História School XOXO - Capítulo 35


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Abo, Aikimsoo, Chanbaek, Chanbaekabo, Colegial, Hanhun, Hanhunabo, Hunhan, Kadi, Kaido, Kaisoo, Kaisooabo, Kristao, Kristaoabo, Sulay, Sulayabo, Taoris, Xiuchen, Xiuchenabo, Yaoi
Visualizações 1.853
Palavras 3.922
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Aquele momento que eu surjo e recebo pedradas pela minha demora. ME DESCULPEM! OBRIGADA PELOS +1K DE FAVORITOS, EU REALMENTE FIQUEI MUITO FELIZ!
Sobre minha demora: Como já falei, fiz jornal e menciono quase o tempo todo, eu torci o pé. (Ah, mas vc escreve com a mão), de fato escrevo com a mão, mas usar muletas acabou com o meu pulso e eu tive mais tendinite. Só que o meu afastamento agora, não é necessariamente por culpa de tendinite nem nada, eu só precisava de um tempo. Eu andei muito cansada por culpa do estágio e meu pé voltou a doer com bastante força. Minha fisioterapia acabou ontem, porém, eles me deram mais 10 sessões. Meu pé não melhorou, então ao todo, eu vou fazer 20 sessões. Isso só acontece em casos graves, eu estou realmente assustada.
Faz praticamente 3 meses que eu não apareço na facul e isso vai me atrasar tanto. Eu não estava com cabeça pra conseguir postar e eu gosto de postar depois de responder todos os comentários, então não queria responder os comentários se eu não estivesse com a cabeça 100% voltada pra eles. Peço realmente que me desculpem, mas meu psicológico não anda muito legal.
Quero agradecer pelos 1k de favoritos e por cada um de vocês que comenta, bota na biblioteca, lê ou favorita. Por quê? Porque vocês não me conhecem pessoalmente e logo estão sendo sinceros quando me elogiam, eu realmente levo muito a sério o elogio e as críticas de vocês, então eu quero que saibam o quando eu realmente sou grata.
Agora chega de enrolação e vamos pra mais um cap? Será que vocês saem vivos dele?
Boa leitura.

Capítulo 35 - Quantos porcentos?


School XOXO

 

 

-Kim Jongin On-

 

Eu estava nervoso, muito nervoso mesmo. Kyungsoo estava entrando no cio? Ele ia ser classificado? Logo ali, naquele momento complicado? Algum ser divino deveria estar brincando com nossa sanidade.

Por não estarmos na minha casa, não existiam quartos. Estávamos no local onde meu pai costumava trabalhar, afinal, ele tinha criado aquele local justamente para resolver os problemas e evitar sempre levá-los para casa. Era a mesma coisa na capital, onde morávamos antes de tudo.

Ouvi o Soo resmungar que eu o estava puxando com muita força e pedi desculpas, afrouxando o aperto. Eu estava nervoso demais e nem mesmo tinha percebido que podia machucá-lo, então me senti mal com isso. Avistei o escritório do meu pai e abri a porta rapidamente, puxando o Soo para dentro e trancando-nos naquele lugar.

-Soo, desculpa. Eu não queria te machucar. - pedi sincero e o vi ofegante, mas eu não sabia se era pela corrida que fizemos ou outra coisa. - Soo, posso me aproximar?

-Claro. - ele respondeu, ainda tentando recuperar o ar.

Inspirei com força e senti um cheirinho gostoso que eu já sentia a algum tempo. Ainda estava muito fraco e por estarmos no local de trabalho do meu pai, se mesclava com o cheiro forte dele, o que me dificultava nomear o aroma. Me aproximei do Soo e coloquei a mão em sua testa, constatando sua temperatura normal.

-Soo, você está sentindo dor em algum lugar? - perguntei e ele negou, me olhando com seu lindo par de olhos arregalados. - Está sentindo muita fome ultimamente?

-Um pouco, acho. - respondeu incerto.

-Você... Hã... Err... - como perguntar se ele estava sentindo vontade de se tocar, de uma forma delicada? Argh! Eu não fui preparado para esse tipo de situação não!

-Jonginnie? - chamou e eu o olhei. - Acalme-se. - pediu e acabou sorrindo um coração. - Não acho que estou entrando no cio, pelo menos, baseando no que meus pais me ensinaram, não acho que eu estou.

-Então como sentiu meu cheiro? - indaguei, soltando o ar que nem havia percebido prender.

-Acho que eu devo estar prestes a me classificar, mas não nesse exato momento. - explicou sua teoria e eu pensei um pouco. Realmente fazia sentindo, ainda mais baseado no cheiro que emanava dele.

-Tem razão. Eu preciso te contar algo também, que com toda essa confusão, acabei esquecendo. - avisei e o puxei para sentar no sofá que tinha ali. - Faz um tempinho que eu venho sentindo um cheiro seu, mas ainda não consigo distinguir se é doce ou amadeirado. Eu já tinha mencionado que o sentia, mas agora está ficando mais constante.

-Oh! Sério? - indagou e eu concordei. - Meu cio finalmente está chegando! Eu pensei que eu nunca me classificaria. – ficou animado.

-Você já foi ao médico ver o porquê desse atraso? - questionei. Nunca tinha conversado disso com ele e por mais que eu tentasse soar como se estivéssemos falando do tempo, eu me sentia envergonhado.

-Fui sim. Ele disse que isso acontece com algumas pessoas, que era pra eu ter paciência e aproveitar enquanto não era escravo do cio. - respondeu dando uma risadinha. - Ele me acompanha desde criança, então ele disse que já imaginava que eu fosse ter o cio atrasado, porque meu metabolismo sempre foi um pouco lento. Só que eu fiquei com pé atrás, porque ele dizia que eu ia crescer e até hoje continuo baixinho. - reclamou e fez um biquinho.

A princípio, achei graça de suas lamúrias e até mesmo estava preparado para implicar, porém, olhando cada vez mais para aquele Soo manhoso... Ele estava tão fofo... Eu não conseguia mais pensar em implicar. Eu apenas pensava o quanto ele estava adorável fazendo birra.

E sem que eu me desse conta, inclinei-me em sua direção e colei nossos lábios. Quando senti aquela textura macia, percebi o que eu tinha acabado de fazer e me afastei pronto para pedir desculpas. Céus, eu tinha invadido o espaço dele! Mas antes que eu pudesse me afastar muito, senti seus dedos na minha nuca e fui puxado para frente novamente.

Soo junto nossos lábios de novo, mas dessa vez não me deixou interrompê-los rapidamente. Ele sugou meu lábio inferior e em seguida movimentou a cabeça, encaixando ainda mais nossas bocas. Minha barriga borbulhava com todo aquele toque e eu me sentia trêmulo. Pleno.

Movimentei meus lábios também e fiz a pontinha da minha língua passear pelos inferiores alheios. Eu queria aprofundar aquele ósculo e Kyungsoo também, pois aceitou de primeira.

Ao aprofundarmos o ósculo, aproximamos nossos corpos também. Virei meu corpo para o dele - já que estávamos sentados lado-a-lado - e estiquei minha perna direita no sofá, o trazendo para mais perto. Soo também tinha virado o corpo e agora bagunçava meus cabelos com suas mãos. Permiti que meus dedos tocassem as bochechas dele em um carinho, para logo descer meus toques. Antes que eu percebesse, encaixei minhas mãos por baixo dos braços dele e o ergui, trazendo-o para o meu colo. Aquilo era moleza para mim, já que eu era forte e Kyungsoo leve.

Só que quando o coloquei sentado em meu colo, o senti hesitar um pouco no beijo e percebi que tinha feito merda. Se eu não pisasse na bola, não seria o Jongin né? Mais uma vez interrompi nosso beijo com a intenção de pedir desculpas, porém, novamente tive minhas ações desfeitas por culpa do Soo.

Ele estava sentado em meu colo, com a cabeça alguns centímetros acima da minha, seu peito subindo e descendo por estar ofegante, enquanto ele tinha os lábios fartos entreabertos por busca de ar. Aqueles lindos lábios em formato de coração estavam da cor vermelha e levemente inchadinhos por culpa do beijo. Soo era uma verdadeira obra de artes.

-J-Jongin? - ele chamou um pouco acanhado e eu despertei do transe que ele sempre me colocava. - Por-por que parou?

-Ah! - corei, sei que corei, assim como via que Kyungsoo estava corado. - Eu... Queria pedir desculpas por ter agido por impulso duas vezes. Desculpa, não era minha intenção agir dessa forma. - pedi e ele não demonstrou expressão alguma.

-Err... Tu-tudo bem. - ainda gaguejava e isso indicava o quanto estava envergonhado. - Nós somos noivos. - ressaltou e tentava manter um contato visual para disfarçar seu acanhamento. Eu admirava tanto isso nele, mesmo sabendo que poderia se dar mal ou que estivesse morrendo de vergonha, ele nunca recuava. Soo era valente.

-Mesmo assim, peço sinceras desculpas. Eu não queria invadir seu espaço e...

-Jongin-ah, eu também queria. - ele me interrompeu e eu congelei. - Por você se desculpar, quando poderia apenas se impor... É por isso que eu te quero como meu noivo e não os hyungs. - confessou e eu sorri.

-Você não cogitou deixar de se importar com quem fosse casar se a disputa fosse entre eu e o Suho? Sei o quanto vocês se dão bem e quando o vi como o terceiro herdeiro, temi que você não mais olhasse pra mim. - confessei e vi o Soo sorrir.

-Você é fofo. - ele comentou e fez carinho nos meus cabelos. - Eu não vou mudar minha opinião, Jongin-ah. Eu já disse que quero você. - insistiu e eu corei, mas ele não. Eu conseguia ver a determinação em seus olhos e aquilo me aquecia por dentro. - Fico chateado por saber que te passo tanta insegurança.

-Desculpa, mas é que eu sou o lado que carece e não o que é independente. - justifiquei.

-E por que você acha isso? - questionou, arqueando uma sobrancelha em modo de desafio.

-Oras, Soo, eu me confessei e fui rejeitado. - o lembrei e ele revirou os olhos. - Não me olhe assim, sabe que é verdade. Eu falei "Gosto de você" e você "Não te vejo assim", então... - fui calado por um beijo. Aquilo me pegou de surpresa e quando vi, minhas mãos estavam na cintura dele.

Kyungsoo dominou o ósculo e parecia desesperado para me fazer calar a boca. Eu podia me acostumar com isso, com certeza podia. Mas tão rápido quanto começou o beijo, ele acabou.

-Se eu não gostasse nem um pouquinho de você, não estaríamos desse jeito, bobão. - ele me repreendeu e eu arregalei os olhos.

-Você gosta de mim? Gosta? De mim? - perguntei afobado e o vi rir, enquanto saía do meu colo. - Soo! – chamei desesperado.

-Estamos tempo demais aqui, Jongin-ah. Eu não entrei no cio e nem você, então vamos embora. O clima aqui...

-Soo! Soo! - fiquei de pé e agarrei seu pulso. - Soo, você realmente gosta de mim? Quantos porcentos? - indaguei.

-Agora se mede sentimentos em porcentagem é? - ele zombou.

-É! - respondi ignorando seu sarcasmo. - Hein, Soo? Quanto? Quanto? - insisti.

-Aish! Você é insistente hein? - reclamou. - 30%. - respondeu e eu fiz biquinho. - Está fazendo essa cara por quê?

-Ainda é muito pouco! - respondi contrariado e soltei seu pulso.

-Mas pelo menos é alguma coisa. Você fez subir de zero a 30, por que não subiria de 30 a 100? Pense nisso. - ele aconselhou e abriu a porta da sala. - Agora vamos, eu realmente quero sair daqui. - chamou e eu concordei.

Uma parte de mim comemorava por ele gostar um pouco e a outra estava contrariada. Eu precisava me esforçar mais, afinal, eu que me comprometi a fazê-lo sentir a diferença de um gostar romântico para os outros.

-x-

 

-Kim Junmyeon On-

 

Eu não sabia para onde ir. Não me importei em esperar meus pais, porque eu estava desolado. Então eu era lúpus pelo meu pai ser irmão do presidente? Pela primeira vez, na vida, senti que acatar tudo o que meus pais falavam não tinha sido bom. Sempre que eu perguntava a razão de ser um lúpus e onde estava a família do meu appa - já que a da omma estava na China servindo ao presidente -, eles conversavam e falavam que não era um assunto para mim.

Claro que a curiosidade sempre me atolou, mas eu nunca me preocupei muito com isso, só que... Agora tanta coisa fazia sentido, que eu chegava a ficar desnorteado. Olhando para minha instrução desde criança, podia perceber que fui moldado para ser ponderado e governar sempre as coisa. Em grupos de trabalhos, eu sempre era o líder. Meus pais me criaram para ser um líder, mas não um qualquer, eles almejavam a presidência.

Eu queria ficar com raiva deles por me esconderem tudo, mas eu não podia somente culpá-los. Eu ignorava o que eles ocultavam, então eu também tinha culpa. Saber que permiti que minha vida tomasse toda essa proporção era irônico, uma vez que eu sempre prezei a liberdade.

Eu andei por muito tempo, tentando organizar meus pensamentos, que não fazia ideia de onde eu estava. Já deveria ter passado mais de uma hora e eu sentia fome, estava sem comer desde a hora que acordei. Procurei pelo meu celular, para ver as horas, e percebi que não estava com ele. Mais que de pressa tateei meu corpo em busca da carteira e suspirei aliviado ao encontrá-la.

Avistei uma lanchonete ao longe e decidi que seria lá onde eu comeria. Talvez quando eu estivesse com o estômago cheio, conseguisse pensar melhor. Por em ordem em quem eu tinha que ficar com raiva ou não.

Adentrei a lanchonete, sentei na mesa e fiz o pedido ao garçom que veio me atender. Procurei não pensar muito no que tinha acontecido e focar somente na minha fome. Essa era minha intenção, até o momento em que a porta da lanchonete se abriu e dela surgiu Zhang Yixing.

Eu não sabia onde me enfiar. Tentei abaixar a cabeça e fingir que era um cliente dormindo, mas a porcaria do meu pedido chegou no momento em que Yixing virou a cabeça - em busca de um lugar para sentar - e encontrou o meu olhar desesperado. Eu tinha sido descoberto e ele vinha em minha direção. Buda, por quê?

-Myeon... - Xing chamou meu nome, mas deixou sua voz morrer.

-Xing... - balbuciei, provavelmente pálido por estar nervoso, e apontei para a cadeira.

-Eu posso? - ele pareceu surpreso e eu concordei. - Sério?

-Aham... - respondi evasivo e o vi sorri. Porra, Xing! Não é para você sorrir assim!

-Myeon, você está bem? Eu fiquei preocupado com você, por culpa das suas mensagens. E agora você parece tão pálido. - ele observou e eu resolvi beber um gole da vitamina que pedi. - Está trêmulo também.

-Eu não comi nada desde que acordei. - justifiquei e o vi abrir a boca para brigar comigo. - Não, por favor... - pedi, quase que suplicante.

-Myeon, você está me assustando. O que aconteceu? - ele tinha a face tomada de preocupação. - Por que está vestido todo formal e aqui em uma lanchonete?

-Xing... Você sabia que existe um terceiro sucessor à presidência? - questionei e o vi ponderar.

-Acho que já vi isso em algum lugar. - ele murmurou.

-Sou eu. - soltei e o vi demorar a entender, mas quando compreendeu...

-O QUE? Você é parente do Kai e do Xiumin? Espera... Suho, você vai ser noivo do Kyungsoo também? Eu sei sobre a história do Kyungsoo estar sendo prometido ao presidente e... - eu parei de ouvi-lo.

Eu estava tão compenetrado em meu sentimento de traição e culpa, que tinha esquecido totalmente disso. Se Xiumin fosse abolido do cargo da presidência, eu que seria o segundo na linha de sucessão e não tinha nada de errado comigo, logo, seria quase que certo eu me tornar o presidente e... Isso acarretaria em me tornar marido do Kyungsoo...

Por Buda, eu nunca teria cogitado isso!

-Myeon? - Suho me chamou e eu o olhei. - O que...

-Desculpa, Lay. - pedi e larguei o dinheiro na mesa, enquanto me levantava para sair.

-Lay? - ele repetiu e vi a mágoa em seus olhos. Como eu iria conseguir mantê-lo distante daquela forma.

-Desculpa, Xing. - consertei a frase e me soltei do seu aperto.

Eu sabia que ele estava triste, tinha doído muito machucá-lo, mas eu precisava conversar com meus pais. Não que isso pudesse ter alguma relação com o Xing, mas eu tinha estabelecido uma. A depender da explicação que meus pais me dessem, sobre o motivo pela qual me esconderam as coisas, eu iria decidir ficar com o Xing.

Eu sabia muito bem que todas as minhas relutâncias sobre o chinês eram consequências da minha boa vivência com meus pais, onde eu não queria decepcioná-los por gostar de outro alfa. Só que eles tinham me decepcionado e abalado nossa boa vivência, então eu os daria uma chance de explicação e ao final dela, pretendia voltar para os braços de Xing.

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Cheguei em casa depois de pegar um táxi. Adentrei meu lar e percebi que meus pais não estavam na sala. Já fazia 4 horas após o ocorrido, então eu sabia que eles já tinham chegado. Eu sentia o cheiro deles e o segui, chegando até a cozinha e me deparando com os dois conversando. Forcei uma tosse e logo me notaram.

-Príncipe! - minha omma chamou e correu para me abraçar, mas eu recuei. - Príncipe? - ela repetiu, ainda confusa pela minha atitude.

-Por que esconderam as coisas de mim? - questionei. Não queria dar voltas, estava cansado.

-Eu falei que ele iria questionar. - meu appa comentou e se aproximou. - Filho, vamos pra sala. Preciso te contar umas coisas. - ele chamou e eu o segui.

-Eu só quero entender a razão por vocês terem omitido as coisas de mim. - fui sincero.

-Acontece que existe todo um passado. Lembra que você perguntava onde estavam meus pais e seus tios? - ele perguntou, sentando-se no sofá e tendo minha omma ao seu lado. Eu permaneci em pé. - Eu sempre desconversei, porque não tinha confiança pra te dizer. Eu não queria que você se decepcionasse...

-Eu iria me decepcionar com o quê? Por Buda! Nós não escolhemos a família que vamos nascer! - retruquei.

-Eu sei, mas eu sentia vergonha. Você nunca se perguntou a razão por eu acolher Tao tão bem? E dar muita atenção a ele? Ele é parente da sua mãe e eu podia muito bem ignorá-lo. - justificou.

-Mas você é uma boa pessoa, appa! Você nunca ignoraria ninguém, vocês me ensinaram isso! - protestei.

-Eu sei, eu sei, mas existe um motivo maior. Tao é bastardo. A omma dele não é sua omma e seu appa se envolveu em um adultério. No fundo, Tao não tem ligação nenhuma com nossa família. - ele explicou e eu fiquei desnorteado. Acabei por sentar, porque eu já conseguia imaginar o porquê daquele assunto ter sido levantado. - Quando o Tao disse que iria renegar aos pais, ele não sabia dessa verdade. Não sei se ele já sabe, acredito que sim, mas vê-lo... É como se eu estivesse me vendo no passado. Eu sou fruto de um adultério, filho. Um bastardo do falecido presidente Kim, que resolveu nunca ser um appa presente e fingir que só tinha os gêmeos como filhos, já que o sangue dos puros é tão importante que não te espaço pra um ilegítimo ou um filho adotado. - concluiu, confirmando todas as minhas suspeitas. Eu levei ambas as mãos até meus cabelos e os baguncei todo, devido a minha cabeça estar doendo.

-Tudo bem, o senhor é bastardo. Bastardo não, ilegítimo. - repeti, tentando organizar as coisas. - Ainda não vejo motivo por ter escondido...

-Não tem motivo, Príncipe. Seu appa sofre toda vez que revive essa história e ele se envergonha dela. Você tem seu appa presente, ele não teve nunca e nunca vai ter, então não tente entender. Isso é algo que só ele sentiu, que só o Tao sentiu ou vai sentir quando se deparar com a verdade. - minha omma defendeu seu alfa e por um momento, eu parei para analisar meu appa.

Ele realmente estava fragilizado. Meu appa esfregava as coxas com as mãos, depois se inclinava para frente e cruzava seus dedos, fora toda a aflição e tristeza que carregava no olhar. Que droga! Eu nunca imaginei ver meu appa assim e agora que via, simplesmente detestava.

-O ex-presidente me teve em uma pulada de cerca. Os gêmeos já tinham nascido, então eles eram as estrelas e um bastardo como eu, não tinha lugar sobre o sol. O ex-presidente... - a amargura na voz do meu appa era nítida. - me sustentava financeiramente, mas ele nunca se preocupou em me dar carinho e atenção. Só que após sua morte, um advogado me procurou. Ele me contou sobre o testamento do ex-presidente, onde deixava uma pequena porcentagem de dinheiro pra mim. Junto dessa porcentagem, ele me deixou uma carta. Você gostaria de lê-la? - questionou e eu neguei. Estava surpreso pelo meu appa ainda tê-la, mas isso só ressaltava sua grande mágoa.

-Apenas diga o que tinha lá. - pedi e ele concordou.

-Na carta, ele me pedia desculpas por não ter sido presente. Ele alegava que me assumir, poderia trazer problemas pro país. As pessoas ficariam irritadas por saber que o presidente pulou a cerca e poderiam causar alguma comoção sobre isso. Os outros países poderiam se aproveitar e tentar se apropriar do povo, então ele precisou ser presidente antes de tudo. Ele precisou ser presidente antes de ser meu pai. - narrou. - Mas eu não me importei com nenhuma de suas desculpas. Eu sofri por ele não ter sido um alfa de honra e ter se engraçado com uma ômega. Claro que minha mãe também teve sua parcela de culpa, afinal, ela sabia quem ele era e mesmo assim ficou com ele. Por culpa dos dois, eu sofri e ainda sofro. - desabafou e eu concordei.

-Sua mãe nunca deu um motivo por ter se deitado com seu pai? Ela podia ter sido forçada...

-Ela não foi, Príncipe. Minha omma gostava de sair com qualquer um, pouco se importando com o estado civil alheio e sempre fez questão de me deixar isso claro. Ela só não abortou, porque é quase suicídio pra nossa espécie tentar cometer um aborto. Antes, quando os humanos existiam, era mais fácil, hoje em dia é praticamente impossível e por isso ela me teve. – Respondeu. Ele tinha a voz repleta de amargura e desviou o olhar do meu para o vazio. - Depois de todas as justificativas infundadas e os pedidos de desculpas, a carta trouxe um tema novo. Lá, o ex-presidente, deixou claro que tinha deixado um contrato. Ele pedia que eu treinasse meu filho pra ser um presidente, porque ele tinha deixado um contrato que me daria abertura pra isso. Ele alegava que era o modo dele de compensar pelo tempo em que meus outros irmãos ficaram sobre o sol e eu não. Ele me incentivou a correr atrás. Principalmente porque, ele tinha um netinho também. – forçou a voz para deixar claro que aquilo não era nada para se sentir tocado.

-E você decidiu acatar ao incentivo. - ressaltei e meu appa riu sem humor.

-Eu não aceitei, filhote. - ele me corrigiu e eu iria rebater, mas ele foi mais rápido. - Eu não quis seguir o que ele disse, mas depois eu pensei melhor e percebi que aquilo não era uma escolha. O ex-presidente era alguém que fazia tudo de acordo com suas vontades e considerações, sem se preocupar com o que os outros achariam disso. No geral, eu percebi que essa "oportunidade" que ele deu, na verdade se tornava uma obrigação. Agora já lemos o contrato e percebemos isso, ele não nos dá escolhas. E desde sempre, aquele homem tinha preparado um grupo de políticos pra apoiar o "bastardo", por isso você tem tanto apoio sem nunca ter feito nada. O ex-presidente armou tudo pra fazer com que meus irmãos e eu digladiássemos. Eu não me arrependo de ter te criado pra ser um líder almejando a presidência, porque foi dessa forma que você se tornou capaz de se apresentar perante todos como alguém digno. Alguém a altura. Eu não queria que meu filhote fosse tão desmerecido quanto eu fui, peço desculpas por ter afetado sua educação por algo mesquinho. - ele confessou e meu coração apertou.

-Você quer que eu seja o presidente ou que só seja digno de ser um? - indaguei.

-Eu gostaria que você se tornasse presidente. - foi sincero e minha mãe apertou a mão dele, como se o repreendesse por isso. - Só que eu não te forçarei a nada. Sei que quer ser psicólogo, então não pretendo influenciar em nada, porém... - ele deu uma pausa e olhou bem nos meus olhos. - Eu posso te dar o voto de escolha, mas os grandões não. Você viu que o preferido deixou de ser o preferido e por você ser o segundo mais velho, esse título foi pra você. Então, sinto muito, mas o direito de escolha não está mais nas minhas mãos e nem nas suas, está nas deles. Infelizmente, o ex-presidente nos cercou de novo. Acho que ele deve estar sentado no trono do inferno e rindo das desgraças causadas por ele. - e ao terminar de falar, nunca vi meu appa tão abatido.

Eu não falei nada e a sala ficou em silêncio por muito tempo. Eu precisava pensar, embora já tivesse uma decisão em mente.

"Sinto muito, Xing."


Notas Finais


Fugindo...
Beijocas de tapioca doce e até semana que vem!


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