História SECRETS - A Newtmas Fanfic - Capítulo 4


Escrita por: ~

Postado
Categorias Dylan O'Brien, Katherine McNamara, Kaya Scodelario, Ki-Hong Lee, Nathalie Emmanuel, Pânico (Scream), Rosa Salazar, Scream (Série), The Maze Runner, Thomas Sangster
Personagens Ava Paige, Ben, Brenda, Harriet, Mark, Minho, Newt, Sonya, Teresa, Thomas, Trina, Zart
Tags Newtmas, Scream, Serial Killer, The Maze Runner
Exibições 84
Palavras 4.455
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Colegial, Crossover, Drama (Tragédia), Escolar, Famí­lia, Festa, Lemon, Mistério, Policial, Romance e Novela, Slash, Survival, Suspense, Terror e Horror, Violência
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OLÁ, GUARDIÕES DE SEGREDOS
Peço mil desculpas pela minha demora! Enfim, estão prontos para conhecer um pouco mais sobre Vince Maddox??? Espero que sim!
Tenham uma boa leitura ❤
Ps: O começo desse capítulo foi baseado em um dos episódios da 2ª temporada de Teen Wolf (que eu esqueci qual é) e o final dele foi baseado no episódio 1x02 de Scream (Hello, Emma)
Pss: Meu Deus, os capítulos estão ficando grandes demais. SOCORRO!

Capítulo 4 - Hard Time


Fanfic / Fanfiction SECRETS - A Newtmas Fanfic - Capítulo 4 - Hard Time

Eu não sou o inferno. Eu estou no inferno.

 

Newt encontrava-se sentado em uma poltrona de couro preto como o céu noturno. Ela era macia, sendo consequentemente confortável. A mesa de carvalho repleta de papéis e objetos variados era a única coisa que o separava da jovem de cabelos vermelhos como fogo. Ela sorria, mas Newt a ignorava. Ao fitar as suas próprias mãos, o loiro percebeu que estava segurando um pedaço de corda. Newt havia se esquecido completamente dela. A corda estava sendo agraciada por uma infestação de nós. As mãos do loiro iam e viam em movimentos involuntários, atando nós em uma sincronia perfeita de tempo. Dar nós já havia se tornado um jogo repetitivo, até mesmo um pouco entediante depois de quase um ano de sessões. Mas era um entediante necessário. Aquilo o acalmava.

Enquanto observava a jovem ruiva sentada à sua frente, Newt sentiu certo alívio percorrer por seu corpo. Lydia possuía apenas vinte e quatro anos. Os seus cabelos, que mais pareciam um show de chamas ardentes, faziam com que Newt alcançasse um pouco de paz. Lydia era a sua âncora para a realidade. Ele sabia disso. Sentia-se leve quando desabafava com a jovem psicóloga. Havia sido um acordo feito com seu pai depois do que acontecera com a sua mãe no Halloween do ano anterior: sessões de terapia toda sexta-feira em troca de continuarem em Riverwood. Newt havia aceitado sem hesitar.

A sessão já havia começado há alguns minutos, apesar de agora estarem em silêncio. Enquanto procurava pelas palavras certas para responder a pergunta que Lydia o havia feito, Newt decidiu observar o lugar que tanto lhe acalmava. O consultório da psicóloga ficava no andar inferior de sua própria casa. A sala não possuía muitas coisas além da mesa de carvalho, das duas poltronas – que estavam dispostas uma de frente para a outra, sendo separadas apenas pela mesa –, de uma imensa estante de livros antigos e de um piano depositado em um canto do cômodo. Newt gostaria de aprender a tocar tão bem quanto Lydia tocava.

- Quando está se afogando, você não aspira até pouco antes de apagar – começou Newt. As suas mãos estavam ocupadas em fazer cada vez mais nós no pedaço de corda. – É chamado de apneia voluntária. Não importa o quanto esteja pirando, o instinto de não aspirar água é tão forte que você não abrirá a boca até sentir a sua cabeça explodindo. Quando finalmente a abre, a sua cabeça para de doer. Não é mais assustador. Dizem que é até pacífico.

- Então você espera que Vince Maddox tenha tido um pouco de paz em seus últimos momentos de vida antes de se afogar no Klamath River? – Lydia indagou vagarosamente enquanto observava o loiro dar outro nó na corda que segurava.

- Eu não sinto pena dele – foi a única coisa que conseguiu dizer.

- E consegue sentir pena do jovem Vince universitário que sofria bullying todos os dias? – a ruiva indagou, fazendo com que Newt interrompesse os movimentos de suas mãos e a fitasse diretamente nos olhos.

- O fato de que idiotas transformaram a vida de Vince em um inferno não pode ser usado como justificativa por ele os ter matado um por um. Ele não tinha esse direito – murmurou convencido. – Aliás, o meu pai me disse que encontraram muitas coisas estranhas no quarto dele na época do ocorrido. Eram cartas que ele escrevia para uma garota chamada Paige. Vince escrevia mensagens de amor uma atrás da outra. Coisas como o fato de que ele queria beijá-la e até mesmo transar com ela. Ele inventou um relacionamento falso. Talvez Vince tenha saído dos trilhos quando aqueles universitários babacas começaram a praticar bullying com ele, mas ele já estava no trem dos loucos desde o dia em que nasceu.

- E pelo o que eu sei nunca descobriram quem era essa garota, não é? – indagou Lydia, mostrando-se interessada com a conversa.

- Não, eles nunca descobriram – respondeu enquanto retomava o processo entediante de atar nós. – Depois do que aconteceu, muitas pessoas foram embora daqui. Ela deve ter ido junto. Se é que existiu.

- Como assim? – a ruiva perguntou confusa.

- Meu pai me contou que não havia nenhuma garota chamada Paige que estudava na Jonathan Witten University – esclareceu. – Algumas pessoas dizem que ela era apenas uma invenção da cabeça de Vince Maddox.

- Entendi – Lydia murmurou enquanto assentia. – Bom, mas pelo menos algo positivo veio daquele ocorrido, não é mesmo?

- Sim – Newt disse enquanto terminava de atar mais um nó. – Meu pai saiu da faculdade depois que ela foi fechada e decidiu entrar para a polícia. Hoje ele é o xerife daqui. Mas eu ainda sinto que existe algo de errado com ele, sabe? Há certa tensão quando conversamos sobre tudo o que aconteceu na noite do Halloween de 1992. Ele quase morreu.

- E você falou com ele sobre Vince depois do que aconteceu com Trina? – indagou Lydia, a voz mantendo-se delicada como sempre fora.

- Não. Na verdade, não. – sussurrou em resposta, sem interromper o movimento involuntário de suas mãos. – Ele tem os seus próprios problemas para lidar. Não acho que ele goste de falar sobre esse assunto. Talvez ele faça isso para se proteger, sabe? Ficou abalado com todas aquelas mortes. Mas pelo menos o que aconteceu o aproximou de minha mãe naquela época. Mas infelizmente isso não durou muito, afinal ela foi tirada de nós.

- Você ainda não superou a morte de Ava. – Lydia disse de uma forma que Newt percebeu não ser uma pergunta, mas sim uma observação. – Acha que foi a mesma pessoa? Digo, acha que quem matou a sua mãe no ano passado também matou Trina?

- Eu não duvido – respondeu. – Mas podemos mudar de assunto, por favor? Eu gostaria de falar dos meus amigos. Sabe, eles não parecem as mesmas pessoas agora. De todos nós, Minho é o mais estável.

- É normal que estejam diferentes. Vocês perderam uma amiga e ainda receberam aquele vídeo – murmurou enquanto apoiava o queixo sobre as suas mãos. – Mas e quanto a você, Newt? Como está se sentindo depois de tudo o que aconteceu? Quer me contar alguma coisa?

Newt suspirou, pondo-se a segurar o seu pedaço de corda com uma firmeza desnecessária. O loiro se lembrou da ligação que havia recebido alguns dias atrás, mas decidiu não contar nada.

- Por que não está anotando nada do que eu estou falando? – perguntou, tentando se desviar da pergunta feita pela jovem.

- Eu deixo para anotar depois da sessão, esqueceu? – disse a ruiva.

- Sua memória é tão boa assim? – indagou o loiro, fitando as próprias mãos. Elas já estavam ficando vermelhas devido à firmeza com que segurava a corda.

Lydia sorriu.

- Que tal voltarmos para você? – as palavras, percebeu Newt, soaram mais como uma ordem do que como uma sugestão.

- Eu estou ótimo – murmurou enquanto retomava os movimentos involuntários de suas mãos. – Mas digo isso sem contar o fato de que não estou dormindo, a minha agitação e o constante medo de que algo terrível aconteça.

A feição de Lydia ficou séria de repente.

- É chamado hipervigilância – esclareceu calmamente. – É o sentimento persistente de estar sob ameaça.

- Não é só um sentimento – Newt sussurrou sem interromper o movimento de vai e vem de suas mãos. – É... É como um ataque de pânico, sabe? Como se eu não pudesse respirar.

- Como se estivesse se afogando? – indagou, franzindo o cenho.

- Exatamente – concordou enquanto observava a corda presa em suas mãos.

- Então, se está se afogando e está tentando manter a sua boca fechada até aquele momento final, por que não escolhe manter a boca fechada o tempo todo, impedindo a água de entrar? – indagou de maneira sugestiva.

- Você abre a boca e engole água de qualquer jeito – o loiro sussurrou, pondo-se a fita-la novamente. – É um reflexo.

- Mas se você segurar até esse reflexo agir, ganha mais tempo, certo? – perguntou enquanto arqueava as sobrancelhas.

- Não muito tempo – observou o loiro.

- Mas ganha mais tempo para lutar e tentar ir até a superfície – rebateu Lydia.

- Acho que sim. – Newt concordou enquanto percebia que o seu pedaço de corda já estava coberto por nós, o que fez com que começasse a desfazê-los um por um.

- E também ganha mais tempo para ser resgatado – a jovem murmurou com a voz serena.

- E mais tempo com uma dor agonizante. – Newt suspirou – Esqueceu da parte em que sente a sua cabeça explodindo?

- Mas enquanto estiver sentindo essa dor de cabeça insuportável, também estará lutando pela sua sobrevivência, certo? – Newt não a respondeu. – Se é uma questão de vida ou morte, sentir um pouco de dor agonizante enquanto tenta salvar a própria pele vale a pena.

- E se só piorar? – Newt se inclinou sobre a mesa com o pedaço de corda ainda preso entre as suas mãos. Alguns nós já haviam sido desfeitos. – E se eu conseguir escapar dessa dor agonizante, chegar à superfície e então me lembrar de que estou vivendo no inferno?

- Então pense em algo que Winston Churchill disse – Lydia sussurrou enquanto o fitava com uma expressão caridosa, fazendo com que Newt se sentisse seguro por um instante. – Se estiver passando pelo inferno, continue caminhando.

***

Os jovens encontravam-se sentados nos fundos da casa de Brenda. A conversa estava tão animada que eles nem perceberam que o sol já se punha atrás de uma das várias montanhas que rodeavam Riverwood.

- Ora, vamos pessoal! – Thomas exclamou entusiasmado. – Me contem tudo o que sabem sobre Vince Maddox.

- Ninguém nunca te contou nada sobre ele? – Mark perguntou curioso enquanto acariciava os curtos cabelos de Brenda, que estava deitada sobre as suas pernas. A morena havia passado a metade do tempo se dedicando a trocar mensagens com alguém em seu WhatsApp.

- É claro que eu já ouvi histórias sobre o assassino em massa de Riverwood – disse Thomas. – Mas as poucas coisas que o meu pai me contou e o que está na internet não é o suficiente. Eu preciso dos detalhes.

- E por que precisa tanto saber dos detalhes? – Mark perguntou, arqueando as suas sobrancelhas.

- Porque alguns caras gostam de esportes. Eu gosto de assassinos – esclareceu Thomas.

- Okay, eu vou contar para você – Brenda disse enquanto terminava de escrever outra mensagem, enviando-a logo em seguida e lançando o celular na grama ao seu lado. – Vamos começar com o simples fato de que Vince Maddox era extremamente tímido e estranho, o que obviamente fez com que ele sofresse bullying durante toda a sua infância. Mas quando ele entrou na Jonathan Witten University isso só piorou. Dizem que ele era um monstro desde o dia em que nasceu, mas eu acho que ele sofreu até se transformar em um.

- Então tudo o que Vince fez foi motivado por vingança? – indagou Thomas, interessando-se na conversa.

- Exatamente – Brenda respondeu. – A mãe de Vince não se importava com ele e o pai tinha vergonha dele. Vince vivia isolado, sem nenhum amigo. Até que entrou na antiga universidade daqui. Lá ele foi obrigado a conviver com jovens, mas ninguém se aproximava dele. O chamavam de estranho. Vince sofria bullying todos os dias. Dizem que o xerife Janson, que na época cursava medicina, até tentou se aproximar do garoto, mas não obteve sucesso. E então chegou a noite do baile de Halloween de 1992. A noite em que tudo aconteceu. As pessoas não sabem como, mas Vince conseguiu arrumar uma fantasia de médico da peste negra, o que foi uma escolha perfeita, afinal o que é um assassino insano sem a sua horripilante máscara? – Brenda indagou a ninguém em específico. – Enfim, dizem que se a polícia não tivesse chegado a tempo, Vince teria matado muito mais do que apenas oito pessoas.

- Mas o que realmente aconteceu naquela noite? – Thomas perguntou curioso.

- Eu conto a partir daqui! – Mark anunciou animado. – Dizem que durante o baile Vince Maddox surgiu no salão de dança e colocou a sua máscara na frente de todo mundo e depois simplesmente desapareceu. Ninguém se importou com isso, é claro. Até que então escutaram os gritos de uma garota. Dois universitários foram checar o que estava acontecendo. Quando chegaram a um dos dormitórios, Vince estava tendo um excelente orgasmo enquanto estuprava uma garota. E o mais estranho é que ele a estava estuprando sem retirar a sua máscara. Bom, você já deve imaginar o que aconteceu depois, não é? Vince estava com uma faca e acabou estripando um dos universitários. O outro fugiu. Pelo o que parece, ele não matou a garota também. Ninguém sabe o porquê. Alguns dizem que ele era apaixonado por essa garota, que nunca foi identificada. Relacionamentos misteriosos à parte, dizem que o local virou um verdadeiro show de horrores em questão de segundos. Depois que matou o jovem, Vince começou a perseguir as pessoas que ele odiava. Ele esperava que elas ficassem sozinhas para que pudesse estripa-las. Foram oito vítimas em menos de uma hora.

- Mas essa história não termina aqui – Brenda disse enquanto se sentava na grama. - Porém, antes de continuar, você precisa entender uma coisa Tom. E essa coisa é que a Jonathan Witten University fica no meio da floresta e de frente para o Klamath River. Mas agora vamos retomar a história. Depois que matou os universitários, Vince tentou fugir da universidade quando a polícia chegou ao local. Ele tentou correr ainda vestido com a sua fantasia, mas acabou ficando encurralado no rio. Ele iria ser preso, é claro. Mas o que Vince não sabia era que um dos policiais era pai de uma das garotas que ele havia matado. E o pior de tudo é que esse pai já havia encontrado o corpo da filha. O homem não hesitou em atirar. As testemunhas disseram que o tiro atingiu a perna de Vince, que acabou caindo no rio e possivelmente se afogando. Mas a parte mais assustadora dessa história é que nunca encontraram o corpo.

- Uau, essa foi uma excelente história de terror – concluiu Thomas.

- Então você acha que estamos vivendo em uma história de terror? – indagou Brenda.

- Talvez – sussurrou Thomas.

Perdidos em seus próprios devaneios, os jovens perceberam que um silêncio palpável decidiu pairar entre eles.

- Será que foi mesmo Zart quem matou Trina ou será Vince Maddox está de volta? – Mark indagou, quebrando o silêncio.

- Mark, você precisa se lembrar de que o culpado não é tão relevante na história – Thomas murmurou enquanto fitava o garoto sentado na grama ao seu lado.

- Então o motivo que é relevante? – indagou Benda, dando de ombros.

- Não. – respondeu Thomas. – Na verdade, você deve se esquecer de que é uma história de terror e que alguém pode morrer a cada reviravolta. Veja, você precisa se importar se a garota lésbica de coração quebrado perdoou o garoto revoltado e se esse garoto revoltado perdoou o namorado gostoso. Precisa se importar se a filha do prefeito é uma vadia cruel e se a melhor amiga dela parece ser inocente demais, da mesma forma que o garoto asiático é sarcástico além do normal. E também precisa se importar se o nerd que usa óculos é um pouco tímido e até mesmo se o novato é interessado em serial killers. É com isso que precisa se importar, afinal todos nós estamos no jogo.

- Uau, parece uma versão ainda mais sangrenta dos Jogos Vorazes – observou Mark, que reposicionava o seu óculos.

- É exatamente isso – Thomas concordou enquanto sorria. – Nós somos os tributos e o assassino é o organizador de uma edição especial dos Jogos. Nessa edição, nós não podemos matar uns aos outros, mas ele pode nos matar da forma que quiser. E também podemos intitular as pessoas que certamente não serão mortas como os moradores da Capital ou dos Distritos. Eles se importam com os tributos, torcem por eles e os amam. E então quando são brutalmente assassinados, isso dói.

- Isso é muito intenso – observou Brenda. – Tem mais alguma coisa que quer compartilhar com a gente, Suzanne Collins?

- Na verdade, tem sim – murmurou Thomas, esboçando um sorriso. – Vocês ainda devem estar se perguntando quem matou Trina, mas precisam entender que ninguém coloca uma máscara e comete assassinatos assim apenas uma vez. A verdadeira pergunta é: Quem é o próximo? E tem mais. Vocês precisam entender que o assassino não é um louco que entra em uma delegacia e atira em trinta policiais de uma vez. Ele é um lobo, esperando que um de nós se afaste do rebanho e fique sozinho.

***

Newt percebeu que algo agredia a sua audição. Era um som irritante e persistente. Inebriado pelo sono, o loiro acatou a hipótese de que era apenas o som da TV que ele havia ligado assim que chegara em casa horas atrás. Mas estava errado. De uma maneira rápida e perspicaz, a lucidez o atingiu. O som irritante vinha do alarme de sua casa.

- Porta da cozinha, porta da cozinha, porta da cozinha... – a voz robótica repetia as palavras sem parar, formando uma perfeita sincronia com o som agudo que emanava do alarme.

Com o coração acelerado, Newt se levantou apressado do sofá onde estava deitado e correu em direção ao alarme fixado em uma das paredes da sala. Com as mãos trêmulas, o loiro digitou a senha rapidamente, cessando o som irritante que ecoava pela casa. Com os pés descalços, Newt correu de forma trôpega em direção à cozinha. Assim que chegou ao local, o garoto percebeu algo que originou um nó em sua garganta, sufocando-o lentamente. A porta da cozinha estava completamente aberta. A densa escuridão noturna parecia invadir o cômodo pela abertura, mostrando-se como um demônio em busca de um novo lar após ter sido expulso do inferno.

Suando frio, Newt caminhou apressado até a estrutura de madeira e a fechou, trancando-a rapidamente. Ofegante, o garoto se perguntou há quanto tempo aquela porta estava aberta. Há apenas alguns segundos? Ou seriam minutos? E o pior de tudo: Alguém havia entrado ali? Antes que chegasse a uma conclusão convincente, o loiro foi surpreendido por outro som agudo, que ecoou pela cozinha. Era o telefone sem fio que ficava no espaçoso cômodo. Um pouco relutante, Newt caminhou até o aparelho, pegando-o com os seus finos dedos e colocando-o em contato com a sua orelha esquerda assim que atendeu a ligação.

- Alô? – disse com a voz falha.

- Olá, sou da TMR Security – uma voz masculina e simpática preencheu a ligação. Newt suspirou aliviado, apesar de ter uma sensação estranha tomando conta de seu corpo. – Recebemos um alarme da sua casa. Pode me dizer o seu nome e a senha?

- Meu nome é Newton Sangster e a senha é labirinto – o garoto sussurrou enquanto caminhava em direção a um dos diversos armários do cômodo. Sem hesitar, Newt abriu uma das gavetas e retirou uma faca, segurando-a firmemente com a sua mão direita. – Achei a porta da minha cozinha aberta.

- Respire fundo, Newt – sugeriu calmamente. – Temos uma patrulha por perto e ela estará aí em poucos minutos.

- Será que devo ir lá para fora? – Newt perguntou com a respiração falha, sentindo um calafrio percorrer por todo o seu corpo enquanto tentava se concentrar apenas no som da TV ligada na sala a poucos metros dali.

- Não, fique aí dentro – murmurou o homem. – Se alguém tentou arrombar a porta, provavelmente fugiu ao ouvir o alarme.

Newt tentou se apegar a essa informação enquanto caminhava de volta para a sala. Precisava acreditar que estava sozinho. Ele desejava estar sozinho. Assim que chegou ao local, o loiro percebeu algo que o deixou ainda mais nervoso. Estava sentindo aquela mesma sensação que descrevera para Lydia horas mais cedo. Sentia que estava prestes a se afogar.

- Você poderia ficar na linha comigo até alguém chegar? – Newt perguntou enquanto guiava o seu olhar por toda a sala. Apesar de não ver ninguém, o loiro tinha a sensação de estar sendo observado a todo instante.

- Claro, posso fazer isso – a pessoa respondeu de forma caridosa.

- Desculpe se pareço um pouco paranoico, mas é que tem coisas estranhas acontecendo ultimamente – murmurou Newt, tentando desviar-se da sensação estranha que o sufocava.  

- Sem problemas – o homem disse com a voz tranquila. – Eu entendo você. Está todo mundo preocupado com esse papo de que Vince Maddox pode estar de volta.

Newt não conseguiu pensar em nada para dizer. A simples possibilidade de que um assassino em massa estivesse dentro de sua casa o causava um tremor involuntário.

- Quanto tempo falta para a patrulha chegar? – perguntou após alguns instantes de silêncio, que era quebrado apenas pelo som da TV ligada.

- Aqui diz que no máximo três minutos – esclareceu rapidamente. – Está fazendo o que em casa, Newt? Assistindo TV? Tem algo bom passando?

- Esse é o seu jeito de me distrair? – Newt perguntou enquanto franzia o cenho.

- Você me pegou – a voz disse enquanto ria.

- Desculpe, mas eu tenho a sensação de que a sua técnica de distração não está funcionando – observou Newt, que percorria o seu olhar por toda a sala em busca de algo ou alguém que possivelmente teria a capacidade de surgir do nada.

- Vamos, me entretenha! – exclamou o homem com certo tom brincalhão. – O que você gosta de assistir?

- Não sei muito bem, mas gosto de séries como Teen Wolf ou Game of Thrones – murmurou Newt, que mantinha o olhar atento a tudo.

- E Shadowhunters? – indagou o homem.

- Eu não gostei muito da série, só assisti por causa dos livros – Newt esclareceu enquanto apertava ainda mais a faca presa na sua mão direita. – Mas com tudo o que foi divulgado até agora, eu acho que a série vai melhorar bastante na segunda temporada.

- Eu também não gostei muito da primeira temporada, mas eu gosto de protagonistas femininas – murmurou a voz. – E isso sem contar que em Shadowhunters eles dão um destaque bem grande para um casal gay. O Alec e o Magnus são bem resistentes. Sabe Newt, você também me parece ser bem resistente. Talvez o assassino devesse ficar com medo caso ainda esteja aí.

- Nem brinque com isso – Newt disse com a respiração ofegante.

- Desculpe – sussurrou o homem. – Mas vamos continuar. Do que mais você gosta? Comédia? Terror?

- Definitivamente me afastei do terror nos últimos dias – Newt respondeu enquanto sentava-se no sofá da sala, fitando a faca presa em sua mão direita. – A vida real já está assustadora o suficiente. Mal consigo dormir.

- Você realmente aparenta estar cansado – o homem disse calmamente, fazendo com que Newt se levantasse em um movimento brusco.

- O que foi que você disse? – o loiro perguntou enquanto sentia o nó em sua garganta se tornar cada vez mais sufocante.

- Que a sua voz parece cansada – corrigiu.

Newt sentiu algo novo tomar conta de si. Era como se seu cérebro quisesse alertá-lo sobre algo. Aquela voz lhe parecia familiar...

- Por que a patrulha está demorando? – perguntou enquanto se afastava de seus devaneios.

- Já está chegando – sussurrou de uma maneira estranha, fazendo os escassos pelos dos braços de Newt se arrepiarem.

E então tudo aconteceu. Uma simples rajada de vento foi a responsável por fazer Newt perceber algo que ainda não havia notado. Com a entrada repentina de ar, as cortinas de uma das janelas da sala esvoaçaram. Ela estava aberta. Por um instante fugaz, Newt cogitou a hipótese de que estava usando um colar de corda invisível que o sufocava cada vez mais. Caminhando a passos largos, o loiro chegou até a janela e a fechou, trancando-a logo em seguida.

- Sabe Newt, o que deveria estar realmente se perguntando é se você acabou de me trancar para dentro ou para fora – o homem disse vagarosamente, mudando completamente o tom de voz em questão de segundos.

Newt reconheceria aquela voz em qualquer lugar. Era a voz da mesma pessoa que o havia ligado dias atrás. Virando-se em um movimento brusco, o loiro guiou o seu olhar por toda a sala. Não havia ninguém ali. Atraindo para si uma coragem que pensava não possuir, Newt ergueu a faca presa em sua mão direita, apontando-a para a solidão palpável. Controlando a sua respiração, Newt sentiu algo novo queimar em seu interior.

- Se você estiver na minha casa, eu juro por Deus que...

- Vai fazer o quê? – perguntou com desdém. – Vai brincar de açougueiro comigo?

- Sim, é isso mesmo que eu vou fazer! – exclamou Newt, elevando o seu tom de voz.

- Ora, já que é assim eu gostaria de deixar bem claro que eu sei picar carne melhor do que você – observou de maneira indiferente. – E se quer mesmo brincar comigo, creio que precisará me encontrar primeiro. Eu posso estar em qualquer lugar.

- Eu tenho o seu número – ameaçou Newt, que mantinha a faca erguida no ar. – Vou ligar para a polícia!

- Pode ligar – disse enquanto ria. – Eles encontrarão um homem confuso chamado James e que trabalha na TMR Security. E isso sem contar que os policiais nunca chegariam aqui a tempo. Então sugiro que fale comigo.

- O que você quer de mim? – Newt perguntou irritado.

- Eu quero lhe mostrar a verdade, Newt – disse enquanto acrescentava seriedade em sua voz.

- A verdade sobre o quê? – indagou o loiro, sentindo-se confuso.

- Sobre quem você realmente é – esclareceu rapidamente. – E confie em mim, vai doer muito até você descobrir.

- Você não me conhece! – Newt exclamou, agora sem se importar com a possibilidade de que alguém realmente poderia ter invadido a sua casa.

- Conheço sim! – exclamou em resposta. – E é esse o verdadeiro show de horror. Eu sei que todos em quem você confia estão mentindo para você e rindo pelas suas costas. Sei que eles estão escondendo segredos, mas como eu já te disse, eu sei a verdade.

- Do que você está falando? – Newt perguntou, sentindo que uma onda crescente de confusão tomava conta de si.

- Dos seus amigos da onça, da sua fraude de família, da puta que eu matei e que você chamava de mãe – respondeu vagarosamente, sem elevar o tom de voz. – Tudo isso começou com ela e com os amigos dela, Newt. Mas vai terminar com você e com todos que ama. Te vejo em breve.

E então desligou, fazendo com Newt sentisse outro calafrio percorrer por seu corpo. Enquanto respirava pesadamente, o loiro chegou a uma conclusão: precisava ligar para o seu pai o mais rápido possível. O desejo de ficar sozinho havia se desintegrado completamente. Precisava da companhia de alguém em quem confiasse naquele exato instante.


Notas Finais


SERÁ QUE O VINCE MADDOX TÁ MORTO DE VERDADE?????
E vocês já devem saber quem é a Paige, não é???
Lembrem-se de que o passado e o presente estão interligados...
Espero que tenham gostado do capítulo ❤
Ps: No próximo capítulo tem facada no pescoço da @
Pss: Quem aí notou as referências à Maze Runner??? :3
XoXo


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