História Se Min Yoongi estivesse vivo - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Suga
Tags Hogi, Hopega, J-suga, Sobi, Yoonseok
Exibições 142
Palavras 3.814
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Shonen-Ai, Shoujo (Romântico)
Avisos: Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas da Autora


Betado por ~Zarupy

Capítulo 1 - Porque Agust D nunca existiu. (Capítulo Único)


Irmão, você não percebeu que você

É o único representante do seu sonho na face da Terra?

Se isso não fizer você correr, chapa

Eu não sei o que vai”

Levanta e Anda (feat. Rael) - Emicida

 

Yoongi trabalhava muito e estava sempre cansado, tanto que achava que sua cabeça nunca mais fosse parar doer. Seu corpo há muito estava no limite e toda semana prometia a si mesmo que iria começar a ser saudável para viver melhor. Quem sabe devesse comer uma fruta no café ou correr na praça que nem era tão longe assim? Pareciam todas boas opções, mas ele estava realmente exaurido de forças, queria deitar em qualquer canto e dormir imediatamente.

Só que a vida nem sempre era o que se desejava e Yoongi sabia disso.

Durante a manhã, diversas coisas haviam acontecido e isso fez o homem de baixa estatura e cabelos grisalhos em tenra idade pensar muito. No caminho para o trabalho, com sua roupa social impecável, o terno alinhado e sapatos perfeitamente engraxados, deparou-se pessoas aparentemente felizes e questionou-se se aquilo era real. Viu pessoas pobres quando parou nos semáforos e tentou entender o que as movia. Viu seu chefe, seus colegas de trabalho, os garçons do restaurante em frente ao prédio da empresa, viu as pessoas acontecendo, a cidade vivendo, mas não sentiu. No caminho de volta, Yoongi pegou-se pensando tanto sobre que rumo estava dando para sua vida pessoal e também que nunca parecia estar satisfeito com nada, mesmo que tivesse tudo o que julgavam necessário para ser feliz.

Não era um ingrato, não era falta de fé numa força maior, apenas sentia-se desprovido de razões. Sua criança sonhadora com palcos e rappers famosos tinha ficado para trás, e até mesmo o simples ato de respirar agora era carregado de um peso enorme que parecia deixá-lo estagnado no chão.

Agora com seus trinta e tantos, Yoongi era bem mais corpulento fisicamente, mas ossudo em algumas partes, e raras eram as vezes que ficava acamado, só que mesmo assim tinha que ouvir Hoseok dizer que deveria se prevenir mais - nessas horas queria mandar Jung cuidar da própria vida, mas lembrava que a vida dele era de Hoseok também e a discussão estava perdida antes mesmo de começar -. Constantemente tinha olheiras e sua pele deficiente de melanina às vezes parecia mais pálida ainda, deixando-o com uma aparência realmente doente.

Suspirando então ao retirar os sapatos sociais na entrada do apartamento em que vivia com o noivo, pensou pela milésima vez em pedir demissão e sair de férias para algum país tropical e refrescante como Hoseok vivia planejando. Quem sabe poderiam finalmente se casar por lá, já que ainda não era permitido em seu país de nascença, e de brinde relaxar numa rede a tarde toda ou sentir a água fresca de uma cachoeira escondida em alguma montanha. Yoongi aceitaria até as músicas havaianas irritantes se isso significasse poder dormir até mais tarde no dia seguinte.

Com as meias escorregadias no piso de madeira, ele sacudiu a cabeça para o rápido pensamento de como Hoseok ficaria animado com uma viagem e foi caminhando pelo chão frio até estar na sala. Existiam outras responsabilidades, não podia pedir demissão e dar falsas esperanças para Hoseok lhe partiria o coração.

As luzes do cômodo estavam apagadas, mas Yoongi já conhecida a mobília bem demais para precisar acendê-las. Era apenas um sofá encostado na parede do fundo e a estante com uma televisão razoavelmente grande na parede oposta. Também uma mesa de centro e outra ao lado do sofá com um telefone e a conhecida bagunça de papéis post-it com endereços e números anotados, além de muitos cartões de restaurantes que entregavam a domicilio. Os outros cômodos não eram muito diferentes na simplicidade. A maioria dos móveis eram do antigo dono do apartamento e como foram feitos sob medida, não podiam ser retirados. Yoongi agradecia internamente todos os dias pelo dono anterior ter um bom gosto ao ponto de usar cores bonitas e combinações aceitáveis. Não teria dinheiro para trocar nem se quisesse e não queria viver num apartamento com uma cozinha verde-limão ou amarela.

Mais uma vez suspirando, jogou sua maleta repleta de relatórios que deveriam ser preenchidos durante o fim de semana no sofá e em seguida afrouxou sua gravata e começou a desabotoar a camisa branca, decidido a tomar um banho e dormir.

O fraco brilho da lua cheia entrava pelas frestas da cortina que cobria a porta da sacada e aquilo tomou sua atenção por alguns segundos. O ano estava acabando, mais um. Sua vida estava correndo e se perguntava se o que fazia realmente o deixava feliz.

Yoongi era formado numa boa faculdade, não somente, foi com certa persistência que conseguiu entrar na SKY¹ e ver um esboço de orgulho no rosto de seus pais. Seu inglês agora era quase impecável depois de muitas aulas e isso se tornou um de seus maiores aliados no mercado de trabalho. Suas obrigações para com sua nação também foram cumpridas com êxito e aquilo o mudou bastante mentalmente. Apesar não ser um funcionário de cargo importante, sabia que tinha uma base sólida dentro da empresa, conquistou seu espaço, era respeitado pelos menores e ainda dispunha de um bom salário, e sua permanência lá era quase certa até a aposentadoria. Tinha também um apartamento não muito grande, mas num bairro tranquilo, quitado e em seu nome, tinha também um bom carro e só lhe faltava...

Isso parecia um ótimo assunto para se pensar naquele momento, mas Yoongi não tinha tempo nenhum para se entristecer agora. Pensar no vazio o deixava com a garganta apertada e não estava com vontade de tomar calmantes para dormir outra vez.

Estalou a língua em negação e retirou o relógio em seu pulso indicando que já passava da meia noite. Colocou-o na mesinha da bagunça e voltou a caminhar pelo apartamento no escuro.

As luzes apagadas em todos os cômodos davam a entender que o único outro morador já estaria dormindo. Min não podia culpá-lo por não conseguir esperá-lo chegar, por mais que fizesse de tudo para terminar seus deveres o mais rápido possível, um problema sempre acontecia. Hoseok também dava tudo de si tentando ficar acordado até tarde, mas ele nunca desistiu do sonho da música, então Yoongi entendia que isso era um dos fatores que o deixavam sem energia nenhuma no fim do dia - algo que outrora Yoongi julgaria impossível, porque Hoseok era sempre tão espontâneo que chegava a irritar e tão persistente no que acreditava que acabou por se quebrar -.

Enquanto Yoongi trabalhava demais por não conseguir mais lutar contra o que mundo impôs e raramente tinha tempo para se dedicar a Hoseok tanto quanto gostaria, Jung, por sua vez, tentava suprir tudo o que Yoongi não conseguia fazer sozinho. Hoseok era compreensivo e sensato, sabia que adultos precisavam ganhar dinheiro para viver e às vezes outras coisas eram deixadas de lado no meio disso. Fazia algumas semanas que não tinham uma boa noite de sexo, por exemplo. Yoongi chegava tarde quase todos os dias, cansado, entristecido, acabava broxando nas poucas vezes que tentavam, então sentia raiva de si. Vergonha, medo. Uma bola de neve. Hoseok cuidava do que podia das tarefas domésticas por ficar a tarde toda em casa compondo ou produzindo alguma música, da mesma forma que cancelava algumas apresentações para tentar ajudar a colocar mais alguns centavos na mesa com algum emprego temporário. Hoseok ficava nervoso em silêncio, também chorava escondido por tudo que lhe ocorreu na vida, é claro que ele ficava mal, tinha ambição e queria que tudo desse certo. Por isso confiava. E continuava.

Yoongi reconhecia que Hoseok tentava ser o melhor da maneira dele, por isso não cobrava nada. Também apreciava o fato de Hoseok ter insistido em manter contato com ele quando soube que Min estava de volta à capital e trabalhando em uma multinacional. Um Yoongi muito diferente do jovem que dizia não querer ser só mais um em meio a multidão. Jung entendeu as escolhas que Yoongi fez, Yoongi entendeu as dele. O companheirismo surgido em muito tempo atrás ainda se mostrava presente e com alguns encontros para relembrar os velhos tempos, se tornou algo mais. Maduro.

Estavam bem sem exatamente estar.

Mesmo com suas pernas curtas, não foram necessários muitos passos para Yoongi chegar ao quarto do casal e como suspeitava, Hoseok dormia serenamente na cama, lateralmente, coberto apenas por um grosso edredom e abraçado ao travesseiro dele.

O moreno de nariz arrebitado que se encontrava nos braços de Morfeu gostava de dormir com as cortinas abertas em noites de lua cheia, porque achava bonito o modo como tudo ficava mais delicado ao ser iluminado pelo luar. Yoongi observou atentamente os lábios entreabertos de Hoseok e ouviu sua respiração baixinha. O peito dele subia e descia lentamente, Min teve medo do noivo acordar e se assustar com alguém o olhando dormir, sabia que Hoseok ficava assustado com facilidade. Também queria mostrar como ele ficava bonito daquela forma e até pensou em fotografar a cena, mas decidiu ser egoísta e guardar aquele pedaço da perfeição para si.

Jung subitamente virou-se, levando o travesseiro consigo enquanto se acomodava mais em toda a cama de casal que lhe era disponível. Murmurou algo ininteligível ao ficar de barriga para cima e acabou abrindo um pouco mais a boca, de um modo engraçado, enquanto os fios escuros caíam-lhe pela face. Yoongi sentiu-se tentado novamente a deitar na cama com ele e acariciar-lhe os cabelos negros, mas iria tomar um banho primeiro e acordá-lo só quando fosse deitar. Precisava do seu travesseiro.

Sorriu uma última vez para a cena quase adorável que o fazia relembrar o porquê de gostar tanto de Hoseok. Retirou o cinto da calça e a gravata que tanto o enforcava, deixando ambos sobre a cadeira do computador, mas logo tratou de se trancar no banheiro.

Com a porta fechada para não atrapalhar Jung, Yoongi continuou a se despir no pequeno cômodo iluminado por uma luz esbranquiçada. Foi jogando sua blusa social no cesto de roupas sujas, depois suas meias, calça e por último a roupa íntima. Em sua nudez sentiu-se exposto, com o frio da noite lhe tocando em toda parte. Olhando para baixo, o estômago levemente dilatado somado a pouca gordura da falta de uma dieta saudável era o que mais incomodava. Lembrou de como se sentia quando Hoseok o admirava daquela forma e mesmo assim dizia que era lindo. Jung ainda tinha os músculos definidos pelos movimentos animados que fazia nos palcos improvisados e saber que havia alguém que insistia mesmo depois de fracassar repetidamente assustava ainda mais Yoongi.

Min ligou o chuveiro na temperatura que o agradava e iniciou seu banho lentamente, deixando a água morna relaxar-lhe os músculos e o aroma do sabonete em seus dedos se espalhar pelo cubículo apertado que era dentro do box fechado. Ele pôs-se a pensar que talvez Hoseok fosse louco e, apesar de tudo, seu relacionamento era a única coisa que lhe fazia bem. Yoongi não se sentia em casa apesar de estar, mas saber que havia alguém que dormia abraçado a um travesseiro por sentir falta dele o fazia ter vontade de ficar por mais uma noite.

Mais ainda, porque era Hoseok. A pessoa que vivia dentro daquela cabeça confusa fascinava Yoongi e cada nova descoberta ao lado dele tornava tudo mais suportável.

Em se tratando de Jung Hoseok e Min Yoongi, ninguém poderia duvidar que os dois se amavam. Mais do que isso, se admiravam. Desde a época em que tentaram a sorte como idols, mantinham a mesma admiração um pelo outro. Debutar como músicos havia sido a melhor loucura que qualquer um podia fazer, mas nem sempre a indústria era o que se esperava e todos sabiam que cair no esquecimento era normal. Quantos mais tentaram e sequer chegaram lá? Todo dia, centenas de jovens se arriscavam nesse mundo cruel da fama e muitos voltavam frustrados. Foram mais um desses.

Pelo menos ainda tinham um videoclipe gravado e Yoongi adorava ver a face esperançosa e alegre que Hoseok tinha ao lembrar de quando eram jovens. A música até tocava uma ou duas vezes por ano em algum programa de televisão com baixa audiência e ainda soava da mesma forma aos ouvidos de Yoongi. Com seu suor e o dos outros membros do antigo grupo, tentaram. Tentaram cantar sobre não fraquejar e como os jovens poderiam correr atrás dos sonhos que almejavam, não importava o quanto diriam que eles não conseguiriam. Yoongi sabia que alguém, em algum canto do mundo, tinha ouvido sua mensagem e talvez aqueles poucos minutos de música poderiam ter mudado a vida dessa pessoa.

Terminando de tirar o condicionador dos cabelos, relembrou da sensação de desolamento ao perceber que seus medos eram reais e que ele não era bom o bastante para o mundo. De como aquilo o destruiu e como ele quis acabar com tudo com a notícia de que um segundo álbum não existiria, mesmo sem saber o que realmente era tudo. Naquele momento suas inseguranças passaram a ser reais, seus medos que insistiam em aparecer como pesadelos retornaram e a tristeza sequer o esperava dormir e o fazia chorar na madrugada em que a insônia era a única companheira.

Voltar para Daegu de mãos vazias foi uma das piores experiências da vida de Yoongi. Seu dinheiro para viver na capital acabou depois de certo tempo e ele não conseguiu outro trabalho. Havia arriscado tudo e falhado, teve que encarar a fúria de seus pais, fazer uma faculdade que odiava e ter um emprego de verdade. Durante muitos anos continuou compondo escondido, produzindo suas próprias músicas e disponibilizando-as na internet, mas depois de um tempo o hobbie também perdeu a graça. Viu aquilo que mais amava perder o tom esperançoso e ouviu as melodias não soarem mais como sonhos, mas como reclamações sobre a estabilidade sem liberdade.

Yoongi desligou o chuveiro com raiva. Mordia seu lábio inferior com força e a respiração estava acelerada. As lágrimas escorrendo por sua bochecha pareciam queimar mais do que a água quente. E ele queria se debater. Bater em algo. Se bater. Sentir algo bom, não o vazio enlouquecedor que tentava enterrar em seu peito para fingir que não existia. Aquele monstro que parecia tomar conta de si e gritar em sua mente as inutilidades do mundo, começando por ele próprio. Aquele monstro que morria com a música, com o grito das fãs que nunca vieram, com o amor de acreditarem nele ao mesmo tempo que ele mesmo acreditava.

Sabia que podia agarrar a mão de Hoseok com todas suas forças e chorar o quanto fosse junto a ele, mas era algo que ele precisava consertar por si mesmo. Só precisava de forças. Estudava todo dia como iria conseguí-las. Por hoje ia dormir, aquilo teria que ficar para quando tivesse tempo livre.

O vento frio da madrugada atravessou a pequena janela do banheiro e mais uma vez tocou o corpo nu de Yoongi. Ele sentiu o arrepio, mas não se importou. Abriu o box de vidro e se secou perdido em pensamentos. Só queria deitar a cabeça no travesseiro, queria esquecer, que nada tivesse acontecido, queria viver, queria correr para longe.

A força com a qual ele esfregava a toalha na própria pele acabou fazendo com que a mesma ficasse avermelhada. Yoongi suspirou, resolveu parar de ser idiota e só escovar os dentes e ir dormir. Você tem quase quarenta, supere essa merda. 

.



 

O homem sentou-se na cama, agora vestido para dormir apenas com sua roupa íntima, porém mais calmo da quase crise no banheiro. Odiava quando isso acontecia. Yoongi então suspirou e voltou a olhar para a face adormecida de Hoseok, agora novamente deitado de lado e numa posição que parecia extremamente desconfortável. Esticou seu braço e tocou os cabelos de Jung, não resistindo em fazer uma breve carícia nos fios antes de sussurrar:

– Hope-ah, eu quero meu travesseiro.

A luz da lua ainda era a única que iluminava o cômodo e Yoongi não se incomodava em dormir com ela. Apesar de ter dificuldade para pegar no sono sem os remédios, desde que conseguisse dormir por poucas algumas horas, isso não fazia diferença. Notou que seus dedos eram meio finos conforme se embrenhavam em meio ao cabelo macio de Hoseok. Desfrutando da sensação de fazer um pouco de carinho na pessoa que fazia seu coração bater um pouco mais aliviado, esperou alguma resposta ou que seu travesseiro fosse liberto, mas nada.

Tentou então delicadamente empurrar Hoseok para o próprio lado da cama e estava cogitando dormir sem o apoio da cabeça de tão cansado, mas até que a voz sonolenta de Jung se fez presente através dos lábios ressecados que se moveram:

– Hyung?

Yoongi riu, Hoseok não abriu os olhos.

– Não, Seok, é meu espírito. Ainda estou preenchendo relatórios.

– Espíritos não precisam de travesseiro. – Foi a vez de Hoseok esboçar um sorriso e abrir seus olhos numa pequena fenda enquanto se espreguiçava e se ajeitava, dando espaço para Yoongi deitar – Você jantou? Deixei pra você no microondas.

Yoongi negou com a cabeça e deitou-se na cama, pegando seu travesseiro dos braços de Hoseok e indo para baixo do edredom. Hoseok jogou sua perna sobre as de Yoongi e passou a usar o próprio noivo como travesseiro, aninhando-se junto dele. Por muitos segundos ficaram em silêncio, abraçados. Yoongi não estava mais com sono, mas estava estranhamente relaxado. Ter Hoseok em seus braços dava-no uma sensação de segurança indescritível, e quando Jung acomodou mais a cabeça em seu peito, tocando-lhe nas costas com os dedos quentes, teve vontade de abraçá-lo mais forte ainda.

Foi o que fez.

– Yoon... eu estou com saudades... – Hoseok murmurou baixinho, passando sua mão pelo corpo de Yoongi e aproximando mais os corpos. Arranhou as costas do outro com as unhas curtas, descendo em direção as nádegas de Yoongi e apalpando levemente a região. – Eu sinto tanto sua falta...

Yoongi suspirou, sabia o que Hoseok queria.

– Eu estou cansado. Amanhã, pode ser?

– Vou te cobrar amanhã então. – Jung suspirou e tornou a dizer com uma voz sonolenta após um curto bocejo – Só te perdôo porque eu estou com sono também.

– Eu sei. – Yoongi gargalhou suavemente, ainda sentindo a mão de Hoseok o acariciar de um modo mais amoroso. Levou seus próprios dedos à cabeça de Hoseok, com o braço jogado sobre os ombros dele e continuou com o carinho interrompido. – Como foi seu dia?

Mais silêncio. Yoongi sentia o corpo de Hoseok tão próximo ao seu… Sentia o calor dele e só queria estar mais perto de alguma forma. Sentia-se bem, pela primeira vez no dia. Inteiro. Talvez todas as suas dúvidas estivessem respondidas ao tê-lo consigo, porque naquele momento deixavam de existir.

Yoongi portanto não sentia falta de nada na vida, sentia falta da segurança de quando não tinha Hoseok para abraçar. Era incompleto, não conseguindo se apoiar totalmente nos próprios anseios, pois há muito eles haviam sido destruídos.

– Vai conversar ou dormir? – Hoseok brincou, passando o nariz pelo peito de Yoongi e deixando alguns suaves selares na pele desnuda dele.

– Quero saber como meu noivo está antes de apagar, nem vi ele no café… – Yoongi sussurrou.

Hoseok então riu e levantou a cabeça, para poder olhar Yoongi enquanto falava, mas o mais velho já estava com os olhos fechados, então fechou os seus também.

– Eu tive que ir numa gravadora bem cedo, eles me ligaram quando você estava no banho, desculpa. Estavam fazendo testes para produtores e compositores... Eu acho que agora vai. Amanhã eu também tenho uma participação num evento pra fazer com o Namjoon e gente ficou vendo o lugar hoje a tarde. Vão ter outras pessoas, mas a gente vai dividir o lucro das entradas. – Jung hesitou por um momento antes de fazer a pergunta que havia ficado em sua mente por todo o dia. – Você vai?

Yoongi sabia que Hoseok estava esperando a recusa. Ele próprio estava pensando em dizer não, mas por mais que doesse ver o antigo companheiro de grupo que tanto se deu bem no mundo da música depois de insistir várias e várias vezes, talvez admirar a sensação que o outrora o alegrava fosse recarregar uma parte de suas forças.

– Sim, claro. Faz tempo que não vejo o Namjoon.

Ambos os olhos se abriram e Hoseok sorriu o mais largamente que conseguiu, mostrando as pequenas covinhas abaixo das maçãs do rosto.

– Jura? Vai ser ótimo! Vou dar o meu melhor pra você lá, mas... – Jung parou por um momento, ainda olhando nas íris negras de Yoongi quase sem brilho. – Se você estiver muito cansado não precisa...

– Estar cansado é meu estado natural na vida. – Foi a vez de Yoongi sorrir, tentando parecer sincero. – Eu sei que é importante pra você e acho que consigo se eu me esforçar um pouco e...

– Hyung… – Hoseok interrompeu – Você tem que pensar em você, eu vou entende-...

– Eu sei, eu sei. Eu tenho que me cuidar e cuidar e blá blá blá… Mas hoje eu parei pra pensar sobre os velhos tempos, sabe? Sobre quando eu era mais feliz e acreditava um pouco mais…  Sinto como se eu tivesse virado um adulto triste e conformado, não quero isso. Eu sinto falta de quando eu era mais novo e o que eu fiz com minha vida foi…

Yoongi engasgou-se na última parte. Não queria deixar todos os sentimentos desesperadores voltarem, mas sentia que precisava compartilhar o que havia no seu interior. Hoseok percebeu a falta de palavras do outro e perguntou:

– Mas valeu a pena?

– Você valeu. – Yoongi sussurrou em um sorriso.

– Estou falando sério, Yoongi-ah.

Hoseok retribuiu o riso e deixou um pequeno beijo na ponta do queixo de Yoongi. Min afagou um pouco mais os cabelos dele em troca.

– Eu também… Algumas sim, outras não... Mas eu acabei de perceber algo mais importante.

A curiosidade de Hoseok era grande, seus olhos também pesavam muito e o carinho que recebia fazia o sono ficar ainda mais evidente. Precisou juntar todas suas forças para fazer a última pergunta antes de se entregar ao sono.

– O quê?

Então era isso. Yoongi trabalhava arduamente, não ia parar. Precisava continuar no caminho que tinha escolhido, por mais que não fosse o que o fazia mais feliz. Por si, por Hoseok e por tantas outras razões quanto sua mente conseguia criar, ele continuava a se moldar conforme suas opções fossem surgindo. Porque ele precisava seguir.

Nem sempre sonhos se realizavam, nem sempre a vida era perfeita, mas às vezes pequenas coisas boas aconteciam e de certa forma todo o resto parecia ser mais suportável. Era isso que Hoseok e aquele pequeno momento significava na vida de Yoongi. Talvez muito além disso, mas ele estava cansado demais para pensar.

Por hora, iria apenas ter uma noite tranquila de sono abraçado a quem o fazia bem.

– Hyung?

– Minha vida ainda não acabou, Hoseok.


Notas Finais


Inspirado em realidades. Baseado em esperanças.

¹ SKY é a sigla pras três melhores faculdades da coreia do sul


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