História Sea Augen (Os olhos do Mar) - Capítulo 4


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Aventura, Drama, Mitologia, Pirataria, Romance
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Palavras 2.342
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural
Avisos: Álcool, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Notas da Autora


→ Parágrafo com aspas (“) – Narrativa de Angela
→ Parágrafo normal – Narrativa em 3ª pessoa.
→ Todo e qualquer lugar citado é fantasioso. Os nomes de nações reais utilizados são apenas para a identificação das linguagens diferentes do português utilizadas no decorrer da história.
→ Os desenhos de capa de capítulos são de minha autoria.~

Capítulo 4 - Piratas


Fanfic / Fanfiction Sea Augen (Os olhos do Mar) - Capítulo 4 - Piratas

Amanhecia o dia no reino Volkërs e com o despertar, Sebastian prontamente seguiu para os aposentos de Oliver, onde pretendia lhe ajudar com os afazeres que se focavam em continuar o auxílio a todos os que foram afetados pelo ataque pirata, mas ao bater na porta do quarto real, não obteve resposta, o que o fez tomar a liberdade de abrir uma brecha a porta, ainda que com delicadeza, mas que logo se transformou em espanto por encontrar a cama vazia ainda perfeitamente posta, como se sequer alguém tivesse dormido ali. O senhor tremeu nas bases, o primeiro pensamento que lhe passou pela cabeça era de que após conseguirem o Rei, agora haviam voltado para tomar todos os que tinham a possibilidade de assumir o trono.

Foi então que prontamente seguiu para o quarto da princesa, abrindo a porta sem qualquer aviso prévio e vendo a cama desarrumada, ela pelo menos havia chegado a se deitar, mas algo a tirou de dentro do quarto. Apesar da preocupação, era até de se esperar que a ruiva aprontasse algo em uma situação delicada como aquela, mas o que realmente lhe surpreendia era o fato de Oliver ter desaparecido sem qualquer aviso anterior. Sebastian então tomou como a primeira tarefa organizar um grupo de busca, o conselheiro juntou alguns marinheiros e os mandou em busca dos filhos do Rei; só então voltando a cuidar dos feridos, já que na realeza não havia praticamente sobrado ninguém, lhe restava agora como fardo tomar conta do que restou daquele lugar.

Enquanto isso, os dois seguiram viagem. Esconder-se entre as cargas é uma tarefa simples, porém não muito confortável, ainda mais para alguém que está mais do que acostumada com o luxo que a realeza proporciona. Os rejentes ao trono dormiram por longas horas até que finalmente uma movimentação que chacoalhou a embarcação, os trouxe de volta da terra dos sonhos.

– ... Onde estamos? –

Angela perguntou ainda bem sonolenta enquanto coçava os olhos. O seu irmão apenas revirou os olhos impaciente.

– Se esqueceu de que entramos em um navio sem qualquer tipo de guia? –

Foi então que as lembranças da noite anterior finalmente vieram a tona, havia sido uma to bastante impensado mas sinceramente a aquele ponto, todos os seus atos eram justificados pela sua busca. Oliver levantou-se cuidadosamente e cuidadosamente passou por entre as várias caixas que os piratas carregaram na noite anterior e procurou uma pequena janela, podendo ver ao menos os arredores.

– Parece que aportamos em algum outro lugar, me é familiar, acho que ainda estamos no reino. Mas parece ser uma das ilha mais pobre das que costumamos frequentar. –

Acrescentou. Oliver se afastou apenas para analisar melhor a tal abertura que provavelmente era uma que algum dia foi equipada com canhões, o que garantiria uma passagem para o lado de fora sem que necessariamente fosse preciso chegar ao convés e correr o risco de serem surpreendidos por algum pirata.

– Vem! –

O príncipe se aproximou de sua irmã e a puxou para que se levantasse, a guiando até a tal janela e praticamente a empurrando para que ela fizesse a travessia para o lado de fora.

– O que? Você perdeu o juízo? –

Ela protestava, fazendo questão de abrir os braços para que não passasse pela abertura. Mas o seu irmão apenas parecia mais impaciente.

– Você que perdeu, agora eu preciso dar um jeito de saírmos daqui, anda! –

Habilmente ele segurou-lhe os braços, a imobilizando e novamente a empurrando pela abertura até que a ruiva finalmente atravessasse, podendo ouvir apenas o barulho de seu corpo caindo na água e algo que pareceu um grito abafado pela água. Agora sim, Oliver sentiu-se aliviado para que também fizesse o mesmo; ao passar, nadou até a margem onde a sua irmã encharcada já o aguardava com um olhar mortal.

– Nem precisa dizer nada, agora vamos arranjar algum lugar pra pedir informação. –

Ele apenas levou uma das mãos até as costas molhadas de sua irmã numa tentativa de guiá-la em frente para que voltassem a andar.

O lugar em si, parecia bem pobre, não haviam construções majestosas ou igrejas grandes, apenas pequenas casas, tabernas e estações onde ferreiros trabalhavam; fora isso, havia um gigantesco porto onde haviam os mais diversos navios ancorados. Já era de manhã e o lugar estava bem movimentado, o burburinho era constante entre as pessoas e algumas até pareciam mais exaltadas do que o normal, claramente alteradas pelo álcool. Aquele era um típico ponto seguro de piratas, sendo possível ver uma grande variedade deles em seus navios, vendendo os seus espólios entre outros, mulheres bem trajadas oferecendo favores especiais em troca de algumas moedas de outro e claro, haviam também entre eles vendedores trocando tecidos ou outras especiarias e os bons e velhos capitães organizados em pequenas mesas afim de recrutar mais marinheiros para a sua tripulação.

O jovem príncipe caminhou com a sua irmã por meio das pessoas, podendo sentir o asqueroso cheiro daqueles que provavelmente não conheciam um banho há algum tempo, do peixe recém-pescado com o seu odor característico, em suma, não era exatamente um ambiente frequentado pora queles que tinham uma condição melhor de vida. Apesar de estarem de certa forma “sem rumo”, o príncipe parecia procurar por alguma coisa em particular, os seus olhos verdes vasculhavam cada pequeno canto do horizonte em busca do que tinha em mente e conforme os dois passavam pelas multidões, puderam avistar um aglomerado de pequenas casas de madeira, uma rápida checada nos arredores foi o suficiente para Oliver identificar o que procurava: Um varal com roupas. Oliver prontamente agarrou algumas peças, as selecionando bem.

– Oli, tudo bem que a ideia era louca, mas agora roubar? –

Angela perguntou incrédula, gesticulando agitadamente para as peças que o seu irmão colocava sobre o tronco como se medisse o próprio corpo. O ruivo revirou os olhos e prontamente agarrou algumas peças e as atirou na direção de sua irmã.

– Faz ideia do quão sortudos nós fomos por termos chegado até aqui intactos? E outra, você está usando só uma camisola e eu estou usando as túnicas de sempre, não são roupas baratas, podem facilmente nos identificar como pessoas com recursos, então precisamos nos disfarçar. –

A garota analisou melhor as peças que lhe foram atiradas e em seguida voltou o seu olhar reprovador para o rapaz a sua frente que já se aconchegava atrás de uma pequena mureta para se trocar.

– Mas são roupas masculinas, Oli... –

– Apenas vista. –

Ela então desistia de tentar argumentar, apenas aguardava o irmão se retirar de trás da tal mureta para que fizesse o mesmo. Oliver largou as suas vestes de tom azulado e agora trajava uma camisa branca surrada complementada por um casaco marrom de mesmo tom que a calça e as botas. Angela, após se trocar também vestia roupas bem similares só que obviamente lhe caiam bem mais folgadas do que as do irmão, fora que as longas e brilhosas mechas ruivas criavam um certo contraste com a roupa surrada.

O príncipe a olhou por alguns instantes e se afastou para que pegasse uma pequena boina que também estava presa ao varal, se aproximando de sua irmã e juntando todo o seu cabelo em uma das mãos, enquanto que posicionava a boina com cuidado sobre a sua cabeça de tal forma que todo o cabelo ficasse preso entre a boina e a sua cabeça, fazendo todo aquele volume desaparecer.

– Pronto, vão pensar apenas que roubou as roupas. É melhor do que acharem que podem roubar as suas. –

Ele comentou antes de gesticular para que ela o acompanhasse de volta. A ruiva apenas respirou fundo como uma forma de se manter calma e seguiu o seu irmão sem muita cerimônia.

– Certo, sabemos que o nosso pai foi levado por um tal de “Poison”, o homem careca da marca na mão deve ser o capitão de lá, então tudo o que precisamos é saber para onde ele ia. Deixei passar alguma coisa? –

A ruiva ponderava conforme caminhavam.

– Sim, você se esqueceu que alguém com um poder destrutivo daquele pode facilmente nos matar, preciamos de apoio, ou de alguém que saiba lidar com essas coisas que fogem ao normal. –

Oliver respondeu quase que imediatamente.

– Então tá, então pode me dizer quem aqui é que entende de piratas? –

Ela perguntou sem muito interesse, como se quisesse fazer uma pergunta que o desarmasse, entretanto, Oliver já tinha os olhos fixos em uma espécie de taberna que emitia uma música bem confusa e era possível ouvir algumas risadas ecoando de lá de dentro.

–... Piratas. –

Ele disse quase que inconscientemente antes de ir diretamente até a tal taberna, ao entrar, sentiu um leve impacto pelo forte cheiro de álcool que dali de dentro emanava. O ruivo fez questão de manter a sua irmã bem perto de si ao entrarem naquele recinto, sabia que qualquer momento de desatenção poderia ser realmente fatal.

– Por favor, não faça nenhuma besteira. –

Ele sussurrou para ela. Via homens e mulheres dançando, comemorando, rindo e se embebedando sem qualquer pudor. Alguns pareciam tão atordoados que sequer pareciam ter noção do que estava aprontando ali. Mas entre toda aquela bagunça, era possível ver alguns homens bem lúcidos sentados em mesas e conversando com alguns outros, alguns minutos de conversa e algum dos homens sentados anotava algo em um papel e dizia animadamente “Bem-vindo a tripulação!”. Aquilo era a oportunidade perfeita, Oliver acenou para que a sua irmã permanecesse em um canto enquanto ele mesmo se aproximava daqueles que pareciam recrutar homens interessados em navegar. Após alguns instantes aguardando e desviando de bêbados que tentavam dançar, finalmente havia chegado a sua vez.

– E você garoto, qual é a sua história? –

Um dos homens se direcionava para o ruivo que por estar prestes a responder, não percebia que a sua irmã já havia se aproximado o suficiente para ouvir a pergunta e prontamente respondê-la.

– Leviathan. –

Ela disse de uma só vez. Mas o ecoar daquele nome fez que os homens presentes suspirarem como se tivessem perdido o ar por alguns instantes, todos os que conseguiram ouví-la no meio daquela música alta, pareceram parar tudo para ouvir atentamente do que se tratava.

– Queremos saber como encontrá-lo. –

Ela prosseguiu. O homem que fazia quele tipo de entrevista sorriu de canto e olhou para Angela, soltando uma risada baixa em seguida.

– Crianças não deviam falar besteiras, sabe. Eu já ouvi sobre homens suicidas querendo destronar o Leviathan, mas para mim, ele não passa de uma lenda boba que os marinheiro criam só para assustar os fracos. Então quando pararem de sonhar e decidirem participar de uma tribulação de verdade, vocês voltam até aqui. O próximo! –

O homem simplesmente os ignorava, já se inclinando para a lateral afim de que o outro sujeito que aguardasse a vez, tomasse a frente e começasse a contar a sua história.

Oliver respirou fundo para se controlar, puxando a sua irmã para distante daquela mesa.

– Que parte do “Não faça nenhuma besteira” você não entendeu? –

Ele a segurou firme pelo braço, a repreendendo.

– Ai! Não seja idiota. Viemos atrás do Leviathan e não irei mentir. –

– Pare de ser tão mimada, as pessoas não vão atender aos seus pedidos só porque você quer. Não estamos mais no castelo. –

Angela prontamente puxou o seu braço com força para que Oliver o soltasse.

– Eu só vou descansar quando eu descobrir que confusão toda é essa, e se eles não nos querem na tripulação, tomarei o barco deles. –

Ela saiu em disparada do ambiente e Oliver prontamente a seguiu já claramente irritado.

– Não, você não vai. Saímos de casa sem avisar ninguém porque eu fiquei tão preocupado com a sua intuição que te segui pra essa loucura e olhe só no que nos meteu. –

Ele a seguia enquanto falava, mas a garota nem parecia prestar atenção.

“Os Deuses devem ter um senso de humor bem ridículo para terem colocado tantas coisas nas mãos de uma princesa mimada que só liga para o que precisa e para o que quer. Naquela época eu só queria que todo o mar se curvasse para as minhas vontades até que eu conseguisse tudo o que queria... quem diria que o tiro que eu mesma disparei acabaria acertando no meu próprio pé.”

 

Angela seguiu diretamente para as docas e o navio mais próximo e que prontamente tomou a sua atenção tinha todo o casco revestido por uma madeira em tonalidade azul escura. Era belo, majestoso e enormes velas negras. Ela não pensou duas vezes antes de simplesmente subir a pequena rampa que levava para o convés e olhar ao redor, parecia vazio. Desceu pelas escadarias próximas ao mastro principal e viu as redes que os marinheiros provavelmente usavam como dormitório, também vazias. Era perfeito.

Foi então que ela tomou a decisão de adentrar a grande porta dupla que ficava abaixo do elevado onde o leme se encontrava, a sala do capitão. Lá, viu uma grande mesa com mapas, vários baús entreabertos mas antes que a sua visão pudesse correr todo o recinto, ouviu um estrondoso barulho de um disparo, que de tão perto que passou da sua cabeça, sentiu um leve zunir em seu ouvido esquerdo até que a voz grave lhe trouxesse de volta a realidade.

– ...Que grosseria entrar sem bater, rapaz. –

O autor da voz estava em uma espécie de poltrona por trás de uma outra mesa que havia num canto, por trás de si haviam pequenas janelas que permitiam que alguns feixes de luz solar adentrassem a sala, mas por ainda estar bem escuro, tudo o que podia ver era que ele tinha uma pistola apontada para Angela e que os seus pés estavam esticados sobre a mesa.

Oliver, que só agora conseguia chegar até a irmã, foi surpreeendido pelo barulho do tiro, o que o fez correr até a sua irmã e prontamente se colocar na frente dela, como um verdadeiro escudo humano.

– Ah, que bom, ele não está sozinho. –

O sarcasmo era nítido em sua voz. O estranho homem se levantava de sua poltrona, sacando outra pistola e a apontando para Oliver.

– Agora posso saber o que fazem em meu navio? –



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