História School XOXO - Capítulo 42


Escrita por: ~

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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Chen, D.O, Kai, Kris Wu, Lay, Lu Han, Personagens Originais, Sehun, Suho, Tao, Xiumin
Tags Abo, Aikimsoo, Chanbaek, Chanbaekabo, Colegial, Hanhun, Hanhunabo, Hunhan, Kadi, Kaido, Kaisoo, Kaisooabo, Kristao, Kristaoabo, Sulay, Sulayabo, Taoris, Xiuchen, Xiuchenabo, Yaoi
Visualizações 1.126
Palavras 4.999
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Comédia, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Ficção, Fluffy, Lemon, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Sobrenatural, Universo Alternativo, Violência, Yaoi
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá, meus dangos!
Então, eu sumi do SS e com uma razão muito justificável. Qual a possibilidade de acessar o dropbox de alguém que tem quase o mesmo email que o meu e ainda por cima, jogar suas fics lá e depois não conseguir pegar? Meu email do dropbox é [email protected], mas eu acessei um que era [email protected] Percebem que somente um único 0 me colocou em enrascada? O pior de tudo é que a pessoa tinha uma das senhas parecidas as que uso, sendo que eu não lembrava qual que eu tinha acessado. Eu consegui acessar o dropbox alheio ontem e peguei minhas coisas, inclusive a School XOXO de lá, por isso demorei. História doida, eu sei, mas é verídica.
FELIZ DIA DAS CRIANÇAS, DO CRISTO REDENTOR E DA NOSSA SENHORA APARECIDA!
Boa leitura!

Capítulo 42 - Nunca detestei tanto estar certo


School XOXO

 

-Kim Jongin On-

Acordei ouvindo meu celular tocar e por mais distante que o som pudesse ser, minha audição aguçada me fez escutá-lo. Abri os olhos, tentando me situar de onde eu estava, quando enxerguei os cabelos pretos do Soo abaixo do meu queixo e senti o calor de seu corpo junto ao meu. Nós tínhamos tido nossa primeira vez e sem sombra de dúvida eu me sentia completamente feliz.

O barulho irritante do celular cessou e eu me permiti admirar mais a pessoa que eu tinha entre meus braços. Soo estava deitado de costas para mim e eu o segurava como se fosse meu ursinho de pelúcia, então cada centímetro de nossos corpos se tocava e eu me enchia ainda mais de alegria.

Eu o amava há muito tempo e quando ele finalmente começou a me corresponder, temi que pudesse ser apenas por culpa de toda a situação que nos encontrávamos e por eu estar sempre em cima, mas... Soo tinha dado o seu melhor para me provar que seus sentimentos eram tão sinceros quanto os meus. Eu não precisaria estar debaixo de seus lençóis para saber disso depois de tamanha confissão dele na sala de sua casa, todavia, eu estava feliz por termos conseguido avançar.

E mais feliz ainda por conseguir sentir o cheiro dele ficando mais forte a cada dia que se passava. Ainda não era um cheiro determinado, mas eu conseguia sentir que era doce e que seria o melhor aroma que eu já poderia imaginar inalar. Soo seria ômega e eu não duvidava mais disso.

Depositei um selar em seus fios negros e o senti se remexer, virando dentro dos meus braços e aconchegando o rosto em meu peito. Ele já estava acordado, mas não queria se soltar de mim e isso só me fez abraçá-lo ainda mais. Eu estava tão feliz de finalmente as coisas terem se acertado, de nós termos nos acertado e de que a classificação dele já era praticamente certa, que eu sentia que tudo não passava do mais lindo conto de fadas.

Claro que eu nunca iria me importar se o Soo fosse Alfa também, todavia, a situação que nos encontrávamos nos daria dor de cabeça se ele fosse da mesma classe que eu, então saber que ele seria ômega e que ninguém poderia se meter entre nós... Era simplesmente a felicidade da minha vida.

-Por que suspirou? – a voz rouca do meu pequeno soou fraca e eu sorri.

-Porque estou muito feliz e se eu não suspirar, vou acabar saindo dos seus braços pra gritar feito um doido. – respondi e o vi sorrir divertido. – Como está? Dormiu bem? Se sente bem?

-Me sinto envergonhado, mas fora isso estou bem e feliz. – ele foi sincero e eu ri. – Já está muito tarde?

-Não, são 14h agora. – respondi ao olhar o relógio na parede de seu quarto.

-Então por isso que acordei, estou com fome. – murmurou e respirou fundo. Ele estava inalando meu cheiro e isso mexia tanto comigo, que eu não sabia nem como reagir. – Você pode pedir comida? Não quero cozinhar.

-E eu não quero sair da sua cama, então não te deixaria ir pra cozinha mesmo que morrêssemos de fome. – brinquei e dei um beijinho em sua testa. – Que tipo de comida você quer?

-Uma que mate a fome de leão que tô sentindo depois do que fizemos. – respondeu e abriu os olhos, me encarando profundamente. – Você paga. – avisou e eu gargalhei.

-Não podemos perder o costume né? – brinquei e ele concordou.

O celular do Soo estava mais perto, então peguei o aparelho dele e liguei para qualquer lugar que fizesse entrega de comida. Não demorou para que a campainha tocasse, então eu coloquei minha calça escolar e desci para poder pegar nosso alimento, mas não tardei em voltar para cama e ficar agarradinho com o Soo.

Nós dois devoramos nosso almoço como se não comêssemos há dias e eu sabia que isso era relacionado ao tamanho esforço que tínhamos feito na cama. Quando terminamos de comer, ficamos conversando um pouco e depois decidimos que era hora de tomar banho. Soo pediu que eu fosse com ele e eu mesmo teria pedido se ele não tivesse feito antes. Era como se ele não conseguisse ficar longe de mim e eu dele. A necessidade de estarmos próximos perpassava a nossa timidez.

Depois de tomarmos banho e ele me emprestar uma roupa, voltamos para sua cama e ali ficamos. Descobrimos que o laptop dele tinha quebrado ao cair do meu colo, no dia que fazíamos trabalho, e eu fiz uma nota mental de comprar outro para ele. Como não tínhamos o laptop para assistirmos filme, Soo ligou a televisão em seu quarto e colocou em qualquer canal. Não nos importava o que fôssemos ver, desde que ficássemos nos braços um do outro.

Quando a noite chegou, Sehun apareceu com Luhan e depois o senhor HunIn e a senhora MinHee chegaram do trabalho. De alguma forma, eu não queria mesmo que alguém se aproximasse do Soo e muito menos sentia que ele queria sair de perto de mim. Pelo olhar dos outros, soube que eles sabiam que nós tínhamos ido um pouco além no nosso relacionamento e por mais vergonhoso que pudesse ser, eu preferia assim, porque daí ninguém iria se aproximar da gente e nos separar – mesmo que por poucos minutos.

Liguei para minha casa após o jantar e avisei a um dos empregados que eu não voltaria naquele dia, pois iria dormir na casa do meu noivo. Noivo. Era tão bom poder afirmar com todas as letras que agora o Soo era meu noivo e eu o dele. Não era mais só nosso desejo de ser um do outro, agora era realmente real e em breve seríamos maridos. Era muita felicidade para um Jongin só.

Não pudemos dormir tarde, porque no dia seguinte não poderíamos faltar aula ou perderíamos revisão para as provas. Soo dormiu de barriga para cima e eu deitado em seu peito, porque eu simplesmente não queria soltá-lo de jeito nenhum. Não foi difícil dormir naquela noite, porque eu estava com a pessoa que me acalmava e me deixava feliz.

.

.

.

-Jongin-ah, acorda! – ouvi a voz do Soo me chamando e abri os olhos imediatamente. Ele não tinha um tom de voz calmo.

-O que houve? Aconteceu alguma coisa? – questionei alarmado.

-Ainda não são nem 6 horas da manhã, mas seu pai e alguns seguranças estão lá embaixo. – ele respondeu e foi então que notei que ele ainda estava de pijama e fora da cama.

-Meu pai? – perguntei confuso.

-Sim, seu pai. Ele disse que tentou te ligar desde ontem de manhã e que você não atendia, então quando ele chegou em casa e um empregado contou que você ia dormir aqui, ele quase veio de madrugada te buscar, mas parece que a senhora Kim não deixou. Eu não sei o que houve, mas seu pai parece bastante tenso. – contou e aquilo me preocupou.

-Ele não foi grosseiro com você né? – perguntei enquanto levantava da cama e procurava minhas vestes escolares para me arrumar.

-Não, ele foi bem cordial, mas com você acho que vai ser diferente... – avisou meio receoso.

-Deve ter acontecido alguma coisa com alguma reunião ou sei lá e ele deve estar querendo me matar por isso. – especulei fechando o último botão do meu uniforme. – Vou escovar os...

-Nini, acho realmente melhor você ir falar com ele logo e deixar sua higiene pra depois. – Soo me aconselhou e eu suspirei.

-Você tá me fazendo ficar preocupado quanto ao estado do meu pai. – avisei e o vi dar de ombros. – Volte a dormir, eu...

-Não, eu quero estar presente. – ele se manifestou e eu o olhei confuso. – Na verdade, seu pai falou que eu deveria estar presente. – justificou e aquilo me fez ficar ainda mais preocupado.

-Então vamos logo e desculpa por toda essa confusão. – pedi e o vi fazer gestos de quem não se importava. Antes de passarmos pela porta do quarto dele, Soo roubou um selinho meu e sorriu.

-Vai dar tudo certo. – me assegurou e eu ri. Ele era um fofo, sempre se preocupando comigo.

Antes de sairmos definitivamente do quarto, entrelaçamos nossas mãos e descemos as escadas. Realmente meu appa estava na sala da casa e com seus 3 seguranças de confiança ao redor. Assim que os seguranças me viram, curvaram-se em uma reverência respeitosa e dessa forma meu pai soube que eu tinha chegado na sala, então levantou e me olhou como me olhava quando eu aprontava alguma e ele queria brigar comigo.

-Kim Jongin, o que de tão importante fazia ontem para não ir à escola e ainda ignorar minhas ligações? – questionou sério e eu corei. Não podia dizer o que eu tinha feito.

-E o que de tão importante teria para você aparecer tão cedo na casa dos outros? – retruquei e senti o Soo apertar minha mão em repreensão, contudo, eu sabia até que ponto eu podia falar com o meu pai e só estava agindo assim para não ter que declarar aos quatro ventos que tinha tido a primeira vez do Soo comigo ontem.

-Assuntos que dizem respeito a sua presidência, não acha? Esqueceu que ontem teria a reunião dos grandões de todos os países só para te apresentar? Esqueceu que todos estão querendo saber que fim teve o novo herdeiro da Coréia do Sul e que isso é importante para que não pensem que nós estamos em conflito interno e vulneráveis por isso? – meu pai respondeu rudemente e eu me chutei internamente, uma vez que eu realmente tinha sido irresponsável por esquecer isso. – Escuta, filho, não é bom ficar dando esses vacilos. Você precisa entender que agora é o futuro presidente e que há certas responsabilidades com que terá que arcar. Eu consegui remarcar a reunião para amanhã, mas vamos precisar viajar ainda hoje para a Tailândia, não vamos poder perder mais tempo e...

-Viajar? – enrijeci. – Appa, eu não posso viajar. – me prontifiquei.

-E por que não? É por causa das provas? Sabe que isso não é um problema, você tem justificativa e...

-Não posso, appa! O... cio do Soo está próximo e eu não posso ficar longe dele logo agora. – expliquei e meu pai arregalou os olhos, passando a encarar o dono da casa. – Eu entendo que eu tenha responsabilidades, mas preciso que o senhor lembre que minha prioridade sempre vai ser o Soo, já que eu só aceitei me tornar presidente pra ficar com ele. O senhor não pode me levar justamente nesse momento...

-Jongin, eu te entendo. – meu appa me cortou. – Mas preciso que você também entenda uma coisa: Dizer que o Kyungsoo é sua prioridade não é uma boa ideia. Eu sei que ele é e que foi por causa dele que você aceitou a presidência, entretanto, só pelo fato dele ser o que vai ficar ao seu lado no futuro já o coloca em risco e se você fizer questão de enfatizar o quanto o ama, isso vai colocá-lo ainda mais em risco. Entende o que eu digo? – questionou e eu concordei. – Então, você precisa...

-Appa, eu não...

-Calma, deixa eu falar! – meu pai brigou e eu me calei. – Kyungsoo, eu pedi para você vir junto com o Jongin, não foi? – perguntou e vi meu pequeno concordar. – É porque eu sei que o seu cio está próximo, consigo sentir o cheiro, por isso, decidi te perguntar se você não gostaria de viajar conosco também.

-Eu? – Soo perguntou surpreso.

-Sim. No caso, Jongin e eu iríamos hoje e você viajaria amanhã... Não me interrompa, Jongin! – meu pai me advertiu ao ver que eu iria interrompê-lo. – Como eu ia dizendo, você iria viajar amanhã pra não alarmar ninguém sobre seu cio e sobre o quanto meu filho é caidinho por você. Vocês podem demonstrar o quanto se gostam, mas tentem ser o mais discreto possível, é para o próprio bem de ambos. – aconselhou e eu fiz bico.

-Tudo bem, senhor Kim, eu entendo. Por mim tudo bem, posso ir amanhã. – meu Soo concordou e vi meu pai sorrir.

-Viu, filho? Aprenda com o Kyungsoo. – meu pai me provocou e eu revirei os olhos. – Agora vamos, porque eu disse que você não pôde ir ontem por estar ocupado resolvendo algumas coisas importantes da escola, então não podemos dar bandeira.

-Appa... E se o Soo entrar no cio nesse tempo que...

-Jongin-ah, vai dar tudo certo. Lembre-se que agora não é só nós dois, temos uma nação também. – Soo me lembrou e eu fiz bico. Nunca quis ser presidente, mas já que o destino tinha feito um jogo comigo, então eu precisaria agir seriamente.

-Ok, eu vou. – me dei por vencido e pude ver como todos ficaram aliviados. – Soo, por favor, poderia ficar em casa hoje?

-Mas temos revisão...

-Vocês vão receber aulas extras por conta da situação que se encontram, não precisa se preocupar. – meu appa tranquilizou o Soo.

-Viu? Por favor, você poderia ficar em casa? – tornei a pedir.

Soo ficou hesitante e eu tenso. Por alguma razão, saber que teria que ficar distante dele por um dia estava causando uma agonia muito grande dentro de mim e eu sabia que era meu lobo intensificando tudo. Até eu julgava ser algum tipo de paranoia minha, todavia, era como se algo dentro de mim gritasse que um dia poderia fazer diferença e que eu não deveria me afastar dele.

Só que eu sabia que tudo ia muito além das minhas vontades. Eu tinha lutado pela presidência, mesmo não a almejando em momento algum, então estava sendo extremamente desconfortante me ver preso em todas as formalidades que eu passaria a ter que seguir. Se eu pudesse ter ficado junto do Soo sem a presidência como consequência, eu não teria nem mesmo cogitado lutar para carregar o destino de uma nação nas minhas costas.

-Tudo bem. – Soo cedeu e eu soltei a respiração que nem havia percebido prender. – Vou ficar em casa hoje e só saio amanhã pra te encontrar, tudo bem? Consegue ficar menos tenso assim?

-Vou ter que me contentar com isso. – resmunguei e o vi rir. – Qualquer coisa me liga, por favor. – implorei e o vi concordar.

-Então vamos logo, filho, não podemos atrasar mais. São 4h e meia de viagem. – meu pai me chamou e eu concordei, mesmo que algo dentro de mim gritasse para não fazê-lo.

Completamente contra minha vontade, saí da casa do Soo escoltado pelo meu pai e os seguranças. Entrei no carro me sentindo inquieto, mas tentei focar no que meu pai falava e esquecer que estava sendo obrigado a ficar longe do meu noivo. Não teria dado muito certo, nenhuma tentativa minha de focar o pensamento em outra coisa, se meu pai não tivesse me tranquilizado dizendo que minha omma iria vir no mesmo jato que o Soo. Meu appa jamais deixaria que minha omma corresse algum risco, não que ele fosse deixar o Soo correr, mas com minha omma em cena a segurança seria redobrada. Somente dessa forma que me permiti relaxar, mesmo que eu ainda me sentisse tenso e fosse nítido o quanto meu lobo estava desconfortável com essa viagem inusitada.

-x-

-Do Kyungsoo On-

Estar longe de Jongin realmente era desconfortável, mesmo que antes não fosse. Minha fome tinha aumentado consideravelmente e eu estava sentindo bastante calor, o que me preocupava, porque eu sabia que aqueles eram os sintomas de um cio prestes a acontecer. Fique em casa até uma boa parte da tarde, quando os seguranças vieram me buscar alegando que me levariam para a casa do presidente, porque no dia seguinte eu iria viajar cedo.

Por mais que eu não quisesse acatar tudo de uma maneira tão fácil, eu sabia que era melhor eu estar perto do Jongin do que sozinho. Minha omma, HunIn, Sehun e meus amigos até poderiam me proteger e me sedar caso eu entrasse no cio, mas eu sentia uma angustia muito grande em ficar sem Jongin e eu não queria pagar para ver.

Liguei para minha omma e expliquei o que estava acontecendo, mesmo que ela não quisesse me deixar ir, acho que percebeu meu tom de voz desesperado e acabou deixando. Querendo ou não, meu cio era um risco por eu ser aquele que daria a chave da presidência para quem me tivesse. Talvez eu – e todos – só estivéssemos com essas sensações ruins por culpa do contrato idiota e nada fosse acontecer. Eu realmente torcia para que nada acontecesse.

Cheguei até a casa dos Kim e fui recebido pela mãe de Jongin, que me tratou docilmente e me fez companhia o dia todo. Não foi tão desconfortável quanto pensei que seria, somente na hora do jantar, que tive que ver Timoteo sentar à mesa com a gente. Eu ainda não acreditava na suposta bandeira branca que ele tinha jogado e era isso que me incomodava.

-Quanta fome, Kyungsoo! – Timoteo comentou ao me ver colocar meu segundo prato de comida.

-Estou em fase de crescimento, cala a boca. – resmunguei e lembrei que a senhora Kim estava na mesa, então mordi minha língua por ter deixado soltar aquilo de forma rude.

-Não acho que você irá crescer mais. – todavia, Timoteo também estava implicando. A senhora Kim iria entender que eu estava sendo provocado né?

-Se eu irei crescer ou não, você não é médico pra saber, então come quieto. – mandei e enfiei um enorme pedaço de carne na boca. Céus, como eu estava com fome.

-Senhora Kim, não é melhor vocês viajarem hoje? – Timoteo perguntou enquanto limpava um pouco da sujeira no canto da boca. – Acho que o Kyungsoo está com o cheiro muito forte.

-Eu também estou começando a achar... – a senhora Kim se pronunciou pela primeira vez e me olhou como se estivesse me analisando. – Timoteo, poderia ver pra mim se haveria a possibilidade de viajarmos hoje à noite? – ela perguntou de maneira educada.

-Claro! Já trago a resposta. – ele se prontificou e ficou de pé com uma animação nada comum dele.

-Por que pediu que ele fosse ver e não outra pessoa? – perguntei curioso.

-O pai dele era da segurança e por isso o menino é muito mimado por toda a equipe. – a mulher me respondeu com um sorriso gentil. – Eu poderia ir perguntar também, mas estou com receio de te deixar sozinho.

-Por quê? – indaguei engolindo o que eu tinha na boca.

-Seu cheiro está realmente forte, querido. – ela justificou. – Estou preocupada que eu te deixe sozinha e algum alfa se aproxime. Sei que sou ômega e não conseguiria lidar com um deles, mas eu carrego o cheiro de alfa do meu marido, então isso os faria repensar um pouco. – explicou e eu concordei silenciosamente, enquanto corava. Aquilo era constrangedor de conversar.

-Senhora Kim, tudo certo. – Timoteo reapareceu na sala de jantar. – Eu falei com o chefe de segurança e ele disse que vocês poderiam viajar agora se quiserem, porque ele já tinha ordens de viajar caso alguma emergência surgisse.

-Ótimo! – a senhora Kim se colocou de pé imediatamente e sorriu para mim. – Vou pedir pra alguma cozinheira colocar um pouco de comida pra você, ok?

-Não precisa, eu posso aguentar. Desculpa estar causando tanto transtorno. – fui sincero e ela apenas sorriu como minha mãe sorriria para mim.

-Não precisa se desculpar por algo que é natural nosso, apenas deixe-me cuidar de você, tudo bem? Você será como um segundo filho pra mim. – ela me lembrou e fez carinho em meus cabelos. Sorri por ver a sinceridade dela, seus gestos me lembravam muito ao Jongin.

Levantei da cadeira e a segui para todos os cantos da casa, porque realmente estava começando a ficar com medo de ficar sozinho. Parecia que eu sentia que algo muito ruim iria acontecer e infelizmente não tinha como fazer nada. Aquela sensação de angustia realmente estava me causando muito mal, mas tentei ser cordial e responder com um sorriso todas as perguntas que a senhora Kim me fazia, já que era a tentativa dela de me acalmar e puxar conversa.

Depois da senhora Kim pegar sua mala e eu pegar minha mochila, entramos no carro em que eu tinha ido até a mansão e rumamos para o aeroporto, mesmo que fôssemos pegar o jatinho particular do presidente. Como eu estava muito nervoso, tentei procurar meu celular para mandar uma mensagem à Jongin, entretanto, eu percebi que o tinha esquecido em casa.

-Aish! – praguejei contido.

-Aconteceu alguma coisa? – a senhora Kim me perguntou.

-Não...

-Está sentindo dor? – ela insistiu e eu neguei. – Então por que está se apalpando? – questionou confusa.

-Porque eu estava procurando meu celular, mas esqueci em casa. – confessei e ela riu.

-Quer mandar mensagem para o meu filho? – deduziu e eu concordei. – Pode usar o meu, aposto que ele está louco pra falar com você.

-Não precisa se incomodar, desculpa por...

-Não seja assim, querido, não é incomodo algum. – ela me assegurou e puxou o aparelho da bolsa, colocando-o em minha mão. – Eu conheço meu filho e sei que ele deve estar tão inquieto quanto você. Eu fico feliz que ele esteja sendo retribuído na mesma intensidade. Jongin sempre gostou muito de você.

-Eu também gosto muito dele. – fui sincero e ela sorriu alegre.

-Chegamos. – o motorista avisou, já que o aeroporto não era muito longe, e saiu do carro, pois iria abrir a porta para a primeira dama.

Antes de abrir a porta e sair também, eu mandei uma mensagem para Jongin avisando que já estaria chegando e que estava sem celular. Não fiquei esperando pela resposta dele e saí do carro, encontrando a senhora Kim e o motorista me esperando. Mesmo que eu quisesse muito conversar com Jongin, devolvi o aparelho para a primeira dama e a agradeci por me emprestar.

Nós três conversávamos tranquilamente quando o celular da mãe de Jongin apitou avisando que tinha recebido uma nova mensagem, então ela parou para ver quem era, sorriu e logo em seguida me entregou, dizendo que era Jongin me respondendo. Com um sorriso enorme no rosto, peguei o aparelho de sua mão e comecei a ler o que o alfa tinha mandado para mim. Jongin estava me chamando de desatento e brigando comigo por eu ter esquecido o celular, depois reclamou o quanto era chato acompanhar o pai com os velhos chatos e perguntou se eu estava me sentindo muito mal para viajarmos em menos de um dia.

Antes que eu conseguisse comentar todo o teor da mensagem, adentrei o local onde iríamos pegar o jatinho e estanquei no lugar. Não havia jato nenhum e sim cerca de 10 homens, o senhor Kang e o filho dele.

-Ora, ora, parece que alguém vai entrar no cio, não é mesmo? – o filho do Kang comentou debochado.

-O que estão fazendo aqui? – o motorista questionou se colocando na frente da senhora Kim e de mim.

-O que mais poderíamos vir fazer aqui à essa hora? – o senhor Kang retorquiu e eu retesei. – Viemos pegar a chave da presidência pra gente.

-Vocês são betas, não podem me marcar se eu for um ômega. – retruquei tirando coragem de não sei onde.

-E quem disse que não? – o senhor Kang perguntou debochadamente e eu senti um frio subir pela minha espinha. – Minha família vem procurando uma maneira de elevar nossa classe há anos, então isso significa dizer que talvez nós tenhamos conseguido. Que tal você ser nossa cobaia e descobrir se meu filho consegue te marcar?

-Ficou louco, Kang? Meu marido vai acabar com você se tentar alguma coisa com o Do e comigo! – a senhora Kim se impôs, mesmo que estivesse com medo.

-Sem a loucura, não chegamos a lugar nenhum, querida primeira dama. Lembre-se que foi graças a loucura dos nossos ancestrais que nossa realidade atual é possível. – ele desdenhou e eu comecei a olhar para todos os lados, em uma clara tentativa de encontrar uma saída.

-Então lembre-se, senhor Kang, que eu também sou uma loba. – a mulher avisou e eu resolvi olhar para trás, já que a voz dela tinha saído estranha e nenhum pouco relacionada ao medo. – Kyungsoo, querido, quero que você comece a correr no instante que eu me transformar. – ela sussurrou ao se aproximar de mim e eu senti meu coração acelerar ainda mais. – Ligue pra Jongin ou pra qualquer pessoa que você confie extremamente.

-Senhora Kim...

-Senhor Shin, preparado pra se transformar? – a senhora Kim me ignorou e voltou-se para o motorista.

-Estou aguardando sua ordem, senhora. – o alfa respondeu.

-Então não permita que toquem no meu futuro filho. – com essa ordem, ela me empurrou para trás de si e eu só consegui ver suas roupas rasgarem no ar.

A senhora Kim e o senhor Shin se transformaram em um rompante e rosnaram ao mesmo tempo. Por um segundo, cheguei a ficar com medo ao ver que os outros 10 lobos se transformavam também, entretanto, eu nada poderia fazer se continuasse ali.

Indo contra todos os meus princípios e instintos, comecei a correr para longe de onde uma briga tomava início e em uma tentativa desesperada, comecei a digitar o número do meu pai. Eu poderia ligar para Jongin, mas ele estava longe e aquela poderia ser a única ligação que eu conseguiria fazer, então optei por usá-la para pedir socorro ao meu pai. O senhor Kim já deveria ter sentido o estado emocional da senhora Kim – por compartilharem uma marca – e isso deveria ser o suficiente para saber que as coisas tinham dado errado, pelo menos era nisso que eu contava.

-Alô? – meu pai atendeu no terceiro toque.

-Appa, appa, socorro! – eu pedi desesperado e ofegante enquanto corria para a saída do aeroporto.

-Kyung? Filho? O que aconteceu? Onde você está? – ouvi a voz desesperada do meu pai do outro lado da linha.

-Appa, eles querem me pegar, eu vou entrar no cio! Appa, por favor, vem me salvar e liga pra polícia, pro Jongin ou pra qualquer pessoa que possa te ajudar! Liga pro HunIn, por favor...

-Ora, ora... Eu sabia que você iria arrumar uma forma de fugir e por isso fiquei esperando o ratinho na toca. – Timoteo apareceu na minha frente assim que saí do aeroporto e tentei correr para longe dali.

-KYUNGSOO, ONDE VOCÊ ESTÁ?! – meu appa gritou do outro lado da linha.

-Appa, eu estou no aeroporto. – respondi desesperado e tentei correr para o outro lado, entretanto, havia mais homens me esperando. – Appa, por favor! – eu implorei.

-Seu appa e nem ninguém vai ser capaz de te ajudar nesse momento. – Timoteo avisou e eu ouvi meu pai rosnar do outro lado da linha. – Dê adeus ao seu filho, senhor Do. – o ômega avisou ao tomar o celular da minha mão e levá-lo até o ouvido.

Todavia, Timoteo não esperou a resposta do meu pai e desligou a ligação, sorrindo maliciosamente para mim e jogando o aparelho longe. Olhei ao meu redor e vi que não tinha chance nenhuma de fugir e de pedir socorro, porque já era tarde da noite e o movimento no aeroporto era mínimo, além do fato dos seguranças já terem sido apagados por culpa dos capangas do Timoteo.

Então, após analisar todas as possíveis rotas de fuga e me dar conta de que não teria nenhuma, resolvi agir. Eu sabia que era suicida, mas a situação toda já o era desde o começo. Com uma puxada de ar, em uma tentativa desesperada, tomei a decisão de avançar. Não seria a primeira briga que eu teria com Timoteo e mesmo que eu ainda não fosse páreo para ele, não iria me entregar sem mais nem menos. Eu precisava nos manter ali até meu appa chegar com reforços.

-Eu sabia que você nunca tinha jogado a porra da bandeira branca. – grunhi para Timoteo, que apenas gargalhou. – Mas eu também não vou jogar.

-Então vai cair no braço comigo? – questionou debochadamente.

-Com certeza. – respondi e avancei para cima dele.

Eu consegui acertar um soco em Timoteo e ele me acertou outro, mas antes que eu pudesse partir para cima dele novamente, fui segurado por trás e incapacitado de avançar mais. Eu tentei me soltar de quem quer que estivesse me segurando, entretanto, algo como uma picada atingiu meu pescoço e minha visão ficou turva, junto com a perda dos meus movimentos.

-Eu pensei em te matar pra ver o Jongin passar pela mesma dor que eu passei quando meu appa morreu por causa dele, mas acho que isso seria muito pouco. – ouvi Timoteo dizer no exato momento em que me soltaram e eu fui ao chão, já que não conseguia me mover. – Eu passei anos tentando conquistá-lo pra assumir o caralho daquela presidência e conseguir minha vingança ao matá-lo depois, mas você surgiu e estragou tudo. Eu vou fazer ele sofrer tim-tim por tim-tim e isso vai começar com ele vendo o quão machucado você vai ficar e depois, tendo que sentir a dor de saber que perdeu o trono e o “amor de sua vida”, porque foi marcado por outro. A morte é a ausência de dor e tudo o que eu quero no momento é causar a mesma dor que causaram em mim. Eu falei pra você sair do meu caminho, até mesmo fui bonzinho e te tirei da reta quando éramos mais novos, mas você insistiu em continuar como uma praga, então agora vai suportar todas as consequências. – ele avisou e chutou minha barriga, mas não consegui sentir a dor por estar entorpecido. – Seu cio não deve passar de hoje e eu farei de tudo pra você ser marcado. Seu inferno nesta terra só está começando. – e aquilo foi a última coisa que ouvi, porque Timoteo pegou minha cabeça e a bateu no chão.

Eu não senti dor, mas provavelmente teria sentido se não estivesse com alguma droga na veia. Independente da dor ou não, tudo escureceu para mim e eu fechei os olhos, mesmo sabendo que se fechasse estaria me entregando. Mas o que eu poderia fazer? Todos eram tão mais fortes que eu.

Desde o começo, a ideia de entrar no cio nunca foi agradável para mim e eu nunca detestei tanto estar certo.


Notas Finais


Eita, mas num é que a coisa ficou séria? Eu gosto tanto da senhora Kim, pena que né?
E quanto aos betas: Eles não podem marcar, na minha fic, e no cap que vem irá ser explicado melhor.
Até semana que vem, meus dangos!
Beijocas de tapioca doce

Indicação de fanfic:
Sahsoonya - Perfect Parteners https://spiritfanfics.com/historia/perfect-parteners-10619630
Biologicalstorm - Amor que te liberta https://spiritfanfics.com/historia/amor-que-te-liberta-10209065


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