ideia de como havia parado em casa. Levantando da cama, Miro estremeceu ao tocar seu pé no chão gélido. Descalço, caminhou até a cozinha, abriu uma gaveta do armário e pegou uma caixa de remédios. Ao abri-la, se deparou com um punhado de remédios para febre. Pegou um e o tomou. A verdade era que Miro já estava acostumado a ter febre. Desde que ele se lembra, ele sempre teve problemas de febre. Já foi a vários hospitais, mas nunca conseguiram descobrir a causa. Apenas passavam remédios para febre e o mandavam embora. Após tomar o remédio, o rapaz adoentado pegou seu caderno onde escrevia os rascunhos para o seu livro sobre os Sayryns, puxou uma cadeira da mesa, sentou e começou a escrever.

XXXXX

            Casstyel, Angela, Simon, Loon e Samantha voavam pelo céu noturno em alta velocidade.

-- Que bom que resolveu se unir a nós, Casstyel! – disse Simon

-- Só vou ajudar a resgatar a Minxie, depois vou embora. – disse o Sayryn de olhos verdes

-- Tudo bem então.

            De repente, um enorme grupo de Lyvrenys surgiu no céu voando em alta velocidade na direção dos Sayryns.

-- Tem Lyvrenys vindo na nossa direção! – avisou Loon

            Casstyel projetou seu arco de luz nas mãos e atirou a flecha, atingindo certeiramente a testa de um Lyvreny em uma grande distância o matando na hora.

-- Olha quem veio se divertir com a gente! – disse um Lyvreny preparando sua foice

            O arco de Casstyel se transformou em uma espada e ele repeliu o ataque da foice de um Lyvreny, agarrando seu braço e indo para trás do mesmo, torcendo seu braço e atravessando a espada em seu coração por trás. Samantha se esquivou do ataque de um Lyvreny indo para baixo e partindo a criatura de asas negras ao meio com um de seus machados. Ela lançou o outro machado como um bumerangue na direção de outro Lyvreny partindo sua cara ao meio com a lâmina do mesmo. Angela travava uma guerra de lâminas com outro Lyvreny. Suas adagas eram pequenas, mas suas lâminas eram fortes o suficiente para resistirem à força da enorme lâmina da foice do Lyvreny. Angela girou uma das adagas na mão e perfurou o olho esquerdo do Lyvreny com a mesma. Enquanto o Lyvreny gritava de dor, ela perfurou o coração dele com a outra adaga. Casstyel atirava com seu arco de flecha de luz e nunca errava um único tiro. Sempre acertava a testa ou o coração. Transformando seu arco em um chicote, o Sayryn de olhos verdes lançava a arma fazendo a corda enrolar na perna dos Lyvrenys, os puxando para perto e quebrando seus dentes no soco e no chute, transformando o chicote em uma espada novamente e cortando a garganta. Sayryns e Lyvrenys lutavam no ar entre as nuvens enquanto uma chuva de penas negras caía sobre eles, penas dos Lyvrenys que eram mortos e iam perecendo.

            Casstyel usou seu chicote para enrolar a corda pelo corpo de um Lyvreny e o lançar contra Samantha, que arrancou a cabeça dele com um de seus machados. Um Lyvreny atacou Angela com sua foice, mas a Sayryn de olhos brancos se esquivou, no entanto, outro Lyvreny surgiu do nada e a atacou. Angela conseguiu desviar por impulso, mas ainda assim seu rosto foi cortado pela lâmina da foice. Angela agarrou o cabo da foice do Lyvreny, o puxou o trazendo para perto e deu uma cotovelada no braço do mesmo que segurava a foice, quebrando o osso e perfurando o crânio dele com uma das adagas. Assim que o Lyvreny morreu, ela usou a própria foice dele para partir outro Lyvreny ao meio. Samantha girava seus machados voando em alta velocidade desmembrando todo Lyvreny que vinha para cima dela. Em um milésimo de segundo, Samantha se esquivou de uma lança de luz que Casstyel havia lançado contra ela para atingir um Lyvreny que estava atrás da Sayryn. A lança passou de raspão pelo rosto dela.

-- Ei! Cuidado! – disse Samantha fazendo bico

            Casstyel levantou os ombros como se não estivesse nem aí.

-- Esses Lyvrenys são fracos, mas são muitos! – disse Angela enquanto atravessava o queixo de um Lyvreny com uma de suas adagas fazendo a ponta da lâmina sair no olho direito

-- Não podemos perder tempo! Temos que ir logo para a catedral! – disse Samantha retirando seu machado do peito de um Lyvreny que ela havia atacado

            Casstyel se virou e avistou Simon e Loon lutando, mas não contra os Lyvrenys, e sim entre eles.

-- Eu vou matar muito mais Lyvrenys que você! – disse Simon

-- Não, eu que vou! – disse Loon

-- Eu sou muito mais forte!

-- Não, eu que sou!

            De repente, uma flecha de luz passou raspando por eles fazendo ambos se afastarem um do outro. Eles se viraram e viram que foi Casstyel quem havia atirado a flecha.

-- Parem de brincadeira e lutem! – esbravejou Casstyel agarrando as asas de um Lyvreny, pisando nas costas do mesmo para pegar impulso e arrancando asas, atravessando sua espada de luz nas costas do Lyvreny em seguida

-- Então tá. – disse Simon repelindo o ataque de um Lyvreny que foi para cima dele enquanto que Loon atravessou sua espada na barriga de outro Lyvreny que também o atacou

            Simon viu o rosto de Angela ferido e ficou furioso.

-- A minha Angel tá ferida! Quem foi que feriu a minha Angel? Foi você?! Foi você?! Foi você?! – perguntava Simon cortando a garganta de todo Lyvreny que via pela frente com sua espada

-- Ah, já chega! – disse Casstyel já perdendo a paciência

            Casstyel bateu suas asas e voou para bem alto. Assim que chegou em uma certa altura, ergueu bem suas enormes asas brancas, projetou seu arco de luz e mirou sua flecha. Vários Lyvrenys bateram suas asas e foram para cima dele. Não demonstrando nenhum pouco de nervosismo e com um olhar determinado, o Sayryn de olhos verdes continuava mirando com sua flecha sem se preocupar. Assim que os Lyvrenys se aproximaram, a luz amarela que envolvia o arco e a flecha ficou azul. Casstyel atirou a flecha e a mesma se dividiu em centenas de outras flechas. Cada flecha atingiu certeiramente o coração dos Lyvrenys, os transformando em estátuas de gelo que logo se quebraram em milhares de pedacinhos. Era uma chuva de flechas e todos os Lyvrenys foram atingidos, sendo mortos na hora.

-- Gelo? – perguntou Simon impressionado

            Os Sayryns olharam para cima para contemplar o Sayryn sobre eles. Com o rosto sério, a franja de Casstyel balançava com o vento e escondia seus olhos, no entanto, era possível ver o brilho azul de ambos entre os fios prateados. Espere um pouco...brilho azul? Mas os olhos de Casstyel não eram verdes?

            Todos os Lyvrenys foram mortos e seus corpos se desfizeram em penas, enquanto que os Sayryns exaustos e com a respiração ofegante guardavam suas armas.

-- Angela, você está bem? – perguntou Simon preocupado

-- Sim. Isso não é nada demais. Vai sarar logo.

-- Quer que eu lamba a ferida?

-- Claro que não!

-- Vai te fazer bem.

-- Sai fora, pirralho!

            Casstyel desceu até eles e seus olhos verdes demonstravam um olhar vago e depressivo...como sempre.

-- Casstyel, mandou muito bem! – disse Samantha

-- Como fez aquilo? – perguntou Loon curioso

            Casstyel hesitou um pouco antes de responder. Não fazia ideia como aquilo havia acontecido. Ele só planejava atirar várias flechas contra os Lyvrenys. Não sabia que apenas uma flecha iria se dividir em várias e congelar os Lyvrenys assim que os atingissem. Além disso, Casstyel era da legião de Keryuss, então seus poderes eram de controlar a luz e não o gelo.

-- Eu...não faço ideia. – respondeu

-- Como assim não faz ideia? – perguntou Loon colocando as mãos na cintura e fazendo bico

-- Eu não sei! – o Sayryn de olhos verdes respondeu irritado

-- Todos os Sayryns da legião de Sllayer, a legião do gelo, foram mortos pelas Irmãs. Além disso, você é um Sayryn da legião de Keryuss...como pode ter poder de gelo? O que está escondendo de nós, Casstyel? – perguntou Angela de modo sério e com um leve tom de desconfiança

            Casstyel ficou a olhando em silêncio e depois virou o rosto.

-- Temos que ir. – foi apenas o que Casstyel disse, antes de bater suas asas e sair na frente

-- Ei, espera a gente! – disse Samantha indo mais atrás

XXXXX

            Longe dali, Lowki e mais alguns Lyvrenys estavam em pé em cima de um prédio observando a avenida e as ruas logo abaixo. Suas enormes asas abertas balançavam com o vento gélido da noite junto com seus cabelos. Seus olhos felinos vermelhos demonstravam um olhar perigoso e afiado, tão afiado quanto a lâmina de suas foices.

-- Tem certeza disso, mestre? – perguntou Maxxi agachado na beirada do prédio com a imagem dos carros passando na avenida refletida em seus olhos

-- Temos que chamar a atenção dos Sayryns. Além disso, temos que agradar as Irmãs. – respondeu Lowki com os braços cruzados

            Ivan, Nyra e Huey estavam um pouco separados do grupo.

-- Estava com saudades de ouvir gritos humanos... – disse Nyra lambendo os lábios em excitação

-- Já posso ir cortar eles? – perguntou Huey de quatro abanando a calda e com a língua para fora bastante empolgado

-- Ainda não. – respondeu Ivan

            Um Lyvreny encapuzado veio voando e pousou ao lado de Ivan. Era Dyllan. O capuz escondia seu rosto, mas era possível ver que estava com uma expressão séria e preocupada.

-- E então? – perguntou Ivan sem desviar os olhos da cidade abaixo

            Dyllan manteve-se em silêncio.

-- Ei novato, você matou a Sayryn? – perguntou Lowki com um sorriso preguiçoso nos lábios

            Dyllan engoliu em seco e tentou responder.

-- Eu...

            Dyllan teve suas palavras interrompidas por Dlav que chegou mais atrás e pousou junto a eles.

-- A Sayryn foi morta. Problema resolvido. – afirmou Dlav cheio de confiança em suas palavras

            Dyllan ficou o olhando com os olhos trêmulos. Dlav estava mesmo falando a verdade? Ele havia matado Minxie?

-- Ah...isso é música para os meus ouvidos. Menos um para nos preocupar. – disse Lowki admirando seu próprio reflexo na lâmina da sua foice

-- E então, Lowki? Dá pra ser ou tá difícil? – perguntou Ivan preparando sua foice para o ataque

-- Espera...acho que tem algo no meu dente... – resmungou o líder dos Lyvrenys fazendo caretas para observar seus dentes pontudos na lâmina da foice a usando como um espelho

            Ivan virou os olhos e bufou.

-- Eu quero matar! Quero matar! – surtou Huey louco para pular do prédio

-- Lowki! – chamou Ivan já impaciente

-- O que vamos fazer? – questionou Dyllan confuso

-- Vamos lhe dar uma pequena demonstração do nosso trabalho. – respondeu Nyra

            Lowki ergueu seus braços para o alto e as tiras negras de pano enroladas nos mesmos se transformaram em correntes negras e foram em alta velocidade em direção à avenida. Estava tudo tranquilo na cidade. As lojas abertas, pessoas caminhando de um lado para o outro passeando, carros, motos, ônibus e caminhões vagando pela avenida, guarda de trânsito na pista, semáforos funcionando normalmente, pessoas jantando em restaurantes, crianças brincando em lojas de jogo, tudo na mais perfeita paz. Quando de repente, um cachorro que caminhava pela calçada parou de caminhar e começou a mostrar os dentes, rosnar e a latir para cima. Isso começou a chamar a atenção das pessoas. Por que aquele cachorro estava tão alterado e para onde estava latindo? As pessoas olhavam para cima e não viam nada. Uma garotinha que estava passeando com sua mãe que também observava o cachorro, olhou para cima e avistou os Lyvrenys no topo do prédio.

-- Olha, mamãe! Anjos! – disse a garotinha apontando para cima

-- Anjos? – perguntou a mãe da garota sem entender

            Assim que a mãe da menina olhou para cima, uma corrente veio do nada e atravessou a boca da mulher, saindo do outro lado da cabeça. A mulher morreu na hora e a menina gritou desesperada. As pessoas ficaram chocadas e apavoradas com o que aconteceu, até que outras correntes chegaram e perfuraram o corpo das pessoas, fazendo sangue jorrar por toda parte. O clima de paz e tranquilidade chegou ao fim quando as pessoas começaram a sair correndo gritando, chorando, em completo pânico. O que estava acontecendo? Ninguém sabia. Todos só queriam fugir daquelas correntes. Aqueles que não corriam o suficiente tinham seus corpos perfurados, não só por uma, mas por várias correntes que atravessavam seus corpos em lugares aleatórios. Outros tinham correntes enroladas pela cintura e eram erguidos no ar pelas mesmas, sendo lançados contra carros, chão e parede em uma força tão absurda que ninguém conseguia resistir e morria na hora. O número de cadáveres apenas aumentava e não importava para onde as pessoas corressem, as correntes sempre as alcançavam. Nem a garotinha que viu sua mãe morrer bem na sua frente conseguiu escapar. Ela teve várias correntes enroladas pelo corpo, que a esticaram o suficiente para arrancarem seus membros. Nem o cachorro do início foi poupado. As correntes gigantescas quebraram os vidros das janelas dos restaurantes, prédios, casas, invadindo os estabelecimentos e matando todos. As mesmas correntes também atravessavam os vidros dos carros, matando os motoristas e causando terríveis acidentes. Em cima do prédio, os Lyvrenys assistiam maravilhados com todo aquele massacre.

-- Por que estão correndo? Ninguém quer brincar comigo? – perguntou Lowki sentado na beirada do prédio com os braços esticados para frente controlando as correntes

            Dyllan estava aterrorizado com o que via. Ele não podia permitir aquilo. Ele não queria. Queria fazer alguma coisa, queria impedi-los, mas ao mesmo tempo tinha medo. Seu corpo tremia e um aperto no peito o agoniava. A cada grito humano que ouvia, mais seus olhos ardiam. Até que ele sentiu um líquido sair de seus olhos e escorrer pela sua face cinzenta. Tocando timidamente na bochecha esquerda, Dyllan olhou para o líquido em seu dedo e viu que era sangue. Ele estava chorando sangue. Sayryns não tinham a capacidade de chorar, mas Lyvrenys sim – e suas lágrimas eram sangue. Paralisado sem conseguir tirar os olhos daquele líquido vermelho em seu dedo, Dyllan voltou a si quando uma língua lambeu sua bochecha. Era Huey.

-- Ei! – disse Dyllan se saindo e limpando as lágrimas

-- Desculpa. Só queria limpar as lágrimas. – disse Huey sentado igual um cachorro e coçando a orelha com o pé

            Nyra sorriu.

-- Lágrimas? Que tolinho. – disse a Lyvreny de cabelos vermelhos

-- Deixa ele. É melhor ir se acostumando, novato. Porque é isso que você vai fazer de agora em diante. – disse Ivan enquanto o vento da noite soprava contra seus cabelos escuros

-- O quê? – perguntou Dyllan com a voz falha. Não conseguia acreditar

-- Você é um de nós agora, lembra? – perguntou Ivan

            Dyllan não respondeu e apenas abaixou a cabeça para observar as pessoas sendo torturadas e massacradas pelas correntes de Lowki. O ex Sayryn olhou para Lowki, e sempre ao olhar para ele, seu coração acelerava e seu sangue gelava. Por que o líder dos Lyvrenys era tão parecido com o líder dos Sayryns? Eles nem eram somente parecidos. Eram exatamente iguais.

-- Ei, vamos nos divertir mais de perto. – disse o líder dos Lyvrenys se jogando do prédio sem nenhum receito

-- Matar! – gritou Huey também se jogando sem pensar duas vezes

            Todos os Lyvrenys se jogaram, menos Dyllan, que antes de ir com eles, segurou na asa direita de Dlav o impedindo de ir. Dlav se virou sem entender porque Dyllan o impediu.

-- Dlav...eu preciso saber. A Minxie...

            Ao ouvir o nome de Minxie, Dlav se zangou e bateu na mão de Dyllan para que o mesmo soltasse sua asa. Dlav não disse nada e apenas se jogou do prédio. Com suas enormes asas negras abertas, o ex Sayryn observava a paisagem ao longe, já que o prédio era bem alto e fornecia uma bela vista de toda a cidade. As nuvens estavam pesadas, mas não impediam o brilho da enorme lua cheia. Com a foice nos ombros, Dlav olhou para o céu. Seus olhos felinos vermelhos lacrimejavam. Lembrou dos Sayryns – todos sorrindo, se divertindo no palácio, Simon e Loon aprontando e Lorien lhes dando bronca, Lavidh espancando Casstyel, Lídius sentado em seu trono com uma sophia em mãos sentindo seu aroma, Samantha se pendurando no lustre, Angela um pouco afastada com a cara emburrada como se não quisesse se contaminar com a idiotice dos outros, Yel e Willow gargalhando com as maluquices de Simon e Loon e ele mesmo conversando com Minxie, sua melhor amiga, ou ex melhor amiga no caso. – Dyllan sabia que esses momentos felizes jamais voltariam e que ele jamais poderia voltar para o palácio. Se sentia imundo, se sentia culpado, se sentia terrível com aquele sentimento de traição. Não importava se seu coração ainda era bondoso, agora ele era um Lyvreny e não havia nada que ele pudesse fazer para reverter aquela situação.

-- Sllayer, Mynddz, Keryuss...por favor...espero que um dia possam me perdoar. – sussurrou Dyllan antes de se jogar do prédio

            Todos os Lyvrenys caíam em alta velocidade no ar em direção ao solo, menos Huey que corria de quatro pelas paredes do prédio, quebrando todos os vidros das janelas dos andares por onde passava com suas garras. As pessoas avistaram as criaturas de asas negras se aproximando.

-- Mas o que é aquilo?! O que são aquelas coisas?! – perguntavam as pessoas desesperadas

            Todas ficaram imóveis. Apesar de estarem sendo atacadas, a curiosidade humana permitiu que os que ainda estavam vivos parassem para ver os Lyvrenys se aproximando. Assim que se aproximaram do solo, todos abriram suas enormes asas e as bateram para permanecerem no ar.

-- Ué, por que pararam de correr? Continuem gritando! Tava tão divertido! – exclamou Lowki com um largo sorriso assustadoramente medonho no rosto

-- São demônios! – gritaram as pessoas voltando a correr

-- Demônios?! Ah não, agora vocês nos ofenderam! – disse Lowki voltando a lançar suas correntes contra as pessoas

            Os outros Lyvrenys pegaram suas foices e começaram a atacar as pessoas. Como os seres humanos eram criaturas pequenas e fracas perante os Lyvrenys, apenas um golpe de suas gigantescas foices matava uma pessoa na hora. Para onde Dyllan olhava, ele via pessoas inocentes sendo assassinadas, tendo o corpo furado pelas correntes, tendo os membros arrancados, sendo decapitadas e o corpo partido ao meio pelas foices. Cabeças rolavam, literalmente, e todo o bairro foi inundado por um rio de sangue. Huey lançava sua enorme língua de serpente e a enrolava pelo corpo das pessoas, as trazendo para perto e arrancando um pedaço do crânio a mordida, além de arranhar as pessoas com suas garras e as estrangularem com sua calda. Com a foice em mãos, Dyllan não conseguia matar ninguém. Podia sentir o desespero das pessoas que corriam para tentar fugir e sobreviver. Ele queria salva-las, mas não sabia o que fazer e aquele medo estava o consumindo. O ex Sayryn podia avistar Lowki, Ivan, Dlav, Nyra, Huey, Maxxi, Wendy, Yara, Suenne, Juny, July e mais vários Lyvrenys matando sem piedade.

            Dyllan saiu correndo entre o tumulto, quando avistou um garotinho agachado atrás de um poste chorando desesperado e morrendo de medo. Dyllan foi até ele, o garotinho tentou fugir, mas o ex Sayryn agarrou seu braço.

-- Não precisa ter medo. Venha, vou te levar para um lugar seguro. – disse o Lyvreny de modo calmo para não assustar a criança

            Antes que o garoto pudesse dizer qualquer coisa, as orelhas de Dyllan vibraram e ele rapidamente se esquivou de uma foice que veio girando em alta velocidade em sua direção. No entanto, por ele ter se esquivado, o garotinho foi atingido e foi partido ao meio verticalmente. Dyllan arregalou os olhos e seu corpo petrificou. Não acreditou que aquilo pudesse ter acontecido. Ele se virou e viu Ivan o olhando com um olhar cheio de raiva. Ivan ergueu a mão e recebeu a foice que veio girando de volta para ele.

-- O que pensa que está fazendo, novato? – perguntou Ivan com um tom raivoso na voz

            Dyllan fechou os olhos com força. Ele só queria que aquilo acabasse logo. Não sabia por mais quanto tempo iria suportar. Queria ir embora, voltar para o palácio dos Sayryns, mas sabia que era impossível. Dyllan foi tirado de seus pensamentos quando foi puxado pela gola da camisa de modo agressivo por Ivan.

-- Elas estão nos observando nesse exato momento! Precisamos agradá-las! Nossas vidas depende disso! Quer ser livre? Nos ajude! – esbravejou Ivan

            Dyllan ficou olhando nos olhos do Lyvreny veterano à sua frente. Apesar do olhar cheio de ódio e maldade, Dyllan estranhou algo. Quando Ivan disse “nos ajude”, ele não se referia a ajudar os Lyvrenys a matar os humanos. Que tipo de ajuda Ivan estava se referindo?

-- Tsc, você é um inútil! – resmungou Ivan jogando Dyllan contra o poste e saindo voando entre as pessoas matando todas com sua foice

            Dyllan se virou e olhou para o corpo da criança morta ao seu lado. Sons de sirenes foram ouvidos e vários carros de polícia chegaram em alta velocidade junto com carros de imprensa e mídia de televisão. Os policiais desceram da viatura e começaram a atirar sem piedade contra as criaturas de asas negras que estavam espalhando o terror. Lowki estava de costas usando suas correntes contra as pessoas, quando foi atingido por vários tiros nas costas. O líder dos Lyvrenys fez uma careta e se virou para os policiais.

-- Vocês atiraram em mim? É sério que vocês atiraram em mim?! – perguntou Lowki dando uma louca gargalhada e partindo para cima dos policiais

            O líder dos Lyvrenys tocou no chão com as mãos e várias correntes enormes saíram de baixo do solo e agarraram os policiais, além das viaturas também. Um pouco longe dali, haviam câmeras e repórteres tentando registrar o acontecimento para os jornais.

-- Estou aqui ao vivo no centro de Londres onde a população inglesa está sendo atacada por estranhas e enormes criaturas negras com asas. Centenas de pessoas já foram mortas e é uma morte mais horrenda que outra. Acredita-se que sejam “Lyvrenys”, criaturas que tentaram destruir a humanidade há mil anos atrás! Agora temos confirmações de que o massacre que matou trinta policiais na floresta foi uma ação de Lyvrenys... – disse uma repórter com a voz trêmula morrendo de medo, quando foi interrompida por uma foice que veio girando e partiu seu corpo ao meio a matando na hora

            Sangue jorrou para cima da lente da câmera enquanto que o cameraman gritava apavorado, tendo seu grito cessado por Huey que chegou por trás dele e arranhou suas costas com suas enormes garras, esmagando seu crânio com os dentes em seguida. A câmera caiu no chão e logo a transmissão saiu do ar quando Huey pisou em cima do objeto o esmagando.

            Longe dali, os jornalistas pareciam aterrorizados com o que aconteceu. Nem sabiam o que dizer quando a transmissão saiu do ar e a câmera voltou para eles.

-- B-bom...por favor, moradores de Londres, tranquem bem suas casas. E caso você esteja na rua, procure um lugar muito, mas muito seguro mesmo. – disse um dos jornalistas

            Miro estava em pé na sala de casa assistindo ao noticiário e estava paralisado com o que tinha acabado de ver. As imagens da TV estavam refletidas em seus olhos.

-- L-Lyvrenys... – resmungou Miro com a voz trêmula

            Os Lyvrenys pareciam se divertir bastante enquanto matavam os policiais que não tinham obtinham nenhum sucesso ao atirar nas criaturas com suas armas.

-- Vocês acham mesmo que irão nos matar com essas arminhas fracas feitas para matar humanos?! Vocês nos subestimam! E eu não gosto de ser subestimado! – gritou Lowki voando pelo ar e cortando o mesmo com o braço, fazendo suas correntes jogarem os policiais e as viaturas pelos ares

            Suene estava limpando o sangue da lâmina de sua foice, quando suas orelhas vibraram. Não só as dela, mas de todos os Lyvrenys.

-- Parece que alguém veio se juntar à festa... – cantarolou Ivan formando um sorrisinho maroto nos lábios

            Ivan se virou e agarrou uma flecha de luz que foi lançada contra ele. A ponta da flecha estava bem próxima à sua pupila. Ivan sorriu e quebrou a flecha ao meio. Os outros Lyvrenys também se viraram ignorando os poucos policiais que ainda restavam vivos para darem atenção às criaturas de asas brancas que se aproximavam, os Sayryns.

-- Malditos...olha a destruição que causaram! – disse Angela furiosa

-- Devíamos ter chegado mais cedo! – reclamou Samantha

-- Ih, cara. Tem Lyvrenys demais ali. Eu não to muito a fim de encarar essa não. Vou ali me esconder e quando vocês matarem todos, vocês me avisam, tá? – disse Loon sorrindo

            Loon quis ir embora, mas Simon o puxou pela orelha o impedindo.

-- Nada disso! Você fica! – ordenou o irmão

-- Mas olha o tamanho daquelas foices! A gente vai virar sushi lá!

-- E o que é sushi?

-- Eu não faço ideia!

-- Dá pra vocês calarem essa boca?! – Casstyel disse irritado

            Simon e Loon taparam a boca um do outro. Os Sayryns pousaram causando uma pequena cratera no local por causa da potência do impacto.

-- Vejam, é o Casstyel. Ele resolveu aparecer. Este Sayryn, meus amigos, é o único que sabe onde os deuses-lobos esconderam seus corações. E é por isso que devemos ser muito gentis com ele para que ele possa nos dizer onde esses corações estão. – disse Ivan apontando sua foice para Casstyel

            Casstyel observava Ivan com raiva.

-- E quanto aos outros? – perguntou Yara de braços cruzados com uma perna apoiada em cima de uma pequena pilha de cadáveres

-- Bom, esses vocês podem matar. – respondeu Ivan

            Os Sayryns preparam suas armas para o contra-ataque.

-- Eu não sei vocês, mas eu não to a fim de morrer não. – disse Loon batendo suas asas tentando voar e fugir dali, mas foi impedido por Samantha que agarrou seu pé no ar e o puxou de volta para o chão.

Dyllan, que estava escondido, arregalou os olhos ao ver seus ex companheiros e acabou deixando um sorrisinho escapar com a palhaçada de Loon. Escondeu o rosto com o capuz e estava com bastante medo de ser visto. Como eles iriam reagir ao descobrir que ele estava vivo? Que agora era um Lyvreny? E que Minxie poderia estar morta? Por isso mesmo que ele continuou escondido sem querer se unir aos outros.

-- Onde estão os corações, Casstyel? Se nos disser, poderá poupar a vida de seus amigos. – disse Ivan

-- Cadê?! Cadê?! – perguntou Huey eufórico

-- E você acha mesmo que eu vou responder só por que pediu com carinho? Tem que me fazer cafuné primeiro. – debochou o Sayryn de olhos verdes

            Simon caiu na gargalhada enquanto que os outros Sayryns fecharam a cara e bateram com a mão na testa.

-- Fazer cafuné!!!! Muito bom!!!! Toca aqui! – exclamou Simon

            Ao invés de bater na mão do menor, Casstyel lhe deu um soco o jogando longe contra um prédio.

-- Que pirralho irritante. – disse Dlav

-- Hmf, eu que o diga. – concordou Casstyel

-- E então? Como vai ser? Vai ser do modo fácil? Ou do modo difícil? – perguntou Ivan

            Casstyel resolveu responder atirando uma flecha contra o Lyvreny de cabelos roxos. Antes que a flecha atingisse Ivan, Nyra a partiu no meio com sua foice, evitando que Ivan fosse atingido. Ivan não demonstrou nenhuma reação. Continuou tranquilo, como se nada tivesse acontecido.

-- Já vi que vai ser do modo difícil... – disse o Lyvreny em um leve sussurro

            Sem nenhum aviso, os Lyvrenys partiram para cima dos Sayryns, que se esquivaram e se defenderam com suas armas. Casstyel e Ivan lutavam ferozmente; Ivan era rápido e atacava sem parar, enquanto que Casstyel só conseguia se defender com sua espada de luz. Ivan avançava para cima do Sayryn de olhos verdes o atacando com sua foice sem piedade, enquanto que Casstyel recuava para trás se protegendo dos ataques. Ivan ergueu as mãos com sua foice para dar um ataque fatal e Casstyel resolveu agarrar o rosto do Lyvreny com a mão direita. Tentou usar o mesmo poder de luz que havia usado anteriormente, mas não conseguiu. Ivan deu uma risadinha.

-- Você é fraco demais! – disse Ivan dando um chute violento no peito de Casstyel o jogando longe contra um prédio

            Samantha lutava sozinha contra Maxxi e Suene. Se esquivava e se defendia do ataque da foice de ambos com seus machados. Maxxi tentou dar uma rasteira na Sayryn com sua foice, mas Samantha conseguiu se esquivar e pisou na lâmina da arma do Lyvreny dando um salto mortal para trás de Suene e arrancando sua asa esquerda com um dos machados. Suene gritou desesperadamente de dor enquanto que sangue jorrava do corte profundo em suas costas. Suene caiu, mas Maxxi a segurou em seus braços e a deitou cuidadosamente no chão.

-- Maldita! – esbravejou Maxxi partindo para cima de Samantha

            Angela lutava contra Nyra voando no ar. Os ataques de Nyra era tão rápidos que era quase impossível de ver a foice se movimentando. Angela apenas se defendia com suas adagas e assim que percebeu que a velocidade dos ataques de Nyra diminuíram por seus braços estarem cansando, a Sayryn aproveitou para dar um mortal e dar um chute no queixo de Nyra, a jogando fortemente contra o capô de uma viatura policial destruída. A queda foi tão forte que amassou o capô e os pneus dianteiros do carro afundaram no chão. Ivan foi até Nyra e puxou seu braço a ajudando a se levantar.

-- Você está bem?

            Nyra assentiu.

-- Acaba com ela. – disse Ivan voando no ar para se defender das flechas de Casstyel, que estava dentro de uma sala do prédio no qual foi lançado anteriormente atirando sem parar com suas flechas na direção do Lyvreny

            Nyra bateu suas asas e voou novamente na direção de Angela colidindo a lâmina de sua foice com as lâminas das adagas da Sayryn. Simon e Loon lutavam contra as gêmeas Juny e July. Juny subiu em cima da lâmina da foice da irmã July e esta mesma a lançou contra os irmãos Sayryns. Assim que Juny chegou bem próximo de Simon, ele girou e revelou Loon que estava atrás dele e atacou com sua espada, causando um corte não muito profundo na garganta de Juny. Com esse ataque, Juny caiu no chão e July partiu para cima dos irmãos furiosa. Ambos se defenderam com suas espadas e iniciaram uma guerra de lâminas.

            Dyllan estava escondido assistindo tudo. Ele queria ajudar seus ex companheiros, já que estavam em menor número, mas não sabia se aquilo era o certo a se fazer. Seu coração doía e a vontade de chorar era imensa.

            Angela e Nyra ainda lutavam voando pelo ar. Nyra deu um chute na mão de Angela a fazendo jogar uma das adagas longe. Desprotegida, Nyra atacou com sua foice. Angela tentou se defender mas acabou tendo o braço cortado e por pouco não foi decepado. Dando uma cotovelada na cara da Sayryn, Nyra a atordoou, dando um chute em seu crânio e a jogando contra um poste, fazendo o mesmo quebrar ao meio com a potência do impacto. Nyra deu uma risadinha jogando seus longos cabelos ruivos para trás. Maxxi chutou um carro o jogando com toda força contra Samantha, que conseguiu se defender partindo o veículo ao meio com seus machados. O Lyvreny correu na direção da Sayryn mas a mesma lhe deu uma rasteira, agarrou seu tornozelo e o jogou contra os vidros da janela de um restaurante, atravessando a mesma e caindo dentro do estabelecimento. Samantha sorriu, no entanto, teve suas costas arranhadas pelas garras de Huey. Gritando de dor, a Sayryn caiu no chão e assim que o Lyvreny de calda foi mordendo sua cabeça para esmagar o crânio, foi surpreendido por uma corda de luz que se enrolou em seu pescoço e o puxou para trás. A corda era do chicote de Casstyel, que puxou Huey para perto e chutou sua cabeça o jogando contra um caminhão destruído. Casstyel rapidamente transformou seu chicote em uma espada para se defender do ataque de Ivan.

            Lowki assistia tudo sentado em cima do telhado de uma casa com suas enormes asas negras abertas e sorrindo.

-- Que linda vista... – resmungou o líder dos Lyvrenys assistindo à luta do seus Lyvrenys contra os Sayryns

            Olhando um pouco mais para o lado, Lowki avistou Dyllan escondido e resolveu ir até ele. Dyllan estava distraído assistindo à briga, quando levou um susto com Lowki pousando bem em cima dele.

-- O que está fazendo aqui? – perguntou Lowki com um tom raivoso mas ao mesmo tempo com um sorriso no rosto

-- Eu...eu não quero lutar contra eles...eu não posso. – disse Dyllan com a voz trêmula

-- Não pode? – perguntou fazendo bico

-- Eles são meus companheiros...

-- Ex companheiros, você quis dizer.

-- Eu não aguento mais isso. Por favo, me deixa ir! – disse Dyllan com lágrimas de sangue formando em seus brilhantes olhos felinos vermelhos

            Lowki ficou o olhando por alguns segundos e soltou um suspiro.

-- Acho que estamos te pressionando demais. Tudo bem. Pode ficar tranquilo. Vai acabar logo. – disse o líder dos Lyvrenys de modo bem calmo acariciando o rosto do Dyllan, que estranhou aquela atitude

            Casstyel lançou sua flecha contra um Lyvreny que voava na direção de Simon para ataca-lo por trás. A flecha atravessou seu coração por trás, o matando na hora e salvando Simon. No entanto, o Sayryn de olhos verdes foi atingido por um carro que foi lançado contra ele com toda força. O Sayryn foi jogado contra um prédio e teve seu abdômen esmagado pelo carro, ficando preso entre a parede do prédio e o veículo. O carro foi lançado por Dlav, que pousou em cima do capô e aproximou a lâmina da foice à pele cinzenta da garganta de Casstyel.

-- C-cadê...cadê a Minxie? – perguntou Casstyel bastante fraco cuspindo sangue enquanto que não parava de sangrar pelo ferimento no abdômen

-- Você está se referindo à Sayryn idiota que invadiu nosso refúgio? Bom, ela está em vários lugares. A cabeça está num lugar da floresta, os braços em outro, as pernas em outro...depende de onde você quiser procurar primeiro. – disse Dlav com a voz assustadoramente rouca e sussurrante abrindo um largo sorriso medonho nos lábios

            Casstyel ficou furioso ao ouvir aquilo. Mesmo bastante ferido, ele projetou uma lança de luz em sua mão que estava livre e tentou perfurar o corpo do Lyvreny com ela. Por impulso, Dlav se defendeu com a mão, mas teve a mesma perfurada pela lança, que a atravessou e ainda chegou a encostar a ponta no peito esquerdo do Lyvreny. Dlav gemeu alto de dor e isso fez com que ele cortasse a garganta de Casstyel com sua foice, mas acidentalmente.

-- Lyvrenys! Bater em retirada! Vamos! – exclamou Lowki sobrevoando o local

-- Como é que é? – perguntou Ivan

-- Já chega. Temos que ir.

-- Mas e o Casstyel? Vamos leva-lo!

-- Vamos embora, Ivan! – esbravejou o líder dos Lyvrenys

-- Tsc... – resmungou Ivan irritado

            Os Lyvrenys bateram suas asas e foram embora voando para bem alto. Dlav retirou a lança fincada em sua mão puxando a mesma para trás, que sangrava bastante pelo buraco causado com o golpe.

-- Maldito... – resmungou Dlav batendo suas asas e indo embora junto com os Lyvrenys

              Enquanto iam embora voando pelo ar, Lowki se virou para observar os cadáveres abaixo de si.

-- Sinto...sinto muito. - sussurrou o líder dos Lyvrenys

            Sem conseguir mais resistir, Casstyel afrouxou os braços soltando a lança no chão e desmaiando enquanto que sua garganta e seu abdômen sangravam sem parar. Loon chegou carregando Samantha no colo pois a mesma estava muito ferida e fraca e Simon chegou abraçado de lado com Angela a apoiando e a ajudando a caminhar, já que a mesma também estava bastante machucada.

-- Casstyel... – disse Angela preocupada

            A Sayryn desfez o abraço com Simon e se aproximou do veículo que esmagava Casstyel contra a parede. Com apenas uma mão, Simon empurrou o veículo para longe, libertando Casstyel que caiu no chão ainda inconsciente. Eles examinaram o ferimento no abdômen e no pescoço e suspiraram aliviados ao perceberem que não havia sido fatal. A ferida no abdômen era bem grave, quase partia o corpo do Sayryn ao meio, mas era tratável e o corte na garganta era superficial.

-- Ele vai ficar bem. – disse Angela sentando no chão após sentir suas pernas fraquejaram e seu corpo pesar mais que o normal

            Com os olhos baixos, a Sayryn de olhos brancos lembrou que Lavidh havia dito que não queria vê-la ferida. Mas infelizmente ela falhou em obedecer aquela ordem. Olhando ao seu redor, os Sayryns pareciam perplexos com a destruição. As chamas das explosões causadas pelos veículos destruídos se espalhavam causando incêndio em várias casas e estabelecimentos, pilhas e mais pilhas de cadáveres dominavam a pista de asfalto que agora era um mar de sangue. As criaturas de asas brancas, pele cinzenta e cabelos prateados demonstravam um olhar de decepção e frustração em seus olhos felinos. Não acreditavam que não haviam conseguido evitar aquela tragédia.

-- Valeu a pena? – perguntou Simon quebrando o silêncio, recebendo o olhar melancólico dos outros

-- Não acho que essa seja uma pergunta decente pra se fazer... – resmungou Samantha bem fraca

            Eles ouviram bater de asas e mesmo bastante feridos, se prepararam para atacar. Mas franziram a testa ao verem asas brancas. A criatura voava de modo desajeitado e pousou de modo brusco sobre o capô de uma caminhonete destruída. Se bem que aquilo não parecia ter sido um pouco, e sim uma queda. Se aproximando do local, todos arregalaram os olhos em uma mistura de choque e surpresa. Era Minxie. Ela estava viva.

XXXXX

            De volta à catedral, os Lyvrenys tratavam de seus ferimentos. Suene estava deitada de bruços sobre um banco enquanto que Maxxi cuidava da ferida causada em suas costas após ter a asa arrancada. July cuidava do ferimento na garganta da irmã Juny e Nyra enrolava uma atadura na mão de Dlav onde continha um enorme buraco causado pela lança de Casstyel. Na forma humana, Dyllan apenas os observava sentado em um dos bancos com os ombros encolhidos. Estava assustado e com um mal-estar. Ivan caminhou dando passos pesados até o líder dos Lyvrenys que se encontrava em pé ao lado do seu trono com os braços cruzados.

-- Pode ir começando a se explicar! Ele estava lá! O Casstyel estava lá! Poderíamos tê-lo capturado! Por que nos mandou recuar? – perguntou Ivan parecendo furioso

-- Elas desviaram o olhar de nós. – respondeu o líder

-- “Elas”? – pensou Dyllan sabendo que estavam se referindo às Irmãs do Destino

            Ivan suspirou.

-- Você pirou de vez? O que está tramando?

-- Casstyel jamais irá dizer onde os corações estão. Precisamos de um plano. Não podemos simplesmente captura-lo. Esse primeiro ataque foi apenas uma provocação. Apenas para mostrar ao novato o que fazemos de melhor.

-- Você é um idiota. É por isso que eu não te sigo. – resmungou Ivan se afastando do líder e se dirigindo até seu grupo para ajudar Nyra com os curativos na mão de Dlav e no pescoço de Huey

            Lowki sorriu.

-- Bom, já que estamos aqui, quero que me responda a uma simples pergunta...Dlav. – disse o líder com um sorriso preguiçoso nos lábios

            Dlav virou o rosto para olhar o líder.

-- Por que não matou a Sayryn? – Lowki já foi direto ao ponto

            Dlav arregalou os olhos. Lowki sabia que Minxie não havia sido morta.


Notas Finais


Minxie invadiu o esconderijo dos Lyvrenys e foi atacada pelo líder deles, descobrindo que o mesmo é idêntico ao Lídius. Além disso, a Sayryn também descobre que Dyllan está vivo e que agora é um Lyvreny. Dlav poupa a vida de Minxie e os Lyvrenys destroem o centro de Londres, enfrentando os Sayryns em seguida. Miro tem um sonho estranho onde Casstyel tenta matá-lo. Após a batalha no centro da cidade, os Sayryns descobrem que Minxie está viva. O que acontecerá a seguir? Fiquem ligados no próximo capítulo de Sayryns!

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