História Scream: Interativa - Capítulo 3


Escrita por: ~ e ~btchcraft

Postado
Categorias Pânico (Scream)
Exibições 224
Palavras 5.459
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Mistério, Romance e Novela, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


— Oi gente, eu não aguento ficar com um capítulo pronto sem postar, então aqui estou eu (tcharaaaaaaaaaam), espero que gostem e boa leitura <3

— É um capítulo bem grande, portanto, não leia quando estiver com pressa ou cansado, espere um momento em que estiver bem relaxadx e comece a leitura.

Capítulo 3 - A Voz


Fanfic / Fanfiction Scream: Interativa - Capítulo 3 - A Voz

O avental branco de Riley Deixava sua aparência extremamente agradável, seus olhos eram claros, quase da mesma cor que seus cabelos castanhos. Ela usava um vestido verde por baixo dele, super simples, ela não era o tipo de garota que gostava de se aparecer ou ficar extremamente bonita.

     A lanchonete era pequena, porém, apesar do tamanho, estava completamente lotada naquele dia, havia filas que iam de parede a parede para poder fazer o pedido. Ela era garçonete do King’s havia anos, ninguém nunca soube a real identidade do proprietário, mas deveria ser bem rico — levando em conta as milhares de franquias espalhadas pelo país — O gerente dessa unidade era o terrível Nathan Scotte, um garoto rico de 17 anos, um dos maiores drogados de toda a cidade, irmão de Beatrice Scotte, uma garota adorável de cabelos curtos e dourados. Nathan ganhou essa franquia de presente do seu pai, um rico magnata dono de uma gravadora chamada Lótus. Beatrice era uma ótima cantora, sempre compôs músicas de gênero POP e postava no seu canal do Youtube.

     — A casa tá cheia. — Disse Nathan atrás de um balcão. — Vamos, minha filha.

     — Vai se foder. — Murmurou Riley.

     Nathan não havia acredito no que ela havia dito.

     — O que foi que você disse?

     — Eu disse bom dia, querido.

     O garoto deixou passar e prosseguiu atendendo uma senhora loira que sofria de Alzheimer.

     O King’s era coberto por um piso de madeira talhada, haviam duas paredes de vidro que davam vista direta para a rua e quem passasse nela. Apesar do loteamento da casa, não havia muitas pessoas na rua. A única coisa que Riley conseguia ver era Woodsboro High do outro lado da avenida e algumas lojas completamente vazias ao lado.

     Nathan usava uma perigosa regata que marcava todos os seus músculos, ele tinha uma linda tatuagem de flor no pescoço e seu cabelo era totalmente preto, como os do seu pai.

     O celular de Riley vibrou no bolso de seu avental, ela fingiu derrubar uma bandeja vazia na cozinha da lanchonete para lê-la, era Beatrice. As duas eram melhores amigas. Riley sabia que ela estava mal por ter levado um bolo de Gregory noite passada, era bem estranho, ele nunca costumava fazer coisas desse tipo.

Olá, Riley.

     Ela respondeu, mas percebeu que o barulho do teclado do celular estava alto demais e Nathan poderia ter ouvido.

Trixie?

     O que infernos havia acontecido com ela nessa noite? Beatrice parecia... formal demais, como se não fosse ela. As duas se conheciam a anos, ela saberia se alguém tivesse pegado seu celular e se passado por ela, Riley olhou o histórico de conversa das duas, a menos que ela estivesse realmente muito triste, e fazia sentido levando em conta o bolo que havia levado do namorado.

Passa aqui em casa para assistirmos um filme de terror juntas.

Aliás, qual seu filme de terror favorito?

     Isso já não parecia tão estranho assim, era o programa favorito de Beatrice desde os onze anos.

Você sabe que eu não vejo essas coisas.

     Ela não havia percebido, mas o som do seu celular havia sido aumentando sem querer enquanto ela digitava. Ao olhar para cima, Nathan estava jogado pelo balcão, fazendo uma cara de extremo desgosto.

     — Estou te interrompendo? — Disse ele com uma expressão de: ‘’Essa garota não tem jeito’’.

     — Na verdade, sim. — Disse ela mostrando seu celular para ele. — Acabou meu turno.

     Com um sorriso extremamente sínico e forçado, Riley jogou o avental em cima da mesa e correu para fora da abarrotada lanchonete, e quando se virou, Nathan não estava mais lá.

 

2

O sangue escorria pelos seus dedos enquanto o garoto gritava de dor por ter sido perfurado por uma agulha que seu pai havia esquecido no braço do sofá. Aiden Dylan pulou enquanto seus berros ecoavam e acordavam a casa toda. Maria, sua empregada veio correndo de encontro com o garoto, que estava aos pulos no meio da sala.

     — Infierno, Alex. — Berrou ela. — De nuevo.

     — Ah meu Deus. — Disse Alex, um homem alto, de barba rala e loiro enquanto corria para sala. — Desculpa, foi sem querer.

     Como ela havia dito, era a segunda vez que ele esquecia uma agulha no braço do sofá, mês passado, Maria havia sido a vítima. Aquilo estava começando a ficar tão fora do controla, não só como seu pai ser um completo distraído, mas pelo seu outro pai também ser outro grande idiota, por mais que Aiden não os visse assim.

     Diferente, sim, diferente era a palavra que definia a casa dos Dylan, todo o lugar que você olhasse tinha uma decoração diferente, Aiden, com seu sonho de ser modelo, sempre zelou por ter uma casa mais luxuosa e — talvez um dia — fazer sua família ser tão requisitado como os Scotte. E isso incluía Maria, que se tornou uma espécie de mãe para os seus pais.

     — A agulha. — Disse Robert, seu pai, bem mais alto que Alex e tinha uma densa barba, com um alargador não tão grande em sua orelha esquerda. Robert era extremamente musculoso e estava sem camiseta naquela manhã. — Droga, Alex.

     — Eu já pedi desculpas. — Disse ele enquanto franzia o cenho e puxava seus cabelos loiros pra trás parte de trás. — O que preciso fazer mais?

     E então os dois começaram a discutir, Maria havia pego um gigante espanador enquanto batia com força nos dois e os mandava para o quarto, Aiden saiu discretamente para a cozinha enquanto pegava um band-aid na gaveta da cozinha e saia para fora de casa.

 

O pequeno curativo na palma da mão de Aiden estava com uma pequena machinha de sangue quase imperceptível. Ele era um garoto extremamente bonito, seus cabelos eram parecidos os de seu pai, apesar de ser adotado. Seu rosto era fino, cabelos escuros e seu nariz era um pouco — bem pouco — redondo. O sonho de sua vida era se tornar um modelo, e como sabia contar, sempre pensou que se fizesse algum tipo de amizade com Beatrice Scotte conseguiria algo no Lótus, porém, sabia que até mesmo chegar perto de Beatrice era difícil, mesmo ela sendo uma garota extremamente adorável.

     — Que arraso. — Disse Peper Amino, uma garota loira, de lábios grandes e bronzeada artificialmente. Aiden sempre costumava dizer que ela era...

     — A futura estrela do cinema mundial chegou. — Disseram os dois enquanto se abraçavam no meio da rua, estava começando a escurecer e os dois já deveriam estar prontos.

     Naquele dia aconteceria o maior festival de filmes de terror da cidade, se Beatrice aparecesse lá, Aiden saberia que ele finalmente poderia falar com ela e mostrar seu talento, tanto como modelo, tanto como cantor e, hum, tinha uma aparência agradável, fazendo questão de admitir isso pra todo mundo. Era a chance da sua vida.

     — Você acha que eles vão passar The Final Girls. — Era o filme favorito dos dois, que naquele ponto já divulgaram o filme pra Woodsboro inteira, era sobre uma garota que perde a mãe e entrava em um filme de terror pelo qual sua mãe era uma das atrizes participantes. — É o melhor filme de todos os tempos.

     Os dois estavam quase pulando de alegria enquanto passavam pelas diversas casas da vizinhança.

     — Deus. — Gritou Peper enquanto olhava para o celular. — O festival já começou.

     A pressão do garoto parecia ter caído por um momento, mas antes mesmo de perceber, correram tanto que em cinco minutos chegaram no ponto do ônibus e já estavam sentados no primeiro banco.

 

3

A garota já podia ver a linda mansão Scotte do outro lado da rua, duas grandes pilastras erguiam a gigante casa que formava um telhado e duas pequenas janelas que pareciam ser parte de um castelo, atrás delas uma grande chaminé de tijolos, a casa era um pouco mais elevada que o nível do chão. A casa era formada por uma linda sacada, erguida por duas gigantes colunas. Riley conseguia ver o delicioso quarto de Adam Scotte de lá de fora, era sem dúvidas o mais bonito da casa.

     A garota amava o jardim da casa, onde havia uma espécie de playground que era comumente usado por Linda Scotte quando menor, na verdade, ele não era mais usado, os Scotte haviam se mudado pra Woodsboro naquele ano.

     O celular de Riley vibrou freneticamente enquanto ela andava pelos bloquinhos que faziam uma trilha até a porta da casa de Beatrice.

     — Olá?

     — Olá, Riley.

     Era definitivamente uma voz masculina, ela sabia disso.

     — Quem é?

     A garota continuou caminhando em direção a casa enquanto estava com os dedos no celular que estava grudado nos ouvidos.

     — Ela não está em casa. — Respondeu a voz enquanto ignorava completamente sua pergunta.

     Riley parou por um instante, olhou em sua volta, viu as diversas mansões pela avenida e não vi sequer uma alma parada.

     — Como sabe que eu estou aqui?

     — Eu sei de tudo.

     A garota apressou o passo para a mansão enquanto olhava em sua volta novamente, ela viu uma senhora de idade passeando com um imenso labrador — por uns segundos, Riley poderia jurar que era o labrador que estava conduzindo ela —, um homem parecido com Adam Scotte sentado lendo um jornal com a manchete: ‘’CRISE NO PAÍS AUMENTA E GOVERNO MOSTRA INDIFERENÇA’’. Havia também um rapaz jovem descendo de um taxi amarelo e cantarolando uma música que era desconhecida por ela.

     O sol daquele dia estava quase deixando a garota cega, seus cabelos eram claros e estavam ainda mais pela intensidade do sol.

     A gigante porta da mansão estava parada a sua frente, estava no caminho para tocar a campainha quando a voz disse:

     — Está aberta.

     A garota desligou o telefone na cara dele enquanto o guardava no bolso da calça.

     Alguém estava mesmo a observando ou era mais uma das brincadeiras maldosas de Beatrice? Fazia sentido, apesar de que no mesmo dia acontecia o festival de filmes de terror, então poderia ser qualquer pessoa tentando pregar uma peça, porém, o peculiar disso tudo era o fato de Beatrice ter sumido o dia tudo, assim como Gregory. Naquele momento, nada fazia sentido pra Riley.

     Ela viu o estreito corredor se erguer a sua frente, ao lado? Bom, uma escada bem estreita e um outro corredor do lado que dava pra cozinha. Ela entrou enquanto andava em direção a sala em passos lentos.

     Apesar do sol forte que estava lá fora, Riley percebeu que ele estava se pondo e a noite estava começando a tomar forma. Ela sempre amou fins de tarde, ainda mais de um sábado.

     — Não foi sua culpa. — Era a voz de Beatrice, mas bem distante e parecia vir de uma espécie de caixa de som para ser amplificada, alguém queria que Riley ouvisse isso. — Não foi culpa de ninguém. Eu só queria tudo, certo? Todos só querem tudo.

     Mas que droga é essa.

     Pensou ela enquanto se sentia na cena inicial de um filme do Wes Craven.

     — Todos só querem tudo. — Repetiu ‘’Beatrice’’ — Todos só querem tudo.

     E a gravação parou, Riley pareceu congelar quando seu celular tocou mais uma vez, despertando-a da espécie de transe de medo em que estava.

     — Alô? — Disse exalando um medo que jamais sentira antes..

     — Olá, Riley. — Respondeu a voz, do mesmo jeitinho lento que da primeira vez.

     — É você, Beatrice? — Perguntou, desconfiada.

     Ela ouviu as gargalhadas da voz no outro lado da linha.

     — Sempre esperta.

     — Onde você ta? — Indagou Riley.

     — Mais perto do que você imagina.

     Riley riu enquanto acendia as luzes e olhava atrás das cortinas escuras e viu de visão periférica que ainda havia um homem lendo um jornal do outro lado da rua.

     — Frio.

     A garota riu alto enquanto andou pelo corredor e abriu um armário cheio de materiais de limpezas e uma vassoura caia bem na sua cara.

     — Frio. — Repetiu a voz.

     — Estamos parecendo duas crianças. — Desabafou Riley.

     A voz riu mais uma vez.

     — Vamos animar esse coração e liberar o nosso lado primitivo.

     Ela parou por alguns segundos e concordou, ela correu pela cozinha e ligou as luzes, fazendo a voz repetir mais uma vez que estava frio, foi então que o barulho dos sapatos de Riley subindo a escada ecoaram pela casa toda.

     — Está esquentando. — Disse a voz, rindo como se o mundo fosse acabar.

     Riley viu o corredor se formar a sua frente, havia uma espécie de escrivaninha no corredor com uma gaveta aparentemente trancada, Beatrice havia comentado uma vez que aquilo servia para desligar o sistema de segurança e luzes da casa em caso de problemas técnicos, como se eles estivessem presos dentro de casa por culpa do sistema.

     — Já sei. — Disse a garota.

     Riley só conseguia ouvir o barulho dos seus passos pelo carpete do corredor, a porta do quarto de Beatrice estava aberta, mas havia algo estranho no meio disso tudo. A garota se virou e viu uma mancha vermelha na parede, parecia que alguém havia caído na escada, batido no portão e caído na parede.

     — Que mancha é essa na parede? — Perguntou ela, extremamente desconfiada.

     — Bem quente.

     Ela ouviu uma movimentação no quarto de Beatrice, definitivamente não estava sozinha na casa. Riley continuou andando até o quarto, mas a brincadeira havia acabado. Ela estava apavorada, mas sabia que Beatrice sempre fazia coisas desse tipo, digo, não poderia ser algo além dela, poderia?

     O quarto era todo branco e abarrotado de livros e filmes de terror sobre diversos assuntos, a maioria sobre assassinos em série. As cortinas eram escuras e tapavam as luzes do fim de tarde.

     — Está ficando cada vez mais quente.

     — Onde você está? — Perguntou Riley.

     A voz não riu, parecia extremamente séria dessa vez.

     — Dentro do armário.

     Ela virou-se, encarando a porta meio aberta e branca, assim como o resto do quarto.

     — É um blefe.

     — Veja por si própria.

     Riley ainda estava séria, aproximando-se cada vez mais do armário de Beatrice, até que então seus dedos se encontraram com a porta, ao abrir, deparou-se com  algumas roupas de Beatrice penduradas gentilmente em cabides, separadas pelos preço, Beatrice sempre disse isso, as mais caras à direita.

     — Beatrice, você me deixou apavorada.

     Foi então que a mesma pessoa com a máscara de fantasma surgiu atrás de Riley, ela nem mesmo percebeu a presença dele no local. Sua gigante capa continuava cobrindo todo o seu corpo, suas mãos usavam luvas de couro e uma pequena faca, mais ou menos do mesmo tamanho que a mão dele. O assassino desligou a ligação.

     — Quem disse que eu sou a Beatrice? — Riley pulou com o susto, o assassino tentou acertá-la, a garota gritou e abaixou, desviando-se da apunhalada.

     A garota segurou os braços do assassino e o atirou na prateleira de livros de Beatrice, que se quebrou em milhões de pedaços. Ela passou pelo corredor e percebeu que ele estava logo atrás dela, Riley foi puxada pelos cabelos e atirada pelos degraus da escada, a garota gritou de dor. O rosto dela chocou-se com força no chão. O assassino desceu as escadas e aproximou-se do corpo fraco de Riley no chão, suas mãos se posicionaram contra seu pescoço. O rosto dela foi ficando mais e mais vermelho, até que Riley socou o celular contra o rosto do assassino, que caiu ao seu lado, sua máscara voou longe e — por alguns segundos — Riley podia jurar que viu um cabelo grande e escuro no ar. Enquanto ele corria para colocar a máscara novamente, ela correu para a porta antes de conseguir ver quem a havia atacado.

 

4

Os olhos de Aiden brilhavam em direção ao cinema, ele havia se perdido de Peper havia um tempinho, não me pergunte, nem o próprio Aiden sabia como.

     Havia milhares de pessoas entrando no cinema, pessoas de todos os tipos e sexos possíveis. O cinema era divido em duas partes, uma que era a bilheteria, ficando em um prédio separado, mesmo local onde as pessoas poderiam comprar pipoca e refrigerante, Peper estava errada, o primeiro filme ainda não havia começado. Aiden usava uma calça jeans e um All-Star de cano alto com uma blusa xadrez vermelha.

Ouvi dizer que o primeiro filme vai ser A Hora do Pesadelo

Me falaram que vai ser Sexta-Feira 13

     Ele prestava atenção em conversas alheias, procurando Peper no meio da multidão e de pessoas paradas do lado de fora do festival. Havia um garoto alto beijando uma garota loira e baixa do lado dele, estava tão perto que quase podia ouvir o barulho de suas línguas se tocando. Aiden olhou para o chão da rua — que estava fechada para a ocasião, por isso, não se transitava carros na frente do cinema, tanto pelo fato de evitar acidentes, como pelo fato de que haviam diversas barraquinhas de comidas personalizadas de dia das bruxas, Aiden ouviu dizer que tem uma vendendo cupcakes com sangue de morcego.

    Ele virou-se gentilmente e deu de cara com um garoto alto, de cabelos pretos e olhos extremamente azuis. Seu nariz era um pouco largo e seu maxilar tinha músculos, ele pôde ver uma pequena barba rala saindo de seu rosto. O garoto tinha uma flor no pescoço e mais algumas tatuagens, outro detalhe era seu alargador preto que fazia a combinação perfeita com o resto de sua aparência.

     — Nathan... — Disse Aiden tentando não olhar para sua regata cavada e sua calça saruel jeans com uma bota preta. — Não te esperava por aqui.

     Ele franziu o cenho.

     — Sou um legitimo Scotte. — Gabou-se o garoto. — Seria estranho se eu não gostasse de filmes de terror, está no sangue. Qual o motivo do espanto?

     Como se ser um Scotte fosse vantagem para alguém. Pensou Aiden.

     — Com milhões de pessoas adoráveis aqui, eu encontro logo você.

     Ele assentiu.

     — Foi apenas uma coincidência. — Disse ele enquanto piscava para Peper, que estava do outro lado da rua quase pulando de excitação. Aiden não estava acreditando que ela havia compactuado com isso.

     — Bom, Peper está esperando o Kyle, então... Acho que ela vai ter companhia. — Aiden riu com a argumentação de Nathan, estava entendendo suas intenções.

     Antes mesmo de pensar no que responder, Nathan segurou as mãos de Dylan e o levou para dentro do cinema.

 

5

Riley não tinha ideia se o tinha despistado, mas estava extremamente cansada. Ela entrou em um beco entre duas mansões e se atirou ao chão, seu cabelo estava quase fundido com o seu rosto de tão grudados que estavam, ela parecia um gigante pimentão. Havia uma grande lixeira metálica ao seu lado, dois grandes muros dividiam a passagem entre as duas casas. Cercas elétricas cobriam o topo.

     Recuperada de tanto correr, ainda estava meio manca por ter batido sua parte ao cair da escada. Ela pulou ao perceber que o seu celular estava tocando novamente, dessa vez não era um número desconhecido, era Beatrice.

     — Graças a Deus. — Disse ela em alivio ao atender o celular. — O que aconteceu com você?

     — Eu não acho que eu tenha outra pessoa pra conversar. — Disse ao telefone. — A não ser meu gato e meu peixe.

     Era a mesma gravação que havia ouvido mais cedo na casa, mas em outra parte.

     — O que foi que você fez com ela?

     Ela ouviu o barulho de algum botão sendo apertado, e então veio uma horrenda risada que penetrou nos ouvidos de Riley por muito e muito tempo.

     — O mesmo que eu vou fazer com você e com aquelas pobres almas. — Disse a voz. — Caso você perca.

     — Do quê está falando?

     A voz respirou fundo.

     — Digamos que os filmes do festival vão ser quentes. — Claro. Burra. Como não havia pensado nisso? O festival era o local perfeito para um primeiro ataque. O assassino riu novamente e desligou telefone, imediatamente recebeu uma mensagem escrita com letras vermelhas, era uma contagem regressiva. Trinta minutos, ela tinha trinta minutos para tirar todas as pessoas de dentro do cinema.

     Riley encerrou a ligação e correu, correu tão rápido como nunca havia corrido em toda a sua vida, seus cabelos voavam ao vento enquanto pessoas olhavam intrigadas o motivo da garota correr tanto. Ela passou uns cinco minutos correndo sem parar, virou uma esquina e bateu de frente com uma mulher negra de cabelos escuros, ela soltou algum palavrão em espanhol que Riley não fazia ideia do que significava.

 

Ela já podia ver o grande logo: ‘’Festival de filmes de Woodsboro’’ surgir a sua frente, havia um garoto forte de cabelos pretos indo em direção ao prédio ao lado, era Nathan. Por que ele sairia do prédio justamente quando ela estava lá? O garoto era o suspeito número um de Riley, seria o suspeito número um de qualquer pessoa. Gregory também era um ótimo suspeito levando em conta o desaparecimento de Beatrice, os dois viviam em guerra.

     — Riley? — Gritou Nathan enquanto a garota ajoelhava-se, completamente sem fôlego. — O que foi que aconteceu?

     Não havia mais ninguém do lado de fora do cinema além dos dois.

     A rua era bem larga, haviam prédios ao lado do cinema e na frente dele um gramado com árvores que se seguia que era cortado pelo pequeno caminhozinho até a entrada do cinema, onde havia uma catraca que ia até o teto, bastava você pegar seu ingresso e introduzir em uma caixinha que lia o código de barras e abria a catraca pra você.

     — Eu... fui atacada. — Disse ela tossindo. — Ele estava com o celular da Beatrice e tentou me matar quando... eu... estava na sua casa... procurando Beatrice.

     Ela estava completamente sem fôlego.

     — Vamos por partes. — Disse Nathan em um tom extremamente sério. — O que você foi fazer na minha casa?

     Era uma situação embaraçosa, como ela explicaria sem parecer que foi invasão de domicilio?

     — Eu recebi mensagens da Beatrice me chamando pra ir na casa dela assistir a um filme de terror. — Contou a garota. — Mas quando eu cheguei lá, não tinha ninguém e apareceu alguém com aquela máscara... droga, esqueci o nome.

     Nathan parecia ter entendido a situação.

     — Aquela do fantasma? — Indagou Nathan enquanto Riley concordava. — O nome é Ghostface.

     A garota começou a chorar e Nathan a ajudou a se levantar.

     — O que foi que ele fez com você? — Perguntou o garoto.

     — Ele me jogou da escada e tentou me matar.

     Os dois não se batiam mesmo, mas quando algo sério acontecia, sempre se uniam e tentavam descobrir o melhor jeito de resolver a situação, como quando Beatrice caiu da escada no ano anterior e os dois a levaram para o hospital juntos.

     — E ele disse o que ia fazer?

     — Só que o festival seria quente.

     Nathan colocou a mão no rosto e olhou para o prédio do cinema.

     — Meu Deus. — Exclamou o garoto. — Houve muitos boatos, mas o primeiro filme vai ser The Final Girls, onde um incêndio acontece e os protagonistas...

     — Entram no filme. — Disseram os dois em uníssono.

     Ele iria incendiar o cinema, mas como Riley colocaria todas as pessoas pra fora? Eles nunca sairiam de lá, todos entenderiam como uma brincadeira fútil de dia das bruxas.

     — Ainda tenho minhas dúvidas. — Disse Nathan. — Droga, Riley, olha a época em que estamos, é claro que seria o momento perfeito pra você pregar suas peças com Beatrice.

     Ela não tinha muitos argumentos contra isso, ele tinha total razão levando em conta o seu histórico perverso com Beatrice.

     — E, hum, teve o incidente do Aiden... — Ela pôde ver o ódio nítido nos olhos do garoto, o motivo pelo qual os dois não se gostavam era justamente esse, ela não o crucificava, mas sentia um certo mal-estar quando estava perto de Nathan, como se uma presença maligna vivesse dentro de seu corpo. — Mas eu estou vendo seu estado, vou acreditar em você. Se for mentira, está despedida.

     Aiden era um anjo, o que Beatrice planejou contra ele no baile de formatura havia sido doentio, nem com o seu pior inimigo se fazia algo parecido com aqueles, mas bem, ela havia ganhado o que merecia.

     — O que faremos? — Perguntou Nathan.

     — Já sei. — Disse a garota em pulos, podemos acionar o alarme de incêndio e fazer todos saírem de lá.

     O garoto fez que sim com a cabeça e correu com Riley para a entrada do cinema.

     A gigante catraca se erguia na frente dos dois, ela era baixa, então pôde se juntar com ele enquanto ambos passavam juntos de uma vez com apenas um cartão no painel. Ela pôde sentir o cheio do perfume de Nathan entrar nas suas narinas. Também havia uma porta entra as duas catracas existentes, mas estava trancada.

     Um pequeno corredorzinho dava em um grande saguão vazio, parecia ser o horário de troca de turno e as atendentes não estavam lá. O teto era fundo, como o de uma catedral, havia três lojas dividas no saguão, uma de pipocas, outra de doces e uma loja de conveniências. Todas vazias. Maldição, era coincidência demais, como se aquilo tudo tivesse sido planejado, e deveria ter sido mesmo.

     — Nathan. — Disse ela apontando para o teto, o sistema de incêndio seria ligado apenas por fumaça, a irrigação apagaria as chamas, ou seja, todos dentro do cinema iriam ser encharcados e sairiam de lá. — Isso é perfeito.

     Riley deu um sorriso e puxou uma cadeira que estava na parede, Nathan a posicionou em sua frente. O garoto tirou um gigante cigarro de maconha do seu bolso.

     Ela fez uma expressão estranha.

     — O que foi? — Perguntou ele. — Nunca sei quando vou precisar de um.

     Por ser um garoto alto, Nathan estava quase conseguindo tocar o teto, portanto o cigarro não foi necessário. Ele o guardou e tirou um isqueiro do bolso, que se acendeu em uma pequena chaminha que foi o necessário.

     Segundos depois, Riley pulou ao ver que havia água se espalhando por toda parte. Um dos jatos veio direto no rosto de Nathan, o garoto quase caiu da cadeira. Foi então que uma multidão de pessoas saiu correndo de dentro da sala, garotas com blusas na cabeça para não molharem os cabelos e garotos correndo para passar na frente das garotas. Peper era uma delas, a garota se aproximou dos dois, e viu que a bagunça havia sido causada por Nathan e Riley, os dois desconversaram quando a garota perguntou.

     Os dois saíram do local e viram que havia muita gente desistindo do festival e indo embora para casa e outras xingando e conversando em círculos na frente do local. O corpo de bombeiros estava chegando e fechando toda a frente do local — como disse, era uma cidade bem monótona.

     Enquanto observava vitoriosa as pessoas saindo de dentro do cinema, Nathan percebeu algo.

     — Isso está errado. — Disse o garoto. — Cadê o Aiden? Ele estava ao lado de mim e da Peper dentro da sala.

     Foi então que, instantaneamente, Riley recebeu uma mensagem, Nathan aproximou-se para lê-la. Era do mesmo número das mensagens, ela um vídeo. Ela abriu.

     No começo, a pessoas que gravava não estava sendo mostrada. Eles viram a porta do banheiro masculino, a câmera então mostrou o teto, todos os detectores de fumaça com os irrigadores estavam tapados a prego com grandes caixas de vidro, foi então que eles viram a água ser ligada e preenchida pela caixa. Riley olhou para os fundos do cinema e viu uma espécie de fumaça negra começando a surgir. Ele trocou a visão da câmera e se mostrou fantasiado, atrás dele, a porta do banheiro com Aiden completamente desesperado e gritando por ajuda atrás da janela. Depois disso, uma gigante frase escrita em vermelho vivo surgiu na tela:

Esqueceu de algo, Riley?

     — Meu deus do céu. — A pressão de Nathan parecia até mesmo estar caindo. — Aiden.

     — Droga. — Gritou ela apontando para os bombeiros verem a fumaça se formando. Rapidamente, todos os bombeiros ligaram as mangueiras e correram pra dentro do cinema. Isso aliviou Riley.

     Nathan olhou para o outro prédio.

     — É uma distração. — Disse ele puxando os braços de Riley para o prédio onde se vendiam as bilheterias. — Olha.

     Havia uma luz alaranjada saindo pela janela, dos fundos do local, ele estava começando a entrar em chamas.

     — Vamos. — Disse ela.

     — Eu ouvi tudo. — Disse Peper atrás dos dois. — E eu vou junto.

 

     Os três chegaram ao segundo prédio, não havia nenhum bombeiro na frente do edifício, como todos os bombeiros entram e deixam a parte de fora vazia? Não tinha nexo. O lugar era bem parecido com o outro edifício, a única diferença é que não tinha catracas e no lugar das lojinhas haviam imensas bilheterias organizadamente divididas.

     Peper apontou para um imenso corredor, os três correram por ele e encontraram o local do vídeo, Nathan chegou perto da porta do banheiro e ficou cara a cara com Aiden, as chamas destruíam o fundo do corredor e se aproximavam com uma intensa força e rapidez. O barulho da parede sendo queimada era como tortura para Nathan.

     — Inferno! — Gritou ele enquanto o garoto enquanto não conseguia abrir a porta.

      Havia uma pequena janelinha que permitia ver apenas o rosto de Aiden desesperado por ajuda, ambos socavam a porta e por mais que Nathan pedisse para o garoto se afastar e ele chutasse a porta, nada adiantava. Aiden parecia atordoado. Nathan colocou os dedos no vidro e Nathan colocou os dedos por cima do vidro nas mãos dele do outro lado.

     — Tive uma ideia! — Gritou Nathan. — Eu já volto!

     Aiden gritou para ele não ir, mas ele já estava longe.

     Peper correu atrás dele.

    Estavam ambos no saguão novamente, Nathan disse que iria procurar algo para arrombar a porta e pediu para ela ficar lá procurando em outros lugares. A garota concordou. Peper revirou o saguão inteiro e não achou nada, do lugar em que estava conseguia ouvir o choro de Riley que temia pela vida de Aiden, tão diferente daquela garota do passado que... bom, isso não vem ao caso! Onde eu estava? Ah sim... Peper chegou em baixo de uma máquina de refrigerantes e viu um pé de cabra jogado bem ao fundo, ela esticou seus braços e tentou pegar, ainda assim, não conseguia pegá-lo de jeito nenhum. Ela tirou seu celular do bolso e continuou tentando pegar, mas sem êxito.

     — Nathan! — Gritou ela. — Nathan! Achei!

     Ainda agachada, Peper não percebeu a presença atrás dela.

     Descendo as escadas, saindo do mesmo lugar que Nathan havia entrado, surgiu ele, o dono da voz e que tentara matar Riley horas mais cedo. Sua capa estava chamuscada e sua máscara com algumas manchas pretas, provavelmente causadas pela densa fumaça, era como se ele estivesse preso em algum lugar em chamas antes de entrar ali, provavelmente nesse prédio mesmo.

     — Me chamou? — Disse com a voz exatamente igual a das ligações. Peper pulou, ao virar-se, o assassino atirou a fraca contra seu peito. Ela gritou e conseguiu se esquivar, o assassino cambaleou para frente, mas conseguiu se manter em pé. Riley percebeu o que estava acontecendo, mas não podia deixar Aiden sozinho e fogo estava muito, muito próximo. Tanto que a conseguia sentir o calor em seu rosto. Ele correu em direção a Peper, ela tentou abaixar-se mas a faca pegou de raspão em seu braço, grunhindo de dor e a ignorando completamente, correu para o outro lado e pulou em cima da máquina, que espatifou-se no chão. Ao levantar-se, Ghostface pulou em cima dela e desferiu um golpe em sua perna esquerda. Peper sangrava feito um porco sendo abatido, ela gritou por Riley. Ela pulou para o lado, o assassino andou lentamente atrás dela enquanto a garota se rastejava no chão, ele a deixou ir um pouco, deixando uma trilha de sangue por onde passava.

     — É incrível como eles sabem que não vão sobreviver, mas sempre batalham até o último segundo. — Disse ele. — Isso é tão tocante.

     Foi então que, atrás dele, Riley surgiu segurando o pé de cabra ao lado de Aiden.

     — Deve ser inspirador. — Disse Riley segurando seu celular no mesmo aplicativo que Ghostface usava, portanto, as vozes eram idênticas. Ao virar-se para a garota, ela socou o pé de cabra contra o rosto de Ghostface, fazendo sua máscara voar para o outro lado do saguão. Ele usava uma espécie de touca ninja que cobria todo o seu rosto, mas o tecido era bem mais fino, segurando o rosto que sangrava, ele pegou a máscara do chão e saiu correndo pela porta da frente.

     Os três respiraram de alívio quando ele cruzou a porta.

     — Nathan? — Disse Aiden enquanto se colocava na frente das duas. Riley pulou para o chão e tapou os ferimentos de Peper, que parecia estar mais feliz do que esfaqueada.

     O garoto entrava pela porta.

     — Onde você estava? — Perguntou Aiden.

     — Eu, hum, fui lá fora procurar algo para abrir a porta.

     Segundos depois, a polícia invadiu o local junto com os bombeiros que seguravam imensas mangueiras para combater o fogo. Aiden se aproximou dele, Peper estava começando a ser atendida e Riley olhou para os dois juntos.

     Saíram os três, lado a lado, um policial abordava Riley e ouros dois comentavam que eles não poderiam sair do local até que Nathan disse que ia se sentar um pouco, ele tentou disfarçar, mas Aiden viu, sua boca estava sangrando.     

 


Notas Finais


— Espero que tenham gostado <3

— Criei um Wikia pra fanfic: https://Scream-interativa.wikia.com | eu vou atualizar todo dia que postar um capítulo novo.

— Se gostar favorite também minha nova história, ela é estilo Pretty Little Liars só que com uma pegada mais sobrenatural e também tem palhaços, recomendo: https://goo.gl/SbQe2X

— Comentem a sua opinião, é muito importante <3 Obrigado por ler <3


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