História Secrets - Capítulo 2


Escrita por: ~

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Categorias Capitão América, Originais, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Anthony "Tony" Stark, Clint Barton, Dr. Bruce Banner (Hulk), Dra. Helen Cho, James Buchanan "Bucky" Barnes, James Rupert "Rhodey" Rhodes, Jane Foster, Laura Barton, Maria Hill, Natasha Romanoff, Nick Fury, Pepper Potts, Personagens Originais, Phillip Coulson, Sam Wilson (Falcão), Sharon Carter (Agente 13), Steve Rogers, Thor
Tags Capitão América, Soldado Invernal, Vingadores
Exibições 51
Palavras 5.308
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Artes Marciais, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Hentai, Policial, Romance e Novela, Violência
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas da Autora


Oii, como vcs estão?
Bom, foi muito difícil fazer esse capítulo, mas depois de tanto escrever e apagar umas 50 vezes finalmente fiz algo que me animou.
Boa leitura e espero que gostem :*
ps: se algo desagradar por favor falem! Críticas construtivas são sempre bem vindas.

Capítulo 2 - Eu sempre serei pior do que você


Fanfic / Fanfiction Secrets - Capítulo 2 - Eu sempre serei pior do que você

Estamos há mais de 15 minutos trancados na caixa metálica e abafada, esperando que algum filho de Deus resolva o problema da queda de energia. É um milagre que Manhattan fique às escuras por tanto tempo, e isso é ainda mais dificil de acontecer na Torre que possui várias fontes de energia. Bom, como não entendo nada de eletricidade e não faço idéia do que aconteceu, só preciso urgentemente que alguém aperte um botão e as coisas voltem ao normal. Não é assim que tudo funciona hoje em dia? 

Bucky está encostado na porta do elevador desde que o mesmo parou e eu estou atirada no chão, sentindo um calor infernal e meu coração acelerando mais e mais a cada segundo que passa. Não trocamos quase nenhuma palavra depois da queda da eletricidade, graças a mim que resolvi ficar quieta no meu canto para não ter o risco de perder o controle e me atirar em cima dele. Mesmo eu estando bêbada e sem noção dos meus atos não quero fazer nenhuma besteira que eu possa me arrepender depois. Não com um homem que enfrenta uma crise existencial por conta de tudo que aconteceu em sua vida e com certeza me esganaria se eu tentasse beijá-lo.

Estou tentando me manter calma e sob controle a todo custo, mas está ficando cada vez mais difícil para mim respirar após tanto tempo nesse elevador, e sem o ar condicionado para refrescar o ambiente a sensação que eu tenho é que estou numa sauna trancada e que vou morrer a qualquer momento se não sair logo. Apesar dos meus esforços para não chamar atenção do ex-HIDRA, ele percebeu o quanto estou ofegante e se virou em minha direção com certo estranhamento.

— O que foi?

Fiquei em silêncio, pois sei que se disser que estou tendo uma crise ele vai querer me ajudar, e ter ele tão perto de mim só irá piorar minha situação.

— Wanessa? O que foi? — questionou num tom mais alto.

Soltei o ar com força e resolvi contar, afinal eu não poderia esconder por muito tempo que estava passando mal.

— Eu tenho claustrofobia. Não estou... conseguindo respirar direito.

 Falei da maneira mais calma que pude, porém minha fala saiu ofegante e enrolada. James veio até mim e se sentou do meu lado com certa preocupação.

— E como você anda de elevador tendo isso?

— Eu sempre penso que isso... não vai acontecer... antes de entrar em um. — esclareci e levei a mão ao peito. 

Comecei a sentir vontade de chorar e gritar por ajuda, mas sabia que não adiantaria nada. James colocou a mão normal nas minhas costas e começou a acariciá-las para tentar me ajudar.

— Você só precisa se manter calma. Esqueça onde está e pense que sairá logo. Eu estou aqui e vou te ajudar. — assegurou quase num sussurro.

Pude ver com a luz fraca do lugar que ele me olhava de uma maneira intensa e preocupada, e esse olhar junto com seu toque e a voz macia no meu ouvido me fizeram perder ainda mais o ar e o resto de tranquilidade que eu tinha. Eu realmente estava lascada por estar bêbada, em crise nesse lugar super abafado e com alguém que me causa sensações estranhas tão perto de mim.

— Eu não vou... aguentar por muito tempo. Eu preciso... sair daqui! — implorei o fitando nos olhos.

— Tente ficar calma! Você consegue, você é uma mulher forte! 

Ele me segurou pelo rosto e fixou o olhar ao meu. Comprimi os lábios e fechei os olhos com força. 

Você só está piorando as coisas tão perto de mim assim! pensei, porém obviamente não disse.

— Não dá... meu peito está doendo... muito. Eu... preciso de ar. - supliquei com uma voz esganiçada, já choramingando e com o coração acelerado como se eu tivesse corrido uma maratona.

Bucky fez jeito de se levantar ao ver que eu não conseguiria ficar ali por mais tempo.

—Eu vou gritar por ajuda. — disse.

— Não... não vai adiantar, fica aqui. — pedi quase num sussurro e segurei na mão metálica dele.

Continuei com meu esforço para conseguir oxigênio enquanto o ex-HIDRA se manteve ao meu lado, passando a mão normal nas minhas costas e me olhando apreensivo.

Vários segundos se passaram e nada de a situação ser resolvida. Eu já não aguentava mais lutar contra a asfixia que estava sentindo, até que chegou uma hora em que minha garganta se fechou totalmente e o ar não entrou mais nos meus pulmões. Levei as mãos ao pescoço e comecei a tossir desesperadamente, assustando Bucky.

— Wanessa!

Sua voz parecia estar a vários metros de distância mesmo com ele estando do meu lado. Ele gritava várias coisas que eu não consegui distinguir, pois minha audição e todo o resto dos meus sentidos pareciam estar deixando de funcionar.

Meu corpo parecia não estar mais sobre o meu controle, e tudo que eu sentia era minha garganta queimando e a sensação de que meu peito ia explodir a qualquer momento. Eu não podia mais lutar contra a sensação de sufocamento, contra a ideia de que eu não sairia a tempo e morreria ali.

De repente, tudo passou. Minha língua, minhas mãos e todos os meus membros amorteceram, no mesmo momento que os batimentos do meu coração diminuíram bruscamente e minhas pálpebras pesaram. A necessidade incessante que eu tinha por oxigênio foi embora quando meu corpo finalmente se cansou e eu desmaiei. Toda a aflição que eu sentia acabou, meu coração já quase não batia mais e foi como se cada célula do meu corpo estivesse parando de funcionar gradativamente.

****

Estava dentro de um tanque cheio de água totalmente lacrado, e eu buscava urgentemente por uma maneira de sair antes que me afogasse. Quando eu já estava começando a engolir água e aceitando que eu morreria ali, um homem surgiu de algum lugar que não vi e quebrou o grosso vidro com a mão, fazendo o tanque se esvaziar e eu ir de encontro ao chão lentamente. O mesmo entrou no tanque e me carregou até o lado de fora, enquanto eu tossia freneticamente para eliminar toda a água que engoli.

Puxei o ar com pressa depois que a tosse cessou e comecei a sentir um perfume inconfundível entrando pelas minhas narinas. O homem me deitou no chão e se sentou ao meu lado, e imediatamente ergui o rosto para constatar quem era, apesar de já tê-lo reconhecido por seu perfume.

— Bucky? Como sabia que eu estava aqui? — me sentei também e o olhei confusa.

— Eu nunca mais vou te deixar em perigo. — respondeu quase num sussurro e levou a mão normal até minha nuca.

Senti meu coração acelerar quando Bucky me puxou para um beijo ávido e cheio de desejo e carícias, que eu retribuí da mesma forma sem pensar duas vezes. Todo meu corpo se arrepiou e um frio estranho surgiu no meu estômago, mas sem dúvida foram as sensações mais agradáveis que já senti. 

Quanto mais o beijo se prolongava mais eu sentia o ar faltando novamente, mas dessa vez não me interessava em nada respirar. Eu só queria continuar beijando a boca macia de Bucky sem pausas, sem deixar de sentir cada detalhe do beijo dele, sem parar de tocá-lo e de sentir seu toque em mim.Infelizmente, isso não aconteceu. Comecei a ouvir vozes ao longe, vozes que eu parecia conhecer, e abri um olho para ver de onde vinham e de quem eram.

Maldita curiosidade. 

Ao fazer isso, Bucky interrompeu nosso beijo e simplesmente sumiu de perto de mim sem mais nem menos, me deixando completamente desnorteada. As vozes ficaram cada vez mais perto e eu olhei em volta afim de descobrir onde estava e o que estava acontecendo, mas não consegui ver mais nada além de uma claridade forte dominando o ambiente, que fez meus olhos arderem e me obrigou a fechá-los de novo.

****

— Ela está acordando... 

Ouvi uma voz masculina próxima logo que recobrei a consciência. Forcei para abrir os olhos e me acostumar a claridade do lugar onde estava e assim que consegui abri-los, constatei que estava na enfermaria da Torre e localizei Natasha, Steve e a dra. Helen no quarto, me olhando com apreensão.

— O que houve? — perguntei com a voz fraca e percebi que havia uma máscara de oxigênio no meu rosto.

— Você teve uma pequena parada respiratória por conta da crise de claustrofobia. Sua sorte foi que a energia voltou pouco depois de você desmaiar e que James estava com você no elevador e te trouxe pra cá às pressas. — Cho explicou calmamente.

Quando ela mencionou James, imediatamente pensei no sonho e em como nos beijamos. 

Aquilo pareceu tão real... — divaguei em pensamento, sentindo uma estranha frustração por saber que era só um sonho.

Resolvi não viajar muito nessas lembranças agora e focar em sair desse lugar, visto que eu já estava bem e não tinha porque ficar sendo tratada como uma moribunda. Detesto hospitais e todo o clima de morte que eles transmitem, e todas as vezes que eu preciso ficar internada dou um jeito de sair antes de receber alta. Agora não seria diferente. 

— Bom, agora eu já estou bem... — anunciei já tirando a máscara e fazendo jeito de levantar.

— Você ainda precisa ficar em observação... — Steve disse se aproximando.

O fitei com as sobrancelhas erguidas e uma risada sem humor saiu da minha garganta.

— Ah, Capitão, eu já vivi coisas muito piores e nem passei por hospital em alguns casos. Até me surpreende uma simples falta de ar ter me derrubado, mas agora eu realmente já estou bem. Preciso ir cedo pra SHIELD e quero descansar um pouco. — expliquei já de pé e com minha disposição de volta.

Os três se entreolharam e riram levemente, me fazendo armar uma carranca e colocar as mãos na cintura.

— O que foi? 

— Wanessa, já são mais de 9 da manhã. Fury te liberou hoje após saber o que aconteceu. — Natasha contou e escancarei os lábios.

Me segurei para não brigar com Helen, pois provavelmente ela havia me aplicado algum sedativo. A encarei uma cara nada feliz e cruzando os braços enquanto esperava uma explicação. 

— Eu não te sedei. Você dormiu normalmente, e parecia estar tendo bons sonhos... — Cho esclareceu com uma pontinha de humor.

Arregalei um pouco os olhos e engoli em seco. Eu não podia contar que eu sonhei que estava beijando o amigo de Steve como se não houvesse amanhã. Sorri amarelo e tratei de respondê-la e desviar do assunto.

— E-eu não lembro de ter... sonhado com nada! — me atrapalhei nas palavras e todos me fitaram confusos. — Mas voltando ao que importa... vocês já viram que eu estou bem, será que posso sair?

— Como eu sei que não poderei te segurar, sim. Mas se sentir alguma coisa errada volte pra cá. — a dra. Oriental falou e concordei com a cabeça.

— Obrigada, Helen. E desculpe por tomar seu tempo com algo tão pequeno.

 — Não foi tão pequeno. Você poderia ter morrido se não tivesse sido socorrida.

Revirei os olhos e vi Steve e Natasha me olharem com caras de reprovação. 

— Mas não morri, e aliás tenho que agradecer ao cara que me ajudou. Onde está Bucky? — questionei para os dois.

— Eu não sei. Ele saiu daqui quando eu e Nat chegamos. — o Dorito revelou e o olhei de testa enrugada.

— E quando foi que vocês chegaram?

— Bom, eu preciso ir. Se cuide, Wanessa. Até mais Nat, Steve. — Cho disse e se retirou após nossa resposta.

Seguimos para fora do quarto também enquanto Steve sanava minha dúvida. 

— Pouco antes de você acordar...

— Ele passou a noite toda com você, e bem preocupado até. — Romanoff revelou o que Rogers deixou nas entrelinhas.

Não consegui evitar que um sorriso bobo surgisse em meus lábios ao ouvir aquilo, mas o disfarcei rapidamente antes de algum dos dois perceber. 

— Eu preciso agradecê-lo. Vou procurar por ele assim que tomar um banho e trocar de roupa. — expliquei com seriedade, mas por dentro era como se vários insetos fizessem uma festa no meu estômago.

— Certo. Eu preciso ir, tenho uns assuntos para resolver. Vai ficar bem? — a ruiva questionou com um tom preocupado e revirei os olhos.

— Sim, Natasha. Você já me viu em situações piores.

— Só tente não voltar mais pra cá então. — retrucou e seguiu pelo corredor.

Ficamos Steve e eu parados próximo ao elevador, e percebi que o Capitão olhava para a russa de uma maneira diferente. Para tirar a prova dos nove, toquei na ferida de Rogers.

— Quando vai contar que está afim dela? — perguntei após chamar o elevador.

— E-eu não... — pausou a frase e suspirou tristemente. — Ela me vê apenas como um amigo.

O olhei com uma sobrancelha arqueada e um sorriso malandro no canto dos lábios.

— Ela te olha do mesmo jeito que você olha pra ela, apesar de você nunca perceber.

— Eu acho que ela só gosta de flertar. — riu abafado e entramos no elevador.

— Eu já a vi flertando, Cap. E te garanto que é bem diferente... — manejei a cabeça para o lado. O dorito suspirou e negou com a cabeça.

— E você e Bucky?

Fui pega de surpresa com a repentina mudança na conversa, ainda mais com a pergunta confusa de Rogers. Fiz uma careta de dúvida e permaneci alguns segundos em silêncio enquanto pensava no que responder.

— Como assim? — foi a única coisa que saiu da minha boca.

— Eu vi que vocês se deram muito bem, tanto que ficaram sozinhos no bar durante o resto da festa... — esclareceu com sugestividade.

— Ele só queria experimentar as bebidas da adega, e como eu sou a melhor bargirl dos Vingadores decidi ajudá-lo. — dei de ombros quando já saíamos da caixa metálica.

— Ele se sentiu confortável na sua companhia. — parei de andar e me virei para o loiro. — Ele parecia o Bucky dos anos 40 novamente. Não tinha visto esse novo Bucky assim ainda.

Cruzei os braços e olhei seriamente para Steve.

— Você acha que ele pode voltar a ser desse jeito? 

— Eu não sei. Quem sabe você possa ajudá-lo com isso?

Comecei a pensar no que Steve contou. Eu estava certa sobre o que vi durante a festa. James realmente estava mais feliz naquele momento, não foi só uma impressão minha. E também não foi uma ideia louca que tive de eu mesma ajudá-lo a se redescobrir, pois se até o melhor amigo dele acha que eu posso fazer isso é sinal de que eu sou a pessoa que pode mostrar as coisas boas do mundo a Barnes.

— Eu já tinha pensado nisso quando vi o jeito dele na festa. Mas será que ele confiaria em mim?O loiro soltou o ar lentamente e franziu a testa.

— Bucky é difícil. Se você quiser ajudá-lo terá que ser paciente e não desistir dele.

— Bom, não garanto que terei paciência, mas nem por isso vou deixar de ajudar o esquisitão. Pode contar comigo, Cap. — disse convicta, mesmo que ainda tivesse uma pontinha de dúvida quanto a minhas palavras. — Não sei como te agradecer. — respondeu cheio de esperança.

— Bom, você pode começar procurando por ele e pedindo para ir até meu quarto em meia hora. Quero agradecer pelo que ele fez por mim e começar com meu plano de ajuda ao desmemoriado que precisa se adaptar. — disse com humor, arrancando uma gargalhada do Capitão.

— Farei isso.— Obrigada, Dorito. Vou para o meu quarto agora, até mais. — segui para os meus aposentos após Steve também se despedir de mim.

 Tudo que eu queria nesse momento era um bom banho e me livrar de uma vez desse vestido apertado e colocar algo confortável. Acreditem ou não, mas só quando cheguei ao quarto vi que estava sem minha bolsa e com um par de pantufas nos pés. Pois é, eu sou a distração em pessoa.

— Não acredito que perdi meus sapatos, não depois de pagar quase 300 dólares neles! E onde foi que enfiaram minha bolsa? Preciso do meu celular! — bufei irritada e fechei a porta com força.

Dei uma olhada por todo o quarto na esperança de alguém ter deixado minhas coisas por aqui, porém não encontrei nada. Decidi que pensaria nisso depois, visto que minhas coisas não sairiam voando e eu já tinha muito com o que me preocupar por hora. Tomei meu banho calmamente, coloquei um vestido estampado de alças e uma sapatilha preta e sequei meus cabelos após fazer uma maquiagem leve para esconde um pouco das minhas olheiras. 

Ouvi batidas na porta assim que desliguei o secador, e meu coração se descompassou ao imaginar que era James. Automaticamente lembrei do beijo do sonho, que pareceu muito real aliás, e uma parte de mim ficou pensando em alguma possibilidade de isso acontecer entre nós algum dia. Não seria nada de mais ter algo além de amizade com ele, mas com todos os problemas que ele está enfrentando duvido muito que pense em qualquer tipo de relação afetiva com alguém, ainda mais com uma doida como eu.

Espera, o que é que eu tô pensando? Eu também não tenho tempo pra romance! — neguei freneticamente com a cabeça para afastar esses pensamentos.

Saí do mundo da lua quando Bucky começou a me chamar impaciente do outro lado da porta.

— Wanessa?

— Só um segundo! — exclamei e corri para abrir a porta.

Assim que fiquei frente a frente com ele, um estranho nervosismo surgiu em mim. Minhas mãos começaram a suar e eu não sabia o que dizer, como se eu fosse uma adolescente ingênua perto do garoto que gosta. James estava usando o mesmo perfume da festa, e me segurei para não fechar os olhos e inalar o ar com força para sentir mais de seu cheiro. Não sei quanto tempo fiquei parada igual uma idiota olhando para ele, mas fui obrigada a me recompor no momento em que ele começou a estranhar minha atitude.

— Wanessa? Tá tudo bem? — questionou com uma careta.

Pisquei algumas vezes e concordei rapidamente com a cabeça.

— S-sim. Entra. — respondi atropelada e ele franziu o cenho.

Caminhei para dentro do quarto e após hesitar ele acabou entrando também, mas estava visivelmente tenso por estarmos sozinhos ali dentro. Me joguei num dos vários puffs que tenho pelo quarto e indiquei outro para Bucky, que também se sentou e ficou analisando o ambiente. Um incômodo silêncio se instalou entre nós, e como o esquisitão parecia não ter nada para dizer eu resolvi me pronunciar.

— Obrigada pelo que fez por mim. Eu fiquei muito grata por saber que ficou comigo na enfermaria.

Recebi a atenção do ex-HIDRA, que ficou me olhando por um bom tempo sem dizer nada ou esboçar nenhuma reação. Já estava começando a achar que um gato tinha comido a língua dele, até que ele finalmente soltou a voz.

— Depois de você me ajudar a me divertir na festa era o mínimo que eu podia fazer. — esclareceu sem tirar os olhos de mim.

Como você consegue me deixar tão desconcertada só com um olhar? mordi o lábio inferior e pisquei algumas vezes, retomando o foco da conversa.

— Essa era outra coisa que eu queria falar com você. Eu andei pensando e cheguei a conclusão de que você precisa se divertir mais, conhecer mais das coisas do nosso mundo para poder se sentir melhor. — revelei animada.

Para minha surpresa, Barnes riu secamente e se levantou parecendo irritado.

— Eu não tenho motivos para fazer nada disso!

Me pus em pé também e coloquei as mãos na cintura. Me controlei, já que eu nunca tive paciência com pessoas pessimistas, e o respondi da maneira mais calma que pude.

— Você pensa demais no lado negativo. Por que não deixa tudo de ruim que viveu no passado e tenta criar uma nova história? Você estava tão bem ontem, tenho certeza que pode se sentir feliz daquele jeito mais vezes.

James me encarou com uma expressão nada feliz e soltou o verbo para cima de mim.

— Você acha que eu conseguiria ser feliz depois de tudo o que eu já passei? Você não tem dezenas de crimes nas costas, então não venha dizer que eu posso recomeçar como se nada tivesse acontecido! 

Senti um nó se formar na minha garganta ao ouvir suas palavras, e como eu já estava com um pé na fogueira resolvi me queimar de uma vez e lhe contar uma pequena parte da minha história, para ver se ele mudava um pouco de posicionamento.

— Eu mais do que ninguém posso dizer isso. — comecei com rispidez. — Antes de eu entrar para a SHIELD eu era uma mercenária sem nenhum tipo de sentimento. Eu matava apenas por ganância, por conta do pagamento alto que recebia por cada serviço, consciente de cada um dos meus crimes. Um dia, eu caí numa emboscada de mercenários de uma gangue rival, e além de apanhar muito, um deles me atingiu com uma facada certeira no fígado — parei e tomei folego — Provavelmente devia ter achado que eu não valia nem uma bala e de fato eu não valia mesmo, mas eu nunca quis morrer por uma facada por que eu sei que é horrível. — Bucky estava visivelmente perplexo com o que eu estava contando. — Bom, todas as minhas vítimas eram peixes grandes, por isso a SHIELD tomou conhecimento de mim. Natasha e Clint foram enviados para me prender e me encontraram justo quando eu estava quase morrendo. Eles me levaram para um hospital da SHIELD ao invés de me deixarem morrer, que era o que deviam ter feito. Quando soube que os dois me salvaram, Fury decidiu tentar me dar a chance de redenção que eu nunca tive, então ele sugeriu de eu me tornar uma agente e em troca eu teria meus crimes perdoados. No começo eu recusei com todas as minhas forças, por achar que não teria salvação para mim e que eu não conseguiria seguir outra vida. Só depois que eu vi que poderia mudar e usar minhas habilidades para outra finalidade além de matar foi que eu resolvi aceitar a ajuda que ele me ofereceu. — resolvi parar por aí, afinal essa era a única parte que ele precisava saber no momento.

Respirei fundo e me joguei novamente no puff, enquanto Bucky estava com os braços cruzados e um olhar indecifrável sobre mim. 

— Me contou isso pra eu ficar com pena de você? — sibilou com a voz baixa e desdenhosa.

Franzi a testa e o olhei incrédula. Agora sim eu teria dificuldade para manter a paciência.

— Pena? — falei aumentando o tom de voz e me levantei novamente, — Eu acabei de contar parte da minha história pra você e você pergunta se foi por eu querer que você sentisse pena?

— Por que diabos você fez isso então? Pra tentar se comparar comigo? — também aumentou o tom e questionou com escárnio.Ri secamente e voltei a respondê-lo com raiva.

— Eu sou muito pior do que você, Barnes, não há como comparar. Eu só queria que você visse que não é o único monstro que existe!

— E você acha que com essa historinha vai conseguir ganhar minha confiança e fazer com que eu aceite a sua ajuda? — retrucou na base do grito também.

Historinha?  Agora ele mexeu num vespeiro! 

— Quer saber? No começo até era. Eu contei minha "historinha" na esperança de você abrir sua mente diante do que eu revelei. Mas pelo visto você não vai querer deixar pra trás o que viveu na HIDRA, né? Só te falo uma coisa: você é um Vingador agora e está tendo a chance de mudar, então pelo menos pare de agir como um coitado que não tem esperanças!

Não me importei de estar gritando e muito menos em medir minhas palavras. O olhar raivoso de Bucky mudou para um de surpresa, no mesmo instante que ele baixou a cabeça e se afastou de mim. Soltei o ar com força e fechei os olhos para me acalmar.

Droga James! A culpa foi sua! gritei em pensamento.

Já com meu controle de volta, caminhei para perto dele e cruzei os braços antes de me pronunciar de novo, com um tom de voz manso dessa vez.

— Eu sinto muito por dizer isso, mas era o que você precisava ouvir. Não vou insistir em te ajudar, nem que tente mudar sua vida.

Ele se virou de frente para mim e surpreendentemente aparentava estar entristecido e com uma cara de cachorro abandonado, que me fez ficar com um pouquinho de remorso pelo que eu disse.

— Você me acha um coitado? — foi sua pergunta, que saiu num tom melancólico.

Suspirei, fechei os olhos de novo e neguei com a cabeça.

— Não. Eu quis dizer que você age como um, mas eu sei que você não é.  

— Eu não consigo agir de outro jeito depois do que eu passei. E isso não é só sobre os crimes do Soldado Invernal, é sobre tudo que eu me lembro de ter sofrido na HIDRA. — me olhou triste.

Só depois de ouvir isso eu me senti arrependida e com raiva de mim mesma, mas não tive tempo de dizer nada já que ele resolveu se abrir comigo e contar alguns dos horrores que viveu.

— Eu me lembro de todas as torturas que sofri desde que fui capturado por eles. Eu fui congelado tantas vezes que perdi a conta de quantas foram. Tive a memória apagada quase todos os dias através de uma maldita máquina que disparava choques direto no meu cérebro, e lembro até hoje como era insuportável a dor que eu sentia. Eu estava acordado quando eles colocaram isso em mim, sem anestesia — apontou para o braço metálico—, e todos os testes e treinamentos para me tornar a arma perfeita foram massacrantes pra mim, mas eu era obrigado a fazê-los mesmo que estivesse todo quebrado. — engoliu em seco e passou a língua entre os lábios.

Sabe quando você extrapola e depois tem vontade de se atirar de um penhasco ao se dar conta da merda que fez? Então, é assim que eu me sinto agora. Eu fui uma besta quadrada quando disse todas aquelas palavras impensadas para ele, e senti como se tivesse levado um tiro no peito ao saber que tinha o machucado e que não dava para simplesmente pedir desculpa e fingir que nada aconteceu . 

Deus do céu, como eu pude achar que a minha história é pior do que a dele? — já estava quase me estapeando de raiva de mim mesma.

Minha vontade era abracá-lo e pedir perdão por tudo que eu disse, mas me controlei para não fazer isso. Eu sabia que apesar de ruins minhas palavras não foram de todo o mal, pois se ele contou coisas tão dolorosas é um sinal de que confiou em mim. Me aproximei dele, que estava de costas para mim, e apoiei a mão em seu ombro normal.

— Você não precisa mais falar sobre isso... — pedi quase num sussurro.

— Não, de alguma forma eu... eu precisava fazer isso. — se virou de frente para mim. — Eu achava que eu esqueceria de tudo se eu não falasse sobre meus traumas, mas as lembranças continuavam me atormentando dia após dia. — concluiu sem quebrar nossos olhares.

— E como você está agora?

— Como se tivesse com um peso a menos nas costas.

Mordi o lábio inferior e continuei fitando seus olhos azuis, tentando decifrar o que seu olhar significava. Uma mistura de tristeza, raiva, frustração e medo foi o que consegui identificar neles, além de algo indecifrável que estava entre todos os outros sentimentos. Permanecemos por bastante tempo em silêncio apenas nos olhando, e por alguma razão nenhum de nós estava desconfortável com isso.

— Desculpa pelo modo que falei com você, de certa forma o que eu ouvi me ajudou a abrir minha mente. — confessou um pouco arrependido quebrando o silêncio.

 Depois dessa frase e da carinha de menino carente que ele fez, não resisti e quando dei por mim já estava com os braços em volta de seu pescoço, o abraçando carinhosamente e sem me importar em demonstrar esse carinho. 

— Tá tudo bem. Você apenas se defendeu do meu xilique. — falei enquanto acariciava as costas largas dele.

Bucky permaneceu imóvel e senti sua tensão com meu gesto, então o larguei imediatamente e pigarreei de leve.

— E o que... o que vai fazer agora? — perguntei um pouco envergonhada pelo que fiz.

— Tentar recomeçar... mesmo que seja difícil. E eu preciso que você me ajude. — anunciou e comprimiu os lábios.

— Sério? — perguntei surpresa e também alegre.

Barnes sorriu amarelo e deu de ombros, enquanto eu sorria amigavelmente o incentivando a prosseguir.

— Se você ainda estiver disposta a isso...

— É claro que estou! — exclamei empolgada, mas minha empolgação durou pouco.Suspirei e baixei o olhar, e o ex-HIDRA percebeu que havia um porém.

— Mas?

— Eu quase não tenho muito tempo livre... — revelei comprimindo os lábios.

O ex-HIDRA murchou um pouco após o que eu disse e se afastou de mim, colocando as mãos nos bolsos da calça jeans surrada. 

— Se você não puder tudo bem...

— É claro que eu posso! — repeti convicta, — Só precisarei conciliar tudo.

— Eu não quero te deixar sobrecarregada. — disse negando com a cabeça e sentando num dos puffs.

— Você não irá. Eu sou multi tarefas,  sabia? — questionei com uma sobrancelha arqueada.

James riu rapidamente, e mais uma vez seu sorriso me contagiou, mesmo sendo mínimo. Após voltar à seriedade, cruzou os braços e me encarou com a testa levemente enrugada.

— E o que pretende fazer?

— Te mostrar as coisas legais do nosso mundo. — respondi prontamente. — Eu tenho a tarde livre hoje. Tem algum lugar que você gostaria de ir?

— Sim... — hesitou e incentivei ele a continuar — Eu nunca fui em um cinema desses atuais.

Ele ficou super envergonhado de confessar isso, então para fazê-lo se sentir melhor amigavelmente caminhei até ele e estendi a mão para ele levantar do puff. Bucky olhou para mim confuso e não moveu nenhum músculo.

— Nós vamos ao cinema então. Levanta, Soldado! — puxei a mão normal dele o obrigando a ficar de pé.  — Eu só preciso localizar minha bolsa e meu celular antes...

Caminhei pelo quarto coçando a cabeça e parei quando alcancei minha escrivaninha, me escorando na cadeira em frente a ela.

— Estão aí. — apontou para a cadeira que eu me encostei — Eu os trouxe e deixei aí depois que saí da enfermaria. Desculpe por entrar sem permissão...

Eu não disse que sou distraída? Juro que olhei e passei por essa cadeira umas 50 vezes e não percebi que eles estavam ali.

— Nossa, não tinha visto vocês aí!

Cruzei os braços e olhei feio para a cadeira, enquanto Bucky riu levemente da minha atitude. Peguei a bolsa e tirei meu celular de dentro dela, e só então lembrei de respondê-lo.

— Obrigada, Bucky, e sem problemas você ter entrado aqui. Só não faça isso quando eu estiver saindo do banho ou só de lingerie... — soltei a pérola sem pensar, pois me distraí respondendo uma mensagem de Hill.

Demorou um pouco até eu me dar conta do que tinha dito. Assim que me toquei da minha gafe, ri de nervoso e bati na minha própria testa, vendo que ex-HIDRA estava quase tão vermelho quanto um pimentão e não sabia para onde olhar de vergonha. O que eu disse nem foi tão indecente assim, mas com certeza para um senhor de 100 anos foi o cúmulo da sem-vergonhice já que as mulheres dos anos 40 nunca falariam algo assim.

— E-eu vou me... arrumar para irmos ao cinema então. — anunciou nervoso e se dirigiu até a porta.

— Ok... saímos em meia hora?

Ele apenas concordou com a cabeça e deixou o quarto a passos largos. Suspirei e caminhei até o guarda roupa para escolher um look para essa ida ao cinema com meu novo amigo gato que eu ajudarei a se jogar no mundo de novo. 

-Vai ser complicado...

Sorri brevemente e neguei com a cabeça, imaginando que será uma experiência e tanto para mim ser a personal helper da única pessoa que conseguiu me causar todos os tipos de sensações que eu nunca tinha sentido antes.


Notas Finais


E então?
O que acharam sobre a pequena revelação da Nêssa? Palpites sobre o que mais ela esconde?
E esse clima entre tapas e beijos dos dois? Garanto que ainda terão muitos momentos assim.
Dúvidas? Anseios? Alguma coisa que não tenha ficado clara?
Espero que tenham gostado!
Beijos e até mais :*


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